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O País – A verdade como notícia

A Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) multou as Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) em 11.109.738,05 meticais por cobrança indevida de uma sobretarifa e por dificultar uma investigação oficial.

Segundo a ARC, a companhia aplicou, em voos domésticos, uma taxa criada para compensar variações no preço do combustível em voos internacionais, mesmo depois de o Governo ter proibido a sua cobrança em 2021. Em alguns casos, o valor da sobretarifa representou até 60% do preço do bilhete. Num exemplo citado, de um bilhete de 10 mil meticais, cerca de 6 mil correspondia apenas à taxa.

A entidade reguladora sublinha que não havia base legal ou contabilística para a cobrança, acusando a LAM de falsear o preço real dos bilhetes, prejudicando financeiramente os passageiros e abusando da sua posição dominante no mercado.

Além disso, a LAM não apresentou documentos e informações solicitadas pela investigação. Segundo a ARC, a cobrança foi mantida para aumentar receitas e cobrir custos operacionais e de responsabilidade social, como combustíveis e salários.

As multas aplicadas são: 8.332.303,54 meticais pela cobrança indevida da sobretarifa; 2.777.434,51 MT por não colaboração na investigação.

O pagamento deve ser feito no prazo de 15 dias, e em dois meses a empresa deve eliminar a sobretarifa. O processo foi remetido à Procuradoria-Geral da República, que poderá adotar novas medidas caso sejam encontrados mais indícios de irregularidades.

Há mais quatro casos positivos de Mpox em Niassa, no distrito de Lago, totalizando assim 38. Dados divulgados na noite de ontem  indicam que foram dectetados 12 casos suspeitos, quatro deles na província de Gaza.

De um total de 33 amostras recolhidas entre sábado e domingo, a província de Niassa registou mais quatro casos positivos de Mpox, no distrito de Lago. Assim, continua a ser a província com maior número de casos positivos.

De acordo com o boletim do Ministério da Saúde, a província de Maputo mantém os três casos positivos e Manica continua com dois. 

De sábado para domingo, houve registo de 12 casos suspeitos de um total de 226 testados, dos quais quatro em Gaza, três em Manica, dois na Zambézia, sendo que as províncias de Maputo, Tete e Nampula apresentam um caso cada. 

O boletim indica ainda que foram rastreados 186 casos, dos quais 134 estão em seguimento pelas autoridades de saúde. Em relação aos casos activos em seguimento, o documento apresenta 137 casos. Com dois recuperados da doença, ainda não há registo de nenhuma morte pela doença no país. 

As autoridades da saúde continuam a intensificar o trabalho de sensibilização sobre as medidas de prevenção do Mpox.

Foi condenado hoje, na cidade da Beira, um agente das forças especiais da Polícia da República de Moçambique (PRM), a uma pena de 14 anos de prisão, por envolvimento em assalto armado, que resultou no roubo de 250 mil meticais e dois celulares. 

O Tribunal Judicial da província de Sofala provou em julgamento na sua 5ª sessão, que na noite do dia 22  Janeiro deste ano, um agente das forças especiais, afecto à Unidade de Intervenção Rápida (UIR),  que responde pelo nome de Manuel Daidai João, em conluio com um comparsa, ora fugitivo, assaltou, com recurso a uma arma do tipo pistola, das forças de defesa e segurança um agente de carteira móvel, na bairro da manga, na cidade da Beira.

“O arguido chegado àquele local, transportado por uma motorizada, questionou ao ofendido se o mesmo poderia fazer o câmbio da moeda kwacha, e o mesmo teria respondido  que não, e dito para se aproximar ao portão, que era onde se fazia o tal trabalho. O arguido simulou devolver o dinheiro ao bolso e retirou uma arma, do tipo pistola, e ameaçou o ofendido, que, por sua vez, se envolveu em confronto físico com o arguido. O comparsa do arguido arrancou a pasta que o ofendido trazia, depois se colaram em fuga em uma motorizada”, declarou a Ana Muchacha, Juíza do Tribunal Judicial de Sofala.  

Foi provado no tribunal as acusações de crime agravado contra o agente das forças especiais, e lida a sua setença. 

“(…) condenar o arguido Manuel Daidai João a pena de 14 anos de prisão pela prática de crime de roubo agravado, previsto e punido nos termos do artigo  279 e 280, alínea a) b) e c), todos do Código Penal. Máximo de imposto de justiça 2 mil meticais de monumentos a defesa.  Vai ainda condenado o arguido a pagar ao ofendido (…) uma indemnização no valor de 263 350 meticais pelo prejuízo e 50 mil meticais pelos danos materiais”, leu a sentença a Juíza do caso. 

O tribunal disse ao condenado que estava em liberdade condicional, após pagar caução,  que tem, de acordo com a lei, 20 dias para interpor o recurso e que passado os referidos dias começará  a contar o cumprimento da pena.

A Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) veio, esta segunda-feira, a público negar qualquer ligação ao comunicado que circula nas redes sociais sobre uma alegada greve de transportadores na cidade de Maputo.

Falando em conferência de imprensa, o presidente da FEMATRO, Castigo Nhamane, disse que o documento não tem origem nem respaldo institucional da federação, e apelou aos operadores para não aderirem a manifestações não coordenadas.

“Queremos deixar claro que a FEMATRO não é autora desse comunicado. Rejeitamos qualquer tentativa de paralisação que não tenha sido discutida e aprovada nos canais próprios. Apelamos à calma e ao respeito pela legalidade”, afirmou Nhamane.

Apesar do desmentido, a FEMATRO reconhece que há motivos legítimos de insatisfação por parte dos transportadores, nomeadamente: os altos custos operacionais, o mau estado das estradas, e acções de fiscalização excessivas, que, segundo os operadores, resultam frequentemente em multas injustificadas e restrições arbitrárias às rotas.

“Os problemas são reais, mas não se resolvem com desordem. Já apresentámos ao Governo as principais preocupações do sector e estamos à espera de uma resposta ainda esta semana”, acrescentou o presidente da Federação.

Nhamane sublinhou ainda que a solução para os desafios do sector passa pela organização, filiação às associações reconhecidas e diálogo institucional. Segundo ele, “o sector dos transportes deve actuar de forma coordenada para que as suas reivindicações tenham legitimidade e força negocial.”

A FEMATRO reiterou o seu apelo às autoridades municipais para reforçarem a ordem e estabilidade no sector. 

A equipa de reportagem do “O País” constatou que a circulação de transportes públicos em Maputo decorria com normalidade, nesta segunda-feira.

 

O Presidente da República,  Daniel Chapo, efectua, hoje, uma visita às instalações  do Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC), na  Cidade de Maputo. Na ocasião, o Chefe do Estado vai proceder com o lançamento oficial do Plano Estratégico  2025-2033 do SERNIC, documento que estabelece as linhas  mestras da acção investigativa para os próximos anos, com foco na prevenção e combate à criminalidade organizada e  transnacional. 

Segundo o comunicado da Presidência da República, estes eventos “assinalam um marco significativo no processo de  reestruturação do SERNIC e traduzem o reconhecimento, por  parte do Chefe do Estado, do papel central que a instituição  desempenha no combate à criminalidade”.

Artistas na província de Gaza sentem-se excluídos e marginalizados. Os fazedores de cultura denunciam, ainda, abandono da casa da cultura há mais de 10 anos e falta de políticas e de interesse em promover a cultura

Os artistas de Gaza cantam, dançam, esculpem, pintam, encenam e escrevem. Por meio da sua criatividade, vão além de si e do seu tempo e, através da arte, entretêm e moldam o rumo de uma época.

Isac Matusse, de 76 anos de idade, tem deficiência visual desde os seus três meses de vida, mas, com olhos da alma, o músico moçambicano sempre deu luz, vida e voz a diversas temáticas sociais.

Porém, infelizmente, sente-se abandonado, por não ter apoios de quem de direito. “A minha casa tem infiltrações. É o Governo que deve me ajudar nisso”, sugere Isac Matusse, secundado pela sua esposa, Isaura Macamo, que clama por ajuda, pois “não tem recebido ajuda, está sofrendo, sendo um artista de renome”.

Aos sete anos de idade, encontrou na música um caminho para expressar-se, mas foi aos 20 anos que deixou Chirindzene para a capital provincial, Xai-Xai, onde desde então fez da música a sua profissão, com mais de 100 composições.

Isac Matusse ganhou notoriedade no mercado em 2010, mas ainda assim não tem tido o apoio que deseja. “Preciso de ajuda para gravar um álbum. Tenho um vasto repertório musical”, revela e pede.

Com a sua esposa, Matusse desafia as manhãs frias e vende a sua música nos mercados da cidade na luta pelo prato de cada dia, até porque, segundo revelou, “passo fome por muitos dias”.

Entretanto, é uma actividade sem garantia e que, por vezes, é ingrata, segundo conta sua esposa Isaura Macamo. “Em dias de sorte, conseguimos 100 meticais. É com este dinheiro que preparamos as refeições”, revela.

E quem paga e aprecia diz que não faz sentido que vozes que contribuíram para a cultura na província continuem mergulhadas na miséria. Ademais, considera que a classe artística sempre foi deixada para trás pelo Governo.

Tudo isto acontece num contexto em que a casa provincial da cultura em Gaza atravessa a pior fase da sua história. O edifício principal, em particular o palco, sala de ensaio e de apresentações, está a cair aos pedaços por falta de manutenção há mais de 10 anos.

Manuel Rungo, coreógrafo em Xai-Xai, diz que a situação é devido à falta de interesse do Governo provincial. “Falamos do nosso governo também. Eu penso que, na verdade, não é priorizada a casa. É a razão porque está assim”, lamenta Manuel Rungo.

Já Edmilson, produtor musical na Casa de Cultura, diz mesmo que “em Gaza estamos abandonados, estamos num deserto”, realçando que “aqui temos estúdio, mas no estúdio nós não temos material de qualidade”.

O director da Casa da Cultura na província de Gaza, Jorge Mabunda, reconhece as dificuldades porque passam os mais de 100 artistas, mas fala de limitações orçamentais.

“Nenhum artista agora está interessado em vir fazer o seu evento na Casa de Cultura, porque não oferece condições”, revela.

Ainda assim, Jorge Mabunda fala de excepções: “Temos recebido anualmente um orçamento de aproximadamente 380 mil meticais, mas digo que esse orçamento só garante que a casa mantenha-se em funcionamento. Ainda não estamos a conseguir, se a gente conseguisse chegar pelo menos nos dois, três milhões já conseguiríamos comprar uma por uma coisa”, conta o director da Casa de Cultura de Gaza.

Sem palco para aperfeiçoar as suas actuações, entre outras actividades, a classe considera que não restam dúvidas de que há falta de políticas e interesse na promoção dos fazedores da cultura na província.

“Falando do teatro, o teatro está num estágio deplorável, dado que tem tantos artistas que ensaiam no próprio quintal e, mesmo assim, eles não têm espaço para exibir o seu talento”, conta Eduardo Vicente, professor de teatro.

A nossa equipa de reportagem tentou, por vários dias, ouvir a Direcção Provincial da Cultura e Turismo, mas ainda não se dignou a responder às nossas solicitações.

 

Há uma nova polémica em Nampula. Uma estrada concluída há três anos está com sinais de degradação precoce. O empreiteiro diz que alertou do risco da falta de sistema adequado de drenagem e foi ignorado. O município pode avançar para o tribunal. Numa outra estrada, a edilidade acabou por rescindir o contrato, devido a atrasos não justificados.

A asfaltagem da segunda faixa da Avenida Eduardo Mondlane, na cidade de Nampula, foi a bandeira do anterior edil, Paulo Vahanle, mas, três anos depois, o pavimento está com desgaste precoce, com buracos a aumentarem a cada dia.

Ainda assim, a actual edilidade de Nampula diz que o Conselho Municipal não recebeu ainda a obra, nem provisoriamente, nem definitivamente. “Ainda há espaço para nós negociarmos a obra, e estamos a lutar por todas as vias para poder negociar e concluirmos aquele troço”, disse Luís Giquira, edil de Nampula.

Sobre a qualidade apresentada pelo troço actualmente, Giquira disse que “é aquela que todos nós vemos, que infelizmente não é desejável. Por essa razão, estamos ainda junto ao empreiteiro, não quero aqui adiantar, mas estamos a discutir, e penso que vamos chegar a um consenso, porque não vamos acabar o mandato com aquela estrada assim como está”, frisou Luís Giquira.

Trata-se de um troço de um quilómetro e duzentos metros, que custou 59 milhões de meticais para os cofres do município. A obra foi iniciada pela ZAC Construções, que apresentou dificuldades que levaram à rescisão do contrato. O município adjudicou ao segundo classificado no concurso público, que foi a empresa ECRAM Construções.

Mustafá Age, vereador de Manutenção e Obras no Município de Nampula, esclarece que, em termos de projecto, houve um pequeno erro. “Foi feito o projecto, mas o mesmo não foi adequado àquilo que é a realidade. Se for a reparar, a estrada em si tem muitos problemas de água, tem várias correntes de água. Os dois sentidos, tanto a parte a montante quanto a parte a justante, correm muita água”, explicou Age.

Para o vereador no Município de Nampula, a situação não foi acautelada em termos de infra-estruturas para que se pudesse evitar o cenário. Age diz que há muita água que vem do lado do bairro de Namutequeliua, que vai desaguar na estrada Eduardo Mondlane. 

“Temos o lado de cima do Jaló também, o lado do prédio Lopes, todas elas fazem um cruzamento num ponto, elas fazem escoamento numa ponte que não tem capacidade para poder fazer o encaixe necessário da quantidade de águas que há ali”, justifica Mustafá Age.

Empreiteiro sabia que havia erro e avisou o município

É mesmo o problema do sistema de colecta e drenagem de águas pluviais que está a acelerar a degradação da estrada nesta zona. O dono da ECRAM Construções, Faizal Salé, foi confrontado com o problema e reagiu assim: “Era necessário fazer um alteamento, mais ou menos 50 centímetros, elevar a cota da estrada e para além de elevar a cota da estrada havia a necessidade de construir mais aquedutos, um aqueduto ou dois pelo menos, para permitir que as águas não se estagnassem na plataforma”.

Faizal Salé diz que o município foi avisado e que a empresa submeteu cinco notas a pedir autorização para um trabalho a mais, por forma que a estrada estivesse em condições. “Mas infelizmente, nenhuma das cinco notas, isso na fase de execução, nenhuma das cinco notas foram respondidas. O município, pura e simplesmente, ignorou”, sentencia Faizal Salé.

Entretanto, mesmo diante desta recusa e falta de respostas, a ECRAM Construções avançou com a obra, mesmo ciente do desgaste precoce que a estrada ia apresentar. O dono da empresa esclarece os motivos.

“Não prescindimos da obra, porque havia uma pressão, havia uma pressão por parte do município. Eu acho que eles queriam fazer daquela estrada mais ou menos para a campanha eleitoral. Pareceu isto, porque houve mesmo uma pressão por parte do município que nós tínhamos que terminar, nós tínhamos que asfaltar”, revela Faizal Salé.

Agora, o assunto está a ser tratado a nível do departamento jurídico do Município e pode terminar no tribunal se não houver entendimento entre as partes.

Rua de Marrere é outra estrada problemática

A segunda fase da rua de Marrere é outro assunto que divide o Município de Nampula e o empreiteiro. De acordo com o presidente do Município de Nampula, Luís Giquira, abre-se agora espaço para um concurso público para a conclusão da obra.

“Tinha sido adjudicada à Igor Construção, mas acabámos nós rescindindo o contrato com o empreiteiro. Das sobras dos valores que ficaram para a conclusão da obra, vamos lançar um concurso público e vamos adjudicar a uma outra empresa para concluir as obras”, frisou Luís Giquira.

São dois quilómetros e quatrocentos metros com um custo total de cerca de 123 milhões de meticais. A estrada está com problemas de acabamentos e ainda não foi entregue oficialmente.

“Tivemos uma explicação, teve o seu contrato e ele executou igual como estava prescrito no projecto. A única coisa que falhou nele foram questões de tempo. Outra questão foi também de alguns desvios do projecto. O projecto foi desenhado daquela forma, mas também houve desvios ao longo da execução do empreiteiro. O que nós fizemos foi reparar primeiro a questão do tempo e a questão dos desvios. Fomos ver que, na verdade, havia necessidade de nós darmos uma pausa. Nós queremos que a obra seja feita com uma qualidade e com um período muito curto”, esclarece Mustafá Age, vereador de Manutenção e Obras, que acrescenta que o tempo foi muito alargado e “demos umas adendas no tempo, umas duas vezes, mas, mesmo assim, o empreiteiro não conseguiu cumprir o seu período.”

A Ígor Construções não recebeu a totalidade do valor, pelo que é do remanescente que o Município deverá adjudicar a um outro empreiteiro para os devidos acabamentos da estrada. O estranho é que nem ao município e muito menos aos jornalistas a Igor Construções explicou os motivos do atraso das obras.

A nossa equipa de reportagem contactou a direcção da Ígor Construções, que simplesmente preferiu não prestar nenhuma declaração.

A portagem de Malova retomou funcionamento dias depois de ter sido alvo de vandalismo em Massinga, província de Inhambane, na sequência de um protesto pelos ferimentos a dois civis. 

O incidente ocorreu a 30 de julho, quando um grupo de residentes bloqueou e danificou as instalações, protestando contra a atuação da Polícia da República de Moçambique, que durante a perseguição a um transporte semicoletivo, conhecido como “chapa 100”, que se recusara a pagar a taxa de portagem, disparou e feriu dois civis. Segundo as autoridades, durante a perseguição, um agente disparou contra o veículo, atingindo dois passageiros, um dos quais em estado grave.

Esta sexta-feira, a cobrança na portagem foi retomada, com reforço da presença policial e garantias de segurança para os trabalhadores. No entanto, o governador de Inhambane, Francisco Pagula, deixou um aviso claro que actos de vandalismo e desordem pública não serão tolerados.

Pagula considera incoerente a postura de parte da população que contesta a existência das portagens, mas, ao mesmo tempo, mantém esquemas ilegais de cobrança em desvios improvisados criados para contornar os postos de pagamento. 

“Não podemos aceitar que, ao mesmo tempo que se exige o fim das portagens, haja quem cobre de forma ilegal aos automobilistas nos atalhos que abre. Estes comportamentos não podem acontecer e não vamos tolerar. Vamos agir e impor-nos”, declarou.

O governador reforçou que, embora haja queixas recorrentes contra as portagens de Malova e Mapinhane, localizadas na Estrada Nacional Número Um (EN1), as receitas arrecadadas são aplicadas em benefícios concretos para as comunidades circunvizinhas.

 “Se não queremos portagens, porque é que estamos a cobrar de forma singular nos desvios? Isso não faz sentido”, questionou, sublinhando que as autoridades estão a criar mecanismos para assegurar que os benefícios sejam visíveis para quem vive junto a estas infraestruturas.

Entre as medidas já em curso, Pagula destacou a instalação de sistemas de abastecimento de água potável para as aldeias próximas e a colocação de postos de transformação elétrica para garantir o fornecimento regular de energia. 

“Estamos a trabalhar na ampliação do sistema de água em Malova para que toda a comunidade vizinha possa ter acesso. Também já temos um posto de transformação para levar energia elétrica às famílias”, acrescentou.

Outro ponto referido pelo governante foi o envolvimento direto dos jovens locais na manutenção das portagens. Segundo explicou, em vez de contratar empresas externas para a limpeza e conservação das áreas, o Fundo de Estradas pretende que grupos juvenis das comunidades organizem pequenas empresas para prestar estes serviços.

“Assim, não só criamos emprego local como fazemos com que a própria comunidade se sinta parte do processo e responsável pela preservação das portagens”, disse.

O governador aproveitou a oportunidade para apelar à união e à colaboração dos residentes na construção de um ambiente pacífico e produtivo. “As portagens existem para um benefício comum. Precisamos trabalhar juntos para construir a nossa nação. A energia que hoje é gasta em destruir, deve ser canalizada para criar oportunidades”, afirmou.

Relativamente à segurança no trabalho, Pagula confirmou que, após os incidentes de vandalismo, foi destacada força policial permanente para as duas portagens da província. “Sabemos que, depois do que aconteceu, é fundamental proteger os trabalhadores e as instalações. Temos polícia no local, de forma contínua, para garantir segurança operacional e prevenir novas ocorrências”, referiu.

As portagens de Malova, no distrito de Massinga, e de Mapinhane, no distrito de Vilankulo, fazem parte de um conjunto de postos de cobrança que têm gerado contestação desde a sua entrada em funcionamento. Uma das principais reclamações prende-se com o impacto económico para os transportadores e residentes locais, que alegam que as taxas encarecem o custo de vida e limitam a circulação. Em resposta, o governo tem defendido que a receita das portagens é essencial para a manutenção da EN1 e para a execução de projetos comunitários nas zonas adjacentes.

Apesar das garantias, continuam a surgir denúncias de criação de desvios ilegais para evitar o pagamento das taxas. Em alguns casos, jovens locais cobram valores aos condutores para permitir a passagem por trilhos alternativos, prática que as autoridades consideram ilícita e que pretendem eliminar com fiscalização mais apertada e campanhas de sensibilização.

O episódio de 30 de julho elevou o nível de tensão e colocou em evidência a necessidade de rever tanto as medidas de segurança como a estratégia de integração das comunidades no funcionamento das portagens. Para Francisco Pagula, a solução passa por aproximar o governo das populações e garantir que estas vejam benefícios concretos e imediatos no dia a dia. “Estamos a criar conselhos comunitários junto das portagens para assegurar que as decisões e investimentos sejam discutidos com os próprios residentes. Queremos que eles sintam que este equipamento é também deles e não apenas uma estrutura para cobrança”, explicou.

O governador reafirmou que, embora compreenda parte das preocupações apresentadas, não será tolerada a destruição de património público nem a cobrança paralela. “Vamos impor a lei sempre que for necessário. O diálogo é o caminho, mas tem de ser acompanhado por respeito às regras”, concluiu.

Estudantes pagam entre 12 mil e 50 mil meticais por trabalhos académicos. A prática expõe fragilidades no sistema de ensino e ameaça a integridade dos futuros profissionais.

Uma investigação conduzida pelo “O País” revelou a existência de um esquema bem estruturado de venda de monografias em Moçambique. A prática transforma um dos pilares da formação académica, o trabalho de fim de curso, num negócio lucrativo, alimentado por estudantes e facilitadores que operam fora do radar das instituições de ensino superior.

“O País” realizou uma simulação para compreender como funciona este mercado clandestino. Os resultados são: estudantes podem comprar monografias prontas mediante o pagamento de valores, que variam entre 12 e 50 mil meticais, dependendo de: curso do estudante – Trabalhos para Direito, Medicina ou Engenharia são mais caros;  complexidade do tema –  temas técnicos e específicos exigem maior investimento; e urgência na entrega -Quanto mais urgente, maior o custo.

Nas conversas com os vendedores, a nossa equipa teve acesso aos serviços oferecidos, apresentados como soluções completas e seguras para os estudantes: “Se tiveres projecto já feito, são 12 mil meticais com sessões de aula para imersão. Sem o projecto, são 15 mil meticais com o mesmo acompanhamento”, revelou um facilitador. 

O facilitador explica ainda que “o serviço inclui escolha uma reformulação do tema, estruturação completa segundo as normas da instituição, introdução, desenvolvimento, conclusão e referências. Assim como,  formatação e possíveis correções do orientador”. 

Além disso, os vendedores garantem a originalidade dos trabalhos e fornecem comprovativos de monografias já entregues com sucesso, inclusive para instituições como a Universidade Eduardo Mondlane (UEM), UNISCED e Universidade Católica de Moçambique. 

As trocas de mensagens entre estudantes e vendedores mostram um sistema funcional: os facilitadores pedem dados do curso, universidade, normas de formatação e até exemplos de capítulos já escritos para manter a coerência.

Apesar disso, muitos desses trabalhos são defendidos e aprovados, o que levanta sérias questões sobre os mecanismos de controlo nas universidades.

Segundo o advogado, Impasse Camblege, Moçambique ainda não possui uma legislação específica que puna a compra e venda de trabalhos académicos. Contudo, o Código Penal pode permitir interpretações que enquadrem tais actos como fraudulentos e falsificação de documentos. 

“As universidades têm mecanismos internos contra fraude académica, mas estes não abrangem os terceiros envolvidos”, diz o advogado. 

Representantes do ensino superior manifestam grande preocupação com o fenómeno. “Esta actividade representa uma ameaça grave à integridade académica”, declarou Eduardo Humbane, Director Pedagógico da UP-Maputo.

“A prática mina o desenvolvimento do país e prejudica a formação de profissionais competentes.”, acrescentou Adão Matimbe, Professor Universitário.

Apesar da existência de programas de detecção de plágio em algumas universidades, a sua eficácia ainda é limitada e falta investimento em tecnologia e formação.

Tércio Viola, Coordenador da Associação Nacional dos Estudantes Universitários de Moçambique (AEFUM) explicou que muitos estudantes sentem-se sozinhos no processo de produção do trabalho de final de curso, e procuram ajuda externa por desespero

Confrontado com os resultados da investigação, o Ministério da Educação afirmou desconhecer o esquema, mas prometeu abrir um inquérito para averiguar a situação.

Nesta altura, apela-se à união de forças para se ultrapassar o fenómeno. Enquanto isso não acontece, muitos estudantes vão continuar a optar pela via fácil, colocando em risco a qualidade do ensino e a credibilidade dos diplomas emitidos pelas instituições moçambicanas.

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