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O País – A verdade como notícia

Os últimos três meses, Maio, Junho e Julho, foram os mais sangrentos na Província da Zambézia, neste ano, com uma média de 22 óbitos. Só em finais de Maio, houve registo de quatro sinistros, que resultaram em 14 óbitos, e os meses de Junho e Julho tiveram registo de quatro óbitos cada um. 

Perderam-se vidas humanas nos últimos três meses na EN1, província da Zambézia, concretamente nos distritos de Nicoadala, Namacurra e Mocuba. O acidente do mês de Maio que ocorrera em Mocuba, envolvendo uma carrinha de caixa aberta e um camião articulado,  foi dos mais horríveis, com um registo de oito óbitos. 

Neste momento, equipas multi-sectoriais estão a fazer trabalhos de sensibilização nos mercados, sobretudo nos localizados nas zonas próximas às estradas, parques de estacionamentos, entre outros. 

As autoridades dizem que vão continuar a trabalhar na sensibilização para que aquilo que aconteceu nos últimos três meses nas estradas da Zambézia, não se volte a repetir.

A erosão, que se instala lentamente na Avenida Joaquim Chissano, na Cidade de Maputo, está a transformar o quotidiano de algumas famílias em incerteza e desespero. Com a aproximação da época chuvosa, cresce o medo de que a terra ceda por completo e leve com ela casas, vidas e memórias.

Para muitos moradores, o chão está a desaparecer lentamente e traz consigo a segurança das suas famílias.

“Vivemos com medo constante de acordar e ver a casa engolida pela terra”, relata Cristina Machanguana, moradora da zona. Sublinhando que “a cada chuva, ouvimos as paredes a estalar. As crianças não dormem e nós também não”.

Hilário Manuel, também residente, conta que o problema vem crescendo ao longo dos anos sem qualquer resposta concreta:

“Já alertamos várias vezes. O que vemos são pequenas visitas e promessas. Mas, os desníveis só crescem todos os dias, agravando a situação.”

A capital do país entra em contagem decrescente para o início da época chuvosa e com ela, os riscos de desabamento agravam-se. Para muitos residentes, trata-se de uma questão de tempo até que se registem perdas irreversíveis.

“Estamos preocupados. A terra já começou a ceder em alguns pontos. A próxima chuva forte pode levar tudo”, alerta Zeferino Chicuca, munícipe da zona. “Há locais onde já caíram algumas paredes, isso pode acontecer com uma casa inteira”, aponta o munícipe.

A erosão não só ameaça estruturas. Cria também ambientes perigosos para as crianças. Desníveis profundos tornaram-se terreno de brincadeiras, onde a inocência das crianças se mistura com risco de vida.

“Já houve tragédia, há crianças que morreram lá. Mas continuam a brincar porque não têm outro espaço”, explica uma moradora que prefere o anonimato.

A equipa de reportagem do “O País” constatou que, os desníveis causados pelo fenómeno servem como depósito informal de lixo, agravando ainda mais o estado do solo e a saúde pública.

A ausência de acções inclusivas imediatas do Governo reforça a sensação de abandono por parte do Estado, relatada pelos afectados.

“Parece que só vão agir quando alguém morrer”, lamenta a moradora em anonimato, sublinhando que “as casas mais frágeis, feitas de blocos de cimento sem fundações, estão por um fio.”

Enquanto alguns moradores pedem apoio em reassentamento, outros referem que barreiras robustas podem resolver o problema.

“Nós não queremos sair, queremos soluções, pois essas barreiras com sacos ajudaram, mas são paliativos. Precisamos de obras sérias”, reforça Hilário Manuel. 

Cristina apela ao reassentamento das famílias em causa.

A reportagem do “O País” tentou, sem sucesso, obter uma reação oficial do Conselho Municipal de Maputo sobre o assunto.

No entanto, os moradores garantem que equipas técnicas da edilidade já visitaram o local e prometeram um plano de reassentamento, mas até ao momento, nenhuma data foi avançada, nem locais definidos.

O município de Pemba não está a conseguir reparar os semáforos da cidade,  que se encontram avariados há mais de cinco anos. Alguns cidadãos já estão conformados com o problema, mas outros, até hoje, não se conseguem adaptar à situação que está a provocar caos nas ruas da maior baía de África.

Os semáforos de Pemba foram instalados em 2012 e sempre funcionaram com problemas, mas, em 2019, todos ficaram apagados.

O município de Pemba já prometeu repor os semáforos da cidade várias vezes, mas até hoje, ainda não se mexeu nada e alguns desses semáforos desapareceram dos postos, e outros já estão no chão. Para alguns cidadãos, além de complicar a mobilidade das pessoas a avaria de semáforos está a tirar a estética da cidade.

O “O País” levou a preocupação da população ao  município de Pemba, mas, apesar da insistência, não obteve resposta. Pemba tem semáforos em cinco pontos da cidade, alguns dos quais  nunca funcionaram desde que foram instalados há quase treze anos.

Uma pessoa perdeu a vida e outras seis ficaram gravemente feridas, na sequência de um acidente de viação envolvendo a equipa principal da Associação Desportiva de Vilankulo, único representante da província de Inhambane no Moçambola.

O governador de Inhambane, afirma que o acidente é mais um alerta para a necessidade urgente de repensar a forma como as equipas deslocam-se para os jogos, para evitar que tragédias como esta se repitam.

Era uma tarde chuvosa de sexta-feira, quando o autocarro que transportava a equipa de futebol da Associação Desportiva de Vilankulo despistou-se e capotou na região de Chissibuca, distrito de Zavala. O condutor do autocarro diz que não consegue explicar o que aconteceu, mas a chuva intensa e o estado escorregadio da estrada contribuíram para o sinistro.

No local do acidente, confirmou-se a morte do chefe do departamento de futebol da Associação Desportiva de Vilankulo, única vítima mortal do sinistro. Contudo, a versão do condutor colide com a da Polícia da República de Moçambique (PRM), que, após a análise preliminar, aponta o excesso de velocidade como a principal causa do acidente.

Além da vítima mortal, o acidente provocou vários feridos, entre graves e ligeiros, que foram imediatamente evacuados para o Hospital Distrital de Quissico.

O Governador de Inhambane manifestou solidariedade para com as vítimas do acidente envolvendo a equipa da Associação Desportiva de Vilankulo (ADV). No entanto, diz que o acidente deve servir de alerta e ponto de viragem para a urgente melhoria das condições de transporte do clube.

Para o Governador de Inhambane, já não há espaço para hesitações. Francisco Pagula recorda que esta não é a primeira vez que uma equipa da província se envolve num acidente grave durante deslocações para o Moçambola.

Todos os feridos graves foram transferidos para o Hospital Provincial de Inhambane, a pedido das respectivas famílias, para poder acompanhar de perto a assistência das vítimas.

Moçambique alcançou a meta de 56% dos 50% previstos no aleitamento materno exclusivo, no ano passado, embora persistam alguns desafios. A informação foi partilhada pelas autoridades sanitárias, esta sexta-feira, Dia Mundial do Aleitamento Materno.

A cada dia 1 de agosto, celebra-se o Dia Mundial do Aleitamento Materno e as autoridades de saúde indicam que Moçambique alcançou 56% de aleitamento materno exclusivo até os seis meses, superando a meta mínima de 50% proposta pela Organização Mundial da Saúde.

O resultado, que é fruto de um trabalho conjunto, coloca Moçambique entre os países com melhor desempenho na CPLP nesta área.

Apesar deste avanço, ainda persistem alguns desafios, com ênfase para o não cumprimento do período recomendado para a amamentação, por causa do retorno precoce ao trabalho, falta de apoio nas empresas, mitos culturais e depressão pós-parto.

Neste ano, a Semana Mundial do Aleitamento Materno, decorre sob o lema “Priorizar o aleitamento materno: criar sistemas de apoio sustentáveis”, com apenas 48% dos bebés a receberem a amamentação exclusivamente até os seis meses, segundo a OMS que prevê uma meta de 70% até 2030.

A falta de uma Lei específica e de quadros qualificados colocam em causa a protecção dos dados pessoais nas plataformas digitais. O Ministério das Comunicações e Transformação Digital quer criar uma Política Nacional de Governação de Dados.

Com o avanço da tecnologia, a protecção de dados torna-se cada vez mais desafiante. Não poucas vezes,  assiste-se, por exemplo, a partilha indevida de informações e casos de burla por meio de mensagens de promoções e jogos.

Estas situações revelam que ainda há vulnerabilidade na protecção dos dados pessoais.

Segundo o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, a falta de quadros qualificados em gestão de dados é uma das razões da vulnerabilidade na protecção de dados.

Américo Muchanga considera, por isso, que é urgente a elaboração da Política e da Estratégia Nacional  de Governação de Dados para ultrapassar estes desafios.

Nesta sexta-feira, o ministro reuniu-se com o Instituto Nacional de Tecnologias de Informação e Comunicação para colher subsídios sobre a matéria.

Após a Auscultação,  a proposta de Lei da Protecção dos Dados, a ser elaborada, será encaminhada ao Conselho de Ministros.

 

Uma quadrilha roubou uma viatura de alta cilindrada, pertencente a um supermercado, desmontou-a peça por peça e, de seguida, deitou a cabine numa mata, no Bairro Novo, na Cidade de Quelimane. Dos indiciados no caso, um é agente da polícia.

A quadrilha é composta por três indivíduos que, na passada noite de dia 28 de Julho, teria furtado uma viatura de alta cilindrada de caixa aberta, pertencente a um supermercado de Quelimane.

A viatura foi roubada na casa do respectivo gerente. Depois da denúncia, foi feita uma investigação, e, dias depois, a viatura foi localizada no interior de uma residência, mas desmontada peça por peça no bairro Manhaua, nas proximidades do mercado das bananeiras. Os indiciados negam o envolvimento no crime.

Entre os detidos encontra-se um agente da polícia, dois mecânicos, e o dono da casa onde foi encontrada a viatura está foragido.

 

Uma instituição de ensino técnico-profissional está a operar ilegalmente, desde Outubro de 2019, na cidade de Moatize, em Tete.

No caso, trata-se do Instituto Médio Politécnico Chonze, que, segundo apurou a nossa equipe de reportagem, não tem alvará nem autorização para funcionar. Os Serviços Provinciais de Assuntos Sociais, em Tete, afirmam que o instituto não reúne os requisitos legalmente exigidos para que seja autorizada a leccionar.

O Inspector Chefe dos Serviços de Assuntos Sociais, Horácio Moda, promete medidas duras ao Instituto de Formação Chonze, que funciona ilegalmente há quase seis anos.

Contactada a direcção do instituto, ninguém mostrou-se disponível para prestar declarações sobre o caso à imprensa. No entanto, uma fonte próxima e ligada à instituição, fez saber que cerca de quarenta estudantes estão inscritos para os cursos de Mecânica Geral, Electricidade, Binformática e Serralharia.

 

As longas distâncias continuam a ser um dos principais obstáculos ao acesso à educação na província de Gaza, especialmente nos distritos do norte e extremo sul. No norte destacam-se Chigubo, Massingir e Mabalane, onde as comunidades chegam a estar entre 10 e 16 quilómetros da escola mais próxima.

No distrito de Chongoene, a situação é igualmente crítica. Mais de 1.300 alunos são obrigados a percorrer cerca de 16 km por dia até à Escola Secundária de Bungane, devido à ausência de uma infraestrutura escolar na localidade de Nhacutse.

Hélio Carlos e Lina Manuel, alunos da comunidade, relatam o sacrifício diário. “Acordamos às 5h30 e chegamos à escola às 7h. Mesmo assim, às vezes ainda chegamos atrasados”, contam.

A situação preocupa os pais e encarregados de educação, muitos dos quais não têm condições financeiras para garantir transporte. A maioria dos alunos faz o trajeto a pé, o que resulta em atrasos frequentes e baixo rendimento escolar.

“Para um cidadão que não tem recursos, quando o filho começa a ter dificuldades, a única saída é abandonar os estudos. A maioria aqui vive apenas do trabalho na machamba”, lamenta Artur Pedro, representante dos pais em Nhacutse.

Segundo ele, a desmotivação e o abandono escolar aumentam a cada ano. “Até os que eram mineiros já não conseguem pagar as despesas escolares. Não sabemos até quando vamos esperar por uma escola secundária aqui”, questiona.

O setor da educação em Gaza reconhece o problema, mas justifica a ausência de investimentos com a baixa densidade populacional.

“Temos comunidades com cerca de 15 alunos, o que não justifica a construção de uma escola de raiz”, explicou Raquelija Da Glória, porta-voz da Direção Provincial de Educação em Gaza.

Como solução, o setor propõe a implementação do ensino à distância nessas comunidades. “Estamos a sensibilizar os alunos e as famílias para aderirem ao ensino secundário à distância, que pode ser uma alternativa viável nestas zonas remotas”, acrescentou.

Além da distância, os mais de 800 alunos que ainda estudam em Nhacutse enfrentam há mais de dez anos condições extremamente precárias, com salas de aula degradadas. O Conselho da Escola denuncia que a situação se deve ao desvio de contribuições feitas pela própria comunidade.

A população exige medidas urgentes por parte das autoridades para garantir o direito básico à educação.

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