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O País – A verdade como notícia

O projecto de interligação de energia eléctrica Moçambique–Malawi conheceu um novo avanço, podendo estar concluído em Dezembro deste ano.

Depois de sucessivos adiamentos do prazo da entrega da empreitada, devido a dificuldades de vária ordem, eis que uma garantia veio do empreiteiro da obra sobre a finalização dos trabalhos em curso, escreve a Rádio Moçambique.

Neste momento, as obras de construção da subestação de Matambo estão a cerca de 60% de execução, acreditando-se que, nos próximos dois a três meses, será feito o comissionamento da mesma para posterior entrega.

Para o lançamento da linha de transporte da corrente eléctrica nos 141 quilómetros que compreendem o território moçambicano, estão já erguidas 100 das 304 torres previstas.

Foi Yang Yanlong, representante da empresa SINO HYDRO, encarregada pela construção da subestação de Matambo, que nesta terça-feira deu a garantia deste novo prazo, a missão da imprensa malawiana que está a trabalhar nas regiões Centro e Norte do país.

“O prazo do término da empreitada foi reiterado pelo fiscal das obras civis, Firmino Langa, quem faz votos para que o fornecimento do material seja feito na actual dinâmica, para que esta nova data limite não seja mais uma vez ultrapassada”, disse.

Trata-se de uma empreitada que emprega cerca de mil trabalhadores, entre moçambicanos, chineses, zimbabweanos e zambianos.

A subestação em construção terá uma capacidade instalada de 400 Megawatts e, destes, Malawi irá apenas importar 120 Megawatts.

Ainda há pessoas que recorrem a poços artesanais para terem poços artesanaispara uso doméstico na cidade de Maxixe, província de Inhambane.

Além de a água ser imprópria, as mulheres percorrem longas distâncias para ter o precioso líquido.

“Sofremos muito, porque temos de ir para muito longe para buscar água”, reclamou Hortência Raimundo, residente em Maxixe.

Aurélia Venâncio vive o mesmo dilema e reclama ainda do facto de, devido ao problema, serem obrigados a acordar muito cedo para procurar água.

“Acordamos às 4h00 para a zona baixa. Não dormimos. A nossa vida é buscar água. Só depois disso é que vamos à ‘machamba'”, manifestou-se agastada.

O edil de Maxixe reconhece o problema e diz que o município pretende construir, ainda este ano, mais cinco pequenos sistemas de abastecimento de água em igual número de bairros.

Em Maxixe, há relatos de fontes de água que estão a ser vandalizadas e o governador de Inhambane, Eduardo Mussanhane, diz que esse fenómeno tem de acabar.

Os governantes falavam à imprensa depois de inaugurar três pequenos sistemas de abastecimento de água para prover o precioso líquido a um total de 4500 pessoas.

Mais uma trabalhadora de sexo foi assassinada, na cidade da Beira, totalizando seis desde Janeiro a esta parte, contra sete em igual período do ano passado. O suposto autor do crime foi detido e é um indivíduo com histórico de violência contra menores e mulheres.

Nem mesmo os intensos movimentos feministas e accões conjuntas dos vários órgãos ligados à justiça, em Sofala, conseguem travar o assassinato de mulheres naquele ponto do país.

Na madrugada do passado domingo, mais uma trabalhadora do sexo desapareceu depois de ter estado com um cliente. A mesma foi encontrada morta, terça-feira.

A amiga da vítima, igualmente trabalhadora de sexo, contou que a malograda saiu na companhia do indivíduo agora detido e que, pouco tempo depois, ela recorreu ao telefone do indiciado para falar com ela.

A mesma diz ainda que Tina, assassinada, e o jovem ora detido passariam a noite na sua residência.

Outrossim, diz que os números da amiga e do indiciado estavam desligados e que, dois dias depois, na terça-feira, ficou a saber que a amiga foi encontrada morta e decidiu colaborar com a polícia. O jovem foi detido por fortes suspeitas de ser o autor do crime, mas nega as acusações.

As cicatrizes que o indiciado tem no pescoço aumentam as suspeitas que levaram à sua detenção.

No decurso das diligências em torno deste crime, o SERNIC na Beira descobriu que corre um outro processo contra o detido, que andava fugitivo, indiciado de ter violado uma menor de dois anos de idade no distrito de Dondo.

Aliás, consta que estava na cadeia desde princípios do ano passado e que saiu em liberdade há menos de um mês por ter sido encontrado na posse de um telefone que pertencia a uma trabalhadora de sexo que sofreu violência sexual e foi assassinada no distrito de Dondo.

Uma plataforma lançada pelo mudanças climáticas na saúde(INS) de Moçambique vai avaliar o impacto das mudanças climáticas na saúde no Centro do país, e respectivas respostas sanitárias, foi anunciado hoje.

“O investimento em sistemas de saúde resilientes às mudanças climáticas não é uma escolha, mas sim um imperativo”, afirmou Cecília Chamutota, secretária de Estado em Sofala, após o lançamento, na Beira, na terça-feira, da Plataforma de Monitoria do Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde.

A plataforma vai ser implementada inicialmente nos distritos de Dondo, Búzi e Nhamatanda, para ajudar o Ministério de Saúde a assegurar a prestação de cuidados em função das necessidades específicas e localizadas, numa região assolada por vários ciclones nos últimos anos.
A plataforma permitirá ainda a partilha de experiências na resposta a emergências sanitárias, entre outros aspetos que visam melhorar a prestação de saúde em períodos de emergência.

O director nacional do INS disse que a implementação da ferramenta se justifica pela vulnerabilidade de Moçambique, por conta da localização geográfica do país.

Eduardo Samo Gudo garantiu que o sector da saúde tem vindo a trabalhar para responder aos novos desafios impostos pelas mudanças climáticas e o seu impacto na saúde.

“O Ministério da Saúde de Moçambique tem vindo a implementar diversas acções para edificar um sistema de saúde resiliente às mudanças climáticas”, afirmou.

Eduardo Samo Gudo disse acreditar no sucesso da plataforma e no possível futuro alargamento a outras províncias do país.

A coordenadora da área de saúde e ambiente do INS, Tatiana Marufo, disse que o novo sistema vai ajudar a identificar e garantir a devida assistência de saúde às comunidades em caso de calamidades naturais.

“Nós temos uma expectativa enorme em relação a esta plataforma, visto que pretendemos trabalhar com as comunidades mais vulneráveis para tentar perceber porque é que temos subsequentemente interrupção de prestação de cuidados de saúde. E assim nós vamos desenhar as melhores intervenções adaptadas ao contexto de cada distrito, para que tenhamos resiliência”, concluiu.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afectados pelas alterações climáticas, enfrentando ciclicamente secas, cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre Outubro e Abril.

O Governo japonês desembolsou dois milhões de dólares ao Programa Alimentar Mundial (PAM), para fornecer ajuda alimentar a 48 mil deslocados internos na província de Cabo Delgado, Norte de Moçambique.

“Esta oportuna contribuição permitirá apoiar as populações mais vulneráveis do país com a distribuição de arroz e conservas do Japão a cerca de 48 mil deslocados internos na província de Cabo Delgado durante um período de seis meses”, lê-se num comunicado do PAM, que refere que o memorando de entendimento para este apoio será assinado em Maputo, na quinta-feira, segundo escreve a Lusa.

A província de Cabo Delgado enfrenta há mais de seis anos ataques terroristas por grupos associados ao Estado Islâmico, os quais provocaram mais de 1,2 milhões de deslocados, segundo dados oficiais, mas também efeitos das alterações climáticas, como cheias.

Também o Governo da Noruega desembolsou, em Julho, 3,3 milhões de euros ao PAM, neste caso para o reforço dos sistemas alimentares adaptados às mudanças climáticas e a expansão dos programas de alimentação escolar no sul de Moçambique, projeto a implementar em seis distritos das províncias de Gaza e Inhambane.

No final de Setembro, o Presidente da República, Filipe Nyusi, apelou à preparação da população e das entidades para os previsíveis efeitos do fenómeno El Niño no país nos meses seguintes, com previsões de chuvas acima do normal e focos de seca, em todo o país.

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.

Mais distritos das províncias de Gaza, Inhambane, Sofala e Tete poderão ter novas infraestruturas de água resilientes, alocação de insumos agrícolas e protecção social reforçada para fazer face à seca.

Em 2022, o governo aprovou o Manual de Procedimentos Operacionais Padronizados para o Sistema de Aviso Prévio e Acções Antecipadas à Seca.

No âmbito deste projecto e para reduzir o impacto da seca causada pelo El Niño, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres e seus parceiros construíram infra-estruturas em nove distritos de Gaza, Sofala e Tete.

Para este ano, o executivo pretende expandir o projecto para as populações mais afectadas pelos eventos climáticos extremos.

“O INGD está a coordenar com vários parceiros, com vista a expandir esta iniciativa com a inclusão, nos distritos da província Gaza, em Massangena e Chigubo, na Província de Inhambane, o distrito de funhalouro e Mabote, na Província de Sofala, o distrito de Machanga e em Tete no distrito de Màgoé”, disse Luísa Meque, presidente do INGD.

Para fazer face à época chuvosa 2024-2025, a presidente do INGD disse que a instituição está a trabalhar no aprimoramento da estratégia, porém, não apontou acções concretas.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia, o fenômeno El Niño tende a perder forças. Entretanto, só em setembro próximo será possível prever o nível de chuva que poderá afectar o país e a região da África Austral.

“Este trabalho normalmente termina nos finais de Agosto, e em Setembro temos a informação geral, não só específica de Moçambique, mas também de outros países, dado que, os fenómenos meteorológicos quando se desenvolvem não se limitam a um só país”, explicou Mussa Mustafa, director Adjunto do INAM.

Os intervenientes falavam esta quarta-feira, em Maputo, no balanço do processo de implementação do plano de acções antecipadas à seca na época 2023-2024.

O Presidente da República defende que o problema dos raptos no país não pode ser resolvido com simples comentários. Filipe Nyusi exige uma profunda reflexão, assim como medidas enérgicas para a resolução da situação.

O fenómeno, que eclodiu em 2011, tendo como alvos maioritariamente cidadãos de origem asiática, cria, segundo o Presidente da República, um sentimento de insegurança no seio da sociedade moçambicana.

Para Filipe Nyusi o problema dos raptos constitui um desafio para todos os moçambicanos, de tal maneira que é preciso que cada um faça a sua parte, de modo a contribuir para a sua erradicação.

“É um problema que ainda está longe de ser resolvido”, assume o Chefe do Estado, que diz, ainda assim, que é preciso não vergar perante as adversidades. Nesse sentido, segundo explicou no seu Informe sobre o Estado Geral da Nação, o Governo tem tomado medidas enérgicas na perspectiva de, pelo menos, reduzir o fluxo de casos.

“Estamos cientes de que ainda não estamos a conseguir resolver o fenómeno dos raptos no país, mas estamos a combater esse tipo de crime”, garante Nyusi.

Uma das medidas implementadas pelo Executivo moçambicano é a criação de unidades especiais e de inteligência, havendo um número considerável de agentes que está ainda em treinamento.

Apesar da potenciação dos diversos agentes ligados ao combate desse tipo de crime, persiste o desafio de dotar os sectores de investigação de equipamento de ponta, de modo a permitir mais eficácia no esclarecimento dos casos, desde o seu planeamento até à execução.

 

REVELADO MANDANTE DE RAPTOS

De Janeiro de 2023, ao presente mês, o país registou um total de 22 casos de raptos, tendo como vítimas cidadãos de origem asiática. Desse número, oito casos foram frustrados e 11 esclarecidos pelas autoridades, havendo a destacar que foram detidas 57 pessoas em conexão com esses crimes. As autoridades policiais desmantelaram, nesse período, quatro cativeiros.

Segundo explicou o Presidente da República, nas últimas três semanas, a polícia deteve três indivíduos envolvidos nos últimos raptos na Cidade de Maputo. Das investigações feitas, os mesmos revelaram o nome de um dos mandantes do crime, que, segundo Nyusi, é um empresário bem conhecido.

“Esse empresário não está em Moçambique. Já accionamos a INTERPOL para nos ajudar a identificar e deter o indivíduo. É preciso trazê-lo ao país para responder pelos seus crimes”, revela Filipe Nyusi.

Apesar desse esforço, o Chefe do Estado entende que persistem muitos desafios no que diz respeito à colaboração das vítimas, quando são resgatadas. Explicou que as mesmas têm mostrado alguma relutância para fornecer dados às autoridades por alegadamente terem medo de sofrer represálias.

“Temos de estudar esse fenómeno para vermos o que é que, de facto, está a acontecer. As vítimas falam de medo. Como é que vamos resolver o problema sem a colaboração deles? É preciso que haja maior sensibilidade, pois esse problema é de todos”, lamenta Nyusi.

Ainda no seu informe, Filipe Nyusi disse que, recentemente, foi depositada, na Assembleia da República, uma proposta de revisão da Lei Polícia da República de Moçambique, instrumento que tem em vista dotar a corporação de plenos poderes para a flexibilização e aprimoramento dos métodos de investigação.

A Procuradoria Distrital da Cidade de Chimoio, na província de Manica, Centro de Moçambique, instaurou, este ano, um total de 34 processos-crime relacionados com o tráfico e consumo de drogas.

A cannabis sativa ou soruma é a droga mais consumida na cidade de Chimoio, principalmente pela juventude, escreve a Agência de Informação de Moçambique (AIM).
Deste número de processos, 29 têm pessoas detidas e em cinco estão os indiciados a responder em liberdade.

Este número foi tornado público está terça-feira, em Gondola, pelo Procurador-Chefe do distrito de Chimoio, Remígio Guiamba, durante uma mesa redonda sobre o balanço de mecanismos de articulação entre a Assembleia Provincial e as organizações da Sociedade Civil (OSC) na fiscalização e monitorização das acções governativas.

“É um problema que preocupa a sociedade, onde os pais e encarregados de educação são chamados a intervir para travar este mal. Se não combatemos a droga, esperemos uma sociedade desorganizada”, referiu o procurador, citado pela AIM.

“Hoje temos medo de repreender algumas atitudes ou comportamentos dos nossos educandos. Esquecemo-nos do nosso papel como pais ou encarregados de educação. É preciso saber que a educação começa nas nossas casas, para que tenhamos uma sociedade mais educada”, acrescentou.

Guimba, que não revelou os números de igual período de 2023, lembrou que a droga está a destruir a sociedade e todos são chamados a intervir para eliminar este mal que pode comprometer o futuro do país.

“Aqui, em Chimoio, temos muitos casos de venda e consumo de drogas. É um problema que afecta principalmente a juventude. A droga é vendida em lugares que conhecemos e, por vezes, as pessoas são acobertadas pela própria população nas nossas comunidades. Vamos trabalhar para acabarmos com este mal”, apelou.

Guiamba sublinhou que “vemos que são crianças que procuram experimentar a droga e caem no vício”.

Segundo a fonte, muitas das vezes tem sido por influência de pessoas mais adultas. “A droga está a enriquecer muitas pessoas, mas a destruir uma sociedade, a comprometer o futuro dos homens do amanhã”.

Condenou a venda de álcool em barracas localizadas nas proximidades de estabelecimentos de ensino, facto que, anotou, tem estado a propiciar o recrudescimento deste mal.

“É preciso ver a mudança de comportamento dos nossos educandos. São vários sinais a que nós, como encarregados de educação, devemos estar atentos. Por vezes, a criança dorme muito, bebe muita água, insulta outras pessoas, quando no passado não fazia. É preciso estarmos atentos”, alertou.

Remígio Guiamba apelou à vigilância, controlo e denúncia de focos de venda de droga nos bairros e outros locais considerados de alto risco para a juventude.

Durante a mesa redonda de um dia, foram debatidos aspectos como desafios das organizações da sociedade civil no desenvolvimento das actividades a nível dos sectores sociais, resultados das acções interventivas, papel do Ministério Público na prevenção e combate ao consumo de drogas, evolução e novas tendências de tráfico e consumo de droga.

Também foram abordados temas relacionados com o impacto da articulação entre a Assembleia Provincial e as organizações da sociedade civil na fiscalização e monitorização da acção governativa, bem como o impacto das actividades dos conselhos de escola na prevenção e combate ao consumo de álcool e drogas nas instituições de ensino.

Na mesa redonda, estiveram presentes membros da Assembleia Provincial, representantes das organizações da sociedade civil, organizações não-governamentais e jornalistas.

Em apenas seis meses de governação, o Município de Nampula vai recorrer a um empréstimo bancário de 50 milhões e metade desse valor é para garantir o pagamento de salários dos funcionários do Município.

A informação foi avançada pelo vereador de Finanças do Município de Nampula, Pereira da Fonseca Napuana.

O mesmo clarificou que, deste valor, 24  milhões de Meticais serão aplicados para o pagamento de salários.

“Teríamos 50% desses 50 milhões alocados em conta corrente caucionada para os recursos humanos, que totalizaria, em média, 25 milhões de Meticais. Esse valor, o Município estaria a alocar e dizer que ‘vamos guardar o valor para os recursos humanos no sentido de garantir, com efectividade, o pagamento de salário de todos os funcionários do Município'”, explicou Pereira da Fonseca Napuana, para depois ressalvar: “O que quer dizer que mesmo que o Governo demore ou atrase com as transferências que nós todos conhecemos do FCA (Fundo de Compensação Autárquica), estaríamos em condição de fazer os pagamentos de remunerações a todos os funcionários do Município.”

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