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O País – A verdade como notícia

Duas irmãs foram agredidas e um guarda ficou gravemente ferido durante um assalto à Paróquia Nossa Senhora da Assunção de Mecubúri, em Nampula. A igreja nega, entretanto, que tenha havido violação sexual.

A Igreja Católica em Nampula manifesta preocupação com a onda de violência que tem atingido membros do clero e comunidades religiosas na província. O caso mais recente ocorreu na madrugada do último sábado, quando um grupo de indivíduos desconhecidos invadiu a Paróquia Nossa Senhora da Assunção de Mecubúri e agrediu fisicamente duas religiosas e o guarda que se encontrava em serviço.

O guarda sofreu ferimentos graves na cabeça e perdeu três dedos da mão esquerda, depois de ser atingido com uma catana durante o assalto.

“Ele foi espancado, contraiu ferimentos na cabeça e foram amputados três dedos da mão esquerda”, explicou Estêvão Júlio, padre vigário-geral da Arquidiocese de Nampula.

Durante a invasão, duas irmãs que se encontravam na paróquia também foram agredidas fisicamente. A Arquidiocese de Nampula esclarece, no entanto, que não houve violação sexual das religiosas, contrariando informações que circulavam nas redes sociais.

“Não é verdade o que foi veiculado nas redes sociais. Nenhuma irmã foi violada e muito menos as meninas que estão no lar. Ficamos indignados com essas falsas notícias”, afirmou o vigário-geral.

Na mesma paróquia funciona um lar feminino que acolhe 42 alunas provenientes de zonas recônditas da província, que frequentam os estudos em regime de internato. Durante o assalto, os criminosos levaram telemóveis pertencentes às estudantes e um computador da congregação.

A Igreja Católica considera o episódio particularmente preocupante por ocorrer num contexto em que persistem receios relacionados com a segurança dos seus membros. Para a Arquidiocese de Nampula, o ataque constitui mais um sinal da vulnerabilidade das comunidades religiosas perante a criminalidade.

O padre Estêvão Júlio relacionou ainda o episódio com o sentimento de insegurança deixado pela morte de Dom Osório, também vítima de violência criminosa. Segundo o sacerdote, os recentes acontecimentos reavivam as feridas provocadas por aquele caso e aumentam a preocupação entre os membros da igreja.

A Arquidiocese de Nampula apela à investigação dos crimes e ao reforço da segurança nas instituições religiosas, sobretudo nas comunidades que acolhem estudantes e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.

O Conselho Municipal de Maputo (CMM) vai disponibilizar vagas nos seus serviços para a execução de penas alternativas à prisão, permitindo que cidadãos condenados cumpram determinadas sanções através da prestação de trabalho socialmente útil. A medida resulta de um protocolo de cooperação assinado nesta terça-feira entre o Município e o Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP).

O acordo pretende dar maior concretização à aplicação das penas alternativas à privação da liberdade, apostando na responsabilização dos condenados, mas também na sua reabilitação e reinserção social. A iniciativa prevê que os cidadãos abrangidos possam realizar actividades de interesse público nas áreas a serem definidas pelo Conselho Municipal de Maputo.

Na cerimónia de assinatura, o director-geral do SERNAP, David Henrique, explicou que “a prestação de trabalho socialmente útil constitui uma das modalidades previstas no quadro das penas alternativas à prisão e é destinada a condenados que preencham determinados requisitos estabelecidos na legislação”.

Segundo Henrique, entre as condições está a qualidade de réu primário, uma pena não superior a três anos e a restituição de bens ou reparação dos prejuízos causados à vítima, nos casos aplicáveis. A pena consiste na realização gratuita de actividades, serviços ou tarefas em benefício da comunidade, podendo ser executada em entidades públicas ou privadas com fins de interesse público ou comunitário.

Entre as actividades que podem ser atribuídas aos condenados estão trabalhos de construção, conservação e manutenção de infra-estruturas e vias públicas, saneamento, limpeza geral, bem como conservação e manutenção de jardins e parques.

O responsável destacou que a execução destas penas exige uma articulação entre as instituições envolvidas, cabendo ao SERNAP assegurar a triagem dos condenados, tendo em conta os seus perfis psicológico e comportamental, bem como as respectivas aptidões.

O SERNAP deverá igualmente acompanhar os condenados durante o cumprimento da pena e manter a articulação com os órgãos judiciais, reportando o nível de cumprimento e a assiduidade de cada beneficiário.

Ao Município de Maputo caberá identificar as áreas de intervenção, planificar as tarefas, disponibilizar ferramentas e equipamentos necessários e supervisionar a execução dos trabalhos no terreno.

Para o director-geral do SERNAP, a parceria com o Município de Maputo representa um passo relevante para a consolidação de um modelo de justiça penal que não se limita à privação da liberdade, mas procura criar condições para que o condenado possa assumir a responsabilidade pelos seus actos e, simultaneamente, preparar o seu regresso à sociedade.

O presidente do Conselho Municipal de Maputo, Rasaque Manhique, defendeu a mesma perspectiva, considerando que a execução de penas alternativas deve conciliar justiça, responsabilização e reinserção social.

“Um cidadão que cumpre uma pena deve responder pelos seus actos, mas deve igualmente encontrar oportunidades para reconstruir a sua vida e reintegrar-se plenamente na sociedade”, afirmou Manhique.

A iniciativa surge num contexto em que as autoridades procuram reforçar mecanismos de execução de penas que possam contribuir para a reinserção social dos condenados, sem descurar a responsabilização pelos actos praticados.

DIREITOS HUMANOS

Além do protocolo com o SERNAP, o Conselho Municipal de Maputo assinou um memorando de entendimento com a Comissão Nacional dos Direitos Humanos (CNDH), destinado a reforçar a promoção, protecção, monitorização e documentação dos direitos sociais, económicos e culturais no município.

O acordo prevê acções de formação e capacitação dos membros da Assembleia Municipal e funcionários municipais em matéria de direitos humanos, bem como iniciativas de educação e sensibilização dos munícipes.

A protecção de grupos em situação de maior vulnerabilidade, incluindo crianças, idosos, mulheres e pessoas com deficiência, figura igualmente entre as áreas de intervenção previstas.

O memorando estabelece ainda a necessidade de fortalecer a cultura institucional de respeito pelos direitos humanos e melhorar os mecanismos de recepção, tratamento e encaminhamento de queixas e denúncias relacionadas com a prestação de serviços municipais.

Para Manhique, a parceria assume particular importância porque a governação municipal envolve diariamente direitos fundamentais dos cidadãos, relacionados com o acesso aos serviços públicos, mobilidade, ambiente, inclusão e tratamento digno.

“A autoridade pública deve estar ao serviço do cidadão, e as nossas instituições devem ser capazes, não apenas de aplicar a lei, mas também de proteger direitos, criar oportunidades e promover a reintegração social”, afirmou.

O presidente da CNDH, Albachir Macassar, considerou que o memorando representa uma evolução de iniciativas anteriormente realizadas de forma pontual para um quadro de cooperação mais estruturado e permanente entre as duas instituições.

Macassar salientou que muitos direitos humanos se materializam no quotidiano das cidades, através de questões como acesso aos serviços públicos, mobilidade, habitação, saneamento, utilização dos espaços públicos, segurança e resposta às situações de vulnerabilidade.

Quatro pessoas morreram e outras 14 ficaram feridas na sequência de um acidente de viação ocorrido na tarde desta segunda-feira, na localidade de Caphirizange, distrito de Moatize, província de Tete.

O sinistro envolveu um transporte semicolectivo de passageiros que fazia a ligação entre Angónia e a cidade de Tete e terá ocorrido depois de a viatura se ter despistado.

Três das vítimas mortais, todas do sexo masculino, perderam a vida no local. Uma quarta vítima morreu posteriormente numa unidade sanitária, elevando para quatro o número de óbitos.

Entre os feridos, três foram classificados como graves e 11 como moderados. De acordo com a directora-clínica do Hospital Provincial de Tete, Julieta Agy, os feridos foram encaminhados para diferentes unidades sanitárias, onde receberam assistência médica.

Entretanto, 13 dos pacientes já tiveram alta hospitalar, permanecendo apenas um internado.

Segundo o chefe das Operações da Polícia de Trânsito em Tete, a velocidade terá contribuído para a perda de controlo da viatura e consequente despiste.

Entre os sobreviventes está Pedro, de 60 anos, que perdeu a esposa no acidente. Ainda internado, o homem lamenta a alegada demora no socorro às vítimas e considera que a sua esposa poderia ter sobrevivido caso tivesse recebido assistência atempada.

O testemunho volta a levantar preocupações sobre a rapidez da resposta em situações de emergência, sobretudo em acidentes ocorridos fora dos principais centros urbanos.

O acidente reacende igualmente o debate sobre a segurança rodoviária na província de Tete, onde as autoridades têm manifestado preocupação com a ocorrência de acidentes graves, incluindo casos envolvendo motociclistas e transportes de passageiros.

A ocorrência acontece num ano em que a sinistralidade rodoviária continua entre os principais desafios de segurança pública em Moçambique.

Dados divulgados pelas autoridades em 2026 apontam para a persistência de um número elevado de acidentes e vítimas mortais nas estradas nacionais, levando o Governo e o Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários a reforçar os apelos ao cumprimento das regras de trânsito e à adopção de medidas de prevenção.

Em Tete, a preocupação ganhou maior dimensão em Março, quando um acidente no distrito de Marávia provocou 15 mortos e 17 feridos. O acidente envolveu um camião de mercadorias que transportava passageiros e que acabou por se despistar e capotar.

Meses depois, as autoridades revelaram também a morte de seis crianças em acidentes de viação na província, quando estas se deslocavam para a escola.

Apesar das diferentes medidas de fiscalização e sensibilização, o excesso de velocidade continua a ser apontado entre os principais factores associados aos acidentes graves.

As autoridades apelam aos automobilistas e motociclistas para que cumpram rigorosamente as regras de trânsito, respeitem os limites de velocidade, evitem manobras perigosas e adoptem uma condução defensiva.

A Polícia de Trânsito defende que a redução da sinistralidade exige igualmente maior responsabilidade dos transportadores, fiscalização permanente das condições dos veículos e maior prudência no transporte de passageiros.

Manuel de Araújo afirma que o município não recebeu nenhum valor dos 250 milhões de meticais anunciados pelo antigo Presidente Filipe Nyusi e acusa o Governo de discriminar a autarquia na alocação de recursos. Sucede que durante o consolado de Nyusi, o antigo chefe do estado prometera logo a passagem do ciclone Freddy no ano de 2023, uma injeção financeira naquele montante, para a província da Zambézia, para a reconstrução das infraestruturas públicas danificadas.

O nosso jornal sabe que o valor foi canalizado ao governo provincial, algumas obras foram executadas com destaque para escolas mas que nenhum tostão chegou ao município para os devidos efeitos, daí a indignação do edil de Quelimane e por isso pede esclarecimentos. O edil afirma que nenhum valor foi disponibilizado ao Município de Quelimane para a reconstrução das infraestruturas autárquicas afectadas. A situação, segundo De Araújo, levanta dúvidas sobre os critérios de distribuição dos recursos e motiva a sua exigência de esclarecimentos às entidades competentes. O edil considera que, no quadro da descentralização, o Município de Quelimane deveria igualmente beneficiar dos recursos destinados à autarquia mas desde fevereiro que não é canalizado.

A denúncia foi feita esta terça-feira pelo edil de Quelimane, Manuel de Araújo, durante a reinauguração do mercado de Sangariveira. Segundo Manuel de Araújo, que falava para a população, o antigo Presidente da República, Filipe Nyusi, havia anunciado cerca de 250 milhões de meticais para apoiar a reconstrução de infraestruturas afectadas pelo ciclone na província da Zambézia.

Contudo, o edil afirma que o Município de Quelimane não beneficiou de nenhuma parte desses recursos. “ todos os nossos mercados ficaram afectadas pelo ciclone Freddy incluindo o edifício municipal ficou destruído. O ciclone tirou todo o tecto. Foi anunciado valores em milhões de meticais por presidente Nyusi, antigo presidente da república e nós não fomos incluídos. A escola 25 de setembro continua com tecto destruído, a escola industrial idem” disse Manuel de Araújo.

O presidente do município foi mais longe ao afirmar que a autarquia está a ser discriminada na alocação de recursos provenientes do nível central, numa altura em que enfrenta desafios relacionados com a reconstrução de infraestruturas destruídas ou danificadas por fenómenos climáticos extremos.

Manuel de Araújo voltou igualmente a questionar a não canalização dos fundos previstos no âmbito da descentralização, nomeadamente o Fundo de Investimento Autárquico e o Fundo de Compensação Autárquica. “ Os dois fundos por lei, devem ser canalizados aos municípios e desde fevereiro do ano passado não chegaram ao nosso município. Tivemos que parar muitas obras por conta da falta dos orçamentos” precisou o autarca.

A intervenção do edil ocorreu durante a entrega do mercado de Sangariveira, uma das infraestruturas afectadas pelo ciclone Freddy. O espaço conta com mais de 40 bancas e foi reabilitado para permitir o regresso das comerciantes às suas actividades em melhores condições.

As vendeiras que trabalham no mercado mostram-se satisfeitas com a intervenção, considerando que a reabilitação representa uma melhoria das condições de trabalho e de atendimento aos consumidores.

Depois da reinauguração do mercado de Sangariveira, Manuel de Araújo deslocou-se ao mercado central de Quelimane para acompanhar as obras de reconstrução em curso.

De acordo com a autarquia, os trabalhos deverão estar concluídos, em princípio, até 21 de Agosto, data em que a cidade de Quelimane celebra mais um aniversário.
A reabilitação de infraestruturas destruídas pelo ciclone Freddy continua, entretanto, a constituir um dos principais desafios para o município, que reclama maior apoio financeiro do Governo central para responder aos danos provocados pelo fenómeno climático.

O Hospital Psiquiátrico regista actualmente 78 pacientes adultos que permanecem internados por períodos superiores ao previsto, por não terem conseguido regressar ao convívio das suas famílias. O número é composto por 54 homens e 24 mulheres, que permanecem nas enfermarias por diferentes razões.

Segundo a instituição, o internamento de curta duração tem uma duração máxima de 45 dias, findos os quais o paciente, depois de estabilizado, deve regressar à sua família. Contudo, alguns doentes acabam por permanecer no hospital devido a dificuldades na localização dos familiares, à própria natureza da doença ou à falta de informação suficiente no momento da admissão.

A instituição explica que, em alguns casos, à medida que o estado clínico do paciente melhora, a recuperação da memória permite obter informações que facilitam a localização dos familiares e a consequente reintegração. Porém, há situações em que as próprias famílias se recusam a receber de volta o doente, muitas vezes por falta de informação ou por preconceitos relacionados com a doença mental.

De acordo com o hospital, algumas famílias ainda associam as doenças mentais a fenómenos sobrenaturais, o que leva à rejeição do paciente. Nestes casos, a instituição procura sensibilizar e educar os familiares, com o objectivo de criar condições para que o doente, uma vez estabilizado, possa regressar ao seu meio familiar.

As dificuldades económicas constituem igualmente um dos factores que contribuem para a permanência prolongada dos pacientes. Há famílias que alegam não ter condições para garantir alimentação adequada e assegurar a continuidade da medicação, optando, por isso, por deixar o doente sob os cuidados do hospital.

Existem ainda casos em que o próprio paciente manifesta preferência por permanecer na instituição, por considerar que recebe melhores cuidados do que em casa. Alguns relatam que, no hospital, têm alimentação regular e convivem diariamente com profissionais e outros pacientes, realidade que dizem não encontrar no seio familiar.

Perante este cenário, o Hospital Psiquiátrico afirma estar a analisar cada caso individualmente, procurando identificar soluções que permitam a reintegração dos pacientes no seio das suas famílias e na comunidade.

 

O Governo do distrito da Matola diz que o consumo de bebidas alcoólicas nos recintos escolares não é um caso isolado da Escola Secundária Bonifácio Gruveta. Para lidar com o fenómeno, a PRM na Província de Maputo vai passar a fiscalizar pastas dos alunos antes de entrarem na escola.

Na última sexta-feira, 07 de Agosto, em declarações ao “O País”,  pais e encarregados de Educação da Escola Secundário Bonifácio Gruveta Massamba, no bairro Khongolote, no município da Matola, denunciaram o “consumo de bebidas alcoólicos e comportamentos desviantes” de alguns alunos matriculados naquele estabelecimento de ensino, caracterizados por “sabotagens de aulas e roubos e pancadarias entre alunos”.

Nesta segunda-feira, o Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia, no distrito da Matola, reconheceu que as denúncias dos alunos são reais, e está a disciplinar os alunos sem medidas de expulsão.

De acordo com Danilo Ventura, director distrital, o sector que dirige já realizou “duas grandes reuniões multi sectoriais incluindo a Polícia e a procuradoria para encontrar soluções conjuntas uma vez os visados na sua maioria serem menores que entram em conflito com a lei”.

Os referidos encontros terminaram com planos de acção, e, em cumprimento dos mesmos, o Serviço Distrital acrescenta não serem poucas as vezes que sancionou alunos por embriaguez na escola.

“O que não podemos fazer, é tomar medida de expulsão, porque a escola é também centro de reabilitação. Nessa perspectiva, temos trabalhado com a saúde e outras organizações não-governamentais para a reabilitação desses jovens e adolescentes”, explicou, acrescentando terem sido reactivados em todos os estabelecimentos de ensino do distrito os núcleos antidroga.

A Polícia da República de Moçambique, que esteve, na última sexta-feira, na Escola Secundária Bonifácio Gruveta Massamba a sensibilizar os estudantes, assegurou já ter destacado equipas para “várias escolas para sensibilizar, conversar com alunos e fiscalizar as pastas para ver quem entra com substâncias estranhas”, explicou Carmínia Leite, porta-voz da PRM na Província de Maputo.

A polícia e o Serviço Distrital de Educação dizem que o consumo de álcool nas escolas não é um fenómeno novo e apelam à vigilância de toda sociedade.

Cerca de uma em cada quatro mulheres grávidas no distrito de Quelimane, província da Zambézia, não recebeu com satisfação a confirmação da gravidez, segundo um estudo do Centro de Investigação em Saúde de Manhiça (CISM), que aponta as adolescentes e a falta de apoio dos parceiros como alguns dos principais factores associados a essa realidade.

A investigação concluiu que 24,5% das 1546 mulheres inquiridas afirmaram não se terem sentido felizes quando souberam que estavam grávidas. Entre as adolescentes, essa percentagem ascendeu a 42,2%, enquanto entre as mulheres cujos parceiros manifestaram insatisfação com a gravidez atingiu 74,5%. Já entre aquelas que não mantinham diálogo com os companheiros sobre questões reprodutivas, a proporção foi de 48,9%.

O estudo analisou dados recolhidos entre 2023 e 2024 através do Sistema de Vigilância de Gravidezes (PregSurv), implementado no âmbito da Plataforma de Vigilância Demográfica e de Saúde de Quelimane.

Segundo os investigadores, as principais razões apontadas pelas mulheres para a falta de satisfação com a gravidez foram o facto de esta não ter sido planeada (30,2%), tratar-se de uma gravidez indesejada (26,5%) e o receio das consequências que poderia trazer para as suas vidas (17,7%). Foram ainda referidos o curto intervalo entre gravidezes e a decisão de não querer ter mais filhos.

Entre as participantes que afirmaram ter recebido a notícia com felicidade, as razões mais frequentes foram o desejo de ter um filho (34,1%), a percepção da gravidez como uma bênção ou uma boa surpresa (28,5%) e a vontade de aumentar a família (24,7%).

O estudo avaliou igualmente a reacção dos parceiros. Cerca de 16,9% das mulheres indicaram que os companheiros não ficaram satisfeitos com a gravidez. Nestes casos, as razões mais apontadas foram tratar-se de uma gravidez indesejada (30,2%), não planeada (29,0%) ou ocorrer pouco tempo após uma gravidez anterior (3,4%).

Entre os parceiros que acolheram positivamente a gravidez, 43% manifestaram o desejo de ter um filho, 21,8% afirmaram querer aumentar a família e 12% preparavam-se para ser pais pela primeira vez.

Apesar de 97,3% das mulheres referirem que os parceiros aceitaram a gravidez, o estudo identificou situações de rejeição. Entre os companheiros que recusaram assumir a gravidez, 39% não quiseram aceitar responsabilidades parentais e 34,2% alegaram não ser os pais da criança. Cerca de 26,2% das mulheres abandonadas durante a gravidez afirmaram desconhecer os motivos dessa decisão.

Para Ariel Nhacolo, os resultados evidenciam a necessidade de reforçar intervenções dirigidas não apenas às mulheres, mas também aos seus parceiros, promovendo uma abordagem centrada no casal.

“A comunicação entre os parceiros, o apoio emocional e o envolvimento de ambos nas decisões relacionadas com a gravidez são factores determinantes para melhorar a saúde materna e infantil”, refere o investigador.

A investigação identificou igualmente as adolescentes como o grupo mais vulnerável, apresentando níveis mais elevados de gravidezes não intencionais, menor conhecimento sobre métodos contraceptivos modernos e menor comunicação com os parceiros sobre planeamento familiar.

Os autores defendem que uma melhor compreensão da forma como as mulheres vivem emocionalmente o início da gravidez poderá contribuir para o reforço dos programas de saúde materna e infantil, recomendando uma maior participação dos parceiros nas consultas pré-natais e nas acções de aconselhamento, bem como uma atenção reforçada às adolescentes e às mulheres em situação de maior vulnerabilidade.

O estudo foi desenvolvido no âmbito da Rede CHAMPS, financiada pela Fundação Gates através da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica BMC Pregnancy and Childbirth. Além do CISM, participaram investigadores do Instituto Nacional de Saúde, do ISGlobal, do Centro de Estudos Africanos da Universidade Eduardo Mondlane, da Universidade de Barcelona, da Universidade de Washington e de outras instituições parceiras.

Mais de 400 crianças foram recrutadas por grupos armados em Moçambique em 2024, num contexto de agravamento da violência em Cabo Delgado, que continua a provocar deslocações e necessidades humanitárias no Norte do País, segundo relatório oficial.

Entre os 403 menores confirmados nessa situação contam-se 71 raparigas, enquanto outras 468 crianças foram raptadas, das quais 392 para recrutamento e utilização por grupos armados, refere o mais recente relatório Public Health Situation Analysis (PHSA), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Health Cluster, que congrega dados de fontes oficiais, a que a Lusa teve acesso.

O documento, citado pela Lusa, acrescenta que Moçambique está entre os cinco países com o aumento mais acentuado das violações graves contra crianças, que cresceram 525% em 2024.

“As crianças em Cabo Delgado enfrentam violações graves, incluindo raptos e recrutamento por grupos armados não estatais”, assinala o relatório. Segundo o mesmo documento, estes abusos “não apenas roubam às crianças a sua segurança e dignidade, como também deixam profundos traumas psicológicos.”

O relatório alerta que, quase nove anos após o início da insurgência armada em Cabo Delgado – por grupos insurgentes associados ao Estado Islâmico –, as necessidades humanitárias permanecem elevadas. Actualmente, cerca de 1,1 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária no Norte de Moçambique, incluindo 919 mil residentes nos distritos mais afectados pelo conflito naquela província, rica em gás.

A insegurança continua igualmente a provocar novas deslocações, e só em Junho, refere o relatório, pelo menos 12 174 pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas, devido à violência, elevando para 26 184 o número de novos deslocados desde o início deste ano. Os movimentos ocorreram, sobretudo, dentro dos próprios distritos ou para distritos vizinhos de Cabo Delgado.

No total, o Norte de Moçambique acolhe actualmente 506 214 deslocados internos, mais 9% do que no ano anterior, reflectindo o agravamento da insegurança. Mulheres e crianças representaram 79% dos deslocados registados em Junho.

O relatório acrescenta que mais de 715 mil pessoas regressaram às suas zonas de origem, embora muitas continuem dependentes de ajuda humanitária, devido ao acesso limitado a terras agrícolas e à interrupção de serviços básicos.

Segundo o relatório, “quase todas as famílias deslocadas fugiram múltiplas vezes”, num sinal da persistência da crise humanitária e da incapacidade de muitas comunidades regressarem em segurança às suas zonas de origem.

O documento refere preocupações relacionadas com a separação familiar, violência baseada no género, perda de documentação e sofrimento psicossocial: “Mulheres, crianças, idosos e outros grupos vulneráveis foram particularmente afectados pela incerteza e pela deterioração das condições de vida”.

A OMS assinala que a recente escalada da violência em Cabo Delgado e Nampula é marcada por assassinatos, raptos e destruição generalizada, contribuindo para novas deslocações e para o agravamento das necessidades humanitárias.

A resposta internacional continua limitada pela falta de financiamento, com o Plano de Resposta Humanitária para 2026 a necessitar de 348 milhões de dólares, tendo recebido apenas 116 milhões de dólares até meados do ano, o equivalente a 34% das necessidades identificadas.

Até ao fim de Maio, a comunidade humanitária tinha conseguido prestar algum tipo de assistência a cerca de 520 mil pessoas, o correspondente a 46% da população-alvo. Nos distritos considerados mais críticos de Cabo Delgado, foram apoiadas 263 mil pessoas, muito abaixo das 919 mil consideradas prioritárias.

A violência continua igualmente a afectar serviços básicos em Cabo Delgado, com 30 das 150 unidades sanitárias da província totalmente destruídas no fim de 2025, enquanto vários parceiros humanitários suspenderam actividades devido à insegurança e às dificuldades de acesso.

As primeiras reacções à chegada de Alfeu Cuna ao Governo de Gaza surgiram esta segunda-feira, em Xai-Xai. A população quer que o novo governador transforme as promessas em acções. Agricultura, agroprocessamento, emprego e oportunidades para a juventude estão entre as principais exigências.

A saída de Margarida Mapandzene Chongo deixa algum lamento entre a população. Mas também abre espaço para novas expectativas sobre a governação da província.Os residentes querem menos corrupção e mais atenção às necessidades da população.

“Que se reduza o roubo no Governo, que se reconheça a corrupção como um mal e que se cuide do povo”, defende Mário Marequele, residente em Xai-Xai.

A população também quer a recuperação de actividades produtivas que já garantiram emprego e rendimento às famílias.

“Nós votámos nela e a sua saída deixa-nos com algum lamento. Mas, enfim, aqui havia agricultura e indústria de caju. É isso que o Governo deve revitalizar, para que os jovens possam trabalhar nas fábricas e nós possamos produzir nas machambas”, acrescenta Marequele.

No campo político, as promessas de Alfeu Cuna são recebidas com cautela. A oposição promete fiscalizar a actuação do novo Governo Provincial.

“Não vai fazer nada. Vamos fiscalizar moeda por moeda, palavra por palavra, enfim, todas as suas acções”, afirma Agnaldo Navalha, segundo vice-presidente da Assembleia Provincial de Gaza.

Os empresários também esperam respostas rápidas. O sector continua afectado pelas perdas provocadas pelas cheias. As dívidas do Estado são apontadas como um dos principais obstáculos à recuperação dos negócios.

A sociedade civil exige, igualmente, medidas concretas contra a corrupção. Defende mais transparência e responsabilização na gestão da coisa pública.

Agricultura, emprego, agroprocessamento, pagamento das dívidas e combate à corrupção são alguns dos primeiros desafios de Alfeu Cuna.

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