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O País – A verdade como notícia

Um grupo privado moçambicano prevê investir 110  milhões de dólares, para a instalação de uma central solar na província de Gaza, segundo escreveu a agência de Informação Lusa.

De acordo com o estudo de impacto ambiental  da central solar de Chibuto, o projecto terá uma capacidade instalada de 95 MW, resultando da parceria entre os privados da Sal Energia e a estatal Elétrica de Moçambique (EDM), para “reforço da capacidade da rede pública”.

“Onde a Sal Energia irá desenvolver, financiar e construir a central e infraestrutura associada de ligação à rede elétrica”, lê-se no documento, acrescentando que o projeto será implantado numa área de 211 hectares, no posto administrativo de Chibuto Sede.

Envolve ainda a construção de uma linha de transmissão de 275 KV, de cerca de 10 quilómetros, entre a central solar e a subestação de Chibuto.

Pedro Cossa é o novo presidente do Presidente do Conselho de Administração da Bolsa de Valores de Moçambique,  em substituição da Salim Valá.

De 41 anos de idade, Pedro Cossa foi indicado numa Assembleia-Geral. É  quadro da Bolsa de Valores de Moçambique desde 2009. Na instituição, desempenhou cargos de direcção, entre os quais o de director-adjunto de operações. 

À data da sua indicação, desempenhava as funções de administrador financeiro da Empresa Municipal de Mobilidade e Estacionamento da Cidade de Maputo, cargo para o qual foi nomeado em 2024.

Cossa é igualmente presidente da Associação Moçambicana de Economistas e docente universitário, desde 2016. Além de especialista em Economia de Desenvolvimento, foi ainda deputado da Assembleia da República entre 2015 e 2020.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, endereçou, esta terça-feira, uma mensagem de solidariedade às vítimas do ciclone Jude, que assola as províncias de Zambézia e Nampula. 

Na mensagem, Gueta Chapo lamenta “os impactos  devastadores causados pelo Ciclone Jude, que tem assolado as províncias de Nampula e Cabo Delgado, deixando um rastro de destruição e sofrimento nas famílias”.

“Neste momento difícil, quero expressar a minha mais sincera solidariedade a todas as famílias que perderam os seus entes queridos, bem como àqueles que viram as suas casas e meios de subsistência destruídos. Partilho a dor de cada cidadão afectado por esta tragédia e reafirmo o meu compromisso de estar ao lado dos que mais precisam”, lê-se na mensagem da Esposa do Presidente da República”, lê-se no comunicado.

A esposa do Presidente da República enaltece os esforços das autoridades governamentais, das organizações humanitárias e de todos os voluntários, que estão a prestar assistência às populações atingidas.

“Unidos, seremos capazes de superar mais este desafio e reconstruir as vidas das comunidades afetadas. Peço a Deus que conceda força e esperança a todas as famílias atingidas e que ilumine o caminho da recuperação e do reerguimento das nossas províncias”, concluiu.

Terceira vaga de inundações na província de Gaza deixa quatro estradas intransitáveis e duas vias com a transitabilidade condicionada.  O nível das águas do rio Limpopo continua alto.

Nelson Horácio, Chefe do Departamento de Planificação da Administração Nacional de Estradas, em Gaza, avança que das quatro estradas, duas dependem do nível da água do rio Limpopo e, enquanto este continuar alto, as estradas não serão transitáveis. 

“Temos estradas que dependem do nível das águas do rio Limpopo. Quando ele transborda, elas sempre ficam intransitáveis”, disse Nelson Horácio, acrescentando que a terceira vaga se regista desde ontem. 

A ANE diz que, neste momento, decorre o período de monitoria, mas as estradas estão com trabalhos condicionados, devido as chuvas. 

  

Pelo menos seis pessoas morreram e outras 20 ficaram feridas,  em resultado da passagem do ciclone tropical Jude, segundo actualizações do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), partilhadas nesta quarta-feira. 

No dia 06 de Março de 2025, formou-se, na bacia do sudoeste do Oceano Índico, um sistema de baixas pressões, que evoluiu para Ciclone Tropical, e atingiu o continente a 10 de Março, pelo distrito de Mossuril, na província de Nampula, com ventos fortes, rajadas e chuvas intensas. 

Os dados do INGD revelam que, pelo menos, 1 863 famílias foram afectadas pelo ciclone e 908 casas foram completamente destruídas. Foram também afectadas nove unidades sanitárias e quatro casas de culto. 

 

A empresa Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) anunciou, esta terça-feira, que foram retomados os voos domésticos para o norte do país, devido à melhoria do estado do tempo. 

Depois de ter cancelado os voos para o norte do país, devido a tempestade tropical Jude, que fustigava a região, os voos para Pemba, Lichinga e Nacala foram retomados. Segundo o comunicado da LAM, já foram realizados os voos da rota Maputo/ Pemba/ Maputo, com prolongamento em Dar-Es-Salaam, na Tanzânia; Maputo/Nampula/Lichinga; e Maputo/Nacala/Maputo. 

A LAM garante que “vai continuar a acompanhar o estado do tempo, de modo a tomar as devidas providências, visando garantir as operações de voos em segurança”. 

Os docentes do Instituto Industrial e Comercial Eduardo Mondlane, localizado na cidade de Inhambane, estão a realizar uma greve desde a última segunda-feira, exigindo o pagamento de horas extras referentes aos anos de 2023 e 2024. É a segunda vez que os professores tomam essa medida, tendo a primeira ocorrido em abril de 2024, após a constatação de que o pagamento das horas extras prometido pelas autoridades ainda não foi cumprido.

A greve, que já dura três dias, tem causado uma grande inquietação, tanto entre os docentes quanto entre os estudantes, que se encontram prejudicados pela falta de aulas. Para os professores, a paralisação é uma forma de reivindicar os seus direitos, após anos de promessas não cumpridas e atrasos nos pagamentos que, segundo eles, têm sido constantes. A situação gerou uma grande tensão, com os docentes a afirmarem que não se sentem valorizados pelo Governo, que, de acordo com eles, não cumpre com os compromissos assumidos.

Em entrevista ao “O País”, os docentes revelaram o desgaste e a frustração acumulada ao longo dos últimos meses.

Otélia, uma das professoras com mais de 10 anos de experiência na instituição, disse que a paralisação é uma medida extrema, mas necessária.

“Estamos a trabalhar para o Estado, dedicamos as nossas vidas a formar as futuras gerações, mas, no final, somos tratados com total desrespeito. Não estamos a pedir favores, estamos a exigir aquilo que é nosso por direito. A nossa paciência esgotou-se.”

Ela explicou ainda que as promessas de pagamento de horas extras feitas pelas autoridades não têm sido cumpridas, o que tem gerado um clima de desconfiança entre os docentes. Comentou sobre o impacto financeiro que a falta de pagamento das horas extras tem nas famílias dos professores, que são obrigados a realizar horas de trabalho além da carga horária regular para suprir as necessidades financeiras.

Nuno, outro professor daquele instituto, também expressou a sua indignação e comentou as disparidades nos cálculos apresentados pelas autoridades de finanças em relação às horas trabalhadas. De acordo com ele, os valores apresentados como os que serão pagos não reflectem o tempo de trabalho realizado, uma situação que está a gerar ainda mais frustração entre os docentes.

“Os cálculos apresentados pelas autoridades das finanças não batem com a realidade no terreno. O que nos foi prometido inicialmente não corresponde àquilo que merecemos pelo nosso esforço. O Estado falhou connosco mais uma vez”, afirmou Maria.

Enquanto a greve continua, os estudantes do Instituto Eduardo Mondlane sentem-se cada vez mais prejudicados. O adiamento das aulas e a falta de esclarecimentos por parte da direcção do instituto têm afectado o desempenho escolar de muitos alunos, que agora enfrentam a possibilidade de ver os seus estudos comprometidos.

Dinamarcia, uma estudante do terceiro ano, explicou o impacto da greve na sua preparação para os exames. “Estamos a ficar sem tempo para estudar, e a suspensão das aulas já está a afectar o nosso desempenho. Estamos numa altura crítica, e perder mais dias de aula pode ser um desastre para o nosso futuro”, disse Dinamarcia, visivelmente preocupada.

O seu colega Orvelho, que frequenta o segundo ano de Contabilidade, partilha das mesmas preocupações. “É frustrante ver o nosso futuro ser colocado em risco por algo que não depende de nós. Queremos estudar, queremos aprender, mas estamos a ser prejudicados por uma questão que está além do nosso controlo”, afirmou.

Estudantes como Orvelho e Dinamarcia têm demonstrado um crescente desespero, pois as aulas perdidas podem prejudicar não só o seu desempenho nos exames, mas também a sua formação académica, que é essencial para o seu futuro profissional. O impacto desta paralisação não é apenas no presente, mas também pode influenciar as oportunidades dos alunos no mercado de trabalho no futuro.

O “O País” tentou, sem sucesso, contactar a direcção do Instituto Industrial e Comercial Eduardo Mondlane para obter uma resposta oficial sobre a paralisação. Até ao encerramento da reportagem, a direcção manteve-se em silêncio, sem se pronunciar sobre a situação. Esta falta de comunicação tem agravado a tensão entre os professores e a gestão do instituto, e a incerteza sobre o futuro das aulas continua a aumentar.

A greve no Instituto Eduardo Mondlane é apenas um reflexo de um problema mais amplo que afecta a educação em Moçambique: docentes que exigem os seus direitos, estudantes que temem pelo seu futuro e um Governo que, apesar de prometer soluções, ainda não conseguiu resolver a situação.

O sistema tropical JUDE passou para a categoria de depressão tropical, ou seja, para o estágio inicial de um ciclone tropical.

O Instituto Nacional de Meteorologia alerta, porém, que o sistema continua a influenciar o estado do tempo com chuvas intensas e ventos com rajadas fortes, acompanhadas de trovoadas nos em todas as  províncias do centro e norte do país.

Nas províncias de Nampula, Zambézia e Niassa esperam-se chuvas de até 200 mm/ hora e para Cabo Delgado e Tete, Manica e Sofala a chuva pode chegar aos 100 mm/hora.

O INAM informa também que  o sistema continua a mover-se dentro da província da Zambézia em direcção ao mar.

A Estrada Nacional n°1 (EN1) está cortada na zona do Posto de Controlo de Anchilo. O corte deve-se ao volume de água da chuva, que acompanha a tempestade tropical severa JUDE. A intervenção na EN1 terá início esta terça-feira, mas ainda não tem prazo para o término. 

O director das Obras Públicas em Nampula, Faquira Massalo, descreve o corte da EN1, em Nampula, como sendo de grande envergadura, mas, pela importância da rodovia, as obras para a reposição da circulação deverão iniciar esta terça-feira, entretanto, sem datas para o término. 

O corte é de aproximadamente 15 metros, com uma profundidade de 5 a 7 metros, o que levou a Administração Nacional de Estradas (ANE) a fazer-se ao local, com os engenheiros do empreiteiro, que está encarregue das obras de emergência, para melhor estudarem o terreno. Basicamente serão colocadas anilhas, de forma a permitir o fluxo da água. 

Neste momento, vários locais da província de Nampula estão intransitáveis: há um corte de Nametil à Angoche; de Nampula à Liúpio; e também do cruzamento de Naguema à Chocas-mar e vários outros troços. 

Sobre o impacto humano do ciclone, a delegada do INGD em Nampula, Anacleta Botão, disse à nossa reportagem que não tinha ainda dados concretos, devido às limitações das equipas, para fazerem o levantamento no terreno, visto que só na manhã desta terça-feira é que o estado do tempo começou a registar melhorias em muitos pontos. 

Contudo, Botão garantiu que os quites de emergência já tinham sido posicionados nos locais previamente descritos como possíveis locais de impacto.

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