Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Pelo menos 250 famílias reassentadas no âmbito do projecto das areias pesadas de Chibuto amotinaram-se, desde segunda-feira, defronte das instalações do Governo Distrital, para exigir as suas compensações. O problema começou em 2016. O grupo reclama ainda de exclusão e de falta de serviços sociais básicos.

Famílias das comunidades de Mudumeia, Mudada, Mabekwane e Mutsikwane estão revoltadas com as autoridades do Governo Distrital e a Dingsheng Minerals, empresa de capitais chinesas que explora as areias de Chibuto, em Gaza.

Os queixosos, que se amotinaram defronte das instalações do Governo Distrital desde a madrugada desta segunda-feira, acusam a empresa de não ter  pagado por completo as indemnizações combinadas a propósito do reassentamento que arrancou em 2016, na zona de Nwahamuza.

“E a Dingsheng Minerals, quando a empresa chegou, levou as nossas terras onde nós cultivamos,  mas até à data de hoje a empresa não está a responder. Nem dinheiro, nem emprego, nem nada. Dormimos aqui, na rua. Chegámos ontem, às 5h, mas nós decidimos que, antes de ter a resposta correcta, nós não vamos sair daqui, porque já estamos cansados”, lamentou o representante do grupo.

Os queixosos, na sua maioria idosos, falam ainda de exclusão das comunidades no quadro da implementação do projecto de areias pesadas, entre outras promessas que nunca saíram do papel.

“Os esquemas daqueles que estão ali, no escritório, os esquemas da parte do Governo também. Quando não tem dinheiro, vai ficar em casa. Agora, neste ano, já levou 15 mil meticais, partindo de 15 mil meticais para ter vaga. Aquelas casas que nos foram dadas em Nwahamuza, estamos a abandonar, porque, quando chove, todas as casas estão a entornar. Se a empresa vê que não consegue me pagar, é só devolver os meus terrenos”, exigiu um dos populares.

A administradora de Chibuto, Cacilda Banze, admitiu a existência de um  conflito entre a empresa de exploração das areias pesadas e as quatro comunidades de Chibuto, e que o assunto está em discussão a nível da província.

“Começámos a pegar o assunto agora que cheguei, conjuntamente com os dirigentes provinciais, e até podemos dizer que a nível superior da empresa estamos a trabalhar e esperamos que brevemente iremos dar a resposta. Podemos dizer que, neste momento, temos acima de 250 famílias reassentadas, mas existem outras, porque a área de exploração que eles vão explorar é cerca de 10 hectares, 10 mil hectares que eles têm, da mineradora, é uma área grande e que tem muitos empreendimentos das pessoas, que precisam de ser reassentadas.”

Questionada sobre os prazos para resolução do conflito que opõe as populações à empresa chinesa, a governante respondeu: “Não, ainda não há datas, mas nós esperamos que seja breve, porque também é do interesse da empresa. Temos de responder às preocupações, e também é um interesse a nível provincial e a nível distrital, para não continuarmos com famílias a sofrerem. Estão aqui desde ontem, ainda não foram para casa, estão à espera da resposta, e nós estamos a apelar a eles para que esperem quando estiverem em casa, porque a resposta há-de vir”, prometeu.

Entretanto, o grupo ameaça permanecer no local até à reposição dos seus direitos. Sobre este e outros assuntos, o jornal O País procurou ouvir a mineradora, mas os seus representantes  prometeram pronunciar-se oportunamente.

Duas pessoas foram linchadas e uma terceira escapou à morte, no distrito de Gurúè, na Zambézia, depois de assaltarem a casa de um comerciante na calada da noite. A accão foi protagonizada por populares, que se aperceberam do assalto. 

Ainda ontem, o distrito de Mulevala viveu cenário de desordem pública, no qual um Polícia e um funcionário público foram feridos por duas famílias de dois cidadãos indiciados de três crimes. 

“Tivemos um caso de roubo agravado, em que uma quadrilha, composta por três indivíduos munidos de instrumentos contundentes, na calada da noite, dirigiram-se a uma residência de um comerciante local, onde introduziram no interior da mesma e subtraíram um valor de 14 mil meticais e desferiram golpes ao cidadão e a sua esposa” avançou o porta-voz da Polícia. 

A Polícia disse ainda que ao tomar conhecimento do assunto, a população capturou três dos indivíduos que compõem a quadrilha, tendo linchado e incendiado dois dos indivíduos. “Quando a Polícia foi comunicada, dois dos três indivíduos que teriam sido capturados pela população já teriam sido mortos. Conseguimos socorrer quando já estava prestes a ser linchado”.

Afinal, o Conselho Municipal da Cidade de Nampula foi intimado pela Procuradoria para retirar os vendedores ambulantes, que ocupam a via pública. A intimação é de Março e dava 30 dias para o Município retirar todos os ambulantes. Não tendo sido cumprido, a Procuradoria voltou a emitir mais uma nota para o Município no dia 7 de Outubro corrente.

Foi em defesa dos interesses colectivos e difusos que a Procuradoria Provincial intimou o Conselho Municipal da Cidade de Nampula a retirar os vendedores informais que ocupam a via pública. A primeira intimação é de 3 de Março de 2025 e dava um prazo de 30 dias para o cumprimento da ordem.

“(…) vem o Ministério Público intimar a V.Excia no prazo de 30 dias, ordenar a retirada de vendedores informais que ocupam os passeios e estrada da “entrada dos bombeiros”, Rua 3 de Fevereiro, entrada do CFM/Padaria Nampula e Paulo Samuel Kancomba”, lê-se no documento. 

Na altura, o Município de Nampula prometeu partilhar com a Procuradoria o plano de acção para a retirada dos vendedores informais e não tendo sido cumprido, agravado pelo facto de a venda informal estar a aumentar na cidade, dificultando a circulação de pessoas e viaturas, a Procuradoria voltou a remeter outra nota ao Município, no dia 7 de Outubro corrente.

“(…) solicitamos de V.Excia, pela terceira vez, no prazo de dez dias, informação sobre o grau de cumprimento da intimação n°570/AICD/PPRN/2025 (…). A matéria que consta da intimação que fizemos menção acima constitui uma das nossas principais preocupações e o não cumprimento da mesma V.Excia incorrerá em crime de desobediência (…)”, lê-se.

Ouvido sobre o assunto, o presidente do Município de Nampula reagiu nos seguintes termos.

“Recebemos esta intimação quando ainda estávamos reunidos em sessão do Conselho Municipal, e sobre esta intimação criou-se uma intimação a nível do conselho municipal que reparar um plano destes vendedores nos próximos tempos. Vamos apresentar este plano à procuradoria, para, em conjunto, avaliarmos o plano e fazermos a sua implementação. Porque a procuradoria está preocupada com acidentes que possam acontecer nas ruas”, disse Luís Giquira, Edil de Nampula. 

O cenário é mais preocupante na avenida Paulo Samuel Kancomba onde o passeio foi ocupado quase que totalmente

Uma nova corrida ao ouro está em curso no distrito de Gondola, província de Manica, após a descoberta de um filão na região de Mucododzi. A informação espalhou-se rapidamente entre as comunidades locais e em poucos dias, centenas de pessoas, maioritariamente jovens, acorreram ao local, na esperança de mudar de vida através da mineração artesanal.

A zona, até então desconhecida do público como ponto onde ocorre ouro, transformou-se num autêntico centro de mineração artesanal, com dezenas de pequenas escavações improvisadas, tendas rudimentares e intensa actividade comercial associada à mineração informal.

O cenário, que se repete em várias partes da província, volta a levantar preocupações em torno da segurança, da exploração desordenada de recursos naturais e da fragilidade das instituições no controle deste tipo de extração de ouro.

Face à crescente concentração de pessoas no local, a Polícia da República de Moçambique (PRM) mobilizou-se até à área de garimpo, com o objectivo de dispersar os populares e prevenir riscos de desabamentos, conflitos ou outras tragédias.

No entanto, a operação não produziu os resultados esperados. Os garimpeiros resistiram e mantiveram-se firmes, desafiando as ordens das autoridades.

Uma fonte da Polícia referiu que a acção visava apenas garantir a ordem pública e travar a aglomeração, num ponto já considerado ilegal. Segundo a fonte, o local representa não só um risco ambiental, como também à integridade física dos envolvidos, devido à total ausência de condições técnicas e de segurança.

No local, a presença policial não passou sem controvérsia. Alguns dos mineradores acusam os agentes de, além de dispersarem os populares, também terem recolhido quantidades não especificadas de areia supostamente contendo ouro.

“Dispararam armas e nós fugimos, entramos no mato. Lançaram gás lacrimogéneo e não conseguimos trabalhar. Disseram que ninguém irá trabalhar porque vocês não estão organizados para poderem trabalhar”, disse António José, um dos que olha na mineração com futuro promissor.

A província de Manica continua a ser uma das mais afectadas pelo crescimento desordenado da mineração artesanal, um fenómeno complexo que envolve questões económicas, sociais e ambientais. Em muitas comunidades, a mineração informal representa a única fonte de rendimento diante da escassez de empregos formais e oportunidades de sustento sustentável.

O novo ponto de mineração em Mucododzi já começa a atrair atenção de fora do distrito, sinalizando que o número de garimpeiros poderá aumentar nos próximos dias.

Enquanto isso, o ouro continua a brilhar como promessa de riqueza fácil, mesmo que, à custa da vida, degrade o ambiente e contrarie a legalidade.

Pelo menos 10 professores foram mortos em oito anos de insurgência armada na província de Cabo Delgado, segundo estimativa apresentada nesta terça-feira pela Organização Nacional dos Professores (ONP).

“A estatística nos confirma dez professores mortos por insurgência no período em referência”, disse à Lusa Teodoro Muidumbe, secretário-geral da ONP, organização sindical que representa a classe no país.

Entretanto, a Secretária Provincial da Organização Nacional dos Professores  (ONP) de Cabo Delgado, Dinita Dinís, disse que foram 16 os professores que morreram vítimas do terrorismo em Cabo Delgado.

“Desde o ano de 2017 a província foi assolada pelos ataques terroristas destes malfeitores que culminaram com a morte de 16 professores”, confirmou, apelando para que a data em que se comemora a classe sirva de referência para as autoridades reflectirem em relação à qualidade de ensino e aprendizagem, para além de “condições de trabalho e valorização da figura do professor”.

Durante a recepção da saudação pelo Dia Nacional do Professor, na segunda-feira, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, prestou uma homenagem “especial” aos professores e profissionais da educação, nomeadamente naquela província, que, mesmo em situações “adversas”, impostas pelos ataques terroristas em Cabo Delgado, doenças e fenómenos climáticos extremos, “sempre encontram alternativas para garantir que o processo de ensino-aprendizagem não pare”.

Em Setembro, a Associação Nacional dos Professores de Moçambique (ANAPRO) repudiou os actos “bárbaros e inaceitáveis” em alegados ataques rebeldes registados em Cabo Delgado, norte do país, com a confirmação da morte de um membro da classe.

“Repudiamos reiteradamente os atos bárbaros e inaceitáveis que atentam contra a dignidade humana e que estão contra um direito fundamental à vida”, referia-se num comunicado da ANAPRO.

Nas celebrações do dia na província de Cabo Delgado, nesta segunda-feira, alguns professores disseram que apesar da falta das condições de segurança em quase todos dos distritos afectados pela insurgência, casos de Mocímboa da Praia, Muidumbe, Macomia e Palma, muitas vezes são obrigados a regressar aos seus postos de trabalho, mesmo quando as autoridades têm conhecimento de que a situação de segurança continua instável.

Na ocasião, o governador de Cabo Delgado, Valige Tauabo, reafirmou que o Governo está a trabalhar para garantir que os professores possam exercer as suas funções com mérito e com segurança.

Já o Secretariado Distrital da Organização Nacional dos Professores (ONP) em Meconta lançou um forte apelo aos protagonistas da violência em Cabo Delgado para que ponham fim às hostilidades, de modo a permitir que milhares de crianças regressem às salas de aula e que os docentes exerçam a sua missão sem intimidação.

“A guerra rouba o futuro das crianças. Sem escolas seguras não há desenvolvimento”, sublinhou o secretariado num comunicado.

Os professores reafirmaram que a paz é condição essencial para a reinvenção da educação em Moçambique.

Um grupo de funcionários do Instituto Nacional da Marinha (INAMAR), que ficou de fora do processo de transição para o recém-criado Instituto de Transporte Marítimo (ITRANSMAR), submeteu, esta segunda-feira, uma petição ao Presidente da República, solicitando a sua integração na nova instituição.

A decisão surge após várias tentativas fracassadas de diálogo, a última esta segunda-feira, em Maputo, com as direcções do INAMAR e do ITRANSMAR, num processo que os trabalhadores consideram pouco transparente, marcado injustiça e favoritismo.

“Fomos ignorados durante todo o processo. Tentamos dialogar, pedimos esclarecimentos, mas nunca houve abertura para o efeito, sempre, limitaram-nos para falar nos encontros, como foi o caso de ontem (segunda-feira). Agora somos obrigados a aceitar funções que nada têm a ver com o nosso perfil”, afirma um dos funcionários afectados, sob anonimato.

Segundo os queixosos, a reunião realizada esta semana, em Maputo, entre os trabalhadores excluídos e os líderes das duas instituições, agravou o clima de tensão. Os funcionários denunciam que não houve espaço para debate nem explicações claras sobre os critérios usados na selecção dos quadros que transitaram para o ITRANSMAR.

“O ambiente era de total indiferença. Os presidentes comportaram-se como se estivessem acima de qualquer questionamento”, disse uma funcionária, visivelmente indignada.

A indignação dos trabalhadores aumenta considerando que o ITRANSMAR lançou um concurso público para novas admissões, mesmo com técnicos experientes, até então no activo no INAMAR, deixados de fora do processo de transição.

“Isso prova que a exclusão foi deliberada. Há um concurso a decorrer, enquanto nós, com experiência e formação no sector, somos simplesmente descartados”, denunciou outra funcionária.

Para os excluídos, o processo de reestruturação do sector marítimo está a ser conduzido com critérios duvidosos, alimentando suspeitas de interesses particulares e clientelismo. Eles também questionam a criação de múltiplas instituições com funções semelhantes, o que, no seu entender, apenas agrava a desorganização no sector.

“Não faz sentido termos duas ou três instituições a fazer a mesma coisa. Isso só cria confusão e espaço para manobras políticas que penalizam os técnicos que sempre trabalharam com dedicação”, conclui um dos queixosos.

Diante do impasse, os trabalhadores agora depositam esperança na intervenção do Presidente da República, Daniel Chapo, a quem apelam através de uma petição de três páginas para garantir justiça, equidade e respeito pelos direitos dos funcionários lesados neste sector.

Na petição, os queixosos dizem que esperam resultados concretos sobre “a transferência integral imediata dos 103 funcionários restantes, totalizando os 180 profissionais originais da Marinha Mercante,  que a decisão seja tomada sem interferências, volte a ser plenamente operacional, contribuindo activamente para a economia, segurança dos transportes marítimos e reposição do pagamento do subsídio de serviço marítimo, como um acto de justiça e restauração da dignidade profissional”.

O Edil de Pemba ameaça processar criminalmente e exigir indemnização aos Megaprojectos, que operam em Cabo Delgado, devido a suposta poluição ambiental provocada por uma empresa especializada no tratamento de resíduos considerados perigosos.

O presidente do município de Pemba já havia mandado encerrar a Moz Enviromental, a empresa responsável pelo tratamento de resíduos considerados tóxicos, produzidos pelos Megaprojectos que operam em Cabo Delgado, mas o Tribunal Administrativo ao nível da província ordenou a reabertura por alegadamente não ter constatado poluição.

A Moz enviromental considera estranha a intenção do edil de Pemba, e suspeita que haja outras intenções ocultas que levam as comunidades que vivem ao redor da empresa a realizar manifestações de forma constante, devido a poluição ambiental.

Entretanto, o presidente do município de Pemba diz que não tem conhecimento da ordem de reabertura, e nega todas suspeitas da Moz environmental sobre incitação às comunidades locais, que exigem o encerramento da empresa. No entanto, Satar Abdulgani confirma a submissão de um recurso contra a decisão do Tribunal Administrativo de Cabo Delgado.

Apesar de todos os problemas que estão a ser levantados pelo município de Pemba e pelas comunidades locais, a empresa vai continuar a operar normalmente, até que haja uma decisão contrária.

Oficialmente não está confirmada a poluição ambiental em Pemba, mas o edil promete lutar até que a empresa seja fechada ou, no mínimo, que haja garantia de condições para a empresa operar sem poluição.

A Moz Environmental está preocupada com as intenções do edil de Pemba e prevê prejuízos não só para a empresa, mas também para os Mega-Projectos que operam em Cabo Delgado, em particular, e para o país no geral.

A Moz environmental opera em Cabo Delgado desde 2018, mas só no ano passado é que a população e o município de Pemba começaram a reclamar da suposta poluição.

A Agência de Controlo de Qualidade Ambiental, AQUA, prometeu pronunciar-se sobre o caso que ameaça comprometer as operações dos Mega Projectos em Cabo Delgado.

O conflito entre os vendedores informais e o Município de Nampula está longe do fim. Os vendedores tomaram de assalto algumas avenidas e ruas do centro da cidade. Já no mercado grossista, o actual cenário é de desorganização e problemas de saneamento. A edilidade fala de planos para reverter o cenário.

A desordem começa na Estrada Nacional n.°13, no desvio que vai ao mercado grossista Waresta, na periferia da cidade de Nampula. Motorizadas, carros, vendedores e peões disputam o mesmo corredor e o ambiente é de “salve-se quem puder”. 

Passa-se à rasca porque os vendedores informais transformaram as estradas e os passeios em locais de comércio. O chefe do mercado diz que há trabalho para melhorar a gestão de vendedores, assim como do lixo, mas tem sido difícil devido a falta colaboração de muitos dos informais.

O mercado Waresta é o maior mercado grossista no Norte do país. O aspecto que apresenta atenta contra a saúde pública, por isso o Município fala de planos para a sua requalificação.

No centro da cidade, os focos de venda informal voltam a ganhar espaço a olhos vistos. Na zona chamada bombeiros, a estrada e os passeios cederam para o comércio informal.

Uma actividade que decorre na parte exterior do Mercado Novo. Os principais protagonistas são vendedores de telefones celulares e seus acessórios. Outros são apenas intermediários de negócios.

O certo é que ainda não há uma solução concreta para os vendedores, e a forma como tomaram o local põe em causa a postura municipal.

Pelo menos 51 casas, uma igreja e uma escola primária foram destruídas em ataques atribuídos a terroristas desde finais de Setembro no distrito de Memba, província de Nampula. A informação foi avançada pelo administrador local, nesta segunda-feira.

De acordo com o administrador de Memba, Manuel Cintura, os ataques aconteceram nos dias 30 de Setembro e 03 de Outubro, nos postos administrativos de Lúrio e Chipene, e resultaram na destruição, maior parte delas incendiadas, de 51 casas, contra o balanço inicial de 45, além de uma igreja e da estrutura de uma Escola Primária Completa local, além de queimadas as cadeiras de outra instituição de ensino no mesmo posto administrativo.

“Tivemos destruição, incêndio de muitas residências, destruição de uma igreja, destruição na íntegra de uma escola, carteiras e uma outra EPC no posto administrativo de Chipene”, disse Manuel Cintura, nesta segunda-feira.

O administrador acrescentou que, embora parte da população esteja a regressar às zonas de origem, muitos habitantes continuam a evitar dormir nas próprias casas, por receio de novos ataques, que até agora não provocaram vítimas mortais em Nampula.

“A situação continua agitada, a população está a regressar directamente para as zonas de origem, mas uma parte ainda continua a não dormir em casa”, referiu.

Manuel Cintura admitiu ainda a presença de cidadãos naturais de Memba entre os grupos armados que têm protagonizado ataques no Norte do país, apontando as ligações históricas da população local com comunidades pesqueiras de zonas anteriormente ocupadas por insurgentes na vizinha província de Cabo Delgado.

Quase 40 mil pessoas fugiram de seis distritos de Cabo Delgado, e ainda da província vizinha de Nampula, devido ao recrudescimento dos ataques terroristas no norte de Moçambique, segundo o último balanço da Organização Internacional para as Migrações (OIM).

De acordo com o mais recente relatório do terreno daquela agência das Nações Unidas, entre 22 de Setembro e 06 de Outubro, a escalada de ataques e a insegurança provocada por grupos armados” levou a “novos deslocamentos”, num total de 39 643, equivalente a 12 335 famílias, essencialmente nos distritos de Balama, Mocímboa da Praia, Montepuez e Chiúre, Cabo Delgado, mas também em Memba, província de Nampula.

A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques terroristas há oito anos, com o primeiro ataque registado a 05 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia, sendo que o Governo afirmou esta semana que continua a fazer esforços para garantir a segurança às populações e bens para que estas comunidades permaneçam nos seus lugares de origem em paz.

O Projecto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED) contabiliza 6257 mortos ao fim de oito anos de ataques terroristas em Cabo Delgado, alertando para a instabilidade actual, com o recrudescimento da violência.

+ LIDAS

Siga nos