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O País – A verdade como notícia

O Hospital provincial de Pemba confirmou que duas pessoas morreram e outras 21 foram feridas, com arma de fogo, durante o primeiro dia dos sete dias de manifestações, convocadas por Venâncio Mondlane, na cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado. 

“Nós tivemos um nível significativo de entrada de pacientes ligados às manifestações. Portanto, recebemos um total de 21 casos, vítimas de ferimentos com arma de fogo, dos quais dois resultaram em óbito. Tivemos quatro pacientes internados no serviço de cirurgia geral, dada a natureza das lesões dos pacientes. Tivemos cinco pacientes internados no serviço de ortopedia, totalizando, assim, nove pacientes internados. Os outros pacientes que apresentavam ferimentos ligeiros tiveram alta”, avançou Fernando Carvalho, director do Hospital Provincial de Pemba  . 

Devido à gravidade dos ferimentos, um dos 21 pacientes que deram entrada ao Hospital provincial de Pemba teve de ser transferido para o Hospital Central de Nampula, onde poderá receber tratamento especializado.

O pai da vítima lamenta a situação. “A partir de agora, eu já morri, não tenho mais medo, como balearam meu filho. Bernardino Rafael manda polícia matar o meu filho. Ele está contra nós, a população de Pemba, não queremos o Bernardino Rafael, nem com polícia”, disse. 

 

Professores de cinco escolas em Gaza suspenderam a realização dos exames finais, esta quarta-feira, em protesto a falta de pagamento de horas extraordinárias.

Os exames finais da 10ª e 12ª classes arrancaram na segunda-feira a escala nacional e tudo apontava para um processo sem sobressaltos na província de Gaza.

Entretanto, o cenário mudou esta quarta-feira, professores de pelo menos cinco escolas secundárias, nos distritos de Chibuto, Mandlakazi e Limpopo interromperam os exames.

“Devido a resistência do Governo em pagar as horas extras, referentes aos anos de 2022, 2023 e 2024, determinamos, a partir de hoje, pela paralisação total das actividades de controlo dos exames” disse um professor.

 

“Sem regularização do valor em dívida não há espaço para diálogo. Esperamos pelos nossos alunos na segunda chamada”, concluíram os professores.

Os professores das escolas secundárias de Chibuto, Chimundo, Licilo e Chigivitane, por exemplo, recusaram-se a entrar nas salas de exame. “É a única forma de pressão, após sucessivas inverdades e promessas do Governo”.

Empunhando dísticos, entoavam, no recinto escolar, cânticos de protesto. Em causa está o não pagamento de horas extraordinárias dos anos 2022, 2023 e 2024.

“É o nosso grito de socorro: dinheiro na conta, professores nas salas”, finalizaram.

Foi uma manhã e tarde agitadas, pois alunos abandonaram os exames nas carteiras e juntaram-se aos professores.

Nas demais escolas secundárias da província de Gaza, houve realização de exames. Na escola Secundária de Chókwe, por exemplo, todos professores estiveram na escola para controlar os exames.

“Desde às primeiras horas não registamos nenhum sobressalto. Professores e alunos fazem-se às salas e o processo decorre normalmente”, garantiu, o diretor da escola.

Em Gaza, cerca de 45 mil alunos da 10ª e 12ª classes realizam exames finais.

O porta-voz do Comando geral da Polícia da República de Moçambique, Orlando Modumane, diz que às manifestações ocorridas, está quarta-feira, provocaram a morte de cinco pessoas, destruição completa e parcial de cinco esquadras e detenção de mais de 100 pessoas. Modumane diz que a PRM vai continuar a trabalhar para garantir a segurança, tranquilidade e ordem públicas.

Durante a conferência de imprensa convocada para dar o ponto de situação das manifestações deste primeiro dia da quarta fase da quarta etapa, Orlando Modumane começou por confirmar que foram violentas e não pacíficas como se esperava.

“Notamos com preocupação a obstrução de vias de acesso e a vandalização de infraestruturas públicas e privadas em várias artérias das nossas cidades”, disse.

A seguir, Modumane fez menção  as consequências que adviram das referidas manifestações, tendo confirmado a morte de cinco pessoas devido a confrontos com a polícia.

“Nestas manifestações tivemos cinco mortos em consequência de confrontos entre a polícia e manifestantes, que queriam invadir às esquadras e postos policiais, na tentativa de roubar armas. Quando um indivíduo vai a uma esquadra para roubar armas de fogo não é manifestante. Esses indivíduos são os que querem protagonizar actos mais macabros e a polícia procurou se defender para não permitir que fossem retiradas armas em sua posse”, esclareceu Modumane.

Outro dado revelante apresentado pelo porta-voz da PRM é a vandalização de escolas e invasão de quatro esquadras da polícia.

“As manifestações violentas tiveram consequências em 22 escolas, onde os manifestantes roubaram computadores e inviabilizaram a realização de exames, protagonizaram a invasão de quatro esquadras da polícia, onde atearam fogo e permitiram a fuga de mais de 100 detentos”, disse.

Em conexão com estes actos ocorridos, Modumane avançou que “há pessoas que já estão a contas com a justiça. Há alunos que foram identificados nestes actos de violência, e, porque são menores, não podiam ser detidos, mas os seus cabecilhas foram identificados e detidos”.

Entretanto, Orlando Modumane confirmou a queima de uma viatura de transporte da empresa privada Lalgy, tendo dito que o mesmo foi protagonizado pelos manifestantes.

“Há um vídeo que está a circular e que mostra claramente os manifestantes a colocarem pneus a queimarem no autocarro. Portanto, foram os manifestantes que incendiaram o autocarro e agora estão em marchas deligências para a captura desses indivíduos, que foram identificados a partir de vídeos”, confirmou.

Questionado se das deligências em curso consta o nome de Venâncio Mondlane, candidato presidencial que convocou às manifestações que acontecem no país, Orlando Modumane respondeu: “não tenho mandado para falar sobre Venâncio Mondlane. Apenas só posso dizer que são indivíduos identificados nos vídeos que foram vistos ao longo do dia e que estão a monte, bem como os cabecilhas das vandalizações que aconteceram”.

Para já, a PRM apela à calma e a não adesão dos moçambicanos a estes actos, reiterando ainda que “vai continuar a trabalhar para garantir a tranquilidade e a segurança das pessoas”.

A Empresa Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) lamenta a remoção de carris num dos troços ao longo da Linha de Machipanda, no Sistema Ferroviário Centro.

Em comunicado, a CFM explica que se trata de “uma acção protagonizada por ex-trabalhadores da Brigada Reabilitação da Linha de Machipanda (BRLM), que haviam sido contratados no âmbito do Projecto de Reabilitação da Linha de Machipanda”.

Por isso, lamenta profundamente a atitude daqueles concidadãos que “destroem” aquilo que ajudaram a construir só porque entendem que devem ser vinculados para o quadro efectivo, ou ser-lhes paga uma indemnização pelo tempo que estiveram a laborar na BRLM.

Efectivamente, de acordo com o contrato, aquele grupo de trabalhadores foi contemplado no projecto, que findou em Dezembro de 2023, terminando, também o vínculo com a BRLM.

“Assim, concluído o projecto e a Linha de Machipanda inaugurada e estando em funcionamento, a CFM reitera a disponibilidade de voltar a esclarecer sobre o âmbito do vínculo que aquele grupo de trabalhadores tinham com a BRLM”, refere o comunicado.

A empresa aproveita para apelar ao bom senso desses concidadãos, no sentido de valorizarem o contributo que deram para o desenvolvimento do país e diz que novas e mais oportunidades surgirão.

Num breve contacto estabelecido com a CFM, a AIM apurou que decorrem actualmente reuniões com os trabalhadores referidos, assessoria jurídica e recursos humanos da empresa.

“A nossa postura é de evitarmos um braço-de-ferro com aqueles trabalhadores, pois eles podem ter tomado aquela atitude pelo facto de não terem percebido o âmbito do contrato”, disse fonte da empresa CFM.

Questionado sobre a extensão dos danos, a fonte prometeu divulgar logo que a informação estiver disponível.

Com uma extensão de 318 Km, a linha de Machipanda liga o Porto da Beira ao vizinho Zimbabwe.

Esta linha é crucial para a economia do vizinho Zimbabwe e para a região Centro de Moçambique. Existem, ao longo da via, 14 estações e 29 apeadeiros.

A cidade da Beira está a enfrentar crise de cimento há cerca de um mês, devido à paralisação da maior fábrica do produto existente no Chiveve. O facto contribuiu para o aumento do saco de cimento, que custa, agora, entre 500 e 520 meticais, contra os anteriores  475. 

A paralisação de uma fábrica, a fábrica de cimentos da Beira, a maior existente em Sofala, apanhou de surpresa os consumidores do produto fundamental para a construção, neste período de pico da procura.

Dada à paralisação da fábrica de cimentos da Beira, os vendedores recorrem a duas fábricas localizadas no município de Dondo, há cerca de 30 quilómetros da cidade da Beira, mas estas não estão  a conseguir satisfazer a procura e há vendedores que já aumentaram o preço do cimento.

A escassez  de cimento está a interferir de forma negativa nos compromissos dos principais fornecedores. 

O governo, através do sector da Indústria e Comércio, nega que haja crise de cimentos na cidade da Beira.

A fábrica de cimentos da Beira tem a maior capacidade de produção e maior número de clientes, segundo o sector de Indústria e Comércio.  

 

  

 

Os protestantes voltaram a  bloquear,hoje, a Estrada Nacional Número 4, que liga as cidades de Maputo e Matola. Várias pessoas foram obrigadas a caminhar, nas primeiras horas, devido à falta de transporte.

Quando o relógio apontava para oito horas desta quarta-feira, a Estrada Nacional Número quatro voltou a ser palco de  protestos protagonizados por populares  na cidade e província de  Maputo.

A via ficou completamente bloqueada. A portagem da Matola ficou deserta. Além de barricadas, os protestantes usavam tudo que fosse possível para não permitir a passagem de viaturas.

Nenhum transporte de passageiros circulava na EN4 e, além dos protestantes, a via era ocupada por pessoas que tentavam regressar às suas residências caminhando.

É este o cenário registado nas primeiras horas desta quarta-feira na Estrada Nacional Número 4.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, diz que há organizações que estão a responder à Justiça por apoiarem os protestantes contra os resultados eleitorais, “oferecendo-lhes comida, água e até dinheiro”. Nyusi caracteriza tal apoio de ingénuo.

O Presidente da República está, neste momento, num encontro com os reitores de universidades e institutos superiores públicos e privados, para ouvir suas ideias sobre as possíveis saídas para a actual crise pós-eleitoral.  O Chefe de Estado diz que, no futuro, é preciso pensar em estabilizar a legislação eleitoral, para evitar que sempre que se vai às eleições haja  revisão do pacote eleitoral.

Filipe Nyusi diz que as proclamações antecipadas da vitória nas eleições, por parte de alguns candidatos, é uma das razões que levou às manifestações, que antes eram tidas como não violentas.

A comunicação de Venâncio Mondlane não tendia a orientar para manifestações pacíficas: “Ao dizer que temos que nos manifestar em certos locais, é instigar a violência. Aí já não são manifestações passificas”.

Segundo Nyusi, falando numa plateia composta por gestores de instituições do ensino superior, impedir a circulação de pessoas, bloquear vias, saquear empreendimentos, impedir a realização de exames, e outras acções já não podem ser consideradas manifestações, muito menos pacíficas.

“Há uma solidariedade ingénua das pessoas que apoiam os manifestantes, oferecendo comida, água e até dinheiro (…) e, falando nisso, já há organizações na justiça por causa dessas acções”.

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos diz que a PGR deve investigar todos os crimes ocorridos durante as manifestações pós-eleitorais convocados por Venâncio Mondlane, com vista a responsabilizar os autores dos mesmos. 

A comissão Nacional dos Direitos Humanos convocou a imprensa, esta terça-feira, para mostrar a sua indignação em relação aos crimes que têm ocorrido durante os protestos pós-eleitorais no país.  

A instituição quer que a Procuradoria-Geral da República esclareça os crimes e que os responsáveis sejam levados à barra da justiça.

“À Procuradoria-Geral da República, como garante da legalidade, instamos à investigação, esclarecimento com celeridade necessária dos contornos de todas as acções que substanciam em crime durante as manifestações, com vista a responsabilizar os presumíveis autores materiais e morais. Outrossim, a Comissão Nacional dos Direitos Humanos, também, apela aos partidos políticos, como um dos actores-chave do processo, para contribuir na busca de soluções para a mitigação da crise política que se regista no país para a garantia de uma paz efectiva”, avançou o presidente da CNDH, Albachir Macassar. 

O apelo estende-se à polícia e aos militares, para que não violem o direito à manifestação. 

“Às Forças de Defesa e Segurança, nós instamos ao respeito pelo plasmado no artigo 51 da Constituição da República, que consagra a todos os cidadãos o direito à liberdade de reunião e de manifestação nos termos da lei, respeitar o princípio do uso proporcional da força e, também, o uso circunstancial de armas, e principalmente este armamento tem de ser aquele que é autorizado em situações como manifestações pacíficas”, exortou Macassar. 

Albachir Macassar dirige-se, também, aos manifestantes e aos dirigentes para que respeitem as liberdades individuais de cada parte. 

“A população, em geral, exortamos a exercer o direito à manifestação, que é consagrado constitucionalmente e, também, da associação, de forma pacífica, em obediência às normas que regulam o exercício dos direitos da liberdade de manifestação e expressão, e o respeito pelas liberdades individuais para que o processo decorra com normalidade. O ser humano é um ser digno que deve viver em dignidade. Antes deste ser humano ser um ministro, um presidente, um polícia, é primeiro uma pessoa que tem direitos e também tem deveres. O que nós queremos apelar é que, na verdade, se nos colocarmos todos nesta qualidade de que ferir alguém, impedir de realizar os seus desejos pessoais, é, também, violação de direitos”, concluiu o responsável. 

A Comissão Nacional dos Direitos Humanos recebeu, até aqui, um total de 20 denúncias relacionadas com as manifestações e garante estar a trabalhar para o esclarecimento.

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