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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República, Daniel Chapo, saúda a todos os jornalistas e  profissionais da comunicação social moçambicanos, por ocasião  das celebrações do dia mundial da Liberdade de  Imprensa, reafirmando o compromisso do Governo com um  ambiente de imprensa livre, segura e responsável. 

O Chefe de Estado sublinha que a celebração deste ano, sob lema “Reportando no Bravo Novo Mundo: O Impacto da Inteligência Artificial sobre a Liberdade de Imprensa e a  Comunicação Social”, enfatiza os novos desafios e  oportunidades impostos pela tecnologia ao jornalismo  contemporâneo. 

“Ao celebrarmos esta efeméride, este ano, rendemos a nossa  sincera homenagem aos jornalistas moçambicanos e a todos os  profissionais da comunicação social pelo seu papel inestimável  na consolidação da democracia, no reforço do Estado de Direito  Democrático e na promoção de uma cidadania activa e  informada”, lê-se na mensagem. 

O Presidente da República destaca ainda que a imprensa livre  constitui um pilar essencial para sociedades justas e inclusivas,  sendo também guardiã da verdade, promotora da transparência  e da prestação de contas nos assuntos públicos. 

Outrossim, renova o compromisso do Governo com os valores  democráticos fundamentais: “O Governo de Moçambique  reafirma, nesta data, o seu compromisso inabalável com a  liberdade de imprensa, com a protecção dos direitos dos  jornalistas e com a criação de um ambiente cada vez mais  seguro, ético e profissional para o exercício do jornalismo no  nosso país”. 

O Presidente Chapo reconhece, igualmente, o papel do Instituto  de Comunicação Social da África Austral (MISA) como um  parceiro relevante na promoção de um espaço mediático plural,  independente e comprometido com os valores democráticos.

Por fim, o governante lança um apelo inclusivo: “Convidamos,  igualmente, a todos os actores sociais, políticos e económicos a  protegerem e valorizarem a imprensa como instrumento de paz,  coesão nacional e desenvolvimento sustentável”, refere,  reafirmando o compromisso do país com a liberdade de  expressão e com um jornalismo responsável, plural e voltado para  o bem comum.

O Presidente da República,  Daniel Chapo, endereçou uma mensagem de  saudação por ocasião do dia nacional do Engenheiro,  que este ano celebra o 23.º aniversário  da criação da Ordem dos Engenheiros de Moçambique. 

Na sua mensagem, o Chefe do Estado expressa um profundo  reconhecimento aos profissionais da engenharia em  Moçambique e destaca o papel fundamental que  desempenham no progresso do país.

“Nesta data especial endereço uma calorosa saudação e um  profundo reconhecimento a todos os engenheiros  moçambicanos que, nas mais diversas especialidades, colocam  diariamente o saber técnico-científico ao serviço do progresso do  nosso país”. 

Chapo destaca que os engenheiros têm  desempenhado um papel determinante no desenvolvimento do  país, sublinhando que, com engenho e criatividade, estes  profissionais têm enfrentado desafios estruturais e promovido  soluções inovadoras que beneficiam sectores estratégicos da  economia e da sociedade. 

Prossegue alertando para os tempos de mudanças aceleradas,  enfatizando a importância de tornar os sistemas do país mais  resilientes. 

“Vivemos tempos de mudanças aceleradas, marcados  por fenómenos climáticos extremos e pela urgência de tornar os  nossos sistemas económicos, sociais e ambientais mais resilientes  e sustentáveis. As alterações climáticas impactam directamente as infra-estruturas, a segurança alimentar, os sistemas  energéticos, a conectividade digital e a gestão dos nossos  recursos naturais”. 

Diante desse cenário, o Presidente da República exorta os  engenheiros moçambicanos a continuarem a inovar e a  trabalhar em soluções sustentáveis, destacando a importância  de mobilizar o espírito criativo, o rigor técnico e o compromisso ético na busca por soluções robustas que transformem os desafios  em oportunidades de desenvolvimento sustentável. 

O Presidente da República reafirma a confiança  do Governo no papel estratégico da engenharia para o futuro  do país. “Neste Dia Nacional do Engenheiro, reiteramos a  confiança do Governo de Moçambique no papel estratégico que  estes profissionais desempenham na construção de um país  moderno, justo e próspero”.

Os juristas Esmeraldo Matavele e Alberto Langa afirmam que o suposto envolvimento dos juízes expulsos da magistratura judicial em casos de corrupção e cobranças ilícitas, além de manchar a classe, pode aumentar a descredibilidade, em relação aos tribunais.

De um conjunto de deliberações tomadas pelo Conselho Superior de Magistratura Judicial, estão as medidas mais pesadas, a demissão e expulsão de juízes por violarem a lei.

O presidente da Associação Moçambicana de Juízes diz que não se pode ainda tomar a culpabilidade dos juízes expulsos como um dado certo, mas afirma que a se comprovar o seu envolvimento em actos de corrupção, a classe fica manchada.

“A população terá toda a razão quando nos criticar, terá toda a razão quando perder a confiança pelos tribunais, mas nós como poder judicial devemos  provar o contrário ao cidadão ”.

Matavele diz que o contexto de vulnerabilidade dos magistrados judiciais abre espaço para serem tentados a se envolverem em actos de corrupção.

Por sua vez, o Jurista Alberto Langa explica que o envolvimento em actos criminais, por parte de quem deveria garantir justiça, pode contribuir para a descredibilização do sector. 

“Cresce a tendência de descredibilização da máquina da administração da justiça, estamos a assistir as pessoas a crerem menos na justiça e a optarem em fazer a justiça pelas próprias mãos…é um balde de água fria para toda máquina da administração da justiça”.

Os juízes expulsos estão envolvidos, de forma separada, no julgamento da polémica em torno da exportação de feijão boer a partir de Nacala, condenação de um menor de idade, por não se ter verificado a idade do arguido, em Nampula e na cobrança ilícita de valores para libertar um cidadão, este último caso ocorrido em Nampula. 

 

O sol de sexta-feira ainda mal tinha despontado no horizonte, mas as ruas de Inhambane já fervilhavam de actividades atípicas. Agentes da polícia e fiscais municipais posicionavam-se em pontos estratégicos da cidade, prontos para iniciar uma operação de fiscalização que prometia trazer ordem ao setor de transportes, mas que acabou por mergulhar a cidade num caos sem precedentes. A ordem era clara: verificar a legalidade de todas as viaturas que operam no transporte de passageiros.

De acordo com o vereador dos Transportes do Município de Inhambane, Novais Abubacar, esta operação já era esperada. “Alertámos em mais de quatro encontros com as associações e operadores. Esta fiscalização não é uma surpresa. Infelizmente, muitos ignoraram os nossos avisos”, afirmou.

O que deveria ser uma ação de rotina transformou-se rapidamente num campo de batalha entre autoridades e transportadores, expondo as tensões acumuladas por anos de dificuldades financeiras, regulamentações rígidas e uma economia em declínio.

Os transportadores, que asseguram a mobilidade de milhares de pessoas diariamente, não esconderam a indignação. Acusam as autoridades de impor exigências desproporcionais e de ignorar o impacto económico devastador que estas ações têm sobre o setor. “Querem inspeção em dia, seguro, pintura do carro, tudo de uma vez. Mas, com os ganhos que temos, isso é impossível”, desabafou Armando, um operador visivelmente frustrado.

A situação financeira dos transportadores não é um segredo. Muitos acumulam dívidas, resultado de manifestações pós-eleitorais, aumento do custo de vida e, mais recentemente, de uma queda no número de passageiros. “Legalizar uma viatura custa entre 40 e 50 mil meticais. Não temos esse dinheiro. Pedimos um pouco de tempo, até fevereiro do próximo ano, para nos organizarmos, mas ninguém nos ouve”, explicou João, outro transportador.

Sem um entendimento entre as partes, os transportadores decidiram cruzar os braços. A decisão foi um golpe para a cidade. O transporte de passageiros parou, deixando milhares de pessoas sem alternativas viáveis para se deslocarem. As poucas carrinhas de caixa aberta que tentaram operar foram rapidamente interditadas, seja pelos grevistas, seja pelas autoridades.

Julieta Manuel, uma passageira habitual, descreveu o caos vivido. “Saí da praça para Guiua, mas o carro não avançou. Tive de esperar horas, sem saber como chegar ao meu destino. Foi desumano.”

As ruas de Inhambane, habitualmente movimentadas, tornaram-se palco de cenas de frustração. Trabalhadores desesperados por chegar ao emprego e estudantes a perderem aulas eram imagens recorrentes. O impacto humano foi palpável.

Do lado das autoridades, a narrativa é diferente. Para o vereador Novais Abubacar, a paralisação foi impulsionada por operadores ilegais que não querem cumprir as regras. “Estamos a constatar que muitos dos que pararam são transportadores ilegais. Eles querem continuar à margem da lei e estão a forçar-nos a normalizar o que não é normal”, afirmou categoricamente.

Segundo dados oficiais, existem cerca de 60 operadores na cidade de Inhambane, responsáveis por ligar bairros e assegurar a mobilidade urbana. A operação de fiscalização, dizem as autoridades, visa garantir a segurança dos passageiros e combater práticas ilegais no setor.

Com a paralisação, a cidade parou. Trabalhadores atrasaram-se para os seus postos, empresas registaram perdas e atividades essenciais ficaram comprometidas. Para os cidadãos, o custo foi ainda mais alto. Muitos recorreram a caminhadas longas, enquanto outros pagaram preços exorbitantes por alternativas improvisadas.

“É revoltante. Enquanto eles discutem, nós, que dependemos do transporte público, ficamos sem opções. É desumano”, lamentou Julieta Manuel, visivelmente exausta.

Os transportadores mantêm a sua posição: querem um período de adaptação para se regularizarem. “Estamos dispostos a cumprir as exigências, mas precisamos de tempo. Pedimos que as fiscalizações sejam suspensas até fevereiro do próximo ano. Só assim conseguiremos recuperar economicamente e cumprir com tudo o que é exigido”, sugeriu Alberto Samuel, um transportador.

Enquanto as partes mantêm posições divergentes, a população de Inhambane continua a sofrer. A crise atual não é apenas sobre transporte. É um reflexo de problemas estruturais mais amplos, que incluem a falta de investimentos no setor, regulamentações desajustadas e a incapacidade de equilibrar legalidade e sustentabilidade económica.

A paralisação dos transportadores rodoviários é um alerta para a necessidade urgente de reformas no sistema de transporte público. O transporte público em Inhambane não é apenas um meio de deslocação; é o motor que mantém a economia local em funcionamento. Sem uma solução, o impacto poderá ser irreversível, afetando não só os transportadores, mas também a população e a economia da cidade.

Até que um consenso seja alcançado, as ruas de Inhambane permanecem marcadas pela ausência de viaturas e pela presença de uma população ansiosa por respostas e soluções.

 

Mais de 75 mil pessoas, residentes nos distritos de Maringue e Nhamatanda, na província de Sofala, vão ter sistemas de saneamento do meio, uma iniciativa do governo e parceiros com objectivo de melhorar a qualidade de vida dos beneficiários, com a disponibilidade de água para higiene segura.

Inúmeras comunidades rurais da província de Sofala continuam a praticar o fecalismo a céu aberto, em vez de utilizar instalações sanitárias ou latrinas, devido a falta de capacidade financeira para a construção, ou até mesmo por desconhecimento do perigo que esta prática traz.

O fecalismo a céu aberto e ausência de saneamento significa água contaminada e põe em causa a saúde e a dignidade das pessoas.

Ciente deste facto o Governo, a Agência austríaca para o desenvolvimento, a WaterAid Moçambique, e a Associação Comussanas, em parceria com os líderes comunitários dos distritos de Maringue e Nhamatanda, lançaram um projecto para inverter o cenário.

O projecto denomina-se SOFSAN, Sofala Saneamento, e vai beneficiar, numa primeira fase, 75 mil pessoas e, a longo prazo, toda a província de Sofala.

Mais do que construir infra-estruturas a SOFSAN irá fortalecer capacidades nas lideranças locais e nas mulheres como agentes de mudança no saneamento, e ainda  reforçar instituições locais para assegurar a continuidade das acções, uma iniciativa saudada pelo governo de Sofala.

Aos implementadores do projecto foi pedido para respeitar, em primeiro lugar, os hábitos e costumes das 117 comunidades onde será implementado o projecto piloto. Serão investidos mais de dois milhões de euros no referido projecto que faz parte da estratégia nacional

de saneamento rural 2021/2030,  que visa eliminar o fecalismo a céu aberto melhorando a vida das comunidades através de provisão de água e saneamento seguro.

O Conselho Superior de Magistratura Judicial expulsou três juízes por se ter provado o seu envolvimento em actos de corrupção e cobranças ilícitas a cidadãos envolvidos em processos. O órgão de disciplina dos juízes deliberou ainda pela abertura de processos disciplinares contra outros juízes, escrivães e oficiais de justiça.

Um  documento  traz a síntese das principais decisões tomadas na mais recente sessão plenária do Conselho Superior de Magistratura Judicial, órgão de disciplina dos juízes. Entre as deliberações tomadas no último dia 17 de Abril, destaque para a expulsão de três juízes.

Um dos três casos está relacionado com a polémica em torno da exportação de feijão bóer, a partir do Porto de Nacala. Após abrir processos disciplinares, a magistratura concluiu que o juiz Noé Zimpinga, juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial de Nacala, ordenou o arresto de 42 mil toneladas de produtos como milho, feijão bóer e arroz em numa circunstância em que:

  • o arresto preventivo não tinha fundamento legal (…);

  • O arguido ordenou o arresto e autorização total da carga mesmo o Ministério Público tenho ordenado o arquivamento do processo crime;

  • Prometeu, a uma das partes, arresto mediante cobrança de 1.2 milhões de meticais, valor que depois reduziu para 400 mil meticais.

Os factos foram considerados provados e o juiz foi expulso. 

Na cidade de Nampula, foi sancionado com decisão de expulsão o Juiz Seguei da Costa, Juiz de Direito C, depois de se ter provado que mandou deter uma arguida por recusar assinar uma notificação que era dirigida ao seu advogado. 

Segundo o órgão de disciplina: “Agir deste modo, privando uma cidadã da sua liberdade, sob alegação de erro de percepção, não justifica a falta do cumprimento da lei (…) A conduta do arguido violou o seu dever especial de desempenhar a sua função com seriedade”.

O mesmo juiz de Nampula era acusado de condenar um menor de idade, uma decisão que tomou por não verificar as idades dos arguidos. 

O terceiro juiz sancionado é do distrito de Manica. Chama-se Timóteo Chemai, o magistrado de Direito C demitido após um processo disciplinar que levou a que ficasse provado que cobrou valores ilícitos para libertar um cidadão detido na Cadeia de Manica, mesmo depois do mesmo cumprir todos os procedimentos para libertação.

“A vítima, detida, confirmou a cobrança ilícita dos valores monetários constantes da nota de acusação por parte do Director da Penitenciária de Manica, em conluio com o juiz arguido. O mesmo também sem motivo justificado e legal recusava a libertação do cidadão”.

Sobre os casos em apreciação do Conselho Superior da Magistratura Judicial está o caso da fábrica de Cimentos da Beira, em que um juiz do Tribunal Judicial da Província de Sofala deverá ser ouvido sobre a exposição feita pela empresa em causa.

Para outros juízes foram instaurados processos disciplinares.  

 

A fase piloto da quimioprofilaxia da malária em Inhambane está a mostrar resultados animadores, com uma redução significativa dos casos da doença na província, em cerca de 37%, segundo apresentados pelo Director Provincial de Saúde

A província de Inhambane, localizada no sul de Moçambique, tem sido historicamente uma das regiões mais impactadas pela malária, uma doença endêmica que afeta milhões de moçambicanos anualmente. Caracterizada por condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito vetor *Anopheles* Inhambane enfrentava, até recentemente, desafios significativos no controlo da doença. No entanto, os esforços concentrados nos últimos anos estão a trazer resultados positivos.  

De acordo com a Director Provincial de Saúde, Carlos Estêvão, em 2023 foram registados cerca de 925 mil casos de malária na província, o que representava uma alta taxa de incidência em relação à população. Nesse mesmo ano, 15 pessoas perderam a vida devido à doença. Já em 2024, o cenário apresentou uma melhoria considerável: os casos caíram para 613 mil, com apenas 6 óbitos reportados. Este avanço, que representa uma redução de quase 37% no número de diagnósticos e uma diminuição acentuada na mortalidade, é fruto de um conjunto de estratégias integradas de prevenção, diagnóstico e tratamento, além da cooperação ativa das comunidades locais.

Apesar dos progressos, as autoridades sublinham que a malária continua a ser uma ameaça e que o objetivo final permanece ambicioso: a eliminação total da doença. “Ainda não podemos descansar. Nosso objetivo é atingir o marco de ‘malária zero’, e isso exige um esforço contínuo e integrado”, afirmou Carlos Estêvão, Diretor Provincial de Saúde de Inhambane.

Entre as estratégias mais eficazes no combate à malária, destaca-se o uso de redes mosquiteiras impregnadas com inseticida. Desde 2022, o governo, em parceria com organizações internacionais, distribuiu milhares de redes para famílias em comunidades urbanas e rurais.

As redes, impregnadas com inseticidas de longa duração, funcionam como uma barreira física e química contra os mosquitos transmissores da doença, especialmente durante a noite, quando o risco de picadas é maior. Estudos realizados nas comunidades beneficiadas indicam que o uso regular das redes reduz a exposição ao mosquito vetor em até 70%. Contudo, para alcançar esses resultados, é fundamental que as famílias sejam sensibilizadas sobre o uso adequado. “Houve um esforço significativo de comunicação social para educar as famílias sobre como e por que usar as redes”, explicou Estêvão.

Além das redes, a pulverização intradomiciliar é uma medida complementar que tem mostrado resultados consistentes. Esta técnica, que consiste na aplicação de inseticidas nas paredes internas das habitações, interrompe o ciclo de vida do mosquito, reduzindo sua população dentro e ao redor das casas. Iniciada em 2021 como parte de uma estratégia de longo prazo, a campanha de pulverização tem metas ambiciosas: cobrir pelo menos 90% das habitações até 2030.  

Um dos desafios enfrentados é garantir que as comunidades permitam o acesso dos técnicos às suas casas. Para isso, foram implementados programas de sensibilização liderados por ativistas de saúde, que explicam os benefícios da pulverização e desfazem mitos sobre os possíveis riscos dos inseticidas. “A aceitação da pulverização melhorou muito nos últimos dois anos, e isso foi crucial para a redução dos casos de malária que observamos agora”, destacou o diretor provincial.

Outro destaque nas estratégias de combate à malária em Inhambane é a quimioprofilaxia sazonal, uma intervenção inovadora que foi introduzida em 2023 no distrito de Massinga. Este programa piloto, realizado em colaboração com o Centro de Investigação de Saúde de Manhiça, visa proteger crianças, um dos grupos mais vulneráveis à malária.  

A quimioprofilaxia consiste na administração de medicamentos antimaláricos de forma preventiva, geralmente durante os meses de maior transmissão da doença. Em Massinga, foram selecionadas crianças com idades entre 6 meses e 5 anos para participar da iniciativa. Os resultados preliminares são promissores: as comunidades envolvidas registaram uma redução de até 70% nos casos de malária entre as crianças.

Devido ao impacto positivo da intervenção, uma proposta foi submetida ao Ministério da Saúde para incluir a quimioprofilaxia no Calendário Nacional de Vacinação. A expectativa é de que, se aprovada, a medida seja ampliada para outras regiões do país. “Estamos confiantes de que esta abordagem terá um impacto profundo na saúde infantil, especialmente em áreas endémicas como Inhambane”, afirmou Estêvão.

Os medicamentos utilizados no programa são altamente eficazes e têm sido aprovados pela OMS para uso em programas de prevenção da malária. Contudo, a logística para a implementação em larga escala envolve desafios, como garantir o abastecimento contínuo de medicamentos, treinar profissionais de saúde e monitorar possíveis efeitos adversos. 

Além disso, a colaboração das famílias é essencial para o sucesso da quimioprofilaxia. “É importante que os cuidadores levem as crianças para as unidades de saúde nos momentos indicados e sigam as orientações dos profissionais”, explicou o diretor. 

Os impactos das estratégias implementadas em Inhambane são amplamente visíveis e trazem novas esperanças na luta contra a malária. A redução de quase 37% nos casos da doença e de mais de 60% nas mortes em apenas um ano é um indicador claro de que as medidas preventivas, quando bem executadas e combinadas, podem transformar significativamente a realidade de uma população afetada por doenças endémicas.

Além dos números, os avanços refletem uma melhoria na qualidade de vida das comunidades. A malária, sendo uma das principais causas de absentismo escolar e laboral, prejudica diretamente o desenvolvimento socioeconómico das famílias e da província como um todo. A redução dos casos permite que mais crianças frequentem a escola regularmente e que os adultos mantenham suas atividades produtivas, criando um ciclo positivo para o crescimento económico e social da região.

Contudo, os desafios persistem. Inhambane ainda ocupa uma posição preocupante. É a que regista o maior número de casos na região Sul de Moçambique e está também entre as províncias mais afetadas pela malária no país, ficando atrás de Nampula, Zambézia e Sofala, províncias que enfrentam contextos semelhantes devido à elevada densidade populacional e às condições climáticas favoráveis à proliferação do mosquito *Anopheles*. Para alcançar o objetivo de “malária zero”, será necessário intensificar e diversificar as ações existentes, ao mesmo tempo que se enfrentam barreiras logísticas e culturais.

Entre as prioridades estabelecidas pelas autoridades de saúde está a expansão das campanhas de pulverização intradomiciliar para áreas que ainda não foram abrangidas. Para isso, serão necessários investimentos adicionais em recursos humanos, materiais e logística. Além disso, pretende-se reforçar as ações de monitorização e avaliação para garantir que os inseticidas utilizados mantenham sua eficácia ao longo do tempo.

 

Mais de 100 criadores amotinaram-se, esta quinta-feira, defronte ao comando distrital da Polícia, para exigir da detenção dos autores dos roubos de gado e assassinatos, em Chongoene. Além de mais 2000 mil cabeças gados saqueadas, o suposto líder do grupo tem feito ameaças recorrentes às vítimas em Nhacutse.

O grupo especializado no roubo de gado semeia terror em oito comunidades da localidade de Nhacutse, distrito de Chongoene, em Gaza. Supostamente armados, actuam no silêncio da noite, arrastando o gado da zona residencial para as machambas. 

Mas vamos por partes. Comecemos pela última operação dos malfeitores. Há quatro semanas, o grupo entrou em cena e deixou de rasto, pelo menos, sete criadores, dos bairros 4 e 5. Entretanto, o prejuízo maior recaiu sobre Marcos Paulo, criador de 47 anos de idade, que, numa só noite, perdeu o esforço de toda vida.

“Afinal o que está a acontecer, estamos a ser mortos um por um. Mas o ladrão continua livre e bem. Contabilizando, chegam a sete residências. Roubaram-me cerca de 50 cabeças, sucede que atualmente está pior, já não roubam quatro cabeças, mas, de uma só vez, levam 10”, disse.

Na lista das vítimas segue Constantino Simbine, de 56 anos de idade, que, de uma só vez, perdeu mais de 20 cabeças de gado. 

“Neutralizamos os malfeitores e os entregamos à Polícia. O trabalho da polícia em Nhancutse não se faz sentir. Continuam os roubos. Recentemente, roubaram 23 cabeças de gado, mas a Polícia ainda não deteve os ladrões, o que revela que em Nhacutse não temos autoridades”, reclamou.

Contas feitas, em menos de cinco meses, o grupo já roubou quase duas mil cabeças, mas a cada dia somam-se mais casos e vítimas, refere a população, questionando o posicionamento das autoridades distritais.

Em conexão com os crimes, a população deteve um indivíduo de 52 anos de idade, a quem acusam de ser o líder do grupo que ali actua. Sucede que tal indivíduo foi restituído à liberdade, causando, desta forma, agitação e revolta no seio da comunidade.

“Neutralizamos um ladrão e o entregamos à polícia, mas para a nossa surpresa, ele está de regresso a comunidade de Nhacutse. O gado é morto, por exemplo, na zona de Mahiganheta e só apanhamos os restos”, conclui um morador de Nhacutse.

A população dirigiu-se esta quinta-feira ao comando distrital da PRM em Chongoene para exigir esclarecimentos em torno do assunto. Os criadores exigem que os autores dos crimes sejam detidos com urgência, para desencorajar o crime frequente naquelas comunidades.

“Eles roubam em  todos currais, mais de 26 habitantes aterrorizados por uma só pessoa. Queremos activar a vigilância comunitária em todos os sete bairros”.

O governo do distrito diz ter conhecimento do assunto, mas remete esclarecimentos às autoridades da Polícia, que também promete reação em momento oportuno.

A Organização dos Trabalhadores de Mocambique, Central Sindical delegação de Cabo Delgado, denunciou suposto impedimento de criação de sindicatos nas empresas de capital estrangeiro, que operam na província.

“Condenamos atitudes antissindicais de algumas entidades empregadores, que impedem o livre exercício da actividade do diálogo social. Algumas empresas, especialmente as de capitais estrangeiro, continuam a impedir a criação de estruturas sindicais de base e ignoram o diálogo social”, denunciou André Zacarias, Delegado da OTM-CS em Cabo Delgado.

Outra preocupação da organização está relacionada com o despedimento massivo de trabalhadores supostamente sem justa causa. “No período de Maio de 2024 até este ano 2025, dois mil duzentos e trinta e oito trabalhadores viram seus contratos rescindidos, sem justa causa, e sem indemnizações devidas, com argumento de estarem a fazer reestruturação das empresas, para se adequar aos actuais desafios económicos que o país enfrenta”, revelou André Zacarias.

As denúncias da OTM-CS em Cabo Delgado foram feitas durante as comemorações de 1 de Maio, Dia internacional dos Trabalhadores, que foram marcadas por uma deposição de coroa de flores, marcha pelas ruas da cidade e terminaram com um comício.

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