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O País – A verdade como notícia

A Polícia da República de Moçambique (PRM) manifestou profunda preocupação com a ocorrência de acidentes graves nas estradas nacionais, na sequência do sinistro que matou 24 pessoas no distrito de Zavala, província de Inhambane.

Falando sobre o acidente, o comandante da PRM apontou o comportamento humano como um dos principais fatores que continuam a contribuir para a ocorrência de tragédias rodoviárias no país.

“A Polícia da República de Moçambique continua profundamente preocupada com a ocorrência de acidentes graves nas nossas estradas, um dos quais resultante de comportamento humano”, afirmou o comandante.

Segundo a autoridade policial, as primeiras averiguações realizadas no local, envolvendo a Polícia de Trânsito e outros intervenientes, indicam que o fator humano terá tido um peso significativo na ocorrência.

“Das primeiras determinações que foram apuradas quando a Polícia de Trânsito e outros intervenientes ocorreram, o fator humano é que pesou para este acidente”, declarou.

O comandante lamentou ainda a dimensão da tragédia, sublinhando que a perda de 24 vidas constitui um acontecimento que afecta não apenas as famílias das vítimas, mas a sociedade em geral.

A PRM volta, assim, a chamar a atenção dos condutores para a necessidade de adoptar comportamentos responsáveis nas estradas, numa altura em que os acidentes de viação continuam a provocar perdas de vidas humanas no país.

A Polícia da República de Moçambique suspendeu todos os agentes da Polícia de Trânsito que se encontravam de serviço nos postos de fiscalização rodoviária ao longo da Estrada Nacional Número Um, entre o Rio Save e a Báscula de Inharrime, em Inhambane. A medida surge depois de um semi-colectivo, autorizado a transportar 15 passageiros, ter conseguido percorrer parte da província com 24 pessoas a bordo sem que o excesso de lotação fosse detectado. Todos os ocupantes morreram na colisão frontal com um camião das Forças Armadas, em Zavala.

A tragédia de Zavala deixou de colocar sob investigação apenas os condutores e as condições das duas viaturas envolvidas no acidente. A fiscalização da própria Polícia de Trânsito está agora sob escrutínio, depois de se confirmar que o semi-colectivo transportava 24 passageiros, apesar de estar autorizado a levar apenas 15, e conseguiu passar pelos postos de controlo existentes ao longo da EN1 antes da colisão que matou todos os seus ocupantes.

A Polícia da República de Moçambique decidiu suspender os agentes que se encontravam de serviço nos postos de fiscalização rodoviária entre o Rio Save, porta de entrada da província de Inhambane para quem circula do Centro para o Sul do país, á Báscula de Inharrime, enquanto uma equipa de inquérito procura determinar como uma viatura com excesso de lotação conseguiu atravessar sucessivos pontos de controlo sem que a irregularidade fosse detectada.

A informação foi confirmada pela porta-voz da PRM em Inhambane, Nércia Bata, segundo a qual foi constituída uma equipa para investigar as circunstâncias e apurar eventuais responsabilidades dos agentes que deveriam fiscalizar a circulação rodoviária naquele corredor.

“Neste momento foi constituída uma equipa de inquérito que vai trabalhar e, enquanto trabalha a equipa de inquérito, os membros que estavam nos postos de fiscalização foram todos suspensos enquanto decorre o inquérito, porque não preveniram ou não fiscalizaram o veículo e detectaram que estava com excesso de lotação”, explicou Nércia Bata.

A decisão abrange, segundo a Polícia, os agentes que estavam nos postos de controlo existentes no percurso abrangido pela investigação, nomeadamente, Posto de Fiscalização do Save em Govuro, Cruzamento de Mangungumete em Inhassoro, Posto de Fiscalização de Mapinhane em Vilankulo, Nhanchengo em Massinga, Posto de Fiscalização de Lindela no distrito de Jangamo e a Báscula de Inharrime, no limite entre os distritos de Inharrime e Zavala, poucos quilômetros antes do local do acidente, num momento em que as autoridades procuram reconstruir não apenas os últimos instantes antes do embate, mas também o trajecto que o semi-colectivo fez dentro de Inhambane e as oportunidades de fiscalização que existiram antes da tragédia.

O caso levanta uma questão que passou a estar no centro do inquérito: como conseguiu uma viatura autorizada a transportar 15 passageiros circular com pelo menos 24 pessoas a bordo sem ser impedida de prosseguir viagem?

A diferença representa nove passageiros acima da lotação autorizada, ou seja, uma ocupação pelo menos 60 por cento superior à capacidade regulamentar indicada pela Polícia.

O semi-colectivo tinha partido de Muchungue, na província de Sofala, com destino à África do Sul e atravessava Inhambane quando colidiu frontalmente com um camião das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, no distrito de Zavala, na noite de quinta-feira.

As 24 pessoas que seguiam na viatura de transporte de passageiros morreram, enquanto os dois ocupantes do camião militar sobreviveram e receberam assistência médica no Hospital Distrital de Quissico.

As informações preliminares divulgadas pela PRM apontam velocidade excessiva aliada a deficiências mecânicas entre as causas do acidente, tendo a Polícia indicado que as anomalias mecânicas foram detectadas no camião militar.

Mas a confirmação de que o semi-colectivo circulava com excesso de lotação abriu uma segunda frente de responsabilização que começa muito antes do ponto onde ocorreu o choque.

Ao longo da EN1 existem postos destinados precisamente à fiscalização das condições em que circulam viaturas de transporte de passageiros e mercadorias, incluindo o cumprimento das regras rodoviárias. Para a própria PRM, os agentes agora suspensos deveriam ter detectado a irregularidade e impedido que a viatura continuasse a viagem naquelas condições.

É este eventual fracasso da fiscalização que a equipa de inquérito terá agora de esclarecer, incluindo a passagem do veículo pelos diferentes postos de controlo e a actuação dos agentes que se encontravam de serviço.

A suspensão não significa, por si só, uma conclusão definitiva sobre responsabilidades individuais, uma vez que o inquérito ainda decorre, mas afasta temporariamente os agentes enquanto são apuradas as circunstâncias que permitiram a circulação da viatura sobrelotada.

O acidente, que já levantava interrogações sobre velocidade, condições mecânicas e excesso de passageiros, passa assim a colocar também a actuação das estruturas responsáveis por fiscalizar e prevenir irregularidades nas estradas no centro das averiguações.

Enquanto decorre o inquérito policial, o Governo trabalha na transladação dos corpos, sobretudo para o distrito de Chibabava, em Sofala, de onde era proveniente a maioria das vítimas.

A investigação terá agora de estabelecer a sequência de responsabilidades que antecedeu uma das mais graves tragédias rodoviárias registadas recentemente em Inhambane, desde as condições das viaturas e a condução até à eficácia dos mecanismos de fiscalização existentes ao longo da principal estrada do país.

Vinte e quatro pessoas entraram num semi-colectivo preparado para transportar 15 e atravessaram postos de fiscalização sem que a viagem fosse interrompida. A colisão aconteceu em Zavala. Agora, além de explicar o que provocou o embate, a investigação terá de responder a uma pergunta anterior à tragédia: quem deveria ter parado aquela viatura antes de ela chegar ao local onde 24 vidas terminaram?

Um grave acidente de viação ocorrido por volta das 21h15 da noite de quinta-feira, 17 de Setembro, provocou a morte a 24 pessoas e ferimentos ligeiros em duas outras no distrito de Zavala, na província de Inhambane. O balanço e os detalhes do sinistro foram avançados pelo ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume.

O acidente resultou de um choque violento entre duas viaturas: um camião de marca MAN Diesel pertencente às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), que seguia no sentido Sul-Norte, e um veículo de transporte de passageiros de marca Toyota, modelo Quantum, que transitava no sentido oposto (Norte-Sul).

De acordo com o governante, a perda de 24 vidas foi confirmada pela equipa médica após a realização dos respectivos exames às vítimas. O embate causou ainda dois feridos ligeiros e danos materiais de elevada gravidade em ambos os veículos.

 

COLUNA EM DESLOCAÇÃO PARA O DIA DAS FORÇAS ARMADAS

O ministro Cristóvão Chume contextualizou que a viatura militar integrava uma coluna de logística que se deslocava para o local onde decorrerão as cerimônias e comemorações do Dia das Forças Armadas, assinalado a 25 de Setembro.

“Ainda não temos detalhes muito profundos do que realmente terá acontecido, mas as equipas das forças de defesa e outras que lidam com a situação rodoviária estão, neste momento, a trabalhar arduamente no sentido de apurar o que realmente terá originado o acidente”, declarou o titular da pasta da Defesa Nacional.

O governante acrescentou que o levantamento de dados continua a ser efectuado no terreno e que novas informações serão prestadas no momento oportuno. Cristóvão Chume fez questão de dirigir uma mensagem de solidariedade aos afectados: “Às famílias enlutadas, endereçamos as nossas mais sentidas condolências e aos feridos desejamos rápidas melhoras.”

As autoridades policiais e militares prosseguem os trabalhos conjuntos para o total esclarecimento das circunstâncias em que ocorreu a tragédia. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, manifestou profunda consternação pelo grave acidente de viação ocorrido na Estrada Nacional Número 1 (N1), ocorrido na noite de quinta-feira, no distrito de Zavala, província de Inhambane, que provocou a morte a pelo menos 24 pessoas na sequência de uma colisão frontal entre um veículo de transporte colectivo de passageiros e um camião.

Falando em nome do Governo e do povo moçambicano do Rovuma ao Maputo, e do Zumbo ao Índico, Daniel Chapo endereçou as mais sentidas condolências e a solidariedade de toda a nação às famílias enlutadas.

APELO À PRUDÊNCIA E RESTRIÇÕES À CIRCULAÇÃO NOCTURNA

O Presidente da República informou que equipas da Polícia e demais autoridades competentes se encontram no terreno a realizar averiguações para apurar com exactidão as causas do aparatoso acidente e determinar as devidas responsabilidades.

Perante a dimensão da tragédia, Daniel Chapo dirigiu uma firme exortação a todos os condutores para que respeitem os limites de velocidade. O Chefe de Estado fez um apelo específico aos transportadores de passageiros, em especial aos operadores de longo curso, no sentido de evitarem a circulação durante o período nocturno.

“Queremos apelar para que evitemos o excesso de velocidade e a circulação nocturna, principalmente para viaturas de longo curso, para que as nossas estradas não continuem a derramar sangue e a semear luto nas famílias”, declarou o Presidente da República, reiterando os sentimentos de pesar a todos os familiares das vítimas. 

Vinte e quatro pessoas morreram  e outras duas ficaram gravemente feridas em consequência de um acidente de viação ocorrido na noite desta quinta-feira, no distrito de Zavala, província de Inhambane.

A tragédia aconteceu na Estrada Nacional número um. As vítimas mortais seguiam viagem num minibus de transporte semi-colectivo de passageiros que partiu de Muxúnguè, na província de Sofala, com destino à África do Sul.


O Presidente da República, Daniel Chapo, manifesta “profundo pesar pelo trágico acidente de viação” reitera o apelo a todos os automobilistas e utentes das vias públicas para o cumprimento rigoroso das regras de trânsito e exige respeito aos limites de velocidade.

O Chefe do Estado pede a observância da sinalização rodoviária e não condução sob efeito de álcool ou outras substâncias que comprometam a capacidade de conduzir.

Mais de 1.100 alunos das comunidades de Moneia, Marauanha e Muinhune, no posto administrativo de Naburi, distrito de Pebane, província da Zambézia, passam a contar com melhores condições para frequentar as aulas, após a entrega, esta quinta-feira, de três escolas primárias construídas na região.

Antes da construção das novas infra-estruturas, muitas das crianças estudavam ao ar livre, ficando as aulas frequentemente condicionadas pela chuva e por outras condições meteorológicas.

Cada uma das escolas possui três salas de aula, um gabinete administrativo, carteiras, instalações sanitárias e um poço com bomba manual nas proximidades. No conjunto, as três escolas dispõem de nove salas equipadas com 225 carteiras duplas. Os pontos de água instalados também poderão ser utilizados pelas comunidades que vivem nas redondezas.

As infra-estruturas foram construídas com um investimento superior a 14 milhões de meticais pela TZM Resources, empresa do Grupo Jinan Yuxiao que desenvolve um projecto de areias pesadas no distrito de Pebane.

A cerimónia de entrega juntou autoridades locais, representantes da empresa e membros das comunidades beneficiárias. Durante o evento, o administrador do distrito de Pebane, Cassimo Manuel Jamal, destacou a importância das novas escolas para as populações locais e relacionou a melhoria das condições de ensino com outros desafios da região, incluindo estradas, emprego e acesso a serviços.

Segundo o administrador, existe a expectativa de que a exploração dos recursos minerais na região possa também contribuir para a melhoria das condições de vida e dos serviços públicos nas comunidades abrangidas.

Em representação da população, Eliabi Alberto agradeceu a construção das escolas, mas chamou atenção para a necessidade de reforçar o número de professores. A população pretende que as crianças possam continuar os estudos até à sexta classe nas novas instalações.

Outro residente apelou à conservação dos edifícios pelas comunidades, manifestando a esperança de que as escolas contribuam para a formação de futuros médicos, professores, engenheiros e outros profissionais que possam participar no desenvolvimento de Pebane e do país.

A construção das três escolas faz parte das iniciativas de responsabilidade social desenvolvidas pela TZM Resources. Em Abril de 2023, a empresa, em conjunto com a Africa Great Wall Mining Development e a Mozambique Heavysand, lançou o Plano de Responsabilidade Social 2023-2028, que prevê intervenções em áreas como educação, saúde, água, estradas e formação.

No âmbito dessas acções, a TZM disponibilizou uma ambulância e um apoio de um milhão de meticais ao distrito de Pebane, além de conceder bolsas de estudo universitárias e promover formação profissional para jovens.

Na área de infra-estruturas, em 2024, a empresa apoiou a melhoria de mais de dez quilómetros da estrada entre Moebase e Cussiane, através da aplicação de uma camada de saibro, e participou na construção de poços em diferentes localidades.

Uma escola construída anteriormente em Sacone também foi mencionada durante a cerimónia. De acordo com Luan Peng, responsável da TZM, a infra-estrutura tem sido conservada pela própria comunidade.

Para as populações de Moneia, Marauanha e Muinhune, a entrada em funcionamento das novas escolas representa, sobretudo, a possibilidade de as crianças deixarem de depender de espaços improvisados e passarem a estudar em instalações preparadas para o ensino.

A construção das escolas enquadra-se na cooperação entre a China e África e nas acções de responsabilidade social associadas ao projecto de areias pesadas desenvolvido pela TZM Resources em Pebane.

Mais de 260 mil pessoas poderão sofrer os efeitos da seca associada ao El Niño em Chibuto. Governo distrital e docentes universitários propõem soluções para as áreas mais críticas, que abrangem mais de 30 mil produtores. Enquanto isso, decorre o levantamento global da população em risco nos restantes distritos da província. 

Depois de Chicualacuala, Chibuto é o segundo distrito da província de Gaza a divulgar dados oficiais sobre a população que poderá sofrer os efeitos da estiagem provocada pelo fenómeno El Niño. Alto Changane, Changanine e Godide estão entre as comunidades consideradas mais vulneráveis, por se localizarem em zonas semiáridas e mais afastadas do Vale do Limpopo, onde a escassez de chuvas têm contribuído para a perda de colheitas e o agravamento da insegurança alimentar.

“Nós estamos a falar de todo o distrito, vai sentir o efeito de El Niño. Estamos a falar de 263 mil habitantes que estão aqui, vão sentir o efeito de El Niño, Ainda temos um bocadinho de humidade, vamos intensificar a produção e evitar a venda dos cereais, porque vamos precisar. Neste momento, estamos a falar de acima de 30 mil agricultores que receberam sementes e que todos eles plantaram”, avançou Cacilda Banze, administradora do distrito de Chibuto.

Os dados foram avançados na Universidade Eduardo Mondlane, em Chibuto, onde decorreu, esta quinta-feira, o encerramento das 7.ª Jornadas Científicas. Na ocasião, docentes universitários apresentaram medidas para mitigar o impacto do fenómeno climático, com enfoque na conservação de alimentos e no aproveitamento racional dos recursos disponíveis.

“Nas sétimas jornadas foram trazidas soluções para essa população mesmo de baixa renda, agricultores de subsistência, como melhor conservar os alimentos em épocas chuvosas e em épocas de seca”, explicou Shelcia da Cádima, docente universitária.

Para Efraime Gobeia, engenheiro agrónomo, os fenómenos climáticos extremos vieram para ficar, sendo necessário apostar em mecanismos de gestão da água.

“É preciso investir em todo tipo de medidas que permitam a captação, o armazenamento, a recirculação e reutilização da água quando estamos em períodos de abundância.”

Já David Langa, director da UEM em Chibuto, destaca a hidroponia como uma alternativa para a produção agrícola com menor consumo de água.

“O sistema hidropónico permite produzir num ambiente controlado com um recurso a pouca água. Só um tanque de água vai acrescentando e põe as soluções na própria água, e tudo é gerido ao longo do tubo de água.”

Segundo Langa, o sistema pode ser adaptado às comunidades rurais através do uso de energia solar.

“Quando for de energia para os territórios rurais, sim senhor, porque aquele sistema primeiro é para funcionar com energia solar. Tem que fazer esse contributo para a comunidade e as associações circunvizinhas, que sobretudo vivem aqui no Baixo Limpopo, que queiram continuar a produzir ao longo de todo o ciclo, de todo o ano. Essas coisas são uma solução.”

Enquanto isso, o Governo e parceiros fazem o levantamento global da população que poderá ser afectada pelo fenómeno na província, para mobilizar recursos, num contexto de redução do financiamento humanitário e de crescente concorrência com outras crises globais.

“Ao nível global houve uma redução significante de financiamentos, mas também reconhecendo que Moçambique está a competir com outras crises globais, que há um conjunto de levantamentos que a ONG está a fazer. Então, tendo em conta os números que poderão surgir das pessoas impactadas pelo El Niño, a nossa obrigação e nosso mandato orienta-nos para que possamos assistir no mínimo 10% destas famílias”, explicou Vicente Adriano, representante dos parceiros.

O responsável acrescentou que a resposta ao El Niño deverá concentrar-se nas províncias de Gaza e Inhambane, com atenção particular à disponibilidade de água.

“E a nossa resposta para o El Niño vai se concentrar nas províncias de Gaza, província de Inhambane, olhar qual é a disponibilidade de água nesses locais e tentar responder de forma muito antecipada, para evitarmos impactos severos.”

A estiagem prevista para os próximos meses surge numa altura em que a província de Gaza já tem mais de 400 mil pessoas a consumir água imprópria e comunidades do norte enfrentam dificuldades para garantir água para o gado.

A província moçambicana de Nampula está a enfrentar um surto de sarampo que já afectou 10 distritos, com um total de 1.498 casos registados e três mortes, segundo dados divulgados hoje pelas autoridades de saúde.

De acordo com a diretora provincial de Saúde, Selma Xavier, citada pela Lusa, a doença já está a afetar os distritos de Nampula, Nacarôa, Nacala-Porto, Malema, Memba, Mecubúri, Muecate, Mogovolas, Eráti e Liúpo.

A responsável explicou, em conferência de imprensa, que a situação está a levar o setor a reforçar as ações de vacinação, numa altura em que continuam a surgir novos casos diariamente.

Recentemente, as autoridades realizaram uma campanha de vacinação de bloqueio em sete distritos considerados prioritários devido à maior concentração de casos, numa tentativa de travar a propagação da doença.

“Como nós sabemos, a campanha de bloqueio é uma campanha que requer algum financiamento, alguns recursos adicionais, como vacinas adicionais. Neste momento, nós tivemos em consideração os distritos que têm mais casos”, explicou.

Selma Xavier esclareceu, contudo, que os distritos não abrangidos por essa campanha financiada não ficaram sem vacinação.

“Eles estão a fazer vacinação de bloqueio em comunidades, através de brigadas móveis”, afirmou, reconhecendo, porém, que não é possível realizar uma campanha de grande dimensão em toda a província devido às limitações de recursos.

A intervenção está também a contar com o apoio de parceiros locais.

“Temos um parceiro da [universidade] Unilúrio, que também está a apoiar na componente de vacinação”, disse a diretora, acrescentando que aquela instituição já realizou uma campanha de bloqueio em Nacarôa e prepara novas intervenções nos distritos de Memba e Liúpo, onde está prevista a vacinação de cerca de 200 mil crianças.

A responsável apontou a existência de crianças que nunca receberam a vacina como um dos fatores associados ao surto, sobretudo em comunidades mais distantes das unidades de saúde.

“A maior parte destas pessoas que apanharam o surto são pessoas que nunca se vacinaram”, afirmou, acrescentando que estas populações são normalmente alcançadas através de brigadas móveis.

Segundo Selma Xavier, o funcionamento dessas brigadas foi condicionado este ano por vários fatores, entre os quais a escassez de combustível nos distritos.

“Nem todas as brigadas móveis planificadas foram cumpridas na sua íntegra por diversos fatores. E um dos condicionantes foi a escassez de combustível que se verificou a nível dos distritos”, explicou.

Até ao momento, cerca de 500 mil crianças menores de 5 anos já foram abrangidas pelas ações de vacinação na província.

Entretanto, está a ser preparada uma campanha nacional mais abrangente, destinada a incluir crianças até aos 15 anos, tendo em conta que estão a ser registados casos também em faixas etárias superiores aos 5 anos.

“Não só crianças de 5 anos estão a ter sarampo, mas crianças acima desta faixa etária”, referiu a directora, acrescentando que a operação está a ser preparada pelo Ministério da Saúde em coordenação com parceiros, entre os quais a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

O Governo moçambicano prevê a ocorrência de um fenómeno El Niño severo durante a época chuvosa 2026/2027, com maior incidência nas regiões Sul e Centro do país, situação que poderá agravar a escassez de água e afectar a produção agrícola, a segurança alimentar e outros sectores essenciais.

O alerta foi lançado pelo ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, durante o XII Conselho Coordenador do Ministério, que decorre em Maputo.

Segundo o governante, as previsões apontam para uma redução significativa da precipitação, períodos prolongados de estiagem e, pontualmente, a ocorrência de chuvas intensas. Estes fenómenos poderão ter consequências directas sobre a disponibilidade de água, produção agrícola, pecuária, segurança alimentar, saúde, educação, produção de energia e os meios de subsistência das famílias.

Perante este cenário, o Governo decidiu antecipar-se aos possíveis impactos e preparou um Plano de Mitigação avaliado em cerca de 401 milhões de dólares norte-americanos, abrangendo os sectores de recursos hídricos e abastecimento de água, agricultura, pecuária e pescas, saúde, educação, protecção social e assistência alimentar.

O plano, já aprovado pelo Conselho de Ministros, prevê assistência alimentar de emergência para 343.773 pessoas, correspondentes a cerca de 68.755 famílias, enquanto as acções de protecção social deverão abranger aproximadamente 234 mil famílias.

No sector da agricultura, estão previstas intervenções para mais de 155 mil agricultores, além de 90.500 criadores de gado. O ministro esclareceu, contudo, que estes números correspondem aos grupos-alvo das intervenções específicas e não representam uma estimativa do total de pessoas que poderão ser afectadas pelo El Niño.

Entre as medidas previstas estão a construção e reabilitação de sistemas de abastecimento de água, represas, reservatórios e furos multiusos, bem como a distribuição de sementes resistentes à seca. O plano contempla ainda a protecção do efectivo pecuário, reforço da alimentação escolar, assistência nutricional e sanitária, apoio às famílias mais vulneráveis e o fortalecimento dos sistemas de monitoria hidrometeorológica e de alerta prévio.

Fernando Rafael revelou igualmente que o Governo já conseguiu assegurar 125 milhões de dólares através de apoio externo, recursos que serão canalizados prioritariamente para os sectores de recursos hídricos, abastecimento de água, saneamento e higiene, agricultura, pecuária e pescas. A mobilização de financiamento adicional deverá prosseguir junto do Orçamento do Estado e dos parceiros de cooperação.

A resposta governamental será implementada em três fases: preparação e resposta imediata, recuperação e estabilização, seguindo-se o reforço da resiliência e prevenção.

O ministro defendeu que a resposta ao El Niño deve, para além de proteger as populações e assegurar o acesso à água, alimentos e serviços essenciais, contribuir para a construção de infra-estruturas e comunidades mais preparadas para enfrentar futuras secas e outros eventos climáticos extremos.

Face às previsões, o Governo apela igualmente à população para fazer um uso racional da água, evitar desperdícios, proteger as fontes de água, conservar alimentos e sementes e acompanhar os avisos meteorológicos e os sistemas de alerta prévio.

 

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