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O País – A verdade como notícia

Um homem de 38 anos de idade, foi detido indiciado de tentar matar a esposa com recurso a gasolina. Depois de atear fogo a esposa, o homem tentou socorrê-la, mas também acabou queimado.

Tudo começou com uma briga motivada por ciúmes. O caso deu-se no passado dia 11 deste mês, quando o indiciado chegou a casa embriagado e com uma botija  contendo gasolina.

O indiciado aguardou que sua esposa dormisse, bloqueou a única saída da casa, colocou gasolina em volta da cama  e ateou fogo.

Enquanto as chamas se intensificaram, a vítima gritava por socorro, mas era tarde para  impedir que o pior acontecesse. Na sequência, o marido se arrependeu e decidiu  socorrer a esposa, mas acabou também queimado.

O Hospital Provincial de Tete garantiu que os dois estão fora de perigo mas diz que seu estado clínico é grave.

O indiciado negou ter ateado fogo à esposa, aliás, diz que a sua esposa foi quem, por iniciativa própria, tentou um “acto suicida”, porque alegadamente estava aborrecida.

Sem gravar entrevista, a Polícia em Tete, diz que foi aberto um processo crime contra o indiciado.

O casal tem três filhos menores.

Mety Gondola vai levar à barra do tribunal todos os Institutos Técnicos Profissionais que operam ilegalmente no país. O Secretário de Estado do Ensino Técnico Profissional assume o compromisso de transferir todos os formandos enganados pelas instituições mal fiscalizadas para instituições credíveis.

O Secretário de Estado do Ensino Técnico-Profissional decidiu tomar medidas e vai arrastar todos os transgressores à barra da justiça.

“Ladrão tem que ser tratado como ladrão. Se você abre uma instituição sem autorização, está a fazer mais do que roubar, está a enganar as pessoas. Nós temos de encerrar essas instituições e parar por aí?, o proprietário deve ser responsabilizado criminalmente, isso já é assunto da procuradoria”, disse Mety Gondola.

Gondola assume que o governo deve encontrar escolas credíveis para os burlados.

“Se encerramos uma instituição, não podemos prejudicar os estudantes. O que estamos a fazer é direcionar esses estudantes para outras instituições para encontrar uma solução. Por outro lado, é preciso que façamos a divulgação das instituições que estão acreditadas”, defendeu.

A prova viva deste trabalho é que só este ano, mais de 14 mil certificados já foram entregues. “Só em 2019 foram 19.275 certificados entregues, mas só neste ano, cerca de 14.719certificados foram distribuídos neste processo”, concluiu.

Mety Gondola falava esta sexta-feira na província de Maputo, no âmbito do 4o Conselho Coordenador, um evento que visa aprimorar as estratégias do sector para melhor servir ao público.

O arquitecto francês Alain Moatti reflectiu, esta sexta-feira, sobre a importância da arquitectura na construção das cidades e, sobretudo, no fortalecimento da condição e das relações humanas. A conferência realizou-se na Faculdade de Arquitectura da Universidade Eduardo Mondlane, na Cidade de Maputo.

Alain Moatti é um arquitecto e cenógrafo francês. Em Maputo há dois dias, o profissional tem aproveitado o período de férias para conhecer a cidade, as suas particularidades arquitectónicas e as suas gentes. Por isso mesmo, na manhã desta sexta-feira, foi à Faculdade de Arquitectura para, numa sessão com professores e estudantes, partilhar algumas perspectivas do seu trabalho, que, igualmente, se desenvolve na área de museografia e design.

Em aproximadamente duas horas, Alain Moatti procurou, no anfiteatro da Faculdade de Arquitectura, passar a mensagem de que o mundo funcional já acabou. Logo, actualmente, o mais importante é abrir a arquitectura para outras disciplinas, numa interface harmónica com a modernidade, quer através da relação com a literatura e história, quer através da relação com a ecologia.

Para Alain Moatti, é muito importante que a arquitectura contribua para que se cultive a fragilidade do ser humano e desconstruir a ideia de que o mundo é para os grande homens. “Temos de abandonar o pensamento militar que formou as cidades, até agora, para construirmos lugares onde as pessoas se juntam só pelo prazer de estarem juntas”, acrescentou o arquitecto francês: “Temos de ser capazes de prolongar o futuro. Neste mundo, somos todos passageiros e nada nos pertence”.

Alain Moatti é a favor do prolongamento de histórias comuns, inerentes ao lugar por inventar através de perspectivas urbanas. Nesse sentido, acredita, as cidades podem se tornar territórios únicos e com narrativas globais. “Na arquitectura, devemos partir do particular para o global, pois a cidade não é uma ideia, mas uma metaformfose, uma imagem do ser vivo”.

A experiência com professores e estudantes de Arquitectura foi, para Moatti, muito produtiva, com perguntas justas e pertinentes. “Os jovens perceberam a mensagem, a mensagem de que há em Maputo muitas coisas possíveis de fazer para continuarem a torna-la uma cidade única que é. Os jovens sãos as mãos do seu próprio futuro e Maputo é uma cidade extraordinária, do ponto de vista arquitectónico”.

Outra percepção partilhada por Alain Moatti, na conferência realizada na Faculdade de Arquitectura da UEM, é a de que as pessoas podem se reconhecer através da arquitectura, que concorre para a construção e reconstrução de um mundo imaginário, que ainda não existe, mas desejado. “A arquitectura não é o acto de construir, mas de constuir um mundo melhor”.

Moatti acredita que o contacto com outras realidades, para o arquitecto, é fundamental, porque renova o olhar. Até porque “temos muito a aprender uns dos outros. Sempre achei que a humanidade não está em mim, em si, mas no nosso encontro”, gracejou.

Na Cidade de Maputo, Alain Moatti já visitou obras de Pacho Guedes e José Forjaz.

A conferência do arquitecto francês é uma inicitiva da Embaixada da França em Moçambique em parceria com a Faculdade de Arquitectura, com a direcção do professor Domingos Macucule.

 

SOBRE O ARQUITECTO

Alain Moatti nasceu e foi criado em Miliana, na Argélia. Entretanto, a sua família mudou-se para Paris, em 1961. Em 1985, obteve o diploma de Arquitecto na École de Paris-Villemin. Na década de 1990, voltou-se para a cenografia teatral. Colabora também com agências parisienses, trabalhando igualmente em projectos de cenografia (centros de conferências, teatros). De 1994 a 2001, fundou e administrou uma agência de arquitectura e cenografia em seu nome e criou a Fundação Dapper, um museu de artes primitivas em Paris.

Em 2001, fundou a agência Moatti – Rivière, com Henri Rivière (1965-2010), com quem venceu o concurso para transformar uma mansão parisiense em casa de alta costura de Jean Paul Gaultier. O projecto marca o início de uma década em que a dupla cria numerosos equipamentos culturais, bem como programas comerciais de alto padrão. Em 2010, a agência venceu o concurso internacional para a remodelação do primeiro andar da Torre Eiffel.

Em 2012, Alain Moatti foi admitido à Academia de Arquitectura e é membro do júri do Grande Prémio para Arquitectos Franceses de Exportação.

 

Pelo menos 18 pessoas morreram em menos de 40 dias vítimas de Sarampo em Cabo Delgado. Sobre a Varíola dos Macacos, já dectectada em 11 países africanos, o Ministério da Saúde garante que o país continua livre da doença, entretanto, alerta para a tomada de medidas de precaução. 

O sarampo é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus e pode levar a complicações graves, até mesmo à morte, particularmente em crianças. 

No país, foram registados 238 casos, de 09 de Julho a 14 de Agosto, que levaram à morte de 18 pessoas. Todas fora das unidades sanitárias, segundo o director nacional de Saúde Pública, Quinhas Fernandes. 

“O nosso país tem estado a registar de forma recorrente surtos de sarampo. Só nas últimas 24 horas, foram notificados 16 novos casos. O Sarampo é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por meio do contacto directo, através de gotículas expelidas pelos pacientes que estão infectados, quando tossem ou quando expiram. 

 A eclosão do surto do Sarampo em Cabo Delgado e Niassa deve-se, em parte, à fraca vacinação contra a doença, onde mais de 48% dos infectados não foram abrangidos pelo processo.  

“Em resposta a este surto de sarampo foi realizada uma vacinação de bloqueio, nos distritos afectados e em áreas específicas. Estamos a planificar realizar uma campanha de vacinação para crianças menores de 15 anos, em toda a província de Cabo Delgado, dado ao risco que existe de extensão do surto”. 

A “Varíola dos Macacos”, recentemente declarada emergência de saúde global pela Organização Mundial da Saúde, passando a ser denominada Mpox, é outra preocupação, apesar de não se ter detectado casos no país. 

“Em Moçambique, não tendo casos actualmente, nós não declaramos uma emergência, mas elevamos o nível de alerta, para permitir realizar acções de prevenção e preparação para uma eventual resposta”. 

De Janeiro a esta parte foram registados em África 537 óbitos em resultado dos 15 600 casos da Mpox. 

“Temos que evitar o contacto físico com pessoas infectadas pela Mpox, ou as suspeitas. Temos que garantir que as pessoas que cuidam dos pacientes tomem todo o cuidado para que não tenham um contacto directo. É preciso evitar um contacto com os animais que eventualmente estejam contaminados e desinfetar todas as superfícies que tenham entrado em contacto com algum fluido de um paciente infectado”.  

Segundo o director nacional de Saúde Pública, que falava esta sexta-feira em conferência de imprensa, o país está preparado para responder ao diagnóstico da doença, em caso de suspeitas. 

Sobre a situação da cólera, Quinhas Fernandes avançou que o distrito de Moamba, na província de Maputo, é o único com casos activos.

Dois homens foram detidos indiciados de abate e porte ilegal de espécies protegidas, no distrito de Nhamatanda, em Sofala. A detenção ocorreu quando os indiciados tentavam vender dentes e garras de leão a um curandeiro. 

São, no total, 20 dentes e igual número de garras, que foram extraídos, segundo um dos indiciados, de um leão abatido no distrito de Munaza, também em Sofala, que pertence à zona de tampão do Parque Nacional de Gorongosa. O indivíduo encontrado com as garras nega que tenha abatido o animal. 

“Alguém deu-me esses dentes, há quatro meses, só que depois perdeu a vida”, disse o indiciado. 

O jovem acrescentou que, há cerca de uma semana, soube, a partir de um outro amigo, que um curandeiro estava à procura de dentes e garras de leão, por isso, decidiu vender o que tinha. 

“A proposta era 3500, para poder pagar a pessoa que me arranjou o cliente. Então, eu fui para lá e quando cheguei encontrei a polícia”, contou. 

O outro detido distancia-se de todas as acusações e disse que apenas transportou o outro acusado. 

Alfeu Sitoe,  porta-voz do  SERNIC  em Sofala, diz que se trata de uma rede e que ainda estão em falta três indivíduos. 

“As diligências ainda estão em curso para poder neutralizar os demais”, disse Sitoe. 

O curandeiro que, supostamente, compraria as garras ainda está fugitivo.

Paulina Chiziane diz que o Estado deve prestar atenção com o surgimento de novas igrejas no país.  A escritora entende que há congregações com o objectivo de oprimir a sociedade.  

A escritora Moçambicana, Paulina Chiziane, foi a convidada do Programa Grande Entrevista, desta semana. Durante a sua intervenção, Chiziane sublinhou a necessidade de “libertar as mentes”. E explicou: “Por que quando aparecem pensadores negros, a tendência de alguns desses grupos (grupos religiosos) é reeprimir. Isso é porque esses indivíduos, pensadores negros, despertam a mente, e alguns estão interessados em dominar o continente africano através da mente”. 

“Vem um tipo, de onde vem, em nome da salvação, mas a primeira coisa que faz é associar todo o ser africano ao diabólico. Mesmo em coisas comuns, ora, a palhota que é uma habitação ecológica do povo africano é associada ao diabólico… Por exemplo, o cabelo, sobretudo, quando é rastafari é associado ao diabólico, mesmo a timbila que é património da humanidade é também um instrumento de bruxaria”, disse. 

Paulina Chiziane chamou ainda atenção para a necessidade da formação, particularmente, no pastorado, como forma de não replicar preconceitos. “Para mim, um indivíduo que se diz pastor deve conhecer a história, deve ter formação para não replicar preconceitos”. 

Chiziane diz que o Estado deve ter atenção a quem são os líderes das várias formações religiosas, qual é a sua formação e a quem já salvaram. “Algumas vezes foi se fazer vistorias às igrejas, ou saber qual é a formação dos pastores, profetas, entre outros. O Estado não se deve meter, mas deve saber o que está a acontecer”.

Moçambique registou uma redução de mortes causadas por acidentes de viação, durante os primeiros seis meses de 2024, comparado ao mesmo período do ano passado. Segundo o relatório do Ministério dos transportes e comunicação, de Janeiro a Junho, foram contabilizados 310 óbitos, contra 357 registados no primeiro semestre de 2023, o correspondente a 13%.  

O documento mostra que o maior número de acidentes é do tipo atropelamento, representando 36% do total de acidentes registados. De seguida são os acidentes do tipo despiste, com 29% e o choque envolvendo carro e mota, com cerca de 14%. 

O relatório do Ministério de Transporte e Comunicação avalia também a prevalência de atropelamentos por província, com destaque para a Cidade de Maputo, com 34%, seguido da província de Inhambane, com 21% e Gaza com 12%. 

O balanço semestral sobre os acidentes nos transportes inclui, ainda, a componente do transporte ferroviário e marítimo. Nas ferrovias moçambicanas, foram contabilizados 39 óbitos, contra cerca de 18 registados no primeiro semestre de 2023. Considerando a distribuição espacial dos sinistros ferroviários, “o Corredor do Norte” afigura-se como “o mais mortífero”, com 23 óbitos, seguido do sistema ferroviário sul, com 10 óbitos, e o sistema ferroviário centro registou o menor número, seis óbitos.

No transporte marítimo, os dados apontam para a ocorrência de 141 óbitos, contra 34 registados no primeiro semestre de 2023. “Esta subida é influenciada pelo acidente da Ilha de Moçambique, ocorrido em Abril deste ano, no qual morreram 98 pessoas”. Ainda em Nampula, a costa de Angoche contribuiu com 7 óbitos. As províncias do Niassa e Sofala também registam números elevados de óbitos resultantes de acidentes marítimos com um total de 10 óbitos por cada província.

O MISA Moçambique entende que a suspensão da STV, pela TMT, é uma deliberada restrição ao Direito à Informação. Numa nota de imprensa publicada esta quinta-feira, o MISA Moçambique considera que, sob ponto de vista da lógica do negócio dos media, a TMT é quem deve pagar às televisões por usar os seus conteúdos para realizar o seu negócio de distribuição e não o contrário. Ao cobrar as estações de televisão, a TMT faz, pois, uma inversão da norma do negócio dos media, no mundo, em que os distribuidores são os que devem pagar pelos conteúdos dos produtores. Para o MISA Moçambique, além de limitação do Direito à Informação, preocupa o momento em que a decisão da TMT é tomada, altura em que o país entra para a fase decisiva do processo eleitoral. Ademais, o MISA Moçambique avança que a TMT tem um modelo de negócio concorrencial desleal. A Televisão de Moçambique não paga nenhum “tostão” à TMT, alegadamente, por ser accionista.

A seguir, leia o comunicado na íntegra do MISA Moçambique:
O MISA Moçambique tomou conhecimento da suspensão, esta terça-feira, do sinal da Televisão Soico (STV) na plataforma TMT. Para o MISA, o fundamento comercial evocado pela TMT não passa de uma escusa para restringir aos cidadãos dos serviços de informação providenciados pela STV, sendo uma restrição deliberada ao direito fundamental como o Acesso à Informação, sobretudo quando causadas por um modelo de negócio concorrencial desleal como o da TMT, em que empresas concorrentes da STV, como a TVM e a RM, não têm nenhum tipo de custos por terem chegado à estrutura accionista da TMT, com critérios pouco claros. Por outro lado, o MISA entende que a TMT, em Moçambique, ao cobrar as estações de televisão, faz uma inversão da norma do negócio dos media, no mundo em que os distribuidores são os que devem pagar pelos conteúdos dos produtores. Isto é, deveria ser a STV a cobrar a TMT por distribuir os seus conteúdos, não o contrário.

Alegando incumprimento de acordos comerciais, a Transportes – Multiplexação e Transmissão (TMT), empresa privada constituída com endividamento público, cerca de USD 150 milhões, decidiu suspender a STV da sua plataforma, impedimento que cerca de 640 mil moçambicanos conectados aos decoder da TMT tenham acesso a este que é um dos principais canais de televisão com informação alternativa sobre os acontecimentos do país. Na sua argumentação, TMT diz que, no dia 12 de Agosto de 2024, em cumprimento de uma decisão tomada pelo seu Conselho de Administração (CA), e atempadamente informada aos seus accionistas, a provedora procedeu a suspensão do sinal da STV na sua plataforma.

A TMT é composta pelas empresas públicas Televisão de Moçambique (TVM), Rádio Moçambique (RM), StarTimes Internacional e a Focus 21, através da StarTimes Moçambique. A TMT explica, ainda, que esta decisão resulta de um longo processo de contactos e tentativas de negociação que, por responsabilidade exclusiva da STV, não surtiu efeitos pretendidos. A TMT aloja 18 canais de televisão nacionais, sendo que cada um tem de pagar 415.087,00 meticais/mensais pelo uso de 60 sites de transmissão do sinal que a plataforma oferece em todo o país. Contudo, devido a fragilidades financeiras, a maioria dos canais nacionais não usam nem menos da metade dos sites.

O mesmo não acontece com a STV, que transmite seus conteúdos em todo território nacional e que, para tal, tem a obrigação de pagar na totalidade o valor acima mencionado, mas que, segundo a TMT, não está a pagar desde 2020, altura em que a empresa iniciou com as cobranças pelo uso do sinal. De acordo com a TMT, a falta de pagamento de mensalidades fez com que a STV acumulasse dívidas na ordem de 3.608.048,00 meticais. Por sua vez, a STV entende que é produtora de conteúdos que a TMT coloca na sua plataforma e, tal como faz com os canais internacionais, também deve pagar pelo uso desses conteúdos. Isto é, na óptica da STV, quem deve pagar ao outro é a TMT porque esta não produz conteúdos.

A STV também questiona o facto de os accionistas da TMT serem concorrentes directos. Por exemplo, a StarTimes é provedora de serviços de televisão digital em Moçambique, competindo com outras empresas que têm a mesma actividade. Por outro lado, a StarTimes está na estrutura societária da TMT, fazendo com que também realize serviços de processamento, transporte, distribuição, e emissão de sinais de rádio e televisão digital. Isto significa que a TMT distribui conteúdos de canais de televisão nacional por meio de contrato com estes canais. No entanto, passa os mesmos canais para a StarTimes, que os distribui de igual modo. Ou seja, neste momento, a StarTimes tem duas plataformas de distribuição de televisão digital, nomeadamente a própria StarTimes e a TMT. Ademais, a decisão de fixação de preços de transmissão da TMT foi tomada sem consulta nem audição prévia às empresas de comunicação social.

Posicionamento

Enquanto uma organização de defesa das Liberdades de Imprensa e de Expressão e do Direito à Informação, o MISA Moçambique mostra-se profundamente preocupado com a suspensão da STV pela TMT. A decisão da TMT coloca em causa o direito fundamental de Acesso à Informação que assiste a todo o cidadão moçambicano, ainda mais porque a TMT é o serviço de televisão mais acessível à maioria do povo moçambicano, sobretudo os pobres. Mais ainda, não é apenas a STV que tem dificuldades de pagar os custos de transmissão do sinal a TMT. Todos canais são incumpridores. A TVM não paga nenhum tostão, alegadamente por ser accionista da TMT. A Miramar e a TV Sucesso, que também transmitem o sinal em todo país, pagam, em média, até 30% do valor que a TMT cobra mensalmente.

A argumentação do Presidente do Conselho de Administração (PCA) da TMT, António Barros, segundo a qual a sua empresa tomou medidas extremas contra a STV porque, para além de não pagar pelo uso da plataforma, o canal televisivo não aceita assinar o contrato de adesão aos serviços da TMT e muito menos aceita dialogar, mostra-se desproporcional. O MISA entende que as rivalidades comerciais não podem colocar em causa um direito fundamental como o Acesso à Informação, sobretudo quando se trata de rivalidades causadas por um modelo de negócio concorrencial desleal como o da TMT, em que empresas concorrentes da STV, como a TVM e a RM, não têm nenhum tipo de custos por terem chegado a estrutura accionista da TMT, com critérios pouco claros.

Sob ponto de vista da lógica do negócio dos Media, o MISA entende, com base nas experiências diversas, que a TMT é quem deve pagar aos produtores (as televisões) por usar os seus conteúdos para realizar o seu negócio de distribuição e não o contrário. Ao cobrar as estações de televisão, a TMT faz, pois, uma inversão da norma do negócio dos media, no mundo, em que os distribuidores são os que devem pagar pelos conteúdos dos produtores. Além de limitação do Direito à Informação, preocupa o momento em que a decisão da TMT é tomada. A empresa suspende a STV numa altura em que o país entra para a fase decisiva do processo eleitoral, que irá culminar com a votação do dia 9 de Outubro.

Embora a função dos media não se limite às eleições, durante estes períodos, o Acesso à Informação dos media revela-se de extrema importância para permitir uma participação informada do cidadão nas eleições. Este é, pois, um momento de grandes decisões para o país e que, por isso, o cidadão precisa de ter acesso à informação para tomar a melhor decisão. Por isso, o momento não se compadece com apagões contra a informação, independemente de se concordar ou não da linha editorial de determinado órgão de comunicação.

Neste momento em que a TMT decidiu suspender a STV, um dos principais canais de televisão com informação alternativa sobre os acontecimentos do país, o MISA lembra que o Acesso à Informação é um direito constitucional, em Moçambique. A Constituição da República consagra, a todos moçambicanos, no seu Artigo 48 (Liberdades de Expressão e de Informação), o Direito à Informação, que não pode ser limitada por censura. O MISA lembra que, quando Moçambique desligou, no 10 de Dezembro de 2021, os últimos emissores analógicos de televisão, marcando assim a conclusão do processo de migração da radiodifusão de analógica para digital, o Governo classificou esse como um marco e uma oportunidade para maior acesso à televisão pelos moçambicanos, uma vez que o sistema analógico não tinha uma cobertura em todo o território nacional, contrariamente ao sistema digital que tem cobertura nacional.

O Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres diz que não tem conhecimento da falta de apoio aos deslocados no centro de acolhimento de Corane, em Nampula. Sobre a próxima época chuvosa, Luísa Meque diz que ainda não é altura para se falar de um plano de contingência.

Há cerca de um mês que as famílias deslocadas devido ao terrorismo em Cabo Delgado, que vivem no centro de acolhimento de Corane, em Nampula, se queixam da falta de apoio.

Desde a abertura do centro de reassentamento, a assistência vinha sendo garantida pelo INGD, mas, desde Março deste ano, esta ajuda não tem chegado.

Questionada sobre as razões da falta de apoio às famílias que vivem no centro de reassentamento de Corane, a presidente do INGD disse não ter conhecimento destas reclamações. “Se nos está a trazer essa informação, para nós é bom sabermos que há famílias que estão com esta manifestação de que não estão a ser assistidas”. Luísa Meque explica, também, que “temos lá uma delegação, ao nível da província. Não nos foi reportada ainda esta reclamação. Nós poderemos dar seguimento àquilo que nos está a trazer aqui”.

Luísa Meque falava à margem da abertura do terceiro conselho consultivo da instituição. Neste evento, serão desenhadas acções para a próxima época chuvosa e ciclónica 2024-2025, e destas não consta, ainda, um plano de contingência, porque, no entender da presidente do INGD, “não é o momento de plano de contingência. Nas formações que nós temos estado a dar, geralmente têm participado alguns jornalistas. Há lá um cronograma sobre em que momento é que se aprova o plano de contingência”.

Luísa Meque entende que “não temos como fazer uma previsão antes do trabalho feito, porque isto é um cronograma. Nós agora podemos correr e fazer um plano. Esse plano pode ser exequível ou não, consoante a previsão”.

Anualmente, Moçambique tem sido afectado por cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa e o Instituto Nacional de Gestão do Risco de Desastres tem-se ressentido da falta de fundos para prestar assistência às vítimas dos eventos climáticos extremos.

O terceiro Conselho Consultivo do INGD decorre até esta sexta-feira, sob o lema “Engajando as comunidades nas acções antecipadas contra desastres”.

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