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O País – A verdade como notícia

A erosão está a tornar algumas ruas intransitáveis nos bairros suburbanos da cidade de Nampula. Enquanto não há soluções estruturantes, especialistas em ambiente e paisagismo apontam para algumas soluções acessíveis que podem ser adoptadas pelas comunidades.

O bairro de Marrere é um dos poucos com um projecto de urbanização, mas a erosão é um grande inimigo. Ruas estão a ficar intransitáveis aos poucos e a situação piora quando é época chuvosa.

Valdemiro Abu é professor na Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico, na Universidade Lúrio, e está a fazer doutoramento em Paisagismo, para além da formação em Geografia e Ambiente. Abu explica algumas causas da erosão que se vive no Município de Nampula, o que envolve água da chuva e falta de prevenção.

No bairro de Muatala, o impacto da erosão pode-se resumir em imagens preocupantes: a cada vez que chove, as águas pluviais vão arrastando os solos, aumentando, assim, o risco de destruição das casas.

Enquanto não há soluções estruturantes, há algumas intervenções que vão sendo adoptadas para travar o avanço da erosão.

O vereador da Urbanização vai pronunciar-se, esta terça-feira, sobre os planos do Município para fazer face à erosão.

O Ministro do Interior, Pascoal Ronda, considera que as vítimas dos raptos devem trazer elementos para acusar o Governo de estar envolvido nos crimes. Ronda reagiu esta segunda-feira, na Cidade de Maputo.

A Comunidade Islâmica, maior vítima dos raptos no país, deu as caras na última sexta-feira para mostrar a sua indignação em relação aos raptos que se multiplicam na Cidade de Maputo. Nessa intervenção, houve acusações graves às autoridades policiais e governativas do país, incluindo membros do Governo.

Reagindo às acusações, o ministro do Interior disse, esta segunda-feira, que o ponto é o que todos podem fazer juntos para enfrentar o problema dos raptos. “Não vale a pena atirar pedras.

“Nós tomámos notas e registámos, mas hoje (esta segunda-feira) há uma reunião, que eu mesmo vou dirigir. Vamos sentar com calma, sem excitações, e percebermos o que está a falhar, o que devemos corrigir e o que devemos fazer juntos para enfrentarmos o problema. Este é um problema conjuntural, que requer soluções conjunturais. Para grandes males, grandes remédios. Então, é o que vamos fazer”, disse Pascoal Ronda.

Confrontado com a situação, o ministro do Interior diz que é típico de pessoas emocionadas e sem nenhum elemento de prova.

“É preciso perceber que toda a nossa reacção e, todo o nosso conhecimento, é bom que seja carregada de elementos que sustentem a reacção. Há momentos que as pessoas falam carregadas de emoção, porque querem uma resposta rápida e não olham para os factores à volta. Quando diz que a AKM que é usada pelos raptores é arma da polícia, a pergunta que se faz, logo à partida, pergunta de ciência, quantos países fabricam a AK47, que é uma arma de assalto? E quantos países vendem essa arma?.”

Ronda questionou, respondeu e corrigiu. “Até na África do Sul se vende. Essa é uma falácia. Aquela arma não significa ser da polícia. Primeiro, não se fez um trabalho de perícia para se dizer que aquela arma pertence ao registo da polícia. Ele falou porque estava emocionado e porque está preocupado. É preciso ter elementos que sustentam toda a nossa argumentação, se tudo quanto dissemos se pode fundamentar”.

Para o ministro do Interior, o mais importante é que o comandante da polícia que esteve presente na reunião da semana passada, com a Comunidade Islâmica, tomou nota e se está a trabalhar, mesmo com recursos limitados. E o ministro ainda acrescentou: “Havendo elementos envolvidos, responde pelos actos. Assim como punimos aqueles que são indisciplinados. Havendo alguém da polícia envolvido, seja de que nível for, responde pelos actos.”

Para o ministro do Interior, o tempo não é longo, até porque existem países que não conseguem resolver o problema há mais tempo. Pascoal Ronda diz que o importante é a entrega na resolução do problema e, um dia, Moçambique vai festejar a resolução dos raptos. “Não temos vergonha de críticas, porque é isso que nos faz crescer. Este é um percurso com altos e baixos, e o importante é que estamos focados”.

Dois acidentes ocorridos em menos de 24 horas na Matola matam três pessoas e causam ferimentos graves e ligeiros a mais de 100 pessoas.

Desde o fim do último domingo, vídeos amadores circulavam nas redes sociais, retratando o drama do acidente de viação do tipo despiste e capotamento, envolvendo um autocarro, isto no nó de Tchumene, na Matola.

E o autocarro envolvido no acidente esteve parado ao longo da manhã desta segunda-feira no pátio da esquadra da PRM, em Tchumene. A Polícia aponta o excesso de velocidade como causa. José Novela, porta-voz da Polícia de Trânsito, contou ao “O País” que “quando fomos chamados ao local do sinistro, a avaliação preliminar é que o excesso de velocidade esteve na origem do acidente, mas continuamos a trabalhar para o melhor esclarecimento do caso”.

A Federação Moçambicana de Transportes, FEMATRO, diz estar preocupada com o facto de não estar a localizar o motorista, assim como o cobrador do veículo, que, segundo o presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, incluindo o gestor do carro, não atende às chamadas.

Tanto nós, como a AMT, não estamos a conseguir contactar esta gente. O motorista estava embriagado e não estava escalado para trabalhar aqui. Esta não é a rota deste autocarro, este circula na rota de Albasine”.

O presidente da Fematro confirma que há alguns autocarros que não apresentam bom estado mecânico. “Sim, temos carros que circulam há cerca de oito anos. Há, sim, os que têm alguma deficiência mecânica resultante de velhice e longo período de funcionamento”.

As duas pessoas que morreram no capotamento do autocarro foram para a morgue do hospital, onde mais de cem feridos ficaram em tratamento. Beatriz Paraskeva, chefe do Serviço de Urgência do Hospital Provincial da Matola confirmou ao O País que deram entrada 109 pacientes vítimas do sinistro.

Já na manhã desta segunda-feira, um aparatoso acidente de viação ocorreu na Estrada Nacional Número Quatro, envolvendo um carro ligeiro e três camiões de transporte de carga. A viatura ligeira fazia o trajecto Maputo-Moamba e colidiu com um camião que fazia, também, o mesmo sentido. Depois da colisão, a viatura ligeira ficou sem motor e foi projectada para outra faixa de rodagem, onde foi também chocar-se com mais dois camiões. O casal que se fazia transportar na viatura ligeira foi levado para o hospital e a mulher grávida contraiu ferimentos graves.

“Ainda na manhã desta segunda-feira, recebemos dois pacientes, sendo uma mulher grávida que perdeu a vida e seu companheiro que continua internado sob cuidados aqui no nosso hospital. Infelizmente, a senhora chegou com muitos ferimentos graves e não resistiu.”

Os motoristas cujos camiões estão envolvidos no sinistro não assumem responsabilidade.

A Administração Nacional de Estradas e a TRAC, concessionária da Estrada Nacional Número Quatro, assim como o INATRO, estiveram no local do sinistro, mas não prestaram declarações.

O Hospital Central de Maputo confirma a entrada de 15 pacientes feridos no acidente ocorrido no último domingo, na Matola. Fora uma mulher de 31 anos de idade que continua nos serviços de ortopedia, o restante teve alta, incluindo três crianças de idades entre os 9 e os 11 anos.

Parte das vítimas do acidente de Tchumene foram transferidas do Hospital Provincial da Matola para o Hospital Central de Maputo, pelo facto de a sua situação necessitar de cuidados mais especializados.

“A maioria das vítimas deram entrada no Hospital Provincial da Matola e, por sua vez, transferiram os mais críticos para a nossa unidade, mas também tivemos clientes que vieram ao Hospital Central de Maputo a título individual, totalizando, assim, 15 pacientes, dos quais 14 tiveram alta e uma mulher de 31 anos continua dos serviços de ortopedia. De referir que três dos pacientes foram crianças com idades compreendidas entre 9 e 11 anos”, disse Dino Lopes, director dos Serviços de Urgência do Hospital Central de Maputo.

Os acidentes de viação começam a preocupar a unidade sanitária. É que, só na semana passada, deram entrada nos serviços de urgências do Hospital Central de Maputo cerca de 122 pacientes.

“Durante a semana passada, tivemos a entrada de 2163 pacientes no serviço de urgências de adultos, dos quais 438 por trauma, e, desses traumas, 122 foram por acidente de viação. É um número consideravelmente alto, tendo em conta que, desses 122, 30 foram internados”, explicou Dino Lopes.

O calor intenso que se fez sentir, no domingo, na zona Sul do país, particularmente em Maputo, também precipitou a demanda por serviços de saúde, daí que as autoridades deixam um alerta.

“Nós, na época baixa, principalmente no Inverno, temos tido cerca de 250 pacientes por dia, mas a média actual é de 309 pacientes por dia. Já começámos a registar um aumento do número de pacientes por causa da onda do calor. O meu apelo tem a ver com as medidas que temos de ter em conta em relação a este calor, falo da ingestão de água, evitar exercícios físicos durante o calor, usar sombrinhas quando necessário e aos doentes crónicos, em particular, principalmente os diabéticos e hipertensos, têm de optimizar os seus medicamentos e não faltar às consultas”, concluiu.

Os dados foram apresentados esta segunda-feira, no balanço das actividades semanais do Hospital Central de Maputo.

O Município de Maputo diz que vai instalar sanitários móveis em locais públicos para evitar que as pessoas satisfaçam as suas necessidades biológicas em sítios impróprios ou sanitários improvisados. A edilidade fala, também, do projecto de mobilidade urbana, FULTRAN, e diz estar sem datas para a implementação, depois de ter falhado a promessa em Dezembro de 2022.

A falta de sanitários públicos na Cidade de Maputo está a dar lugar a um novo negócio, o de baldes pagos para que as pessoas possam urinar.
Depois de ter dito que desconhecia o facto, a edilidade avançou, esta segunda-feira, que está a tomar medidas para acabar com a situação.

“A primeira medida é retirá-los e sensibilizá-los para pararem com esta prática. De seguida, iremos mobilizar a colocação de sanitários móveis, para que acabemos de uma vez por todas com este problema. Faremos, igualmente, uma supervisão, através da nossa polícia municipal, para que os urinóis não sejam mais colocados”, explicou Celso Fulane, administrador-adjunto do distrito municipal Kampfumo.

A capital do país não só se debate com a falta de sanitários públicos, como também com a ineficiência do transporte. O município tinha prometido que, até Dezembro de 2022, teria o projecto de carros eléctricos suspensos, FULTRAN, a operar para aliviar a pressão ao sector dos transportes.

Entretanto, essa foi uma promessa falhada, e agora a edilidade diz estar sem data.

“O FULTRAN ainda não está em curso. São várias opções que estão em cima da mesa, e algumas já estão a avançar, mas o FULTRAN não”, explicou Fernando Wache, vereador de Mobilidade, Transportes e Trânsito, no Município de Maputo.

Enquanto isso, a edilidade queixa-se de redução de receitas pelo não pagamento do estacionamento rotativo por parte dos automobilistas.

Os pronunciamentos foram feitos esta segunda-feira, em conferência de imprensa.

A mulher encontrava-se no carro ligeiro, um dos quatro envolvidos no acidente ocorrido, na manhã de hoje, ao longo da Estrada Nacional Número Quatro (EN4). A notícia foi confirmada pela Chefe dos Serviços de Urgência do Hospital Provincial da Matola, Beatriz Paraskeva.

“Com relação ao acidente de hoje, recebemos dois pacientes, uma mulher em gestação, que perdeu a vida devido a gravidade dos ferimentos. O homem estava estável e continua internado”, disse.

Ocorreu, na manhã de hoje, ao longo da Estrada Nacional Número Quatro (EN4), um acidente de viação envolvendo quatro viaturas, uma ligeira e três camiões. Até agora, não se sabe o número exacto de pessoas feridas.

Uma viatura ligeira de marca Toyota modelo Ractis que seguia no sentido Maputo – Ressano Garcia terá sido empurrada por um camião pesado  que seguia no mesmo sentido. Como consequência o carro ligeiro passou a faixa contrária, chocando-se com outros dois camiões pesados que seguiam no sentido Moamba-Cidade de Maputo.

No carro ligeiro seguiam duas pessoas, um casal, tendo a mulher contraído ferimentos graves, segundo testemunhas oculares.

Délio Cumbe, motorista de um dos camiões envolvidos no acidente, diz que a causa do acidente foi o excesso de velocidade dos dois camiões que vinham da África do Sul. “Acho que é por causa do sono desses camionistas que vêm da África do Sul, porque não dormem. O carro ligeiro estava na sua faixa, mas foi projectado para a faixa seguinte, devido ao embate”.

Moçambique acolhe um evento de aprendizagem e de fortalecimento dos Direitos e Saúde Sexual e Reprodutiva, com a participação das organizações implementadoras do projecto em Moçambique, Malawi, Zâmbia e Etiópia, na cidade de Maputo.

Realizado pela OXFAM, o evento decorre entre esta segunda-feira e terça-feira , no Radisson Blu, na cidade de Maputo.

Financiado pelo Canadá, o evento acontece no âmbito do encerramento do projecto “Her Future, Her Choice: Strengthening Sexual and Reproductive Health and Rights (“Seu Futuro, Sua Escolha” ou “SFSE”)”, entre 08 e 17 horas.

O projecto “Seu Futuro, Sua Escolha” é uma resposta à desigualdade de género e às violações dos direitos das mulheres em quatro países da África Oriental e Austral que visa melhoria Direitos e saúde sexual e reprodutiva (DSSR) para raparigas adolescentes e mulheres jovens (RAMJ) em distritos específicos dos países que acolhem o programa.

Em Moçambique, o projecto é implementado nos distritos de Milange e Mocuba, província da Zambézia, onde aborda directamente as barreiras que dificultam o acesso à saúde sexual e reprodutiva, que incluem normas sociais nocivas, práticas tradicionais e tabus sobre género e sexualidade; falta de acesso a informações e serviços de saúde sexual e reprodutiva; e a falta de poder de decisão significativo das RAMJ em relação à sua saúde e sexualidade.

SFSE contribui para reduzir a desigualdade e a discriminação de género, assim como promover o acesso aos Direitos e Saúde Sexual e Reprodutiva, beneficiando pelo menos 240 mil raparigas adolescentes e mulheres jovens nos quatro países.

Através do projecto, envolveu-se as raparigas adolescentes e mulheres jovens (RAMJ), e membros da comunidade (mulheres, homens, rapazes, influenciadores) para compreender e transformar as normas sociais discriminatórias, permitindo que as RAMJ exerçam um poder de decisão mais significativo relativamente à sua saúde sexual e reprodutiva.

Igualmente, reforçou-se os conhecimentos e a capacidade dos prestadores de cuidados de saúde e das instalações de cuidados de saúde para melhorar a prestação de informações e serviços abrangentes em matéria de saúde sexual e reprodutiva.

Por fim, visou-se promover a mudança nos quadros políticos em matéria de direitos e saúde sexual e reprodutiva através do reforço da capacidade das Organizações de Direitos de Mulheres (ODM) e Organizações Lideradas por Jovens (OLJ) locais e nacionais para influenciar a mudança.
Os países envolvidos deverão partilhar conhecimentos para a aprendizagem mútua, não só ideias verbalizadas, mas também conhecimentos implícitos incorporados na prática nos vários contextos nacionais, destacar melhores práticas e lições aprendidas.

A falta de sanitários públicos na Cidade de Maputo deu origem a um novo negócio, o negócio da urina. Há pessoas que montam baldes na via pública, para necessidades biológicas e, em troca, cobram dinheiro. A edilidade diz que desconhece o fenómeno.

Em vários pontos da cidade de Maputo podem ser vistos sanitários improvisados, usando baldes, garrafas e panos para tentar dar alguma privacidade aos seus usuários.  A situação deve-se à falta de sanitários públicos, e os munícipes aflitos recorrem a locais improvisados para atender às suas necessidades biológicas.

“Condições que não ajudam, porque nós que estamos aqui a fazer o trabalho, não temos outra maneira. A vida é que obriga a isso”, disse um munícipe.

Ao longo da Avenida Guerra Popular, por exemplo, há várias estruturas improvisadas que colocam em risco a saúde pública. Vários jovens encontraram neste negócio uma forma de ganhar dinheiro.

“Estamos a colocar estes baldes para as pessoas que estão a vender na estrada não fazerem as necessidades de qualquer maneira, porque nesta via não tem casas de banho. Então, as pessoas podem usar esses baldes  e depois pagar cinco meticais”, disse um dos proprietários de um sanitário improvisado

Para além de constituir um  perigo para a saúde pública, os moradores em volta reclamam do forte cheiro que emana dos sanitários, obrigando-os a manter as janelas sempre fechadas.

“É um cheiro muito forte, eu não consigo perceber como é que no meio de uma avenida tão movimentada, as pessoas conseguem parar e urinar normalmente como se estivessem mesmo numa casa de banho”, lamentou uma moradora.

A situação está fora do controlo, mas as autoridades municipais dizem que não estão a par do assunto.

“É uma situação que está a retratar agora, pois a polícia municipal nunca se deparou com esse tipo de caso, mas vamos verificar, e, se de facto estiver a decorrer essa situação, vamos sensibilizar os proprietários destes estabelecimentos”, disse Arsénia Miambo, porta-voz da polícia municipal.

Enfim, assim a vida continua diante de vários riscos à saúde pública na capital Moçambicana.

 

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