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O País – A verdade como notícia

O Instituto Nacional de Meteorologia prevê ocorrência de ventos fortes com rajadas de até 60 quilómetros por hora, a partir do fim da tarde desta quinta-feira.

De acordo com o comunicado do INAM, o fenómeno poderá afectar  os distritos costeiros das províncias de Maputo e Gaza.

Os ventos poderão agitar o mar e gerar ondas com alturas de até 4 metros, entre os paralelos 24 e 27 graus.

O INAM apela à tomada de medidas de precaução e segurança face ao risco associado aos ventos fortes que poderão registar-se.

Uma criança recém-nascida luta pela vida, depois de a sua mãe morrer na sequência de um parto à cesariana, no hospital Rural de Chókwè, na província de Gaza. A família da malograda acusa o hospital de negligência. A direcção do hospital, por sua vez, promete investigar a equipa que esteve em serviço.

O que era para ser um momento de alegria transformou-se em pesadelo, no distrito de Chókwè, na província de Gaza.

Joaquina Chongo, de 17 anos de idade, deu entrada na maternidade do Hospital Rural de Chókwè, há uma semana, para dar à luz a sua primeira filha, entretanto, não mais saiu da unidade hospitalar.  

“A ferida exalava um mau cheiro e ela não conseguia urinar. Por isso, decidi regressar ao hospital onde ela foi operada. Alugamos uma viatura e regressamos ao hospital. Já no hospital, ela não mais falava e saía sangue pela boca, por isso começaram com alguns procedimentos médicos, mas ela perdeu os sinais vitais, e logo pela manhã faleceu. A morte dela entristeceu-me bastante”, contou Rosália Sitoe, mãe da finada.

Das dores ao último suspiro, a mãe da finada diz que houve negligência na morte precoce de sua filha.

“Alguém perguntou-me se eu teria dado algum dinheiro e respondi que não sabia que se tirava dinheiro. E a tal pessoa disse que tinha tirado mil Meticais para garantir que a sua filha tivesse bom tratamento. Eu disse a ela que não tinha dinheiro”, contou Rosália Sitoe, acrescentando que “por volta das 20 horas, quando viram que a Quina não conseguia dar à luz, introduziram os dedos nas partes íntimas, enquanto outros a pressionavam.O que testemunhei foram procedimentos inadequados e eu alertei que poderiam magoá-la”.

E acusa a equipa que esteve em serviço de ter protagonizado agressões verbais e físicas. “Mas, em nada adiantou. Espancaram-na até se cansarem. E quando amanheceu decidiram que a Quina seria operada.  Durante a operação conseguiram tirar a criança e de seguida ela foi levada à maternidade.  Mas antes das 14h00, Quina começou a respirar mal e a vomitar sangue”.

Em reação, a direção do hospital nega as acusações de agressões e avança com sua versão dos factos.

“E não recebemos nenhuma queixa, e não ouvimos nenhuma queixa relacionada ao sangramento. Fez-se uma avaliação ao recém-nascido e não se viu o corte que se vê nas redes sociais. No dia 25, por volta das seis horas, a paciente deu entrada, teve o seu reinternamento na unidade sanitária num estado grave, com ferida infectada. Estava com uma septicemia e decidiu-se estabilizar a paciente e, a posterior, transferir-se para o Hospital Provincial de Xai-Xai, isso no dia 26”, disse o porta-voz do Hospital Rural de Chókwè, Obadiel Mavie. 

A verdade é que a família de Rosália Sitoe  vive entre o luto e o medo de mais perda, uma vez que a criança recém nascida continua a lutar pela vida. “A criança tem uma anomalia na cabeça. Apresentei a situação à enfermeira e ela orientou-me a lavar a região com sabão. A criança ficou ferida no hospital, só não sei se foi durante o parto ou após o parto”, conta a mãe da finada.

Sobre as lesões na cabeça da bebé, Obadiel Mavie diz que decorre investigações para apurar os factos. 

O “O País” tentou ouvir a Direcção Provincial de saúde que prometeu reagir ao assunto oportunamente.

O Ministro da saúde, Ussene Isse, diz que as XVIII Jornadas Nacionais de Saúde, que arrancaram esta Quarta-feira mostram a  necessidade  do acesso universal do acesso dos serviços de saúde numa altura em que vários desafios exigem novos  conhecimentos, inovação e reformas. 

Com o lema ” Promovendo a Resiliência do Sistema Nacional da Saúde com base em evidência científica”, foram abertas, nesta Quarta-feira, as Jornadas Nacionais de Saúde.

O Ministro da Saúde, Ussene Isse, disse que o evento, que  terá uma abordagem híbrida, com cerca de 1 191 participantes nacionais e internacionais, mostra a necessidade de desenvolvimento de novos conhecimentos para o acesso universal dos serviços de saúde, numa altura em que se regista vários desafios no sector.

“Estas jornadas são para o setor de saúde, o indicador do cumprimento das documentações de sua excelência, Daniela Francisco Chapo, presidente da República de Moçambique, sobre a necessidade de garantirmos o acesso universal aos cuidados de saúde. Torna-se urgente e o imperativo nacional a construção da resiliência do sistema de saúde, entendida com a capacidade de absorver o impacto dos choques, assegurar a continuidade dos serviços e transformar criativamente as funções do sistema de saúde para ante grandes adversidades.” disse o Ministro da Saúde, Ussene Isse. 

Segundo o Ministro, o número de participantes revela avanços em relação às jornadas de 2021.

Foi destacado, também,  o facto das mesmas realizarem-se numa altura em que o conselho de ministros aprovou o decreto que prevê a criação da primeira escola pública de saúde pública no país.

Na ocasião, o Director geral do Instituto Nacional de Saúde, Eduardo Gudo, destacou as dificuldades que impediram a realização das jornadas no ano passado, sendo que as mesmas acontecem a cada três anos no país, desde 1976.

“Pela primeira vez, desde que iniciamos Jornadas Internacionais de Saúde em 1976 a tempos 49 anos, tivemos três adiamentos em relação a uma edição de Jornadas Internacionais. Estas jornadas foram inicialmente programadas para novembro de 2024, foram depois adiadas para março de 2025, e finalmente estamos a realizar nesta semana, devido a condicionalismos que estavam fora do controlo da organização das Jornadas Internacionais de Saúde.” concluiu Eduardo Samo Gudo. 

Nestas jornadas foram submetidos 1042 resumos científicos, dos quais 789 foram aprovados.

A empresa Cervejas de Moçambique (CDM) lançou, nesta quarta-feira, em Maputo, uma campanha intitulada “Um Brinde aos Bares”. A iniciativa visa reconhecer o papel que os bares desempenham no ecossistema da indústria cervejeira e no desenvolvimento socioeconómico do país.

O evento teve lugar na Cidade de Maputo e contou com a presença de vários parceiros e gestores de estabelecimentos, alguns dos quais foram homenageados pela sua dedicação e contribuição para o sector.

Durante o lançamento, o administrador-executivo da CDM destacou a importância estratégica dos bares, classificando-os como pontos de contacto essenciais entre as marcas da empresa e os consumidores.

“Esta iniciativa designada ‘Um Brinde aos Bares’ é uma iniciativa da Cervejas de Moçambique, de reconhecimento destes parceiros bastante importantes para o nosso negócio, que são os bares. Eles são o ponto de contacto entre as nossas marcas e os consumidores, e nós queremos destacar aquilo que é a importância que eles têm, não só para nós, como empresa, mas também para o país. Por isso, trouxemos aqui dados muito importantes, que é, por exemplo, de dizermos que os bares contribuem com mais de 45 milhões de dólares para o PIB em Moçambique, mais de 25 mil empregos que eles criam para os moçambicanos e também contribuem em impostos acima de 13 milhões de dólares”, disse Bruno Tembe, administrador-executivo da CDM.

A CDM destacou ainda a forte ligação entre os bares e o sector cultural, sobretudo a indústria musical.

A campanha “Um Brinde aos Bares” foi lançada nesta quarta-feira, na Cidade de Maputo.

O ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, apelou, esta quarta-feira, para uma maior abertura e inclusão na Função Pública, para a garantia do acesso à informação. O apelo foi feito durante uma reflexão sobre a implementação da Lei do Direito à Informação, onde apontou-se a cultura de sonegação e herança burocrática autoritária como grandes entraves.

A Lei do Direito à Informação completa 10 anos desde a sua implementação em Moçambique. Durante um evento de reflexão sobre a legislação, nesta quarta-feira, em Maputo, o ministro da Administração Estatal e Função Pública defendeu uma função pública mais aberta e acessível para cedência de informação.

Mas, apesar de existirem desafios no acesso à informação, há avanços, segundo o provedor de Justiça, Isac Chande, tendo apontado que dos  23 mil pedidos formulados em 2023, mais de 15 mil foram respondidos, o correspondente a 63%. No ano passado, houve mais de 60 mil pedidos dos quais 95% foram satisfeitos.

Neste ano, 80 jornalistas foram formados nesta área para melhoria do seu trabalho, apelou-se à aprovação da Lei de Protecção de Dados e Engajamento da Economia Digital para prestação de contas e tomada de decisões.

O Estado moçambicano perde, anualmente, mais de 70 milhões de dólares devido à pesca ilegal. O peixe capturado de forma ilegal tem como destino países Europeus.

A pesca ilegal continua a contribuir para escassez de recursos marinhos e traz perdas para o Estado moçambicano quem anualmentem deixa de receber mais de 70 milhões de dólares. 

Para contornar este quadro, o INAMAR está a apertar o cerco contra pescadores ilegais e a combater o uso de redes nocivas para a pesca.

Acção está inserida numa campanha de fiscalização rigorosa que foi lançada est a quarta-feira no distrito de Angoche, província de Nampula, onde foi tornado público que por conta da pesca ilegal há indivíduos que também foram detidos.

Enquanto a fiscalização decorria, houve momentos de distúrbios protagonizados por um grupo de pescadores, facto que obrigou as autoridades marítimas a disparar.

Duas pessoas foram mortas por balas perdidas durante um tiroteio na zona de Matola Gare,  Município da Matola. Entre as vítimas está uma jovem de 20 anos que foi atingida num transporte de passageiros, a caminho da escola.  

A Polícia ainda não tem pistas dos criminosos, mas sabe que tentavam alvejar um agente do SERNIC que escapou e está agora hospitalizado. 

O Conselho Municipal de Maputo apelou às raparigas a fazerem o rastreio de HPV e cancro de útero de modo a saberem dos seus estados e caso positivo começarem a fazer o tratamento de forma atempada.

O apelo foi feito pela Directora Municipal da Saúde, Emília Cumaquela, no âmbito do lançamento da campanha de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) e cancro do colo de útero, na Escola Secundária Eduardo Mondlane.

Cumaquela desafiou igualmente aos profissionais de saúde que trabalham na área de saúde materno-infantil a intensificarem a sensibilização e rastreio do colo do útero e da mama, bem como a utilização de forma racional do material do rastreio.

A campanha de vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV) e cancro do colo de útero decorre em todo território nacional desde a passada segunda-feira e vai até sexta-feira, 3 de Outubro corrente, e na cidade de Maputo pretende-se alcançar 78.441 raparigas dos 12 a 18 anos de idade, numa cobertura esperada de 97%.

Outro apelo levado a cabo pelo Conselho Municipal de Maputo foi aos funcionários da edilidade, para que estejam atentos aos sinais de comportamento suicida, durante uma palestra subordinada ao tema “Prevenção do Suicídio no Local do Trabalho”.

A edilidade pretende despertar a consciência no seio dos funcionários sobre alguns sinais de comportamento suicida determinado por diversos factores, dentre eles o transtorno de personalidade, o declínio no desempenho individual e profissional, o consumo excessivo de substâncias psicoactivas, a depressão, a ansiedade, o isolamento social, entre outros.

A Directora Municipal da Saúde, Emília Cumaquela, considera o suicídio como um problema de saúde pública evitável, sendo que, a sua prevenção aumenta de forma considerável a expectativa, qualidade de vida e produtividade no trabalho.

O município de Maputo está, também, comprometido na luta contra a raiva, uma vez que é uma doença fatal e altamente contagiosa, com uma mortalidade de aproximadamente 100%.

A Vereadora da Saúde e Qualidade de Vida, Alice de Abreu, apelou aos munícipes a levarem cães e gatos à vacinação de modo a prevenir esta doença.

Alice de Abreu exortou aos profissionais do sector de veterinária e parceiros que continuem a garantir o controle da raiva no Município de Maputo.

A Escola Secundária de Nampula, que outrora foi modelo na província, está em estado de degradação, e a direcção afirma que o problema está fora da sua capacidade financeira. A Direcção Provincial da Educação de Nampula também fala de problemas financeiros e diz que há mais escolas nas mesmas condições.

A Escola Secundária de Nampula, localizada no centro da cidade, já foi uma referência provincial, mas hoje está voltada ao esquecimento e em progressiva e acentuada degradação. 

Algumas salas de aula estão sem portas e muito menos janelas. Em outras partes do edifício, a cobertura desabou, e parte do muro igualmente cedeu à pressão do tempo.

Os alunos olham com preocupação o problema e lembram que, no período de chuvas, do frio e ou ventos não têm sido fácil assistir às aulas. “Quando chove, costuma cair água nas nossas turmas, a ventania costuma atacar-nos. Quando é tempo chuvoso assim, torna difícil a gente ter uma aula com muita tranquilidade, porque a gente já não fica seguro”, disse um dos alunos.

Outra aluna também lamentou a situação e afirmou que a escola precisa de uma reabilitação urgente. “Tem entrado água pelas janelas, porque não tem vidros nem nada, não estão protegidas. A escola mesmo precisa de uma reforma”, disse.

Ahamada Mussa frequentou, no passado, a referida escola e, depois de uma formação psicopedagógica, regressou como professor da disciplina de física, e é com muita tristeza que exerce a profissão numa escola que outrora era a melhor da província.

“Eu fico mesmo indignado, porque a escola que eu conheci antes não é a que eu vejo e não é aquela em que eu trabalho hoje. Em termos de conservação, é diferente”, lamenta.

João Muguirima, outro professor que também foi aluno da Escola Secundária de Nampula, admite que, se continuar assim, o processo de ensino-aprendizagem estará cada vez mais comprometido.

“As melhores condições de ensino-aprendizagem são salas condignas. Logicamente, se as salas não estão bem em condições, também a aprendizagem não é boa. Imagine: ao ver o tecto furado, o aluno preocupa-se com a sua segurança, e não o que o professor diz. Ele não é o culpado, o professor não é o culpado, mas são as condições que temos”, lamenta.

O director da Escola Secundária de Nampula, Albertino Luís, fez saber que o nível de degradação da escola requer um nível de intervenção que está acima da capacidade da instituição.

“Fazendo uma avaliação preliminar, naquilo que são as nossas colectas, as nossas receitas, não estamos em condições de satisfazer. O pouco que fazemos é uma pequena reabilitação de uma rede por aqui, uma porta por ali, talvez uma lâmpada por cá, mas aquilo que é uma revisão de vulgo, não estamos em condições”, conta angustiado Albertino Luís.

A preocupação não é somente da direcção da escola. O Director Provincial da Educação em Nampula, William Tuzine, reconhece o problema e diz que não é exclusivo à essa escola, frisando que várias outras encontram-se na mesma situação.

Para Tuzine a falta de dinheiro está por detrás do aparente abandono das escolas em Nampula. Não é só o caso da Escola Secundária de Nampula. Nós temos várias escolas secundárias como Angoche, Nampula, entre outras escolas dentro da cidade, que nós achamos que elas devem ser reabilitadas. Tanto nós, através do sector de planificação, já temos todo o dado estatístico destas escolas que estão dentro da nossa base de dados, o que não temos por enquanto são fundos para a reabilitação das escolas”, explicou William Tuzine.

Especialistas em educação entendem que mais do que construir novas escolas o Estado devia focar-se em reabilitar as existentes e alertam: “Em vez de nós pensarmos em construir novas escolas, novas infraestruturas imponentes, temos que olhar primeiro pelas infraestruturas que nós temos. Nós não podemos falar de qualidade de formação enquanto não temos boas escolas equipadas, não temos boas infraestruturas”, disse.

Construída no tempo colonial, a Escola Secundária de Nampula nunca beneficiou de obras de reabilitação de vulto.

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