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O País – A verdade como notícia

Correm termos 47 processos contra protestatários que vandalizaram instituições de justiça na Zambézia, em Dezembro do ano passado. Há igualmente agentes das  Forças de Defesa e Segurança que, durante a actuação, colocaram em causa os direitos humanos

De acordo com Fredy Jamal, procurador-chefe na Zambézia, há uma média de 47 processos a nível de todos os distritos, como também há processos que correm contra alguns agentes das Forças de Defesa e Segurança.

Fredy Jamal partilhou estes dados à margem da capacitação de oficiais de justiça e seus assistentes em matérias de actos de cartório, que decorre em Quelimane.

Na ocasião, Jamal esclareceu que a existência desses processos não significa que houve excesso por parte dos órgãos de justiça, mas que foi, sim, num acto de defesa dos direitos humanos, uma bandeira do Ministério Público.

“Há alguns processos que estão a ocorrer, porque, durante as manifestações, tivemos até mortes de civis. Então, é importante responsabilizar as pessoas, chamá-los a atenção que, quando queremos reivindicar um direito, não precisamos de destruir, não precisamos de tirar a vida de ninguém”, explicou.

Fredy Jamal esclareceu ainda que é papel do Ministério Público garantir a legalidade e fazer cumprir a lei. “Importa referir que, durante as manifestações violentas, o Ministério Público sofreu com estas manifestações. Como é de conhecimento de toda a comunicação social e do mundo inteiro, a Procuradoria Distrital de Namacurra foi completamente destruída. Tivemos problemas com as procuradorias que funcionam dentro dos tribunais de Mocubela, Luabo, Derre, Maganja da Costa, mas é importante dizer que o nosso não funcionamento nestes distritos que foram afectados directamente foi de pouca duração, uma média de um, dois meses”, explicou.

Por isso, segundo Fredy Jamal, houve necessidade de se fazer esforços de recuperação e, “neste momento que estamos aqui a falar e a dirigir esta acção de formaçãoé que todas as procuradorias distritais da Zambézia se encontram em funcionamento”.

Neste momento, muitas procuradorias distritais funcionam nos edifícios dos tribunais, mas o ideal era que cada uma das instituições funcionasse no seu próprio edifício.

“Algumas não estão a funcionar nos locais onde já estavam a funcionar, como é o caso da Procuradoria Distrital de Namacurra, que fomos alocado um espaço pelo Governo do Distrito, tivemos que reabilitar por esforços próprios, meios próprios, e estamos a funcionar num local modesto, mas com condições que dignifiquem o Ministério Público. Nos outros distritos, Mocubela, infelizmente voltamos a funcionar dentro da Conservatória dos Registros Civis, nos outros distritos, a mesma sorte, mas o importante é que nós temos todas as procuradorias em funcionamento”, garantiu Fredy Jamal.

O procurador-chefe da Zambézia disse ainda que a nível do Ministério Público já existem plantas e modelos das procuradorias distritais, devendo iniciar o processo de construção e/ou reabilitação nos próximos anos, segundo o plano estratégico.

“Há modelos, e eu acredito que uma média de 20, 30 milhões de meticais, para erguer uma procuradoria distrital e funcionar. Não somos contra o funcionamento dentro dos tribunais, mas é um determinado recuo estarmos a funcionar dentro de um tribunal, porque as pessoas se identificam com o tribunal. Onde é que funciona a procuradoria? Funciona dentro do tribunal. Nós queremos e defendemos que as procuradorias distritais também sejam erguidas, sejam construídas de raiz, como também defendemos que os estabelecimentos penitenciários também tenham a sua expansão”, manifestou Fredy Jamal.

Já que, em alguns distritos da província da Zambézia, foram inaugurados tribunais novos, Fredy Jamal enaltece e felicita o Governo pela iniciativa, mas mostra-se preocupado com o facto de não existirem estabelecimentos penitenciários. “Continuamos com a ginástica de transferi-los dos distritos em que são julgados para os distritos que têm estabelecimentos penitenciários”, lamentou.

A capacitação decorre nos próximos três dias e vai abordar temas como corrupção, direitos humanos entre outros.

A circulação na EN1 esteve interrompida durante várias horas desta terça-feira, no distrito de Massinga, em Inhambane, devido a um protesto popular. Revoltados com o baleamento de dois cidadãos, os manifestantes exigiam a remoção imediata da portagem de Malova, considerada injusta pelos residentes locais.

Eram pouco depois das 6 horas da manhã, quando residentes do distrito de Massinga, em Inhambane, decidiram bloquear a portagem de Malova, em protesto contra o disparo da polícia que feriu dois civis durante a perseguição a um “chapa 100”, que se recusou a pagar a taxa de portagem. Indignados, os populares exigem responsabilização e acusam as autoridades de uso excessivo da força numa situação que, segundo eles, podia ter sido resolvida sem violência.

O Ministério da Saúde diz que ainda não há necessidade de o país solicitar vacinas contra Mpox, pois a situação ainda está controlada. O MISAU confirma a existência de 17 casos em Niassa e 92 suspeitos e fala do reforço da vigilância nas fronteiras com o Malawi e a Tanzânia. 

O Ministério da Saúde chamou a imprensa, esta terça-feira, para dar o ponto de situação do Mpox no país. Segundo o Misau, o país regista 17 casos positivos no distrito de Lago, em Niassa, e 92 suspeitos, o que eleva o nível de alerta do controlo da doença.

O Ministério garantiu que está a reforçar as medidas de vigilância nas fronteiras com o Malawi e Tanzânia, de modo a evitar a propagação da doença no país.

Em relação à solicitação das vacinas para o Mpox, o MISAU garante que ainda não há necessidade para tal, pois ainda se trata de um surto.

Esta é a segunda vez que o país regista casos de Mpox, tendo o primeiro sido em 2022.

Os deslocados acolhidos em Nampula em 2020 não recebem assistência humanitária desde Dezembro de 2023. Muitos estão com dificuldades para sobreviver, incluíndo pessoas com  deficiência. A Fundação Aga Khan está com um projecto de inserção social dos deslocados.

É o maior centro de deslocados internos aberto na província de Nampula em Novembro de 2020. Está localizado no posto administrativo de Corrane, distrito de Meconta e cinco anos depois ainda acolhe pessoas com dificuldades de lidar com as memórias do passado.

Em Dezembro de 2023, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) parou de dar assistência alimentar, depois da saída do Programa Mundial de Alimentação, que apoiava o Governo de Moçambique com uma cesta básica para assistir os deslocados. 

Neste momento, muitos deslocados enfrentam a fome, visto que, quando foram atribuídos os terrenos habitacionais, receberam promessas de um hectar e meio para a produção agrícola, mas os espaços foram tomados pelos nativos. 

Entre os deslocados, há pessoas com limitações físicas e visuais que travam diariamente a luta pela sobrevivência. O senhor Martins tem 72 anos, deficiente visual, e é um homem polígamo que gere uma família cmposta por 10 pessoas.

Com 11 anos, Dalton é um adolescente que tem a sua vida marcada pela deficiência física. Nasceu assim e é nesta condição que fugiu do terrorismo no distrito de Muidumbe em 2022, juntamente com a mãe, sua irmã e o seu irmãozinho.

Neste contexto, a Fundação Aga Khan tem um projecto de coesão social e reinserção dos deslocados que tem uma componente de retorno seguro para aqueles que pretendem voltar às zonas de origem.

Em Nampula está a começar, mas em Cabo Delgado e no Niassa a experiência já começou a dar resultados.

O Procurador Chefe da Zambézia, Fredy Jamal, confirmou que correm 47 processos contra manifestantes, que vandalizaram instituições de justiça naquela província, em Dezembro do ano passado. Jamal disse ainda que foram instaurados processos contra agentes das Forças de Defesa e Segurança, que, durante a sua actuação, colocaram em causa os direitos humanos.

O Procurador Chefe Provincial da Zambézia falava hoje, à margem da capacitação de oficiais de justiça e seus assistentes em matérias de actos de cartório, que decorre em Quelimane.

“Há processos que estão a correr contra manifestantes, sim. Uma média de 47 processos em todos os distritos, como também temos processos que correm contra alguns agentes das Forças de Defesa e Segurança  (…) Porque houve algum excesso, e a defesa dos direitos humanos sempre foi uma bandeira do Ministério Público. Há alguns processos a correr, porque, durante as manifestações, tivemos até morte de civis”, disse Fredy Jamal.  

O Procurador afirmou ainda que o Ministério Público “sofreu durante as manifestações”, devido a destruição de infra-estruturas. “A Procuradoria distrital de Namacurra foi completamente destruída. Tivemos problemas com as procuradorias que funcionam dentro dos tribunais de Mocubela, Derre, Maganja da Costa”, disse. 

Neste momento muitas procuradorias distritais funcionam nos edifícios dos tribunais, mas o ideal era que cada uma das instituições funcionasse no seu próprio edifício. 

“A nível de Ministério Público, nós já temos plantas modelos, e eu penso que vai ser implementada nos próximos anos, e faz parte do nosso plano estratégico.   Há modelos, e eu acredito que é uma média de 20 a 30 milhões de meticais para reerguer uma procuradoria distrital e funcionar. Não somos contra o funcionamento da procuradoria dentro dos tribunais, mas é um determinado recuo estarmos a funcionar dentro dos tribunais”, explicou.  

A capacitação decorre nos próximos três dias e vai abordar temas como corrupção, direitos humanos entre outros. 

 

O Banco Mundial está a implementar mecanismos de combate e antecipação de práticas de corrupção com a promoção de encontros técnicos de reflexão sobre a auditoria interna. Uma delegação do Brasil está no país para o processo de troca de experiências.

A missão da delegação brasileira, mandatada pelo Banco Mundial, teve início nesta segunda-feira, com a realização de uma Reunião de Alto Nível de Troca de Experiência sobre Controlo e Auditoria Interna.

Os técnicos brasileiros dizem que o objectivo passa por reverter o cenário, onde, para além de promover auditoria em busca de falhas, as novas práticas devem ser de antecipar os riscos e desvios de fundos.

O Brasil goza desta mudança há 10 anos e quer passá-la a Moçambique. “Trabalhamos preventivamente para evitar erros, desperdícios e ocorrência de corrupção através de metodologias baseadas em riscos. Antes de os eventos acontecerem, já temos uma previsão do que pode vir a acontecer (…) com controlos e mecanismos de prevenção para evitar a má aplicação do recurso público, e dessa forma nós evitamos o desvio, evitamos o processo futuro que começa com proteger  a gestão e evitamos que haja prejuízo para o cidadão”, afirmou Rodolfo Serrano, coordenador da Câmara de Auditoria Interna.

Moçambique vai querer capitalizar o momento, que também serve de reflexo de mecanismos de gestão da coisa pública. “A base da nossa experiência, que é para qualquer país, olhando para melhoria de processo dentro da actuação da auditoria,  trazendo as bases, é o mais importante e cabe a cada país, em particular Moçambique, adequar essa aplicação à sua realidade”, acrescentou Antonio Fabio, coordenador geral de Goiás.

À margem do programa, um grupo de mais de 50 auditores e agentes ligados às finanças públicas irá beneficiar de uma indução de quatro dias. “Estamos ansiosos para absorver os vossos valores de conhecimento, compreender em profundidade o modelo institucional do controlo interno brasileiro, e partilhar as melhores práticas no campo da auditoria interna. Acreditamos firmemente que essa troca de experiências nos permitirá aprimorar os nossos próprios sistemas e enfrentar os desafios com maior resiliência e inovação”, salientou o inspector-geral das Finanças, Emmanuel Mabumo.

Os terroristas atacaram a comunidade de Maririni, 50 quilómetros no interior do distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado, incendiando casas e levando à fuga da população, relataram fontes locais, citadas pelo Notícias ao Minuto.

O ataque aconteceu nas primeiras horas do dia, após os terroristas escalarem a aldeia com disparos de armas de fogo.

Outra fonte no terreno disse à Lusa que várias casas de construção simples estão em chamas, com a população em fuga para a vila Chiúre e o posto administrativo de Ocua. Grupos de insurgentes atacaram a sede do posto administrativo de Chiúre Velho, no sul da província de Cabo Delgado, provocando pelo menos um morto e incendiando o posto policial, centro de saúde e uma escola primária.

O governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, confirmou o ataque que obrigou à deslocação da população, mas garantiu que as forças de segurança estão a tentar restabelecer a ordem.

“Em Chiúre houve algumas incursões, as forças no local estavam em prontidão, mas não deixou de haver o ataque”, disse Valige Tauabo à Lusa, acrescentando que “é preciso que se restabeleça a ordem, e a população em algumas aldeias teve que abandonar para zonas seguras”.

Ademais, segundo Valige Tauabo: “há protecção do Governo e das Forças de Defesa e Segurança”.

Populares de duas localidades do distrito de Chiúre, em Cabo Delgado, relataram à Lusa novos ataques por parte de supostos grupos insurgentes, levando à fuga da população.

A circulação na Estrada Nacional 380 (EN380), Norte de Moçambique, está a ser feita desde terça-feira em coluna militar, face a ataques de insurgentes a automobilistas, disse à Lusa o governador da província de Cabo Delgado.

Valige Tauabo, adiantou que a escolta em coluna militar é diária e visa a responder aos anseios dos empresários locais, sobretudo no troço entre Macomia e Awasse, alvo de ataques de grupos extremistas nas últimas semanas.

Cinco dos sete professores que haviam sido transferidos para escolas localizadas fora da cidade de Vilankulo, na província de Inhambane, foram demitidos do aparelho do Estado por abandono de posto. Apesar de continuarem a auferir os seus salários, os referidos docentes estiveram ausentes do trabalho durante 17 meses consecutivos.

São sete professores que leccionavam na cidade de Vilankulo, mas que, em Janeiro do ano passado, foram transferidos para outras escolas dentro do mesmo distrito. Alegando perseguição política, os professores recusaram-se a apresentar-se nos novos postos de trabalho, desafiando a decisão das autoridades educacionais e abrindo um novo capítulo de tensão entre eles e a direcção distrital da Educação.

Durante 17 meses, os professores em causa continuaram a receber os seus salários sem exercerem qualquer função. Esta situação levou à instauração de processos disciplinares que culminaram, em Maio deste ano, com a sua demissão definitiva do aparelho do Estado.

Através de despachos separados, o professor Marcos Halar foi expulso do aparelho do Estado por abandono de posto nos termos da alínea k) do artigo 118, conjugado com alínea e) do no 1 do artigo 62, ambos do EGFAE, enquanto Teles Matsinhe, Efraime Vilanculo, Anastácio Vilanculos e Agira Marrule foram demitidos do aparelho do Estado por incumprimento grave dos deveres funcionais.

A estes quatro professores são imputados os termos da alínea e) do no 1 do artigo 111, conjugado com artigo 117 do EGFAE, pelo facto de não terem exercido as funções em qualquer local que lhes foi designado superiormente e, mais ainda pelo facto de terem exercido outras funções ou actividades remuneradas sem a prévia autorização, prevista nos termos das alíneas e) do no 1 e f) do n’ 2 do artigo 62, ambos do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (EGFAE).

É que, para além de não terem exercido as suas funções em qualquer posto designado superiormente, alguns deles se envolveram em actividades remuneradas externas sem a devida autorização, em violação do disposto no artigo 62 do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado.

Durante o período em que se recusavam a apresentar-se nos postos de trabalho atribuídos, os professores Efraime Vilanculo, Anastácio Vilanculo e Agira Marrule exerciam funções de vereadores no Conselho Municipal de Vilankulo. Tal exercício ocorreu sem qualquer autorização do Serviço Distrital de Educação, violando os princípios da função pública e agravando a sua situação disciplinar.

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