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O País – A verdade como notícia

Mais de 200 produtores de hórticulas clamam por sementes melhoradas, motobombas,fertilizantes e apoio de extensionistas, em Nicoadala, na província de Zambézia. Os produtores dizem que só é possível produzir hortículas, em duas épocas por ano, se forem alocados os equipamentos técnicos necessários.

Sucede que nesta época do ano a produção flui com normalidade, o que proporciona aos homens e mulheres o “ganha pão”, através da venda da produção. No entanto, nos finais de Novembro e durante todo o mês de Dezembro, o processo de produção complica-se devido ao pico da época quente.

“Podemos produzir todo ano, mas os meses de outubro a Dezembro são os mais complicados para se avançar com a produção. Isso porque o aquecimento e as pragas atacam muito as plantas “, disse Fiel Talhada, um produtor local de hortícola. Talhada acrescentou que a falta de assistência dos extensionistas no auxílio do processo de produção agrava ainda mais a situação.

Juvêncio Linda, outro produtor de hortícolas, fez saber que o governo alocou extensionistas para apoiar os produtores, mas eles simplesmente não aparecem. “São dados sementes para distribuir e ao invés de fazer isso, vendem-nas, contrariando os objectivos. Outro ponto é que os produtores são também técnicos, ao mesmo tempo”.

A Directora distrital das actividades económicas de Nicoadala, Zélia Sabão, confirma que é possível produzir hortícolas durante todo o ano, nesta região, até porque existe água nas proximidades para o efeito. Porém, a falta de mecanização do sistema de rega complica este anseio.

“Este ano, estamos bem em termos de produção de hortícolas mercê da tecnologia passada aos produtores, através da assistência dos nossos extensionistas. Há dois anos que a produção de hortícolas está a ser em grande escala, graças aos esforços conjugados entre o governo e os produtores, na introdução de tecnologias” disse Zélia Sabão.

Na abordagem, os produtores de hortícolas explicaram que não tem contado com o apoio dos extensionistas para auxiliar a produção. Todavia, Sabão diz que tal não constitui verdade, pois “os extensionistas dão o melhor de si para a produção de hortícolas”.

E acrescentou: “Temos estado a trabalhar também para ver se conseguimos ter apoios dos demais parceiros para a mecanização agrária, por forma a incrementar a produção”.

Em cerâmica, estão disponíveis sete mil hectares para a produção de hortícolas que ronda em 130 toneladas por ano, mas, se as condições melhorarem os níveis de colheita podem chegar a 500 toneladas, de acordo com a Directora distrital das actividades econômicas de Nicoadala.

Homens e mulheres, nesta época do ano, ganham a vida vendendo hortícolas ao longo da N10, e através de mulheres que compram o produto para revender nos mercados da província.

Ataques de crocodilos tem matado, ferido e mutilado várias pessoas, em Ressano Garcia, província de Maputo. Segundo relatos, há casos em que todos os membros de uma família são atacados por crocodilos, no rio Inkomati.

Joanina Mapilele viu três membros de sua família serem brutalmente atacados, seu pai, irmão e cunhada. Os dois últimos sofreram o ataque no mesmo dia, segundo conta. “O crocodilo deixou o meu irmão e pegou a minha cunhada. Ela, junto do meu irmão, lutou com o animal, arrastando-se de outra margem até o lugar onde houve a disputa”.

Numa tentativa de defesa, “a minha cunhada inseriu os dedos nas narinas do crocodilo, que logo a jogou e feriu-a na barriga. Ela estava grávida”.

O pai de Janine foi atacado durante a pesca. Numa tentativa de fugir do animal, acabou por ferir o braço.

A aparência das águas não deixa transparecer o perigo que escondem. Gulamo Cossa sabe da existência dos répteis, mas não tem outra alternativa senão mergulhar no rio para buscar água.

“Eu sei que há crocodilos, mas não tenho como, esta é a única fonte de água para nós”, explicou.

Há muito que o posto administrativo de Ressano García enfrenta o problema de falta de água potável e, para colmatar o problema, os populares buscam a água no rio, tornando-se presas fáceis dos crocodilos.
No mesmo rio, há ainda casos de hipopótamos que saem do rio para destruir culturas agrícolas e atacar pessoas.

De Janeiro a esta parte, uma pessoa morreu e outras duas foram feridas, como resultado de ataques de animais ferozes no distrito de Cheringoma, província de Sofala. O problema preocupa as comunidades e as autoridades locais.

Recentemente, um menor foi atacado por um Búfalo, quando, na companhia de dois amigos, afugentava macacos que tinham invadido uma área de cultivo.
“Com recurso a paus e pedras corremos com os macacos. De regresso a machamba, vi um Búfalo, que vinha em minha direcção. Corri enquanto gritava por socorro, mas o animal era mais veloz que eu, então, em pouco tempo, me alcançou, e com os chifres desferiu-me um golpe, que me lançou para longe. O Búfalo seguiu-me e voltou a desferir mais dois golpes, e, por fim, seguiu o seu caminho”, conta a vítima.

O adolescente ficou gravemente ferido, e foi levado ao hospital distrital de Cheringoma. William Barriqueto, director distrital de Saúde, em Cheringoma, garante que, no momento, a vítima está fora de perigo.

“O conflito homem-animal acabou culminando com uma lesão na parte interna da coxa esquerda, o que resultou numa ferida incisa, profunda, com mais de 10 centímetros. O jovem teve também algumas escoriações na parte da cabeça, e teve também uma teve ferida incisa na nuca”, explicou.

Neste ano, este é o terceiro caso de conflito homem-animal em Cheringoma, e um deles culminou em óbito. Estes conflitos têm preocupado as comunidades e as autoridades distritais. O director distrital de Saúde avançou que estão a ser levadas a cabo, junto com parceiros, campanhas para sensibilizar a comunidade sobre essa situação, visto que, muitos vivem em áreas onde são obrigados a compartilhar o espaço com animais selvagens.

Ainda naquele distrito, os casos de crimes ambientais tendem a diminuir. No primeiro semestre deste ano, foram registados sete casos. Em 2023, foram tramitados 21 processos, contra 37, em 2022, segundo o Juiz presidente de Cheringoma.

“O que está influir de forma directa para que os crimes diminuam são vários factores, mas posso destacar a questão da sensibilização as comunidades, em relação as questões que têm a ver com o meio ambiente. Uma outra situação está relacionada ao reforço da fiscalização, por parte dos fiscais do Parque Nacional de Gorongosa”.
Refira-se Cheringoma tem mais de 22 mil habitantes distribuídos numa área de 9 mil km quadrados, e cerca de metade desta área faz parte da zona tampão do Parque Nacional de Gorongosa.

Os antigos chefes de Estado, Joaquim Chissano e Armando Guebuza dizem que Chude Mondlane é um exemplo de pessoa que deve ser replicado pela juventude. Já a ativista Graça Machel entende os moçambicanos deviam reconhecer os feitos de Chude, ela ainda em vida.

Chude viveu e fez a vida entre Moçambique, África do Sul e Estados Unidos de America, mas é no solo pátrio que mais deixa memórias.

Em virtude dessas memórias, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano diz que Chude reflecte plenamente as culturas dos seus progenitores. “Chude encarnou as raízes dos seus pais, tanto da sua mãe como do seu pai, ela conseguiu juntar estas culturas e vivê-las, como ela dizia, construindo o futuro” disse.

Armando Guebuza, que também assinou o livro de condolências e posteriormente acompanhou a cerimónia defende que Chude construiu um “grande legado cultural que será fundamental para acalmar as dores da perda”.

Verónica Macamo, ministra dos Negócios Estrangeiros, reforçou que a vida e obra de Chude são uma inspiração que a sociedade devia aproveitar.

“Naquilo que a Chude dizia, a sua obra para quem tenha assistido é grande e isso pode ajudar-nos a acalmar a dor da nossa perda.”

O secretário Geral da Frelimo, Daniel Chapo representou mais do que os valores culturais. “Estamos a falar de uma cidadã nacionalista e devemos preservar os valores que ela nos deixa, a integridade e a amizade no presente e no futuro”, disse.

Crítica, a ativista Graça Machel lamenta que a Chude não tenha tido tempo para ver o reconhecimento do país pelo seu legado.

“Teria sido melhor se nós como sociedade, como instituição que tivéssemos tratado melhor a Chude em vida, pois há muitas pessoas no país que não sabem quem a Chude foi e penso que teria sido melhor que tivéssemos dado mais carinho a ela ainda em vida.”

Na cerimónia o último adeus a Jennifer Chude Mondlaneparticiparam várias figuras, incluindo representantes do corpo diplomático dos paises onde ela viveu.

Os países do terceiro mundo precisam de mais quadros formados nas áreas da Inteligência Artificial para enfrentar melhor problemas futuros. Em Timor-Leste, por exemplo, José Ramos-Horta diz que aconselha os jovens a se formar na questão das águas.

O presidente timorense, que está há dois dias no país, lançou um olhar crítico sobre os países do Terceiro Mundo e disse que precisam redirecionar-se às áreas de estudo.

“Nós, os países do Terceiro Mundo temos muitos doutorados em Filosofia, em Teologia, História, Relações Internacionais mas temos poucos formados em Ciência Artificial, Digitalização, Medicina, Economia, Indústria, etc.”

Antevendo que a falta de água poderá ser um grave problema para o mundo, no seu país, Ramos-Horta já decidiu por onde a juventude deve começar.

“As águas estão a escassear e no futuro o problema será ainda mais grave. Em Timor Leste quando falo, digo aos jovens que estudem sempre sobre questões da água porque o mundo está com dificuldades e a carência de água será grave no futuro.”

Ramos-Horta, referiu que o seu país ainda encara a formação de quadros como o maior desafio pois ainda não tem capacidade para formá-los internamente ao recorrer a ajuda da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP).

“Nós não formamos quadros académicos, nós aceitamos as ofertas que nos fazem porque temos o desafio de formar quadros. Temos contratado muitos colaboradores dos países da CPLP, todos têm estado a prestar serviços que o nosso governo contrata directamente ou pelo ou pelo sistema da Organização das Nações Unidas.”

Ramos-Horta falava após uma visita à Academia Aga Khan, este sábado, na cidade da Matola.

Depois de Moçambique, o estadista segue para Angola.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação diz ser necessário reforçar a cooperação entre Moçambique e Ruanda, em diversas áreas para garantir benefícios mútuos. Manuel Gonçalves falava ontem nas celebrações dos 30 anos de libertação daquele.

Quatro de Julho tornou-se uma data memorável para o Ruanda e o mundo. O país assinala o Dia da Libertação daquele país africano.

Em Moçambique, a celebração do trigésimo aniversário teve lugar em Maputo, esta sexta-feira. Coube ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel Gonçalves, dirigir o evento, em representação do Presidente da República.

Manuel Gonçalves agradeceu o apoio do país na resposta ao terrorismo.
“No âmbito dos esforços de soluções africanas para problemas africanos, o Ruanda tem se destacado pelo notável e contínuo apoio e solidariedade no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. Lutando lado a lado com países da SADC, o continente e o mundo testemunham que é possível África encontrar soluções internas para problemas internos. ”

Manuel Gonçalves referiu que a cooperação entre os dois países, em diversas áreas, é o caminho para garantir benefícios mútuos.

“O desenvolvimento das relações entre Moçambique e o Ruanda, constitui um marco importante na consolidação dos laços históricos de amizade, cooperação e solidariedade existente entre os nossos dois países e povos. As relações culturais e históricas que nos unem transcendem a distância geográfica que nos separa e constituem factores susceptíveis de conferir maior dimensão e fortalecimento ao relacionamento existente entre os nossos dois Povos e Estados. Este desiderato expressa a vontade comum de elevarmos cada vez mais as relações de cooperação política, económica e social, convictos que fluam e se traduzam em resultados tangíveis, através de acções concretas com benefícios mútuos entre os nossos países.”

Por sua vez, o alto comissário da República do Ruanda em Maputo falou da necessidade de melhor exploração dos recursos africanos para o desenvolvimento.

“Nós não nos desenvolvemos conforme as expectactivas. A África tem recursos naturais, minerais, petróleo, gás, entre outros, mas estes não estão a ajudar África a desenvolver. Estamos ainda dependentes de ajuda internacional”, disse o alto comissário da República do Ruanda em Maputo.

O Dia da Libertação do Ruanda marca oficialmente o fim do genocício, que matou mais de 800 mil pessoas, em menos de 100 dias, contados desde 07 de Abril de 1994.

A ministra da cultura, Eldevina Materula, defende que o legado de Chude Mondlane deve ser estudado pelas futuras gerações pois sua vida e obra fazem parte da história da libertação do país. O compromisso foi manifestado durante o “último adeus” da primeira filha do primeiro presidente da Frelimo.

Foi nesta manhã, em Maputo, que familiares e amigos prestaram a última homenagem à cantora, promotora musical e antropóloga, Chude Mondlane, que perdeu a vida na semana passada.

Seu irmão mais velho, Eduardo Mondlane Júnior, revelou que Chude Mondlane foi vítima “da  covid-19 entre outras doenças”.

Na ocasião, a ministra da cultura, Eldevina Materula, em representação do governo disse ter apenas uma missão, transferir o legado da artista para o país e para o mundo.

“Neste momento de despedida eterna, o governo de Moçambique, curva-se perante si Chudy Mondlane para enaltecer os seus feitos, reconhecer em nome do povo moçambicano que a sua  vida e obra constituem parte do processo histórico da libertação e desenvolvimento do país sempre na perspectiva de construção de uma nação próspera, pacífica, de justiça social. O governo compromete-se similarmente a salvaguardar a sua vida e obra de modo a que seja objecto de consulta, estudo e transmissão nas presentes e futuras gerações . Que esta seja uma missão de todos nós como sociedade.”

Materula, também enalteceu o papel de activismo social e cultural desempenhado por Chude Mondlane.

“Promovendo o que ela própria chamava de arte de resistência, Chude Mondlane  influenciou políticas públicas e a sociedade na melhoria da condição de vida da criança, rapariga e da mulher no nosso  país. Influenciou igualmente as novas gerações de artistas por meio da cultura e a disseminarem mensagens orientadas para o desenvolvimento.”

Chude Mondlane perdeu a vida aos 66 anos e deixou uma filha.

A STV vai a partir da próxima terça-feira transmitir um debate presidencial promovido pela Universidade A Politécnica e o Fórum de Reflexão e Políticas Públicas , cujo objectivo é colocar cada candidato, no seu dia, a interagir directamente com o público.

Os candidatos que estarão diante de uma audiência de cerca de 300 pessoas vão falar primeiro, por cerca de 20 minutos para se apresentar e falar dos seus planos de governação, conforme explicou o Reitor da Universidade, Narciso Matos.

Depois desse momento, seguir-se-ão as questões que serão colocadas por sete painelistas.

“Eles são especialistas de diversas áreas, desde economia, direito dos cidadãos, arte e cultura, defesa e segurança e outras, cada um vai colocar uma questão, o candidato terá a oportunidade de responder da maneira como quiser responder e depois teremos as perguntas da audiencia”.

Por fim, conforme explicou o reitor, o candidato terá 15 minutos para as observações finais.

Até aqui Lutero Simango candidato presidencial do partido MDM foi quem confirmou a presença e por isso, será o primeiro.

O grupo Soico é quem vai transmitir o debate nas suas diversas plataformas e isso foi confirmado num acordo assinado entre as partes na tarde desta sexta-feira.

Segundo a Directora de Informação, Olívia Massango, esta é uma oportunidade que o grupo tem de contribuir para a educação política, participação política consciente e informada dos cidadãos e todos cidadãos.

O público será inclusivo desde acadêmicos a simples cidadãos.

Há pessoas envolvidas no terrorismo mas o Ministério Público não consegue provar. A constatação é da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público.

Em 2019, o país condenou 37 indiciados no envolvimento no crime de terrorismo e no mesmo ano, outros 100, a maioria, foi absolvidada por insuficiência de provas.
Em 2023, 74 processos foram instaurados, dos quais em apenas dois houve condenação.

A situação foi revelada Eduardo Sumana, Presidente da Associação dos magistrados do Ministério Público que disse ser urgente o aprimoramento da recolha de provas, pois há “terroristas” que escapam à prisão.

“Agumas pessoas são conhecidas como envolvidas no terrorismo mas depois estas pessoas são absolvidas porque a Justiça trabalha com provase sem provas não é possível condenar a ninguém, portanto, h’a um trabalho que deve ser feito no sentido de aprimorarmos a n’os próprios na recolha de evidêncais”.

Sumana revelou igualmente que existem magistrados que foram condenados pelo crime de corrupção.

“Existem casos de processos que envolvem magistrados das três magistraturas incluindo a administrativa e judicial administrativa e que correm aos seus termos ao nível do Ministério público e alguns estão em investigação e outros já acusados.”

Eduardo Sumana falava esta sexta-feira na Cidade de Maputo à margem do lançamento do Código de Ética e Conduta da Associação Moçambicana dos Magistrados do Ministério Público.

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