Skip to main content

O País – A verdade como notícia

A Igreja Anglicana de Moçambique e Angola manifestou, em Quelimane, profunda consternação pela morte de Dom Osório Sitora Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane.

O Arcebispo da Igreja Anglicana de Moçambique e Angola, Dom Vicente Msosa, condenou o que classificou como um crime bárbaro e recordou que ninguém tem o direito de tirar a vida a outrem.

A Igreja Anglicana considera o assassinato de Dom Osório Sitora Afonso mais um episódio preocupante da vaga de violência que tem ceifado vidas no País. Para Dom Vicente Msosa, a morte do prelado representa uma perda irreparável para a Igreja e para a sociedade moçambicana.

O Arcebispo sublinhou que a vida humana é sagrada e apelou às autoridades competentes para que esclareçam, com urgência, as circunstâncias do crime e responsabilizem os seus autores.

Dom Vicente Msosa recordou ainda Dom Osório como um amigo próximo, um homem de diálogo e de conselhos sábios, com quem partilhava reflexões sobre a missão pastoral, a promoção da paz e a reconciliação entre os moçambicanos.

Segundo o Arcebispo, o desaparecimento de Dom Osório Sitora Afonso deixa um vazio profundo entre os fiéis e todos aqueles que beneficiaram da sua liderança espiritual e do seu compromisso com a construção de uma sociedade mais justa e harmoniosa.

Dom Vicente Msosa é Arcebispo da Igreja Anglicana de Moçambique e Angola e Presidente do Conselho Anglicano de Moçambique.

Os bispos católicos africanos exigem que as autoridades moçambicanas encontrem, com urgência, os autores do assassinato do Bispo de Quelimane, Dom Osório Sitora. Reclamam igualmente o reforço da segurança dos líderes religiosos e dos locais de culto.

Numa reacção invulgar, os bispos católicos do continente africano decidiram romper o silêncio e pressionar as autoridades judiciais moçambicanas a esclarecer o assassinato de Dom Osório Sitora.

Na sequência da sua morte violenta, o Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar classificou o acto como um atentado aos valores fundamentais da paz, da justiça, da dignidade humana e da liberdade religiosa.

Num comunicado assinado em Acra pelo Cardeal Fridolin Ambongo, Arcebispo de Kinshasa e Presidente do Simpósio, os bispos exigem do Governo moçambicano uma investigação não apenas célere, mas também transparente e independente.

Os prelados consideram indispensável a identificação, captura e responsabilização criminal dos autores materiais, bem como dos eventuais cúmplices e mentores do crime.

“Exigimos que os responsáveis sejam identificados, processados e levados à justiça sem demora. O povo de Moçambique, a Igreja Católica e a comunidade internacional merecem conhecer a verdade”, refere o documento.

Na mesma declaração, os bispos apelam ainda ao reforço das medidas de segurança destinadas aos líderes religiosos e aos locais de culto.

“O Estado tem a solene responsabilidade de garantir que todos os cidadãos possam praticar livremente a sua fé, em segurança, sem receio de intimidação, violência ou perseguição”, sublinham.

Como forma de exigir que a morte de Dom Osório Sitora não se transforme em mais um caso envolto no silêncio da impunidade, os bispos recorrem a uma passagem bíblica para reforçar a sua posição: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça”.

O Governador de Cabo Delgado defende que o envolvimento da juventude nos processos de desenvolvimento é fundamental para travar o recrutamento de jovens pelos grupos armados que, há quase dez anos, protagonizam actos de terror naquela província.

A posição foi defendida por Valige Tauabo durante o lançamento do projecto RISE-PS, coordenado pela Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) e a ser implementado por diversas organizações não-governamentais.

Segundo o Governador, a criação de oportunidades de emprego, formação e inclusão económica dos jovens constitui uma das formas mais eficazes de reduzir a sua vulnerabilidade ao aliciamento por grupos extremistas.

A preocupação com o recrutamento de jovens para o terrorismo foi manifestada durante a cerimónia de lançamento do projecto, que contou igualmente com intervenções de representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da ADIN.

Por seu turno, o Presidente da ADIN, Jacinto Loureiro, destacou a importância da iniciativa no reforço da resiliência das comunidades afectadas pelo conflito armado e na promoção do desenvolvimento local.

Avaliado em cerca de 28 milhões de dólares norte-americanos, financiados pelo Banco Africano de Desenvolvimento, o projecto RISE-PS prevê a criação de oportunidades de emprego para jovens e a melhoria do acesso aos serviços básicos para as populações dos distritos de Palma e Ancuabe, na província de Cabo Delgado.

Familiares, colegas, amigos e membros do Governo despediram-se, esta quarta-feira, do jornalista e assessor de imprensa José Sixpence, que dedicou décadas ao serviço da comunicação social e do Estado moçambicano.

Familiares, amigos, colegas de profissão e representantes do Governo prestaram esta semana a última homenagem ao jornalista José Sixpence, falecido no último sábado. A cerimónia de velório, marcada por momentos de profunda emoção, reuniu dezenas de pessoas que recordaram o percurso profissional, o humanismo e o legado deixado por uma das figuras mais respeitadas da comunicação social moçambicana.

Num ambiente de silêncio, lágrimas e recordações, multiplicaram-se os testemunhos sobre a vida de um homem que dedicou grande parte da sua carreira ao jornalismo e, mais tarde, ao serviço público, enquanto assessor de imprensa de vários chefes do Governo.

Familiares destacaram a dimensão humana de José Sixpence, recordando os momentos de convivência, amizade e união que cultivou ao longo da vida.

“As nossas confraternizações já não terão o mesmo tom, a mesma alegria. A canção Mussakazi, que tantas vezes serviu de banda sonora aos nossos momentos felizes, carregará agora um significado mais profundo”, referiu um dos familiares durante a cerimónia, recordou João Saltie, familiar. 

Um dos momentos mais marcantes do velório aconteceu quando os filhos tomaram a palavra para homenagear o pai, descrevendo-o como mentor, educador e principal referência da família.

“Pai, a tua partida deixou um vazio que nada nem ninguém será capaz de preencher. Foi contigo que aprendemos valores fundamentais que levaremos para toda a vida. Hoje queremos fazer-te uma promessa: preservar o teu legado e continuar unidos, exatamente como sempre desejaste”, afirmaram.

Em representação do Governo, a Primeira-Ministra, Benvinda Levi, destacou o contributo de José Sixpence para a consolidação das instituições do Estado e para o fortalecimento da comunicação pública.

“José Sixpence foi uma figura relevante que consentiu imensos sacrifícios para realizar com lealdade, zelo e dedicação as suas actividades profissionais em prol da consolidação do Estado moçambicano, tanto como jornalista, assim como assessor de imprensa do Primeiro-Ministro”, afirmou.

Segundo a governante, Sixpence distinguiu-se pelo elevado sentido de responsabilidade e pelo compromisso com o serviço público, tendo muitas vezes sacrificado o convívio familiar para responder aos desafios profissionais que lhe eram confiados.

Amigos próximos recordaram a simplicidade, a capacidade de construir relações duradouras e a facilidade com que aproximava pessoas de diferentes gerações e círculos sociais.

“Sixpence foi um poço fértil de amizades. Conservou amigos de infância, da vida, da profissão e até os amigos dos seus amigos. Sempre presente, sempre fiel e sempre disposto a unir pessoas”, referiu o representante dos amigos.

Também os colegas de profissão prestaram tributo ao jornalista, destacando o seu profissionalismo, rigor e permanente disponibilidade para apoiar os mais jovens.

Representantes da Sociedade Notícias e do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) descreveram Sixpence como um profissional íntegro, respeitado e comprometido com os valores éticos da profissão.

“O seu humanismo, o profissionalismo e a responsabilidade com que assumia as tarefas que lhe eram confiadas levaram-no a granjear simpatia e admiração entre colegas, amigos e superiores hierárquicos”, destacou Faruco Sadique representante do Sindicato Nacional dos Jornalistas.

Formado pela Escola de Jornalismo e pelo Instituto Superior de Relações Internacionais, José Sixpence construiu grande parte da sua carreira na redação do Jornal do Domingo, onde se destacou pelo rigor e pela qualidade do seu trabalho jornalístico.

Em 2015, assumiu funções como assessor de imprensa do Primeiro-Ministro, cargo que exerceu ao lado de diferentes chefes do Governo, incluindo Carlos Agostinho do Rosário, Adriano Maleiane e, mais recentemente, Benvinda Levi.

A sua partida deixa um vazio na comunicação social moçambicana e entre aqueles que com ele trabalharam ao longo de décadas. As homenagens prestadas durante o velório refletiram o reconhecimento de uma vida dedicada ao jornalismo, ao serviço público e à construção de pontes entre as instituições e os cidadãos.

 

Agostinho do Rosário-Antigo Primeiro-Ministro

“Um jornalista profissional, um jornalista muito isento. Deram-nos uma lista muito grande na altura e ele estava em primeiro lugar nessa lista e seleccionamos o Sixpence. Apareceu no gabinete e mostrou que, de facto, é um jornalista que tinha aquelas qualidades. Um jovem muito humilde, apesar de ele estar na altura no gabinete do Primeiro-Ministro, nunca deixava de fazer essa ponte, essa relação muito forte com os colegas jornalistas e fazia uma ligação boa com os jornalistas, todos eles, e com a Assembleia da República. E era um jovem que era interessante, o seu equilíbrio nas posições, apesar de estar num lugar onde estava, mas era uma pessoa que tinha um sentido de equilíbrio nas posições espectacular”.

 

Adriano Maleiane-Antigo Primeiro-Ministro

“Eu não tenho palavras para descrever o vazio que nos invade a ausência do Sixpence. Um funcionário, um colaborador, um moçambicano bastante dedicado, ao longo dos anos que eu tive oportunidade de trabalhar com ele. Ele foi sempre aquilo que foi dito, um funcionário que facilitou a minha articulação com a imprensa, com a sociedade, e ele fez isso com muito zelo e muita dedicação”

 

Orelvo Lapucheque-Jornalista

“Foi uma marca indelével por onde passou, seja na Sociedade Notícias, como jornalista, e mais tarde como assessor de imprensa no gabinete do Primeiro-Ministro. Tive momentos únicos com ele, foi um ser humano de um coração nobre, um alto profissional, Deus o tenha. Eu fui uma das pessoas que trabalhei com ele em várias circunstâncias, presença aberta, até consultório”

 

Feito Tudo Mal-Colega de trabalho

“Falar de Sixpence é falar de uma pessoa muito amável, de uma pessoa que sabe ser e estar, de uma pessoa que dava ensinamentos em todos os níveis da sociedade. Era um optimista e penso que é assim que devemos olhar para a vida, com optimismo e pensar que haverá dias melhores, mas acima de tudo preservar as coisas boas que ele fez. É daquelas coisas que, infelizmente, enquanto as pessoas estão vivas, nós não dizemos às pessoas e sentimos a falta quando eles partem. Sixpence era essas três coisas, profissional, mas sobretudo humilde”

O protesto dos operadores de transporte semicolectivo de passageiros contra a nova tarifa de transporte interdistrital degenerou em bloqueio de vias no distrito de Manjacaze, província de Gaza, culminando com a detenção de quatro indivíduos apontados pelas autoridades como líderes do movimento.

A manifestação ocorreu poucos dias após a entrada em vigor da nova tabela de preços, com aumentos que, segundo os transportadores, não acompanham a escalada dos custos operacionais, sobretudo dos combustíveis.

Em Manjacaze, os manifestantes interromperam a circulação rodoviária, impedindo a passagem de viaturas e provocando constrangimentos a centenas de passageiros.

“A situação do combustível está muito mal. Nem conseguimos trabalhar. Não é fácil trabalhar e ainda há perspectivas de aumento dos preços dos combustíveis”, lamentou um dos transportadores envolvidos no protesto.

O bloqueio afectou o transporte de pessoas e mercadorias, deixando passageiros retidos ao longo da via, incluindo doentes e mulheres grávidas que necessitavam de deslocação urgente.

“Não sei como chegar a casa com o doente. A estrada está bloqueada, os transportes não estão a passar e não temos alternativa”, relatou um passageiro afectado.

A Associação dos Transportadores Rodoviários de Gaza (ASTROGAZA) distanciou-se da acção e condenou o bloqueio das estradas, considerando que a medida prejudicou a população e desrespeitou os mecanismos de diálogo existentes entre o sector e o Governo.

A porta-voz da associação, Apolinária Mondlane, afirmou que a organização tentou persuadir os manifestantes a desistirem da paralisação.

“Conversámos com eles para não bloquearem a estrada. Temos doentes, pessoas que precisam de assistência e até mulheres prestes a dar à luz, mas não quiseram ouvir-nos”, declarou.

A responsável apelou ainda aos transportadores para que evitem actos de violência e bloqueios, defendendo que eventuais preocupações relacionadas com os custos da actividade devem ser tratadas através dos canais institucionais.

Entretanto, a intervenção das autoridades resultou na detenção de quatro indivíduos suspeitos de liderarem a mobilização que culminou com o encerramento da estrada.

Os detidos negam qualquer participação na organização do protesto, alegando que apenas se encontravam no local quando a via já estava bloqueada.

Apesar disso, o Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) afirma possuir elementos que ligam os suspeitos à planificação e execução da acção.

O porta-voz do SERNIC em Gaza, Zaqueu Mucambe, explicou que os quatro cidadãos foram identificados através de um trabalho de investigação e captura realizado pelas autoridades.

“Há indicações de que estes indivíduos estiveram na linha da frente da criação dos bloqueios e cobravam valores monetários para permitir a passagem de outros transportadores”, afirmou.

Segundo o SERNIC, o grupo terá montado uma espécie de portagem ilegal ao longo da estrada que liga Xai-Xai aos distritos de Manjacaze e Chibuto, condicionando a circulação de viaturas mediante pagamento.

O incidente constitui o primeiro foco de contestação registado em Gaza desde a implementação da nova tabela de preços de transporte interdistrital e surge numa altura em que o sector continua a adaptar-se às recentes alterações aprovadas pelas autoridades.

Pelo menos 3.102 pessoas foram afectadas pela queda de granizo que atingiu, no último sábado, o distrito de Muembe, província do Niassa, provocando danos em 892 habitações e deixando nove feridos, segundo dados das autoridades provinciais.

O fenómeno climático extremo afectou um total de 878 famílias e causou prejuízos significativos em infra-estruturas públicas e privadas, com destaque para a destruição da cobertura da maternidade da Unidade Sanitária de Chiuajuta, comprometendo temporariamente a prestação de serviços de saúde materno-infantil naquela região.

Na sequência dos estragos, a Governadora do Niassa, Elina Judite Massengele, deslocou-se ao distrito no domingo para avaliar a situação e prestar solidariedade às populações afectadas.

Durante a visita, a governante assegurou que o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), em coordenação com outros sectores do Governo, já está a mobilizar assistência de emergência para as famílias atingidas, bem como recursos para a reposição urgente da maternidade danificada.

“A prioridade é garantir o rápido restabelecimento dos serviços de saúde e apoiar as comunidades afectadas”, indicou a governadora, citada numa nota divulgada pelo Executivo Provincial.

As autoridades provinciais referem que continuam a acompanhar a evolução da situação no terreno, ao mesmo tempo que decorrem esforços para a recuperação das infra-estruturas afectadas e o reforço da capacidade de resposta das comunidades perante eventos climáticos extremos.

O Governo Provincial sublinha que a ocorrência constitui mais um desafio associado às alterações climáticas, defendendo a necessidade de investir na resiliência das populações e na protecção das infra-estruturas essenciais.

O presidente do Conselho Municipal da Cidade da Maxixe, Issufo Francisco, manifestou indignação face ao abandono de obras públicas por parte de empreiteiros contratados pelo município e garantiu que a edilidade está a avançar com a rescisão dos contratos e a recuperação dos valores desembolsados pelo Estado.

Segundo o autarca, foram identificadas pelo menos duas empresas que receberam financiamento para executar obras de infra-estruturas, mas não demonstraram capacidade técnica nem financeira para concluir os projectos, deixando prejuízos para o município e para os munícipes.

“Não podemos tolerar empreiteiros irresponsáveis, empreiteiros que fazem obras sem qualidade e que não terminam as obras”, afirmou Issufo Francisco.

De acordo com o edil, um dos contratos remonta a 2023 e outro a 2022, mas, passados vários anos, as empreitadas continuam inacabadas. Numa das obras, a empresa executou apenas cerca de 500 metros de estrada, enquanto noutra avançou apenas 600 metros, sem conseguir concluir os trabalhos previstos.

“Há empreiteiros que têm contratos com o município desde 2022 e 2023 e, até hoje, não conseguiram terminar obras de apenas 500 ou 600 metros”, criticou.

Perante a situação, o Conselho Municipal decidiu avançar com a rescisão dos contratos. Segundo Issufo Francisco, um dos processos já está a ser tratado por mútuo acordo, enquanto a segunda empresa foi igualmente notificada para a cessação da relação contratual.

O autarca revelou ainda que as empresas receberam pagamentos superiores ao nível de execução física das obras, pelo que a edilidade irá accionar todos os mecanismos legais para recuperar os recursos públicos.

“Tem uma execução financeira maior do que a execução física do próprio trabalho. Em outras palavras, estão a dever ao Estado Municipal o cumprimento das obras”, declarou.

As declarações foram feitas à margem de uma cerimónia de entrega de sementes de hortícolas e tubérculos a produtores da Zona Verde da Maxixe, uma iniciativa municipal destinada a impulsionar a produção agrícola local.

Na ocasião, Issufo Francisco destacou a importância do programa para o reforço da segurança alimentar e para a geração de rendimento das famílias produtoras.

Já são conhecidas as datas e o programa das cerimónias fúnebres de Dom Osório Citorra Afonso, Bispo da Diocese de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, falecido recentemente.

Segundo informações divulgadas pela Conferência Episcopal de Moçambique, a celebração oficial das exéquias terá lugar na próxima sexta-feira, 12 de junho, às 9h00, na Paróquia Nossa Senhora do Livramento, Sé Catedral de Quelimane, onde será celebrada a Missa de Corpo Presente.

Após a cerimónia religiosa, os restos mortais de Dom Osório serão transportados por via aérea para a cidade de Nampula, onde decorrerá a segunda fase das exéquias, reservada ao âmbito familiar.

O sepultamento está previsto para o Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula, localizado em Nampaco. No local, familiares, membros do clero e fiéis católicos prestarão a última homenagem ao prelado.

Dom Osório Citorra Afonso desempenhava as funções de Bispo da Diocese de Quelimane e, simultaneamente, de Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, sendo uma figura de destaque na Igreja Católica em Moçambique.

O Parque Nacional de Zinave tornou-se a primeira área de conservação de Moçambique a acolher rinocerontes brancos, numa operação que marca um momento histórico para a preservação da biodiversidade e para o turismo de natureza no País.

Os animais foram translocados a partir do Parque Nacional do Kruger, na África do Sul, numa operação que envolveu uma viagem de mais de mil quilómetros até ao seu novo habitat, na província de Inhambane. A iniciativa insere-se nos esforços de repovoamento e restauração ecológica em curso no parque.

Com esta introdução, o Zinave passa a integrar o grupo das áreas de conservação nacionais que albergam espécies emblemáticas da fauna africana, reforçando a sua posição como um dos principais santuários de vida selvagem em Moçambique.

Segundo o administrador do Parque Nacional de Zinave, António Abacar, a chegada dos rinocerontes representa um passo significativo na consolidação da diversidade animal da reserva.

“Faz com que a população cresça um pouco mais. Estamos a falar de uma população já significativa de animais dentro do parque. Esta espécie vem complementar aquilo que é a referência dos Big Five, que incluem o rinoceronte, o elefante, o leão, o leopardo e o búfalo”, afirmou.

O responsável destacou ainda que o parque regista actualmente um crescimento contínuo da fauna, resultado dos programas de repovoamento implementados nos últimos anos.

“Envolvemos 16 espécies diferentes até este momento e estamos a notar que a população vai crescer. No ano passado, fizemos uma contagem aérea simbólica e apurámos que temos mais de 5 mil animais dentro do sistema”, acrescentou.

O regresso de espécies de grande porte ao Zinave é visto pelas autoridades como um indicador de recuperação ecológica, após anos de intervenções de reabilitação do ecossistema e reforço das medidas de conservação.

Paralelamente, o parque enfrenta desafios relacionados com a exploração ilegal de recursos naturais e a caça furtiva, embora as autoridades garantam que a pressão tem vindo a diminuir.

“O grande problema, neste momento, é a exploração florestal dentro do parque, com destaque para espécies específicas. Isto nos preocupa, mas estamos a trabalhar com as comunidades. Em relação à caça, é mínima, neste momento, e não temos presença de armas de grande calibre dentro do sistema”, explicou António Abacar.

O administrador sublinhou ainda o impacto positivo das campanhas de sensibilização realizadas junto das comunidades locais, incluindo programas de entrega voluntária de armas em anos anteriores, o que contribuiu para a redução de práticas ilegais.

Parceira do processo de recuperação do parque há cerca de uma década, a Peace Parks Foundation considera que os investimentos realizados estão a produzir resultados concretos, tanto na conservação da fauna como no desenvolvimento sustentável das áreas circundantes.

O impacto já se faz sentir também no turismo. No último ano, cerca de 500 visitantes escolheram o Parque Nacional de Zinave como destino, número que tende a aumentar com a crescente visibilidade do parque como um dos poucos locais da região onde é possível observar os chamados “Big Five”.

Com a chegada dos rinocerontes brancos, Zinave reforça o seu posicionamento como destino emergente do turismo de conservação em África, ampliando o potencial da província de Inhambane como referência nacional na área do ecoturismo.

+ LIDAS

Siga nos