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O País – A verdade como notícia

16 moçambicanos, entre eles duas mulheres,  que foram vítimas do tráfico humano e que eram submetidos a trabalhos forçados na República Popular do Laos, um país asiático,  regressaram hoje ao país. Outros sete moçambicanos que faziam parte do grupo estão em parte incerta naquele país.   

A meio da tarde desta sexta-feira, um avião aterrou no aeroporto Internacional da Beira,  e transportava, entre outros passageiros, 16 moçambicanos que estavam na República Popular de Laos desde o ano passado, vítimas de tráfico humano. 

Ainda não há dados consistentes sobre como estes jovens moçambicanos, dos distritos de Dondo e Caia, província de Sofala, foram parar naquele país asiático.

O que se sabe até agora,  é que eles foram recrutados com promessas de  empregos e melhores condições de vida. No lugar de emprego foram submetidos a trabalhos forçados.

Ainda não se sabe com certeza quando é que o recrutamento iniciou e quantos moçambicanos caíram na armadilha que iniciou em meados de 2023, segundo o SERNIC.

Para garantir a reinserção  dos jovens nas suas comunidades, o Governo, em parceria com a OIM, irá providenciar  kits de reintegração a cada um deles.

Para supostamente não interferir nas investigações que ainda estão a decorrer, o SERNIC impediu, nesta sexta-feira a imprensa de entrevistar as vítimas.    

 

Ainda há mais de 50 mil pessoas que recorrem a poços artesanais e à água salobra para uso doméstico, nos distritos de Mabalane e Chibuto, na província de Gaza. Os governos dos dois distritos precisam de 280 milhões de meticais para a construção e melhoria de mais 20  sistemas de abastecimento de água.

O fornecimento de água potável em Mabalane, na província de Gaza, está a revelar-se uma grande dor de cabeça. De acordo com o governo distrital, pelo menos  40 comunidades continuam a consumir água salobra. 

Dados  que escondem histórias de centenas de  mulheres, que como Nórdia Baloi e Angélica, residentes de Combomune estação,  têm de percorrer diariamente mais de três horas para contornar a dura realidade agravada pela seca, que assola os distritos mais a norte da província.

“Ficamos aglomerados e regressamos para casa sem água. É longe de casa. Tiramos a água nos charcos que, de seguida, ficam de repouso para posterior uso” disse, Nórdia Baloi.

O Director de Serviços Distritais de Infraestrutura de Mabalane, Rafael Dava, avançou que a solução passa pela construção de 15 represas para retenção de águas, uma intervenção que precisa de um investimento avultado.

“Há acima de 40 comunidades que têm problema de água até, mas é uma água salobre. Queremos capitalizar em represas. Significa que nós vamos precisar, pelo menos,  acima de 10 a 15 represas, na ordem de 140 a 180 milhões”, revelou Dava, acrescentando que o projecto inclui, entre outros, a abertura de furos com trezentos metros de profundidade.

“80% da nossa água é água salobra.  E para ter uma boa água no nosso distrito, precisamos fazer um furo acima de 300. Principalmente, a maior parte da zona alta do distrito, vou falar da localidade de Nyatimamba e  combomune estação,  na zona alta, onde não passa o rio”, explicou.

Não são só as comunidades que sofrem, os animais também não escapam. Trata-se do segundo distrito na província, com mais efectivo bovino, aliás, mais de 70 mil cabeças de gado.

“Há criadores que têm acima de 200, 300 cabeças. É um banco que ele tem, que ele possa fazer o próprio furo para o abeberamento do seu gado, enquanto o governo se prepara” Concluiu Dava.

Ainda na província, no distrito de Chibuto, mais de três comunidades recorrem a um poço na zona baixa como alternativa, para lavar a roupa, entre outros fins domésticos.

“Aquela água é suja e tem cor, na verdade, mas, sem ela não  temos como cozinhar, nem lavar, nem beber, isso,  faz um bom tempo”, reclamou um dos  residentes.

Assim como muitos, Jessica joel, de 25 anos de idade, vive  o dilema acordar muito cedo para procurar o precioso líquido, e diz: “o governo deve urgentemente trabalhar para nos dar água”.

Questionada  durante a cerimónia de lançamento da terceira edição do festival da Bambeni, a administradora de Chibuto, Cacilda Banze, reconheceu o problema e avançou que  são necessários cerca de 100 milhões de meticais para reverter o actual cenário.

“Mas apenas 39%,  não têm água, há três localidades, com mais  problemas.(…) Estamos a ter problemas de montar os sistemas,  cada sistema está acima de 10 milhões”, avançou a administradora de Chibuto.

Só em Chibuto mais de 34 mil pessoas continuam a consumir água imprópria.

O Estado Maior-General diz que os militares que combateram durante um ano sem qualquer remuneração em Cabo Delgado estava a tentar reintegração nas Forças Armadas, mas o processo não cumpriu o procedimento administrativo e legal exigido. A instituição trata o grupo de ex-militares, por várias razões.

Foi através de uma nota datada de 28 de Agosto de 2025, que o Estado Maior General posicionou-se sobre os mais de 300 militares que estiveram a combater em Cabo Delgado, sem qualquer tipo de remuneração e com problemas de logística.

A instituição começa por esclarecer que: “Trata-se de ex-militares em diferentes situações que incluem os que passaram à Reserva de Disponibilidade, que, de forma voluntária, manifestaram o seu interesse em sair das fileiras, tal como a lei os assiste, findo o período estabelecido para o cumprimento do Serviço Militar (…), e outros na condição de expulsos por diversos actos de indisciplina, incluindo a deserção (…)”.

Mas na entrevista que os visados deram em Nampula, um dia depois de serem dispensados em Macomia, onde estavam afectos, estes disseram que responderam a um chamamento feito pelo Ministério da Defesa.

Mas para Estado Maior General, estes estavam a tentar reintegração nas Forças Armadas.

“Todos estes, de livre e espontânea vontade, pretenderam-se ver reintegrados nas FADM, todavia este acto nunca obedeceu a quaisquer procedimentos administrativos legais e, por conseguinte, as Forças Armadas, regendo-se por leis e demais regulamentações, devem permanentemente, observar o seu cumprimento integral”.

O grupo disse, numa entrevista, que enquanto combatia recebia promessas de regularização do pagamento de algum subsídio.

E porque para o Estado Maior General o processo de reintegração nas Forças Armadas foi ilegal, tomou a seguinte decisão. “Neste sentido, reconhecendo a necessidade de observar os procedimentos atinentes à sua reintegração, avaliado caso a caso, mesmo porque a lei assim permite (…) as FADM decidiram pela sua retracção às zonas de origem, a partir de onde possam observar normativas correspondentes – algo que não pode ser feito nas unidades militares”.

Graça Machel diz que há poucas vozes e caras femininas no sector económico nacional, devido à falta de estratégia clara para o seu reconhecimento. A activista social e presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade defende a organização das mulheres em redes de interesse para exercer a pressão necessária. Machel falava nesta quinta-feira, em Maputo, durante a terceira Conferência da FDC Mulheres na Economia

Cerca de 52 por cento da população moçambicana são mulheres, sendo, assim, a maioria da população. No entanto, a sua representatividade em vários sectores, sobretudo o económico, está muito abaixo do desejado, de acordo com as visadas. 

Por exemplo, 83 por cento da mão-de-obra na agricultura de pequena escala é composta por mulheres, no entanto apenas 10 a 15 por cento detêm o direito de uso e aproveitamento de terra, DUAT, o que limita a sua actuação e desenvolvimento.

A patrona da iniciativa, a activista social e Presidente da FDC, diz que a falta de vozes e caras de mulheres no sector económico é motivada pela falta de sinergias entre as mulheres.

Ela afirma que nenhuma mulher pode alcançar o sucesso caminhando sozinha. 

“É extremamente importante que nós tenhamos consciência de que não há possibilidade de derrubar barreiras individualmente. As barreiras só se podem derrubar em colectivo. E nos permite medir o progresso também. Para nós irmos falar com o Ministério da Indústria, temos que ir com a força da rede, do colectivo. Não é cada uma de nós que vai ter que dizer a discussão com o Ministério, seja da indústria, seja da justiça, quem quer que seja. E também para elaborar propostas concretas, nós precisamos da força da rede para podermos exactamente identificar todos os aspectos que num único passo devem ser removidos para permitir a larga estrada de milhares de nós poderem passar sem obstáculos”, defendeu, tendo arrancado dos presentes aplausos.

Ademais, defende que, para além de esforços individuais, a falta de estratégias claras para o alcance da independência, empoderamento e outros avanços almejados pelas mulheres mimam a luta.

“Nós não temos sequer uma estratégia clara, no sector económico, de como é que nós vamos conseguir, não só multiplicar as caras, ampliar as nossas vozes, mas termos liderança em todos esses sectores. É isso que a Conferência Mulher da Economia, num horizonte de 5 anos, 10, 15, 20 anos, é isso que essa conferência tem por obrigação fazer: estruturar como é que deve crescer o movimento de participação das mulheres nos sectores estratégicos. Neste momento, se tu perguntares quem são as mulheres que estão, por exemplo, na indústria extractiva, todos nós vamos olhar uns para os outros e nem sabemos quem é. E, se soubermos, talvez seja ao nível das associações mineiras que existem, mas esse sector é muito importante para o desenvolvimento deste país, para nós não temos uma presença efectiva”, declarou a activista.

Diante de mulheres empreendedoras, empresárias e até governantes, a activista apontou exemplos da ausência da mulher em sectores-chave do país.

“Mas nós queremos mulheres investidoras no sector de energia. Nós queremos mulheres que sejam representativas de empreendedoras de peso nesse sector. Nós queremos ter, nas equipas técnicas, mulheres que sejam capazes de entender a importância do sector energético em Moçambique e no mundo. Estar lá naquelas equipas técnicas que deliberam sobre o futuro do país, o futuro da energia em Moçambique, em coordenação com o futuro da energia no mundo. Esse é o objectivo. Não é para nós discutirmos quais são as migalhas que nós, neste momento, estamos a receber. É, para sabermos que, olha, sermos 52% de mulheres, de cidadãos deste país, significa que nós temos que ter presença na economia que seja proporcional àquilo que nós mulheres somos”, declarou.

Graça Machel lamenta a falta de redes femininas em áreas como agricultura e agro-processamento.

“No entanto, sabemos que todos nós comemos todos os dias porque há milhares, milhões de mulheres que trabalham na agricultura. Mas não temos uma rede. É preciso criar uma rede forte de mulheres no sector da agricultura e agro-processamento para poder responder às grandes exigências que nós temos em segurança alimentar e nutrição.”

A nível governamental, os desafios são também reconhecidos.

A ministra do Trabalho, Género e Acção Social diz que conhece os desafios das mulheres, e que há ações para mudar o paradigma.

“Dados do Instituto Nacional de Estatística indicam que as mulheres representam mais de 60% dos trabalhadores no sector informal. E, embora sejam um motor de pequenas iniciativas, enfrentam grandes barreiras no acesso ao crédito, tecnologias e mercados formais. Estes números mostram que as mulheres já sustentam a base produtiva do país, mas não têm ainda acesso proporcional aos benefícios económicos, o que reforça a importância de políticas que eliminem estas desigualdades. Daí a necessidade de se criarem espaços como estes, onde se pretende que se construam redes que funcionem como espaços de partilha, apoio mútuo e inovação.”

Ivete Alane defende que “quando as mulheres se unem, quebram barreiras, transformam pequenos negócios em sistemas de impacto colectivo e criam alternativas para que nenhuma fique para trás, mas, para que estas redes prosperem, precisamos de garantir a igualdade de acesso a recursos, crédito, terra e oportunidades”.

E assume as responsabilidades que recaem ao seu sector.

“A missão do Ministério do Trabalho, Género e Ação Social é clara: empoderar mulheres em situação de vulnerabilidade, incluindo as mulheres-chefes de agregado familiar e mulheres com deficiência; criar um ambiente favorável ao empreendedorismo feminino, com acesso a crédito e apoio à economia rural; integrar a perspectiva de género em todas as fases da planificação e execução de políticas públicas. Estes são compromissos que se alinham com os objectivos desta conferência. Estamos unidos no propósito de garantir que o talento, a criactividade e a força do trabalho das mulheres sejam motores de crescimento económico e transformação social. Esperamos que deste encontro resultem redes femininas mais fortes, inclusivas e articuladas.”

A conferência de um dia serviu, também, para a partilha de experiências e de conhecimento entre as mulheres, bem como o desenho de estratégias para ultrapassar as já conhecidas barreiras enfrentadas pelas mulheres na dinamização da economia, cada uma no seu sector.

A Polícia da República de Moçambique (PRM) deteve dois cidadãos nacionais que se dedicavam a falsificação de documentos de Recenseamento Militar e atestados médicos na cidade de Pemba. Os indiciados confessaram os crimes.

Os dois indivíduos detidos pela Polícia da República de Moçambique foram encontrados com vários recibos de Recenseamento Militar, atestados médicos e medicamentos, supostamente pertencentes ao Serviço Nacional de Saúde.

Os detidos confessaram os crimes de que são acusados e explicaram como conseguiram adquirir o material que estava na posse.

A Polícia já encaminhou o processo ao Ministério Público mas continua a investigar o caso para apurar se há ou não envolvimento de pessoas ligadas ao Centro de Recenseamento Militar de Cabo Delgado e de técnicos da saúde.

A promessa de modernização dos serviços de diagnóstico no Hospital Provincial de Inhambane durou pouco. A nova máquina de radiologia, instalada em Maio deste ano com o objectivo de melhorar a qualidade e a celeridade no atendimento, está inoperacional há quase dois meses.

A avaria obriga os pacientes a percorrer mais de 30 quilômetros para realizar exames simples, como radiografias, no Hospital Distrital de Jangamo, sobrecarregando aquela unidade sanitária e aumentando os tempos de espera.

Para muitos doentes, esta falha significa um sacrifício acrescido. Pessoas que chegam ao Hospital Provincial em busca de um diagnóstico rápido e acessível acabam por enfrentar uma verdadeira maratona. 

Além da distância, há custos de transporte que a maioria não pode suportar, sem contar o desgaste físico de pacientes que, muitas vezes, chegam debilitados. Há casos de doentes que desistem do exame por não terem condições financeiras para a viagem, comprometendo o seguimento clínico e colocando em risco a própria vida.

A máquina, adquirida pelo Estado como parte do esforço para modernizar as unidades hospitalares e reduzir as transferências desnecessárias, representava um avanço significativo no atendimento. Com a avaria precoce, a realidade voltou a ser a de sempre: longas filas, atrasos no diagnóstico e um sistema pressionado.

De acordo com a Secretaria de Estado em Inhambane, Benedita Lopes, a paralisação não se deve a problemas técnicos graves, mas sim a dificuldades no manuseamento do equipamento por parte dos técnicos locais. A situação, segundo as autoridades, já foi reportada ao Ministério da Saúde, que promete restabelecer o serviço nos próximos dias.

Durante a sua visita à unidade hospitalar, a Secretária de Estado explicou ao detalhe como ocorreu a falha. Segundo a governante, a máquina apresentou problemas após tentativas dos técnicos de realizar exames diferentes dos inicialmente programados, o que provocou um bloqueio no sistema electrónico.

“Quando os técnicos vieram instalar a máquina, ficaram aqui uma semana. Montaram o equipamento no Hospital Provincial e, durante esse tempo, decorreu o processo de indução para os nossos técnicos. Tudo indicava que tinham compreendido perfeitamente o funcionamento, mas a verdade é que a máquina não é simples. É um equipamento bastante sofisticado e, em determinado momento, ao tentarem realizar outro tipo de exames que não estavam previstos, não conseguiram. Como se trata de um sistema totalmente eletrónico, o computador deixou de responder e acabou por parar”, explicou Bendita Lopes.

A governante reconhece que o problema tem afectado gravemente a capacidade de resposta do hospital e garante que foram acionados todos os mecanismos para uma solução rápida.

“Reportamos imediatamente ao Ministério da Saúde. Eles confirmaram que vão enviar técnicos especializados para repor o funcionamento da máquina. O grande desafio é que esses técnicos estão todos em Maputo e respondem por todo o país, o que dificulta a mobilização imediata. No entanto, estamos a fazer tudo para garantir que esta máquina volte a operar o quanto antes. Foi-nos prometido que os técnicos chegariam até ao final desta semana. Vamos aguardar”, disse a Secretária de Estado.

Com a máquina de radiologia avariada, os doentes que necessitam de exames estão a ser encaminhados para o Hospital Distrital de Jangamo, localizado a cerca de 30 quilômetros da capital provincial. A transferência maciça de pacientes tem colocado uma pressão adicional sobre a capacidade daquela unidade sanitária, que agora atende utentes provenientes de cinco distritos diferentes.

Esta pressão já se reflecte em tempos de espera que chegam a triplicar, segundo relatos de profissionais de saúde. Em dias de maior movimento, pacientes são obrigados a aguardar mais de seis horas para fazer um exame que deveria ser rápido e simples. Para casos mais graves, como acidentes rodoviários e fraturas expostas, cada minuto conta — e a distância até Jangamo pode ser determinante para a recuperação ou, em situações extremas, para a sobrevivência do paciente.

Apesar da gravidade do problema, as autoridades asseguram que não haverá necessidade de adquirir um novo equipamento, uma vez que a avaria pode ser corrigida pelos técnicos da empresa fornecedora, que também deverão reforçar a formação dos operadores locais para evitar falhas semelhantes no futuro.

“Queremos garantir que esta situação não se repita. É um equipamento que custou muito dinheiro ao Estado e não podemos permitir que erros no manuseamento provoquem interrupções no serviço. Por isso, além da reparação, vamos insistir numa capacitação mais aprofundada dos técnicos para que tenham domínio completo da máquina”, concluiu Bendita Lopes.

A expectativa do governo é que a máquina esteja operacional ainda este mês, devolvendo normalidade ao Hospital Provincial de Inhambane e reduzindo a pressão sobre Jangamo. Até lá, os pacientes terão de continuar a percorrer dezenas de quilômetros para ter acesso a um exame que, há poucas semanas, estava disponível dentro da própria cidade.

A avaria levanta um debate mais amplo sobre a gestão de tecnologias hospitalares no país. Não é a primeira vez que uma máquina sofisticada fica inoperacional por falta de manutenção ou por dificuldades na sua utilização. Situações semelhantes foram reportadas nos últimos anos em províncias como Nampula e Sofala, onde equipamentos de tomografia e ecografia ficaram meses sem funcionar por ausência de técnicos qualificados ou peças de substituição.

Para os utentes, cada falha representa mais do que um contratempo: significa atraso no diagnóstico, prolongamento do sofrimento e, em muitos casos, risco de morte. Especialistas defendem que a aquisição de equipamentos deve ser acompanhada de planos robustos de formação e de manutenção preventiva, para que investimentos de milhões não acabem por beneficiar ninguém.

Enquanto isso, as famílias continuam à mercê de um sistema que, muitas vezes, parece esquecer que tempo é vida. Quando a tecnologia falha, a distância pode ser a diferença entre sobreviver e não voltar para casa.

 

O Governo garante que vai construir escolas e hospitais resilientes às mudanças climáticas para assegurar saúde e educação de qualidade para as crianças, nos próximos anos. A medida enquadra-se no Programa Quinquenal do Governo para as Crianças, lançado nesta quarta-feira, em Maputo

O Governo está preocupado com as actuais condições de ensino no país, sobretudo no que toca à qualidade das infra-estruturas. Nesse sentido, o Executivo pretende adoptar uma nova abordagem através da construção de escolas resilientes às mudanças climáticas. A directora nacional da Criança, Angélica Magaia, assegura que o cenário poderá mudar nos próximos tempos, de modo a garantir que as crianças tenham uma educação de qualidade.

“O Governo vai reforçar acções de protecção do ambiente e construção de escolas e hospitais resilientes à mudanças climáticas”, disse. A responsável explicou que isto significa construir infra-estruturas que se não destruam com facilidade perante as calamidades naturais.

REDUZ DESNUTRIÇÃO CRÓNICA PAÍS

Dados partilhados nesta quarta-feira pelo Governo, em Maputo, através da ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, sobre ganhos e desafios na implementação dos direitos da criança, apontam que 37% das crianças dos zero a cinco anos de idade sofrem de desnutrição crónica, o que revela uma redução de 6% em comparação com os anos passados. “Conseguimos reduzir a desnutrição crónica, de 43% para 37%”, disse a governante, reconhecendo que ainda há desafios no sector.

Em relação à mortalidade infantil, mesmo sem precisar o horizonte temporal, a dirigente referiu que mais de 60 crianças em cada mil nascimentos ainda morrem no país.

“Alguns anos atrás, nós tínhamos 97 crianças a morrerem em cada mil nascimentos. Hoje nós conseguimos reduzir para 60”, disse a responsável, admitindo haver ainda desafios, apesar da redução na escala de 30%.

Para melhorar estes dados, o Governo lançou o terceiro Programa Quinquenal do Governo para as Crianças 2025-2029, denominado PQG, e o Plano Nacional de Acção para a Criança 2029-2034 (PNAC) no qual propõe algumas soluções.

A directora nacional da criança, Angélica Magaia, que apresentou o documento,   falou da construção de sistemas de abastecimento de água, desde as zonas suburbanas até às rurais, uma acção que também se enquadra nos esforços do Governo para garantir que todas as crianças gozem plenamente dos seus direitos. 

Com o lançamento do PQG e do PNAC, a titular da pasta do Trabalho, Género e Acção Social disse esperar que Moçambique se torne um lugar cada vez melhor para as crianças viverem.

“Com estes instrumentos, nós queremos que a vida das crianças em todas as províncias melhore cada vez mais.”

Alane mencionou alguns desafios como a violência doméstica, abuso sexual, abandono escolar, uniões prematuras e trabalho infantil, como males que devem cessar com a implementação dos dois instrumentos lançados nesta quarta-feira.

SOCIEDADE CIVIL FAZ MAPEAMENTO

Para garantir a implementação dos presentes instrumentos, a sociedade civil diz ter um plano de monitorização que vai nortear o acompanhamento. Salomé Mimbir falou em representação da Plataforma 3R, que participou na elaboração dos referidos instrumentos. “Está a ser elaborado um plano de monitoria e, nós, organizações da sociedade civil, que trabalhamos na protecção da criança, estamos lá, concretamente a Plataforma 3R”, disse.

A responsável afirmou também que, através deste plano, será possível que em cada seis meses seja feito um balanço para aferir o nível de implementação das medidas que constam do PQG e sugerir as devidas melhorias. Também destacou que, com a abertura do Governo, pode reflectir-se, não só sobre as acções necessárias, mas também os mecanismos através dos quais a sociedade civil e as crianças podem  colaborar para o alcance de todos os indicadores previstos nos instrumentos.

Durante a cerimónia, que contou com a participação de alguns parceiros, como o UNICEF, as crianças receberam os dois instrumentos recentemente lançados para assegurar que também façam a monitorização de todas as acções previstas.

O Secretário de Estado do Turismo de Portugal diz que os Governos de Moçambique e Portugal devem investir na desburocratização do Estado, para facilitar o ambiente de negócios. Paulo Pedro falava ontem em Maputo durante o lançamento do directório 2025 sobre as potencialidades de Moçambique para o negócio. 

Descritos em algumas páginas de papel importado, estão arroladas no directório 2025, lançado no princípio da noite desta terça-feira, as principais potencialidades de Moçambique, oportunidades de investimento, bem como a fórmula para a remoção de barreiras no mercado empresarial.

Durante a cerimónia de lançamento do relatório, o Secretário de Estado de Turismo português avançou o interesse do seu Governo em partilhar a sua experiência com Moçambique, através da formação de quadros. 

A Câmara de Comércio Moçambique- Portugal diz que Moçambique deve aproveitar se do conhecimento que Lisboa tem na área empresarial, para o seu desenvolvimento. 

Para a CTA, a transferência de conhecimento é essencial para a continuidade de parcerias inteligentes. O lançamento do directório ocorre a três meses da realização da Cimeira Moçambique- Portugal. 

O presidente do Município de Maputo diz que apesar de haver contentores em vários pontos da cidade  e estar a decorrer a recolha de resíduos sólidos, muitos continuam a ser despejados de forma incorreta. Rasaque Manhique afirma ainda que os catadores têm estado a fazer transbordar o lixo nos contentores. 

O presidente do Conselho Municipal de Maputo destacou, esta quarta-feira, durante a nona sessão ordinária e 18ª reunião plenária, que o maior desafio na recolha do lixo está também na educação cívica dos munícipes.

Na sua intervenção, o edil reconheceu que, apesar de haver contentores em vários pontos da cidade, muito lixo continua a ser despejado de forma incorreta. 

Além da questão do lixo, o edil referiu-se também às obras de tapamento de buracos nas vias, garantindo que estão a ser feitas com recursos próprios da empresa municipal, daí não serem colocadas placas de obra. 

O edil de Maputo reconhece a complexidade do problema da venda informal, no entanto, garante que  não corresponde à verdade a ideia de que o município tem estado a permitir que os vendedores estejam em qualquer local.

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