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O País – A verdade como notícia

A tão aguardada reabilitação dos passeios na Avenida 25 de Junho, no centro de Tete, encontra-se num impasse que coloca em risco a segurança dos pedestres. Embora o Município tenha anunciado a conclusão dos trabalhos, a realidade no terreno é outra: apenas 500 metros dos cerca de dois quilómetros de passeios foram requalificados, deixando a maior parte da via em estado precário e com sarjetas abertas. A alegada falta de fundos é apontada como a razão para a interrupção das obras.

Os trabalhos, iniciados em Abril deste ano, visavam melhorar as condições de circulação e mobilidade pedonal numa das avenidas mais movimentadas da cidade. Contudo, o entusiasmo inicial transformou-se em frustração para os munícipes, que se veem obrigados a disputar espaço com veículos e vendedores ambulantes na estreita via.

A situação é agravada pela já limitada capacidade da Avenida 25 de Junho para suportar a demanda de veículos, muitos dos quais ficam estacionados ao longo da estrada. A presença de vendedores ambulantes nos precários passeios força os pedestres a descer para a faixa de rodagem, aumentando o risco de acidentes. 

Utentes da via expressam a sua preocupação e clamam pela conclusão abrangente dos trabalhos em toda a avenida, de modo a garantir a segurança e fluidez do trânsito pedonal. O contraste entre o anúncio oficial e a realidade visível no terreno levanta questões sobre o planeamento e a execução de infraestruturas essenciais para a mobilidade urbana em Tete.

Dez docentes da Universidade Rovuma (UniRovuma) foram suspensos desta instituição, acusados de envolvimento em casos de assédio e corrupção. O facto foi despoletado após uma denúncia de estudantes junto à direcção da instituição.

O vice-reitor da UniRovuma, Ibrahimo Mussagy, confirma o caso e diz que, tendo tomado conhecimento da situação, foi destacado um grupo de professores no Instituto de Montepuez, que produziu conclusões parciais sobre o caso.

Segundo Mussagy, depois de reunidas as conclusões parciais da direcção da UniRovuma, tomou um conjunto de decisões sequenciais, tendo a primeira sido a exoneração de grande parte dos professores indiciados de praticar assédio.

Um mês depois da primeira decisão, através de um despacho do reitor da Universidade Rovuma, os professores em causa foram afastados de todas as actividades lectivas.

“Uma vez que vamos entrar num período de exames, temíamos que pudesse existir represálias aos estudantes por causa das denúncias. A medida visava que este processo de exames decorresse da melhor forma e num ambiente de tranquilidade”, explicou Ibrahimo Mussagy.

Segundo explica, decorre, neste momento, um processo que compreende várias fases, que vai culminar com processos disciplinares contra os docentes. Porém, antes, anota Mussagy, os professores em causa deverão ser confrontados com as evidências e as provas que estão, neste momento, a ser produzidas.

“Naturalmente, vão ter espaço para a sua defesa e podem contrapor os argumentos deste processo, e, a partir daí, ver-se-á qual é o desfecho”, disse o vice-reitor. Em caso de se provar o seu envolvimento, além dos processos disciplinares, os docentes correm o risco de ser expulsos da UniRovuma.

A direcção desta instituição de ensino superior equaciona, também, dependendo do desfecho, encaminhar o caso às instituições da administração da justiça, para os devidos efeitos.

Em uma reflexão profunda sobre a educação em Moçambique, Graça Machel deu recomendações cruciais para o futuro da Universidade Pedagógica (UP), destacando seu papel insubstituível na formação de docentes e técnicos de educação. Para Machel, a UP é a chave para a relevância de Moçambique no cenário global e para a consolidação da unidade nacional. 

Ela defende que a universidade deve se reafirmar essencialmente como uma instituição de formação de professores e técnicos de educação no mais alto nível que o país for capaz. “Ninguém deve ser capaz de competir e ultrapassar a qualidade que deve sair desta instituição”, afirmou, enfatizando que a UP precisa ser o centro de excelência que define o que é formar um docente no século XXI, capaz de antecipar as dinâmicas e desenvolvimentos do mundo. Para Machel, adiantar-se na formação de professores é uma questão estratégica de sobrevivência para Moçambique como nação, garantindo que o país não fique “sempre atrás dos outros”.

Uma das recomendações mais significativas de Machel foi a necessidade de a UP reconsiderar a opção de abrir representações em todo o país. Embora reconheça que não é uma tarefa exclusiva da UP, Machel salientou que a iniciativa e a liderança devem partir da universidade. Ela argumenta que nenhum país pode se considerar “uno e indivisível” sem instrumentos claros, fortes e seguros que garantam essa unidade. 

Machel expressou sua “mágoa” pelo desmembramento da UP, que, em sua visão, resultou na perda de um “instrumento fundamental” que assegurava a unicidade de formação dos docentes em todo o país. Essa unidade de formação, segundo ela, era crucial para forjar “uma mesma maneira de entender o mundo, de entender o país, de abraçar a nacionalidade moçambicana e afirmar-se em cidadãos de uma mesma pátria”. A retomada de uma presença unificada em todas as províncias é vista como essencial para resgatar esse propósito.

Para contextualizar suas recomendações, Graça Machel revisitou a história da educação pós-independência de Moçambique. Descreveu o cenário precário de 1975, com poucos alunos e uma pirâmide educacional aguda. A nacionalização da educação em Julho de 1975, pelo Presidente Samora Machel, foi um marco, abrindo as portas do ensino a milhões de crianças. 

O número de alunos na escola primária saltou de 670 mil para 1.2 milhão em 1976, atingindo 1.4 milhão em 1979. Apesar da devastação causada pela guerra dos 16 anos, que destruiu 45% da rede escolar, a resiliência do país permitiu manter cerca de 1.3 milhão de alunos até o Acordo Geral de Paz em 1992. Machel destacou ainda a iniciativa de suspender os 6º e 7º anos letivos em 1977 para formar professores, a chamada “geração 8 de Março”, que se tornou um pilar fundamental para o sistema educacional. A “moçambicanização” dos conteúdos, com ênfase em história, geografia e educação política, foi crucial para a afirmação da identidade nacional. A solidariedade internacional, com o envio de milhares de alunos para Cuba e RDA, também foi lembrada como um exemplo de busca por equidade e unidade nacional, privilegiando filhos de operários e camponeses de todas as regiões. A criação do Instituto Superior Pedagógico (ISP) em 1985 foi a resposta à necessidade de formar professores para o ensino secundário, tornando-se a principal referência na formação de docentes no país.

Graça Machel falava esta terça-feira, na Cidade de Maputo, durante uma aula aberta na Universidade pedagógica.

Francisco Nangura foi eleito pelos camaradas na primeira conferência extraordinária com 72 votos. O segundo mais votado foi Chabane Jalilo com 26 votos e Ângela Serrote ficou em terceiro lugar com 21 votos. 

Francisco Nangura foi eleito primeiro-secretário do comité provincial, na madrugada desta terça-feira, no decurso da primeira sessão extraordinária do comité provincial. Chabane Jalilo amealhou 26 e Ângela Serrote, 21.

No seu primeiro discurso disse que quer resgatar os municípios governados pela oposição, Quelimane e Alto-Molocue. 

“Sozinho não vou conseguir guiar este barco, é muito grande, Quero contar com o vosso apoio. Todas as ideias serão sempre válidas e as terei em conta. Quero deixar claro aqui que o Primeiro secretário da Frelimo na Zambézia é apenas o primeiro entre iguais. Vamos começar a falar da Frelimo na Zambézia, com a Frelimo na Zambézia, porque só assim conseguiremos recuperar o município de Quelimane. É um desafio ao nosso alcance. Queremos resgatar o município de Quelimane, para dar dignidade a nossa população”, disse Nangura. 

José Pacheco, chefe adjunto da brigada central de assistência a Zambézia, destacou a coesão dos camaradas para que o novo primeiro-secretário logre sucessos.

“Estamos a entregar a liderança do partido na Zambézia, forjada para trabalhar com todos, no espírito de consolidar  o espírito de equipa e de trabalho interno”, disse  

A primeira sessão extraordinária iniciou na segunda-feira e terminou na manhã desta terça-feira. 

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, considera que, com a morte de Lopes Tembe, antigo combatente e membro fundador da Frelimo, o país perdeu um dos seus melhores filhos e um dos nacionalistas que desde a primeira hora se entregaram à causa da liberdade do povo moçambicano e da dignidade do povo.

O Chefe do Estado, que falava no velório do antigo combatente, sublinhou que Lopes Tembe foi uma figura incontornável na história de libertação e afirmação na nação moçambicana.

“Com a fundação da Frelimo, Lopes Tembe engajou-se com elevado sentido patriótico na Luta de Libertação Nacional, em actividades clandestinas e na frente diplomática, destacando-se pelo seu carisma, humildade, responsabilidade, competência e, sobretudo, humanismo”, disse o Presidente da República.

Para Daniel Chapo, além de ter sido uma das figuras mais respeitadas, Lopes Tembe foi exemplar e com alto sentido de confiança no seio dos combatentes.

No último adeus àquele que em vida emprestou o seu vigor e bravura, a  Associação dos Combatentes da Luta de Libertação Nacional (ACLLN) recordou o veterano como uma figura que foi determinante na diplomacia pré e pós-independência.

“Os veteranos da Luta de Libertação Nacional perderam um guerrilheiro expressivo, com altas convicções de amor à pátria e que a sua existência só tinha razão de ser após a confirmação da liberdade conquistada pelo seu povo pelo qual lutou e trouxe a independência, a maior conquista da nação moçambicana”, disse o secretário-geral da ACLLN, Jorge Silia.

Além de combatente, Lopes Tembe foi um embaixador e defensor de uma diplomacia beneficente na nação, e, para os seus colegas, foi um professor por excelência.

“O respeito e a paciência com que ouvia os colegas, a modéstia, a honestidade e a simplicidade demonstrada no seu percurso profissional, em serviço ao Estado moçambicano, e em particular ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, são qualidades que caracterizaram o embaixador Lopes Tembe”, anota Damião Mathe, em representação do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

Nascido em 1937, Lopes Tembe dedicou a sua juventude em acções que se traduziram num ganho colectivo. Para a família, mesmo em momentos mais difíceis, Tembe nunca deixou de demonstrar o seu heroísmo.

“Agradecemos por essa herança de valor inestimável que nos deixas. Os filhos que soubeste educar, os melhores valores que se podem esperar de um cidadão, estamos certos de que saberão honrar e perpetuar o teu nome em harmonia e fraternidade. Acima de tudo, guardarão seguramente o teu exemplo de integridade, trabalho árduo e elevado sentido de justiça”, sublinhou Castigo Langa, em representação da família.

Em vida, Lopes Tembe foi secretário-geral da UDENAMO, embaixador de Moçambique em vários países, entre outros cargos no partido e no Governo. Os seus restos mortais foram a enterrar no cemitério de Lhanguene, na Cidade de Maputo.

A produção agrícola de mais de 300 agricultores no distrito de Limpopo, província de Gaza, está seriamente ameaçada devido à invasão de hipopótamos. Em apenas um mês, os animais já destruíram cerca de 250 hectares de culturas diversas, levando os produtores a exigirem medidas urgentes.

As comunidades mais afetadas são Chimangue e Makandene, localizadas nas margens do rio Limpopo. Segundo o líder comunitário João Chopo, os hipopótamos têm invadido as machambas durante a noite, provocando prejuízos significativos.

“Apesar de termos colocado bandeirolas para tentar afugentá-los, não surte efeito. Trata-se de uma manada inteira, não são dois ou três, são muitos hipopótamos que destroem tudo à noite”, explicou.

De acordo com os relatos locais, cerca de 300 hectares de terras pertencentes a aproximadamente 400 agricultores foram afetados. “Os prejuízos são enormes. Os hipopótamos não dão trégua. Estão a devastar tudo”, acrescentou Chopo.

Camponeses Desesperados

Laurinda Azarias, de 56 anos, é uma das agricultoras atingidas. Com deficiência física e sem outra fonte de rendimento, dependia da colheita de milho e feijão em 3,5 hectares de terra, onde esperava produzir entre 8 a 10 toneladas para o consumo da família.

“Sou deficiente, acordo cedo, esforço-me com a esperança de conseguir alguma coisa, mas não sobrou nada. Pedimos socorro”, clamou.

Mequidónia Mucache, de 45 anos, também viu a sua produção desaparecer. “Essa machamba é minha, tem dois hectares. Não conseguimos colher nada. Os hipopótamos invadiram tudo. Precisamos de ajuda, de verdade”, pediu.

Com medo de perder o que resta das suas colheitas, muitos agricultores passaram a pernoitar nas machambas, tentando proteger os campos durante a noite.

Mais Problemas para os Agricultores

Além da destruição causada pelos hipopótamos, os agricultores enfrentam outras dificuldades, como a falta de insumos agrícolas e a ausência de infraestrutura de drenagem. Os líderes comunitários denunciam que há mais de 50 anos que as valas de drenagem não são reabilitadas, o que contribui para a inundação de cerca de 100 hectares de terra.

“Recebemos queixas todos os dias, mas quando levamos às autoridades, ninguém nos dá atenção. A situação das valas é antiga e continua por resolver”, lamentaram os líderes de Chimangue e Makandene.

As autoridades distritais, por meio do Serviço Distrital de Actividades Económicas, confirmaram estar a par da situação e prometeram pronunciar-se esta quinta-feira.

Enquanto aguardam uma resposta oficial, os agricultores vivem num clima de tensão e desespero, temendo pela perda total da produção e pela insegurança alimentar nas suas comunidades.

O ministro da Saúde promete ser implacável com os profissionais que atendem pacientes com arrogância, porque o povo não pode sofrer por conta do comportamento de algumas pessoas. Ussene Isse falava, ontem, em Maputo, no lançamento da semana de saúde e bem-estar.

O lançamento da Semana da Saúde e Bem-estar, evento que teve lugar ontem, em Maputo, serviu como pretexto para o Ministro da Saúde, Ussene Isse, condenar algumas atitudes dos profissionais de saúde nos hospitai e lançar avisos para a mudança de comportamento. 

Numa sala preenchida por profissionais de saúde, médicos, funcionários administrativos, líderes comunitários e religiosos, o governante colocou o dedo na ferida e apontou parte dos problemas que mancham o sector.  

A prepotência e arrogância dos profissionais de saúde nas unidades sanitárias são algumas das doenças que enfermam o sector.  

“Quando alguém sai da sua casa e vai ao hospital, é que vai buscar esperança. Quando chega lá, há arrogância. Trata mal aos pacientes. Quando alguém chega, está doente, o profissional está ao telefone, está a ouvir música e começa a escrever a receita. Não está a falar com o doente. Se eu estiver a falar mentira, podem me dizer. Eu sei disso porque eu saí do hospital para aqui (cargo de ministro da Saúde). Dia e noite estava lá. Eu sei quais são as nossas fraquezas. Então, vamos corrigir. Está tudo nas nossas mãos para corrigirmos”, assumiu Ussene Isse.

Por isso, Ussene Isse promete mão dura para este tipo de comportamento. 

“Serei implacável para esse tipo de prática. Não vou perdoar. O povo não pode sofrer por causa de uma pessoa. Não vou permitir isso. Vamos corrigir. Se não o fizer, vamos tomar medidas. Quero que sejam vigilantes. Cada um de vocês tem que ser vigilante. Tem que ajudar o seu colega. Não permitir que a arrogância tome conta dele. Nós não queremos esse tipo de prática no atendimento ao nosso povo”, advertiu o ministro da Saúde. 

E este povo, acrescenta Ussene Isse, não exige muito do sector da saúde. O goveranante diz esperar contar com todos os profissionais  do sector para a construção de um sistema de saúde cada vez mais forte, robusto e apetecível para a população. 

“O pobre só tem  serviço público. Eu quero que o serviço público responda aquilo que o povo quer. E não é muito. O povo não quer luxo. O povo quer um bom hospital. Chegar ao hospital e ser bem atendido. Ir ao internamento e encontrar uma boa cama. Um lençol e uma manta para cobrir. Ter comida no hospital. Ir à farmácia receber os medicamentos. É só isso que o povo precisa. Mais nada.”, referiu Ussene Isse.       

A Semana da Saúde e Bem-estar enquadra-se nas celebrações dos 50 anos da independência nacional no sector da Saúde.   

Os assassinatos, extração de órgãos humanos e sequestros continuam a preocupar pessoas com Albinismo. Este grupo queixa-se de estigma e descriminação e exige respeito. O Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos lançou hoje, a Semana de Conscientização sobre o Albinismo. 

A semana de conscientização sobre o Albinismo acontece num contexto em que persistem muitos desafios, sobretudo no que diz respeito à protecção deste grupo, que muitas vezes se tem queixado de ser alvo de várias perseguições. 

As pessoas portadoras de albinismo nasceram com ausência total ou parcial da melanina, e por isso, a sua pele é muitas vezes associada à riqueza e poderes sobrenaturais, tal como descreveu Leta Vasco. 

“Mesmo quando ando na rua, as pessoas chamam-me de bolada. Atacam-me com palavras de riqueza dizendo que eu não sou pessoa”, disse, acrescentando que muitas destas pessoas vivem com medo, devido às perseguições para extração dos seus órgãos.

“Há momentos em que prefiro não me fazer à rua por causa destes comportamentos. Algumas pessoas atiravam-me pedras e outras cuspiam em mim”.

A falta de pigmentação da pele fez também com que Nelson Mazive tivesse que aprender a lidar com o preconceito, desde os seus primeiros anos de vida. 

“Há descriminação e estigma na sociedade. Pessoas com albinismo são atribuídas  nomes pejorativos e há um tratamento desumano”.

Falando no lançamento da semana de Conscientização sobre o albinismo, o Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, reconheceu que ainda há desafios para a protecção deste grupo.

“Os albinos continuam a enfrentar desafios significativos em matérias de direitos humanos, incluindo descriminação, exclusão social e graves violações dos seus direitos. O Governo está comprometido em resolver este cenário…realizando campanhas nacionais e internacionais de conscientização”.

Esta segunda-feira foi lançado o projecto Rights For Inclusion, com o objectivo de salvaguardar os direitos das pessoas com deficiência. 

“É um projecto destinado especificamente a pessoas com albinismo, para  a questão da promoção dos seus direitos e protecção da sua pele”, explicou Zeca José, representante do Fórum das Associações Moçambicana para Pessoas com Deficiência (FAMOD). 

 

O albinismo é uma doença genética hereditária, na qual as células do corpo não são capazes de produzir melanina, um pigmento que, quando está em falta, resulta em falta de cor na pele, olhos, pelos e cabelos.

Assim, a pele de um albino é geralmente branca, mais frágil e sensível ao sol, enquanto que a cor dos olhos pode variar de azul muito claro quase transparente a castanho. O Dia Internacional de Conscientização sobre o Albinismo assinalou-se a 1 de Junho. 

A Associação de Empoderamento Feminino (AEFEM), liderada pela artista e activista Liloca (Luísa Zélia), realizou uma visita solidária à Associação Hixikanwe, em Maputo. A iniciativa teve como objectivo apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade, particularmente afectadas pelo HIV, através da entrega de bens alimentares e da atribuição de bolsas de formação profissional. 

No total, foram entregues sete bolsas de estudo para cursos técnicos em áreas como arte floral, corte e costura, culinária, maquilhagem, prótese capilar, mestre de cerimónias e picotagem de cabelos. Durante a actividade, também foram distribuídos cabazes de produtos de primeira necessidade, com especial atenção às mulheres e crianças vivendo com o HIV. 

No seu discurso, Liloca sublinhou que o propósito da AEFEM é transformar vidas através do conhecimento e da criação de oportunidades de rendimento. “Esta visita não é apenas simbólica. Viemos trazer ajuda imediata, mas sobretudo semear futuro. Queremos que estas sementes se espalhem por todo o país”, afirmou, acrescentando que a associação pretende alcançar mil mulheres em três anos, apoiar a criação de duzentos micronegócios e contribuir para a geração de emprego e aumento da autonomia económica das mulheres em todo o território nacional. 

A visita decorreu na sede da Associação Hixikanwe, uma organização não governamental fundada por mulheres que vivem com o HIV. Registada oficialmente em 2009, a Hixikanwe beneficia actualmente mais de quatro mil pessoas e actua em áreas como prevenção do VIH/SIDA, saúde sexual e reprodutiva, apoio psicossocial, nutrição, educação pré-escolar, rastreamento de doentes em TARV, e empoderamento económico. 

A presidente da associação, Judite de Jesus, agradeceu a presença da AEFEM, sublinhando a importância do gesto. 

A acção contou com a presença de representantes do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, do Conselho Municipal da Cidade de Maputo e de várias lideranças comunitárias. 

Também presente na cerimónia, Anabela Unguane, representante do Pelouro da Mulher, Assistência Social e Família do Conselho Municipal, elogiou a acção e o envolvimento da artista. 

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