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O País – A verdade como notícia

O Porto de Maputo vai passar a contar com um Sistema Comunitário Portuário (PCS), uma plataforma digital que visa integrar todos os intervenientes da cadeia logística e tornar mais eficientes os processos de comércio e transporte.

O Porto de Maputo será o primeiro do país a contar com um Sistema Comunitário Portuário, uma plataforma digital que integra todos intervenientes em processos portuários.

A iniciativa foi apresentada esta terça-feira, em Maputo, no âmbito do processo de modernização do sector dos transportes e logística, e envolve operadores portuários, autoridades aduaneiras, reguladores, transportadores, bancos e outros agentes ligados ao comércio externo.

Falando no lançamento, o Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, destacou que a digitalização dos processos portuários é essencial para aumentar a competitividade de Moçambique.

“Este sistema representa um passo estratégico rumo a um ecossistema logístico mais integrado, eficiente e transparente, alinhado com a visão do Governo para a modernização dos transportes e a facilitação do comércio”, afirmou o governante.

O projecto será implementado em parceria com a empresa Kale Logistics Solutions, que considera a iniciativa como o início de uma transformação mais ampla do sistema de comércio e logística no país.

Segundo o director e cofundador da empresa, Vineet Malhotra,o PCS vai além de uma plataforma portuária, ao permitir a criação de um ecossistema digital integrado capaz de melhorar a circulação de mercadorias, aumentar a transparência e apoiar decisões baseadas em dados.

“Uma plataforma como essa pode ajudar os decisores a monitorar os fluxos de comércio,identificar botas, melhorar a utilização de recursos, fortalecer a compreensão e permitir decisões de política de dados que apoiem o crescimento económico”, explicou.

A plataforma deverá ainda reduzir a burocracia, acelerar o processamento de importações e exportações e melhorar a coordenação entre as diferentes instituições envolvidas na cadeia logística.

A Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo espera que a plataforma posicione o porto entre os mais inovadores do mundo.

“A implementação do PCS está em consonância com a nossa visão de criar um ecossistema portuário mais inteligente, mais conectado e mais eficiente. Ao possibilitar a colaboração em tempo real e a partilha de informação entre as partes interessadas, estamos a reforçar o papel do Porto de Maputo como porta de entrada estratégica para o comércio regional e internacional”, defendeu.

A iniciativa é apresentada como parte da estratégia do Governo para a transformação digital e modernização dos serviços públicos, com impacto directo na competitividade do Corredor de Maputo e na integração de Moçambique no comércio regional e internacional.

Espera-se que a plataforma sirva de referência para a digitalização de outros corredores logísticos nacionais.

Mais de 20 mil pessoas chegaram à província de Gaza nos últimos três dias, devido à vaga de xenofobia que afecta a África do Sul. As vítimas relatam mortes, perda de bens acumulados ao longo de anos e episódios de violência, apelando à intervenção do Presidente da República.

A província de Gaza está a receber uma nova vaga de cidadãos provenientes da África do Sul, na sequência de actos xenófobos. Em apenas três dias, mais de 20 mil pessoas chegaram à província, trazendo consigo relatos de perseguições, agressões, mortes e perda de bens.

Entre os recém-chegados predominam histórias de desespero. Um dos repatriados contou que a decisão de abandonar a África do Sul foi tomada quando percebeu que permanecer naquele país significava correr risco de vida.

“Corremos porque, quando dizem que já não te querem ali, não adianta insistir. Depois vais perder a tua vida”, relatou uma cidadã.

A mesma fonte acrescentou que os episódios de xenofobia não são recentes, mas que a actual escalada de violência tornou a permanência dos estrangeiros cada vez mais difícil.

“A xenofobia não é de hoje, existe há muito tempo, mas desta vez é demais. Já estamos cansados e pedimos socorro”, afirmou.

MORTES E BAIRROS SOB TERROR

Um dos entrevistados afirmou conhecer dois jovens moçambicanos que perderam a vida durante os confrontos.

“Conheço duas pessoas que morreram. Eram jovens, com cerca de 27 anos. Foram espancados até à morte”, contou.

Outros relatos descrevem grupos organizados que percorriam residências à procura de estrangeiros, obrigando famílias inteiras a abandonar as suas casas durante a noite.

“Entravam de casa em casa. Queriam identificar quem era estrangeiro. Muita gente fugiu para salvar a vida”, explicou outro cidadão.

PRESSÃO AUMENTA NOS TRANSPORTES 

O impacto da crise já é visível nos principais corredores de transporte que ligam Gaza à África do Sul. A Associação dos Transportadores da Província de Gaza confirma um aumento significativo do fluxo de passageiros provenientes de várias cidades sul-africanas.

Segundo a agremiação, mais de 150 viaturas transportaram cerca de 22.500 passageiros nos últimos dias, número que continua a aumentar à medida que novos grupos decidem abandonar a África do Sul.

“Já recebemos mais de 150 viaturas. Muitos passageiros estão apenas em trânsito para outros distritos e províncias, mas chegam sem dinheiro e sem saber como alcançar os seus destinos”, explicou um representante da associação, Adenaldo Mabote.

A governadora de Gaza, Margarida Mapandzene, anunciou a activação de um centro transitório destinado ao acolhimento dos cidadãos afectados pela violência xenófoba.

A estrutura deverá prestar apoio imediato aos repatriados, incluindo assistência básica, alimentação e apoio logístico, com vista à sua reintegração nas respectivas comunidades de origem.

O crescimento acelerado do turismo e da indústria do gás está a impulsionar uma nova fase de investimentos em infra-estruturas de saúde na província de Inhambane. Numa região onde chegam, todos os anos, milhares de turistas nacionais e estrangeiros e onde decorrem alguns dos maiores projectos de exploração de gás natural do país, aumenta também a exigência por serviços médicos capazes de responder a situações de emergência, acidentes de trabalho e cuidados especializados.

É neste contexto que as autoridades de saúde defendem uma participação cada vez mais activa do sector privado como complemento ao Serviço Nacional de Saúde, considerando que o desenvolvimento económico exige igualmente o fortalecimento da capacidade de resposta médica.

Para o director provincial de Saúde de Inhambane, Carlos Estevão, o Estado não pode, por si só, responder a todas as necessidades da população, razão pela qual a legislação moçambicana prevê a participação do sector privado e do subsistema comunitário na prestação de cuidados de saúde.

Segundo o responsável, o surgimento de unidades privadas dotadas de padrões internacionais de qualidade representa um reforço importante para o sistema de saúde e para o próprio desenvolvimento económico da província.

“Quando surge um empreendimento desta categoria e com certificação de qualidade de serviço, é uma valia para o Estado moçambicano, para o Governo da província e para o distrito de Vilankulo”, afirmou.

Carlos Estevão lembra que o turismo é um dos principais motores da economia de Inhambane e que a existência de serviços médicos de qualidade constitui um factor decisivo para muitos visitantes internacionais no momento de escolherem um destino.

“Muitas vezes, quando os turistas procuram um pacote turístico, uma das perguntas que fazem é se existe acesso a serviços de saúde de qualidade no local. O sector privado pode dar uma resposta importante a essa necessidade”, explicou.

Na visão das autoridades provinciais, a expansão do investimento privado na saúde deverá continuar a ser estimulada, à semelhança do que acontece noutros sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento do país.

“O Governo incentiva a participação do sector privado na saúde, na educação, na agricultura e em várias outras áreas fundamentais para o crescimento económico”, acrescentou.

Contudo, Carlos Estevão considera que o maior desafio começa depois da obtenção de certificações internacionais de qualidade.

“Conseguir a certificação é importante, mas a verdadeira batalha passa pela manutenção desses padrões e pela sua disseminação para outras instituições, públicas e privadas, para que todo o sistema de saúde evolua”, defendeu.

A aposta em cuidados de saúde especializados surge também como resposta às necessidades criadas pela crescente actividade económica no corredor Vilankulo–Inhassoro, onde operam empresas ligadas ao turismo de luxo e à indústria extractiva.

O investidor moçambicano Sérgio Dique explica que a decisão de investir naquela região nasceu precisamente da constatação de que existia uma lacuna na oferta de serviços médicos compatíveis com a dimensão dos investimentos em curso.

Segundo refere, muitos visitantes estrangeiros demonstram preocupação quanto ao acesso a assistência médica antes mesmo de escolherem Moçambique como destino turístico.

“Quando um turista pensa em viajar para África, uma das primeiras perguntas que faz é: se eu adoecer, onde é que vou ser tratado?”, afirmou.

Além da actividade turística, o empresário aponta o crescimento da indústria do gás como outro factor determinante para a instalação de uma unidade hospitalar com capacidade de resposta diferenciada.

“As operações ligadas à indústria extractiva obedecem a rigorosos padrões internacionais de saúde ocupacional. Era necessário existir uma unidade capaz de responder a essas exigências e também a situações de emergência”, explicou.

Até há poucos anos, acidentes graves ocorridos naquela região obrigavam frequentemente à evacuação dos pacientes para hospitais situados a centenas de quilómetros de distância.

Segundo Sérgio Dique, essa realidade aumentava os riscos clínicos e comprometia a rapidez da resposta médica.

“Hoje já conseguimos estabilizar e tratar uma grande parte das situações de emergência sem necessidade de transferências imediatas”, afirmou.

Para garantir essa capacidade de resposta, a unidade investiu em ambulâncias equipadas para suporte avançado de vida, criou uma unidade de trauma e reforçou a formação dos profissionais de saúde.

O empresário explica que o investimento em qualidade começou muito antes da construção da infra-estrutura hospitalar.

A motivação surgiu de uma experiência pessoal vivida durante o nascimento da sua segunda filha, quando considerou que os cuidados recebidos pela família não correspondiam aos padrões que considerava aceitáveis.

Foi a partir dessa experiência que decidiu desenvolver um projecto assente em protocolos clínicos, formação contínua e mecanismos permanentes de controlo de qualidade.

Esse processo prolongou-se durante cerca de uma década e culminou com a obtenção de uma certificação internacional, resultado de investimentos em equipamentos, capacitação do pessoal e implementação de procedimentos técnicos reconhecidos internacionalmente.

Para Sérgio Dique, a certificação não deve ser vista apenas como um documento formal.

“Ela representa a confirmação de que os serviços prestados obedecem efectivamente a padrões internacionais de qualidade”, sublinhou.

O reconhecimento internacional abre igualmente novas perspectivas para empresas nacionais que pretendem prestar serviços a grandes multinacionais instaladas em Moçambique.

Segundo o empresário, durante vários anos algumas empresas moçambicanas ficaram afastadas de determinados contratos por não reunirem certificações exigidas pelas operadoras internacionais.

Com o cumprimento desses requisitos, acredita que as empresas nacionais passam a competir em igualdade de circunstâncias.

“O caminho não passa por reduzir as exigências das multinacionais. Passa por elevarmos os nossos próprios padrões de qualidade”, defendeu.

Na sua opinião, flexibilizar critérios técnicos pode comprometer a segurança dos trabalhadores e afectar a qualidade dos serviços prestados.

“Na saúde não pode haver espaço para relaxamento dos padrões. Temos de investir para responder às exigências internacionais e conquistar a confiança dos clientes pela qualidade do nosso trabalho”, acrescentou.

À medida que Inhambane consolida a sua posição como um dos principais destinos turísticos do país e reforça o seu papel na economia do gás, especialistas defendem que o desenvolvimento das infra-estruturas sociais deverá acompanhar o ritmo dos investimentos económicos.

Para as autoridades provinciais, saúde, turismo e investimento privado deixam, assim, de ser sectores isolados e passam a integrar uma mesma estratégia de desenvolvimento, na qual a qualidade dos serviços prestados poderá assumir um papel determinante na competitividade da província e na confiança de investidores, trabalhadores e visitantes.

 

O analista político e investigador André Thomshausen alertou para o risco de agravamento da vaga de xenofobia na África do Sul, considerando que, apesar de o ultimato lançado por movimentos anti-imigrantes ter terminado sem incidentes de grande dimensão, subsistem sinais preocupantes de que a situação está longe de estar resolvida.

Em entrevista ao Jornal da Noite, da STV, Thomshausen recordou que a xenofobia não constitui um fenómeno novo naquele país, evocando os violentos episódios registados em 2008, que provocaram pelo menos 62 mortos, bem como os incidentes ocorridos em 2015.

“Felizmente, não se registou um grande número de vítimas. Havia receios de que centenas de pessoas pudessem perder a vida, mas o dia decorreu de forma relativamente calma”, afirmou.

Apesar da aparente tranquilidade, o especialista observou que os promotores das manifestações anti-imigrantes deixaram claro que não consideram encerrada a sua campanha, insistindo na ideia de que a África do Sul deve pertencer prioritariamente aos cidadãos sul-africanos.

Segundo Thomshausen, continua a existir incerteza quanto ao verdadeiro alvo destes movimentos, questionando se a hostilidade se dirige apenas aos imigrantes em situação irregular ou se já abrange indiscriminadamente todos os cidadãos estrangeiros.

O analista atribuiu o crescimento das tensões à grave crise económica e social que afecta a África do Sul. De acordo com a sua avaliação, o país enfrenta um agravamento da pobreza, elevados níveis de desemprego e crescentes dificuldades de acesso a serviços básicos por parte de milhões de cidadãos.

“Cerca de metade da população activa depende actualmente de subsídios sociais de sobrevivência, num contexto de escassez de oportunidades económicas”, explicou.

Thomshausen referiu ainda que a presença de milhões de migrantes provenientes de países vizinhos tem alimentado a percepção de concorrência no mercado de trabalho, sobretudo em sectores onde as pequenas e médias empresas enfrentam dificuldades para cumprir os salários mínimos estabelecidos por lei.

O especialista considerou que uma eventual saída em massa de trabalhadores estrangeiros poderá provocar impactos negativos em sectores como a hotelaria e a restauração, fortemente dependentes de mão-de-obra oriunda dos países da região.

“Haverá estabelecimentos que terão dificuldades em manter a actividade caso deixem de contar com trabalhadores migrantes”, advertiu.

Para o analista, a situação representa igualmente um revés para a imagem internacional da África do Sul, tradicionalmente vista como uma referência democrática e económica no continente africano.

Ao mesmo tempo, denunciou o que considera ser uma crise humanitária emergente nas zonas fronteiriças, onde milhares de migrantes deslocados permanecem sem abrigo adequado, alimentação suficiente e protecção contra as baixas temperaturas do Inverno austral.

Neste contexto, defendeu uma intervenção mais activa do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), argumentando que a organização deveria reforçar o diálogo com as autoridades sul-africanas e mobilizar assistência para as populações afectadas.

“O ACNUR já deveria ter intervindo de forma mais visível, porque estamos perante uma situação alarmante, agravada pelas condições climáticas extremamente adversas”, sustentou.

No plano político, Thomshausen considera que alguns dos movimentos anti-imigrantes procuram igualmente capitalizar o descontentamento popular para fragilizar o actual Governo de coligação liderado pelo Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

Segundo explicou, as organizações que promovem as manifestações não exigem apenas a expulsão de estrangeiros em situação irregular, mas manifestam igualmente oposição ao Executivo, defendendo mudanças profundas na liderança política do país.

Por isso, o especialista acredita que o termo do ultimato de 30 de Junho dificilmente significará o fim das tensões.

“Duvido que esta situação termine agora. Existe o risco de continuarem actos de intimidação, pilhagens e perseguições contra migrantes, particularmente os mais vulneráveis”, concluiu.

A Primeira-Dama da República, Gueta Selemane Chapo, deslocou-se esta terça-feira ao Terminal de Transportes Interprovincial de Maputo, vulgarmente conhecido por Junta, para manifestar solidariedade às vítimas dos recentes actos de xenofobia, acolhidas naquele espaço enquanto aguardam o regresso às suas províncias de origem.

Durante a visita, Gueta Selemane Chapo percorreu o centro de acolhimento, interagiu com as famílias afectadas, ouviu os seus testemunhos e transmitiu mensagens de esperança e encorajamento às pessoas que enfrentam um dos momentos mais difíceis das suas vidas.

Na ocasião, a Primeira-Dama afirmou que a dor vivida pelas vítimas deve ser sentida por todos os moçambicanos, defendendo que a resposta à situação deve assentar nos valores da unidade, fraternidade e amor ao próximo.

“Somos todos irmãos. Somos moçambicanos, somos africanos. Estamos aqui movidos pelo amor ao próximo para dizer-vos que não estão sozinhos e que todo o povo moçambicano está convosco neste momento difícil”, declarou.

Gueta Selemane Chapo enalteceu igualmente o trabalho desenvolvido pelas autoridades, voluntários e organizações envolvidas na assistência humanitária, reconhecendo o empenho daqueles que, desde o início da crise, têm prestado apoio material e emocional às famílias afectadas.

Contudo, considerou que a dimensão do desafio exige uma mobilização ainda maior da sociedade, apelando ao envolvimento dos cidadãos, organizações da sociedade civil, comunidades religiosas, sector privado e juventude para reforçarem a corrente de solidariedade.

“Estamos aqui para dar o nosso conforto e o nosso amparo. Como moçambicanos, devemos estar sempre prontos e disponíveis para servir. Cada gesto de solidariedade representa uma mensagem de esperança para quem perdeu a tranquilidade e procura recomeçar”, afirmou.

A Primeira-Dama manifestou ainda preocupação com a situação das crianças, mulheres, idosos e pessoas com deficiência acolhidas no local, defendendo uma atenção especial para estes grupos, através de uma assistência cada vez mais humanizada e ajustada às suas necessidades específicas.

Num apelo dirigido à consciência colectiva dos moçambicanos, encorajou cada cidadão a contribuir com os meios ao seu alcance, sublinhando que pequenos gestos podem fazer a diferença na vida de quem mais necessita.

“Não precisamos esperar por grandes recursos para ajudar. Podemos preparar uma sopa, trazer uma refeição quente, oferecer leite, chá ou outros bens essenciais. O importante é que aqueles que hoje aqui se encontram sintam o carinho, a solidariedade e o abraço de todos os moçambicanos”, disse.

A esposa do Chefe do Estado reiterou que servir o próximo constitui um dever moral e um compromisso que deve unir toda a sociedade, sobretudo em períodos de adversidade, quando se torna mais evidente a necessidade de proteger os mais vulneráveis.

“Todos nós somos chamados a servir de forma verdadeira. É nos momentos difíceis que mostramos a força da nossa união e da nossa solidariedade. Que ninguém fique indiferente ao sofrimento do seu irmão”, acrescentou.

A visita terminou com a entrega de bens de primeira necessidade às famílias acolhidas e com palavras de incentivo para que mantenham a esperança num futuro melhor. Na ocasião, Gueta Selemane Chapo reafirmou o compromisso do Gabinete da Primeira-Dama de continuar a acompanhar a situação e a promover iniciativas de solidariedade em benefício das vítimas dos actos de xenofobia.

O Presidente da República, Daniel Chapo, voltou a manifestar abertura para o diálogo com o grupo armadoprotagonista do terrorismo  em Cabo Delgado, que já provocou mais de cinco mil mortos e cerca de um milhão de deslocados.

A vontade foi manifestada num comício realizado  no distrito  de Meluco, no segundo dia de visita de Daniel Chapo à província, onde o Chefe de Estado  centrou o seu discurso na  insurgência e na restauração da paz e estabilidade.

“Queremos apelar aos nossos irmãos que vivem no mato para dialogarem connnosco de modo a acabarmos com o terrorismo e desenvolvermos o nosso Moçambique, disse o Chefe de Estado à população de Meluco.

Para convencer ao grupo armado a acabar com o terrorismo, o Presidente da República falou das consequências para os envolvidas  no conflito armado. “A guerra não fustiga apenas as populações deslocadas e afetadas pelos ataques, mas atinge igualmente os insurgentes que vivem escondidos”, recordou Chapo.

De acordo com o Chefe de Estado, “o mato não foi feito para um ser humano. Foi feito para o animal”.  Considera que face à pressão militar exercida pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) e outras, os terroristas não descansam. 

O compromisso de pacificação definitiva de Cabo Delgado é uma das mensagens dominantes no discurso de Daniel Chapo na sua visita à província.

O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) pretende aprimorar a sua estratégia com vista a acelerar a modernização dos serviços prestados aos cidadãos e responder aos desafios da segurança rodoviária.

Reunida na cidade da Beira, até quinta-feira, em VI Conselho Consultivo,  a instituição declara que pretende dedicar especial atenção a matérias ligadas à transformação digital, modernização e qualidade dos serviços prestados.

No evento, o secretário de Estado dos Transportes reconheceu que persistem desafios ligados ao tempo de espera dos utentes, simplificação de procedimentos, uniformização do atendimento e de qualidade dos serviços.

“A resposta a estes desafios passa inevitavelmente pela transformação digital. Atenção que digitalizar não significa apenas informatizar processos. Significa repensar como os serviços públicos são concebidos e prestados”, disse Mabote.

Consiste ainda em, de acordo com o secretário de Estado dos Transportes, eliminar burocracia, simplificar procedimentos, integrar plataformas e colocar o cidadão no centro de prestação dos serviços do instituto público.

Para o secretário de Estado dos Transportes, a digitalização deve constituir uma ferramenta para aumentar a transparência, reduzir os custos, melhorar a eficiência administrativa e elevar os níveis de satisfação dos utentes.

“O INATRO deve posicionar-se no âmbito desta transformação. É igualmente necessário reflectirmos sobre o futuro da regulação. As entidades reguladoras modernas já não se definem pelo volume de serviços que executam directamente. A sua principal missão consiste em regular, supervisionar e monitorar o desempenho dos operadores, estabelecer padrões de qualidade, proteger interesses públicos e promover ambientes concorrenciais equilibrados”, disse.

Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do INATRO, Nelson Nunes, convidou os funcionários da instituição a consolidar reformas orientadas para o fortalecimento da capacidade técnica, operacional e organizacional.

“De modo a assegurar uma regulação mais eficiente do sector rodoviário e uma prestação dos serviços públicos mais moderna, célere e transparente centrada no cidadão”, concluiu o presidente do Conselho de Administração.

No evento, o INATRO pretende fazer o balanço das actividades do ano passado e terá sessões de capacitação sobre prevenção e combate à corrupção e outras matérias para o fortalecimento da cultura organizacional.

É ainda objectivo do encontro melhorar a prestação de serviços públicos, com a aposta na competência e integridade do capital humano.

O Governo da província de Gaza confirmou o afastamento definitivo dos gestores das fazendas Muthemba e Safari, no distrito de Massangena, no âmbito de acusações de bloqueio de vias de acesso utilizadas por comunidades locais.

Em paralelo, foi aberta uma investigação a operadores suspeitos de exploração ilegal de recursos faunísticos, numa operação que aprofunda o escrutínio sobre a gestão de terras e fauna bravia na província localizada na região Sul do País.

Quem confirmou a decisão foi o secretário de Estado na província de Gaza, Jaime Neto. Revela que os gestores visados tiveram de abandonar o País, na sequência da abertura do processo na Procuradoria Provincial de Gaza.

Neto explica que o afastamento dos gestores visa garantir que as investigações decorram sem interferências, sobretudo num contexto em que se procura apurar denúncias sobre o bloqueio da circulação de pessoas nas áreas concessionadas.

“Ele foi suspenso, foi afastado… para não perturbar o normal andamento do trabalho que está a ser feito”, afirmou o secretário de Estado e explicou que a medida visa assegurar condições para a continuidade das investigações.

Paralelamente ao afastamento dos gestores das fazendas Muthemba e Gaza Safari, as autoridades intensificaram a fiscalização sobre operadores suspeitos de exploração ilegal de recursos faunísticos no distrito de Massangena.

De acordo com o secretário de Estado, o foco da investigação passa por clarificar a legalidade das actividades, incluindo eventuais abates de animais sem autorização e o cumprimento das normas de gestão de fauna bravia.

“Precisamos de ver que tipo de animais têm autorização para abater e tudo mais, porque esses animais são o nosso património”, referiu Jaime Neto e defendeu maior rigor na fiscalização das actividades económicas ligadas à fauna.

As autoridades indicam ainda que o processo de controlo não se limita às fazendas envolvidas no caso, devendo ser alargado a outras unidades de exploração na província, com verificação de licenças, contributos fiscais e funcionamento de actividades turísticas instaladas em propriedades privadas.

No terreno, as denúncias incluem também alegações de bloqueio de vias usadas por comunidades locais, situação que tem alimentado tensões entre residentes e gestores de concessões, e por isso, está sob análise das autoridades.

Com afastamentos já concretizados, o governo de Gaza quer  reforçar o controlo sobre a exploração de recursos naturais, num equilíbrio cada vez mais tenso entre interesses privados, comunidades locais e património faunístico.

O Grupo SOICO e a Televisão de Moçambique (TVM) assinaram, nesta terça-feira, um memorando de entendimento que estabelece a partilha de conteúdos editoriais relacionados com eventos oficiais e de elevado interesse público, numa iniciativa que as duas instituições consideram um marco para a comunicação social moçambicana.

O acordo visa reforçar a cooperação entre o maior grupo privado de comunicação social do País e a televisão pública, permitindo que ambas as instituições partilhem sinais de transmissão e outros conteúdos editoriais, sobretudo em coberturas de actos de Estado e de governação, garantindo uma maior difusão da informação junto dos cidadãos.

Na ocasião, o presidente do Conselho de Administração (PCA) do Grupo SOICO, Daniel David, afirmou que o memorando representa um compromisso com os moçambicanos e não apenas entre as duas instituições.

“Este memorando não é para a SOICO nem para a TVM; é para os moçambicanos. É uma demonstração de que servir o público significa garantir que a informação chegue aos cidadãos em qualquer circunstância”, afirmou.

Segundo Daniel David, a parceria traduz uma visão de complementaridade entre os dois órgãos de comunicação, colocando o interesse nacional acima dos interesses institucionais ou comerciais.

“O grande ganho deste entendimento é percebermos que, trabalhando em conjunto, conseguimos servir melhor os moçambicanos. Este acordo coloca o cidadão no centro do nosso trabalho e demonstra que o interesse nacional deve prevalecer sobre qualquer interesse individual”, sublinhou.

O gestor destacou ainda que a cooperação entre as duas instituições já vinha acontecendo em algumas ocasiões, nomeadamente na cobertura de grandes eventos nacionais, esclarecendo que o memorando apenas formaliza uma prática existente e cria bases para o seu fortalecimento.

Por sua vez, o PCA da TVM, Victor Nhatitima, considerou que a assinatura do memorando constitui um momento histórico para a comunicação social moçambicana, por aproximar uma televisão pública e um grupo privado em torno de um objectivo comum.

“Este memorando permite-nos partilhar conteúdos editoriais ligados aos eventos de Estado e amplia o alcance da informação produzida por ambas as instituições. Nem sempre a TVM está onde o Grupo SOICO está, assim como o contrário. Com este entendimento, passaremos a complementar-nos para que a informação de interesse público chegue a mais moçambicanos”, explicou.

Victor Nhatitima acrescentou que o acordo representa um importante passo na cooperação institucional e poderá ser alargado futuramente para incluir programas de intercâmbio entre profissionais das duas organizações.

“Esperamos que este seja apenas o início de uma parceria mais ampla, permitindo a troca de experiências entre os profissionais da TVM e do Grupo SOICO, contribuindo para o fortalecimento das capacidades técnicas e profissionais de ambas as instituições”, referiu.

O responsável revelou ainda que a televisão pública dispõe de equipamentos e recursos técnicos que poderão ser utilizados pelo Grupo SOICO, mediante entendimentos específicos, em futuras produções audiovisuais.

Além da partilha de conteúdos editoriais, as duas instituições manifestaram interesse em desenvolver novas formas de cooperação, incluindo a partilha de conhecimentos, experiências e recursos técnicos, com o objectivo de melhorar a qualidade da informação disponibilizada ao público e fortalecer o sector da comunicação social em Moçambique.

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