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O País – A verdade como notícia

Leões, hienas e elefantes voltaram a espalhar o medo nas comunidades do distrito de Massingir, na província de Gaza, após ataques que resultaram na morte de cinco cabeças de gado e deixaram uma criança ferida. Perante a situação, o administrador do Parque Nacional do Limpopo, Abel Nhabanga, promete medidas para reduzir o conflito homem-fauna bravia e proteger as populações.

COMUNIDADES VIVEM CERCADAS PELO MEDO 

O distrito de Massingir volta a enfrentar uma escalada do conflito entre as comunidades e a fauna bravia. A presença de leões, hienas e elefantes fora dos limites do Parque Nacional do Limpopo está a semear o pânico entre os residentes, na sequência de novos ataques que resultaram na morte de pelo menos cinco cabeças de gado e feriram uma criança.

Os moradores afirmam que a circulação de leões e hienas tem condicionado a mobilidade das famílias, sobretudo ao final da tarde, quando o receio de ataques aumenta.

“Fugimos para dentro de casa quando há perigo, porque não podemos enfrentar os animais. O Governo deve levar os animais para o mato”, relatou um residente.

A preocupação é partilhada por outros membros das comunidades afectadas, que denunciam perdas constantes de animais domésticos e uma crescente sensação de insegurança.

“Depois das 17 horas ninguém sai mais. Pelo menos já vi cinco leões. Estamos a pedir ajuda aqui em Massingir. Vários leões estão a comer os nossos animais. Estamos mesmo mal”, lamentou outro morador.

ATAQUES PROVOCAM PREJUÍZOS E DEIXAM FERIDOS 

Além do medo, os ataques estão a provocar prejuízos económicos consideráveis para famílias que dependem da criação de gado para a sua subsistência.

Nas últimas duas semanas, pelo menos cinco animais foram mortos por predadores. Entre as vítimas contam-se quatro cabeças de gado bovino e um burro.

“Estão a comer os nossos cabritos. O meu avô perdeu três cabeças de gado bovino”, contou uma criança da comunidade.

A situação tornou-se ainda mais preocupante com o registo de um menor ferido durante um ataque, enquanto a invasão de elefantes continua a destruir machambas e áreas de produção agrícola.

GOVERNO DISTRITAL ADMITE ABATE DE ANIMAIS PROBLEMÁTICAS 

Perante a gravidade da situação, o administrador do distrito de Massingir, Sérgio Costa, confirmou a circulação dos animais fora dos limites do parque e defendeu medidas mais enérgicas para proteger as comunidades.

“Nos casos extremos em que se demonstrar que os esforços de afugentamento não produzem resultados, iremos proceder ao abate dos animais”, afirmou.

O dirigente revelou que os prejuízos continuam a aumentar e alertou para o risco de agravamento do conflito caso não haja uma resposta rápida.

“Com muita tristeza, temos a relatar que quatro cabeças de gado bovino e um burro foram devorados por estes animais. Enquanto não houver resposta, estes animais continuarão no terreno, colocando em risco a vida das pessoas e os seus bens, gerando descontentamento entre a população e o Governo do distrito.”

NOVO ADMINISTRADOR PROMETE RESPOSTAS RÁPIDAS 

Por seu turno, o recém-empossado administrador do Parque Nacional do Limpopo, Abel Nhabanga, garante que estão a ser reforçadas as medidas destinadas a travar a circulação dos animais e a reduzir os impactos do conflito homem-fauna bravia.

“O ser humano está acima de qualquer animal. Portanto, a nossa prioridade é salvaguardar a vida da população e os seus bens. Essa será a nossa prioridade”, afirmou.

O responsável assegurou ainda que haverá coordenação entre o parque, o Governo distrital e as comunidades locais.

“Vamos trabalhar para reduzir os impactos do conflito homem-fauna bravia, em coordenação com o Governo do distrito e com a população.”

GOVERNADORA EXIGE PRONTIDÃO DO PARQUE 

A pressão para uma resposta mais eficaz parte igualmente do Governo provincial. A governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, exigiu uma intervenção rápida sempre que animais perigosos forem avistados nas comunidades.

Segundo a governadora, situações semelhantes já foram registadas no distrito de Mabalane, onde felinos também atacaram animais domésticos.

“Quando a população comunicar que há um felino, um leão que saiu dos limites do parque e se encontra na comunidade, o parque deve prontamente deslocar-se ao local e proceder ao seu afugentamento, para que as comunidades continuem seguras.”

“A prontidão e a flexibilidade poderão minimizar não só a situação dos leões, mas também a de outros animais que têm estado a ameaçar a população.”

A exigência foi apresentada durante a cerimónia de apresentação dos novos administradores dos Parques Nacionais de Banhine e do Limpopo, numa altura em que o Governo espera resultados imediatos no terreno, com vista a devolver a tranquilidade às populações afectadas.

Foi lançada esta segunda-feira, na província da Zambézia, a audição pública provincial no âmbito da implementação do Compromisso Político para um Diálogo Nacional Inclusivo, iniciativa que visa promover a participação dos cidadãos na construção de consensos sobre questões fundamentais para o futuro do País.

O evento reuniu representantes do Governo, partidos políticos, organizações da sociedade civil, líderes comunitários e religiosos, num exercício de consulta destinado a recolher contribuições de diferentes segmentos da sociedade moçambicana.

Na ocasião, o membro da Comissão Técnica para o Diálogo Nacional Inclusivo, Albino Manguene, explicou as diversas fases do processo em curso, sublinhando a importância da participação ampla e inclusiva dos cidadãos na definição de propostas que contribuam para o fortalecimento da democracia, da paz e da estabilidade nacional.

Segundo Manguene, as audições públicas constituem um espaço privilegiado para a recolha de opiniões e preocupações dos moçambicanos, cujos contributos serão considerados nas etapas subsequentes do diálogo.

Por sua vez, o Governador da Zambézia, Pio Matos, considerou que a iniciativa representa uma oportunidade para os cidadãos participarem activamente nos processos de tomada de decisão sobre matérias de interesse nacional.

O dirigente defendeu que o debate decorra de forma livre, aberta e sem interferências externas, de modo a garantir que os consensos alcançados reflictam genuinamente as aspirações dos moçambicanos.

Os participantes manifestaram a expectativa de que o processo produza resultados concretos para a consolidação da paz, da unidade nacional e do desenvolvimento sustentável de Moçambique.

Após a conclusão da fase de audições públicas, o processo entrará na etapa de construção de consensos, prevista para decorrer entre Julho e Outubro de 2026, período durante o qual serão sistematizadas e debatidas as contribuições recolhidas em todo o País.

Vinte e quatro mulheres foram assassinadas nos primeiros seis meses deste ano no distrito de Mossurize, província de Manica, num cenário que continua a preocupar as autoridades locais e organizações ligadas à defesa dos direitos da mulher. A maioria dos crimes foi perpetrada por parceiros ou ex-parceiros das vítimas, alegadamente movidos por ciúmes.

Os dados foram avançados pelo administrador de Mossurize, Abdul Zacarias, que revelou que, em média, uma mulher é assassinada por semana no distrito. Apesar da gravidade da situação, o dirigente considera que se registou uma redução dos casos em comparação com anos anteriores, período em que eram reportados entre dois e três feminicídios por semana.

Segundo Zacarias, os conflitos conjugais associados ao ciúme excessivo continuam a estar na origem da maior parte dos actos de violência baseada no género que culminam em homicídios.

Por sua vez, a psicóloga Nícia Dzimba defende a necessidade de uma maior atenção aos sinais de relacionamentos tóxicos, alertando para comportamentos possessivos e manifestações de ciúmes excessivos que podem evoluir para situações de violência extrema.

A especialista considera importante reforçar as acções de sensibilização junto das comunidades, de modo a prevenir situações que coloquem em risco a integridade física e a vida das mulheres.

Além de Mossurize, os distritos de Machaze, Gondola e Barué figuram entre os que registam maior número de casos de feminicídio na província de Manica, segundo dados das autoridades locais.

A persistência deste fenómeno continua a constituir um desafio para as instituições de justiça, autoridades governamentais e organizações da sociedade civil que trabalham na prevenção e combate à violência baseada no género.

A 1.ª Força de Reacção Rápida (QRF) dos Comandos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) iniciou esta semana a fase de treino assistido colectivo, após a conclusão da etapa de formação individual inserida no programa de regeneração da unidade, apoiado pela Missão de Assistência Militar da União Europeia em Moçambique (EUMAM MOZ).

A nova fase é considerada fundamental no processo de preparação operacional da força, permitindo aos militares integrar e aplicar, em contexto colectivo, os conhecimentos e competências adquiridos durante o treino individual.

Ao longo das próximas semanas, os efectivos irão desenvolver e aperfeiçoar procedimentos tácticos essenciais, com destaque para o reforço da coordenação, comunicação, progressão em ambiente operacional e capacidade de resposta perante diferentes cenários no terreno.

Segundo informações divulgadas pela EUMAM MOZ, esta etapa representa uma evolução natural do programa de regeneração da força, assente num processo gradual de desenvolvimento de capacidades, que privilegia a formação do militar, da equipa e, posteriormente, da unidade como um todo.

A metodologia adoptada visa fortalecer a coesão, a disciplina, a interoperabilidade e a prontidão operacional, factores considerados determinantes para o cumprimento eficaz das missões atribuídas à Força de Reacção Rápida.

Através deste apoio, a Missão de Assistência Militar da União Europeia continua a contribuir para o reforço sustentável das capacidades das FADM, promovendo a formação de forças mais autónomas, preparadas e aptas a responder aos desafios de segurança, particularmente na província de Cabo Delgado.

A iniciativa enquadra-se no compromisso contínuo da União Europeia de apoiar Moçambique no fortalecimento das suas capacidades de defesa, por meio de formação especializada, mentoria e assistência técnica orientadas para a preparação operacional e para a segurança da população moçambicana.

O Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, afirmou que a segurança cibernética constitui um dos pilares fundamentais da transformação digital, defendendo que não é possível alcançar um desenvolvimento digital sustentável sem garantir a protecção dos cidadãos, das empresas e das instituições contra as ameaças do cibercrime.

Falando na abertura do IV Seminário sobre Cibercriminalidade, realizado em Maputo, Muchanga destacou que o Governo assenta a sua estratégia de transformação digital em três pilares fundamentais: os sistemas digitais, as infra-estruturas digitais e a segurança cibernética.

Segundo o governante, a expansão dos serviços digitais e das infra-estruturas de comunicação cria igualmente vulnerabilidades susceptíveis de serem exploradas por agentes criminosos, tornando indispensável a adopção de mecanismos eficazes de protecção do espaço digital.

“Sem segurança cibernética, os cidadãos perderão a confiança nos serviços digitais, comprometendo os benefícios da transformação digital que o País pretende alcançar”, afirmou.

Na ocasião, o ministro elogiou o papel desempenhado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na sensibilização e coordenação das acções de combate à cibercriminalidade, destacando a realização do quarto seminário dedicado ao tema.

Para Muchanga, a PGR tem demonstrado persistência e empenho na promoção de um ambiente digital mais seguro, trabalhando em estreita colaboração com operadores de telecomunicações, entidades reguladoras e outros actores relevantes.

O governante alertou que a criminalidade no espaço digital evolui ao mesmo ritmo que a tecnologia, recorrendo cada vez mais a métodos sofisticados, incluindo esquemas de engenharia social, roubo de identidade, ataques informáticos e utilização maliciosa da inteligência artificial.

“Hoje, as fronteiras da criminalidade deixaram de ser apenas físicas. Muitas delas atravessam silenciosamente os nossos computadores, telemóveis, plataformas financeiras e redes de telecomunicações”, observou.

Américo Muchanga sublinhou que o combate ao cibercrime exige uma resposta firme assente na investigação, cooperação e responsabilização, princípios que, segundo afirmou, estão reflectidos no lema do seminário.

O ministro destacou ainda que o Governo está a implementar uma estratégia estruturada para reforçar a segurança cibernética, baseada em três eixos fundamentais: o fortalecimento do quadro jurídico e institucional, o desenvolvimento das capacidades nacionais e o aprofundamento da cooperação nacional e internacional.

Neste contexto, recordou a aprovação de diversos instrumentos legais, incluindo a Lei das Transacções Electrónicas, a Política Nacional de Segurança Cibernética e a respectiva Estratégia de Implementação, bem como as recentes leis sobre segurança cibernética e crimes cibernéticos.

Paralelamente, o País está a investir na formação de especialistas, na modernização das infra-estruturas tecnológicas e na criação de equipas de resposta a incidentes de segurança cibernética aos níveis nacional, sectorial, provincial, institucional e municipal.

No plano internacional, Muchanga destacou o compromisso de Moçambique com a harmonização dos seus instrumentos jurídicos com os padrões regionais e internacionais, referindo a ratificação da Convenção da União Africana sobre Cibersegurança e Protecção de Dados Pessoais, bem como os esforços em curso para a adesão à Convenção de Budapeste sobre Crimes Cibernéticos e à Convenção das Nações Unidas contra o Cibercrime.

O governante defendeu que a segurança digital deixou de ser apenas uma questão tecnológica para assumir uma dimensão estratégica ligada à soberania, à governação, à competitividade económica e à confiança pública.

“O activo mais valioso da economia digital não são os computadores nem os algoritmos, mas sim a confiança dos cidadãos”, afirmou.

Por isso, apelou aos participantes do seminário para que contribuam com propostas concretas que reforcem a cooperação entre as instituições e fortaleçam a capacidade colectiva de prevenção, investigação e combate à fraude e à criminalidade no espaço digital.

O IV Seminário sobre Cibercriminalidade reúne magistrados, investigadores, reguladores, operadores de telecomunicações, instituições financeiras, académicos e especialistas nacionais e estrangeiros para debater os desafios e as estratégias de prevenção e combate ao cibercrime em Moçambique.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou para o crescimento da cibercriminalidade em Moçambique e defendeu o reforço da cooperação entre instituições nacionais e internacionais para prevenir e combater as burlas e fraudes electrónicas, que representam actualmente as manifestações mais frequentes do crime cibernético no País.

A posição foi manifestada nesta segunda-feira, durante a abertura do IV Seminário sobre Cibercriminalidade, realizado sob o lema “Uma Acção Firme contra a Burla e a Fraude Electrónica: Investigação, Cooperação e Responsabilização”.

Na ocasião, a Vice-Procuradora-Geral, Irene Uthui, destacou que a rápida evolução tecnológica tem vindo a transformar profundamente as dinâmicas criminais, permitindo que delitos sejam cometidos à distância, através de redes globais de comunicação e, muitas vezes, por agentes que actuam de forma anónima e para além das fronteiras nacionais.

Segundo a vice-procuradora, os avanços tecnológicos trouxeram benefícios significativos para a sociedade, facilitando a comunicação, as transacções financeiras e o desenvolvimento económico. Contudo, também abriram espaço para novas formas de criminalidade, incluindo burlas electrónicas, ataques informáticos e fraudes associadas aos meios electrónicos de pagamento.

Dados apresentados durante o seminário indicam que Moçambique registou cerca de 39 600 incidentes cibernéticos em 2025. Do total de processos relacionados com o cibercrime registados pelo Ministério Público no mesmo período, aproximadamente 78% estiveram associados a fraudes envolvendo instrumentos de pagamento electrónico e burlas informáticas nas comunicações.

Perante este cenário, a Procuradoria-Geral da República considera essencial o reforço da capacitação contínua dos magistrados, investigadores e demais profissionais envolvidos na prevenção e repressão da criminalidade cibernética, tendo em conta a crescente sofisticação dos métodos utilizados pelos criminosos e a sua capacidade de adaptação às novas tecnologias.

A instituição sublinhou igualmente a necessidade de uma articulação mais estreita entre as autoridades judiciárias, os órgãos de investigação criminal, as entidades reguladoras, as instituições financeiras, os operadores de telecomunicações, as plataformas de carteira móvel e as organizações da sociedade civil.

A natureza transnacional do cibercrime constituiu outro dos aspectos destacados durante o encontro. A PGR defendeu que nenhum Estado consegue enfrentar isoladamente este fenómeno, tornando indispensáveis a cooperação internacional e a partilha de conhecimentos, experiências e boas práticas entre os diversos intervenientes.

O seminário reúne especialistas nacionais e internacionais provenientes de Angola, Brasil e Portugal, bem como representantes de instituições públicas e privadas ligadas às áreas da justiça, tecnologia e segurança digital.

A Procuradoria-Geral da República reafirmou o seu compromisso com a defesa da legalidade, a protecção dos cidadãos e a responsabilização dos autores de crimes praticados através das tecnologias de informação e comunicação, manifestando a expectativa de que o encontro contribua para o fortalecimento das estratégias de prevenção e combate à cibercriminalidade no País.

 

Continua condicionada a circulação de viaturas em dois sentidos na estrada nacional número um próximo ao Terminal Interprovincial da Junta, na Cidade de Maputo,  após a ruptura de uma conduta de água que abriu uma cratera na via pública. A empresa Água  e Saneamento de Maputo já reparou a conduta e decorrem trabalhos de reposição da via. 

De acordo com um comunicado partilhado com a nossa redacção, os trabalhos de reposição da conduta decorreram ao longo da noite de sábado até à madrugada de Domingo. A empresa Água e Saneamento de Maputo diz tratar-se de uma conduta antiga e cedeu pelo seu desgaste e pela intensidade do tráfego no local. Não foi estimado o número de famílias que ficaram sem água devido ao problema, mas a firma assegura que o abastecimento voltou à normalidade 

O que não voltou à normalidade é o trânsito de viaturas no local. A via continua bloqueada enquanto decorrem os trabalhos de tapamento da cratera aberta para a reparação da conduta.

Homens e máquinas desdobram-se nos trabalhos de reposição da circulação que continua a fluir de forma condicionada. 

Sem gravar entrevista, a Administração Nacional de Estradas disse não haver dado novo sobre a data de normalização,  mantendo-se os prazos anunciados este sábado, de três dias para a reposição da normalidade.

Mais de 50 mil pessoas idosas enfrentam atrasos prolongados no acesso ao subsídio social básico, enquanto a dívida acumulada do Estado já ultrapassa 175 milhões de meticais. Entre cheias, perda de rendimentos e falhas do sistema de proteção social, milhares sobrevivem entre a dependência, num drama que que expõe as fissuras de um apoio público cada vez mais pressionado.

Mais de 50 mil pessoas idosas em Gaza aguardam pelo pagamento regular do Subsídio Social Básico (PSSB), num cenário marcado por atrasos prolongados, exclusão social e agravamento das condições de vida após as cheias que devastaram a província. Enquanto milhares de beneficiários enfrentam dificuldades para garantir alimentação, medicamentos e outras necessidades básicas, a dívida acumulada do Estado no âmbito do programa já ultrapassa os 175 milhões de meticais.
As dificuldades atingem uma camada da população que, além do peso da idade, enfrenta doenças, perda de rendimentos e a destruição dos seus meios tradicionais de subsistência. Em muitas comunidades, a agricultura familiar constituía a principal fonte de sobrevivência, mas as inundações destruíram culturas e agravaram a dependência dos apoios sociais.

Cheias aprofundam pobreza e vulnerabilidade

A jurista Gigélia Mulhanga considera que o envelhecimento em Gaza já estava associado à pobreza e à dependência muito antes das cheias.
“Antes das cheias, envelhecer em Gaza já significava viver entre a pobreza, a dependência e um sistema incapaz de responder às necessidades crescentes desta faixa da população. Muitos sobreviviam com apoios insuficientes e outros dependiam da boa vontade de familiares e vizinhos”, afirma.
Dados recolhidos no terreno indicam que mais de 150 mil famílias agricultoras perderam as suas culturas, situação que afectou particularmente os idosos que dependiam da produção agrícola para sobreviver.
O que já era uma realidade difícil transformou-se numa luta diária contra a insegurança alimentar e a falta de rendimentos.

Programa perde capacidade de resposta

Segundo o delegado regional do Instituto Nacional de Acção Social (INAS), Chico Almajane, o Programa Subsídio Social Básico continua a ser uma das principais redes de proteção para idosos e pessoas com deficiência permanente.
“O programa integra cidadãos com mais de 60 anos e pessoas com deficiência permanente, funcionando como uma das principais redes de apoio para grupos em situação de maior vulnerabilidade”, explicou.
Os valores atribuídos variam entre 540 meticais para agregados compostos por uma pessoa e mil meticais para famílias de cinco membros. Contudo, diversos sectores questionam a capacidade destes montantes responderem ao actual custo de vida.
Apesar de já ter abrangido mais de 670 mil famílias em todo o país, o programa enfrenta atrasos prolongados e dificuldades operacionais, reflexo das limitações financeiras do sistema de assistência social.

Histórias de sobrevivência entre a fome e a doença

Na aldeia de Djavanhane, distrito de Guijá, Ernesto Zunguene conta que está inscrito no programa há sete anos, mas afirma não receber apoio regular há quatro.
“Tenho crises de asma, dores nos pés e já não consigo ir à machamba. Já estamos há quatro anos sem receber nada”, relata.
Em Xai-Xai, Isabel Mondlane diz que vive praticamente sem apoio depois de perder parte das condições mínimas de habitabilidade da sua residência.
“Onde é que vou viver? A minha casa está com o teto destruído e não tenho para onde ir. Não tenho filhos, nem mãe, nem marido. Fiquei sozinha e sem qualquer apoio”, lamenta.
Também Nódia Tembe descreve dificuldades associadas à irregularidade dos pagamentos.
“Estivemos três anos sem receber o subsídio dos idosos. Só voltámos a receber há três meses”, conta.
Milhares continuam excluídos do sistema
Enquanto milhares aguardam pagamentos em atraso, outros continuam sem acesso ao programa.
Marta Chichava, residente em Xai-Xai, diz não compreender as razões da sua exclusão.
“Estou a sofrer. Outras pessoas recebem o apoio, mesmo sendo mais jovens do que eu, mas eu continuo excluída”, afirma.
A situação torna-se mais delicada porque, segundo informações avançadas pelo INAS, não estão previstas novas admissões ao programa, apesar do aumento das necessidades sociais provocado pelas cheias.

Para Filipe Mahajane, representante do Fórum das Organizações Não-Governamentais de Gaza (FONGA), os valores pagos e o funcionamento do sistema precisam de ser revistos para responder à realidade das famílias vulneráveis.

Violência e abandono agravam drama dos idosos

Paralelamente às dificuldades económicas, cresce a preocupação com o aumento de casos de violência, negligência e abandono de pessoas idosas.
Nos centros de acolhimento existentes em Chongoene e Macia encontram-se idosos que procuraram refúgio depois de situações de agressão e rejeição familiar.
“O meu filho chamou-me de feiticeira. Fiquei três dias sem beber nem me alimentar, e o meu neto disse-me para não entrar na minha casa”, relata Marta Zatita.
José Malache conta ter perdido praticamente todos os seus bens.
“Fui espancado na minha aldeia e queimaram as minhas casas e tudo o que estava lá dentro, incluindo uma cama que comprei por 17 mil meticais”, afirma.
Especialistas defendem o reforço da proteção jurídica e social dos idosos, alertando para a necessidade de combater a impunidade em casos de violência doméstica contra esta faixa etária.

Um desafio que tende a crescer

As projeções demográficas indicam que Moçambique poderá atingir cerca de nove milhões de pessoas idosas até 2070. Para especialistas e organizações da sociedade civil, o aumento da população idosa exige reformas profundas no sistema de proteção social, sob risco de agravar ainda mais situações de pobreza, exclusão e vulnerabilidade.
Entre casas destruídas, machambas perdidas, violência e subsídios atrasados, milhares de idosos em Gaza continuam à espera de respostas. Para muitos deles, a sobrevivência depende cada vez mais da solidariedade comunitária e da esperança de que o apoio prometido pelo Estado chegue oportunamente.

Uma parte da população de Pemba pede a renúncia do edil da cidade por não estar a cumprir com a promessa de conclusão da estrada ANE-CHUIBA, cuja às obras iniciaram em 2021 e cujas obras estão paralisadas há quase três anos.

As obras da estrada ANE-CHUIBA estão paralisadas há vários anos e a sua conclusão está longe do fim. Além da mobilidade de pessoas e bens, o estado da via está a provocar outros problemas de saúde pública.

O presidente do município de Pemba tem cerca de dois anos para concluir a estrada ANE-CHUIBA, mas a população já não acredita na promessa .

As obras da estrada ANE-CHUIBA estavam avaliadas em cerca quinhentos milhões de meticais, parte dos quais desembolsados pelo Instituto Nacional de Petróleo, que foram usados para asfaltar apenas 200 metros dos quatro mil e seiscentos metros de extensão da via.

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