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O País – A verdade como notícia

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção. Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente. Ângelo Tsane Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção. Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A degradação da principal via de acesso dificulta o abastecimento, encarece o transporte e agrava a situação das famílias, levando lideranças locais a pedir assistência alimentar urgente. Ângelo Tsane Em Junho, O País fez o retrato das condições de vida de mais de 14 mil habitantes de Nguluzane, na sequência das cheias que atingiram o sul do país. Passados mais três meses, pouco mudou para as famílias que dependem sobretudo da agricultura e do comércio local para a sua sobrevivência. No centro do posto administrativo, o mercado Luza Mahala regista uma ruptura de stock de vários produtos básicos, situação associada à degradação da estrada que liga Nguluzane às zonas comerciais de Xai-Xai e que tem afastado vendedores e dificultado o abastecimento. Sem sanitários, iluminação, água ou alpendre desde 2001, o Luza Mahala funciona actualmente a meio gás. Os poucos produtos disponíveis chegam em quantidades insuficientes e a preços cada vez mais difíceis de suportar pelas famílias. “Aqui tudo está caro, sal, óleo está 110, enquanto antes estava 95 meticais. Farinha, arroz, sal, açúcar não temos já há muitos dias e temos que ir comprar em Xai-Xai. Até quando esta vida?”, lamenta Verónica Quive, vendedeira no mercado Luza Mahala. A situação agrava-se com a destruição da produção agrícola provocada pelas cheias, que atingiram uma das principais fontes de sustento das famílias. Com poucas alternativas dentro do posto administrativo, os moradores recorrem cada vez mais a Xai-Xai para comprar alimentos, vender produtos e procurar meios de sobrevivência. A dependência da cidade, porém, tem custos elevados. Albertina Balane, chefe de bairro em Nguluzane, diz que as famílias enfrentam dificuldades para suportar as despesas de transporte. “Dependemos da cidade de Xai-Xai. Tudo está caro porque não temos dinheiro, estamos sem nada. A estrada aflige-nos e a carreira está cara, 35 meticais.” Mesmo quando conseguem reunir dinheiro para comprar alimentos em maior quantidade, as famílias dizem que o custo do transporte reduz o poder de compra. A viagem até Xai-Xai é feita por uma via degradada, num percurso de cerca de 14 quilómetros. “Cobramos esse valor porque é arriscado meter nossos carros aqui, e fazemos porque não temos outra saída, mas a via está péssima”, sublinhou um transportador. O mau estado da estrada também reduz a circulação de transportadores. Poucos operadores se aventuram pelo trajecto, situação que deixa moradores, incluindo professores, obrigados, em alguns casos, a percorrer parte do caminho a pé. “Aqui a situação é pior, porque só temos duas carreiras. Quem falha até depois das 16 horas tem de percorrer a pé até à cidade de Xai-Xai”, disse um passageiro. A escassez de transportes acaba por agravar o custo de vida, numa comunidade que depende de Xai-Xai para o acesso a produtos e serviços que não estão disponíveis em quantidade suficiente em Nguluzane. As dificuldades não terminam no transporte. Embora o fornecimento de água e energia eléctrica tenha sido restabelecido, os moradores relatam que os serviços continuam vulneráveis às condições meteorológicas. Em dias de mau tempo, dizem registar-se interrupções no fornecimento de energia, afectando também a actividade dos comerciantes. Perante este quadro, lideranças locais e comunitárias defendem o reforço da assistência humanitária para responder às necessidades das famílias, sobretudo no acesso a alimentos. Até ao fecho desta edição, O País tentou ouvir o Governo do distrito de Xai-Xai sobre a situação de Nguluzane e as medidas previstas para responder às dificuldades enfrentadas pela população, mas não conseguiu obter uma reacção

Mais de 14 mil pessoas continuam a enfrentar dificuldades para garantir alimentos oito meses depois das cheias que assolaram Nguluzane, no distrito de Xai-Xai. A

Comerciantes instalados no interior do Mercado Central de Inhambane decidiram levar os produtos para fora em protesto contra as bancas improvisadas que ocupam a área reservada aos transportadores, alegam perda de clientes e dizem que sucessivas reclamações à gestão não produziram qualquer solução.

Cerca de dois anos depois de entrar em funcionamento com a promessa de organizar o comércio na cidade de Inhambane e oferecer melhores condições aos vendedores, o Mercado Central enfrenta um problema que começa a colocar em causa o propósito para o qual foi concebido, isto porque parte do espaço exterior reservado aos transportadores de passageiros está ocupado por comerciantes que montaram bancas improvisadas e vendem diariamente diferentes produtos, uma situação que há algum tempo provoca descontentamento entre aqueles que receberam lugares no interior e que esta quinta-feira decidiram transformar a insatisfação em protesto, retirando os seus produtos das bancas e levando-os para o exterior para disputar directamente a clientela com os vendedores cuja presença contestam.

O cenário revela duas realidades que se confrontam à porta da mesma infra-estrutura, pois enquanto os comerciantes instalados no interior reclamam que as bancas improvisadas lhes retiram clientes e tornam cada vez mais difícil manter os negócios, aqueles que vendem no exterior garantem que não escolheram voluntariamente ocupar o espaço destinado aos transportadores e justificam a permanência naquele local com a alegada falta de lugares suficientes dentro do Mercado Central. Albertina, uma das vendedoras que exerce a actividade do lado de fora, diz que a necessidade de garantir o sustento da família acaba por falar mais alto do que os riscos associados à ocupação de um espaço que não foi concebido para a venda, reconhecendo que existem perigos, mas insistindo que abandonar o local sem uma alternativa significaria perder a única possibilidade que tem de conseguir algum rendimento. “Sabemos que pode haver perigo, mas não temos para onde ir. Estamos à procura do pão. Ninguém pode viver com fome”, explica a comerciante, numa declaração que expõe o lado social de um problema que já ultrapassa a simples organização física do mercado.

Mas para quem recebeu uma banca no interior da infra-estrutura, a explicação apresentada pelos vendedores de fora não elimina aquilo que consideram ser uma situação de concorrência desigual, porque os consumidores que chegam ao Mercado Central encontram primeiro os produtos expostos no exterior e muitos acabam por fazer ali mesmo as compras, sem necessidade de entrar no edifício. Foi perante este cenário que, esta quinta-feira, vários comerciantes decidiram retirar os produtos das respectivas bancas e instalá-los igualmente do lado de fora, não por alegada falta de espaço, mas como forma de protesto e de pressão sobre os responsáveis pela gestão do mercado, numa tentativa de mostrar que não estão dispostos a continuar dentro de uma infra-estrutura onde dizem ter cada vez menos compradores enquanto a actividade comercial cresce à sua porta.

Laura, uma das vendedoras que aderiu ao protesto, explica que a decisão de sair resulta da queda da clientela e daquilo que considera ser a falta de resposta das autoridades às reclamações apresentadas ao longo do tempo, defendendo que todos os comerciantes deveriam estar sujeitos às mesmas regras e exercer a actividade dentro dos espaços definidos para o efeito. “Estamos aqui porque lá dentro não entram clientes devido ao outro mercado que está fora. O que estamos a pedir neste momento ao nosso município é que retire aquelas pessoas que estão fora e que elas também entrem no mercado”, afirma, deixando claro que o objectivo dos manifestantes não é abandonar definitivamente a infra-estrutura, mas pressionar para que seja encontrada uma solução capaz de devolver clientes às bancas interiores.

A situação está a transformar a área exterior num concorrente directo do próprio Mercado Central, porque quanto maior é a quantidade de produtos disponíveis nas bancas improvisadas, menor é a necessidade de os consumidores entrarem no edifício e, consequentemente, menor é o volume de vendas de quem permanece nas bancas formais. Benilde, uma das comerciantes que continua a trabalhar no interior, conta que há dias em que passa praticamente toda a jornada à espera de compradores, vendo do seu posto de venda o movimento concentrar-se no exterior, onde diferentes produtos são comercializados antes mesmo de os clientes atravessarem as portas da infra-estrutura, uma realidade que, segundo afirma, está a provocar perdas e a tornar cada vez mais difícil sobreviver exclusivamente do negócio instalado no interior.

Para os comerciantes, não se trata apenas de uma questão de preferência dos consumidores, mas de localização e facilidade de acesso, porque quem chega à zona encontra primeiro os vendedores instalados na área exterior e pode adquirir os produtos sem entrar no Mercado Central, enquanto aqueles que cumprem a orientação de permanecer nas bancas atribuídas ficam numa posição menos favorável para disputar os mesmos clientes. “Lá fora está cheio de pessoas a vender e aqui no mercado ninguém entra”, lamenta Benilde, descrevendo dias em que o rendimento obtido fica muito abaixo das expectativas e mal permite compensar o tempo e os custos associados à actividade comercial.

O fenómeno começa, desta forma, a produzir um efeito contrário ao pretendido com a construção da nova infra-estrutura, pois o mercado criado para concentrar e ordenar a actividade comercial enfrenta agora uma dinâmica em que permanecer no interior pode representar uma desvantagem económica, enquanto vender no exterior permite contacto imediato com os compradores. É precisamente esta percepção que levou comerciantes formalmente instalados dentro do mercado a adoptar a mesma estratégia daqueles que criticam, criando um ciclo difícil de interromper: quanto mais vendedores saem, mais produtos ficam disponíveis no exterior, quanto mais produtos existem do lado de fora, menos razões os consumidores encontram para entrar e, quanto menor é a clientela no interior, maior se torna a pressão para que outros comerciantes façam exactamente o mesmo percurso.

A revolta desta quinta-feira, contudo, não nasceu de um problema identificado apenas nos últimos dias, uma vez que os vendedores garantem ter apresentado várias vezes as suas preocupações aos responsáveis pela gestão do Mercado Central e dizem ter recebido promessas de intervenção que, até agora, não se traduziram numa solução visível. Laura afirma que os comerciantes aguardam há algum tempo por uma resposta concreta e que a ausência de uma data para a resolução do problema aumentou a indignação entre quem continua a acumular prejuízos, explicando que “já falámos várias vezes, dizem que vão mandar uma equipa e nunca mais”, razão pela qual alguns vendedores decidiram que permanecer no interior à espera de uma solução deixou de ser uma alternativa economicamente sustentável.

A posição dos manifestantes é agora mais dura e alguns garantem que só pretendem regressar às bancas quando houver uma intervenção que coloque todos os vendedores em condições semelhantes de concorrência. “Nós vamos sair se virmos aquela gente que está aí fora dentro do mercado”, afirma Laura, numa declaração que aumenta a pressão sobre a administração do Mercado Central e sobre o Conselho Municipal de Inhambane, porque qualquer intervenção terá de encontrar uma saída para os comerciantes que alegam não dispor de lugares no interior sem, ao mesmo tempo, prejudicar aqueles que aceitaram instalar-se nos espaços formais e que agora reclamam estar a pagar o preço por respeitarem a organização definida.

É neste ponto que o problema deixa de ser apenas uma disputa entre vendedores e passa a colocar questões sobre a própria gestão do comércio urbano, uma vez que retirar os comerciantes instalados no exterior sem lhes apresentar uma alternativa poderá simplesmente deslocá-los para outros pontos da cidade, enquanto permitir que permaneçam no espaço destinado aos transportadores poderá continuar a reduzir a clientela no interior e incentivar novos vendedores a abandonar as bancas. A situação exige, por isso, uma solução capaz de conciliar a necessidade de ordenamento com uma realidade económica incontornável: para muitas destas famílias, a venda diária não é uma actividade complementar, mas a principal ou única fonte de rendimento.

A reportagem de O País procurou ouvir a administração do Mercado Central para perceber como pretende responder à revolta dos comerciantes, esclarecer a alegada falta de espaço no interior, explicar por que razão a área reservada aos transportadores continua ocupada por vendedores e indicar que medidas estão previstas para impedir que a saída dos comerciantes instalados nas bancas formais agrave ainda mais a desorganização, mas, no momento em que a equipa se deslocou ao local, o edifício onde funciona a administração encontrava-se encerrado e não foi possível obter qualquer pronunciamento dos responsáveis pela gestão até ao fecho desta reportagem.

O impasse deixa o Mercado Central de Inhambane perante uma contradição cada vez mais difícil de ignorar, porque uma infra-estrutura moderna que entrou em funcionamento para organizar o comércio começa a assistir à transferência da actividade das suas bancas para o espaço exterior que deveria permanecer livre para outras funções, ao mesmo tempo que vendedores que inicialmente cumpriram as regras sentem-se agora prejudicados por aqueles que comercializam fora e decidem responder fazendo exactamente o mesmo.

Enquanto a gestão não apresenta uma solução, o protesto desta quinta-feira deixa uma mensagem clara sobre a dimensão do problema: quando os comerciantes entendem que permanecer dentro de um mercado formal significa perder clientes e que colocar os produtos na rua aumenta as possibilidades de vender, a discussão já não pode limitar-se à disciplina de quem ocupa irregularmente os espaços, devendo também questionar a capacidade de organização, fiscalização e gestão da própria infra-estrutura. O Mercado Central foi criado para trazer ordem ao comércio de Inhambane, mas o desafio que agora se coloca é impedir que a luta diária pela sobrevivência transforme o seu exterior num segundo mercado e empurre para a rua precisamente aqueles vendedores que deveriam encontrar dentro dele melhores condições para trabalhar.

O Governo do Japão afirmou que não irá, para já, participar na reconstrução de infra-estruturas em Cabo Delgado, devido à persistente insegurança provocada pelos ataques terroristas na província. Apesar disso, Tóquio garante que continuará a prestar assistência humanitária às populações afectadas pelo conflito.

A posição foi manifestada pelo embaixador do Japão em Moçambique, Keiji Hamada, durante a entrega de mais um donativo destinado ao Programa Mundial para a Alimentação (PMA), para apoiar as vítimas do terrorismo.

Segundo o diplomata, a situação de instabilidade continua a constituir um obstáculo à participação do seu país em projectos de reconstrução.

“Infelizmente, devido à instabilidade, ainda é difícil para nós colaborar na construção de infra-estruturas. Por enquanto, a nossa cooperação incide sobretudo na doação de arroz, peixe e outros bens essenciais para responder às necessidades das populações afectadas”, afirmou.

O Japão é um dos mais antigos parceiros de cooperação de Moçambique e mantém o apoio ao País em diversos sectores. Contudo, a reconstrução de Cabo Delgado permanece fora da agenda da cooperação nipónica enquanto persistirem os problemas de segurança.

Na ocasião, a representante do Programa Mundial para a Alimentação em Moçambique, Claire Conan, destacou o papel desempenhado pelo Japão no apoio às operações humanitárias no País.

Desde 2022, o Governo japonês disponibilizou cerca de 14 milhões de dólares norte-americanos para os programas humanitários e de resiliência implementados pelo PMA em Moçambique.

“O povo japonês tem sido um parceiro do povo moçambicano, estendendo sempre a sua mão amiga quando necessário”, afirmou Claire Conan.

Quase nove anos após o início da insurgência armada, Cabo Delgado continua a enfrentar uma grave crise humanitária. Além da escassez de alimentos, vestuário e abrigo, grande parte da população permanece sem acesso a serviços básicos, em consequência da destruição de escolas, unidades sanitárias, sistemas de abastecimento de água e outras infra-estruturas essenciais pelos grupos terroristas.

O Conselho Municipal da Matola Rio iniciou a transferência de vendedores e transportadores para um espaço provisório, onde permanecerão durante cerca de 90 dias, enquanto decorrem as obras de construção do novo terminal de transportes e do novo mercado.

A medida resulta de um trabalho de sensibilização levado a cabo pelo município, em coordenação com a Polícia Municipal e os serviços das Actividades Económicas, visando retirar os operadores de uma zona considerada de risco e proporcionar melhores condições para o exercício das suas actividades.

O vereador da Salubridade, Cemitérios, Jardins, Parques e Transportes, Issufo Ismael explicou que o novo local tem carácter transitório e servirá de acolhimento até à conclusão das novas infra-estruturas.

Segundo o responsável, a operação de transferência decorrerá ao longo de toda a semana, com equipas no terreno a sensibilizar os transportadores para abandonarem definitivamente o antigo local e passarem a utilizar o novo espaço.

“O objectivo final é proporcionar aos transportadores, vendedores e munícipes um espaço mais digno e seguro para o desenvolvimento das suas actividades”, afirmou.

Por sua vez, Cecília Chinavane explicou que a mudança visa garantir maior segurança às vendedoras e aos restantes comerciantes, retirando-os de uma área considerada perigosa.

A responsável referiu que o trabalho de transferência deverá prolongar-se durante vários dias, de modo a assegurar que todos os vendedores sejam instalados no novo espaço provisório.

Acrescentou que, após a conclusão do novo mercado e do terminal de transportes, o município prevê integrar não apenas os actuais vendedores, mas também comerciantes que exercem actividade ao longo da Estrada da Mozal.

O futuro mercado contará com áreas organizadas por secções, destinadas à venda de verduras, hortaliças e outros produtos, permitindo melhorar a organização, reforçar a segurança e oferecer melhores condições de trabalho aos comerciantes e maior comodidade aos utentes.

A província da Zambézia continua a registar uma das mais elevadas taxas de analfabetismo do País, com 46,2% da população com 15 anos ou mais sem saber ler nem escrever, de acordo com os dados mais recentes do Inquérito ao Orçamento Familiar (IOF). A percentagem está acima da média nacional, fixada em 38,3%.

Os números indicam que cerca de 46 em cada 100 adultos na província são analfabetos, um cenário que preocupa as autoridades do sector da Educação.

Nos últimos três anos, a situação agravou-se devido ao abandono de muitos alfabetizadores, motivado pelo não pagamento dos respectivos subsídios. Como consequência, o número de alfabetizandos reduziu de cerca de 40 mil para 28 mil.

O sector da Educação reconhece a existência de uma dívida de aproximadamente 15 milhões de meticais, correspondente aos subsídios dos alfabetizadores referentes aos anos de 2023 e 2024. Actualmente, a província conta com cerca de três mil alfabetizadores.

Perante este quadro, o Movimento para Advocacia, Sensibilização e Mobilização de Recursos para a Alfabetização reuniu-se para debater formas de mobilizar recursos financeiros que permitam reforçar os programas de alfabetização e reduzir os elevados índices de analfabetismo na província.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) destaca Moçambique como um exemplo de inovação no financiamento do abastecimento de água, apontando o modelo de fundo rotativo implementado em pequenas cidades como uma solução com potencial para ser replicada noutras regiões.

No relatório de 2025 sobre Água, Saneamento, Higiene e Ambiente, a organização refere que o mecanismo, já expandido para 25 pequenas cidades, permitiu aumentar as ligações domiciliárias e reforçar a sustentabilidade financeira dos serviços de abastecimento de água.

O documento assinala ainda que Moçambique integra o grupo de países apoiados pelo UNICEF na implementação de estratégias nacionais de financiamento para os sectores da água, saneamento e higiene.

No domínio da resposta às alterações climáticas, o relatório destaca a mobilização rápida de recursos após a passagem do ciclone Jude, em Março de 2025. Segundo o UNICEF, o Fundo Central de Resposta a Emergências das Nações Unidas disponibilizou seis milhões de dólares em apenas 13 minutos, enquanto o mecanismo de seguro paramétrico Today and Tomorrow Initiative libertou 2,5 milhões de dólares para assistência imediata às populações afectadas.

A organização considera estes mecanismos exemplos de financiamento previamente acordado, capazes de assegurar uma resposta célere em situações de emergência provocadas por fenómenos climáticos extremos.

O relatório evidencia igualmente outros resultados alcançados no País, entre os quais a construção ou reabilitação de 188 salas de aula resilientes às alterações climáticas em 2025, beneficiando cerca de 18.800 alunos. Desde 2022, foram apoiadas 1.645 salas de aula, alcançando mais de 210 mil estudantes.

Além disso, mais de 150 mil crianças beneficiaram de apoio após os ciclones Chido, Dikeledi e Jude, através da disponibilização de espaços temporários de aprendizagem, material escolar e serviços de saúde, água e saneamento.

A nível global, o UNICEF alerta que o acesso universal à água, saneamento e higiene continua ameaçado pelas alterações climáticas, conflitos, fragilidade institucional, degradação ambiental e instabilidade económica, sublinhando que milhares de milhões de pessoas continuam sem acesso seguro a estes serviços essenciais.

O Presidente da República, Daniel Chapo, e a African Parks analisaram ontem os sucessos e os desafios da gestão conjunta do Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, na província de Inhambane, durante uma audiência concedida ao director-executivo (CEO) da organização, Peter Fearnhead, que manifestou confiança na consolidação daquela área protegida como uma referência mundial em conservação marinha, turismo sustentável, crescimento económico e criação de emprego.

No fim do encontro, realizado no Gabinete da Presidência, Peter Fearnhead explicou que a audiência serviu para fazer um ponto de situação sobre o trabalho desenvolvido pela African Parks no Parque Nacional do Arquipélago de Bazaruto, cuja gestão é assegurada em parceria com o Governo de Moçambique, bem como identificar áreas que requerem melhorias para maximizar o impacto da iniciativa.

“Viemos para discutir os sucessos, mas também para falar sobre algumas das áreas onde podemos melhorar enquanto organização gestora, bem como na relação com o Governo, de modo a garantir que Bazaruto seja um activo turístico e de conservação verdadeiramente importante para Moçambique. Isto com o objectivo de promover o desenvolvimento da região, estimular o crescimento económico e, muito importante, a criação de emprego que daí resulta”, declarou.

O CEO da organização classificou a reunião como produtiva e considerou que o alinhamento entre o Governo e a African Parks permitirá ultrapassar, a curto prazo, os desafios que ainda condicionam o projecto.

“Acredito que tivemos uma reunião excelente, muito produtiva. O compromisso do Governo e o compromisso da African Parks são recíprocos e penso que veremos alguns dos pequenos desafios que o projecto enfrenta resolvidos em breve. Acredito que Bazaruto, enquanto projecto, se tornará um dos principais projectos de conservação marinha do mundo. Portanto, estamos muito entusiasmados com o caminho a seguir”, afirmou.

Peter Fearnhead destacou ainda o empenho do Presidente da República em fortalecer a parceria entre o Governo e a African Parks, considerando que esse compromisso será determinante para elevar o desempenho do projecto.

“Sua Excelência demonstrou um grande compromisso com esta parceria e em fazer com que o seu Governo nos apoie, porque se o Governo nos apoia e nós apoiamos o Governo, juntos fazemos com que o projecto funcione melhor. Sua Excelência esteve inequivocamente empenhado em resolver os problemas para que o projecto possa ser ainda melhor. Tudo o que procuramos num parceiro governamental é que nos ajude para que possamos, por nossa vez, ajudar o Governo. Penso que podemos perspectivar com muito optimismo as coisas boas que vão acontecer em Bazaruto”, acrescentou.

Fundada em 2000, a African Parks é uma organização não-governamental de conservação da natureza que estabelece parcerias de longo prazo com governos africanos e comunidades locais para assegurar a gestão sustentável de parques nacionais e outras áreas protegidas, assumindo responsabilidades directas pela sua recuperação, administração, protecção e sustentabilidade financeira.

No âmbito dessas parcerias, a organização desenvolve acções de protecção da fauna e da flora, combate à caça furtiva, recuperação de espécies ameaçadas, promoção do turismo sustentável, investigação científica e programas de apoio às comunidades vizinhas nas áreas da educação, saúde, emprego e geração de rendimento, contribuindo para conciliar a conservação da biodiversidade com o desenvolvimento socioeconómico.

O Conselho Empresarial Provincial de Manica afirma que a suspensão das actividades mineiras está a trazer resultados positivos. É que, dez meses depois da decisão do Governo, a água da Albufeira de Chicamba voltou a apresentar baixos níveis de turbidez, um sinal de que a qualidade da água está a melhorar.

O presidente do Conselho Empresarial Provincial de Manica diz que os empresários dos sectores do turismo, agricultura e pesca estão satisfeitos com a redução da poluição nos rios, numa altura em que algumas empresas voltaram a operar em cumprimento de normas de salvaguarda ambientais. Alcides Cintura considera que esta melhoria mostra que é possível explorar os recursos minerais sem prejudicar o ambiente.

O dirigente acredita que a nova Lei de Minas vai reforçar a fiscalização da atividade mineira, reduzir a poluição dos rios e garantir uma exploração mais responsável.

“A Empresa Nacional de Minas creio que vai fazer parte de todas as cadeias de exploração e vai fazer parte de 15% sobre aquilo que são as licenças mineiras de qualquer operador. Isto vai garantir que não haja naturalmente esta continuidade da poluição dos rios. Felicitamos o governo de Moçambique, felicitamos o governo da província e também as equipas que trabalharam e é daí onde nós temos que conseguir assegurar que este ritmo continue para não prejudicar nem as populações nem a empresa”, disse o presidente do Conselho Empresarial de Manica. 

Alcides Cintura defendeu, por outro lado, a continuidade das medidas de suspensão de licenças mineiras para proteger o ambiente.

O Município de Montepuez suspendeu o transporte público de passageiros, devido à crise de combustíveis que afecta a segunda maior cidade de Cabo Delgado. Os autocarros de transporte público de passageiros de Montepuez pararam de circular há quase uma semana. O edil de Montepuez, Cecílio Chabane, reconhece o problema e explica que a edilidade tem estado a trabalhar para garantir que haja combustível nos próximos dias.

Além de criar transtornos na mobilidade da população, a paralisação dos autocarros em Montepuez provocou uma onda de desinformação sobre as reais causas do problema. Nesse sentido, a edilidade apela à calma dos munícipes.

Para minimizar o sofrimento da população, o município de Montepuez retomou, temporariamente, o transporte público de passageiros enquanto aguarda o fim da crise de combustíveis.

Montepuez recebeu, neste ano, cinco autocarros, dois dos quais circulam no centro da cidade, enquanto outros dois fazem a rota Balama-Namuno, numa extensão de sessenta quilómetros.

Pelo menos 60 famílias foram desalojadas no bairro das Mahotas depois de terem tomado um espaço supostamente abandonado durante as manifestações pós- eleitorais de 2024. As famílias acusam a PRM de terem incendiado e destruído as suas, e a administração do distrito municipal diz não ter sido informada da operação.

A madrugada desta quarta-feira no bairro das Mahotas na cidade de Maputo foi marcada por desespero e destruição. Mais de 60 famílias foram desalojadas em casas maioritariamente precárias construídas em terras supostamente abandonadas durante o período das manifestações pós-eleitorais de 2024.

Segundo as vítimas, por volta das três horas, a Unidade de Intervenção Rápida tomou o lugar “ e não deixaram ninguém pelo menos se vestir. algumas pessoas saíram nuas e outras saíram de capulanas e de calções.” Descreveu uma entrevistada que pediu anonimato.

Após a instalação, iniciou uma batalha judicial ainda sem desfecho, por isso, a população estranha a invasão da polícia, sem aviso prévio. “Não tivemos oportunidade de fazer nada, mas o que custou dar um pré-aviso.” Questionou outro entrevistado também sem revelar a sua identidade.

A Polícia da República de Moçambique esteve fortemente armada. As casas foram incendiadas e destruídas, deixando dezenas de famílias ao relento. Entre os desalojados estão muitas crianças, idosos e mulheres, agora expostos ao frio e à incerteza. Os bens que conseguiram salvar estão amontoados ao longo de vias públicas, transformando as ruas em abrigos improvisados.

“Queimaram documentos, uniforme das crianças e usaram gás lacrimogêneo. Eu vou passar a noite aqui, com crianças. nao temos onde ir”

Parte das famílias desalojadas chegou àquele ponto depois de ver as suas casas tomadas pelas águas das chuvas, e permanecem até hoje. A sua retirada daquele local, segundo as famílias, foi autorizada por entidades ligadas ao município de Maputo, no entanto, as estruturas afastam as alegações. 

Por indicação do Administrador do Distrito Municipal de Ka Mahotas, a Secretária do Bairro, Maria da Conceição,  distanciou-se das acusações.

“Não constituiu a verdade, porque aquela gente começou a ficar ali na altura das manifestações. Eles invadiram e foram se instalando ali. Em nenhum momento o bairro autorizou a estadia deles naquele lugar.”

Por outro lado, lamentou que a PRM não tenha informado  autoridades locais sobre a operação

“Eu conheço o proprietário do espaço. Já veio cá duas, três vezes. Já conversei com ele para poder conversar de uma forma amigável para a retirada daquelas pessoas. Lamentar, porque as estruturas locais não tomaram conhecimento da vinda dos policiais lá. Nem o administrador, nem eu como secretária tomamos conhecimento.” Concluiu

Até à nossa saída,  as famílias continuavam de um lado sem perspectiva de onde passar a noite, e a Polícia de outro, controlando o ambiente e vedando a entrada e saída da população no espaço.

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