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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República pediu à população do distrito de Montepuez o reforço da vigilância para repor a ordem e segurança na província de Cabo Delgado, assombrada pelo terrrorismo há cerca de nove anos.

“Nós temos de perceber que o principal polícia que o Governo tem é o povo, isso em todo o mundo. Inimigos de desenvolvimento sempre vão inventar coisas só para distrair o povo”, pediu Daniel Chapo.

A vigilância, segundo explicou o Presidente da República, visa acabar com o terrorismo e a violência provocada por incitamento à desordem social, uma situação que pode comprometer, segundo Chapo, as acções do Governo e travar o desenvolvimento de Cabo Delgado e do País, em geral.

De acordo com Chapo, “enquanto as nossas forças e as forças amigas  combatem o terrorismo para defender o nosso povo, nós trabalhamos dia e noite para que tenhamos paz em Cabo Delgado, porque só com segurança e boa convivência podemos desenvolver Cabo Delgado e Moçambique.

“Como temos dito ao povo, assim como àqueles nossos irmãos que estão no mato, ninguém vai desenvolver Moçambique com guerra, com terrorismo, com violência”, disse em comício o Presidente da República em Cabo Delgado.

Ainda no comício, o Chefe de Estado respondeu a algumas críticas em relação ao Fundo de Desenvolvimento Económico Local e sobre os atrasos de salários na função pública.

“Estamos a trabalhar para garantir que o salário dos funcionários seja pago a tempo, e a partir do próximo ano vamos duplicar o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, porque sabemos que há muitos projectos que foram remetidos e que não foram aprovados, por exiguidade de fundos”, prometeu Daniel Chapo.

O primeiro dia da visita do Presidente da República a Cabo Delgado terminou com uma sessão extraordinária do Conselho Executivo Provincial, Serviços Províncias de Representação do Estado alargado a outros quadros, onde o governador de  Cabo Delgado apresentou o informe sobre a província.

O crescimento acelerado do turismo e da indústria do gás está a impulsionar uma nova fase de investimentos em infra-estruturas de saúde na província de Inhambane. Numa região onde chegam, todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros e onde decorrem alguns dos maiores projectos de exploração de gás natural do País, aumenta também a exigência por serviços médicos capazes de responder a situações de emergência, acidentes de trabalho e cuidados especializados.

É neste contexto que as autoridades de saúde defendem uma participação cada vez mais activa do sector privado como complemento ao Serviço Nacional de Saúde, considerando que o desenvolvimento económico exige igualmente o fortalecimento da capacidade de resposta médica.

Para o director provincial de Saúde de Inhambane, Carlos Estêvão, o Estado não pode, por si só, responder a todas as necessidades da população, razão pela qual a legislação moçambicana prevê a participação do sector privado e do subsistema comunitário na prestação de cuidados de saúde.

Segundo o responsável, o surgimento de unidades privadas dotadas de padrões internacionais de qualidade representa um reforço importante para o sistema de saúde e para o próprio desenvolvimento económico da província.

“Quando surge um empreendimento desta categoria e com certificação de qualidade de serviço, é uma valia para o Estado moçambicano, para o Governo da província e para o distrito de Vilankulo”, afirmou.

Carlos Estêvão lembra que o turismo é um dos principais motores da economia de Inhambane e que a existência de serviços médicos constitui um factor decisivo para muitos visitantes internacionais na hora de escolherem destinos.

“Quando os turistas procuram um pacote turístico, uma das perguntas que fazem é se existe acesso a serviços de saúde de qualidade no local. O sector privado pode dar uma resposta importante a essa necessidade”, explicou Carlos Estêvão.

Na visão das autoridades provinciais, a expansão do investimento privado na saúde deverá continuar a ser estimulada, à semelhança do que acontece noutros sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento do País.

“O Governo incentiva a participação do sector privado na saúde, na educação, na agricultura e em várias outras áreas fundamentais para o crescimento económico”, acrescentou Estêvão.

Contudo, o director provincial de Saúde de Inhambane considera que o maior desafio começa depois da obtenção de certificações internacionais de qualidade.

“Conseguir a certificação é importante, mas a verdadeira batalha passa pela manutenção desses padrões e pela sua disseminação para outras instituições, públicas e privadas, para que todo o sistema de saúde evolua”, defendeu.

A aposta em cuidados de saúde surge também como resposta às necessidades criadas pela crescente actividade económica no corredor Vilankulo–Inhassoro, onde operam empresas ligadas ao turismo e à indústria extractiva.

O investidor Sérgio Dique explica que a decisão de investir naquela região nasceu precisamente da constatação de que existia uma lacuna na oferta de serviços médicos compatíveis com a dimensão dos investimentos em curso.

Segundo refere, muitos visitantes estrangeiros demonstram preocupação quanto ao acesso à assistência médica antes de escolherem Moçambique como destino.

“Quando um turista pensa em viajar para África, uma das primeiras perguntas que faz é: se eu adoecer, onde é que vou ser tratado?”, avançou.

Além da actividade turística, o empresário aponta o crescimento da indústria do gás como outro factor determinante para a instalação de uma unidade hospitalar com capacidade de resposta diferenciada.

“As operações ligadas à indústria extractiva obedecem a rigorosos padrões internacionais de saúde ocupacional. Era necessário existir uma unidade capaz de responder a essas exigências e também a situações de emergência”, explicou.

Até há poucos anos, acidentes graves ocorridos naquela região obrigavam frequentemente à evacuação dos pacientes para hospitais situados a centenas de quilómetros de distância.

Segundo Sérgio Dique, essa realidade aumentava os riscos clínicos e comprometia a rapidez da resposta médica.

“Hoje, já conseguimos estabilizar e tratar uma grande parte das situações de emergência sem necessidade de transferências imediatas”, afirmou.

Para garantir essa capacidade de resposta, a unidade investiu em ambulâncias equipadas para suporte avançado de vida, criou uma unidade de trauma e reforçou a formação dos profissionais de saúde.

O empresário moçambicano explica ainda que o investimento em qualidade começou muito antes da construção da infra-estrutura hospitalar.

A motivação surgiu de uma experiência pessoal vivida durante o nascimento da sua segunda filha, quando considerou que os cuidados recebidos pela família não correspondiam aos padrões que considerava aceitáveis.

Foi a partir dessa experiência que decidiu desenvolver um projecto assente em protocolos clínicos, formação contínua e mecanismos permanentes de controlo de qualidade.

O processo prolongou-se por cerca de uma década e culminou com a obtenção de certificação internacional, resultado de investimentos em equipamentos, capacitação do pessoal e implementação de procedimentos técnicos.

Para Sérgio Dique, a certificação não deve ser vista apenas como um documento formal. “Ela representa a confirmação de que os serviços prestados obedecem efectivamente a padrões internacionais de qualidade”, sublinhou.

O reconhecimento internacional abre igualmente novas perspectivas para empresas nacionais que pretendem prestar serviços a grandes multinacionais instaladas em Moçambique.

Segundo o empresário, durante vários anos, algumas empresas moçambicanas ficaram afastadas de determinados contratos, por não reunirem certificações exigidas pelas operadoras internacionais.

Com o cumprimento desses requisitos, acredita-se que as empresas nacionais passam a competir em igualdade de circunstâncias.

“O caminho não passa por reduzir as exigências das multinacionais. Passa por elevarmos os nossos próprios padrões de qualidade”, defendeu.

Na sua opinião, flexibilizar critérios técnicos pode comprometer a segurança dos trabalhadores e afectar a qualidade dos serviços prestados.

“Na saúde, não pode haver espaço para relaxamento dos padrões. Temos de investir para responder às exigências internacionais e conquistar a confiança dos clientes pela qualidade do nosso trabalho”, acrescentou.

Leões, hienas e elefantes voltaram a espalhar o medo nas comunidades do distrito de Massingir, na província de Gaza, após ataques que resultaram na morte de cinco cabeças de gado e deixaram uma criança ferida. Perante a situação, o administrador do Parque Nacional do Limpopo, Abel Nhabanga, promete medidas para reduzir o conflito homem-fauna bravia e proteger as populações.

COMUNIDADES VIVEM CERCADAS PELO MEDO 

O distrito de Massingir volta a enfrentar uma escalada do conflito entre as comunidades e a fauna bravia. A presença de leões, hienas e elefantes fora dos limites do Parque Nacional do Limpopo está a semear o pânico entre os residentes, na sequência de novos ataques que resultaram na morte de pelo menos cinco cabeças de gado e feriram uma criança.

Os moradores afirmam que a circulação de leões e hienas tem condicionado a mobilidade das famílias, sobretudo ao final da tarde, quando o receio de ataques aumenta.

“Fugimos para dentro de casa quando há perigo, porque não podemos enfrentar os animais. O Governo deve levar os animais para o mato”, relatou um residente.

A preocupação é partilhada por outros membros das comunidades afectadas, que denunciam perdas constantes de animais domésticos e uma crescente sensação de insegurança.

“Depois das 17 horas ninguém sai mais. Pelo menos já vi cinco leões. Estamos a pedir ajuda aqui em Massingir. Vários leões estão a comer os nossos animais. Estamos mesmo mal”, lamentou outro morador.

ATAQUES PROVOCAM PREJUÍZOS E DEIXAM FERIDOS 

Além do medo, os ataques estão a provocar prejuízos económicos consideráveis para famílias que dependem da criação de gado para a sua subsistência.

Nas últimas duas semanas, pelo menos cinco animais foram mortos por predadores. Entre as vítimas contam-se quatro cabeças de gado bovino e um burro.

“Estão a comer os nossos cabritos. O meu avô perdeu três cabeças de gado bovino”, contou uma criança da comunidade.

A situação tornou-se ainda mais preocupante com o registo de um menor ferido durante um ataque, enquanto a invasão de elefantes continua a destruir machambas e áreas de produção agrícola.

GOVERNO DISTRITAL ADMITE ABATE DE ANIMAIS PROBLEMÁTICAS 

Perante a gravidade da situação, o administrador do distrito de Massingir, Sérgio Costa, confirmou a circulação dos animais fora dos limites do parque e defendeu medidas mais enérgicas para proteger as comunidades.

“Nos casos extremos em que se demonstrar que os esforços de afugentamento não produzem resultados, iremos proceder ao abate dos animais”, afirmou.

O dirigente revelou que os prejuízos continuam a aumentar e alertou para o risco de agravamento do conflito caso não haja uma resposta rápida.

“Com muita tristeza, temos a relatar que quatro cabeças de gado bovino e um burro foram devorados por estes animais. Enquanto não houver resposta, estes animais continuarão no terreno, colocando em risco a vida das pessoas e os seus bens, gerando descontentamento entre a população e o Governo do distrito.”

NOVO ADMINISTRADOR PROMETE RESPOSTAS RÁPIDAS 

Por seu turno, o recém-empossado administrador do Parque Nacional do Limpopo, Abel Nhabanga, garante que estão a ser reforçadas as medidas destinadas a travar a circulação dos animais e a reduzir os impactos do conflito homem-fauna bravia.

“O ser humano está acima de qualquer animal. Portanto, a nossa prioridade é salvaguardar a vida da população e os seus bens. Essa será a nossa prioridade”, afirmou.

O responsável assegurou ainda que haverá coordenação entre o parque, o Governo distrital e as comunidades locais.

“Vamos trabalhar para reduzir os impactos do conflito homem-fauna bravia, em coordenação com o Governo do distrito e com a população.”

GOVERNADORA EXIGE PRONTIDÃO DO PARQUE 

A pressão para uma resposta mais eficaz parte igualmente do Governo provincial. A governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, exigiu uma intervenção rápida sempre que animais perigosos forem avistados nas comunidades.

Segundo a governadora, situações semelhantes já foram registadas no distrito de Mabalane, onde felinos também atacaram animais domésticos.

“Quando a população comunicar que há um felino, um leão que saiu dos limites do parque e se encontra na comunidade, o parque deve prontamente deslocar-se ao local e proceder ao seu afugentamento, para que as comunidades continuem seguras.”

“A prontidão e a flexibilidade poderão minimizar não só a situação dos leões, mas também a de outros animais que têm estado a ameaçar a população.”

A exigência foi apresentada durante a cerimónia de apresentação dos novos administradores dos Parques Nacionais de Banhine e do Limpopo, numa altura em que o Governo espera resultados imediatos no terreno, com vista a devolver a tranquilidade às populações afectadas.

Foi lançada esta segunda-feira, na província da Zambézia, a audição pública provincial no âmbito da implementação do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, iniciativa que visa promover a participação dos cidadãos na construção de consensos sobre questões fundamentais para o futuro do País.

O evento reuniu representantes do Governo, partidos políticos, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e religiosos, num exercício de consulta destinado a recolher contribuições de diferentes segmentos da sociedade moçambicana.

Na ocasião, o membro da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, Albino Manguene, explicou as diversas fases do processo em curso, sublinhando a importância da participação ampla e inclusiva dos cidadãos na definição de propostas que contribuam para o fortalecimento da democracia, da paz e da estabilidade nacional.

Segundo Manguene, as audições públicas constituem um espaço privilegiado para a recolha de opiniões e preocupações dos moçambicanos, cujos contributos serão considerados nas etapas subsequentes do diálogo.

Por sua vez, o Governador da Zambézia, Pio Matos, considerou que a iniciativa representa uma oportunidade para os cidadãos participarem activamente nos processos de tomada de decisão sobre matérias de interesse nacional.

O dirigente defendeu que o debate decorra de forma livre, aberta e sem interferências externas, de modo a garantir que os consensos alcançados reflictam genuinamente as aspirações dos moçambicanos.

Os participantes manifestaram a expectativa de que o processo produza resultados concretos para a consolidação da paz, da unidade nacional e do desenvolvimento sustentável de Moçambique.

Após a conclusão da fase de audições públicas, o processo entrará na etapa de construção de consensos, prevista para decorrer entre Julho e Outubro de 2026, período durante o qual serão sistematizadas e debatidas as contribuições recolhidas em todo o País.

Vinte e quatro mulheres foram assassinadas nos primeiros seis meses deste ano no distrito de Mossurize, província de Manica, num cenário que continua a preocupar as autoridades locais e organizações ligadas à defesa dos direitos da mulher. A maioria dos crimes foi perpetrada por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, alegadamente movidos por ciúmes.

Os dados foram avançados pelo administrador de Mossurize, Abdul Zacarias, que revelou que, em média, uma mulher é assassinada por semana no distrito. Apesar da gravidade da situação, o dirigente considera que se registou uma redução dos casos em comparação com anos anteriores, período em que eram reportados entre dois e três feminicídios por semana.

Segundo Zacarias, os conflitos conjugais associados ao ciúme excessivo continuam a estar na origem da maior parte dos actos de violência baseada no género que culminam em homicídios.

Por sua vez, a psicóloga Nícia Dzimba defende a necessidade de uma maior atenção aos sinais de relacionamentos tóxicos, alertando para comportamentos possessivos e manifestações de ciúmes excessivos que podem evoluir para situações de violência extrema.

A especialista considera importante reforçar as acções de sensibilização junto das comunidades, de modo a prevenir situações que coloquem em risco a integridade física e a vida das mulheres.

Além de Mossurize, os distritos de Machaze, Gondola e Barué figuram entre os que registam maior número de casos de feminicídio na província de Manica, segundo dados das autoridades locais.

A persistência deste fenómeno continua a constituir um desafio para as instituições de justiça, autoridades governamentais e organizações da sociedade civil que trabalham na prevenção e combate à violência baseada no género.

A 1.ª Força de Reacção Rápida (QRF) dos Comandos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) iniciou esta semana a fase de treino assistido colectivo, após a conclusão da etapa de formação individual inserida no programa de regeneração da unidade, apoiado pela Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).

A nova fase é considerada fundamental no processo de preparação operacional da força, permitindo aos militares integrar e aplicar, em contexto colectivo, os conhecimentos e competências adquiridos durante o treino individual.

Ao longo das próximas semanas, os efectivos irão desenvolver e aperfeiçoar procedimentos tácticos essenciais, com destaque para o reforço da coordenação, comunicação, progressão em ambiente operacional e capacidade de resposta perante diferentes cenários no terreno.

Segundo informações divulgadas pela EUMAM MOZ, esta etapa representa uma evolução natural do programa de regeneração da força, assente num processo gradual de desenvolvimento de capacidades, que privilegia a formação do militar, da equipa e, posteriormente, da unidade como um todo.

A metodologia adoptada visa fortalecer a coesão, a disciplina, a interoperabilidade e a prontidão operacional, factores considerados determinantes para o cumprimento eficaz das missões atribuídas à Força de Reacção Rápida.

Através deste apoio, a Missão de Assistência Militar da União Europeia continua a contribuir para o reforço sustentável das capacidades das FADM, promovendo a formação de forças mais autónomas, preparadas e aptas a responder aos desafios de segurança, particularmente na província de Cabo Delgado.

A iniciativa enquadra-se no compromisso contínuo da União Europeia de apoiar Moçambique no fortalecimento das suas capacidades de defesa, por meio de formação especializada, mentoria e assistência técnica orientadas para a preparação operacional e para a segurança da população moçambicana.

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, afirmou que a segurança cibernética constitui um dos pilares fundamentais da transformação digital, defendendo que não é possível alcançar um desenvolvimento digital sustentável sem garantir a protecção dos cidadãos, das empresas e das instituições contra as ameaças do cibercrime.

Falando na abertura do IV Seminário sobre Cibercriminalidade, realizado em Maputo, Muchanga destacou que o Governo assenta a sua estratégia de transformação digital em três pilares fundamentais: os sistemas digitais, as infra-estruturas digitais e a segurança cibernética.

Segundo o governante, a expansão dos serviços digitais e das infra-estruturas de comunicação cria igualmente vulnerabilidades susceptíveis de serem exploradas por agentes criminosos, tornando indispensável a adopção de mecanismos eficazes de protecção do espaço digital.

“Sem segurança cibernética, os cidadãos perderão a confiança nos serviços digitais, comprometendo os benefícios da transformação digital que o País pretende alcançar”, afirmou.

Na ocasião, o ministro elogiou o papel desempenhado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na sensibilização e coordenação das acções de combate à cibercriminalidade, destacando a realização do quarto seminário dedicado ao tema.

Para Muchanga, a PGR tem demonstrado persistência e empenho na promoção de um ambiente digital mais seguro, trabalhando em estreita colaboração com operadores de telecomunicações, entidades reguladoras e outros actores relevantes.

O governante alertou que a criminalidade no espaço digital evolui ao mesmo ritmo que a tecnologia, recorrendo cada vez mais a métodos sofisticados, incluindo esquemas de engenharia social, roubo de identidade, ataques informáticos e utilização maliciosa da inteligência artificial.

“Hoje, as fronteiras da criminalidade deixaram de ser apenas físicas. Muitas delas atravessam silenciosamente os nossos computadores, telemóveis, plataformas financeiras e redes de telecomunicações”, observou.

Américo Muchanga sublinhou que o combate ao cibercrime exige uma resposta firme assente na investigação, cooperação e responsabilização, princípios que, segundo afirmou, estão reflectidos no lema do seminário.

O ministro destacou ainda que o Governo está a implementar uma estratégia estruturada para reforçar a segurança cibernética, baseada em três eixos fundamentais: o fortalecimento do quadro jurídico e institucional, o desenvolvimento das capacidades nacionais e o aprofundamento da cooperação nacional e internacional.

Neste contexto, recordou a aprovação de diversos instrumentos legais, incluindo a Lei das Transacções Electrónicas, a Política Nacional de Segurança Cibernética e a respectiva Estratégia de Implementação, bem como as recentes leis sobre segurança cibernética e crimes cibernéticos.

Paralelamente, o País está a investir na formação de especialistas, na modernização das infra-estruturas tecnológicas e na criação de equipas de resposta a incidentes de segurança cibernética aos níveis nacional, sectorial, provincial, institucional e municipal.

No plano internacional, Muchanga destacou o compromisso de Moçambique com a harmonização dos seus instrumentos jurídicos com os padrões regionais e internacionais, referindo a ratificação da Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Protecção de Dados Pessoais, bem como os esforços em curso para a adesão à Convenção de Budapeste sobre Crimes Cibernéticos e à Convenção das Nações Unidas contra o Cibercrime.

O governante defendeu que a segurança digital deixou de ser apenas uma questão tecnológica para assumir uma dimensão estratégica ligada à soberania, à governação, à competitividade económica e à confiança pública.

“O activo mais valioso da economia digital não são os computadores nem os algoritmos, mas sim a confiança dos cidadãos”, afirmou.

Por isso, apelou aos participantes do seminário para que contribuam com propostas concretas que reforcem a cooperação entre as instituições e fortaleçam a capacidade colectiva de prevenção, investigação e combate à fraude e à criminalidade no espaço digital.

O IV Seminário sobre Cibercriminalidade reúne magistrados, investigadores, reguladores, operadores de telecomunicações, instituições financeiras, académicos e especialistas nacionais e estrangeiros para debater os desafios e as estratégias de prevenção e combate ao cibercrime em Moçambique.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para o crescimento da cibercriminalidade em Moçambique e defendeu o reforço da cooperação entre instituições nacionais e internacionais para prevenir e combater as burlas e fraudes electrónicas, que representam actualmente as manifestações mais frequentes do crime cibernético no País.

A posição foi manifestada nesta segunda-feira, durante a abertura do IV Seminário sobre Cibercriminalidade, realizado sob o lema “Uma Acção Firme contra a Burla e a Fraude Electrónica: Investigação, Cooperação e Responsabilização”.

Na ocasião, a Vice-Procuradora-Geral, Irene Uthui, destacou que a rápida evolução tecnológica tem vindo a transformar profundamente as dinâmicas criminais, permitindo que delitos sejam cometidos à distância, através de redes globais de comunicação e, muitas vezes, por agentes que actuam de forma anónima e para além das fronteiras nacionais.

Segundo a vice-procuradora, os avanços tecnológicos trouxeram benefícios significativos para a sociedade, facilitando a comunicação, as transacções financeiras e o desenvolvimento económico. Contudo, também abriram espaço para novas formas de criminalidade, incluindo burlas electrónicas, ataques informáticos e fraudes associadas aos meios electrónicos de pagamento.

Dados apresentados durante o seminário indicam que Moçambique registou cerca de 39 600 incidentes cibernéticos em 2025. Do total de processos relacionados com o cibercrime registados pelo Ministério Público no mesmo período, aproximadamente 78% estiveram associados a fraudes envolvendo instrumentos de pagamento electrónico e burlas informáticas nas comunicações.

Perante este cenário, a Procuradoria-Geral da República considera essencial o reforço da capacitação contínua dos magistrados, investigadores e demais profissionais envolvidos na prevenção e repressão da criminalidade cibernética, tendo em conta a crescente sofisticação dos métodos utilizados pelos criminosos e a sua capacidade de adaptação às novas tecnologias.

A instituição sublinhou igualmente a necessidade de uma articulação mais estreita entre as autoridades judiciárias, os órgãos de investigação criminal, as entidades reguladoras, as instituições financeiras, os operadores de telecomunicações, as plataformas de carteira móvel e as organizações da sociedade civil.

A natureza transnacional do cibercrime constituiu outro dos aspectos destacados durante o encontro. A PGR defendeu que nenhum Estado consegue enfrentar isoladamente este fenómeno, tornando indispensáveis a cooperação internacional e a partilha de conhecimentos, experiências e boas práticas entre os diversos intervenientes.

O seminário reúne especialistas nacionais e internacionais provenientes de Angola, Brasil e Portugal, bem como representantes de instituições públicas e privadas ligadas às áreas da justiça, tecnologia e segurança digital.

A Procuradoria-Geral da República reafirmou o seu compromisso com a defesa da legalidade, a protecção dos cidadãos e a responsabilização dos autores de crimes praticados através das tecnologias de informação e comunicação, manifestando a expectativa de que o encontro contribua para o fortalecimento das estratégias de prevenção e combate à cibercriminalidade no País.

 

Continua condicionada a circulação de viaturas em dois sentidos na estrada nacional número um próximo ao Terminal Interprovincial da Junta, na Cidade de Maputo,  após a ruptura de uma conduta de água que abriu uma cratera na via pública. A empresa Água  e Saneamento de Maputo já reparou a conduta e decorrem trabalhos de reposição da via. 

De acordo com um comunicado partilhado com a nossa redacção, os trabalhos de reposição da conduta decorreram ao longo da noite de sábado até à madrugada de Domingo. A empresa Água e Saneamento de Maputo diz tratar-se de uma conduta antiga e cedeu pelo seu desgaste e pela intensidade do tráfego no local. Não foi estimado o número de famílias que ficaram sem água devido ao problema, mas a firma assegura que o abastecimento voltou à normalidade 

O que não voltou à normalidade é o trânsito de viaturas no local. A via continua bloqueada enquanto decorrem os trabalhos de tapamento da cratera aberta para a reparação da conduta.

Homens e máquinas desdobram-se nos trabalhos de reposição da circulação que continua a fluir de forma condicionada. 

Sem gravar entrevista, a Administração Nacional de Estradas disse não haver dado novo sobre a data de normalização,  mantendo-se os prazos anunciados este sábado, de três dias para a reposição da normalidade.

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