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O País – A verdade como notícia

As primeiras reacções à chegada de Alfeu Cuna ao Governo de Gaza surgiram esta segunda-feira, em Xai-Xai. A população quer que o novo governador transforme as promessas em acções. Agricultura, agroprocessamento, emprego e oportunidades para a juventude estão entre as principais exigências.

A saída de Margarida Mapandzene Chongo deixa algum lamento entre a população. Mas também abre espaço para novas expectativas sobre a governação da província.Os residentes querem menos corrupção e mais atenção às necessidades da população.

“Que se reduza o roubo no Governo, que se reconheça a corrupção como um mal e que se cuide do povo”, defende Mário Marequele, residente em Xai-Xai.

A população também quer a recuperação de actividades produtivas que já garantiram emprego e rendimento às famílias.

“Nós votámos nela e a sua saída deixa-nos com algum lamento. Mas, enfim, aqui havia agricultura e indústria de caju. É isso que o Governo deve revitalizar, para que os jovens possam trabalhar nas fábricas e nós possamos produzir nas machambas”, acrescenta Marequele.

No campo político, as promessas de Alfeu Cuna são recebidas com cautela. A oposição promete fiscalizar a actuação do novo Governo Provincial.

“Não vai fazer nada. Vamos fiscalizar moeda por moeda, palavra por palavra, enfim, todas as suas acções”, afirma Agnaldo Navalha, segundo vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza.

Os empresários também esperam respostas rápidas. O sector continua afectado pelas perdas provocadas pelas cheias. As dívidas do Estado são apontadas como um dos principais obstáculos à recuperação dos negócios.

A sociedade civil exige, igualmente, medidas concretas contra a corrupção. Defende mais transparência e responsabilização na gestão da coisa pública.

Agricultura, emprego, agroprocessamento, pagamento das dívidas e combate à corrupção são alguns dos primeiros desafios de Alfeu Cuna.

O transporte público de passageiros foi retomado na cidade de Montepuez, em Cabo Delgado, depois de ter sido interrompido devido à escassez de combustível. Segundo o edil da cidade, os autocarros voltaram a circular há cerca de um mês, embora a disponibilidade de combustível continue condicionada.

O edil explicou que a paralisação ocorreu depois de as duas bombas de abastecimento com as quais o Conselho Municipal mantém contratos terem ficado sem combustível. Apesar de existir combustível noutras bombas da cidade, o município não podia recorrer a estes estabelecimentos por não possuir acordos formais com os respectivos fornecedores.

O autarca reconheceu, contudo, que a situação está a melhorar de forma gradual. “Está pingando”, afirmou, referindo-se à disponibilidade de combustível, mas alertou que a circulação dos autocarros poderá voltar a ser interrompida caso a crise de abastecimento se prolongue.

O edil associou a actual escassez de combustível ao contexto internacional, marcado pelo conflito que tem afectado o mercado e o abastecimento de combustíveis.

Montepuez é a segunda maior cidade da província de Cabo Delgado e conta actualmente com cinco autocarros destinados ao transporte público de passageiros.

O Presidente do Conselho Municipal de Chimoio, entidade responsável pela gestão da Casa Mortuária da cidade, pediu desculpas à família de uma mulher cujo cadáver foi encontrado com uma das orelhas removida. O edil garantiu que o caso está a ser investigado pelas autoridades competentes, devendo ser responsabilizado quem estiver na origem do sucedido.

Falando sobre o caso, o Presidente do Conselho Municipal de Chimoio reconheceu a gravidade da situação e manifestou solidariedade à família enlutada. “Muito humildemente, pedi desculpa à família pelo ocorrido. Vamos apurar realmente o que aconteceu e, se houver algum responsável, será punido”, afirmou, admitindo que o autor poderá ser um funcionário municipal, um profissional do hospital ou alguém estranho às duas instituições.

O edil afastou, entretanto, a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos, argumentando que, segundo as informações de que dispõe, nenhuma outra parte do corpo da vítima terá sido retirada.

Na sequência do incidente, o Conselho Municipal de Chimoio anunciou o reforço das medidas de controlo na Casa Mortuária. Entre as medidas previstas está a coordenação com o hospital para que a entrada de cadáveres seja feita, sempre que possível, durante o período diurno. Em casos de falecimento durante a noite, deverá ser estabelecido um horário e um procedimento específico para a recepção dos corpos, garantindo a presença de um funcionário responsável.

Entretanto, o sector de Medicina Legal esteve, na manhã desta segunda-feira, a analisar os cortes encontrados no cadáver, com o objectivo de determinar a sua origem e esclarecer se foram provocados por intervenção humana ou por animais roedores.

As autoridades aguardam pelos resultados das investigações para determinar as circunstâncias exactas em que ocorreu a remoção da orelha e apurar eventuais responsabilidades.

Os principais mercados da cidade da Beira apresentam actualmente melhorias nas condições de higiene e saneamento, depois de, durante algum tempo, terem sido marcados por valas entupidas, mau cheiro e acumulação de lixo.

A situação, anteriormente denunciada várias vezes pelo O País, colocava vendedores e compradores perante riscos para a saúde, devido à exposição diária a águas estagnadas e resíduos.

A melhoria resulta de campanhas de sensibilização para a preservação da limpeza, envolvendo o Município da Beira, associações de vendedores e a própria população. Vendedores e compradores reconhecem que o cenário é agora diferente, destacando a redução de águas estagnadas e a realização regular de actividades de limpeza.

Apesar dos avanços, persistem focos de lixo em algumas áreas dos mercados. Manuel Joaquim, vendedor de alimentos no mercado do Maquinino, aponta o comportamento de alguns vendedores e clientes como uma das causas da permanência de resíduos.

Segundo o vendedor, a limpeza é realizada diariamente, mas alguns utentes continuam a deitar lixo e águas residuais nas valas, contribuindo para a degradação das condições de higiene.

A situação preocupa particularmente os vendedores, que alertam para os riscos de doenças como cólera, malária e diarreias. Manuel Joaquim defende a necessidade de maior sensibilização da população e de mecanismos que garantam a manutenção permanente da limpeza.

As condições das casas de banho públicas constituem igualmente uma preocupação. Embora existam sanitários em alguns mercados, utentes queixam-se da falta de higiene, alegando que o estado de conservação de algumas instalações dificulta a sua utilização.

Apesar das melhorias registadas, os utentes defendem a instalação de mais sanitários e o reforço da limpeza dos existentes.

Os responsáveis dos mercados não se mostraram disponíveis para prestar declarações, mas garantiram que a limpeza será reforçada em coordenação com vendedores e compradores. Segundo os responsáveis, os utentes que não colaborarem na manutenção da higiene poderão ser responsabilizados.

A família de uma mulher que morreu no Hospital Provincial de Chimoio, na província de Manica, denuncia a retirada de órgãos do corpo da falecida enquanto este se encontrava na morgue daquela unidade sanitária.

Inês Francisco morreu na última sexta-feira, vítima de doença. Dois dias depois, na manhã de domingo, familiares dirigiram-se à morgue para preparar o corpo para o funeral, mas terão sido surpreendidos ao constatar a ausência de alguns órgãos, segundo relatou Fernando João, esposo da falecida.

Perante a situação, a família decidiu suspender o funeral até ao esclarecimento das circunstâncias em que terão ocorrido as alegadas retiradas e exige a responsabilização dos eventuais autores.

O responsável pelo Departamento de Medicina Legal do Hospital Provincial de Chimoio, Manuel Dove, nega que o corpo tenha sido submetido a uma autópsia. Segundo o responsável, a retirada dos órgãos terá ocorrido nas instalações da morgue, embora não tenham sido avançados, até ao momento, esclarecimentos sobre as circunstâncias em que tal aconteceu.

O jurista Francisco Massambo, que analisou imagens dos cortes observados no corpo da falecida, considera não haver indícios compatíveis com a realização de uma autópsia.

Perante os indícios apresentados, Massambo não exclui a possibilidade de o caso estar relacionado com tráfico de órgãos. No entanto, a eventual existência de uma rede de tráfico ou a identidade dos responsáveis ainda não foi estabelecida.

A família aguarda pelo esclarecimento do caso e pela realização das diligências necessárias para determinar o que aconteceu ao corpo de Inês Francisco enquanto este permanecia na morgue do Hospital Provincial de Chimoio.

Um mês depois do aumento de cinco meticais nas tarifas de transporte em Xai-Xai, os operadores ameaçam voltar a subir os preços, alegando que o custo dos combustíveis está a tornar insustentável a actividade. O Município, que admite receber denúncias de especulação, apertou a fiscalização e já apreendeu mais de 200 viaturas por diversas irregularidades.

Os transportadores de Xai-Xai voltam a pressionar por um novo aumento das tarifas, apenas um mês depois de os passageiros terem começado a pagar mais cinco meticais nas principais rotas da cidade. Os operadores justificam a ameaça com o aumento dos custos operacionais, sobretudo do combustível, e dizem estar cada vez mais apertados entre as despesas e o valor cobrado aos passageiros.

“O preço do combustível e a tarifa de transporte, não há uma equivalência entre essas duas coisas. Digo isso porque eu até sinto pena do passageiro, mas o Governo em si é que criou uma jaula e nos meteu, criou uma confusão no meio da sociedade”, desabafa um dos transportadores.

A pressão surge numa altura em que os operadores dizem já recear um segundo aumento das tarifas. “Já estamos a recear o aumento, o segundo aumento. Está muito caro, está muito caro”, afirma.

Os transportadores questionam ainda o custo do combustível praticado no país, comparando-o com a evolução dos preços nos países da região.

“10 litros são 1.017, dá uma voltinha, acabou. Não faz sentido, África do Sul baixou, Maláui baixou, que levam combustível nas nossas terminais portuárias, não se justifica”, contesta o operador.

A pressão sobre as tarifas acontece, entretanto, num cenário em que os passageiros já suportam o aumento aplicado recentemente e onde persistem denúncias de cobrança de valores acima dos oficialmente estabelecidos, sobretudo nas rotas Patrice Lumumba, Praia de Xai-Xai e Inhamissa.

Para os transportadores, a situação tornou-se ainda mais difícil com as exigências de regularização das viaturas. Um dos operadores diz enfrentar dificuldades para reparar o próprio veículo.

“No meu carro falta vidro, falta organizar as cadeiras, mas o dinheiro não tenho, estou aqui na estrada, o petróleo está muito caro”, relata.

O Município, por sua vez, rejeita a cobrança arbitrária de tarifas e diz estar a agir sempre que recebe denúncias dos munícipes. A Polícia Municipal afirma que as operações são desencadeadas após queixas sobre especulação dos preços.

“Temos recebido algumas denúncias dos munícipes, nesse caso, de alguns que especulam preços, nesse caso, de transporte de passageiros”, explica Hélia Solange, Porta-Voz da Polícia   municipal.

Segundo a mesma fonte, as denúncias chegam ao Comando da Polícia Municipal através dos canais disponibilizados nas reuniões com as comunidades, seguindo-se a intervenção das equipas de fiscalização.

“Quando alguns munícipes denunciam o Comando da Polícia Municipal através do contacto que é fornecido nas reuniões com a comunidade, então a polícia vai lá e trabalha com os transportadores”, esclarece.

As operações já resultaram na apreensão de mais de 200 viaturas e na aplicação de multas por diferentes infracções. Entre os casos identificados estão viaturas sem documentação exigida e condutores sem carta de condução.

“Temos algumas viaturas que não apresentaram os documentos, por falta de licença, e alguns condutores que não apresentaram a carta de condução”, revela a fonte.

Enquanto os transportadores pressionam por uma nova revisão das tarifas, o Município insiste no cumprimento dos valores estabelecidos e mantém a fiscalização contra a especulação.

A Universidade Licungo lançou oficialmente, esta sexta-feira, o Programa de Doutoramento em Ciências de Desenvolvimento, uma iniciativa da Faculdade de Economia e Gestão que pretende reforçar a produção de conhecimento científico, a investigação e a formação de quadros altamente qualificados para responder aos desafios do desenvolvimento sustentável.

Para a Universidade Licungo, o lançamento do programa de doutoramento representa um passo estratégico na afirmação da instituição como espaço de investigação, inovação e produção de conhecimento ao serviço do desenvolvimento de Moçambique.

A cerimónia contou com a participação de Rogério Uthui, antigo Reitor da Universidade Pedagógica como orador principal.

Sob o lema “Transformação Global: O Papel da Ciência, da Inovação e da Formação Doutoral na Construção de Sociedades Resilientes”, o evento juntou académicos nacionais e internacionais para reflectir sobre o papel da ciência e da inovação na construção de soluções para os desafios actuais.

O Instituto Industrial e Comercial 1.º de Maio de Quelimane, uma das mais antigas instituições de ensino técnico da cidade, encontra-se em avançado estado de degradação e necessita de obras urgentes de reabilitação. Localizado no centro da cidade e inaugurado em 1963, o estabelecimento apresenta problemas visíveis nas salas de aula, corredores e outras áreas, situação que preocupa alunos e a direção da instituição.

Durante a época chuvosa, as condições agravam-se devido às infiltrações provocadas pelo mau estado da laje do teto, criando constrangimentos ao normal funcionamento das aulas e colocando em causa a qualidade do ambiente de ensino e aprendizagem.

Os estudantes reconhecem que as aulas continuam a decorrer, mas defendem que a escola precisa de uma intervenção de fundo, capaz de recuperar as infraestruturas e devolver dignidade ao estabelecimento.

Michaela Monteiro é uma das estudantes e está a cursar Electricidade instaladora. Contou que a situação não é das melhores e que mexe com a comunidade estudantil. “Nenhum aluno fica seguro com estas condições. Nos dias de chuva gotas de água caem do tecto para os nossos cadernos. Quando chove em dias de avaliações, a situação é a mesma. A nossa escola clama por socorro e por isso pedimos a quem de direito para resolver” disse.

A diretora do Instituto Industrial e Comercial 1.º de Maio de Quelimane Otilia Tchembeze revela que, desde o ano passado, a instituição recebeu três equipas técnicas para avaliar o estado das infraestruturas, sendo duas provenientes do nível central e uma do nível provincial.

Apesar das avaliações realizadas, até ao momento nenhuma obra de reabilitação foi iniciada. A direção da escola mantém, contudo, a expectativa de que o Governo encontre uma solução para os problemas que afetam a instituição. “É difícil quantificar os orçamentos porque nem as equipas que vieram fazer levantamentos das necessidades, apesar de virem de nível central e provincial, não disseram nada. Mas quero acreditar que pelos níveis de degradação, valores muito acima de 20 milhões de meticais são necessários para devolver aquilo que foi o nosso instituto” disse a dirigente.

Segundo a direção, o estado das infraestruturas agravou-se significativamente após a passagem do ciclone Freddy, em 2023, que terá contribuído para o agravamento dos danos existentes. “ Antes do Ciclone já estávamos com infraestruturas a queixar, com a passagem do Freddy, a situação do veio a piorar”.

Mesmo perante as limitações, as atividades letivas continuam a decorrer normalmente, graças ao esforço de professores, alunos e funcionários.

A comunidade escolar espera agora por uma intervenção urgente, de modo a garantir condições adequadas, seguras e dignas para a formação dos estudantes.

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) apela à condução prudente e à correcta sinalização de veículos imobilizados nas estradas, na sequência de dois acidentes de viação ocorridos na sexta-feira, nas províncias de Maputo e Manica.

Em comunicado, o INATRO apresentou as suas sentidas condolências às famílias das vítimas e alertou para a necessidade de reforçar os cuidados na circulação rodoviária, sobretudo em situações de avaria ou imobilização de veículos nas vias públicas.

A instituição sublinha que a desobstrução das estradas ou a devida sinalização de obstáculos é fundamental para prevenir acidentes e preservar vidas humanas nas estradas. 

A instituição explica que, o veículo de passageiros circulava no sentido Manica/Messica, com destino à cidade de Chimoio, quando embateu violentamente contra a traseira direita do camião, que se encontrava estacionado na faixa de rodagem.

De acordo com o trabalho preliminar realizado pela equipa técnica conjunta no terreno, a causa provável deste acidente terá sido a falta de utilização do sinal de pré-sinalização de perigo por parte do camião imobilizado, associada à velocidade excessiva do veículo pesado de passageiros.

A instituição considera igualmente essencial que os condutores, em caso de avaria, retirem os veículos da faixa de rodagem sempre que possível ou procedam à sua correcta sinalização, de modo a evitar novos acidentes.

O INATRO informa que a peritagem aos dois acidentes prossegue, com vista ao apuramento das reais causas dos sinistros.

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