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Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende

Universidade Licungo lança programa de doutoramento

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende

Todos os dias, muito antes de os primeiros turistas contemplarem as águas azul-turquesa de Bazaruto, há homens que já patrulham o mar à procura de redes ilegais, ninhos de tartarugas ameaçados ou sinais de caça furtiva. Poucos conhecem os seus nomes, mas grande parte da riqueza natural que transformou o arquipélago numa referência internacional de conservação passa pelas mãos destes fiscais. Muitos foram pescadores, cresceram a viver do mar e hoje dedicam a vida a protegê-lo. A história do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto não se explica apenas pela beleza das suas paisagens ou pelas espécies que abriga. Explica-se também por aqueles que, durante anos, travaram uma batalha silenciosa para impedir que este património desaparecesse.

Durante anos, proteger o Arquipélago de Bazaruto significava enfrentar uma realidade dura e, muitas vezes, invisível. A pobreza empurrava comunidades para a exploração intensiva dos recursos marinhos, a pesca ilegal ameaçava espécies vulneráveis e a conservação era vista, por muitos, como um obstáculo à sobrevivência. Hoje, o cenário é diferente. O arquipélago é reconhecido como a maior área de conservação marinha de Moçambique e uma referência na protecção da biodiversidade. No centro desta transformação não estão apenas embarcações, drones ou legislação mais rigorosa. Estão homens e mulheres que nasceram nas próprias comunidades, conheceram o mar como pescadores e decidiram dedicar a vida a protegê-lo.

A história da conservação em Bazaruto também é a história da mudança de mentalidade dentro das comunidades. Muitos dos actuais fiscais cresceram dependentes do oceano para garantir o sustento das suas famílias. Conheciam os canais, os recifes e os locais de pesca muito antes de vestirem o uniforme do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto. Essa experiência, que antes servia para explorar os recursos marinhos, passou a ser utilizada para os preservar.

Fernando Zivane é um desses exemplos. Hoje integra a equipa de fiscalização do parque, mas recorda que a realidade nem sempre foi a mesma. Ao longo dos anos, assistiu à transformação da relação entre as comunidades e a área de conservação, num processo que exigiu diálogo, persistência e confiança.

A mudança, contudo, esteve longe de acontecer de forma imediata. Os primeiros anos da fiscalização foram marcados por enormes dificuldades. A escassez de embarcações, equipamentos e meios de comunicação limitava a capacidade de patrulhar uma área protegida com centenas de quilómetros quadrados de mar. A vastidão do arquipélago contrastava com os poucos recursos disponíveis para o proteger.

Santos Abdul, também fiscal do parque, lembra que o trabalho exigia sacrifício permanente. Fiscalizar significava enfrentar longas distâncias, condições meteorológicas adversas e, muitas vezes, actuar com meios insuficientes perante quem insistia na captura ilegal de espécies protegidas e na destruição dos ecossistemas marinhos.

Mesmo perante essas limitações, desistir nunca foi uma opção. A convicção de que cada patrulha podia significar a sobrevivência de uma tartaruga marinha, a preservação de um recife de coral ou a protecção do último habitat de dugongos existente em Moçambique manteve estes profissionais firmes na missão de defender um património natural de valor incalculável.

Os resultados desse esforço começam hoje a ser visíveis. A fiscalização tornou-se mais estruturada, os meios de vigilância aumentaram e a monitoria das espécies passou a apoiar-se em informação científica produzida diariamente no terreno.

Para Lorena Matos, bióloga marinha, os fiscais desempenham um papel insubstituível na gestão do parque. São eles que permanecem permanentemente no terreno, percorrem praias e canais, identificam ninhos de tartarugas, monitoram áreas sensíveis e recolhem informação que posteriormente é analisada pela equipa científica para apoiar a tomada de decisões sobre a conservação das diferentes espécies.

Segundo explica, a investigação científica só produz resultados quando existe informação consistente proveniente do campo, e é precisamente aí que o trabalho diário dos fiscais se torna determinante para garantir uma gestão baseada em evidências e não apenas em estimativas.

O impacto deste trabalho ultrapassa largamente a protecção da fauna marinha. A presença permanente dos fiscais contribuiu para reduzir actividades ilegais, aumentar o respeito pelas zonas protegidas e reforçar a confiança entre as autoridades do parque e as comunidades locais. O mar deixou progressivamente de ser visto apenas como uma fonte de exploração para afirmar-se como um território onde a conservação também representa uma forma de garantir o futuro das próximas gerações.

Para Armando Nguenha, administrador do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, seria impossível imaginar o actual estado de conservação sem o envolvimento dos fiscais e das comunidades.

Segundo explica, um parque de conservação não sobrevive apenas por existir uma lei ou um limite geográfico. Sobrevive porque existem pessoas dispostas a fazer cumprir essas regras todos os dias. Se a fiscalização desaparecesse, admite, o próprio parque estaria seriamente ameaçado.

“O parque desapareceria. A comunidade, por si só, não conseguiria travar todas as pressões que existem sobre os recursos naturais. É a colaboração entre comunidades, fiscais e administração que permite alcançar os resultados que hoje temos”, defende.

O responsável acrescenta que esse esforço precisa de continuar a ser reforçado, sobretudo através do fortalecimento da fiscalização, considerada um dos pilares fundamentais para garantir que as comunidades consigam preservar aquilo que decidiram proteger.

Hoje, o Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto é reconhecido como uma referência nacional na conservação marinha. As suas águas acolhem populações importantes de dugongos, cinco espécies de tartarugas marinhas, recifes de coral, aves costeiras e uma enorme diversidade de peixes que sustentam tanto a biodiversidade como a actividade turística da região.

Por trás dessa riqueza existe um trabalho que raramente aparece nas fotografias promocionais do arquipélago. É o trabalho silencioso dos fiscais que, antes do nascer do sol, saem para patrulhar praias, canais e bancos de areia, enfrentando o mar para garantir que um dos maiores patrimónios naturais de Moçambique continue vivo.

São homens e mulheres que dificilmente recebem aplausos. Mas sabem que cada patrulha concluída, cada ninho protegido e cada infracção evitada representa muito mais do que o cumprimento de uma missão. Representa a possibilidade de deixar às futuras gerações um Bazaruto mais próximo daquele que herdaram do que daquele que um dia esteve ameaçado de desaparecer.

O Gabinete da esposa do Presidente da República recebeu um donativo de sete milhões de meticais para a reabilitação de um hospital em Mecanhelas, na província do Niassa. Segundo Gueta Chapo, os trabalhos deverão arrancar em breve.

A informação foi avançada pela esposa do Presidente da República no final de uma visita de três dias a Luanda, capital de Angola, onde participou na gala de angariação de fundos da Organização das Primeiras-Damas Africanas.

Na ocasião, Gueta Chapo fez o balanço da sua participação no evento e revelou que o seu gabinete regressou com o donativo destinado à reabilitação do hospital em Mecanhelas.

Durante a sua estadia em Luanda, a Primeira-Dama visitou o Centro de Ciências, a Feira de Artes e participou na inauguração de um hospital especializado na área das queimaduras, uma iniciativa que afirmou gostar de ver replicada em Moçambique.

A unidade sanitária foi baptizada Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, em homenagem ao antigo Presidente da Tanzânia. A cerimónia contou com a presença de familiares de Julius Nyerere, bem como da actual Presidente daquele país.

As últimas chuvas agravaram a erosão que fustiga 15 bairros do município de Chibuto há mais de três décadas. As autoridades locais criticam a falta de um sistema adequado de drenagem e escoamento das águas, apontando esta situação como um dos factores que intensificam o problema. A edilidade admite limitações financeiras para executar obras estruturantes e estima precisar de cerca de 300 milhões de meticais para intervir nas vias de acesso em estado crítico.

O fenómeno começou a ganhar expressão em 1995 e, desde então, continua a comprometer a mobilidade das comunidades afectadas. O chefe do bairro comunal, Júlio Malhaieie, explica que a erosão agravou-se devido à ausência de infraestruturas capazes de encaminhar as águas pluviais.

“Começou a erosão neste bairro aqui nos anos 95. Até cá, muitas vias não têm possibilidade de transitabilidade. É muito crítico, conforme está a posição do terreno.”

Segundo o responsável, entre as zonas mais afectadas estão , o bairro 3 da cidade, Nyokani e Savene, Júlio Malhaieie, aponta que grande parte da água da cidade converge para estas áreas devido à falta de valas de drenagem.

“Toda a água da cidade vem para cá. As próprias estradas da cidade não têm valetas próprias que canalizam a água até ao vale. Por isso, quando chega o tempo chuvoso, voltamos ao zero.”

A dimensão do problema levou o município a reconhecer a necessidade de uma intervenção estruturante. O vereador de Urbanização de Chibuto, Jacinto Macondzo, confirma que cerca de 15 bairros enfrentam problemas sérios de erosão e defende a realização de estudos aprofundados para encontrar uma solução definitiva.

“Temos cerca de 15 bairros com problemas sérios de erosão. Dizer quando podemos acabar a erosão é difícil porque, segundo a configuração da nossa cidade, precisa de um estudo aprofundado.”

O vereador revela que o município aguarda a elaboração de um plano de combate à erosão, com apoio financeiro do Banco Mundial, e estima que a recuperação das vias afectadas poderá exigir mais de 300 milhões de meticais.

“Para estes trabalhos de recuperação das vias, precisamos de cerca de 300 e tal milhões.”

Enquanto aguarda por uma solução de maior dimensão, a edilidade diz estar a intervir com recursos próprios na reposição de algumas vias afectadas pelas últimas enxurradas.

“Neste momento, o município com os seus meios próprios está a fazer algum trabalho de reposição de algumas vias que desde as últimas enxurradas estavam intransitáveis.”

Apesar das intervenções em curso, as autoridades reconhecem que a erosão continua a ser um dos principais desafios urbanos de Chibuto, agravado em cada época chuvosa pela falta de um sistema eficiente de drenagem.

Um camião articulado carregado de ferro-velho despistou-se e a sua trela capotou no início da noite deste sábado, no mercado Sicoco, bairro com o mesmo nome, na cidade de Quelimane. O acidente ocorreu numa zona considerada de elevado risco devido à intensa circulação de pessoas e viaturas.

Segundo testemunhas, o camião seguia no sentido Quelimane–Nicoadala quando, ao aproximar-se da curva do mercado Sicoco, o motorista perdeu o controlo da viatura. Antes do capotamento, apercebendo-se do perigo, o condutor terá alertado as pessoas que se encontravam nas proximidades para se afastarem, evitando assim uma possível tragédia.

A chuva que caía na altura do acidente e o piso escorregadio poderão ter contribuído para o despiste, embora as causas do sinistro ainda não tenham sido oficialmente esclarecidas pelas autoridades competentes.

Apesar do susto e dos avultados danos materiais registados no camião e na mercadoria transportada, não havia, até ao fecho desta edição, confirmação de vítimas humanas. Após o acidente, o motorista abandonou o local, desconhecendo-se, para já, o seu paradeiro.

A Polícia deverá proceder às investigações para esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o acidente.

A Peace Parks Foundation vai disponibilizar cerca de 23 milhões de dólares americanos em 2026 para apoiar a continuidade das operações e o desenvolvimento de quatro parques nacionais em Moçambique.

A conservação da fauna bravia em Moçambique vai contar com um novo impulso financeiro. A Peace Parks Foundation anunciou um orçamento de cerca de 23 milhões de dólares americanos para garantir a continuidade das operações e apoiar o desenvolvimento de quatro parques nacionais no país.

O apoio abrange os parques nacionais do Maputo, Banhine, Limpopo e Zinave, além das áreas de conectividade ecológica integradas no corredor transfronteiriço do Grande Limpopo.

Segundo Bartolomeu Soto, representante da Peace Parks Foundation, o investimento pretende reforçar a gestão das áreas de conservação e assegurar a recuperação dos ecossistemas.

“Para o corrente ano de 2026, temos disponível um orçamento de cerca de 23 milhões de dólares americanos para apoiar a continuidade das operações e do desenvolvimento dos quatro parques, nomeadamente Parque do Maputo, do Banhine, do Limpopo e do Zinave, incluindo as áreas de conectividade ecológica na área transfronteiriça do Grande Limpopo.”

No Parque Nacional de Banhine, a organização destaca os avanços no processo de repovoamento da fauna, com a introdução de diferentes espécies e a preparação da chegada de girafas.

“Vieram impalas, zebras, boicavalos, pivas e xangos. Neste ano, planifica-se a chegada das primeiras vinte girafas. Estes animais não serão apenas números. São vida. São um marco da recuperação do ecossistema.”

A Peace Parks Foundation defende que a sustentabilidade dos parques depende de uma gestão cada vez mais profissional e de novos modelos de parceria.

“Acreditamos que o futuro do Banhine também passa por uma gestão cada vez mais forte, profissional e sustentável.”

A organização espera ainda avanços na implementação do Regulamento de Gestão Colaborativa, que poderá permitir a criação de uma entidade autónoma envolvendo a Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC) e a Peace Parks Foundation.

“A criação do modelo de parceria público-privada prevista no novo quadro regulamentar poderá permitir o estabelecimento de uma entidade autónoma, constituída pela ANAC e pela Peace Parks, para apoiar a gestão e desenvolvimento do parque.”

Actualmente, a fundação assume uma parte significativa dos custos de funcionamento destas áreas protegidas.

“Hoje, aproximadamente 80% dos custos operacionais destes parques são provenientes da Peace Parks Foundation”, concluiu  Bartolomeu Soto.

Residentes dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, denunciam o recrudescimento de esquemas de venda múltipla de terrenos, por valores que variam entre 20 e 50 mil meticais, e apontam o alegado envolvimento de algumas autoridades locais. Os moradores exigem medidas para travar o fenómeno. O presidente do município revela que há cerca de 20 casos em investigação e anuncia a prorrogação do prazo de regularização de terrenos até ao final de agosto.

Moradores dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, voltam a denunciar alegados esquemas de venda ilegal de terrenos, envolvendo suspeitas de participação de algumas autoridades locais. Segundo os denunciantes, a mesma parcela chega a ser comercializada para duas ou três pessoas diferentes, com valores que variam entre 20 e 50 mil meticais.

Os residentes afirmam que a prática tem gerado conflitos entre compradores e disputas pela posse de terrenos, um problema que, segundo dizem, persiste há vários anos sem uma solução definitiva. Perante o cenário, exigem uma intervenção mais firme das autoridades para travar o fenómeno e responsabilizar os envolvidos.

“Há pessoas que compram um espaço, pagam o dinheiro, começam a construir e depois aparece outra pessoa com documentos a dizer que também comprou o mesmo terreno. Isso tem criado muitos problemas nos bairros”, denuncia um morador.

Confrontado com as acusações, o chefe do Posto Administrativo de Patrice Lumumba, Pedro Sitoe, reconhece que a venda ilegal de terrenos é uma preocupação das autoridades locais. Segundo explica, quatro indivíduos já foram neutralizados no âmbito das ações de combate a esta prática.

“Nós temos conhecimento dessas situações e estamos a trabalhar para travar este fenómeno. Já conseguimos neutralizar quatro indivíduos envolvidos na venda ilegal de terrenos. Em relação ao suposto envolvimento de líderes locais, até ao momento não temos elementos que confirmem essas acusações, mas qualquer denúncia será investigada”, esclarece Pedro Sitoe.

Também chamado a pronunciar-se sobre o assunto, o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, revela que a autarquia acompanha cerca de 20 processos relacionados com conflitos de terrenos.

“Temos cerca de 20 casos em investigação e estamos a seguir os procedimentos administrativos e legais para responsabilizar quem estiver envolvido. A população deve continuar a denunciar situações de ocupação e comercialização ilegal de terrenos”, afirma o edil.

Face à persistência dos conflitos fundiários, o município decidiu prolongar por mais 30 dias o prazo para a regularização de cinco mil terrenos considerados ociosos. Segundo Ossemane Adamo, terminado o período, as parcelas que permanecerem sem regularização poderão reverter para o património municipal.

“Estamos a dar mais uma oportunidade aos titulares para regularizarem a situação. Depois deste prazo, os terrenos que continuarem sem qualquer procedimento de regularização serão tratados de acordo com a legislação em vigor”, explica.

Até ao momento, pelo menos  1.800 parcelas já foram regularizadas, de um universo de cinco mil abrangidas pelo processo. As autoridades municipais apelam aos titulares para concluírem a regularização até ao final de agosto, alertando que o incumprimento poderá resultar na perda do direito sobre os respetivos terrenos.

 O aumento da circulação de caçadores furtivos, associado ao fabrico e comercialização de armas artesanais no distrito de Chigubo, está a alimentar uma nova onda de caça Furtiva no Parque Nacional de Banhine. A administração do parque reforçou a fiscalização nocturna depois de identificar cinco zonas consideradas críticas devido ao aumento de abates ilegais.

Entre a noite desta sexta-feira e a madrugada de sábado, O País acompanhou uma operação nas lagoas de Malhalhene, a mais de 50 quilómetros da base operacional do parque e a mais de 500 quilómetros de Xai-Xai.

A madrugada ainda não tinha terminado quando sinais da presença de caçadores furtivos nas proximidades da lagoa fizeram soar o alerta. Em poucos minutos, o silêncio da mata foi interrompido pela mobilização das equipas de fiscalização.

“Recebemos a informação de que havia presença de caçadores furtivos numa zona distante, a mais de 50 quilómetros da nossa base operacional”, explica Edson Nocodima, fiscal afecto à área de comunicação do Parque Nacional de Banhine.

A equipa de O País integrou uma das três brigadas destacadas para a missão. Depois de duas horas de deslocação, a viatura ficou para trás e os fiscais seguiram a pé por cerca de cinco quilómetros até à área indicada.

Com comunicação permanente por rádio e atenção redobrada aos movimentos na mata, a equipa avançou numa zona remota onde qualquer sinal podia alterar o rumo da operação.

“Quando chegamos a estas zonas temos de ter muito cuidado, porque estamos a entrar num espaço onde não conhecemos a posição do infractor. O objectivo é aproximar-nos sem sermos detectados e garantir a segurança da equipa”, explica Gito Baloi, chefe da Brigada 1 de Fiscalização. Entre os seis fiscais que avançaram pela mata estava Sónia Chaúque, a única mulher da equipa. Há um mês afastada da família, enfrenta longas noites de patrulha para proteger a fauna bravia.

“Não é fácil ficar longe da família, principalmente quando passamos muitos dias no terreno, mas sabemos que o nosso trabalho é importante para garantir a conservação dos animais”, conta a fiscal. Com cinco anos de experiência na conservação, Sónia reconhece os riscos da profissão.

“Existem momentos difíceis, mas quando conseguimos proteger a fauna sentimos que vale a pena o esforço”, acrescenta. Ao lado dela estava Merton Jone, um dos fiscais mais experientes da equipa. Há cerca de uma década percorre os caminhos de Banhine e acompanha os desafios colocados pela caça furtiva.

“Os furtivos estão a procurar novas formas de actuar e nós precisamos também de melhorar os meios para responder a esta realidade”, defende.

Durante a operação, uma pausa estratégica serviu para avaliar os riscos e definir os próximos passos. A informação transmitida pelo rádio voltou a orientar o movimento das equipas para o reconhecimento da zona. Apesar da mobilização dos fiscais, os suspeitos abandonaram a área antes da aproximação da equipa. “É uma fase importante porque permite perceber as condições do terreno e garantir que a equipa possa avançar e regressar em segurança”, explica Gito Baloi.

A operação revelou apenas uma parte de um problema mais amplo. O chefe da Repartição de Protecção e Fiscalização do Parque Nacional de Banhine explica que o aumento dos abates ilegais nas zonas de Macuambe, Malhalhene e Zinhane está associado à actuação de grupos locais envolvidos no fabrico e comercialização de armas de fogo artesanais.

“Temos identificado grupos que estão envolvidos no fabrico e venda de armas artesanais, que acabam por facilitar a actividade dos caçadores furtivos dentro do parque”, afirma Almeida Manjate. Além da caça furtiva, as equipas de fiscalização enfrentam também a exploração ilegal de madeira e a produção de carvão vegetal. As operações resultaram na detenção de indivíduos suspeitos e na recuperação de toros de madeira.

“Nas nossas operações conseguimos deter indivíduos ligados a redes de exploração ilegal de madeira e recuperar toros que estavam a ser retirados de forma clandestina”, acrescenta Almeida Manjate. Para os fiscais, a resposta passa pelo reforço dos meios de trabalho, sobretudo tecnológicos.

“Precisamos de mais investimento, principalmente em tecnologia, porque os grupos também procuram formas de dificultar a nossa detecção e fugir das operações”, refere Merton Jone.

No Parque Nacional de Banhine, a luta contra a caça furtiva continua a acontecer longe dos centros urbanos, durante noites em que fiscais enfrentam os riscos da mata para proteger a fauna bravia.

 

As obras de requalificação do hospital estão na fase final, num projecto que visa melhorar as condições de atendimento e criar espaço para a introdução de novos serviços de saúde na unidade sanitária.

Entre as principais intervenções destacam-se a construção de uma enfermaria de cirurgia, um novo bloco de maternidade, uma morgue, um posto policial e um centro social. O projecto contempla igualmente a reabilitação da área administrativa do hospital e a ampliação dos espaços exteriores, que foram pavimentados com blocos de pavê, de modo a facilitar a circulação de utentes e profissionais.

De acordo com os responsáveis pela execução da empreitada, os trabalhos registaram um ligeiro atraso devido a constrangimentos de ordem logística e técnica, que obrigaram à correcção de alguns aspectos da obra. Contudo, garantem que as intervenções estão praticamente concluídas.

Outra alteração de relevo foi a substituição da antiga cobertura de fibrocimento por chapas metálicas, consideradas mais resistentes aos eventos climáticos extremos.

A infra-estrutura já passou por uma pré-entrega e a previsão é de que as chaves sejam entregues formalmente na próxima semana, permitindo o início das actividades. Entretanto, ainda será necessário algum tempo para concluir a instalação dos equipamentos, incluindo um aparelho de raio-X, bem como proceder à realocação de outros equipamentos que foram retirados durante a reabilitação.

Com a conclusão das obras, espera-se reforçar a capacidade de resposta da unidade sanitária e melhorar a qualidade dos serviços prestados à população da cidade e da província da Zambézia.

Moradores do bairro Ndunda, na cidade da Beira, estão preocupados com o tapamento de parte de uma vala de drenagem, alegadamente para dar lugar a uma construção. A população teme que a intervenção comprometa o escoamento das águas pluviais e agrave as inundações numa zona que enfrenta este problema de forma recorrente.

Segundo os moradores, a vala desempenha um papel importante no escoamento das águas da chuva e o seu encerramento poderá fazer com que a água transborde e entre nas residências com maior intensidade durante o período chuvoso.

A população questiona a alegada ocupação do espaço, defendendo que a vala deve permanecer desimpedida devido à sua importância para a drenagem das águas pluviais.

As queixas estendem-se também à instalação de um posto de energia eléctrica no bairro. Os moradores afirmam que um funcionário terá impedido a colocação da estrutura de suporte da linha de média tensão, alegando que o espaço lhe pertence.

A situação está a gerar indignação entre os residentes, que dizem ter observado, no local da obra, a utilização de meios pertencentes ao Conselho Municipal da Beira. Imagens captadas por um dos moradores mostram, inclusive, um camião do município no local.

Na sequência das denúncias, uma bancada da FRELIMO esteve, no sábado, no bairro Ndunda para verificar a situação, depois de ter sido solicitada a intervir pelos moradores.

Na ocasião, os representantes da força política defenderam uma maior responsabilidade das autoridades municipais na gestão da coisa pública e no atendimento às preocupações da população.

O País  contactou o director dos Serviços Autónomos de Saneamento da Beira para obter esclarecimentos sobre a situação. O responsável disse que apenas se irá pronunciar sobre o assunto na próxima segunda-feira.

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