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O País – A verdade como notícia

Duas pessoas  perderam a vida hoje na sequência de um acidente de viação ocorrido na Estrada Nacional Número 2, próximo ao Hospital Provincial da Matola, na província de Maputo. 

No sinistro, pelo menos 10 pessoas contraíram ferimentos entre ligeiros e graves.

Uma das vítimas do acidente de viação é uma criança de quatro meses que poderá receber alta ainda hoje, segundo o Hospital Provincial da Matola. 

Os feridos em estado crítico foram transferidos para o Hospital Central de Maputo. 

A Polícia da República de Moçambique suspeita que uma ultrapassagem irregular e excesso de velocidade tenha sido a causa do acidente de viação, caracterizado por embate entre as viaturas.

 

O Serviço Nacional de Migração advertiu, nesta segunda-feira, aos promotores e organizadores de eventos, que não vai tolerar a entrada, no território nacional, de artistas, grupos culturais e desportivos sem vistos para actividades no país.   Neste ano, cinco artistas foram impedidos de entrar no país por falta de visto. 

A Direcção Provincial de Migração da Cidade de Maputo está a apertar o cerco. Os artistas, atletas e demais estrangeiros que queiram participar em eventos culturais ou desportivos em Moçambique devem, obrigatoriamente, solicitar o Visto para Actividades Culturais e Desportivas.

Sem o visto, a entrada será recusada. Até esta altura, houve registo de cinco casos. 

Ao cumprir a lei, os promotores evitam sanções, garantem a legalidade dos seus eventos e ajudam a projectar Moçambique como um destino seguro e organizado, segundo as autoridades.

O visto em causa permite a permanência de 30 a 90 dias de artistas e atletas no território nacional.

A Presidência da República  assinala o Dia Internacional do Acesso Universal à Informação,  destacando que a efeméride, celebrada hoje, reafirma o  compromisso de Moçambique com a boa governação, a  transparência e o fortalecimento da cidadania, este ano  celebrado sob o lema “Garantindo o Acesso à Informação  Ambiental na Era Digital”. 

Em mensagem de ocasião, a Presidência da República sublinha que o acesso universal à informação constitui “um direito de elevada importância no contexto da boa governação e da  transparência na gestão da coisa pública”. 

Destaca a relevância do lema escolhido, recordando os desafios  ambientais que o país enfrenta. “O lema escolhido este ano para  a efeméride é de capital importância para o nosso país, que tem  estado a ser ciclicamente afectado por diversos eventos  extremos, com particular destaque para ciclones, cheias,  inundações e secas”, afirmou. 

A mensagem presidencial enaltece a associação das  comemorações às tecnologias digitais, considerando que “tal  incentiva a cultura de acesso público à informação, ao mesmo  tempo que se apela à transparência e se promove o  empoderamento dos cidadãos e de organizações de diversa  índole a participar responsavelmente na governação ambiental  e no desenvolvimento sustentável”. 

Entretanto, alerta para os riscos da era digital, sobretudo pela  proliferação de notícias falsas. “Este ano, o Dia Internacional do  Acesso Universal à Informação comemora-se, em Moçambique,  num quadro em que se regista uma crescente onda de  desinformação através das redes sociais da Internet, pondo em  causa tanto os direitos fundamentais dos cidadãos como a  unidade nacional e a estabilidade social e política”, advertiu. 

Outrossim, a Presidência da República reitera o compromisso das  autoridades nacionais em continuar a garantir o acesso público à  informação de forma transparente e segura.

“Aproveitamos esta ocasião para reiterar o nosso compromisso  de assumir o desafio de continuar a facilitar o acesso público à  informação não sujeita a restrições de âmbito legal, sobretudo  pelos meios digitais. Encorajamos igualmente todos os cidadãos a  exercerem este direito fundamental de forma responsável e  construtiva”. 

Mulheres da localidade de Bunga, no distrito de Guro, província de Manica, percorriam cerca de 70 quilómetros para chegar a uma maternidade. Há relatos de parturientes que já perderam a vida a caminho da maternidade.

Gerar uma nova vida deveria ser um momento de luz e esperança. Mas em Bunga, no distrito de Guro, ser mãe era começar uma travessia dolorosa — 70 quilómetros de incerteza até à única maternidade em Guro-Sede. Para muitas mulheres, o parto não começava com alegria, mas com medo de não chegar a tempo.

Um martírio que chegou ao fim com a construção de um bloco de maternidade, com capacidade para seis camas.

A construção da maternidade custou cerca de 5 milhões de meticais desembolsados pela Regius Gold, uma empresa do ramo mineiro que opera no distrito de Guro.

Actualmente, a maternidade de Bunga regista, em média, 30 partos por mês, o equivalente a um nascimento por dia.

Duas pontas de marfim cuja origem ainda se desconhece foram apreendidas em Dondo, na província de Sofala,  quando estavam prestes a serem vendidas. Uma pessoa foi detida em conexão com o tráfico e uma outra pessoa, suposto proprietário, ainda está fugitiva.

Na passada quinta-feira, a Polícia, através das suas linhas operativas, apercebeu-se que havia uma tentativa de traficar duas pontas de marfim, no distrito de Dondo, em Sofala.

A corporação fez-se passar por comprador e contactou o intermediário do negócio, o jovem que agora está detido.

O suposto proprietário propôs que o ponto de encontro para a recepção dos valores e entrega do marfim fosse numa mata.

As duas pontas de marfim deviam ser comercializadas a 5 mil meticais por cada quilo. Ainda decorrem investigações para localizar o fugitivo, que poderá indicar onde obteve o marfim.

Ainda no Dondo, foram detidos  três indivíduos acusados de vandalizar material elétrico. Os indiciados removiam cabos de transporte de corrente elétrica, que alimentava residências e até postos implantados e vendiam.

Os compradores instalavam corrente eléctrica ilegalmente.

A vandalização vinha ocorrendo nos últimos três meses, no posto administrativo de Mafambisse, e deixava várias famílias às escuras.

Dois  dos detidos tinham relações de trabalho com a   Electricidade de Moçambique e um deles  admitiu estar envolvido na venda de um posto elétrico.

Foram encontrados na posse dos acusados diversos bens pertencentes à empresa EDM.

Importa referir que os detidos em conexão com a vandalização de material elétrico eram trabalhadores de uma empresa que prestava serviços a EDM.

A Primeira-Dama da República,  Gueta Chapo, defendeu, esta sexta-feira, no distrito de  Boane, em Maputo, o reforço do acesso dos adolescentes e  jovens à contracepção moderna, como forma de reduzir gravidezes  precoces e indesejadas, proteger a saúde das raparigas e garantir a sua permanência na escola. 

O apelo foi feito durante a cerimónia central alusiva ao Dia Mundial  da Contracepção, celebrado sob o lema “O planeamento familiar é  um direito humano e fundamental”.

Gueta Chapo destacou que o planeamento familiar envolve um  conjunto de informações e serviços essenciais, lembrando os  testemunhos de jovens durante a cerimónia.  

A esposa do Presidente da República alertou que a gravidez precoce constitui um grave  problema de saúde pública no país, com impacto negativo para a  rapariga, a família e a comunidade. 

Explicou que, quando uma rapariga engravida precocemente, pode  enfrentar problemas como as fístulas obstétricas, mais frequentes entre  meninas. Acrescentou que, se uma jovem engravida aos 11, 12, 13 ou  14 anos, o seu organismo ainda não está preparado para desenvolver  um feto no útero. 

Ademais, ilustrou os riscos enfrentados por meninas muito jovens  durante o parto. “Vamos imaginar que uma menina de 12 ou 13 anos  esteja grávida e que o seu bebé dentro da barriga tenha mais de  cinco ou quatro quilos, como é que será o parto? Minhas mães que já  têm experiência do parto, se uma mulher adulta com 20, 25, 30 anos  está grávida e seu bebé tiver mais de três quilos passa mal para dar o  parto, vamos imaginar uma rapariga, quais são as consequências?”, 

questionou, acrescentando que muitas acabam sujeitas a cesarianas  precoces. 

A Primeira-Dama lembrou ainda as implicações sociais da  maternidade precoce. “Se começa a ter filho com 14 anos, até os 20  já terá quantos filhos? Quantos? Terá quatro ou cinco.  

Segundo Gueta Chapo, o planeamento familiar não beneficia apenas  adolescentes e raparigas, mas também mulheres em idade  reprodutiva que pretendem evitar gravidezes seguidas ou programar o  espaçamento entre filhos. 

“O planeamento familiar é bom, previne a gravidez precoce para as  nossas raparigas e não só, também para as mulheres. Se uma mulher  não quer engravidar seguidamente, ela pode aderir ao planeamento  familiar. Também ajuda a mulher a ter o espaçamento de quantos e  quantos anos ela quer voltar a estar grávida”, declarou. 

A Primeira-Dama sublinhou ainda que a adesão à contracepção  é essencial para a saúde materna e infantil, advertindo que  engravidar logo após o parto, sem dar tempo suficiente de  recuperação ao corpo da mulher, é prejudicial. Acrescentou que, se  uma mãe volta a engravidar antes de o bebé completar um ano e  seis meses, surgem dificuldades, pois a atenção da mulher fica  dividida entre o filho pequeno e a nova gestação.

Mais de 8 mil famílias vivem em zonas propensas a inundações no município de Xai-Xai, em Gaza, e acusam o município de nada fazer para sua retirada. A edilidade nega a acusação e explica que muitos reassentados venderam os seus terrenos e retornaram aos locais de risco 

A capital da província de Gaza, Xai-Xai, entra em contagem decrescente para o início da época chuvosa 2025-2026, para a qual estão previstas chuvas severas. Com a chuva, chega o mesmo drama de sempre. 

“Sofremos por causa das inundações na zona baixa. Os nossos documentos e roupas molharam. As águas invadem as casas durante a noite”, reclamou Mário, Munícipe de Xai-Xai. 

Os residentes da zona baixa de Xai-Xai e Patrice Lumumba, cujas casas estão fixadas em áreas consideradas de “risco vermelho”, sabem que é uma questão de dias para que o pesadelo invada uma vez mais as suas casas, confirma Maria Chongo de 76 anos de idade, que por conta da chuva perdeu tudo no início deste ano.

“Não tenho documentos, foram arrastados pelas águas. Não temos quem nos retire deste local. Pedimos que o Governo intervenha”, apelou.

No bairro Malhangalene,  a vida parece normal, mas, na verdade, centenas de famílias vivem na boca da erosão, que nos dias de chuva fortes engole vias e casas.

O município de Xai-Xai, entretanto, nega e diz que muitas destas famílias já receberam espaços em zonas seguras, mas decidiram regressar para ali.

Contudo, a aproximação da época chuvosa, agita também os moradores dos bairros 8, 10 e 12. Júlia Olinda conta que o problema é agravado, entre outros, pela demora na conclusão do sistema de drenagem das águas.

As famílias em pontos críticos querem um município mais interventivo para evitar desastres nos próximos meses.

As inquietações chegaram às autoridades municipais, que garantem que equipas técnicas da edilidade estão no terreno e prometem um plano de reassentamento, mas até ao momento, os locais ainda não foram definidos.

Um total de 8 mil famílias em doze bairros da cidade Xai-Xai enfrentam ciclicamente problemas de erosão e inundações. A situação agrava-se na época chuvosa.

Na província de Gaza, seis escolas em cinco distritos foram vandalizadas entre Maio e Setembro. Especialista em Educação aponta a politização do setor da educação como estando na origem do problema, enquanto gestores escolares queixam-se da total ausência de guardas. O governo diz que há um detido e promete mais polícias para investigar e repor a ordem nas escolas.

“Há algumas especulações de que são alguns antigos alunos, alguns membros da sociedade que não se revêem com a educação. É triste quando se vê uma escola ser vandalizada, não sabemos para onde é que vamos”, lamentou Bernardino Macome, diretor de uma das escolas.

Sucede que, nos últimos dias, os atos de vandalismo, roubo, agressões e ameaças à comunidade escolar tendem a agravar-se. As direções das escolas afetadas contabilizam, ao todo, mais de 6 mil processos de alunos, dois computadores, sistema de abastecimento de água saqueado, eletrodomésticos queimados, só para citar alguns exemplos.

Para o especialista em educação, Samuel Chacate, mais do que identificar os rostos por detrás destes crimes, urge identificar e resolver os fatores que minaram a relação escola-comunidade no período pós-eleições.

“Quer dizer, o político mobiliza a população para não contribuir para a educação dos seus filhos, mas mobiliza-a a participar, de modo a levar o político para o poder. Aquilo só beneficia os marginais, porque as escolas dispensaram os guardas. Dispensaram os guardas para que o Estado conseguisse dinheiro para contratar guardas; quando é que vai conseguir?”, questionou.

No entanto, gestores, professores e alunos queixam-se da violência, mas também da alegada negligência de instituições públicas, em particular do setor da educação, supostamente incapaz de garantir segurança no seio escolar.

“Alunos param atrás da escola, atiram para chapa enquanto o professor está na sala de aula. Para um guarda, não funciona. Bebem, porque há pessoas que vendem bebidas por aqui, e as bocas de fumo andam por aqui ao lado da escola”, denunciou um professor.

O diretor distrital de Educação, Marcelino Biza, confirma que um indivíduo está detido em conexão com um dos casos registados em Xai-Xai.

“A polícia veio ao local e deteve o malfeitor, e deu seguimento ao caso. Este assunto também está com as autoridades competentes, está seguindo os seus trâmites”, explicou.

Face à crescente ameaça, o governo admite colocar mais polícias no recinto escolar nos próximos dias, como forma de repor a ordem e a segurança.

“Reconhecemos que não temos números suficientes de guardas, mas há um trabalho que estamos a fazer. Está assegurada a segurança nas escolas através da nossa Polícia da República de Moçambique”, avançou Armando Sitoe, representante do governo de Gaza.

Samuel Chacate alerta, entretanto, para o perigo do uso da força excessiva, argumentando que o resgate da tranquilidade escolar exige muito mais.

“Ninguém deve tirar a comunidade, a população da escola, a escola da população. Mesmo que o Estado tenha a capacidade de colocar a polícia nas escolas, a segurança das escolas está sob a responsabilidade dos pais e encarregados de educação. Não se resolve com a polícia. A polícia não vai ser capaz de resolver o problema da segurança das escolas se a comunidade não estiver envolvida”, apelou.

O especialista diz que a educação é o caminho para uma sociedade mais justa, então proteger e valorizar quem a promove é tarefa urgente e inadiável. E denuncia que a violência contra as escolas é um dever social de todos.

A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou, esta sexta-feira, a suspensão temporária das suas actividades em Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, devido ao aumento da violência armada registado ao longo do mês. A decisão surge após uma série de ataques que têm ameaçado a população local e dificultado a prestação de cuidados de saúde em condições de segurança.

Em comunicado, a MSF manifestou “profunda preocupação” com o impacto da insegurança no acesso aos serviços médicos essenciais. “Centenas de milhares de pessoas necessitam urgentemente de assistência médica e humanitária em Cabo Delgado, mas a insegurança continua a impedi-las de a obter. Isto resulta em mortes e sofrimento que poderiam ser evitados”, declarou Víctor García Leonor, chefe de operações da organização em Moçambique.

Segundo a MSF, os recentes ataques armados em Mocímboa da Praia provocaram mortes, ferimentos e deslocamentos em massa, atingindo bairros a poucos quilómetros do centro da vila. A violência forçou milhares de residentes a abandonar as suas casas e colocou em risco a continuidade dos serviços médicos, incluindo pronto-socorro, maternidade e apoio em saúde mental no Hospital Rural Distrital, bem como atividades comunitárias em áreas remotas.

Apesar da suspensão, a MSF assegura que permanece empenhada em apoiar a população de Cabo Delgado e retomar as operações assim que houver garantias mínimas de segurança para as suas equipas. Alguns pacientes em estado grave já foram transferidos para unidades de saúde em Pemba e Mueda.

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