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O País – A verdade como notícia

Em Coropa, no distrito de Moma, em Moçambique, a chegada da electricidade está a transformar o quotidiano dos moradores: abriram barbearias, surgiram estúdios de gravação musical e o trabalho dos revendedores de peixe tornou-se mais fácil.

A 30 de Agosto de 2024, realizou-se a cerimónia de inauguração da infra-estrutura de ligação de Coropa à rede eléctrica nacional. Com financiamento da Haiyu Mining, esta comunidade da localidade de Mpago passou a estar ligada à rede.

Após a electrificação, em 2024, mais de 800 consumidores já beneficiavam da energia, e a infra-estrutura tinha capacidade para servir mais de 3 000. Com a chegada das linhas eléctricas à comunidade, começaram também a surgir novas actividades económicas.

Com electricidade, novas condições para os negócios

As barbearias e os estúdios de gravação musical estão entre os novos negócios que surgiram em Coropa depois da electrificação. São empreendimentos de pequena dimensão, mas ambos dependem de equipamentos e de electricidade. A ligação à rede criou condições para que estes serviços pudessem funcionar na comunidade.

As barbearias respondem a necessidades do dia-a-dia; os estúdios permitem a produção musical. Duas actividades distintas partilham a mesma infra-estrutura. Para quem as desenvolve, dispor de electricidade é uma condição para poder pensar nos equipamentos a utilizar e nos serviços a prestar.

Contudo, a chegada da electricidade não significa que os negócios prosperem automaticamente. Abrir um estabelecimento exige investimento, os equipamentos precisam de manutenção e os serviços dependem da procura. A ligação à rede assegura uma condição básica, mas essencial, para o exercício dessas actividades.

Uma linha eléctrica ligada ao sustento quotidiano

Os revendedores de peixe da comunidade também sentiram as facilidades trazidas pela electricidade. A forma de conservar o peixe fresco após a compra e o prazo para o vender têm consequências directas na qualidade do produto e nas perdas do negócio.

A electricidade permite o funcionamento de equipamentos de refrigeração e de produção de gelo, acrescentando uma opção para melhorar a conservação. Mas a compra de equipamentos e o consumo de energia também têm custos, pelo que os comerciantes precisam de ajustar o investimento à quantidade de peixe que movimentam e às possibilidades de venda.

Das barbearias à gravação musical e à venda de peixe, as necessidades de electricidade da comunidade estendem-se às actividades de sustento. As infra-estruturas eléctricas servem tanto os aparelhos domésticos como as ferramentas com que os moradores ganham a vida.

Levar a rede eléctrica a mais comunidades

As mudanças em Coropa inserem-se no processo de expansão do acesso à electricidade em Moçambique. Segundo dados divulgados pelo Banco Mundial em 2025, a taxa de acesso à electricidade no país passou de 31% em 2018 para 60% no final de 2024. A cobertura está a aumentar, embora uma parte significativa da população continue sem acesso.

Levar a rede eléctrica às comunidades exige investimento em infra-estruturas. O projecto de Coropa foi integrado no Plano Estratégico de Responsabilidade Social da Haiyu Mining para 2022–2026, com financiamento da empresa. O então administrador do distrito de Moma, Abacar Chande, presidiu à cerimónia de inauguração e manifestou expectativas quanto ao desenvolvimento da economia local.

Para os moradores e comerciantes, essas expectativas terão de se concretizar no quotidiano: poder utilizar aparelhos eléctricos, transformar uma habilidade num negócio e trabalhar com maior facilidade. As barbearias, os estúdios de gravação e as mudanças no comércio de peixe já observadas em Coropa representam um passo dado após a chegada da electricidade.

A Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB) vai proceder, no próximo dia 20 de Setembro, à abertura de um descarregador de meio-fundo a 80%, no âmbito da paragem da estação para a manutenção anual do parque electroprodutor.

A operação decorrerá entre as 05h00 e as 18h00 e, segundo a HCB, será uma manobra pontual, controlada e tecnicamente aprovada, destinada a garantir a compensação do caudal ecológico do rio Zambeze.

A medida visa assegurar a continuidade do escoamento ao longo do rio, contribuindo para a manutenção das condições necessárias ao equilíbrio dos ecossistemas e às actividades desenvolvidas pelas comunidades ribeirinhas.

A HCB refere ainda que a operação está enquadrada nos procedimentos de gestão criteriosa dos recursos hídricos da albufeira de Cahora Bassa, tendo em conta as condições operacionais do sistema e as previsões hidrológicas e climáticas para a próxima época chuvosa.

A Electricidade de Moçambique está a fazer uma auscultação pública aos seus clientes no bairro Polana Caniço, na cidade de Maputo. A actividade vai durar três dias, a contar a partir desta quarta-feira.

A provedoria itinerante é uma iniciativa da empresa pública Electricidade de Moçambique, que visa facilitar o atendimento ao consumidor levando os serviços para mais perto das comunidades.

“Estaremos aqui das 7h30 às 15h30 onde teremos os nossos técnicos a atenderem os clientes e ao cidadão até aquele que não tem energia pode aproximar-se, apresentar as suas questões, as suas inquietações. Aquele que tiver reclamações que ainda não foram atendidas pela EDM também pode se aproximar para apresentar. Temos uma equipa técnica que está aqui de prontidão para responder a essas situações”, explica  Elsa Prata da Silva, representante da EDM.

O campo 7 de Abril, no bairro Polana Caniço na cidade de Maputo, foi o local escolhido para os utentes apresentarem as suas preocupações, na esperança de ter soluções.

“A preocupação é pedir um candeeiro, porque temos um poste ali. Ali é um sítio onde aglomeram-se esses meninos que quando fumam e assaltam pessoas. Mas com o candeeiro, acho que a situação poderá melhorar”, disse um dos utentes presentes no local.  

Em função da complexidade, a  EDM explica que alguns problemas serão resolvidos no momento.

“Temos aqui uma equipa técnica que está pronta para resolver as questões que serão apresentadas durante estes três dias. Obviamente, dependendo de situação para situação, mas aquelas que podemos resolver em tempo útil serão todas resolvidas em tempo útil. Aquelas que precisarem de um pouco mais tempo, de uma apreciação um pouco mais profunda, poderemos levar connosco mas na esperança e na expectativa de que serão resolvidas com a maior brevidade possível”, acrescenta Elsa Prata da Silva.

Durante os três dias, a EDM espera atender uma média de 300 consumidores.

O Presidente da República, Daniel Chapo, lamenta o falecimento do artista plástico Ídasse Ekson Malendza Tembe, ocorrido esta quarta- feira, no Hospital Central de Maputo.

Em mensagem de condolências, o Chefe do Estado considera que “Moçambique perde hoje uma das figuras marcantes das suas artes plásticas”, cuja obra permanece como parte da memória colectiva nacional.

Ídasse, nascido a 1 de Julho de 1955, na cidade da Matola, pertenceu à geração de artistas que se afirmou nos primeiros anos da independência e contribuiu, segundo o Presidente Chapo, para a construção de uma linguagem das artes plásticas moçambicanas.

Desenhador, pintor, ceramista, ilustrador e escultor, iniciou a participação em exposições colectivas em 1977 e, a partir de 1982, dedicou-se exclusivamente às artes plásticas. Trabalhou no Instituto Nacional de Cinema, cujo Departamento de Arte é fundador, e integrou o movimento Charrua.

O Presidente da República sublinha que a melhor homenagem a Ídasse é preservar, estudar e divulgar a sua obra, para que as novas gerações conheçam o artista e o período da história cultural moçambicana de que foi protagonista.

Neste momento de dor, o Presidente da República endereça, “em nome do Povo e do Governo de Moçambique e no seu próprio, as mais sentidas condolências à família, amigos, artistas e à comunidade cultural moçambicana”, lê-se no comunicado.

Pelo menos dois supostos terroristas foram abatidos em confrontos com as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas e militares do Ruanda em Macomia, na província de Cabo Delgado, disse à Lusa fonte oficial.

Segundo a fonte, os confrontos tiveram lugar no domingo, nas matas do posto administrativo de Quiterajo, a cerca de 70 quilómetros da vila de Macomia, numa operação conjunta para tentar conter a insegurança na região.

Na operação, um membro das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas ficou ferido, em resultado de um tiro numa perna.

“Conseguimos afastar o inimigo da zona”, relatou a mesma fonte, acrescentando que, além de Quiterajo, outras operações do género em curso, para manter a segurança no interior e litoral de Macomia.

Populares de Nkóe, em Macomia, relataram na semana passada momentos de pânico face à constante aproximação de membros de supostos grupos de terroristas à comunidade, visando os campos de produção agrícola.

Segundo fontes locais, estes momentos têm vindo a repetir-se nos últimos dias nas zonas de produção perto do rio Messalo, distrito de Macomia, onde a maioria dos residentes daquela zona tem estado a trabalhar.

“Na zona de produção de Messalo e aqui perto da aldeia, têm estado a circular, por isso é que o medo é maior”, disse anteriormente à Lusa uma fonte da povoação.

No domingo, os rebeldes chegaram a saquear um campo de milho perto da aldeia de Nkóe, aumentando a preocupação dos moradores.

“Onde eles saquearam milho é mesmo perto da aldeia, por isso alguns tinham fugido para Nova Zambézia”, relatou outra fonte.

Além de Nkóe, as comunidades de Nguida e Nova Zambézia, Macomia, Chicomo e Meluco, têm estado a denunciar uma aproximação constante dos rebeldes sobretudo em campos de produção agrícola.

Extremistas do Estado Islâmico reivindicaram na semana passada vários ataques no distrito de Macomia, incluindo confrontos com as Forças de Defesa e Segurança. Através dos respetivos canais de propaganda, afirmaram ter decapitado um “cristão” durante um ataque a uma aldeia em Macomia.

A província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, rica em gás natural, enfrenta desde outubro de 2017 uma insurgência armada por grupos associados ao Estado Islâmico, que provocaram mais de 6.600 mortos e 1,2 milhões de deslocados, segundo dados de organizações internacionais.

As vizinhas províncias de Niassa e Nampula têm registado igualmente incursões por estes grupos desde abril do ano passado.

 A regulamentação sobre o uso da inteligência artificial no sector da educação encontra-se em fase avançada de elaboração e deverá ser submetida ao Conselho de Ministros ainda este ano, para apreciação e aprovação.

A informação foi avançada, esta quarta-feira, pela Ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, em Maputo, à margem da abertura da 4.ª Conferência Nacional de Educação à Distância, que debate os desafios e as soluções para o sector.

Segundo a governante, o documento pretende estabelecer balizas concretas para o uso da inteligência artificial nas instituições de ensino, com vista a salvaguardar a qualidade da educação e assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma responsável e ética.

A regulamentação deverá abranger, particularmente, o uso da inteligência artificial generativa, ferramenta capaz de produzir conteúdos e apresentar respostas a partir de comandos introduzidos pelos utilizadores.

“Estamos a trabalhar com todas as instituições. Já tivemos encontros de trabalho e o documento está a ser produzido. Dentro de pouco tempo vamos apresentá-lo e, posteriormente, as normas serão levadas ao Conselho de Ministros para aprovação”, explicou Samaria Tovela.

A ministra esclareceu que as futuras normas terão âmbito nacional e deverão abranger todos os níveis de ensino, desde o primário ao superior.

 

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA GANHA ESPAÇO

Durante a conferência, foram igualmente apresentados dados preliminares relativos à educação à distância no ensino superior, referentes a 2025. Os números apontam para cerca de 75.200 estudantes matriculados nesta modalidade, correspondentes a 26,6 por cento do total de estudantes do ensino superior a nível nacional.

Para a Ministra da Educação e Cultura, os números representam mais do que uma realidade estatística, traduzindo o acesso de jovens, mulheres, trabalhadores e outros cidadãos que encontram na educação à distância uma oportunidade para adquirir competências e transformar as suas vidas.

Segundo Samaria Tovela, a expansão desta modalidade de ensino constitui também uma via para reforçar a contribuição dos cidadãos para o desenvolvimento do país.

 

Depois das chuvas,os produtores do distrito de Limpopo enfrentam uma nova ameaça nas machambas.Hipopótamos e javalis invadem as áreas de cultivo e agravam as perdas das famílias camponesas. Nas últimas semanas, mais de 13 mil hectares de culturasforam devastados, elevando para mais de dois mil o número de áreas perdidas, com perdas médias de cerca de 200 hectares por produtor.

Os produtores do distrito de Limpopo, em Gaza, ainda contabilizavam os prejuízos provocados pelas últimas chuvas quando uma nova ameaça tomou conta das machambas. Hipopótamos e javalis avançaram e deixaram rastos de destruição sobre extensas áreas de cultivo.
Totoe e Dlovukaze estão entre as zonas afectadas, enquanto em Languene pelo menos 300 camponeses viram as suas áreas agrícolas invadidas por animais bravios.

Segundo João Jaime, líder local no distrito de Limpopo, a presença dos animais tem-se tornado cada vez mais frequente nas zonas de produção.
“Hipopótamos e porcos-do-mato avançam sobre as culturas e deixam para trás marcas de destruição, com destaque para Totoe e Dlovukaze. Em Languene foram assolados pelo menos 300 camponeses”, explica.
A situação agravou-se depois das cheias. Adriano Bilene, líder de Languene, diz que os animais deixaram de se afastar com a presença humana, aumentando a exposição das comunidades.

“Após as cheias, a invasão de hipopótamos piorou, porque os animais já não se assustam com a presença de pessoas. Desde Manhegan, Phiko e Nguava, contabilizam-se cerca de 500 pessoas com as suas áreas agrícolas assoladas”, relata.

Até ao momento, de acordo com  director de Actividades Económicas de Limpopo, Oldimiro Chaúque, confirmam-se a destruição de cerca de 13 mil hectares de culturas diversas. Mas o fenómeno não se limita à actual campanha agrícola,
António Chirindzane, extensionista agrário no distrito de Limpopo afirma que, numa média anual, o sector agrícola perde mais de 200 hectares de culturas devido à invasão de animais bravios.

A dimensão do problema levou as autoridades obrigou à activação de equipas de fiscais de fauna bravia para acompanhar as áreas mais afectadas.
A ameaça não se limita às culturas. Há produtores que também relatam perdas de gado na sequência das chuvas. Aos 66 anos, Linda, agricultora em Limpopo, diz ter ficado sem parte dos seus bens depois da morte dos animais.

“Estou a sofrer. Aos 66 anos de idade, não tenho nada. As chuvas do dia 11 provocaram a morte do meu gado. Perdi três cabeças de gado e um cabrito”, lamenta. Depois de perder parte do gado e das culturas, a agricultora diz que a prioridade agora é voltar à machamba. Mas, para isso, precisa de sementes.
“Mas, ao receber a enxada, não posso levar milho? Aqui neste Governo, isso faz sentido? Respondam-me: cinco quilos de sementes podem semear uma área de um hectare?”, questiona Linda.

Perante o cenário, o Governo do distrito de Limpopo promete intervir na reposição de sementes e utensílios agrícolas, numa tentativa de permitir que pelo menos” 500 produtores  retomem a actividade.”
A situação, entretanto, continua a exigir resposta das autoridades. De acordo com os dados apresentados pelas autoridades locais, os efeitos combinados das chuvas e da invasão de hipopótamos já terão devastado até 25 mil hectares de culturas.
Para tentar proteger o pouco que resta, parte de um total de 30 mil produtores passaram a pernoitar nas próprias machambas, numa vigília permanente para travar o avanço dos animais e evitar novas destruições.

Jornalista José de Nascimento defende reforço da segurança e revisão da governação sul-africana perante a persistência dos actos xenófobos

As manifestações que têm ocorrido na África do Sul, particularmente às quintas-feiras, continuam a suscitar preocupações sobre a segurança dos imigrantes e o impacto da xenofobia na economia do país. Segundo o jornalista José de Nascimento, que se encontra na África do Sul, os protestos, inicialmente mais concentrados em Durban, agora denominada eThekwini, deverão estender-se à província de Mpumalanga, onde estão previstas novas manifestações.

José de Nascimento explica que, ao contrário da mobilização registada a 30 de Junho, os actuais protestos têm tido uma incidência mais localizada, embora exista preocupação com a sua expansão para outras regiões do país.

O jornalista considera que as autoridades sul-africanas devem reforçar a segurança e actuar de forma mais firme para proteger os imigrantes. Segundo afirma, a polícia tem demonstrado maior intervenção, citando como exemplo um episódio recente em que impediu manifestantes de atacarem um grupo de imigrantes que se encontrava acampado junto do Departamento de Administração Interna, na tentativa de solicitar o estatuto de refugiado ou asilo político.

Para José de Nascimento, a persistência de actos xenófobos está a afectar negativamente a imagem internacional da África do Sul e poderá ter consequências económicas, sobretudo nas zonas fronteiriças e nas regiões que mantêm fortes relações comerciais com os países vizinhos.

XENOFOBIA AFECTA ECONOMIA

O jornalista chama particular atenção para a província de Mpumalanga, onde, segundo explica, a actividade económica está fortemente ligada ao intercâmbio com Moçambique.

Nascimento destaca o crescimento de Mbombela, anteriormente conhecida como Nelspruit, atribuindo parte desse desenvolvimento ao intercâmbio comercial e industrial com Moçambique. Salienta que a circulação de cidadãos moçambicanos que atravessam a fronteira para realizar compras e desenvolver actividades comerciais representa uma importante fonte de dinamização económica para a região.

Neste contexto, alerta que a continuidade dos actos xenófobos e a eventual redução da circulação de cidadãos estrangeiros poderão provocar consequências negativas para a economia local e, de forma mais ampla, contribuir para o enfraquecimento da economia sul-africana.

O jornalista defende, por isso, que o Governo sul-africano deve rever aspectos da sua governação, particularmente no que diz respeito à política migratória e à forma como as autoridades respondem aos episódios de violência contra estrangeiros.

 

POLÍCIA DEVE ACTUAR CONTRA VIOLÊNCIA

 

José de Nascimento considera que, numa primeira fase, as autoridades devem reforçar a presença policial e responsabilizar criminalmente os autores de ataques contra imigrantes.

Defende igualmente uma intervenção de maior alcance, acompanhada por programas de educação cívica dirigidos não apenas às escolas, mas à sociedade sul-africana no seu conjunto, com o objectivo de combater preconceitos e reduzir a hostilidade contra estrangeiros.

Na sua análise, a questão ultrapassa a situação dos imigrantes em situação irregular ou sem documentação, uma vez que, independentemente do seu estatuto migratório, todos os indivíduos estão protegidos pelos direitos humanos e não devem ser vítimas de violência física, psicológica ou emocional.

 

RELAÇÕES COM MOÇAMBIQUE EM RISCO

O jornalista considera ainda que a xenofobia pode prejudicar as relações da África do Sul com outros países africanos, particularmente com os Estados vizinhos. No caso de Moçambique, recorda que milhares de pessoas atravessam regularmente a fronteira para trabalhar, fazer negócios ou realizar compras na África do Sul, contribuindo para a circulação de bens e capitais entre os dois países.

Nascimento defende que a África do Sul deve adoptar uma abordagem migratória mais inclusiva e transformar as declarações políticas em medidas concretas.

Para o jornalista, a União Africana e a SADC também devem assumir uma posição mais exigente perante as autoridades sul-africanas, tendo em conta que os episódios de xenofobia têm ocorrido de forma cíclica nos últimos anos.

 

MANIFESTAÇÕES CHEGAM A MPUMALANGA

As manifestações que têm ocorrido regularmente às quintas-feiras deverão, desta vez, ter como novo foco a província de Mpumalanga. José de Nascimento admite que a mobilização poderá manter-se pacífica, mas alerta para a necessidade de reforço da segurança, considerando que a evolução dos protestos poderá ser imprevisível. O jornalista recorda ainda que a actual situação ocorre num país cuja história de luta contra o apartheid contou com o apoio de vários Estados africanos, incluindo Moçambique, Angola e Zimbabwe.

Na sua perspectiva, a defesa dos direitos dos imigrantes e o combate à xenofobia devem ser encarados também como uma questão de responsabilidade regional, num continente onde a mobilidade das populações e as relações económicas entre países são cada vez mais importantes.

 

Vendedores de Chongoene voltam a protestar contra a retirada da zona de Senta Baixo. O grupo diz que o mercado de Chongoene não pertence ao governo e recusa-se a ser transferido para uma área que considera de risco, por estar numa curva acentuada da EN1. Os vendedores exigem uma solução.

Quatro semanas depois, cerca de 400 vendedores do Mercado Senta Baixa, em Chongoene, voltaram a protestar contra a transferência para o Mercado da Paz. O grupo recusa-se a abandonar o actual espaço, alegando que a alternativa indicada pelas autoridades está localizada numa zona de risco, junto a uma curva acentuada da Estrada Nacional Número Um.

Para os vendedores, a questão não se resume à mudança de local. O grupo contesta também a utilização do Mercado da Paz como alternativa, alegando que o espaço não pertence ao Governo.

“Ali não vamos entrar, porque não é o nosso espaço. Os proprietários haviam alugado o local aos chineses e, quando estes terminaram as suas actividades, devolveram-no aos proprietários. Nós, aflitos, continuamos aqui fora”, explica Miséria Chachuaio, vendedeira em Chongoene.

A insegurança junto ao Senta Baixo é outro dos argumentos apresentados pelos vendedores para rejeitar a transferência. A proximidade com a curva da EN1, dizem, coloca em risco a vida de quem trabalha e circula naquele ponto.

“Quase que acontecia um acidente. O carro saiu da via e veio na nossa direção. Um dia, os carros ainda vão acabar por nos atropelar aqui”, alerta Miséria Chachuaio.

A preocupação é partilhada por Lurdes Bocal, vendedeira em Chongoene.

“O que vamos fazer? Um carro quase atropelou as pessoas ali. E veja que esta é uma curva muito acentuada”, afirma.

Os vendedores contestam ainda as informações do Governo sobre a titularidade do Mercado da Paz e acusam as autoridades de tentar ocupar o espaço à força, sem diálogo com os proprietários.

“Aquele mercado não foi construído pelo Governo. Querem tomar de assalto e à força uma propriedade alheia, e o dono revolta-se. Os donos do espaço têm as suas tradições, mas o Governo não quer aproximar-se para dialogar; querem tomar à força por serem Governo”, acusa Marieta, representante do grupo de vendedores.

A situação, segundo os vendedores, agrava-se com as dificuldades enfrentadas por quem permanece no Senta Baixa, onde alegam existir episódios de agressão e dificuldades de circulação.

“Estamos a ser agredidos. As pessoas são obrigadas a descer pela linha férrea, carregando sacos de 25 quilogramas até Venhene”, denuncia Marieta.

Perante o impasse, o grupo pede uma intervenção das autoridades para encontrar um espaço que reúna condições de segurança para o exercício da actividade comercial.

“Queremos pedir ao Chapo que nos arranje um espaço e queremos saber para onde vamos”, apela Miséria Chachuaio.

A reivindicação ocorre num contexto de crescente insegurança no Senta Baixa, apontada como zona de concentração de pessoas e onde, nas últimas semanas, foram registados pelo menos nove casos criminais.

Entre os casos está o de um agente económico que terá sido assaltado duas vezes no mesmo dia, por grupos diferentes. Depois de perder uma motorizada para os meliantes, dois homens terão ainda tentado assaltá-lo, sem conseguir levar os 20 mil meticais que transportava quando seguia para casa.

No último caso, um estudante e o seu tio terão confessado o envolvimento no crime, alegando que pretendiam obter dinheiro para despesas de viagem e para uma tentativa de deslocação a Portugal.

“Queríamos apenas 10 ou 15 mil meticais para juntar ao 60 mil e  pagar um contrato em Portugal”

Carlos Macuácua, a polícia vai reforçar a presença policial no local para travar a onda de crimes no local. Com estes últimos casos, sobe para 12 o número de agentes de carteira móvel assaltados na zona de Senta Baixa nos últimos meses.

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