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O País – A verdade como notícia

O Hospital Rural  Chókwè enfrenta problemas de  infiltração de água e precisa de uma reabilitação urgente. Os utentes dizem que são afectados quase todos serviços, e a preocupação aumenta com chegada da época chuvosa. A  Direção do hospital reconhece o drama, mas alega falta de fundos.

O Hospital Rural de Chókwè (HRC), o maior e de referência regional, com capacidade de 106 camas debate-se com a infiltração de água, na sequência da degradação da cobertura, um problema antigo, que afecta vários serviços, em particular os da cirurgia e pediatria. Os utentes temem reviver o drama que se agrava com a chegada da época chuvosa.

” Tudo está degradado. Os  vidros, a energia mal  funciona devido a Infiltração. Estão aí doentes, e  mosquitos entram. O hospital é uma casa bonita de fora, mas de dentro são gritos. Portanto, tinha que ser bonito de verdade”, clamou um utente.

Miguel Chana, de 68 anos de idade, testemunhou a construção do hospital, e entende que o actual estágio das instalações reforça a sensação de abandono e negligência no sector da saúde. 

“É inadmissível isto, o Governo deve imediatamente tomar uma acção para mudar o cenário, antes que pior ocorra”, disse.

Uma infraestrutura hospitalar, com mais de 50 anos, pálida devido ao desgaste da pintura, e que sofre com a falta de agentes de serviços e janelas destruídas, camas “cansadas” e sujas e, que comprometem a higiene e a segurança das instalações, admitiu, o director do hospital Rural Samuel Claudino.

“Realmente, a segurança no recinto hospitalar é preocupante, há cadeiras e outros materiais que acabam  desaparecendo sem explicações, na entrada do hospital, tem um posto policial, mas também não passam daí. Então, acreditamos que talvez a água escapule-se pela área de trás, onde não há vedação “, reconheceu.

Confrontada, sobre a questão da problemática da infiltração de água,  a direção do Hospital Rural de Chókwè confirmou o drama, que se arrasta desde as cheias de 2000. Sendo que os blocos administrativos, de cirurgia,  aprovisionamento,  pediatria e medicina são os mais afetados.

“A infraestrutura ainda não foi reabilitada desde  as cheias de 2000 e 2013.  É difícil trabalhar num ambiente alagado” assumiu.

Entretanto, nada pode ser feito devido à falta de fundos, o que resultou, entre outros, na rescisão do contrato de fornecimento de água.

“Mas o hospital já manifestou interesse junto aos serviços de infraestrutura do distrito. estamos a aguardar”, garantiu a direcção. 

Sobre a dívida com a Águas da região sul ( ADRS), o dirigente respondeu que “as faturas já eram insustentáveis. Interromperam, mas nós já estávamos, já tínhamos o nosso furo”.

E, há mais, a unidade hospital precisa de mais agentes de serviços “para garantir a limpeza do hospital, pelo que temos 29 agentes de serviços e precisaríamos de 44”, concluiu.

O Hospital Rural de Chókwè atende pacientes de pelo menos cinco distritos, em particular Mabalane e Guijá.

A Unesco vai reforçar a educação sexual de 30 mil estudantes em duas províncias, Zambézia e Nampula, disponibilizando informações e competências que contribuem para a prevenção de gravidezes precoces, violência baseada no género e infeções pelo VIH.

“A iniciativa deverá beneficiar cerca de 30 mil estudantes, incluindo mais de 12 mil  raparigas, proporcionando informações corretas e competências de vida que contribuem para a prevenção de gravidezes precoces, violência baseada no género e infeções pelo VIH”, refere-se numa nota da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), citada pela RTP.

De acordo com aquela agência da ONU, a iniciativa contou com a formação inicial de 132 gestores escolares e delegados de disciplina, na última semana, nos distritos de Pebane e Mocuba, na província de Zambézia, e Ilha de Moçambique, em Nampula, através do programa conjunto “Rapariga Biz”. 

“A formação de cinco dias fortaleceu as competências dos participantes para ministrar Educação Sexual Abrangente (ESA) de qualidade e adequada à idade, tanto no currículo como em atividades extracurriculares”, referiu.

A Unesco avançou ainda que a iniciativa é organizada em colaboração com o Ministério da Educação e Cultura, as direções provinciais e distritais de educação, Institutos de Formação de Professores e universidades parceiras.

Em todo o ano de 2024, segundo dados divulgados em março passado pelo Governo, Moçambique registou mais de 20 mil casos de Violência Baseada no Género, sendo, na maioria, casos de violência doméstica contra mulheres.

Nos primeiros seis meses do mesmo ano, as autoridades moçambicanas ajudaram 616 menores vítimas de uniões prematuros a regressarem às famílias ou a serem colocadas em “proteção alternativa”, de acordo com dados oficiais.

Num relatório do Governo de balanço dos primeiros seis meses de 2024 é referido que duas províncias concentraram a maioria destas reunificação de menores: Nampula (299), no norte, e Manica (176), no centro.

Mais de 300 militares denunciam que combateram o terrorismo em Cabo Delgado sem qualquer pagamento e, ao fim de um ano, foram mandados aguardar em casa. O grupo sente-se abandonado pelo Estado e relata situações difíceis por falta de logística

Trata-se de jovens que cumpriram o Serviço Militar Obrigatório e que estavam numa situação de desmobilizados. Entretanto, responderam a um chamamento para defender a pátria, prontificaram-se para estar na linha da frente e assim o fizeram.

“Fui formado em Chókwè, na 8ª Brigada, em 2018, e fui desmobilizado em 2020. O Ministério da Defesa lançou um documento do Batalhão 110, pertencente à Moeda, que precisava de desmobilizados para serem reintegrados e voltarem a trabalhar para as Forças Armadas, para defender a nossa nação. Nós vimos aquele documento e seguimos. Havia indicação para nos deslocarmos para o ‘PCC de Macomia’, isso em Cabo Delgado. Quando nos receberam, disseram que ‘a vossa reintegração está em Catupa’”, descreveu um dos militares.

Foi em Agosto do ano passado. A base de Catupa, em Macomia, é muita falada. Trata-se de uma região que já funcionou como base dos terroristas e depois de uma grande ofensiva a tropa nacional tomou a zona, mas nunca foi um local tranquilo. O último ataque dos terroristas foi na tarde de 27 de Maio deste ano.

“Durante aquele ataque, perdemos muitos colegas e há outros que até hoje não sabemos se chegaram à casa ou não”, anotou outro militar, suportado por um outro que deu a entender as fragilidades de logística na posição em que estiveram a combater durante um ano. “Nos abateram, mas não recuamos. Só que, por falta de algum material, recuamos. Algumas pessoas não tinham armamento. O armamento não era suficiente para o efectivo que estava lá”. Foi durante esse combate que o nosso entrevistado foi atingido no antebraço esquerdo: “Recebi um tiro de PK lá, em Macomia, tentei puxar-me e alguns colegas ajudaram-me a sair da mata.”

Nas matas do Norte de Cabo Delgado travam-se batalhas sangrentas quase todos os dias. O que o grupo de mais de 300 militares não esperava é que pudesse combater em situações difíceis, mas sem qualquer tipo de remuneração e, por fim, receber uma ordem de retirada para casa e menos de quatro mil meticais para o transporte de regresso à procedência.

“Ontem entrou uma comitiva dizendo que a nossa reintegração ainda não foi aceite e que tínhamos que ir aguardar em casa. Ficámos espantados e perguntámos como aguardar em casa, porque estamos há um ano sem nada. No meu caso, deixei esposa em casa e tenho uma criança recém-nascida. Não mandava nada e para comer tinha que mandar dinheiro para casa. Fiquei três meses naquela posição sem nada para comer. Vivia de hortaliças todos os dias, sem sal e sem óleo. Passámos dificuldades de comida. Aguentamos e acabou entrando comida e ficamos perguntando quando é que afinal íamos começar a receber e disseram para aguardarmos, porque a nossa reintegração estava em processo”, lamentou outro militar.

Ao todo, são mais de 300 homens que foram dispensados em Macomia, nesta segunda-feira. A entrevista aconteceu num dos terminais de transporte interprovincial em Nampula, de onde seguiram para a sua procedência de mãos a abanar, carregando a frustração de uma situação que para eles não faz sentido.

“Como é que um formado fica em casa? Será que não há-de haver mais criminalidade? Não é fácil formar um homem e depois descartar. Conviver com uma pessoa na sociedade que sabe usar armas, sabe fazer ataque e sair vitorioso. É muito doloroso para mim”, desabafou o nosso último entrevistado.

Dos mais 300 militares em causa, cerca de metade são naturais de Cabo Delgado e os restantes das outras províncias.

Uma empresa constituída há apenas quatro meses venceu um concurso público avaliado em 130 milhões de meticais, lançado pelo Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique. A denúncia é do Centro de Integridade Pública e do CDD.  A empresa pode estar ligada ao ministro da Agricultura

O Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique, entidade sob tutela do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, adjudicou um contrato avaliado em quase 130 milhões de meticais à empresa Future Technologies of Mozambique, SA, criada em Abril deste ano. A decisão levanta graves suspeitas de favorecimento e conflito de interesses.

O Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) considera que, além de a empresa em causa não ter tido tempo e capacidade técnica, é a que apresentou uma proposta mais elevada.

Segundo André Mulungo, um dos critérios que o Estado usa para a contratação é o de menor preço, e o mesmo não foi observado, num concurso em que havia empresas bem cotadas e com mais experiência, que por sinal apresentaram valores baixos.

“Há muita coisa que não está boa e que é preciso que haja esclarecimento, de modo a criar uma ambiente de transparência nos processo públicos”, diz André Mulungo.

O contrato, adjudicado a 14 de Agosto de 2025, destina-se ao desenvolvimento e operação de uma plataforma de digitalização das cadeias de valor do algodão e das oleaginosas.

De acordo com documentos oficiais, apresentados pelo CDD, a empresa foi criada a 8 de Abril de 2025 e publicada no Boletim da República.

“Tendo em conta a publicação que foi feita, o que nos parece mais razoável é que o Tribunal Administrativo deve cancelar o concurso, e o Ministério Público deve intervir com máxima urgência, para que haja a responsabilização de todos os que estiveram envolvidos em todo o processo”, alerta.

De acordo com um relatório do Instituto do Algodão e Oleaginosas, fizeram parte do concurso empresas de renome como a Vodacom Moçambique, a Quidgest Software Plant Lda, a Intellica AS e outras, todas com experiência comprovada em tecnologia e digitalização.

Apesar disso, o instituto decidiu adjudicar o contrato à Future Technology of Mozambique, cuja proposta, de 129 862 382,80 meticais foi a mais cara entre todas as concorrentes, praticamente equivalente ao valor máximo estimado para a empreitada.

De acordo com uma investigação do Centro de Integridade Pública, a empresa vencedora do concurso resulta de uma rede empresarial que envolve o actual ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas.

Para o CIP, trata-se de um caso claro de conflito de interesses e de violação da Lei de Probidade Pública.

GOVERNO SEM DETALHES DO PROCESSO

Questionado, o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, diz que não tem os contornos concretos do processo, apesar de assumir que tem conhecimento. Ainda assim, explicou que normalmente é criada uma equipa de júri composta do pessoas idóneas para dirigir o processo até ao fim.

Segundo Impissa, não havendo transparência, a Procuradoria-Geral da República deve entrar em acção para verificar todo o processo para aferir até que ponto o mesmo correu dentro das normas estabelecidas. Anota ainda que até agora ainda não há suspeitas de que o processo foi viciado. 

Inocêncio Impissa levanta a hipótese de que a empresa apurada pode não ser necessariamente nova, explicando que a mesma pode ter sido registada de novo em Moçambique e que, por hipótese, por ter algum histórico com algumas entidades nacionais.

“Nem todas as empresas se inscrevem como moçambicanas. Por aquilo que eu compreendi, são necesseriamente novas ou recentes, mesmo aventando a possibilidade de ter laços com outras entidades grandes e com uma certa pujança”, anota Impissa.

O arranque da exploração das vastas reservas de areias pesadas descobertas em Inhambane continua sem data marcada, apesar do potencial económico que o projecto carrega para o país.

Em 2017, foi confirmada a existência de mais de 4,4 biliões de toneladas deste recurso mineral nos distritos de Jangamo e Inharrime, reservas consideradas estratégicas para a economia nacional e fundamentais para o reforço das exportações. 

Dois anos depois, em 2019, o Governo concedeu à empresa Mutamba Mineral Sands uma concessão mineira de 25 mil hectares para a exploração do recurso. No entanto, seis anos depois da concessão, a exploração ainda não arrancou porque a empresa não possui o Direito de Uso e Aproveitamento de Terra (DUAT), documento obrigatório para iniciar qualquer operação mineira.

A falta do DUAT está diretamente ligada à necessidade de reassentar as famílias que vivem na área da concessão, bem como à gestão de locais sensíveis identificados no terreno. O primeiro bloco a ser explorado, com cerca de 400 hectares, alberga atualmente cerca de 70 famílias que terão de ser transferidas para novas zonas, em condições consideradas dignas. 

Um processo que, segundo a empresa, exige negociações detalhadas com as comunidades e um plano aprovado pelo governo. O número de famílias poderá aumentar à medida que a exploração avançar para as fases seguintes.

Monteiro Suez, representante da Mutamba Mineral Sands, admitiu que este é o principal entrave que tem atrasado o início das operações e explicou, em detalhe, a complexidade do processo. “Temos todos vontade de arrancar, mas o projeto está condicionado a este aspeto específico, que é o reassentamento das pessoas. Há também a questão da exumação das campas que foram encontradas no local, e estas questões não podem ser tratadas de ânimo leve. É preciso fazer consultas, ouvir as comunidades, trabalhar de forma sensível. Felizmente, temos tido uma grande colaboração das comunidades, e isso tem sido notório ao longo deste período. Mas, por se tratar de processos delicados, não podemos avançar sem cumprir rigorosamente todas as etapas”, sublinhou.

O representante da empresa acrescentou que o plano de reassentamento não será uma ação pontual, mas um trabalho contínuo ao longo de todo o projeto. “Este processo vai ser contínuo. Estamos a discutir agora para esta área onde queremos iniciar, mas, quando for bem implementado, vamos começar a olhar para as áreas de expansão. 

Ou seja, não vamos parar; vamos continuar a discutir com as comunidades à medida que o nosso programa de exploração avançar”, explicou.

Do lado do governo, a posição é clara: não haverá concessão do DUAT enquanto não existir um plano detalhado de reassentamento aprovado. A secretária de Estado em Inhambane, Bendita Lopes, garantiu que a parte técnica do projeto já está concluída e que o processo não deverá demorar muito, desde que a empresa cumpra com os requisitos.

 “A parte técnica e a implementação do projeto estão prontas. O que falta não vai levar anos; acreditamos que são dois, três meses. Vamos dizer que, até ao final do ano, penso que é possível concluir este processo. Trata-se do relatório que eles têm de terminar e entregar ao governo para que seja atribuído o DUAT. Isso já não é muito trabalho, mas nós não vamos relaxar. Vamos pressionar para que esses documentos sejam finalizados, e estou convicta de que, depois desta conversa que tivemos, no próximo ano a empresa vai iniciar as operações”, assegurou.

Benedita Lopes reforçou ainda que a exigência de um plano de reassentamento tem um propósito claro: garantir dignidade às famílias que serão transferidas. “Queremos assegurar que estas 70 famílias, pelo menos nesta primeira fase, tenham as suas casas garantidas, que sejam devidamente compensadas e reassentadas com condições adequadas. Queremos que sejam elas as primeiras a confirmar que o projeto está a ser implementado com responsabilidade e respeito pelos direitos humanos”, frisou.

Enquanto se aguarda pelo cumprimento destes requisitos, a Mutamba Mineral Sands já tem instalada no distrito de Jangamo uma planta industrial com capacidade para processar até 130 toneladas de areias pesadas por hora, um investimento que demonstra a dimensão e a ambição do projeto. Contudo, essa infraestrutura permanece inativa, aguardando a luz verde para o início das operações.

As autoridades e a empresa concordam que o projeto tem um peso estratégico não só para a província de Inhambane, mas também para o país. A exploração de areias pesadas pode gerar receitas significativas em impostos, criar centenas de postos de trabalho diretos e indiretos e dinamizar a economia local, além de posicionar Moçambique como um dos principais produtores deste recurso a nível regional. 

No entanto, para que essa promessa se torne realidade, é necessário resolver as pendências relacionadas ao reassentamento e à atribuição do DUAT.

Para já, o calendário aponta para uma possível emissão do título até ao final deste ano, o que permitiria à Mutamba Mineral Sands avançar para a fase inicial do projeto em 2026. 

Mas a concretização deste cronograma depende do cumprimento rigoroso das etapas exigidas por lei e da conclusão das consultas comunitárias.

O caso da Mutamba Mineral Sands ilustra o desafio de conciliar a exploração de recursos naturais com a salvaguarda dos direitos das comunidades. O sucesso ou fracasso deste projeto poderá definir o padrão para futuras concessões mineiras em Moçambique, onde a pressão para acelerar investimentos deve ser equilibrada com a responsabilidade social e ambiental.

O Estado tem uma dívida de 300 milhões de meticais para com os empreiteiros em Nampula. Enquanto isso, há obras que foram abandonadas pelos profissionais, algumas com pagamento a 100%. Sobre este assunto, a Associação de Empreiteiros divide a culpa entre os donos das obras e a irresponsabilidade de alguns construtores

É mais uma dívida do Estado, desta vez para com os empreiteiros que têm contratos para a construção, reabilitação ou melhoramento de estradas e construção de edifícios públicos em Nampula.

O presidente da Associação dos Empreiteiros de Nampula explica que, do trabalho que tem com a Administração Nacional de Estradas (ANE), a dívida está fixada em 153 milhões de meticais, contando com os municípios e distritos que têm cumulativamente uma dívida de cinco e 14 milhões, respectivamente.

Além da ANE, outras instituições do estado têm dívidas com os empreiteiros, fazendo com que o valor esteja a rondar os 300 milhões de meticais. Segundo Mário Albano, as dívidas têm, em média, um ano, e os empreiteiros estão na expectativa de receber pelo que já foi feito ou mesmo para executar as obras.

A situação motivou um encontro entre a Associação dos Empreiteiros, o governador de Nampula e o delegado provincial do Fundo de Estradas, que garantiu que estava a trabalhar no sentido de garantir que as dívidas sejam pagas.

Apesar desse encontro, o Estado ainda não liquidou as dívidas, limitando-se, explica Mário Albano, a lançar mais concursos públicos, facto que para ele não tem nenhuma explicação.

Em muitos casos o Estado é o devedor, mas, em determinadas obras, o Estado aparece como lesado, devido a obras abandonadas, algumas com pagamento feito a 100%.

Sobre o assunto, o presidente da Associação dos Empreiteiros em Nampula diz não conhecer as causas, mas reafirma que há problemas de pagamento e aponta também o problema de gestão de alguns empreiteiros desonestos. Para resolver o problema, Mário Albano defende uma negociação com o Estado.  

Em relação à segunda faixa de rodagem da Av. Eduardo Mondlane, na cidade de Nampula, mal executada pela ECRAM Construções, aponta o baixo preço como uma das causas.

“Temos conhecimento do assunto e, para já, penso que há duas questões que devemos levar em conta: a parte técnica que ainda não foi esclarecida e a componente de execução. É verdade que não temos todo o dossier para termos uma posição clarividente, mas só pelo valor da obra dá para aferir que não corresponde à via”, explica.

Mário Albano falava à margem do seminário de auscultação pública para a criação da Inspecção-Geral do Estado e Inspecção-Geral de Segurança Alimentar e Económica, esta última deverá implicar a extinção da INAE.

O Município de Pemba já começou com as obras de tapamento de buracos e requalificação de quase todas as vias de acesso asfaltadas  da cidade e que estão numa situação considerada crítica

As obras deveriam ter começado logo após a época chuvosa para permitir que fossem concluídas antes do dia 18 de Outubro próximo quando Pemba completar 69 anos de elevação à categoria de cidade, mas, por razões burocráticas, só agora foi possível iniciar os trabalhos.

“Todos os buracos da cidade de Pemba serão intervencionados com este projecto Pemba Yethu. Podemos não cumprir na totalidade até ao dia 18 de Outubro, porém o processo vai continuar”, garante o edil de Pemba, Satar Abdulgani.

As obras de melhoramento das vias de acesso, de acordo com o edil de Pemba, incluem a requalificação de algumas ruas da cidade que estão a sofrer desgastes nas laterais por falta de protecção.

“Não é ao tapamento de buracos, vamos fazer as correcções nas laterais onde não havia protecção de betão e acabava de partindo quando as viaturas saíssem da estrada para as bermas. Então, agora vamos colocar betão e lancis nas laterais. Em princípio vamos intervencionar cerca de 42 quilómetros de estrada”, assegura.

Segundo garante, os buracos nas ruas da cidade serão tapados com betão asfáltico e não com areia ou cimento de construção civil, como tem acontecido todos os anos.

“Para estas obras, prevemos usar cerca de 21 mil metros cúbicos de betão asfáltico e além de tapamento de buracos vamos colocar novo asfalto nos troços considerados críticos. Tudo isso vai custar cerca de 40 milhões de meticais”, disse o edil de Pemba, sem revelar a fonte do financiamento das obras.

Além da requalificação e tapamento de buracos nas ruas asfaltadas da cidade, o edil de Pemba promete melhorar algumas vias de acesso de terra batida localizadas nos bairros suburbanos.

“Depois de terminarmos aqui o município está a preparar-se para entrar nas estradas subjacentes, nos suburbios, para ver como podemos melhorar. Algumas delas serão intervencionadas com saibro e outras com massa de betão molhado, prometeu Satar Abdulgani.”

O edil de Pemba garantiu a melhoria de quase todas as vias de acesso da cidade, mas não chegou a falar sobre as previsões da retoma das obras da estrada ANE-Chuiba, que estão paralisadas há vários anos.

O Governo nomeou Emanuel Chaves para o cargo de Presidente do Conselho de Administração do Instituto de Aviação Civil de Moçambique, em substituição de  João Martins de Abreu, exonerado recentemente.

Após uma semana do anúncio do afastamento de João de Abreu, o Conselho de Ministro confirmou a exoneração e a consequente indicação de Emanuel José da Conceição Chaves para liderar o Instituto de Aviação Civil de Moçambique.

Emanuel Chaves é um gestor com vasta experiência na aviação civil, tendo dirigido a Aeroportos de Moçambique e presidido à Associação Internacional dos Aeroportos de África. Em 2025, passou a liderar o Comité de Supervisão do Fundo Soberano de Moçambique. 

Assume o cargo num momento em que o sector da aviação enfrenta vários desafios, incluindo pressões financeiras de companhias aéreas que operam no país.

A companhia aérea Airlink, por exemplo, fez chegar uma carta à Associação de Agentes de Viagens e Operadores Turísticos, avisando que pode suspender a emissão de bilhetes em Moçambique. A transportadora alega dificuldades persistentes na repatriação de fundos provenientes da venda de passagens.
O Executivo já reagiu a este assunto e assegura que está a acompanhar de perto as preocupações da Airlink, prometendo que a situação será resolvida.

Ainda esta terça-feira, o Governo aprovou uma resolução que autoriza os Ministros das Finanças e da Logística a constituírem uma equipa técnica para renegociar, em ajuste direto, uma concessão a ser estabelecida com a Sociedade Comercial de Gestão de Terminais.

O Município da cidade de Manica instalou uma portagem numa estrada asfaltada de 500 metros, forçando os camionistas a pagar uma taxa que varia de 1500 a 2000 meticais.  Os automobilistas não concordam com a taxa, mas a edilidade diz que a medida visa evitar que a via fique degradada precocemente.

As taxas partem de 400 meticais para motoniveladoras e retroescavadeiras, até os 2500 meticais para camiões articulados de mercadoria, sendo 1500 meticais quando vazios e 2500 meticais com carga. Os camionistas dizem estar a somar prejuízos.

“Estamos a encontrar essa dificuldade, o dinheiro é muito. Neste caso, pagamos 4 mil meticais por camião, ida e volta. Nós temos 10 camiões que vão para esse lado, e é muito dinheiro que pagamos por dia. Estamos a falar de 40 mil meticais”, reclamou um camionista.

Maiba Wache é membro da Assembleia Municipal de Manica, diz que a taxa foi aprovada naquele órgão deliberativo por entender que são camiões e maquinaria pesada de empresas mineradoras que mais danos causam às estradas.

O edil de Manica, Jilani Armando, diz que essa é também a forma que o município encontrou para tirar proveito dos recursos naturais que são explorados no distrito.

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