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O País – A verdade como notícia

Há candidatos às universidades públicas, que admitem com médias abaixo de três valores. A Escola Superior de Jornalismo e a Universidade Lúrio são alguns exemplos. O antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Orlando Quilambo, considera que o problema está no modelo de exame de admissão que não determina a qualidade do candidato.

Todos os anos, milhares de estudantes finalistas do ensino secundário geral buscam por institutos superiores e/ou universidades para dar continuidade aos estudos. Nessa busca uma das condições para o ingresso é a realização de exames de admissão para instituições públicas.

Não é novidade que quem se candidata a uma vaga numa das  Instituições de Ensino Superior em Moçambique inicia um processo contínuo e aturado de preparação, para adquirir, no exame de admissão, a maior nota possível e daí aumentar as suas chances de ser admitido. O que muitos não sabem é que a maior ou a melhor nota não precisa necessariamente ser positiva. Dependendo do caso, até com 3 valores é possível admitir.

O Edital da maior e mais antiga Universidade do País, a Eduardo Mondlane, clarifica o critério usado para determinar quem é admitido: “A seleção será feita com base na melhor média ponderada das disciplinas de exame, até ao limite das vagas disponíveis”

Este critério é igualmente usado pela Universidade Pedagógica, Universidade Lúrio, Escola Superior de Jornalismo e tantas outras Instituições de Ensino Superior em Moçambique.

Isto significa que, se por exemplo no curso de Jornalismo, a UEM tiver disponíveis para o presente ano lectivo 40 vagas, e se a maior média alcançada tiver sido de 7 valores, todos os candidatos que tiverem 7 ou abaixo desta nota poderão admitir.

É o que revelam algumas pautas de exames realizados em universidades ou escolas superiores, a que o “O País” teve acesso. 

A Escola Superior de Jornalismo em Manica admitiu candidatos para os cursos de Jornalismo, Relações Públicas e Biblioteconomia e Documentação. De acordo com a pauta, a média de admissão mais alta alcançada foi 13 e a menor foi de 3.25 valores. Mas vamos em partes.

Para o curso de Jornalismo, o candidato com melhor média de admissão foi 11 valores e a menor foi de 6.25..

No curso de Relações Públicas, a maior média de admissão foi de 12.3 valores e há também quem admitiu com a média de 3.75 valores.

Situação semelhante aconteceu nos exames de admissão à Universidade Lúrio em 2025. Dos candidatos a universidade cuja sede situa-se na província de Nampula, a média mais alta foi 16.75 e a mais baixa 3.15 valores.

 Por exemplo, no curso de Arquitetura e Planeamento físico, chegou a ser admitido um candidato com a média de 6.12 valores. 

Na Engenharia Civil, um candidato foi admitido com 6.10 valores. Para o curso de Turismo e Hotelaria a média mais alta foi 8.15 e a mais baixa 3.15 valores.Todos admitiram.

Os cursos de medicina não escaparam ao desfile de notas baixas. Ora, no curso de Enfermagem foi admitido um estudante com 6.40 valores, seguido de 3.50, no curso de administração e gestão em Saúde.  

O docente universitário Ilídio Madivadua não se espanta com as notas de admissão, por não ser um fenómeno novo e que reflete a realidade de muitas Universidades.

Munícipes de alguns bairros da Cidade de Maputo continuam a recorrer a locais impróprios para depositar os resíduos sólidos. Os mesmos justificam a criação de lixeiras informais pela deficiente recolha de lixo nos locais próprios, cujos contentores andam cheios.

Bem ao lado do Estádio Nacional do Zimpeto, maior infra-estrutura desportiva do país, surge uma lixeira. Imagens como estas, de quem procura por um lugar para depositar os resíduos sólidos já não são novidade por aqui. A maior parte do lixo depositado neste local é produzido no Mercado Grossista do Zimpeto e quem recorre a este local tem uma justificação.

“Os contentores estão cheios, estão bem cheios. Por isso, vale a pena eu vir colocar aqui. Venho depositar, porque lá demoram tirar. É uma luta para tirarem lixo, chegam a  ficar duas semanas sem tirar lixo, mas, todos os dias, as pessoas tiram dinheiro de lixo. Então, não é fácil” , queixou-se Lucas Pedro, munícipe.

Contra todos os riscos, há quem encontre neste local uma oportunidade para ganhar a vida, como é o caso do pequeno Shakil Francisco.“Estou a vir apanhar coisas, para ir vender lá, para conseguir comprar arroz e farinha, para alimentar os meus irmãos que estão lá em casa”, partilhou.  

O mau cheiro causado pelos resíduos sólidos não só afecta os que vivem nas imediações deste local, mas também quem por aqui passa. “Passar por aqui todos os dias tem sido um desafio, porque o lixo está sempre assim. Aqui há sempre moscas, como vocês podem ver. Na minha opinião, isso causa cólera, já que há crianças que passam por aqui e algumas não têm nenhum cuidado e nem sabem como se prevenir. Eu  gostaria que o município tirasse todo este lixo, porque não está a fazer boa coisa. Há vezes em que ocorrem queimadas, e todo o lixo vai para as casas”, disse Cleid Eugénio.  

O bairro de Chamanculo também entra nas estatísticas dos que possuem as chamadas lixeiras informais. Os munícipes dizem não entender a razão pela qual o município não consegue fazer a recolha do lixo. 

“Olha só que tivemos apoio do outro lado (…) ofereceu-nos camiões, para que pudéssemos fazer os devidos serviços da manutenção, organização da urbe, estas coisas todas”, afirmou Idelson Chongo, também munícipe.

Diante da situação, Chongo propõe soluções, para acabar com o problema. “Talvez eles, como instituição ou como conselho municipal, possam nos explicar o quê que não estão a conseguir fazer, para nós como comunidade podermos ajudar, porque esta situação nos deixa muito desgastados. Temos estabelecimentos, temos crianças, como é que vamos viver nessas coisas todas. Não é possível”, acrescentou

Sobre o assunto, “O País” contactou o vereador de Infra-estruturas e Salubridade, mas sem sucesso. Em Janeiro deste ano, o Conselho Municipal de Maputo prometeu acabar com as mais de 100 lixeiras informais espalhadas pela edilidade mas o problema persiste.

O município de Pemba  nao tem dinheiro para tapar a cratera que ameaça cortar a estrada N1, mas se compromete a encontrar uma solução para  minimizar o problema.

A dimensão da cratera, segundo o edil de Pemba,  Satar Abdulgani, exige uma obra de grande engenharia e muito  dinheiro que o município tem disponível.

Além de obras de tapamento da cratera, o município de Pemba vai precisar resgatar algumas famílias cujas casas correm o risco de desabar.

Apesar da falta de fundos, o município de Pemba compromete-se a lutar para evitar uma situação pior

Segundo avaliação do município, a cratera que ameaça destruir casas e cortar a estrada N1 tem cerca de quinhentos metros de comprimento, vinte de largura e trinta de profundidade.

Munícipes da cidade de Maputo queixam-se de capim alto e lixo nas praças públicas da capital  do país.  Dizem que os locais foram abandonados à própria sorte e pedem a manutenção,  para que voltem a ser atractivos. 

O capim é tão alto que até esconde a beleza das flores que deveriam enfeitar o local, na Praça da Juventude, da Cidade de Maputo. 

“Antigamente, a Praça da Juventude estava muito bem. Onde tem uma praça da juventude tem de ter relvas, flores e um sítio para os jovens sentarem-se”, disse Jaime Naquilitimane, munícipe.  

Cacos de vidro, lixo plástico, restos de comida são alguns dos resíduos sólidos espalhados pelo chão, que tornam o local menos atractivo. 

“A Praça da Juventude, hoje em dia, está está de qualquer maneira. Penso que se deveria arranjar uma equipa para organizar a nossa praça, para ficar bonita. Nós jovens já não ficamos à vontade, por causa do lixo. Já não está organizada como antes”, reclama Minésio Armando, também munícipe.    

Um lugar de lazer que os munícipes consideram ter sido abandonado, por quem deveria zelar pela limpeza. 

“Estamos a pedir que, pelo menos, tenha alguém que, semanalmente, cuide do nosso jardim”, apelou António Matusse. 

Minésio Armando lembra que já houve uma equipa que fazia a limpeza da praça diariamente e especula: “Acho que há problemas sérios de pagamento, não sei dizer”. 

Pelas condições, os utentes afirmam que de Juventude, o local tem apenas o nome e apelam para o reforço da limpeza. “Nós jovens fomos enganados. Este lugar não parece Praça da Juventude . Até podemos sair deste lugar com malária, porque os mosquitos escondem-se por aqui. A Praça da Juventude deve ser um lugar limpo”, reclamou Samuel Vilanculo. 

A requalificação da praça da Juventude  custou cerca de 18 milhões de meticais e foi inaugurada em 2023. 

A Praça dos Trabalhadores é outro local recém-requalificado, mas que foi tomado pelo capim alto e lixo. Por lá, o cheiro nauseabundo não passa despercebido. 

“Em primeiro lugar, devia manter-se o lugar limpo, porque isso atrai as pessoas para lugares públicos. Quando uma praça está suja, já não atrai ninguém. Esta, por exemplo [Praça dos Trabalhadores] cheira mal e é difícil chegar perto, mas além desta há várias outras  que não estão em boas condições para serem visitadas”, disse Milton Messias.  

A Praça 21 de Outubro, na zona do Alto-Maé, até se tornou espaço de moradia para algumas pessoas. 

Sobre o assunto, o “O País” contactou o município de Maputo, mas as chamadas não foram atendidas.

O Ministério da Economia irá remover a protecção feita na indústria de produção do cimento em Moçambique, em 20%, para permitir maior competitividade e redução do preço, segundo escreve a AIM.

A protecção em vigor era para alguns investimentos avultados que ocorreram no país nos últimos anos, designadamente a Dugongo como única produtora de matéria-prima, numa altura em que o país só tinha quatro unidades fabris com capacidade de 400 mil toneladas.

Agora, o sector conta com perto de dez unidades fabris e uma capacidade de 16 milhões de toneladas.

O executivo entende que os investimentos estão na sua fase final de consolidação, sobretudo, na zona sul, e estuda a necessidade de abrir o mercado para que a competitividade gere a qualidade e redução dos preços do cimento, segundo confirmado pelo director nacional da Indústria, Sidónio dos Santos, em entrevista à Agência de Informação de Moçambique (AIM).

“Era preciso que os investimentos ocorressem num ambiente de protecção e, neste momento, temos a Dugongo como única que produz matéria-prima. E sabíamos que, quando protegéssemos, haveria carteis ou monopólios. Acreditamos que no dia em que retirarmos a protecção, aí vamos perceber melhor a dinâmica dos custos, porque vão entrar no mercado outros tipos de players”, disse o director nacional da Indústria.

Dos Santos reconhece que a protecção feita a Dugongo matou a concorrência, e a única forma de perceber o estágio do mercado é voltar a abrir a indústria, numa altura que a nível regional estão a correr investimentos acima de 100 milhões de dólares para aumentar a produção.

Confirmou ainda que, na zona norte, na província de Nampula, há um investimento que se encontra na sua fase experimental e que poderá suprir a procura naquela zona , um cenário que também ocorre na zona centro de Moçambique.

“Protegemos a indústria do cimento para que houvesse investimentos e esses investimentos estão a acontecer. Agora, vamos tomar outras medidas e a redução do preço do cimento terá que acontecer”, assegurou.

O governo está, igualmente, a debater a questão das empresas que são produtoras de cimento e de matéria-prima, em simultâneo, para acautelar que não haja conflito, uma vez que outras unidades fabris precisam de adquirir a matéria-prima, a nível local, para a produção e distribuição.

De acordo com a fonte, o Governo está a investigar uma alegada venda do cimento nacional “Dugongo” na Vizinha Africa do Sul a um preço baixo, comparativamente aos preços praticados no país.

“Deixem-nos trabalhar para apurar a situação. Estamos a investigar. A Dugongo começou a funcionar nesse mercado, colocou preços competitivos, houve um abaixo-assinado e algumas empresas fecharam por causa do impacto da Dugongo”, vincou.

Refira-se que o mercado do cimento em Moçambique atravessa um período tenebroso depois que o ex-candidato presidencial derrotado nas eleições presidenciais de 09 de Outubro passado, Venâncio Mondlane, no quadro do seu aludido governo paralelo, decretou que o preço do cimento deveria ser fixado abaixo de 350 meticais.

A decisão considerada populista está a criar confusão tanto nos produtores como nos revendedores que são forçados a vender a um preço abaixo da aquisição.

Face a isso, o governo já prometeu analisar a estrutura do preço do cimento para encontrar saídas airosas na indústria.

 

Catorze professores, no distrito de Vilankulo, província de Inhambane, enfrentam um drama humano e profissional, após serem suspensos das suas funções, por falta do visto do Tribunal Administrativo (TA). Depois de oito meses de trabalho, sem qualquer remuneração, os docentes, que depositaram plena confiança no Estado, agora estão sem emprego, sem salário e com dívidas acumuladas.

Os professores, que foram admitidos através de um concurso público em 2023 e começaram a trabalhar em Junho de 2024, dizem sentir-se abandonados e traídos pelo sistema. Por medo de represálias, preferem falar sob anonimato.

“Fomos chamados para começar a trabalhar com a promessa de que o processo administrativo estava em curso e que tudo seria regularizado rapidamente. Acreditámos no Estado, demos o nosso melhor nas salas de aula, e agora somos descartados como se nunca tivéssemos existido”, lamenta uma das docentes.

Outro professor, visivelmente desolado, partilha a sua angústia: “Como é possível que o mesmo Estado que nos colocou a trabalhar nos vire as costas? Ensinei crianças com dedicação, suprindo a falta de materiais, enfrentando longas distâncias para chegar às escolas, e agora estou no olho da rua. É revoltante.”

A confiança no sistema levou muitos destes professores a reorganizar as suas vidas com base na expectativa de um salário que nunca chegou. Sem alternativas de rendimento, começaram a contrair dívidas para suprir necessidades básicas como alimentação, alojamento e até roupas para se apresentarem dignamente nas escolas.

“Acreditei que, depois de tanto tempo desempregada, esta era a oportunidade de finalmente sustentar a minha família. Pedi dinheiro emprestado a amigos e familiares, para comprar alimentos e pagar a renda, pensando que tudo seria compensado com o salário. Agora, estou sem trabalho e com dívidas que não consigo pagar”, desabafa outra professora.

Um terceiro docente acrescenta: “O que mais doi é ver os credores a baterem à porta. Eu não sou uma pessoa de má-fé, sempre paguei as minhas contas, mas como faço isso agora sem salário? As noites são de angústia, e não vejo uma solução à vista”.

Este duplo desafio – a falta de emprego e as dívidas acumuladas – está a afectar não só a estabilidade financeira dos professores, mas também a sua saúde mental. “Estamos a ser esmagados por este peso. É uma situação desumana e insustentável”, diz um dos entrevistados.

Florêncio Vilanculos, director do Serviço Distrital de Educação e Tecnologias de Vilankulo, reconhece a gravidade do problema, mas justifica a situação com a necessidade premente de novos professores, para atender à elevada demanda nas salas de aula. Segundo ele, a decisão de iniciar as funções antes da emissão do visto do TA foi tomada para evitar o colapso no ensino público.

“As escolas estavam a enfrentar uma escassez de professores. Não podíamos deixar as crianças sem aulas. Esta foi uma decisão de emergência, mas compreendemos que o impacto na vida destes docentes é sério e estamos a trabalhar para resolver a situação junto ao Tribunal Administrativo”, explicou Vilanculos.

Em Moçambique, a contratação de funcionários públicos depende da aprovação do Tribunal Administrativo, que emite um visto a confirmar a conformidade legal do processo. Sem este visto, os contratos não têm validade, o que impede o pagamento de salários. Embora a lei permita excepções em casos de “urgente conveniência de serviço”, a sua aplicação não foi suficiente para evitar a actual situação.

A falta de celeridade no processamento do visto é um problema recorrente em várias províncias do país. Contudo, em Vilankulo, a decisão de suspender os professores foi particularmente devastadora.

Os professores de Vilankulo não escondem a indignação ao compararem a sua situação com a de colegas de outros distritos. “Há professores em condições semelhantes, a trabalhar noutros pontos. Por que razão só nós fomos suspensos? Isso é injustiça pura”, critica um dos docentes.

Outro acrescenta: “Sentimo-nos invisíveis. Parece que ninguém se importa com o que estamos a passar. Será que a nossa dedicação à educação das crianças não vale nada?”

Florêncio Vilanculos garante que estão a ser feitos esforços para resolver o problema junto ao Tribunal Administrativo, mas não avançou prazos para a conclusão do processo. “Estamos a pressionar as autoridades competentes, para acelerar a emissão do visto. Estes professores são uma peça fundamental no nosso sistema de ensino, e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance, para regularizar a situação”, afirmou.

Este caso expõe não só as fragilidades do sistema administrativo em Moçambique, mas também o impacto humano das decisões burocráticas. Enquanto se aguarda uma solução, os professores de Vilankulo continuam a viver entre a incerteza e a esperança, carregando o peso de um sistema que, por vezes, parece falhar os seus pilares fundamentais.

A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, solidarizou-se e reforçou o apoio às vítimas do ciclone Jude, no distrito de Nacala, província de Nampula, norte de Moçambique, região recentemente assolada pelo fenómeno.

Gueta Chapo encontra-se de visita de trabalho de dois dias à província de Nampula, desde ontem, com o objectivo de prestar solidariedade e reforçar assistência às comunidades afectadas pelo ciclone Jude.

O ponto de partida foi o distrito de Nacala, onde participou do Iftar com as Halifas (mulheres líderes religiosas), uma refeição que marcou o fim do jejum diário durante o mês sagrado do Ramadan, e procedeu à entrega de donativos às famílias necessitadas.

“Estamos aqui, na província de Nampula, para trabalhar. Como todos já sabem, a província de Nampula foi assolada pelo ciclone Jude, não só Nampula, mas também Cabo Delgado, Niassa e Zambézia, e desta vez começamos pela província de Nampula”, declarou a Primeira-Dama, citada pela Agência de Informação de Moçambique.

Em declarações à imprensa, a esposa do Presidente da República destacou que, além da entrega de apoio material, a sua deslocação também tem em vista a promoção de um diálogo directo com as comunidades, especialmente com as mulheres, pois reconhece que em situações de desastres naturais e conflitos, os grupos mais vulneráveis são as mulheres e crianças.

“Quando ocorre um ciclone, quando acontecem guerras, quando acontecem conflitos, quem sofre mais são as mulheres e as crianças”, frisou.

Destacou que o seu Gabinete está empenhado na mobilização de recursos e no fortalecimento da articulação com parceiros para garantir uma resposta rápida e eficiente.

A Primeira-Dama reforçou a necessidade de se garantir oportunidades justas para as mulheres e raparigas no país, e encorajou as mulheres a unirem-se na luta contra as desigualdades e construção de uma sociedade mais justa e equitativa.

O Programa Alimentar Mundial da ONU alertou que cerca de 57 mil crianças poderão ficar sem alimentação escolar no presente ano lectivo na província de Nampula, norte de Moçambique, por falta de financiamento.

“Esta lacuna de financiamento está […] a afectar o programa de alimentação escolar em Nampula. Os recursos atuais não permitem a sua continuidade ao longo de 2025″, lê-se num relatório do PAM, citado pelo Notícias ao Minuto.

Segundo a agência das Nações Unidas, o défice ameaça ainda a continuidade do Programa de Alimentação Escolar (Pronae), de combate à insegurança alimentar e nutricional entre as crianças em idade escolar em Moçambique.

O Governo da Noruega desembolsou em Julho do ano passado 3,3 milhões de euros ao PAM, para o reforço dos sistemas alimentares adaptados às mudanças climáticas e a expansão dos programas de alimentação escolar no sul de Moçambique.

Com o financiamento, cerca de 500 pequenos agricultores diversificaram a produção agrícola e 17 mil crianças do ensino primário tiveram maior acesso a refeições nutritivas para melhorar a assiduidade escolar.

O antigo presidente da República, Joaquim Chissano, diz que é importante Moçambique estar ligado à francofonia porque é ponte entre os países africanos da região austral falantes do francês e do inglês. Chissano, que falava numa mesa redonda alusiva ao mês da francofonia, diz que a decisão do país de ser membro pleno da organização dos países francófonos é da responsabilidade do governo.

Dinâmica da Francofonia em Moçambique: política, economia e cultura, foi o tema de uma mesa redonda organizada pelo Centro Cultural Franco-Moçambicano, no âmbito das celebrações do mês da francofonia. Joaquim Chissano, antigo presidente da República, foi um dos painelistas que abordou a cooperação entre Moçambique e os países francófonos da região, do continente e do mundo.

“Neste diálogo, vemos que a francofonia passou de ser apenas o grupo daqueles que falam francês para ser o grupo daqueles que, em francês, cooperam para o desenvolvimento harmonioso do mundo. Como é baseado nos objectivos para os próximos 30 e tal anos, incluindo as condições do clima e depois a cooperação para a educação em todos os países, para os progressos da tecnologia actual, deixou de ser, portanto, a questão de orgulho de muita gente falar francês. Mas é trazer algo que traga benefício a todas as nações”, começou por dizer Joaquim Chissano.

Neste trazer benefícios a todas nações, Moçambique, que é membro observador da Organização Internacional da Francofonia, aparece como a ponte entre os países francófonos e anglófonos da região, por isso elegível para ser membro de pleno direito.

“Este grande papel de ser a charneira entre os países francófonos que estão no Oceano Índico, que são separados dos outros francófonos africanos, que estão lá longe, no Ocidente, e aqui no meio temos os anglófonos de Tanzânia, África do Sul, Zimbabwe, Malawi, Quênia e Namíbia, Moçambique tem estado a fazer muito bem”, garante Joaquim Chissano, destacando as dificuldades em chegar a esses países.

Aliás, Chissano lembrou que já houve acordos na área de transporte aéreo, onde “tínhamos também umas ligações aéreas aqui com UTA e com Airfrance e era muito útil”. Por isso, Joaquim Chissano recomenda que “é preciso pensar como revitalizar essas comunicações, porque para visitar países francófonos, às vezes, temos de dar muitas voltas”.

Apesar da cooperação que Moçambique tem com os países francófonos, quer da região e do continente, bem como de outros continentes, nas várias áreas, a decisão de ser membro integral só depende do governo, segundo defende Joaquim Chissano.

Socorrendo-se do pronunciamento do embaixador do Congo durante a Mesa Redonda, que citava o Presidente da República, Daniel Chapo, como estando interessado em fazer parte da Organização Internacional da Francofonia, Joaquim Chissano diz que prefere deixar que seja o governo a dar avanços nessa pretensão.

“Porque no caso da Commonwealth, Moçambique não pediu para ser membro da Commonwealth, foi convidado por causa da actividade que estávamos a desenvolver, que era do interesse de todos os membros da Commonwealth”, esclareceu Chissano dando como exemplo o apoio que o país dava à luta de libertação do Zimbabwe e a luta contra o apartheid. 

“Isto foi apreciado por muitos países da Commonwealth e fomos convidados a ser membros da Commonwealth. Assim também a francofonia pode ver a utilidade de Moçambique”, esclareceu. 

O antigo estadista revelou ainda que já houve sugestão para integrar Moçambique na organização francófona, até porque serve de ponte entre os países francófonos do Oceano Índico e os países anglófonos, que são vizinhos. “E nós falamos mais ou menos as duas línguas, inglês e francês, através do português. De maneira que já começamos a desempenhar o nosso papel. Se eles acharem que devemos ser membros da parte inteira, estamos maduros para isso, certamente que vão convidar. Mas eu deixo isso para o governo tratar do assunto”, concluiu Joaquim Chissano.

Os outros painelistas da Mesa Redonda, nomeadamente Constant-Serge Bounda, embaixador do Congo e presidente dos Embaixadores dos países francófonos radicados em Moçambique, Beatriz Ferreira, directora do Instituto do Coração, e Crystelle Coury, da Embaixada da França, abordaram a cooperação entre Moçambique e os países francófonos em várias áreas, com destaque para educação, saúde, transportes, investimentos económicos e cultura.

Participaram da mesa redonda embaixadores de vários países francófonos radicados em Moçambique, académicos e estudantes.

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