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O País – A verdade como notícia

O Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) está a disponibilizar novas variedades de sementes certificadas de arroz, desenvolvidas para aumentar a produtividade e reforçar a resiliência dos produtores face aos impactos das mudanças climáticas.

O destaque vai para a variedade Macassane, já disponível no mercado através do instituto, com distribuição prevista para os perímetros irrigados das províncias da Zambézia e Sofala. A semente será comercializada ao preço de 200 meticais por quilograma, destinada sobretudo à produção de semente certificada.

Segundo o IIAM, a introdução destas variedades pretende impulsionar a produção de arroz nos sistemas de irrigação, num contexto em que muitos produtores ainda registam baixos níveis de produtividade.

Actualmente, a produção média ronda as duas toneladas por hectare, mas com o uso de sementes melhoradas, irrigação adequada e mecanização agrícola, espera-se um aumento significativo dos rendimentos.

“São 200 meticais ao quilo de semente básica, que deve ser adquirida por produtores que vão produzir semente certificada e não grão”, explicou Hermínio Abade, gestor do centro de pesquisa de arroz.

O responsável acrescentou que o projecto integra um consórcio financiado pela organização Agra, e prevê a instalação de áreas de produção nos perímetros irrigados das duas províncias, com o objectivo de assegurar o abastecimento de sementes melhoradas para futuras campanhas agrícolas.

A nova variedade Macassane foi desenvolvida para responder aos desafios impostos pelas alterações climáticas, especialmente a irregularidade das chuvas e os períodos de seca que têm afectado a produção agrícola no País.

O IIAM destaca que a resistência climática da semente poderá garantir maior estabilidade produtiva e reduzir perdas agrícolas, contribuindo para a segurança alimentar.

“Ora chove, ora não chove, e isso muda a agricultura”, explicou a produtora Helena Terra, sublinhando os impactos directos das mudanças climáticas no sector.

A Agência do Zambeze, envolvida na cadeia de produção e distribuição, explica que o modelo prevê a multiplicação da semente certificada e a sua utilização no fomento de pequenos produtores, com vista ao aumento da produção de arroz no País.

“A semente certificada é alocada e parte dela é usada para produção de grão através do fomento aos pequenos produtores”, afirmou Eduardo Mucavel, representante da instituição.

Apesar do entusiasmo com a introdução das novas variedades, os camponeses alertam para a necessidade de garantir mercados de escoamento capazes de absorver o eventual aumento da produção, de forma a assegurar sustentabilidade económica para os produtores.

A iniciativa do IIAM é vista como um passo importante na modernização da agricultura moçambicana, num contexto em que a aposta em sementes melhoradas e tecnologias agrícolas surge como factor-chave para o aumento da produtividade e da segurança alimentar no País.

O Secretário Permanente do distrito de Xai-Xai, Artur Sitoe, acusou os professores em greve de estarem a ser instrumentalizados por agendas políticas e anunciou medidas administrativas contra os docentes que aderiram à paralisação, incluindo a marcação de faltas e possíveis sanções disciplinares.

O posicionamento do governo distrital surge no contexto de uma greve que já afecta várias escolas do distrito, deixando centenas de alunos sem aulas e aumentando a tensão entre a classe docente e a tutela.

Segundo Artur Sitoe, a paralisação ultrapassa questões laborais e estaria a ser influenciada por interesses externos, apelando aos professores para não se deixarem “manipular”.

“Quem não estiver no local de trabalho nós vamos marcar falta. Temos informação de que há quem esteja a usar esta situação para fins políticos”, afirmou o responsável, acrescentando que existem “evidências” do alegado enquadramento político da greve.

O secretário permanente defendeu ainda que a actividade política não deve ser levada para o ambiente escolar, sublinhando que os professores devem concentrar-se no ensino e na estabilidade do processo educativo.

Em resposta, os professores rejeitam as acusações de motivação política e garantem que a paralisação continuará enquanto não forem resolvidas as suas reivindicações, sobretudo relacionadas com pagamentos em atraso e outras preocupações laborais.

Um representante da classe docente afirmou que os professores apenas exigem respostas concretas das autoridades competentes.

“Não conheço nenhuma agenda política. Somos apenas professores. Queremos soluções para as questões que já apresentámos”, declarou.

Os docentes alegam ainda estar a ser alvo de perseguição e contestam as medidas anunciadas pelo governo distrital, mantendo a posição de que a greve só terminará com a resolução efectiva dos problemas apresentados.

O impasse começa a ter impacto directo no funcionamento das escolas, com estudantes a manifestarem preocupação com o atraso na leccionação e a proximidade das avaliações.

Um dos alunos afectado alertou para o risco de prejuízo académico caso a situação se prolongue.

“Os professores não estão a vir às aulas e depois nos testes podem cobrar matéria que não foi dada”, disse.

A situação em Xai-Xai reflecte um clima de tensão crescente entre professores e autoridades locais, com discursos cada vez mais endurecidos de ambas as partes. Enquanto a administração distrital reforça a intenção de aplicar medidas disciplinares, os docentes mantêm a pressão através da continuidade da greve.

Com várias escolas parcialmente paralisadas, o conflito permanece sem sinais de resolução imediata, deixando milhares de alunos no centro de um impasse que continua a agravar-se.

Primeira-Dama Gueta Chapo anuncia expansão da parceria que já concedeu 34 bolsas de especialização e reforça aposta na formação de profissionais de saúde, educação de raparigas e combate ao estigma da infertilidade

O reforço da capacidade do sistema nacional de saúde, a formação de médicos especialistas, a educação de raparigas em situação de vulnerabilidade e a transformação de mentalidades através da comunicação social voltaram a colocar Moçambique no centro das prioridades da Fundação Merck durante a 13.ª edição da Conferência Luminary África-Ásia 2026, um dos maiores fóruns internacionais dedicados à saúde, educação e desenvolvimento social.

Perante mais de quinze Primeiras-Damas africanas e asiáticas, representantes governamentais, especialistas internacionais e líderes da Fundação Merck, a Primeira-Dama da República de Moçambique e Embaixadora da iniciativa “Fundação Merck Mais do que uma Mãe”, Gueta Chapo, apresentou um balanço considerado encorajador da parceria entre o país e a instituição, ao mesmo tempo que anunciou uma ambiciosa meta: aumentar para 100 o número de bolsas de especialização destinadas a médicos moçambicanos nos próximos anos.

A aposta surge numa altura em que Moçambique continua a enfrentar desafios significativos na disponibilidade de profissionais especializados em diversas áreas críticas da medicina, realidade que condiciona o acesso da população a cuidados de saúde diferenciados.

No seu discurso, Gueta Chapo destacou que o fortalecimento da capacidade do sistema nacional de saúde representa um investimento estratégico para o presente e para o futuro do país.

Segundo afirmou, garantir profissionais qualificados significa assegurar cuidados de saúde de qualidade, acessíveis e equitativos para todos os cidadãos, reforçando simultaneamente a resiliência do sistema perante os desafios actuais e futuros.

A Primeira-Dama revelou que a Fundação Merck já concedeu 34 bolsas de estudo a profissionais moçambicanos em áreas consideradas prioritárias, entre elas Diabetes, Endocrinologia, Medicina de Urgência, Doenças Infecciosas, Oncologia, Radiologia e outras especialidades de elevada procura.

Na sua avaliação, este apoio está a contribuir directamente para transformar o sector público de saúde, reduzindo gradualmente a dependência de especialistas estrangeiros e criando capacidade técnica nacional.

“Consideramos esta uma grande oportunidade e permanecemos empenhados em expandir o programa, continuando a inscrever mais profissionais de saúde em diversas especialidades críticas e carentes”, afirmou.

A intenção de aumentar o número de bolsas resulta do Memorando de Entendimento assinado no ano passado entre Moçambique e a Fundação Merck, instrumento que estabelece uma parceria de longo prazo destinada a reforçar a formação de profissionais da saúde, jornalistas e outros actores sociais.

O objectivo é criar um modelo sustentável de desenvolvimento de capacidades, permitindo que o conhecimento adquirido pelos bolseiros seja posteriormente multiplicado dentro do próprio sistema nacional de saúde.

Mas a cooperação entre Moçambique e a Fundação Merck vai muito além da medicina.

Gueta Chapo destacou igualmente o programa “Educar Linda”, iniciativa que já assegura bolsas anuais para 40 raparigas moçambicanas talentosas, mas provenientes de famílias economicamente vulneráveis.

O compromisso é manter o financiamento até à conclusão dos seus estudos, criando condições para que estas jovens possam construir carreiras nas mais diversas áreas do conhecimento.

Para a Primeira-Dama, investir na educação das raparigas representa uma das formas mais eficazes de promover inclusão social, reduzir desigualdades e acelerar o desenvolvimento económico do país.

“O programa está a transformar vidas e a dar às nossas meninas a oportunidade de perseguirem os seus sonhos, seja como médicas, engenheiras ou líderes em qualquer área que escolherem”, sublinhou.

Outro eixo estratégico da parceria passa pela comunicação social e pela produção de conteúdos educativos destinados a provocar mudanças culturais nas comunidades.

Neste âmbito, Moçambique já desenvolve, em conjunto com a Fundação Merck, livros infantis e filmes de animação em língua portuguesa, além de promover formações anuais dirigidas a jornalistas especializados em saúde.

A iniciativa procura melhorar a qualidade da informação disponibilizada ao público e incentivar uma cobertura mediática baseada em evidências científicas.

Paralelamente, o país participa na oitava edição dos prémios anuais da Fundação Merck, que distinguem jornalistas, músicos, estudantes, cineastas, estilistas e novos talentos que abordam temas como infertilidade, violência baseada no género, casamento infantil, diabetes, hipertensão e promoção de estilos de vida saudáveis.

Segundo Gueta Chapo, todas estas iniciativas têm um propósito comum: combater preconceitos, aumentar a consciencialização social e construir comunidades mais saudáveis, inclusivas e informadas.

Do outro lado da parceria, a directora executiva da Fundação Merck, Rasha Kelej, apresentou números que demonstram a dimensão global do programa.

Segundo revelou, a organização já concedeu mais de 2.680 bolsas de formação a profissionais de saúde provenientes de 52 países, abrangendo 42 especialidades médicas críticas e deficitárias.

Para Rasha Kelej, os acontecimentos dos últimos anos, incluindo pandemias, surtos de Ebola e o aumento das doenças crónicas, demonstraram de forma inequívoca que investir na formação de recursos humanos em saúde é uma das decisões mais estratégicas que um país pode tomar.

Por isso, garantiu que a Fundação continuará a expandir os programas de formação em parceria com os governos africanos e asiáticos.

Uma das prioridades é a Oncologia.

Em parceria com o Centro Memorial Tata, na Índia, a Fundação Merck pretende ampliar significativamente o número de bolsas destinadas à formação de especialistas em tratamento do cancro, uma área altamente complexa e que exige preparação técnica especializada.

A responsável destacou ainda os investimentos em Diabetologia, Medicina Cardiovascular Preventiva, Nutrição, Obesidade, Fertilidade, Embriologia, Psicologia Clínica, Medicina Familiar, Doenças Infecciosas, Saúde da Mulher, Pediatria e Geriatria.

Segundo explicou, a estratégia consiste em permitir que cada país forme os seus próprios especialistas, evitando a dependência do exterior e aproximando os cuidados de saúde das populações.

No âmbito da campanha “Mais do que uma Mãe”, Rasha Kelej recordou que a Fundação já apoiou a formação dos primeiros especialistas em fertilidade em vários países africanos, possibilitando a criação dos primeiros centros locais de reprodução assistida e contribuindo para reduzir o estigma associado à infertilidade.

A responsável sublinhou ainda que o programa “Educar Linda” já financia anualmente mais de 1.500 bolsas para raparigas em vários países, defendendo que a educação feminina constitui um dos pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável.

Ao encerrar a sessão, a CEO da Fundação Merck lançou um apelo às Primeiras-Damas participantes para identificarem as áreas médicas mais carenciadas nos seus países, de forma a permitir uma resposta mais ajustada às necessidades nacionais.

Para Moçambique, a expansão das bolsas, o reforço da formação especializada e o investimento contínuo na educação e na comunicação social representam uma oportunidade concreta para acelerar o desenvolvimento do capital humano, fortalecer o sistema nacional de saúde e promover mudanças sociais profundas.

Numa altura em que o país procura ampliar o acesso a serviços especializados e reduzir desigualdades, a parceria entre a Primeira-Dama Gueta Chapo e a Fundação Merck consolida-se como uma das mais abrangentes iniciativas internacionais de capacitação, apostando simultaneamente em médicos, jornalistas, estudantes e comunidades, numa estratégia que procura demonstrar que investir em conhecimento continua a ser uma das formas mais eficazes de transformar vidas.

O Presidente do Tribunal Supremo diz que Moçambique deve adoptar medidas que permitam que as crianças exerçam o seu direito de acesso a tecnologias, com os devidos mecanismos de segurança. Adelino Muchanga falava hoje na Cidade de Maputo durante o seminário sobre protecção dos direitos da criança na era digital.

A Universidade Eduardo Mondlane e o Conselho Constitucional juntaram, nesta quinta-feira (18), pesquisadores moçambicanos, angolanos e chineses para discutir os desafios da protecção dos direitos da criança e adolescente na era digital. 

O evento, cuja abertura foi orientada pelo reitor da UEM, serviu para que fossem discutidas as iniciativas legais existentes ou em curso, que visam proteger a criança e o adolescente da avalanche das tecnologias. 

O Presidente do Tribunal Supremo, Adelino Muchanga, que moderou um dos debates, referiu que “cada plataforma digital, incluindo as redes sociais, serviços de mensagem, jogos online, plataformas de partilha de conteúdos, oferecem oportunidade de desenvolvimento e acesso à informação. Contudo, expõem as crianças a diversos riscos, como a exploração sexual, a exposição a conteúdos inadequados, manipulação algorítmica, violação de privacidade. E aquilo que nos preocupa mais no nosso país é a dependência digital. As crianças começam a ficar muito dependentes das plataformas”. 

Diante dos já visíveis desafios, mostra-se essencial a regularização destes acessos, mas sem violar os direitos da criança, defende o docente Gil Cambule. 

Cambule fala de um mecanismo chamado “Safety by Design”, Segurança por Concepção, em português, uma abordagem preventiva que, segundo explicou, integra a segurança desde a fase de concepção de um produto, sistema ou ambiente, com o objetivo de antecipar e mitigar riscos e danos antes que ocorram, em vez de tratá-los de forma reactiva. 

“É possível que as plataformas sejam construídas de modo que, por conceito, elas se destinem a proteger esses direitos da criança. E, no nosso regime vigente, podemos encontrar várias manifestações deste conceito, como, por exemplo, no regulamento de partilha de infraestruturas, ou no regulamento de segurança de rede de telecomunicações,  em que os operadores são obrigados a construir a sua infraestrutura tecnológica para atender justamente a esse conceito de segurança por conceito, ou segurança desde a concepção”, disse. 

Estas regras passam ainda por vedar o acesso a certos conteúdos a crianças abaixo de 10 anos. 

“O que se propõe é que, efectivamente, haja uma restrição absoluta. Crianças abaixo de 10 anos não deviam, em princípio, ter uma conta numa rede social ou numa plataforma digital e actuar independentemente, porque a vulnerabilidade é altíssima. A partir dos 10 ou dos 13 anos, o que os estudos dizem é que a criança começa a interagir de alguma maneira significativa com essas plataformas, tentando-se distinguir o que é o mundo real, o mundo online e o mundo físico, e, portanto, aí já se pode começar a integração da criança, mas em plataformas que tenham aquilo que é chamado de versão escolar”, concluiu o docente.

Da Universidade Agostinho Neto, em Angola, pesquisas mostram que apesar dos países africanos possuírem legislação robusta, a exposição da criança aos perigos online continuam imensos. 

“No âmbito do exercício da liberdade de expressão da criança, ela não tem uma liberdade absoluta, visto que os pais devem controlar a forma como está a cultivar sua opinião dentro de si, para depois esterilizá-la através da liberdade de expressão. Porque hoje, falando da era digital, há plataformas em que as crianças são aliciadas para participar em actividades que não se devem. Se me permitem, vou dizer a pornografia infantil e as redes terroristas no âmbito do recrutamento de crianças para dogmatizá-las, com vista a ser potenciais terroristas, aliciam também. Então, deve haver um controle da liberdade de opinião e de expressão das crianças bem como o seu direito à privacidade, para que não tenhamos crianças potencialmente perigosas, que possam atentar à segurança nacional, a segurança regional, bem como à segurança internacional”, disse Theophile Kodjo, docente na Universidade Agostinho Neto.

Mas afinal como funciona esta restrição. Xiaonding Fan traz a experiência da China, onde menores de 18 anos não podem aceder a locais como casinos, porém estes têm acesso aos conteúdos online.  

Ele apresenta isso como um mau exemplo, propondo entre outros que haja restrição, também de acesso online aos conteúdos que possam influenciar negativamente a sua forma de ver o mundo, uma vez que que nos casinos promove-se uma imagem de luxúria e possibilidade de enriquecimento rápido com os jogos de azar.

Debate aberto, os participantes do seminário consideram que mais do que leis, a família e a escola tem um papel crucial na protecção da criança.

Edite, uma Psicóloga e mae, deixou o seu desabafo.

“Muitos estudos mostram que as crianças e os adolescentes jovens aprendem sobre sexualidade, sobre sexo, inicialmente através da pornografia, e é lá no mundo digital. Os estudos mostram ainda que casos de abuso sexual envolvendo adolescentes têm uma relação direta com o uso deste conteúdo. Então, se calhar, pensarmos em como é que podemos olhar também para esta questão”.

O seminário com as Faculdades de Direito da Universidade de Macau e da Universidade Agostinho Neto, esteve focado no tema “Protecção dos Direitos da Criança e Adolescente: a convergência entre a transformação digital e a realidade social”.

O Instituto Nacional de Emprego, IP (INEP) assinalou esta quinta-feira uma década de actividade dedicada à promoção do emprego, auto-emprego e empreendedorismo, durante a abertura do seu VIII Conselho Consultivo, evento que decorre na cidade de Nampula e reúne dirigentes governamentais, parceiros de cooperação, especialistas e representantes do sector produtivo.

A cerimónia foi dirigida pelo Ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, que destacou o papel desempenhado pelo INEP ao longo dos últimos dez anos na criação de oportunidades para milhares de jovens moçambicanos, através de programas de inserção laboral e apoio ao empreendedorismo.

Segundo o governante, iniciativas como a intermediação laboral, os estágios pré-profissionais, a orientação profissional e o Programa Meu Kit, Meu Emprego têm contribuído para ampliar o acesso dos jovens ao mercado de trabalho e fortalecer a sua inclusão económica.

“Ao longo de uma década, o INEP tem desenvolvido programas de elevado impacto social que têm permitido criar oportunidades concretas para a juventude moçambicana”, destacou Caifadine Manasse.

O ministro sublinhou ainda que o VIII Conselho Consultivo representa uma oportunidade para avaliar os progressos alcançados, identificar desafios e discutir soluções inovadoras que permitam responder à crescente procura de emprego por parte dos jovens.

Intervindo na cerimónia, o Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdula, reafirmou o compromisso do Governo Provincial em continuar a promover iniciativas voltadas para a juventude e para o desenvolvimento inclusivo.

O governante destacou a visão do Presidente da República, Daniel Chapo, por colocar o emprego, a juventude e a rapariga entre as prioridades da agenda governativa, apontando o Fundo de Desenvolvimento Local (FDEL) como uma das iniciativas que tem contribuído para aproximar oportunidades económicas das comunidades.

“O desemprego continua a ser um dos maiores desafios que enfrentamos e exige respostas cada vez mais rápidas, coordenadas e eficazes”, afirmou Eduardo Abdula.

Segundo o governador, Nampula possui uma população maioritariamente jovem, com forte potencial empreendedor, o que torna indispensável o reforço das políticas de capacitação profissional e de promoção do emprego.

Abdula manifestou ainda total disponibilidade para continuar a trabalhar em parceria com o Ministério da Juventude e Desporto, o INEP e os diversos actores envolvidos na promoção da empregabilidade.

O encontro decorre num momento em que o País trabalha na elaboração de uma nova Política de Emprego, instrumento que deverá orientar as estratégias nacionais para a criação de mais postos de trabalho e para a promoção de uma empregabilidade sustentável.

Durante os trabalhos, os participantes analisam temas considerados estratégicos para o futuro do mercado laboral, incluindo transformação digital, desenvolvimento do capital humano, financiamento e sustentabilidade dos programas de empregabilidade.

Na ocasião, foram igualmente entregues certificados a dez jovens que concluíram com sucesso os seus estágios pré-profissionais. Destes, quatro já foram integrados no mercado de trabalho, um indicador que, segundo os organizadores, demonstra o impacto positivo das medidas activas de emprego promovidas pelo Governo e seus parceiros.

Pelo menos 23 famílias continuam sem poder regressar às suas casas no bairro Ndlavela, município da Matola, devido às inundações que afectaram a zona durante a última época chuvosa, apesar do fim das chuvas em várias regiões do País.

A situação foi verificada pelo edil da Matola, Júlio Parruque, que visitou o bairro para avaliar os danos e ouvir as preocupações dos moradores, que denunciam dificuldades no processo de reassentamento e pedem maior celeridade na assistência municipal.

Segundo a edilidade, cinco famílias já foram reassentadas, enquanto o processo de apoio às restantes continua em curso, numa operação que envolve identificação de áreas seguras e mobilização de recursos.

“O processo de reassentamento está em curso”, garantiu o edil, Júlio Parruque, durante a visita ao terreno.

Os residentes afirmam, contudo, que a situação continua crítica, com várias habitações ainda submersas ou em condições de insalubridade, o que agrava o risco sanitário e dificulta a retoma da vida normal.

Durante a visita, o edil reconheceu a gravidade da situação e apontou a necessidade de soluções estruturais para mitigar os efeitos recorrentes das inundações na zona.

Parruque destacou que o município está a identificar pontos críticos de drenagem e a preparar intervenções em infra-estruturas, com foco na melhoria do escoamento das águas pluviais e na requalificação de áreas vulneráveis.

O edil referiu ainda que algumas intervenções já realizadas em infra-estruturas municipais demonstraram resultados positivos face às chuvas intensas, defendendo a expansão de soluções semelhantes para outras zonas críticas da cidade.

Ainda no âmbito da visita de trabalho, o presidente do Conselho Municipal da Matola procedeu à entrega de 250 carteiras escolares à Escola Básica de Mulovote, equipamento que deverá beneficiar mais de três mil alunos, contribuindo para a melhoria das condições de ensino.

Paralelamente, a edilidade anunciou o reforço das acções de fiscalização nas imediações das escolas, com o objectivo de restringir a venda de bebidas alcoólicas nas proximidades dos estabelecimentos de ensino, medida enquadrada nos esforços de protecção do ambiente escolar.

Parruque reconheceu que a cidade enfrenta desafios persistentes relacionados com a drenagem urbana, sobretudo em zonas como Ndlavela e corredores adjacentes a vias estruturantes.

O edil sublinhou que estão em curso ou em preparação intervenções em estradas e passagens de nível, com vista a melhorar o escoamento das águas e reduzir o impacto das chuvas em áreas residenciais.

“Temos que ir a obras, não há alternativa”, afirmou, destacando a necessidade de mobilização de parceiros para acelerar as intervenções enquanto o município reforça a sua capacidade de financiamento.

Apesar das medidas anunciadas, moradores de Ndlavela continuam a pedir soluções mais rápidas e definitivas, alertando para o risco de novas inundações caso não sejam resolvidos os problemas estruturais de drenagem.

A situação volta a colocar em evidência a vulnerabilidade de várias zonas da Matola durante períodos de chuva intensa e a necessidade de investimentos sustentados em infra-estruturas urbanas para garantir maior resiliência das comunidades.

Terminou ontem, 17 de junho, a formação ministrada às Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) pelas Forces Armées de la Zone Sud de l’Océan Indien (FAZSOI), em coordenação com a Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).

A cerimónia de encerramento dos cursos foi presidida pelo Comandante da Força da EUMAM MOZ, Comodoro César Pires Correia, e onde estiveram igualmente presentes altas entidades das FADM.

Durante a cerimónia, o Comandante da Força da Missão destacou a importância da formação ministrada, sublinhando que “esta formação representa mais um passo na construção de forças mais preparadas, resilientes e capazes de responder aos desafios operacionais que o país enfrenta, em particular no contexto de Cabo Delgado”. Dirigindo-se aos formandos, acrescentou ainda uma palavra de reconhecimento “pelo empenho, dedicação e profissionalismo demonstrados”, reforçando que o conhecimento adquirido constitui “uma importante ferramenta ao serviço da segurança das vossas forças e do povo moçambicano”.

As atividades formativas decorreram no Centro de Manutenção e Oficinas (CMO) das FADM, em Maputo, e no Campo de Treino da Katembe, através de Equipas Móveis de Formação (MTT) francesas, tendo incidido sobre áreas essenciais para o reforço das capacidades técnicas e operacionais das FADM.

Ao longo das últimas semanas, os militares das FADM desenvolveram competências nas áreas de manutenção de viaturas e de procedimentos táticos de combate a engenhos explosivos improvisados, através dos cursos Vehicle Maintenance Course e Counter-Improvised Explosive Devices (C-IED) Tactical Course.

Esta formação especializada teve como objetivo consolidar conhecimentos técnicos e práticos fundamentais, contribuindo para o aumento da prontidão, da autonomia e da eficácia operacional das FADM no cumprimento das suas missões em Cabo Delgado.

A colaboração entre a EUMAM MOZ, as FAZSOI e as FADM, iniciada ainda durante a Missão de Treino da União Europeia em Moçambique (EUTM MOZ), em 2021, tem desempenhado um papel relevante no reforço das capacidades operacionais no terreno, nomeadamente através do treino das Forças de Reação Rápida (QRF) e da partilha de conhecimento técnico em áreas críticas para a eficácia das operações.

A conclusão desta formação constitui mais um exemplo do trabalho conjunto desenvolvido pela União Europeia e por Moçambique, no âmbito do fortalecimento das capacidades das FADM, contribuindo para a promoção da segurança, da estabilidade e da capacidade de resposta aos atuais e futuros desafios de segurança, em particular no combate à insurgência em Cabo Delgado.

A Fidelidade Ímpar reuniu, esta semana, na cidade de Maputo, mulheres de diversos sectores de actividade para uma reflexão sobre a importância da protecção financeira e do seguro em cada fase da vida. O encontro, denominado “Seguramente”, serviu de plataforma para debater o papel da inclusão financeira no fortalecimento da autonomia e da segurança das mulheres moçambicanas.

O evento decorreu num ambiente de partilha de experiências e discussão sobre os desafios enfrentados pelas mulheres no acesso a instrumentos de protecção financeira, bem como sobre a relevância do seguro na promoção da estabilidade e da confiança para o futuro.

Na abertura da sessão, a Administradora Executiva da Fidelidade Ímpar, Célia Ferreira, destacou que a igualdade de género e a inclusão constituem pilares fundamentais da actuação da seguradora.

“Na Fidelidade Ímpar, a igualdade e a inclusão são valores não negociáveis. Não são apenas palavras, são princípios que orientam as nossas decisões, contratações e promoções. Hoje, as mulheres representam 49% da nossa força de trabalho e ocupam 36% dos cargos de liderança”, afirmou.

Segundo a responsável, o programa “Seguramente: De Elas Para Elas” surge para reforçar o acesso das mulheres a oportunidades, suporte e mecanismos que contribuam para o seu empoderamento económico e social.

A iniciativa contou igualmente com a participação da Presidente da New Faces New Voices Moçambique, Tânia Saranga, que abordou os desafios e oportunidades ligados à inclusão financeira feminina no país.

“Quando uma mulher tem acesso à informação, instrumentos financeiros e mecanismos de protecção, aumenta a sua capacidade de enfrentar desafios, planear o futuro e contribuir de forma mais activa para o desenvolvimento da sua família e da sociedade”, sublinhou.

A realização do evento enquadra-se no compromisso da Fidelidade Ímpar com a promoção da igualdade de género e do empoderamento feminino. A seguradora apoia, há seis anos, a organização Girl Move, em Nampula, é signatária do We Finance Code e integrou recentemente a Associação Moçambicana das Mulheres em Seguros (AMMS), iniciativas que visam reforçar a inclusão financeira e a representatividade das mulheres no sector.

Com mais de três décadas de actividade em Moçambique, a Fidelidade Ímpar reafirma, através do “Seguramente”, o seu compromisso de acompanhar as mulheres ao longo das diferentes etapas das suas vidas, promovendo soluções de protecção e contribuindo para uma sociedade mais inclusiva e resiliente.

O Município de Chimoio retomou os trabalhos de asfaltagem de estradas degradadas na urbe, numa iniciativa que visa melhorar a mobilidade urbana e responder a antigas preocupações dos munícipes quanto ao estado das vias de acesso.

A intervenção, que já havia contemplado a reabilitação da estrada que liga o centro urbano ao bairro Vila Nova, marca o reinício de um programa mais amplo de requalificação da rede viária da cidade.

Segundo o presidente do Município de Chimoio, João Ferreira, a acção enquadra-se no compromisso da edilidade de melhorar as condições de circulação e, consequentemente, a qualidade de vida dos cidadãos.

“Estamos a recomeçar a asfaltagem na nossa cidade de Chimoio. Vamos trabalhar nas artérias do centro para eliminar o antigo alcatrão degradado e os buracos existentes”, afirmou o edil.

O autarca reconheceu, no entanto, que não será possível cobrir todas as ruas da cidade numa única fase, mas garantiu que a intervenção permitirá melhorar significativamente a circulação urbana.

As obras estão a ser executadas no âmbito de uma parceria entre o Município de Chimoio e uma empresa de construção de vias de acesso, responsável pela execução técnica dos trabalhos.

Segundo o representante da empresa Uteka Construções, os trabalhos incluem a aplicação de novas camadas de asfalto, com capacidade para suportar tráfego pesado.

“Vamos aplicar cerca de 1,8 quilómetros nesta fase, com uma camada de asfalto de cinco centímetros, preparada para suportar cargas elevadas”, explicou Jie Khau.

A iniciativa foi bem recebida pelos munícipes, que destacam a melhoria já visível em algumas vias, mas apelam para que o programa de reabilitação se estenda também às zonas periféricas, onde o estado das estradas é considerado mais crítico.

“Estamos felizes porque esta estrada está a ser reabilitada. Esperamos que chegue também às zonas com mais poeira e dificuldades de circulação”, afirmou o munícipe António Manheche.

Outro residente, Jacinto João, destacou a melhoria imediata na circulação.

“A estrada estava em más condições, mas agora já está melhor. É bem-vinda esta intervenção para todos nós”, disse.

De acordo com a edilidade, numa primeira fase, os trabalhos de asfaltagem irão concentrar-se no centro urbano de Chimoio, com previsão de expansão gradual para as zonas periféricas.

A iniciativa insere-se nos esforços do município para modernizar a infraestrutura urbana e garantir melhores condições de mobilidade, segurança rodoviária e desenvolvimento económico local.

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