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O País – A verdade como notícia

Iniciou-se, esta segunda-feira, o julgamento dos cinco agentes da PRM que agrediram um casal de supostos ladrões no distrito de Homoíne, na província de Inhambane.

O antigo chefe de operações, em Homoíne, um dos arguidos no processo, diz que a agressão começou quando a vítima se recusava a cumprir as ordens da Polícia.

Mais de dois meses depois da detenção dos cinco agentes da Polícia que agrediram um casal em Homoíne, os mesmos já estão a responder em julgamento.

Segundo o Ministério Público, uma das vítimas chegou a entregar bens pessoais para se livrar das torturas, uma acção classificada como sendo típica de criminosos.

O Ministério Público diz, ainda, que, à data dos factos, os agentes da Polícia agiram fora da lei, sem nenhum mandado judicial, para tirar proveito da situação.

Os agentes da lei são, agora, acusados de crime de ofensas corporais, crime de tortura e outros tratamentos cruéis, crime de coacção física, crime de prisão ilegal e crime de concussão.

O antigo chefe de operações da Polícia, em Homoíne, um dos arguidos do processo, diz que a violência começou quando a Polícia tentava neutralizar a vítima que se negava a acatar as ordens da Polícia.

O arguido diz que, na qualidade de chefe de operações, ordenou que os seus colegas parassem com as agressões depois que viu que a senhora já estava imobilizada.

O arguido disse, ainda, que a ordem de agressão não veio de si, e só viu os seus colegas a agirem de acordo com a agitação que se vivia no momento.

Mais de 166 mil pessoas de quatro distritos da província estão em insegurança alimentar e, destas, mais de 49 mil estão na fase de emergência. Para mitigar a situação, a governadora da província disse que está a mobilizar apoios para atender aos casos mais críticos.

Está continuamente a subir o número de pessoas afectadas pela fome no país. Recentemente, o Grupo de Segurança Alimentar liderado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA) revelou que, só em três províncias da zona Norte, mais de 1,5 milhões de pessoas eram afectados até Junho.

A situação, segundo o relatório, verifica-se nas províncias de Niassa, Nampula e Cabo Delgado, esta última com 879 mil pessoas afactadas, devido, sobretudo, ao terrorismo.

Ontem, durante a última sessão da Assembleia Provincial, que decorre desde esta quarta-feira, no distrito de Gondola, Francisca Tomás, governadora de Manica, revelou que a situação da fome é igualmente preocupante, sobretudo em quatro distritos, onde são afectadas mais de 166 mil pessoas.

“Os dados indicam que os distritos de Tambara, Macosa, Guro e Machaze foram classificados como estando na fase três da crise alimentar, com cerca de 166 126 pessoas em insegurança alimentar aguda e cerca de 49 384 na fase de emergência, necessitando de assistência da alimentar”, disse.

Para mitigar a situação, Francisca Tomás disse que esforços estão a ser feitos para, pelo menos, minimizar os casos mais críticos. “Estamos a trabalhar com o INGD e com os demais parceiros para a mobilização de produtos alimentares para atender aos casos mais críticos”, revelou.

Enquanto se aguarda mais apoio, a governadora disse que já foram “distribuídas 38,2 toneladas de sementes diversas, pesticidas e fertilizantes, oito sistemas de irrigação, instrumentos de produção e fundos aos produtores”.

Por causa da fome, estima-se que cerca de 39,1% de crianças abaixo de cinco anos sofrem de desnutrição crónica em Manica.

Organizações da Sociedade Civil estão preocupadas com a demora na materialização das leis de proteção da Mulher e Rapariga, e pedem acções urgentes por parte do Governo. Já o Executivo diz que os parceiros continuam a dar apoio humanitário aos deslocados pelo terrorismo.

Dos mais de um milhão de deslocados pelo Terrorismo em Cabo Delgado, 52% são mulheres que vivem em situações desafiadoras no contexto de paz e segurança. Esses  dados são do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e preocupam as organizações que lidam com programas de proteção à mulher e rapariga e aos Direitos Humanos.

“O país viveu situações de conflito a nível nacional, que foram sucedidos por conflitos na região centro e norte do país. Actualmente,  Cabo Delgado ressente-se da insurgência dos terroristas que tem provocado deslocamentos e crise humanitária, preocupando, assim, vários movimentos da sociedade civil. Aspectos como impacto das mudanças climáticas sobre a segurança humana  são desafios. Muitas vezes a situação levanta leva a contornos alarmantes”, disse Laila Chemane do IMD.

A Universidade Joaquim Chissano desenvolve pesquisas e emite recomendações sobre políticas de equidade do género, por isso, é que defende a ideia do envolvimento da mulher em processos mais práticos.

“Nós temos que começar a investir muito mais na mulher, atribuindo-a grandes pensamentos. A mulher é útil e fundamental para o desempenho das acções de combate. O governo e os partidos políticos devem abrir espaço para que a mulher seja contribuinte em tudo que seja defesa, paz e segurança”, desafia, o  acadêmico Ênio Chingotuane, e pesquisador Universidade Joaquim Chissano

Questionada sobre a situação actual de ajuda humanitária em Cabo Delgado, a directora nacional do género, demonstrou incertezas entretanto garantiu que os parceiros de cooperação continuam a endereçar apoios.

Os parceiros continuam a desembolsar apoio e a trabalharem com o governo na questão humanitária aos deslocados. Há fundos que são destinados a essas comunidades, porém em termos de números não posso avançar aqui” reagiu  Geraldina Juma, Directora Nacional do gênero.

A conferência da mulher, segurança e paz, junta membros da sociedade civil, governo e parceiros de cooperação  e tem duração de um dia.

Os raptores podem recuar se se provar que a Polícia tem capacidade de combater os raptos. O pensamento é defendido pelo jurista Sérgio Quihá, que acredita igualmente que, a ser verdade que a ex-sogra de Nini Satar é mandante, pode ser o começo do fim dos raptos.

Foi hoje, depois de o Ministério do Interior ter registado aproximadamente 200 raptos ao longo dos últimos 15 anos que foi apresentado, pela primeira vez, um mandante dos raptos.

Trata-se de uma mulher de 62 anos, que por sinal é ex-sogra de Nini Satar. Em reacção ao caso, o jurista Sérgio Quihá diz que se se provar que a acusada é realmente culpada, os raptos poderão reduzir nos próximos tempos.

“A considerar a hipótese de esta senhora ser a mandante do crime, podemos considerar o fim dos raptos, porque o crime dos raptos envolve muitas pessoas e, assim, há possibilidade de detenção de mais envolvidos, e podemos considerar, parcialmente, o fim do tumulto dos raptos.”
Além de ser um sinal positivo para a redução de um crime que assola o país há aproximadamente 15 anos, defende que os raptores podem recuar nas suas incursões.

“Isto também vai demonstrar aos raptores que o SERNIC tem técnica suficiente para combater este tipo de crime. Quando não havia esclarecimentos, os criminosos acreditavam que o SERNIC não tinha meios nem técnicas suficientes para combater o crime. E, quando hoje nos traz as pessoas envolvidas, vamos perceber que nos próximos meses podem reduzir”, defendeu.

Ao mesmo tempo, o jurista apelou à precisão no processo de construção de provas antes de apresentar publicamente os supostos criminosos, sob o risco de manchar a reputação de pessoas inocentes.

“O SERNIC é uma instituição que depende do Ministério Público, que vai proceder à acusação desta senhora, e a instrução preparatória é secreta, ou seja, o momento da produção de provas está velado pelo princípio de segredo de justiça. Imaginando que não seja provado que a senhora não é a mandante, como é que fica a imagem e reputação das pessoas?”, reflectiu.

Quihá considerou que já é hora de os raptos terem respostas, pois, só neste ano, em média, é raptado um cidadão por mês, o que não é justificável com o número de polícias na corporação.

“Historicamente, nunca houve, na história de Moçambique, tantos agentes como agora. Só na última formação, foram cerca de 11 mil agentes na República de Moçambique para garantir a tranquilidade pública.”

A moldura penal dos raptos prevê entre 16 e 20 anos de pena máxima para todos os envolvidos e com agravantes podem estender até 24 anos.

O Tribunal Superior de Recurso da Cidade de Maputo decidiu suspender o embargo das obras de construção da central de betão no bairro Costa do Sol. No entender do órgão, um tribunal comum não tem competência para tal.

O Tribunal Superior de Recurso da Cidade de Maputo decidiu dar provimento ao recurso interposto pela empresa chinesa Africa Great Wall Concrete Manufactured, que está a construir uma central de betão numa zona residencial, na Cidade de Maputo.

“Dando provimento ao recurso, com base nos argumentos factuais e legais (…), deliberam os juízes desta secção, em declarar oficiosamente verificada a excepção dilatória da incompetência absoluta do Tribunal recorrido, em razão da matéria e absolvem da instância a agravante.”

O Tribunal Superior de Recurso da Cidade de Maputo alega que a instância que decidiu pelo embargo da obra, no caso o Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, não tem competência para o fazer.

Por outro lado, o Tribunal Superior de Recurso entende que são inegáveis os factos tendentes a causar danos ambientais que afectam a população circunvizinha.

O grupo de moradores que é contra a construção da central de betão na Costa do Sol diz que vai recorrer da decisão do Tribunal Superior de Recurso, no Tribunal Supremo.

Além deste, há um outro processo em andamento do Tribunal Administrativo.

Analistas dizem que o corte do sinal da STV na TMT é uma agressão aos direitos fundamentais dos cidadãos e ao acesso à informação. Falam também de interferência política na decisão.

Foi uma decisão com efeitos imediatos. Desde esta terça-feira a STV não está mais disponível na plataforma TMT. A decisão foi comunicada através de uma carta, dirigida ao canal.

No documento, o Presidente do Conselho de Administração da TMT explicou que se tratava de uma decisão superiormente tomada, o que para os analistas Custódio Duma e Esaú Cossa levanta suspeitas de interferência política.

Custódio Duma explica que “esta questão de decisões superiormente tomadas é uma situação que já agrediu bastante as nossas liberdades fundamentais, já agrediu a nossa democracia e, mais uma vez, está a agredir a liberdade de expressão, de imprensa e, se calhar, o direito à informação por parte de um grupo”.

O analista lamenta a decisão e pede um “divorcio” entre os que trabalham com a comunicação e as decisões políticas.

Por seu turno, Esaú Cossa questiona “que decisão é esta que é superior a um direito fundamental, que é o direito à informação e que é constitucionalmente previsto?”.

O analista diz não restarem dúvidas de que se trata de uma decisão política e sem qualquer fundamento legal, mas lembra que “quem sai a perder nisto tudo não são as instituições, mas sim o próprio país. Este tipo de coisa fica registada e demonstra que, quando a gente está a dar passos para frente, há sempre alguém que dá passos para tras”.

E porque o país caminha para eleições gerais, o analista Custódio Duma alerta para consequências negativas para o processo. “Isso não deixa de ser censura, porque numa época eleitoral, quando temos plataformas que exibem sinais de censura, começamos a olhar para o nosso processo eleitoral praticamente manchado”, afirma.

Os dois analistas defenderam as suas posições durante o Jornal da Noite da STV desta terça-feira, poucas horas depois de a TMT ter suspendido o fornecimento do sinal daquele canal televisivo aos telespectadores.

Durante o primeiro semestre de 2024, a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) diz que registou pelo menos  15 raptos, porém, poucos foram esclarecidos. À margem do Economic briefing, Agostinho Vuma, presidente da CTA, mostrou-se insatisfeito com o nível de resposta aos raptos.

“Registamos, com profunda preocupação, que desde o surgimento deste fenómeno no ano de 2011, houve um cumulativo de mais de 250 casos de raptos e sequestros, maioritariamente, para empresários e os seus parentes, dos quais poucos foram esclarecidos”, disse Agostinho Vuma.

Sobre a exportação de capitais do presidente da CTA diz que não se tem mostrado uma saída viável, visto que, “a maioria das vítimas, apesar da sua origem asiática, são moçambicanos de gema, portanto, sem opções, nem interesse em abdicar da sua nacionalidade ou mesmo dos seus investimentos no país”.

Devido a situação de raptos, segundo avançou, o CTA tem desenvolvido, junto com o Governo, acções de advocacia, “, juntando todas as associações empresariais com interesse directo nesta matéria, o que resultou na produção de uma série de propostas de solução para erradicar este grande mal no seio da nossa sociedade”.

Das soluções propostas, o presidente do CTA destacou a imperiosidade do reforço de medidas estratégicas e do sistema de Segurança Nacional, aliado ao reforço de medidas táticas e operativas, particularmente, unidades especiais das Forças de Defesa e Segurança.

De referir que, na manhã de hoje, o SERNIC apresentou uma quadrilha, encabeçada pela ex-sogra de Nini Satar que estaria por trás dos raptos, na mesma operação, duas vítimas foram resgatadas e voltaram ao convívio familiar.

 

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) deteve, esta terça-feira, a ex-sogra de Nini Satar, por alegado envolvimento em crimes de rapto. O SERNIC diz que a mulher é quem chefia o grupo de raptores.

Uma luz começa a aparecer no fundo do túnel. O SERNIC convocou, hoje, a imprensa, para dizer que já deteve um dos mandantes dos raptos que atormentam o país, há mais de 10 anos.  É, na verdade, uma mulher, por sinal, ex-sogra de Nini Satar.

São ao todo três rostos apontados pelo SERNIC, a ex-sogra de Nini Satar, o seu filho, que vive em Portugal, e o motorista da família, que era responsável por movimentar os valores envolvidos. Este último também já está a contas com a Polícia.

De acordo com o SERNIC duas vítimas de raptos retornaram, ontem, ao convívio familiar, graças às operações, até agora, não devidamente esclarecidas . São vítimas dos raptos que ocorreram no dia 24 de Abril, na Av. Joaquim Chissano, e o mais recente caso, do dia 5 de Agosto, em frente ao hotel Terminus. Todos supostamente orquestrados pela ex-sogra de Nini Satar, o seu filho e o motorista.

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados, Gilberto Correia, diz que o ministro do Interior, Pascoal Ronda, foi infeliz ao desafiar a Comunidade Islâmica a apresentar provas de que há governantes envolvidos nos raptos. Correia entende que deve haver vontade política para acabar com o crime.

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados começou por explicar que os pronunciamentos do ministro do Interior, Pascoal Ronda, desvalorizam a preocupação de um grupo que se sente inseguro com o agravamento dos raptos sem quaisquer esclarecimentos.

“Para mim, foram declarações muito infelizes de um político que tem responsabilidades na área de investigação e protecção de crimes, sobretudo os graves, e, de alguma forma, ele tenta desvalorizar algo que devia ser levado a sério, à semelhança de muitas outras percepções que, depois, foram confirmadas”, disse Gilberto Correia, defendendo que Pascoal Ronda não devia orientar a Comunidade Islâmica a apresentar provas de que há governantes envolvidos nos raptos, mas sim garantir segurança e esclarecer os casos havidos.

“Para situações desta natureza, os cidadãos não têm de apresentar provas, mas sim a sua percepção sobre o que se está a passar. O ministro devia ter dito que valoriza e que irá abrir uma investigação para averiguar se há envolvimento de governantes moçambicanos no crime de raptos. Porém, o senhor ministro sabe que há pessoas que têm essas provas, mas que têm medo, porque não confiam na polícia que ele dirige.”

Para Gilberto Correia, não restam dúvidas de que o aumento dos raptos se deve à falta de vontade política.

“Houve situações em que era possível trazer tecnologia de fora, chamar a cooperação internacional. Sentiu-se que o Governo não quis, não facilitou, porque, provavelmente, há conflitos internos e que podem levar a descobertas que colocam em causa todo o poder político. O poder político tem de decidir de uma vez por todas que combater os raptos, com todos os meios ao seu alcance, é uma prioridade do Estado moçambicano.”

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados sugere que se busque, igualmente, ajuda externa para combater os raptos.

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