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O País – A verdade como notícia

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, afirma que o conhecimento produzido nas universidades não se verifica, e nem está a beneficiar directamente as populações. Trata-se de uma posição apresentada ontem, durante um seminário sobre o papel da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) na construção do Estado moçambicano.

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, lançou ontem um olhar ao papel da Universidade Eduardo Mondlane na construção de Moçambique independente. Chissano, que acompanhou a evolução da instituição, durante os 50 anos carregando o nome do arquitecto da unidade nacional, diz que a UEM foi essencial para a formação de quadros que conduziram Moçambique pós-independência.

De acordo com Chissano, em 1976, período em que a universidade assumiu o nome de Eduardo Mondlane, além da formação de quadros, “foi lugar de produção de pensamento estadista, de formação de liderança”, com foco no desenvolvimento do País em todas as dimensões.

“Outro desafio decisivo colocado à Universidade Eduardo Mondlane foi o da democratização do acesso ao ensino superior. A independência política exigia igualmente a democratização das oportunidades de aprender, investigar e servir o País. Era necessário abrir as portas da universidade a uma sociedade que, durante séculos, conhecerá profundas desigualdades no acesso ao conhecimento. A universidade deixava de formar apenas uma reduzida elite escolarizada para assumir a responsabilidade de formar uma elite nacional,  socialmente mais ampla, culturalmente mais representativa e comprometida com o futuro colectivo”, defendeu.

Os ideais faziam jus ao pensamento do seu patrono. Chissano diz que a UEM tinha o desafio de democratização do ensino superior, antes dedicado a grupos sociais de elite, para formar uma elite nacional, capaz de contribuir na construção do Estado.

“A Universidade Eduardo Mondlane ajudou os moçambicanos a pensar Moçambique. Hoje, há muitos quadros formados e espalhados em diversos sectores, dando o seu contributo, dentro e fora do País”, disse o antigo Presidente.

Universidades devem “descer” para as comunidades

Com a evolução tecnológica, guerras políticas e crises mundiais, o actual desafio da UEM é a aplicação do conhecimento no povo.

Em jeito de “piada”, Joaquim Chissano relatou: às vezes vejo comentadores e académicos nas televisões a falar de coisas importantes e digo: ‘mas estes não estão lá na comunidade, no povo, estão aqui nas cidades, nas televisões.’ O camponês nem assiste a estes debates. Eu ainda não sinto a presença da universidade, ou das universidades, todas elas, no seio do povo. Fazemos investigação, escrevemos, o Presidente vem aqui e discursa e pensamos que o discurso do Presidente está lá, o povo vai utilizar. Mas não é assim. O povo fica um pouco afastado. Eu penso que o foco deve ser como devemos ser povo, não ir ter com o povo, como sermos povo. Porque, na minha experiência, o que o nosso povo gosta é de ver, ou aprende quando vê. Quando se fala muito, é só uma questão de segundos, afastamos-nos e já está tudo esquecido. Mas quem sabe está na universidade, na sua sala de investigação, a escrever o seu livro e a meter na gaveta, ou pôr na estante ou mandar para a biblioteca: mas que camponês vai à biblioteca?”, questionou Chissano.

O antigo governante defendeu que os tomadores de decisão devem basear-se no conhecimento empírico, sobretudo para a resolução de problemas.

“Não podemos arrepender-nos do que fizemos pela educação”

No fim do seminário, Joaquim Chissano respondeu à provocação sobre a contribuição desta universidade para a qualidade actual do ensino. Chissano deu o braço a torcer, reconhecendo desafios.

“Ficaram com a tarefa de discutir entre si e encontrar as formas de melhorar e de moçambicanização do ensino. Uma qualidade baseada nas necessidades e na cultura do nosso país. Portanto, é uma actividade que está em andamento.  Eu, como disse, há muitas questões, há muitos debates. O que importa é que esses debates sejam positivos para melhorar a qualidade do nosso ensino. Não há dúvida nenhuma que temos muito o que fazer para melhorar a qualidade do ensino. Mas não nos devemos arrepender daquilo que nós fizemos, porque já temos quadros que podem melhorar o ensino. Tinha de se fazer algo para ser melhorado”, concluiu.

O seminário, que contou com a presença de antigos gestores da universidade e da Educação no País, foi organizado pela UEM, na sequência da celebração dos 50 anos da instituição com o nome Eduardo Mondlane. 

Quem quer trabalhar na África do Sul deve legalizar o seu estado

Questionado sobre a situação de xenofobia na África do Sul, que afecta inclusive cidadãos moçambicanos, Joaquim Chissano reagiu nos seguintes termos:

“As informações que eu tenho e aquilo que eu observei, o que todos nós observámos é que esforços foram feitos para dialogar com o governo sul-africano, para ver o que é preciso fazer. E chegaram à conclusão de que o que é preciso é normalizar aquilo que está anormal. Portanto, os moçambicanos que estão em situação anormal na África do Sul deviam regressar, assim como as outras nacionalidades, nigerianos, malawianos, devem regressar para outros países. E o Governo da África do Sul disse que aqueles que estiverem legalizados e entrarem conforme as regras são bem-vindos à África do Sul. E eu creio que em Moçambique nós estamos a praticar isso também. São bem-vindos aqueles imigrantes que vêm de uma forma legal. Já ouvi muitas vezes somalianos, etíopes, outros já a serem repatriados nas fronteiras. Portanto, nós também estamos a dizer a mesma coisa: aqueles que querem viver e trabalhar em Moçambique devem normalizar a sua situação em conformidade com as leis de Moçambique. E não podemos dizer o contrário daqueles que querem ir para outros países como a África do Sul. Portanto, eu posso aconselhar que os moçambicanos realmente pensem em recomeçar as suas vidas, mesmo se tiverem de voltar à África do Sul, mas que se possam legalizar-se, e o Estado está pronto para ajudar nisso. Portanto, conforme aquilo que ouvi, está pronto para ajudar nisso: passaporte e negociações com o Governo.”

Já decorrem as obras de reparação de emergência no troço da Estrada Nacional Número 260, na região de Dacata, distrito de Mossurize, província de Manica. A intervenção foi desencadeada depois de, em março passado, uma erupção do solo, provocada pelas chuvas intensas, ter comprometido a circulação de viaturas e condicionado a ligação entre o distrito de Mossurize e a cidade de Chimoio.

A degradação da via dificultou, sobretudo, a passagem de viaturas de grande tonelagem, obrigando os automobilistas a redobrar a atenção naquele ponto crítico da estrada. Passados cerca de três meses, a empreitada de emergência já está em curso e as máquinas trabalham na remoção dos solos instáveis e na reposição das condições de circulação numa das principais vias de acesso ao distrito de Mossurize.

No terreno, as intervenções incidem na estabilização da plataforma da estrada, etapa considerada essencial para garantir a durabilidade da infraestrutura e evitar novos abatimentos.

“Concretamente neste ponto já fizemos a remoção de todos solos e esta actividade já foi executada que é a remoção destes solos, lembrando que era cerca de um metro acima do nível de estrada e fizemos a escavação a bivel do ponto onde tivemos o defeito”, explicou Moisés Dzimba, delegado da ANE em Manica.

Segundo o delegado da Administração Nacional de Estradas em Manica, os trabalhos decorrem dentro do cronograma estabelecido, sendo que a fase seguinte consistirá na reconstrução da estrutura do pavimento, antes da reposição da camada de revestimento.

“Nós vamos fazer a construção da base e sub-base e vamos concluir com o revestimento em conformidade com o pavimento que aqui existe. Estamos em crer que em menos de um mês teremos tudo isso pronto”, avançou.

A intervenção faz parte das acções de emergência levadas a cabo pela Administração Nacional de Estradas para repor a transitabilidade nas vias afectadas pelas chuvas da última época chuvosa. Em toda a província de Manica, os danos estenderam-se por mais de 800 quilómetros de estradas, dos quais cerca de 400 quilómetros ficaram em estado crítico, exigindo obras urgentes para restabelecer a circulação de pessoas e bens.

Já decorrem as obras de reparação de emergência no troço da Estrada Nacional Número 260 (EN260), na região de Dacata, distrito de Mossurize, província de Manica, com vista à reposição da transitabilidade entre Espungabera e a cidade de Chimoio.

A intervenção surge na sequência de uma erupção do solo registada em Março último, provocada pelas chuvas intensas, que afectou gravemente a circulação de viaturas, sobretudo as de grande tonelagem, naquela importante via de ligação regional.

Cerca de três meses depois do incidente, máquinas e equipas técnicas já se encontram no terreno a executar trabalhos de reabilitação de emergência, com o objectivo de restabelecer a circulação normal naquela estrada estratégica.

O delegado da Administração Nacional de Estradas (ANE) em Manica, Moisés Dzimba, assegura que os trabalhos decorrem a bom ritmo e que a conclusão da intervenção está prevista para menos de um mês.

Segundo dados das autoridades, durante a última época chuvosa a província de Manica registou danos significativos na rede viária, com mais de 800 quilómetros de estradas afectados, dos quais cerca de 400 ficaram em estado crítico.

Regista-se um movimento invulgar de cidadãos estrangeiros e moçambicanos que regressam da África do Sul, na sequência do prazo estabelecido por grupos anti-imigração para a saída de migrantes daquele país.

No Terminal Interprovincial da Junta, na cidade de Maputo, dezenas de pessoas aguardam transporte para prosseguir viagem. A maioria são cidadãos malawianos que utilizam Moçambique como corredor de trânsito para regressar ao seu país de origem.

Um dos migrantes entrevistados no local relatou que chegou ao terminal há vários dias e continua à procura de transporte para seguir viagem. Segundo explicou, a deterioração do ambiente de segurança na África do Sul e as ameaças dirigidas a cidadãos estrangeiros levaram-no a abandonar aquele país.

O migrante afirmou ainda que vários estrangeiros, incluindo malawianos e moçambicanos, terão sido vítimas de maus-tratos durante as últimas semanas, num contexto marcado pelo recrudescimento de sentimentos anti-imigração.

Entretanto, transportadores que operam no Terminal Interprovincial da Junta asseguram que existem meios disponíveis para responder à crescente procura de viagens para o norte do país e para os países vizinhos.

O aumento do fluxo de migrantes ocorre numa altura em que milhares de cidadãos estrangeiros deixam a África do Sul por receio de actos de violência associados às manifestações contra a presença de imigrantes. As autoridades sul-africanas garantem que estão a reforçar as medidas de segurança e apelam à manutenção da ordem pública.

No local, continua a chegar um número significativo de viajantes provenientes da África do Sul, sobretudo cidadãos malawianos, que procuram transporte para regressar aos seus países de origem, utilizando Moçambique como principal rota de passagem.

Desde a passagem do ciclone Idai, em Março de 2019, que destruiu milhares de salas de aulas em 13 distritos  da província de Sofala, apesar dos esforços do governo e parceiros, na reabilitação e construção de escolas, os desafios estão longe de serem ultrapassados no sector da educação.

No presente ano, há um défice  de 692 salas de aulas, segundo referiu ao “O País”, Luís Meno, director provincial de Educação em Sofala.

“Este défice de salas de aula contribui para a existência de acima de 41 mil alunos dos mais de 773 mil matriculados este ano,  a estudarem ao ar livre, ou em salas não convencionais, vulneráveis a sol, chuvas e ventos. É um desafio que temos estado a tentar superar anualmente desde a passagem do ciclone Idai, mas as dificuldades financeiras estão a condicionar a construção de infra-estruturas escolares a velocidade e em quantidades desejadas para que todos os nossos alunos estudem em salas condignas”, lamentou Meno. 

Luís Meno  apontou ainda a referida situação  como desafio do seu sector. “Ciente disso agendamos a nossa II Reunião de Planificação Provincial, cujo pano de fundo é encontrar as melhores estratégias com vista a encontrar soluções locais e com apoio de parceiros  para ultrapassar ou minimizar o problema”.  

Meno lembrou que têm estado a ser construídas e reabilitadas nos últimos sete anos escolas, mas “o aumento anual de novos alunos contribuem para o actual défice de salas de aula, daí surge a necessidade de debatermos esta questão para aprimorar as nossas estratégias”, considerou.  

Refira-se que até o fim do presente ano, Sofala terá mais sete novas escolas, totalizando assim 1033. “Infelizmente as salas não irão cobrir o défice. Continuaremos a ter alunos a estudarem ao ar livre no próximo ano, apesar de ser em número reduzido em relação a este ano lectivo. As novas salas de aula irão apenas minimizar este desafio”, explicou Meno.  

O sector da Educação em Sofala enfrenta, por outro lado, um outro desafio, que é o défice de carteiras. “Precisamos de mais de 34 mil carteiras para todos os alunos poderem estudar de forma condigna”, manifestou a necessidade.

Na  II Reunião de Planificação Provincial, orientada  pelo governador de Sofala,  Lourenço Bulha, deverão ser aprimoradas  estratégias tanto por parte do governo como dos parceiros para se ultrapassarem os  desafios enumerados, assim como outros, como por exemplo: horas extras e exiguidade financeira.

Lourenço Bulha referiu que o governo provincial tem consciência das dificuldades enfrentadas pelo sector de educação, com destaque para a exiguidade orçamental, mas entende que o facto não deve interferir na planificação.

“De nada adianta alcançar 100 por cento das taxas de matrículas previstas em todos os níveis de ensino, se as crianças terminam o ensino secundário com dificuldades de leitura e escrita”, lamentou Bulha.

O governador pediu depois que o sector da educação coloque como prioridade a formação contínua dos professores. “Um professor bem preparado transforma vidas e transforma a sociedade”. 

O governador pediu, por outro lado, uma supervisão pedagógica efectiva. “As horas extraordinárias devem ser pagas só  quando for estritamente necessário e devidamente planificadas. Os nossos orçamentos podem ser exíguos, mas a nossa criatividade e compromisso não podem ser. Gerir bem o tempo do professor é sinónimo de respeito”, afirmou o governador de Sofala.

O foco no sector da educação, segundo o governador de Sofala, continua a ser a expansão do ensino para garantir que todas as crianças tenham acesso a escolas condignas. 

A denúncia foi feita ao edil de Maputo, Rasaque Manhique, no âmbito de um encontro que este manteve com agentes económicos deste distrito municipal, nesta segunda-feira. Outras preocupações apresentadas estão relacionadas à demora na emissão de licenças e à recolha deficitária de lixo.

Empresários do Distrito Municipal KaMavota denunciaram, nesta segunda-feira, alegados casos de extorsão praticados por agentes do Conselho Municipal de Maputo. A denúncia foi apresentada ao edil de Maputo, Rasaque Manhique, durante um encontro com agentes económicos daquele distrito, no âmbito da política de governação aberta, participativa e de proximidade.

No encontro, os empresários relataram que alguns fiscais municipais têm exigido documentos e licenças de forma recorrente, mesmo quando os estabelecimentos cumprem todas as obrigações legais.

“Qualquer um que esteja a passar de motorizada e veja nós a colocamos um papel de parede, qualquer coisa que seja, entram e exigem licenças. O nosso negócio pauta pela integridade, e isso inclui o pagamento de todas as taxas”, afirmou uma empresária.

A mesma empresária disse que a situação atingiu níveis preocupantes, a ponto de a família ponderar encerrar o negócio.

“Nós, como família, tínhamos decidido fechar o restaurante e deixar de fora 30 famílias”, lamentou.

Outra preocupação manifestada pelos agentes económicos prende-se com a demora na emissão de licenças, situação que, segundo os empresários, prejudica o normal funcionamento das suas actividades.

“Queremos pedir celeridade nesse aspecto”, apelou uma das participantes.

A fraca recolha de lixo na cidade e as frequentes obras de reparação das estradas foram outras queixas.

Alguns empresários consideram que os serviços prestados pelo município não correspondem às taxas cobradas.

“Não há recolha de lixo no interior dos bairros, e só estamos a pagar as taxas sem qualquer benefício”, referiu um representante dos agentes económicos.

Para responder às preocupações apresentadas, Rasaque Manhique delegou os presidentes dos conselhos de administração e vereadores das áreas competentes.

Relativamente à gestão do lixo, a edilidade rejeitou a ideia de que existam problemas generalizados de acumulação de resíduos em KaMavota.

“Para avaliar a questão do lixo, é muito fácil. Basta indicar o local onde o lixo se encontra”, disse Sérgio Zitha, convidando os empresários a realizarem visitas conjuntas aos pontos apontados.

Sobre as alegadas extorsões, o edil de Maputo apelou aos empresários para denunciarem formalmente os casos e exigirem sempre notificações escritas durante as acções de fiscalização.

“Não devemos permitir que aqueles que vêm fiscalizar os nossos estabelecimentos saiam sem deixar uma notificação”, defendeu Rasaque Manhique.

O encontro marcou o início de uma série de visitas do edil aos distritos municipais da capital, com o objectivo de reforçar o diálogo entre o município e os diferentes segmentos da sociedade.

Novecentas pessoas foram vítimas de burla informática e fraude financeira, em 2025, num universo em que houve registo de perto de 40 mil incidentes cibernéticos no país. A Procuradoria-geral da República diz que apesar dos esforços, continua difícil encontrar os criminosos. A informação foi avançada hoje, em Maputo, durante o quarto Seminário sobre Cibercriminalidade.

Com a evolução tecnológica, aliada à fraca literacia digital, Moçambique vem sendo  cada vez mais palco de burlas e fraudes eletrônicas. E o número de vítimas é assustador.

A procuradoria geral da República, organizadora do quarto Seminário sobre Cibercriminalidade, diz que 72% dos processos de cibercrime recebidos no ano passado estavam ligados a burlas e fraudes eletrónicas,  cujo combate é ainda um desafio.

A fraca legislação é apontada como um entrave para o combate aos cibercrimes. O Governo, ciente dos desafios, aponta outros caminhos para a protecção do espaço digital.

Para o ministro das Comunicações e Transformação Digital, a luta contra estes crimes exige cooperação nacional e internacional. Mas, mais do que leis, Muchanga O quarto seminário sobre Cibercriminalidade decorre em Maputo, entre 29 de Junho a 1 de Julho.

O Presidente da República pediu à população do distrito de Montepuez o reforço da vigilância para repor a ordem e segurança na província de Cabo Delgado, assombrada pelo terrrorismo há cerca de nove anos.

“Nós temos de perceber que o principal polícia que o Governo tem é o povo, isso em todo o mundo. Inimigos de desenvolvimento sempre vão inventar coisas só para distrair o povo”, pediu Daniel Chapo.

A vigilância, segundo explicou o Presidente da República, visa acabar com o terrorismo e a violência provocada por incitamento à desordem social, uma situação que pode comprometer, segundo Chapo, as acções do Governo e travar o desenvolvimento de Cabo Delgado e do País, em geral.

De acordo com Chapo, “enquanto as nossas forças e as forças amigas  combatem o terrorismo para defender o nosso povo, nós trabalhamos dia e noite para que tenhamos paz em Cabo Delgado, porque só com segurança e boa convivência podemos desenvolver Cabo Delgado e Moçambique.

“Como temos dito ao povo, assim como àqueles nossos irmãos que estão no mato, ninguém vai desenvolver Moçambique com guerra, com terrorismo, com violência”, disse em comício o Presidente da República em Cabo Delgado.

Ainda no comício, o Chefe de Estado respondeu a algumas críticas em relação ao Fundo de Desenvolvimento Económico Local e sobre os atrasos de salários na função pública.

“Estamos a trabalhar para garantir que o salário dos funcionários seja pago a tempo, e a partir do próximo ano vamos duplicar o Fundo de Desenvolvimento Económico Local, porque sabemos que há muitos projectos que foram remetidos e que não foram aprovados, por exiguidade de fundos”, prometeu Daniel Chapo.

O primeiro dia da visita do Presidente da República a Cabo Delgado terminou com uma sessão extraordinária do Conselho Executivo Provincial, Serviços Províncias de Representação do Estado alargado a outros quadros, onde o governador de  Cabo Delgado apresentou o informe sobre a província.

O crescimento acelerado do turismo e da indústria do gás está a impulsionar uma nova fase de investimentos em infra-estruturas de saúde na província de Inhambane. Numa região onde chegam, todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros e onde decorrem alguns dos maiores projectos de exploração de gás natural do País, aumenta também a exigência por serviços médicos capazes de responder a situações de emergência, acidentes de trabalho e cuidados especializados.

É neste contexto que as autoridades de saúde defendem uma participação cada vez mais activa do sector privado como complemento ao Serviço Nacional de Saúde, considerando que o desenvolvimento económico exige igualmente o fortalecimento da capacidade de resposta médica.

Para o director provincial de Saúde de Inhambane, Carlos Estêvão, o Estado não pode, por si só, responder a todas as necessidades da população, razão pela qual a legislação moçambicana prevê a participação do sector privado e do subsistema comunitário na prestação de cuidados de saúde.

Segundo o responsável, o surgimento de unidades privadas dotadas de padrões internacionais de qualidade representa um reforço importante para o sistema de saúde e para o próprio desenvolvimento económico da província.

“Quando surge um empreendimento desta categoria e com certificação de qualidade de serviço, é uma valia para o Estado moçambicano, para o Governo da província e para o distrito de Vilankulo”, afirmou.

Carlos Estêvão lembra que o turismo é um dos principais motores da economia de Inhambane e que a existência de serviços médicos constitui um factor decisivo para muitos visitantes internacionais na hora de escolherem destinos.

“Quando os turistas procuram um pacote turístico, uma das perguntas que fazem é se existe acesso a serviços de saúde de qualidade no local. O sector privado pode dar uma resposta importante a essa necessidade”, explicou Carlos Estêvão.

Na visão das autoridades provinciais, a expansão do investimento privado na saúde deverá continuar a ser estimulada, à semelhança do que acontece noutros sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento do País.

“O Governo incentiva a participação do sector privado na saúde, na educação, na agricultura e em várias outras áreas fundamentais para o crescimento económico”, acrescentou Estêvão.

Contudo, o director provincial de Saúde de Inhambane considera que o maior desafio começa depois da obtenção de certificações internacionais de qualidade.

“Conseguir a certificação é importante, mas a verdadeira batalha passa pela manutenção desses padrões e pela sua disseminação para outras instituições, públicas e privadas, para que todo o sistema de saúde evolua”, defendeu.

A aposta em cuidados de saúde surge também como resposta às necessidades criadas pela crescente actividade económica no corredor Vilankulo–Inhassoro, onde operam empresas ligadas ao turismo e à indústria extractiva.

O investidor Sérgio Dique explica que a decisão de investir naquela região nasceu precisamente da constatação de que existia uma lacuna na oferta de serviços médicos compatíveis com a dimensão dos investimentos em curso.

Segundo refere, muitos visitantes estrangeiros demonstram preocupação quanto ao acesso à assistência médica antes de escolherem Moçambique como destino.

“Quando um turista pensa em viajar para África, uma das primeiras perguntas que faz é: se eu adoecer, onde é que vou ser tratado?”, avançou.

Além da actividade turística, o empresário aponta o crescimento da indústria do gás como outro factor determinante para a instalação de uma unidade hospitalar com capacidade de resposta diferenciada.

“As operações ligadas à indústria extractiva obedecem a rigorosos padrões internacionais de saúde ocupacional. Era necessário existir uma unidade capaz de responder a essas exigências e também a situações de emergência”, explicou.

Até há poucos anos, acidentes graves ocorridos naquela região obrigavam frequentemente à evacuação dos pacientes para hospitais situados a centenas de quilómetros de distância.

Segundo Sérgio Dique, essa realidade aumentava os riscos clínicos e comprometia a rapidez da resposta médica.

“Hoje, já conseguimos estabilizar e tratar uma grande parte das situações de emergência sem necessidade de transferências imediatas”, afirmou.

Para garantir essa capacidade de resposta, a unidade investiu em ambulâncias equipadas para suporte avançado de vida, criou uma unidade de trauma e reforçou a formação dos profissionais de saúde.

O empresário moçambicano explica ainda que o investimento em qualidade começou muito antes da construção da infra-estrutura hospitalar.

A motivação surgiu de uma experiência pessoal vivida durante o nascimento da sua segunda filha, quando considerou que os cuidados recebidos pela família não correspondiam aos padrões que considerava aceitáveis.

Foi a partir dessa experiência que decidiu desenvolver um projecto assente em protocolos clínicos, formação contínua e mecanismos permanentes de controlo de qualidade.

O processo prolongou-se por cerca de uma década e culminou com a obtenção de certificação internacional, resultado de investimentos em equipamentos, capacitação do pessoal e implementação de procedimentos técnicos.

Para Sérgio Dique, a certificação não deve ser vista apenas como um documento formal. “Ela representa a confirmação de que os serviços prestados obedecem efectivamente a padrões internacionais de qualidade”, sublinhou.

O reconhecimento internacional abre igualmente novas perspectivas para empresas nacionais que pretendem prestar serviços a grandes multinacionais instaladas em Moçambique.

Segundo o empresário, durante vários anos, algumas empresas moçambicanas ficaram afastadas de determinados contratos, por não reunirem certificações exigidas pelas operadoras internacionais.

Com o cumprimento desses requisitos, acredita-se que as empresas nacionais passam a competir em igualdade de circunstâncias.

“O caminho não passa por reduzir as exigências das multinacionais. Passa por elevarmos os nossos próprios padrões de qualidade”, defendeu.

Na sua opinião, flexibilizar critérios técnicos pode comprometer a segurança dos trabalhadores e afectar a qualidade dos serviços prestados.

“Na saúde, não pode haver espaço para relaxamento dos padrões. Temos de investir para responder às exigências internacionais e conquistar a confiança dos clientes pela qualidade do nosso trabalho”, acrescentou.

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