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O País – A verdade como notícia

Elefantes e leões atacam e geram pânico em Chigubo e Mapai, no norte da província de Gaza. Além de 25 mil pessoas em risco de fome, na sequência de 7 mil hectares devastados por paquidermes, há registo de cerca 180 cabeças de gado devoradas no traçado dos parques de Banhine, Limpopo e Zinave. 

Os líderes comunitários descrevem um ambiente tenso nos últimos três meses. António Chaúque, diz que o movimento dos paquidermes fez soar um alarme em Mangaze e por conta disso, centenas de famílias fugiram das suas residências.

Moçambique, África do Sul e Eswatini procuram fortalecer as estratégias de cooperação regional para a promoção e consolidação da imagem da África Austral.  Os três países se juntaram, nesta segunda-feira, em uma conferência de negócios para discutirem os melhores caminhos para tornar a região como um destino turístico a nível internacional.

Moçambique, África do Sul e Eswatini têm sido um destino turístico preferido no contexto internacional. E é pensando no fortalecimento do turismo, que o Instituto Nacional do Turismo juntou os três países para se procurarem as melhores saídas para os vários desafios. 

O Instituto Nacional do Turismo considera que os desafios no turismo são comuns, como é o caso da simplificação da travessia nas fronteiras, comercialização da oferta comum, assim como garantir que as comunidades das três regiões se beneficiem do crescimento do turismo.  Um dos desafios essenciais prende-se também na protecção do património natural e cultural partilhado. 

O sector privado esteve representado no evento, como um dos braços fortes do Governo na promoção do turismo. O Instituto Nacional do Turismo entende que os Governos podem criar os ambientes favoráveis, mas que o verdadeiro turismo é feito pelo sector privado. 

“Enquanto Governo o nosso papel é incentivar, fomentar, promover e com o vosso apoio criarmos os instrumentos necessários para a vossa actuação e da vossa actuação, naturalmente, vai resultar nos benefícios colectivos no que respeita à criação de emprego, geração de renda e de riqueza”.

Moçambique aproveitou a presença da África do Sul e Eswatini para promover as potencialidades turísticas do país. O encontro enquadra-se no projecto Triland, que visa consolidar a imagem da África Austral através de várias iniciativas.

Há empresários que não conseguem importar a matéria-prima devido à escassez de moeda estrangeira no mercado financeiro nacional. Caso o problema perdure, o sector privado prevê o encerramento de algumas indústrias.

Começa a soar o alarme vindo do sector privado, dando conta dos possíveis impactos causados pela falta da moeda estrangeira no mercado financeiro nacional, sobretudo o dólar, explicou Vítor Miguel, Presidente da Associação Moçambicana dos Panificadores.

A escassez de divisas não afecta apenas o sector de panificação, conforme explicou o Director-executivo da CTA, Eduardo Sengo, que diz que o problema é bem mais antigo, de total conhecimento do Banco Central e que, inclusive, já houve propostas para melhorias.

Mas o Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, nega haver falta de liquidez.

Sengo apela ao Banco Central a ser mais realista e a procurar soluções.

Durante uma visita à província de Nampula, na semana finda, os empresários disseram ao Presidente da República que enfrentavam falta de divisas. Daniel Chapo prometeu buscar soluções.

A CTA avançou ainda que caso a situação se mantenha, muitas indústrias poderão fechar as portas.

 

 

Os profissionais de saúde suspenderam a greve que tinha sido anunciada para hoje e abriram espaço para um diálogo com o Governo, que solicitou um encontro para a próxima quinta-feira. No entanto, alertam que a greve pode retomar caso as suas preocupações não sejam satisfeitas. 

A greve dos profissionais de saúde foi cancelada duas semanas depois da sua convocação, em resposta à solicitação do Governo para o diálogo. Entre as preocupações que serão levadas à mesa, constam o pagamento das horas extras e melhor enquadramento.

“Nós viemos, hoje, anunciar a desvinculação com a greve que foi anunciada para o dia 31 de Março de 2025 (…) a desvinculação tem como objectivo dar espaço ao diálogo, uma vez que o Governo nos endereçou um convite datado para dia 03 de Abril de 2025. Neste contexto, os profissionais de saúde primam pelo diálogo como uma solução possível é uma promoção do bom entendimento para o povo moçambicano”, disse Anselmo Muchave, presidente da Associação dos Profissionais de Saúde.  

Os profissionais de saúde exigem acções enérgicas da parte do Governo, sobretudo para aquilo que consideram assuntos pontuais. 

“Nós esperamos ouvir o que o Governo traz para o povo moçambicano e para os profissionais de saúde em concreto (…) Nós queremos algo de concreto, que o Governo nos diga até quando vamos legalizar o problema da alimentação nas unidades sanitárias, até quando vamos organizar o problema de falta de medicamentos nas unidades sanitárias”, acrescentou Muchave. 

Em caso de fracasso no diálogo, os profissionais de saúde ameaçam retomar com a greve

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique denuncia também perseguição aos seus membros. 

Os transportadores de passageiros, que circulam pela Estrada Nacional Número Seis, que liga Beira e Machipanda, em Chimoio, província de Manica, paralisaram, esta segunda-feira, as suas actividades, em contestação a existência de muitos postos de fiscalização da Polícia de Trânsito, o que, sob seu ponto de vista, resulta em prejuízos.

Vários carros de transporte de passageiros estão estacionados e os passageiros abandonados à própria sorte. Os condutores reclamam da existência de muitos postos de fiscalização, ao longo das suas rotas. 

“As pessoas estão a fazer greve por causa dos postos de controlo. Os postos de controlo, antigamente, eram normais, havia dois postos aqui, estou a falar dessa via que vai a Machipanda. Agora, há alguns dias atrás, estenderam-se os postos. Está cheio de postos de fiscalização, por isso que as pessoas estão a fazer a manifestação”, disse um motorista de transporte de passageiros, que também aderiu à greve.

Outro transportador afirmou que os outros postos foram instalados devido ao acidente em Gondola, que, segundo a fonte, terá sido causado por um agente regulador do trânsito. “Então, este acréscimo de postos vem lesar a nós, quando saímos daqui para Manica são 2500 (…) o que  nós estamos a pedir é que removam os três postos que colocaram a mais”, reclamou

A Polícia da República de Moçambique (PRM) diz que teve conhecimento da paralisação e explica que a instalação dos postos de fiscalização é uma medida que vem do Comando-Geral. “A Polícia vai intensificar as suas fiscalizações, em torno dos acidentes que vem ocorrendo ultimamente. Tivemos um caso de registo que ocorreu na semana passada (…) Esta situação acabou remetendo a um trabalho mais exaustivo de fiscalização”, disse o porta-voz da Polícia, acrescentando que nem todos os postos ao longo da via são de fiscalização. 

O Presidente da República,  Daniel Chapo, empossa, hoje, Vice-Procuradora-Geral da  República, Irene da Oração Afonso Micas e Uthui, e os  Procuradores-Gerais Adjuntos, Mário Ernesto Sevene, Firmino  Emílio e Eduardo Leovigildo André Barros Sumana. 

As referidas entidades foram nomeadas pelo Chefe de Estado,  através de Despachos Presidenciais, sendo que os três  Procuradores-Gerais Adjuntos foram designados sob proposta do  Conselho Superior da Magistratura do Ministério Público.

Moradores de São Dâmaso e Machava Bunhiça, na Matola, estão preocupados com estragos que estão a ser causados pela erosão. Há vias de acesso intransitáveis e vedações destruídas.

Um lugar destinado a passagem de pessoas e viaturas, mas que foi tomado por buracos e que deram lugar ao capim alto. Esta é a realidade do quarteirão 50, no bairro São Dâmaso e da zona da escola básica de Bunhiça, no município da Matola.  A erosão tomou conta do lugar e os moradores dizem-se preocupados com a situação. 

“Vivemos diante de várias dificuldades. Esta erosão começou depois das chuvas de 2023. Na altura passavam carros por aqui, mas agora não e até os alunos têm dificuldades de ir à escola”, disse Inácio Walter, um dos residentes do bairro São Dâmaso.

Na Escola Básica de Machava Bunhiça, por exemplo, uma parte da vedação caiu aos pedaços, enquanto a outra apresenta sinais de que poderá não resistir, nas próximas chuvas. A cantina da escola também se encontra abaixo.  Na rua, há cabos associados a corrente também deitados abaixo e que  constituem  outra preocupação. 

Os Moradores dizem que esta situação que se agrava com o tempo é do conhecimento das autoridades, por isso pedem soluções. 

“ As nossas casas estão mal. estamos a pedir ajuda para que melhore a situação do nosso bairro”, apelou Celeste Afonso.

Sobre o assunto, o município da Matola prometeu dar algum pronunciamento, oportunamente. 

O ministro da Saúde foi protagonista de uma história que reforça o juramento dos médicos de salvar vidas. Ussene Isse entrou no bloco operatório no Hospital Central de Nampula e dirigiu uma operação de remoção de um tumor. O governante diz que muitos pacientes não foram operados por falta de vontade e decisão, mas não disse de quem.

A equipa prepara-se para mais uma cirurgia no bloco operatório do Hospital Central de Nampula. A paciente é uma mulher de 32 anos que, desde 2019, convive com um tumor benigno no pescoço, conhecido por bócio.

Antes de lhe ser aplicada a anestesia geral, momentos antes do início da cirurgia, Deolinda Carlos dá uma curta entrevista. “Quando iniciou era uma coisa pequena e foi crescendo até esta fase”.

A cirurgia foi realizada, na sexta-feira, 28 de Março, dia do médico moçambicano e o caso inspirava alguns cuidados. “Temos uma paciente com uma patologia complexa  que é um tumor no pescoço que nós, no termo médico, chamamos de bócio”, introduz Hermenegildo Mulenga, um dos cirurgiões parte da equipa.

No âmbito da visita presidencial, o ministro da Saúde fazia parte da comitiva, só que naquele dia, Ussene Isse deixou o Presidente para fazer o que mais sabe fazer: dirigir a cirurgia.

Ussene Isse é médico cirurgião há 28 anos e é professor de Cirurgia. Alguns dos que estiveram na operação de 28 de Março, aprenderam com ele, por isso, durante o procedimento, era tratado por professor. 

Mais do que um acto simbólico, a sua presença era necessária dada a complexidade da área onde se localizava o tumor. “Este tumor estava a comprimir a traqueia e o esófago, que é o tubo que permite a passagem da comida da boca para o estômago. Então, há riscos, porque ao manipular o tumor a nível do pescoço há riscos de lesionar a traqueia, que é o órgão que permite a passagem do ar para os pulmões, pelo que o doente pode ter um problema respiratório. Dois, passa um nervo muito importante naquela zona, que é o nervo que dá a voz, então, uma das complicações desta operação é seccionarmos o nervo e se seccionarmos o nervo há duas coisas que podem acontecer: uma é a pessoa perder a voz por completo e ter que levar um tubo no pescoço, para poder respirar, porque perde a respiração, não consegue respirar, pois este nervo fecha e abre as cordas vocais”, esclarece Ussene Isse.     

Mas com o olhar atento de toda equipa, a cirurgia correu bem, tendo sido removido o tumor com cerca de meio quilo. A paciente evolui bem no pós-operatória, só que mais do que celebrar o sucesso de uma cirurgia, procuramos saber os motivos por que os doentes em Moçambique esperam anos por uma cirurgia. 

“Sentei com os meus colegas e coloquei o assunto na mesa e perguntei qual era a dificuldade que tínhamos no país para fazermos estas cirurgias e os colegas disseram ‘senhor ministro, não falta nada. É só vontade e decisão’. E nos mobilizamos a todos os níveis, em todo o país e quero mais uma vez agradecer os meus colegas, os meus herois porque tínhamos colocado uma meta de 500 cirurgias nos 100 dias mas já estamos quase a atingir 1000”.

Mais do que vitórias dos primeiros 100 dias de governação, como é que o sector da Saúde se estrutura para evitar a continuação de longos anos de espera por uma cirurgia? A resposta foi categórica: esta actividade veio para ficar. 

E enquanto puder, assegura, o ministro cirurgião, vai dirigir algumas dessas operações. “Sabe que é minha paixão ser cirurgião. Gosto de operar. Apesar de estar a ocupar este cargo político continuarei a dar o meu apoio, sempre que for possível, onde estiver. Já fiz em Cabo Delgado; fiz no Niassa e agora aqui em Nampula. Parece que o assunto de entrar no hospital me persegue”.

E lhe persegue também o fantasma das greves dos profissionais. Sobre o assunto, o ministro assegurou que há diálogo para evitar essas greves que como resumiu, são fatais, na Saúde.

O perigo está à espreita. Famílias que residem num prédio de 14 andares, localizado no centro da cidade da Beira, oficialmente denominado “edifício 056”, mais conhecido por “prédio da televisão”, correm risco de vida diariamente, por conta de fissuras em várias paredes. 

As fissuras têm estado a  provocar a filtração de água, que entra em contacto com os fios que transportam a corrente elétrica. Os problemas, segundo apurou o “O País”,  começaram a surgir há seis anos, ou seja, logo após a passagem do ciclone Idai.No edifício, segundo os moradores, a água não jorra nas torneiras e o fornecimento da corrente elétrica é deficiente por conta dos fios obsoletos.

No entanto, os problemas não ficam por aí. Os elevadores não funcionam há vários anos.Os moradores falaram ao nosso jornal na condição de anonimato, contando, ainda, que vários tipos de utensílios domésticos são usados quando chove, na Beira, para cartar água, que jorra pelo teto. 

As águas, vezes sem conta, molham o chão e as mobílias, criando um mofo em todas as flechas. Os moradores alegam que já contataram, várias vezes, o proprietário do edifício, neste caso, a Empresa Moçambicana de Seguros (EMOSE), através de cartas, para sanar os problemas que o  edifício apresenta, mas sem respostas satisfatórias. A renda mensal é de 10 mil Meticais, uma taxa que, segundo os moradores, sofre aumentos constantes, facto que dizem não fazer sentido tendo em conta as condições do edifício.

Como não houve nenhuma intervenção no edifício, os moradores tomaram a iniciativa de reabilitá-lo com fundos próprios. 

“Estamos, agora, aqui, no meio da sala, onde decidimos dar início a uma obra, para tentar melhorar a condição da casa, mas pelos problemas de infiltração e muitas outras coisas que vêm acontecendo no prédio, tivemos que interromper as obras, porque ficamos incapacitados de continuar devido às condições em que nos encontramos”, lamentou um dos moradores. 

Adiante, os moradores disseram que, “conforme podemos ver, passamos por uma sequência de chuvas e, para nós que vivemos nos últimos andares do prédio, estamos a vivenciar essa situação de infiltração, onde as condições em que nos encontramos hoje são literalmente impossibilitadas de ter pessoas a residir neste edifício”.  

Os moradores acrescentam que “nós enfrentamos problemas de  água por tudo quanto é lado da casa”, sendo que  a mesma “vem, literalmente, do tecto”.

A EMOSE  diz ter conhecimento do problema. O diretor da instituição afirmou, em entrevista ao “O País”,  que todo o tecto do edifício foi destruído pelo ciclone Idai, e que houve uma intervenção na cobertura meses depois. Entretanto, a cobertura ou o trabalho feito não foi  de qualidade, sendo que de lá para cá já está a criar problemas.

“Os problemas que o edifício está a apresentar tem muito a ver com infiltrações na altura da chuva”, disse. 

De acordo com a EMOSE, a estrutura do edifício está a contribuir para a demora no arranque das obras. “Andamos com dificuldade, dada a altura do prédio. Não temos o equipamento necessário. Não temos como levantar a madeira lá para cima, então é tudo uma questão de custos”.

O proprietário do edifício garante que a intervenção do mesmo será ainda este ano.

“No último encontro que nós tivemos com o empreiteiro que podia fazer o trabalho, ele disse que só poderia executar o trabalho depois da passagem da época chuvosa. Existe a possibilidade dos moradores do último andar terem de abandonar temporariamente este prédio. Nós já conversamos com os inquilinos, quem tiver uma casa livre, quem puder abandonar por um período o imóvel, vai ajudar.  Nós podemos fazer uma intervenção, para evitar que o façamos em casas onde tem pessoas. Entretanto, é difícil arranjar um ponto provisório para os inquilinos. Nós não temos condições para isso”, sublinhou.

“O que nós aconselhamos aos inquilinos é que arranjem um espaço provisório enquanto se fazem as obras. E estamos abertos para ouvir opiniões dos moradores.”, assegurou.

Enquanto as obras não arrancam, as 112 famílias, que vivem no edifício, cerca de 600 pessoas, continuarão a correr risco de vida sempre que chove.

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