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O País – A verdade como notícia

Cristãos do mundo inteiro celebram, hoje, o Domingo de Ramos, que antecede o Domingo de Páscoa. Na Cidade de Maputo, durante as celebrações, as mensagens de paz, humildade e reconciliação foram as mais faladas, principalmente no contexto em que o país se encontra.  

O domingo começou cedo para muitos os cristãos que cantando Hossanas e carregados de ramos  (folhas de palmeiras) fizeram a sua procissão, uma forma simbólica de recordar a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém.  

Durante a sua homilia, numa catedral que ficou pequena para acolher a todos os fieis este domingo, o Arcebispo de Maputo, Dom João Carlos, disse que o momento serve para recordar  a humildade de Jesus, que mesmo sendo “Rei” chegou naquela terra, num jumento e sem se proclamar “Filho de Deus e Rei dos Reis”, o que para o bispo, já não acontece nos dias actuais. 

“Infelizmente, olhando para o nosso dia-a-dia no nosso país, muitas vezes, vemos o contrário disso, missões abortadas, pessoas no poder que só pensam em si mesmo. Esquecem-se da  maioria, do povo,  prometem muito, mas fazem  pouco,  estão cheios de si mesmos. Então, só passam o tempo a descrever e a prometer”, apontou. 

Segundo Dom João Carlos, por isso é preciso que não só os governantes, mas toda a sociedade siga três princípios, para que haja mais união: a verdade que é também transparência, a humildade e o serviço, que é o mesmo que “fazer a sua parte e não esperar apenas pelos outros”.  

Outra mensagem de fundo difundida este domingo é a de reconciliação, principalmente no contexto em que o país se encontra e conforme disse o Vigário Geral da Diocese dos Libombos, Tomás Zandamela. 

“Nós celebramos a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Mais do que tudo, é o convite para que os cristãos que acolham no seu coração, porque se Jesus entrar triunfalmente no coração de cada um de nós, estamos certos de que vamos ultrapassar todas as adversidades que apoquentam o nosso país, neste momento, que é a falta de reconciliação, a nossa desunião e outras situações”, destacou o padre. 

E essa reconciliação, segundo os crentes, deve ter como base o amor e empatia e é preciso que se esteja vigilante para que não haja espaço para o mal na sociedade. 

Apesar de o Domingo de Ramos ser celebrado pelos cristãos, Reverendo Jamisse Taimo da Igreja Metodista  disse que o momento serve para a reflexão de toda a sociedade. 

“Devemos entender que é o início, ou o começo de uma nova vida e que necessariamente devemos deixar tudo o que nos divide, de lado e, olharmos para frente  e para Jesus Cristo como aquele que nos ajuda a ultrapassarmos essas barreiras que muitas vezes nós construímos”, pregou Taimo. 

Com o Domingo de Ramos, inicia assim a Semana Santa da morte e ressurreição de Jesus Cristo, que termina no Domingo de Páscoa.

Cerca de 800 famílias que vivem à volta do Parque Nacional do Limpopo, distrito de Massingir, província de Gaza, estão a receber insumos agrícolas e instrumentos de trabalho. A iniciativa é da ANAC e da Peace Parks Foundation e enquadra-se num programa avaliado em cerca de cinco mil milhões de euros. 

Na chamada zona tampão do Parque Nacional do Limpopo, distrito de Massingir, província de Gaza, há comunidades que, não obstante a seca severa, dependem da agricultura e pecuária para sobreviver. Só que, não poucas vezes, estas famílias não têm dinheiro para aquisição de sementes. 

“As condições anteriores, não são como as de agora. Semeávamos milho, quiabo. Não sabíamos o que era tomate, couve, alface”, lamenta Oseleta Elias, agricultora de Massingir.

Mas a situação mudou, uma vez que os produtores já passam a ter diversidade de insumos agrícolas com a sua distribuição que começou na passada quarta-feira. A cada produtor é atribuído um voucher para comprar as sementes e instrumentos de trabalho que quiser.  

Os produtores estão felizes com a oferta de insumos agrícolas e instrumentos de trabalho, mas dizem que os elefantes que, de forma recorrentes invadem as suas machambas, comprometem a produção. “Os elefantes castigam-nos. Castigam-nos muito. Este é o grande problema que temos nós, os produtores. Cultivamos, mas a nossa colheita não chega a compensar. Sequer conseguimos recuperar o investimento feito por conta dos elefantes”, contou mais uma agricultora.

O Parque Nacional do Limpopo conhece o problema e diz que a zona onde vivem as populações é de circulação dos elefantes, daí que apela a comunidades a saberem conviver com os animais. 

Há doentes com problemas de saúde mental acorrentados, há seis meses e outros um ano, na cidade de Xai-Xai, em Gaza. Familiares dos pacientes dizem que não tiveram outra saída senão os submeter ao tratamento tradicional. O sector da saúde e defensores humanos dizem que além de perigar a saúde dos pacientes a situação configura uma violação flagrante dos direitos humanos.  

“Vidas acorrentadas” no coração do bairro Ndambine 2000, na cidade Xai-Xai, província de Gaza. Na sombra de uma árvore, um jovem de 38 anos de idade, trajado de saco, estatelado no chão, uma corrente o prende a dois pneus de tratores afixados por uma barra de ferro grosso, quase 80 quilos, totalmente imobilizado e inconsciente.

Outro jovem de 28 anos de idade preso há uma árvore. Cenário dramático… rostos, sorrisos e histórias que retratam o destino cruel de pessoas que lutam contra as chamadas doenças mentais, em Gaza, sul de Moçambique. 

São ao todo três pessoas com problemas de saúde mental acorrentadas, como parte de um tratamento com duração de três meses a um ano. Durante o processo de tratamento a rotina se repete: Comem, dormem, urinam e defecam no mesmo local. Sem acesso adequado a saneamento e cuidados básicos de higiene. 

Domingos, nome fictício de um dos jovens que está três meses anos na condição de doente mental, entre os demais, ainda consegue organizar um discurso coerente, embora, por vezes, se perca nas suas memórias… 

Porque se perderam no tempo e espaço, eles estão acorrentados, pelas mãos das próprias famílias e crença é de que o seu estado mental tem explicações e saídas na base tradicional. Um dos familiares dos pacientes considera que os serviços de saúde não têm eficácia, por isso, optou por entregar o seu irmão nas mãos de uma  “ curandeira”.

“Não os levamos ao hospital, ele tem sido tratado aqui. O hospital é a dona de casa. Recebem remédios e gotas, depois relaxam”, contou o familiar de um paciente. 

A responsável do acampamento diz que durante o processo os pacientes são submetidos a um tratamento alternativo à mistura de ervas e orações. Mas demarca distância em relação aos métodos usados para imobilizar os doentes.

“Sem os seus cuidados não recebo o paciente, porque eles têm de comer, tomar banho e mais. Eu administro remédios, oração e depois cura. Eu não acorrento os doentes, os seus responsáveis é que compram cadeado e correntes”, disse a médica tradicional. 

Aida Ricardo, responsável de saúde mental na maior unidade sanitária da província, desencoraja o procedimento, porque pode levar os doentes a estresse pós-traumático, desnutrição, infecções, atrofia muscular.

Moçambique é único país lusófono de 60 países do mundo, que ainda regista casos de doentes mentais ainda  submetidos a tratamentos que ferem os direitos humanos.

Carlos Mula, defensor dos direitos humanos, questiona o silêncio da população, autoridades locais, policiais e judiciais face à violação flagrante dos direitos humanos. O defensor defende  que é necessário intervir com urgência.

O hospital provincial de Xai-Xai atendeu nos últimos dois anos quase 10 mil pacientes que padeciam de doenças mentais.

O ministro dos Transportes e Logística diz que, após a rescisão, houve reanálise do contrato que o Governo tinha com a EuroAtlantic Airways, para operar a rota Maputo-Lisboa, e concluiu-se que o Executivo vai pagar três, dos 21 milhões de dólares que a empresa exigia de indemnização.

A EuroAtlantic Airways anunciou, em finais de Fevereiro deste ano, a rescisão, com efeito imediato, do contrato com a empresa Linhas Aéreas de Moçambique, devido ao incumprimento do pagamento de compromissos financeiros.

Na sequência, a transportadora portuguesa, que fazia parte do processo de reestruturação desenhada Fly Modern Ark para a revitalização da LAM, exigiu indemnização. 

Confrontada com a situação, nesta sexta-feira, o ministro dos Transportes e Logística disse que houve novas análises ao contrato entre as partes e concluiu-se que a  indemnização exigida pela EuroAtlantic Airways era exagerada.

“Tem haver com o contrato EuroAtlantic, que prestava serviços mais ou menos na rota Maputo-Lisboa.  O Governo avaliou a situação, no âmbito da reestruturação, decidimos rescindir o contrato. E no âmbito da rescisão do contrato, a empresa que tinha contrato com o Estado, com a LAM neste caso, pediu uma indemnização de 21 milhões de dólares. O que nós fizemos foi analisar o contrato, pegar o contrato e ver as cláusulas. Há uma equipa que está a trabalhar neste momento, chegou-se à conclusão de que o valor que estava a ser exigido era demasiado exagerado, e o valor de pré-aviso é mais ou menos cerca de 3 milhões de dólares. É o valor que temos na mesa, mas a equipa  continua a trabalhar”, explicou João Matlombe, ministro dos Transportes e Logísticas. 

Segundo João Matlombe, a transportadora portuguesa não realizou alguns serviços, embora as facturas tivessem já sido pagas.

“E ainda há acertos de conta, porque há facturas que foram pagas, mas os trabalhos não foram realizados. Então, no final vamos apresentar aquilo que é o estado final da negociação.  Portanto, tudo em volta que se coloca, penso que é uma questão de má interpretação, mas a questão efectiva é essa, e nós vamos partilhar quando tivermos fechado o assunto”, garantiu o ministro.  

Nesta sexta-feira, o governante visitou o novo terminal de cargas do corredor logístico de Maputo, instalado no distrito de Marracuene. Trata-se de um porto seco com todas as condições necessárias para facilitar o armazenamento e desembaraço aduaneiro.

“Isso é como se fosse extensão de uma área do porto, porque nós recebemos a mercadoria, mas ela não pode ficar lá, para que não tenhamos muitos navios à espera no mar. Portanto,  aqui tem uma capacidade superior, até para poder acomodar uma mercadoria de primeira necessidade. Queriamos saudar e estimular o investimento, e renovar o nosso compromisso como Governo  de dar total apoio ao sector privado”, concluiu. 

O empreendimento irá possibilitar que os empresários poupem 30 a 40 por cento dos custos de produção. O Corredor Logístico de Maputo tem planos de extensão de mais dos portos secos.

“Há muita muita carga que não passa pelo Porto de Maputo, justamente porque não há facilidades fora do porto. Com esta infraestrutura que nós criamos todos saímos a ganhar. O porto, como eu bem disse, é um lugar de trânsito de mercadoria e não de armazenamento de mercadoria, porque, por si só, isso encarece a própria logística”, explicou Clávio Macuacua, PCA do corredor logístico de Maputo. 

 A infra-estrutura, para a qual foram investidos 50 milhões de dólares, visa aliviar a sobrecarga sobre o porto de Maputo e as fronteiras de Ressano Garcia, Namaacha e Goba.

Insegurança no distrito de Chinde força o encerramento de uma unidade de processamento de areias pesadas,  no novo posto administrativo de Micaune, em Quelimane. O administrador, Vidal Bila, diz que o Governo está preocupado com a situação e que já dialogou com a mineradora mas em vão. 

A unidade de produção ora por encerrada pertence à empresa Africa Greet Wall Mining. Decorrente das manifestações violentas, a empresa de capital chinesa decidiu encerrar e desmobilizar equipamentos da unidade de produção de Micaune. Pelo menos  62 trabalhadores vão ficar desempregados e o Estado ficará com menos um ponto de captação de receitas fiscais. 

“Micaune tem havido manifestações. A população de Micaune reclama a estrada que parte da garagem, do lado de Chinde, até Maradane, do lado de Micaune. Esta estrada, segundo a população, é uma promessa feita em 2017, pela empresa chinesa, no âmbito da primeira consulta comunitária (…) no dia 28 de Fevereiro, eles atravessaram o rio e foram    à empresa onde funcionava a pequena fábrica, que estava na zona de Quelimane novo. E no dia seguinte, dia 1, já foram vandalizar a empresa, ameaçando os trabalhadores, todos os trabalhadores, que foram, depois, obrigados a ir dormir no mangal”, contou o administrador.         

Vidal Bila diz que o governo distrital até procurou conversar com a entidade patronal mas está com medo, não aceitou. “Nós fomos falar com a empresa, tranquilizando-os, porque a situação é temporária. Dissemos que era uma coisa que estava a acontecer, mas que em algum momento havia de passar, porque nós já estávamos a negociar com  ANE, e estávamos inclusive a negociar com a própria empresa para a tal estrada ser feita, mas os trabalhadores chineses não estavam seguros”, continuou. 

Ainda no Chinde, o distrito está a três meses sem electricidade da rede eléctrica nacional, por conta das manifestações, que culminaram com a vandalização da linha Inhassunge -Chinde. 

O administrador distrital apela vigorosamente as comunidades para que não destruam “aquilo que com sacrifício foi construído para o bem de todos”. 

O presidente do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Lutero Simango, considera que o ataque armado registado, na passada terça-feira, em Marínguè, é uma ameaça à estabilidade política no país. Simango diz que ainda que este aviso não pode ser desprezado por nenhum moçambicano e, de forma particular, pelo governo da Frelimo.

Quatro dias depois do ataque armado registado no distrito de Marínguè em Sofala, protagonizado por seis indivíduos, que tinham uma arma de fogo do tipo AK47 e cinco catanas, na Estrada Nacional Número Um, Lutero Simango, presidente do MDM, afirmou que o mesmo é uma ameaça para todos os moçambicanos e que a acção não pode ser desprezada.

“Temos que olhar com muita atenção e perceber quais são os sinais.  É por isso que esperamos, que o diálogo político inclusivo tem que ser muito sério, muito objectivo e  temos que resolver os problemas, porque se a Frelimo quiser brincar, como fez com tantos outros acordos, corremos o risco de acordar um dia com o país totalmente vendido. E nós não somos pela divisão do país”, disse Simango. 

O presidente do MDM, que não quis entrar em detalhes em relação a quem são os autores do ataque armado, referiu que o MDM é pela unidade nacional na diversidade.

“Nós somos por um Estado unitário e isso passa, necessariamente, por resolver os problemas. Por isso, esse diálogo político nacional inclusivo tem que ser visto com  muita seriedade. Na nossa parte, nós estamos disponíveis, como sempre dissemos, agora, a Frelimo tem que assumir as suas responsabilidade”, acrescentou.   

Simango falava no distrito de Dondo em Sofala, onde vai discutir assuntos internos que não deu detalhes.

Em Junho do ano passado, uma auditoria realizada às contas do Instituto Nacional de Acção Social (INAS) trouxe à tona um dos maiores escândalos financeiros da província de Inhambane. O caso envolve 16 funcionários desta instituição, suspeitos de desvio de fundos destinados ao Programa de Subsídio Social Básico (PSSB) e aos subsídios de emergência para as populações vulneráveis durante a pandemia da COVID-19. Os valores em questão ultrapassam os 12 milhões de meticais, levantando sérias questões sobre a gestão de recursos públicos em tempos de crise.

De acordo com o Gabinete Provincial de Combate à Corrupção, os crimes apurados incluem peculato, abuso de cargo e falsificação de documentos. A porta-voz do Gabinete, Kátia Mussá, limitou-se a confirmar o envolvimento dos funcionários e a gravidade das irregularidades identificadas. “Não vamos categorizar agora, dizer que é um diretor ou gestor que está envolvido, mas o que podemos afirmar é que servidores públicos do INAS se envolveram em condutas que configuram crimes de corrupção e conexos”, explicou. Mussá acrescentou que as investigações apuraram desvios relacionados ao subsídio social básico e à COVID-19, envolvendo uma quantia estimada em 12.965.250 meticais.

Apesar da gravidade das acusações, a porta-voz evitou fornecer detalhes sobre as categorias dos funcionários implicados ou os métodos usados para o desvio de fundos. “O que alcançámos até agora são indícios sólidos, mas a lei não nos permite divulgar mais informações enquanto o caso estiver em segredo de justiça”, afirmou, deixando muitas perguntas no ar.

Diante destas acusações, o O País contactou o delegado do INAS em Inhambane, António Machava, que apresentou uma versão diferente dos factos. Segundo ele, não houve desvio de fundos, mas sim irregularidades administrativas no processo de pagamento dos subsídios. “Diz-se que houve um desvio de 12 milhões de meticais, no mesmo dia e pagou-se às mesmas pessoas, ou seja, pagou-se o Subsídio Social Básico, 12 milhões, e pagou-se o subsídio da COVID, 12 milhões. As mesmas contas, os mesmos fundos, não há como haver desvio”, afirmou. Machava garantiu que o INAS tem colaborado com as autoridades, fornecendo documentos bancários, extratos e outros dados relevantes para esclarecer o caso.

António Machava explicou ainda que os problemas administrativos surgiram devido ao uso incorreto de documentos durante os pagamentos. “Administrativamente, temos documentos que devem ser preenchidos depois do processo de pagamento. Os funcionários levantam o dinheiro e, depois de fazer o pagamento, devem preencher as folhas de caixa e outros formulários. O que aconteceu foi que se trocaram folhas de caixa do PSSB pelo preenchimento do processo de COVID, e não devia ser este modelo usado”, esclareceu. Ele enfatizou que o erro foi corrigido ao regularizar os documentos e integrar os dois processos, visando uma prestação de contas mais clara.

O delegado destacou ainda que todas as pessoas ouvidas pela justiça são aquelas que participaram diretamente no processo de pagamento dos subsídios nos cinco distritos sob sua jurisdição. “Desde o início, estamos a colaborar com a justiça. Todos os documentos necessários foram entregues, e aguardamos que o Gabinete Provincial de Combate a Corrupção esclareça a situação. Sentimos que fomos apanhados de surpresa, mas confiamos que a verdade prevalecerá”, concluiu.

Na cidade de Inhambane, conhecida como a Terra de Boa Gente, celebrou-se no passado dia 11 de Abril um marco histórico: o 47.º aniversário do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ). Coincidindo com o Dia do Jornalista Moçambicano, a efeméride não foi apenas uma ocasião festiva, mas um momento de reflexão profunda sobre o estado da classe jornalística no país.

Com um discurso contundente, Faruco Sadique, Secretário-Geral do SNJ, destacou o lema deste ano: “SNJ: 47 anos celebrando a coragem, compromisso e profissionalismo dos jornalistas”.

Estas palavras ecoaram como um hino à resiliência de uma profissão que, mesmo sob adversidades, se mantém como pilar fundamental da democracia moçambicana.Sadique não poupou palavras ao descrever as condições precárias que muitos jornalistas enfrentam.

“Nos últimos tempos, o exercício da profissão jornalística no país tem constituído um compromisso muitas vezes penoso”, afirmou.

Contratos irregulares, ausência de salários dignos, falta de acesso à segurança social e inexistência de seguros de trabalho foram alguns dos pontos destacados. Esta realidade é agravada pela carência de meios técnicos e financeiros, essenciais para a produção de conteúdos de qualidade.

Nos últimos meses, os desafios tornaram-se ainda mais acentuados com a escalada de tensões políticas. Jornalistas tornaram-se alvos de agressões físicas, destruição de equipamentos e ameaças verbais, algumas delas disseminadas pelas redes sociais.

Sadique foi enfático ao denunciar que, “a agravar a situação, nos últimos meses, os jornalistas tornaram-se também vítimas do clima de tensão política que se vive no país”.

Apesar deste cenário alarmante, a classe permanece firme, honrando os seus princípios e contribuindo para uma sociedade mais informada e consciente.

“O jornalismo é a alma de qualquer democracia”, afirmou Faruco Sadique, numa declaração que evidenciou a centralidade desta profissão no desenvolvimento de uma sociedade livre e informada.

Ele destacou que a comunicação social não é apenas um veículo de informação, mas também um instrumento essencial para o fortalecimento da cidadania e para a construção de consensos em torno dos desafios nacionais.

Sadique apelou a uma reflexão conjunta sobre a situação dos jornalistas em Moçambique, especialmente num contexto onde os avanços democráticos podem ser ameaçados por atitudes que buscam cortar a liberdade de imprensa.

Ele sublinhou que essas práticas não apenas prejudicam os profissionais, mas também minam a confiança pública nos princípios democráticos que sustentam o país.

“Sem liberdade de imprensa, não há democracias fortes”, declarou o Secretário-Geral, enfatizando que a pluralidade de vozes na comunicação social é vital para garantir que todos os sectores da sociedade sejam ouvidos.

Ao mesmo tempo, ele reconheceu que os jornalistas enfrentam pressões constantes de grupos de interesse, que procuram influenciar ou distorcer a informação em benefício próprio.

“A credibilidade do jornalismo depende de uma atuação ética e responsável”, frisou Sadique, apontando que cabe aos profissionais resistirem a essas pressões e cumprirem o seu dever de informar com imparcialidade e verdade.

Ele acrescentou que os estatutos editoriais dos órgãos de comunicação devem ser sempre respeitados, pois constituem a base para um jornalismo transparente e comprometido com os valores democráticos.

No seu discurso, Sadique também manifestou o seu repúdio às tentativas de algumas entidades, tanto públicas quanto privadas, de limitar o livre exercício da profissão. Ele alertou que essas iniciativas em nada contribuem para a consolidação das liberdades que Moçambique tem alcançado desde a sua transição democrática.

“Essas ações comprometem não apenas o jornalismo, mas também o direito do cidadão de ser informado de forma independente e transparente”, enfatizou.

Para Sadique, o futuro do jornalismo moçambicano está intrinsecamente ligado à capacidade da classe de se unir e resistir a todas as formas de opressão, garantindo que a profissão continue a ser um pilar indispensável da democracia em Moçambique.

Outro ponto alto do discurso foi o apelo à união e ao fortalecimento da classe jornalística, uma necessidade que Faruco Sadique destacou como fundamental para enfrentar os desafios estruturais e conjunturais que afetam a profissão. Ele enfatizou que a representação sindical não é apenas um direito, mas também um instrumento de defesa coletiva capaz de garantir condições de trabalho dignas e segurança profissional.

Sadique dirigiu-se especialmente aos jovens profissionais, convidando-os a filiarem-se ao SNJ. Ele destacou que a adesão de novas gerações é vital para renovar e fortalecer o sindicato, promovendo não apenas a proteção dos direitos laborais, mas também a criação de estruturas locais que assegurem uma presença sindical mais abrangente em todas as regiões do país.

“Os comités locais são a espinha dorsal do nosso sindicato. São eles que garantem a proximidade com os jornalistas e a resolução mais rápida dos problemas do dia a dia”, explicou.

O Secretário-Geral também apelou aos veteranos da profissão, reconhecendo o papel crucial que a experiência acumulada pode desempenhar no fortalecimento da organização sindical.

“Vocês, que ajudaram a construir o SNJ nos seus primórdios, ainda têm muito a oferecer. A vossa sabedoria é uma ferramenta indispensável para orientar os mais jovens e ajudar a classe a superar os desafios atuais”, destacou Sadique, num tom que combinava gratidão e determinação.

Com uma postura confiante, Sadique reiterou que “só um sindicato forte e atuante pode enfrentar os desafios que afligem os jornalistas”.

Ele sublinhou que a união da classe não é apenas uma necessidade interna, mas também uma mensagem de força para as entidades empregadoras e para o próprio governo, reforçando o papel do SNJ como um interlocutor capaz de defender a liberdade de imprensa e os interesses dos seus membros.

“O nosso SNJ precisa de todos e de cada um de nós”, afirmou Sadique com convicção, reforçando que a unidade e o comprometimento coletivo são os alicerces para transformar a profissão jornalística num exemplo de dignidade e resiliência em Moçambique.

Ele concluiu com uma mensagem de motivação, incentivando cada jornalista a ver no sindicato não apenas uma organização, mas uma verdadeira família, pronta a lutar pelos direitos e aspirações de todos.

Num tom profundamente emotivo, Faruco Sadique descreveu os jornalistas moçambicanos como verdadeiros heróis anónimos, uma classe que muitas vezes é invisível aos olhos da sociedade, mas cujo impacto é incomensurável.

Ele exaltou o papel desses profissionais que, sob condições adversas, enfrentam chuvas torrenciais, o calor abrasador e os desafios das zonas mais remotas do país para garantir que a população esteja sempre informada.

“São esses profissionais que, mesmo diante de limitações, asseguram a unidade e o progresso de Moçambique”, destacou com gratidão.

Sadique ressaltou que, além de informar, os jornalistas desempenham um papel fundamental na construção de uma consciência coletiva, agindo como pontes entre os diferentes setores da sociedade.

“A informação não é apenas um direito, mas também um bem público que cabe aos jornalistas proteger e disseminar”, acrescentou.  Ele reconheceu que essa missão é realizada, muitas vezes, com recursos limitados e sem o devido reconhecimento, mas enfatizou que o compromisso da classe com a verdade e a ética profissional é inabalável.

O Secretário-Geral também destacou os esforços do Sindicato Nacional de Jornalistas para apoiar os seus membros, mesmo enfrentando desafios internos e externos. Ele sublinhou que o SNJ tem sido um baluarte na defesa dos direitos dos jornalistas, trabalhando incansavelmente para melhorar as condições laborais e fortalecer a proteção sindical.

“Sabemos que ainda há muito por fazer, mas cada passo que damos em direção à dignidade profissional é uma vitória para todos nós”, afirmou.

Sadique expressou a esperança de que, com um maior número de adesões ao sindicato, seja possível ampliar o alcance das iniciativas de apoio à classe, criando uma rede mais robusta de proteção para os profissionais de comunicação social. Ele reiterou que o SNJ precisa de todos os jornalistas, independentemente da sua experiência ou posição, para se consolidar como uma organização verdadeiramente representativa.

“Num período difícil como este que estamos a passar, cabe aos profissionais de comunicação social saberem posicionar-se em prol da verdade”, reforçou Sadique, apelando a que a classe mantenha o foco nos princípios que norteiam a profissão, mesmo diante das adversidades.

Ele concluiu com um apelo à solidariedade entre os colegas, sublinhando que “a força do jornalismo está na sua capacidade de unir e inspirar mudanças positivas na sociedade”.

Encerrando o discurso, Faruco Sadique deixou uma mensagem de gratidão e esperança. Ele desejou um feliz 11 de Abril a todos os jornalistas e destacou a importância de continuar a luta pela liberdade de imprensa e pela dignidade profissional.As comemorações em Inhambane, além do discurso, incluíram atividades como intercâmbios desportivos entre jornalistas das províncias e encontros que reforçaram o espírito de camaradagem da classe.

O 47.º aniversário do SNJ foi mais do que uma celebração. Foi um chamado à unidade, à reflexão e à resistência. Em Inhambane, os jornalistas reafirmaram o seu compromisso com a verdade e o progresso, sob o signo da coragem que define a profissão.

A mulher continua a ser vista como o lado mais fraco no sector da Justiça. Outro desafio tem que ver com o assédio. Estas constatações foram feitas na Cidade de Chimoio, durante um seminário sobre desafios da mulher na administração da justiça

Apesar do aumento visível da presença feminina em cargos de destaque, muitas mulheres continuam a ver as suas decisões profissionais questionadas ou desvalorizadas, reflexo de uma cultura institucional ainda marcada por preconceitos de género.

A Comandante Provincial da PRM de Manica, Lurdes Mabunda, falou também do assédio no trabalho, mas ressalva que há também mulheres que provocam, através da sua forma de se vestir.

Já a Procuradora Shakila Alves diz que o assédio no local de trabalho não pode ser tolerado e encoraja  as vítimas a denunciarem na justiça.

O seminário da mulher na justiça juntou na mesma sala magistradas, polícias e agentes do SERNAP, com o objetivo de debater os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres na administração da justiça.

 

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