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O País – A verdade como notícia

Pelo menos 13 mil pessoas estão em risco de fome aguda, enquanto a seca extrema ameaça gado bovino no distrito de Massangena, na província de Gaza. De acordo com líderes comunitários, a situação é agravada pela falta do desembolso do subsídio social básico há 9 meses, bem como pela escassez de fontes de abastecimento de água nas zonas altas. 

Os celeiros, que deviam ter milho e outros produtos, estão vazios,  e as culturas nos campos estão secas, na sequência da chuva que cai de forma irregular no distrito de Massangena, na província de Gaza.

“Passamos fome porque ainda não choveu bem. Quando chove, produzimos mandioca e batata-doce. Este ano, conseguimos produzir mexoeira. As outras culturas foram arrasadas pelo calor”, disse Marcos Chitlumane, líder comunitário em Massangena. 

A seca intensifica, pressiona e ameaça famílias, principalmente em Mavue, que, por estas alturas, segundo líderes comunitários, estão à beira da fome por conta da escassez de alimentos. Dos efeitos negativos da estiagem, também, não escapa o gado bovino, devido a distância que separa as fontes de água 

“Devido à escassez de chuva, as lagoas secaram e, nestes últimos anos, o gado adoece e morre. Há registo de 10 a 20 cabeças de gado que morreram. Os reservatórios de água escavados estão secos, porque dependem da chuva para seu abastecimento”, avançou Jone Bendzane, também líder comunitário em Massangena.

O administrador de Massangena, Sancho Humbane confirma pelo menos 13 mil pessoas em situação crítica, das quais 4 mil já recebem assistência alimentar.

A situação do distrito é agravada pelo não pagamento do subsídio social básico, pois, só naquele distrito, mais de 28 líderes comunitários não têm assistência há 9 meses, o facto está a gerar descontentamento e revolta no seio do grupo.

O governo do distrito reconhece o atraso, e avança que recentemente foram liquidadas as dívidas de 2023 e 2024. E para já se aguarda disponibilização de fundos para pagamento dos meses em atraso, mas ainda não há datas concretas.

Mais uma pessoa morreu, nesta sexta-feira, vítima do acidente de viação de Moamba ocorrido no dia 8 de Setembro corrente. Trata-se de um jovem de 24 anos de idade, que estava internado desde o dia do acidente e não resistiu  após ser amputado a perna direita.

Desde o dia 8 de Setembro que a vida da família Simbine não é a mesma, desde que Helton Sergio Simbine, de 24 anos e que regressava da África do Sul, sofreu um acidente, no distrito de Moamba.

Dias após o acidente, as notícias sobre seu estado de saúde não eram as melhores. 

“Está muito grave. Está nos cuidados intensivos (…) segundo o médico, eu fui lá visitá-lo, ele tem alguma chance, mas está ainda a ser observado e estão a fazer todos os possíveis para  ele voltar as suas actividades normais”, disse Maria Sitoe, Chefe do Banco de Socorros do Hospital Central de Maputo, numa entrevista datada de 10.09.2025.

No entanto, o jovem não voltou, apesar da esperança, mais uma vida se foi, deixando mais uma família de luto e incompleta. 

Nas últimas duas semanas, a vítima esteve sempre nos cuidados intensivos e inconsciente, e cada dia que passava mais notícias ruins chegavam para a família, pois o seu estado de saúde só se agravava.  

Foi feito de tudo para que o jovem pudesse sobreviver, mas não foi suficiente para salvar o jovem de 24 anos, que veio a perder a vítima, na madrugada desta sexta-feira.

O jovem saía da África do Sul para Manjacaze, província de Gaza, sua terra natal e neste momento a família organiza-se para transladação do corpo. 

Com esta morte já contam-se pelo menos 12 o número de vítimas mortais e cinco feridos. 

Recorde-se que o acidente envolveu esta que era uma viatura pesada de transporte de passageiros, mas depois desse período, virou sucata e um transporte de passageiros. 

 

A Academia Marechal Samora Moisés Machel em Nampula passa a contar, a partir desta sexta-feira, com um Laboratório de Inteligência Artificial e Cibersegurança do país. 

A infra-estrutura foi oficialmente inaugurada pelo ministro da Defesa nacional, Cristóvão Chume, que sublinhou o papel estratégico do laboratório na formação de oficiais  para a defesa da soberania nacional no espaço cibernético.

O novo laboratório, equipado com mais de vinte computadores e tecnologia de ponta, visa reforçar a capacidade técnica das forças de Defesa e Segurança, especialmente numa era em que as ameaças cibernéticas representam um risco crescente à estabilidade nacional.

Chume assegurou  ainda que,a partir de agora, oficiais serão formados com excelência para responder aos desafios da defesa digital e proteger os interesses nacionais.

Presente na cerimónia, o ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, reforçou a importância de dominar as tecnologias de informação e comunicação como condição essencial para garantir a segurança nacional.

Com este  laboratório, prespectiva-se o  reforço da segurança cibernética e da inovação tecnológica nas FDS.

Na Vila de Massinga, em Inhambane, a vida pulsa ao ritmo frenético da Estrada Nacional Número Um (EN1), a principal via que liga o sul e o norte de Moçambique. Ao longo da berma, em pleno asfalto onde circulam diariamente centenas de viaturas pesadas, ligeiras e de transporte de passageiros, estendem-se bancas improvisadas com produtos que vão desde frutas e legumes frescos a roupas em segunda mão, peixe seco, carvão e até pequenos eletrodomésticos. Ali, a cada dia, centenas de vendedores tentam garantir o sustento das suas famílias, mesmo sob o constante risco de atropelamentos e outros perigos.

O cenário tornou-se tão habitual que já parece parte da paisagem urbana: veículos e comerciantes disputam o mesmo espaço, transformando a EN1 numa mistura caótica de estrada e mercado a céu aberto. A Polícia Municipal faz advertências frequentes, mas os vendedores continuam, empurrados pela necessidade de sobrevivência.

“O negócio não anda bem e, por isso, muitos de nós preferimos ficar aqui na estrada, mesmo sabendo do perigo. É aqui onde passa mais gente e conseguimos vender alguma coisa”, contou Elisa José, vendedora que há mais de cinco anos expõe os seus produtos na berma da EN1. Entre o sol escaldante e a poeira levantada pelos carros, Elisa ajeita a sua banca de tomates e cebolas, enquanto mantém os olhos atentos ao fluxo constante de viaturas.

A mesma realidade é partilhada por Ramalho Cossa, outro vendedor que encontra na estrada o espaço “mais rentável” para o comércio, apesar dos riscos. “Sabemos que não é seguro, mas se ficarmos no mercado, passamos dias sem vender nada. Aqui, pelo menos, sempre aparece um cliente”, afirma, admitindo que já foi várias vezes alertado pela Polícia Municipal para abandonar o local.

As autoridades locais não escondem a preocupação. A edilidade de Massinga reconhece que o comércio informal desordenado representa não só um risco para os vendedores, mas também para os automobilistas, que muitas vezes são obrigados a reduzir a velocidade de forma brusca para evitar acidentes. No entanto, o município defende que a solução definitiva não passa apenas por ações policiais ou pelo despejo dos vendedores, mas por uma mudança de mentalidade e comportamento.

Verónica Elias, vendedora que também exerce a atividade ao longo da estrada, confirma as advertências recebidas, mas mostra as dificuldades que enfrentam. “Dizem para sairmos, falam connosco, alertam que não podemos ficar na rua. Mas a verdade é que, se formos para o mercado, ninguém nos compra. Aqui, ao menos conseguimos levar algo para casa no fim do dia”, desabafa.

O edil da Vila de Massinga, Rodrigues Zunguze, defende que existem alternativas viáveis e suficientes para os vendedores, mas falta consciência sobre a importância de ocupar os espaços formais de comércio. “Massinga tem muito espaço para a prática de comércio. Temos o Mercado Sete de Setembro, o Mercado Novo, o Mercado Grossista e outros mercados de grande dimensão na vila. O problema não é falta de espaço, mas sim de sensibilização da nossa população. Precisamos que os vendedores reconheçam que esta atividade deve acontecer em locais próprios”, afirmou.

Para o governante, mais do que construir novas infraestruturas, o desafio é convencer a população a utilizá-las. “Não basta termos mercados. É preciso criar uma dinâmica que leve o produto para próximo da residência do cidadão. Podemos e devemos construir mercados nos bairros, para aproximar os vendedores e compradores, descongestionando a EN1 e devolvendo segurança a todos. O que está em causa é mudar mentalidades”, acrescentou.

A questão não é nova. Em 2020, a edilidade tentou retirar os vendedores que ocupavam as ruas de Massinga numa operação que resultou numa resistência violenta. O episódio terminou em confrontos entre comerciantes e a Polícia, deixando claro que a imposição sem diálogo dificilmente trará resultados duradouros.

A EN1, que deveria ser apenas uma via de circulação rodoviária, continua a ser palco de uma luta desigual entre a sobrevivência e a ordem urbana. Do lado dos vendedores, impera a necessidade de garantir o pão de cada dia. Do lado da edilidade, a preocupação com a segurança e a organização da vila. Pelo meio, permanece um impasse que já dura anos, sem soluções à vista.

O caso de Massinga reflete um dilema maior enfrentado por muitas cidades e vilas moçambicanas: o comércio informal, embora seja fonte de sustento para milhares de famílias, desafia diariamente a planificação urbana, a segurança rodoviária e a saúde pública. Enquanto não se encontrar um equilíbrio entre a necessidade imediata de sobrevivência e o cumprimento das regras de ordenamento, as ruas continuarão a ser ocupadas como mercados improvisados.

E em Massinga, na berma da EN1, a cada dia vendedores e viaturas continuam lado a lado, numa convivência forçada e perigosa, onde a linha entre o sustento e a tragédia é cada vez mais ténue.

A embaixada do Brasil em Maputo lança o Programa de Estudantes-Convênio – Pós-Graduação (PEC-PG), edição 2025. O PEC-PG, coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pelo Ministério da Educação (MEC), tem por objetivo oferecer cursos em programas de pós-graduação presenciais a cidadãos de países com os quais o Brasil mantém acordos educacionais, culturais ou científico-tecnológicos, caso de Moçambique.

O programa visa selecionar até 650 bolsistas não brasileiros, sendo 100 na modalidade doutorado pleno; 350 na “doutorado-sanduíche”; e 200 para mestrado pleno. O programa cobrirá, pela primeira vez, a modalidade “doutorado-sanduíche”, desenvolvido, de forma presencial, parte no Brasil, parte em Moçambique, país com o maior número de selecionados(as) em sua última edição.

As inscrições para o PEC-G deverão observar o seguinte calendário: Período de inscrição para as modalidades doutorado pleno e mestrado pleno: de 14 de agosto a 29 de setembro de 2025; e Período de inscrição para a modalidade “doutorado-sanduíche”: de 1° de outubro a 30 de dezembro de 2025.

 

O Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) está a recolher armas de fogo ilegais . O anúncio foi feito, nesta sexta-feira pelo porta-voz da Polícia, Leonel Muchina. 

A campanha de recolha de armas de fogo sem licença foi lançada nesta sexta-feira e visa a sensibilização, entrega voluntária, recolha e regularização de armas de fogo. O  porta-voz da Polícia explicou que  a acção deve-se à proliferação de armas de fogo “em mãos indevidas e em situações ilegais”, o que “contribui para ocorrência de crimes e ameaça a segurança pública”. 

A campanha terá a duração de quatro meses, Setembro a Dezembro, e será dividida em duas fases. A primeira fase, que já está em andamento, compreende a sensibilização, a actualização de registos de entrega voluntária, e a segunda, de 1 de Novembro a 15 de Dezembro, será para efetuar a recolha coerciva das armas e conversão a favor do Estado. 

A PRM apela a colaboração de todos os cidadãos que possuem armas sem licenças ou em situação ilegal.

Cerca de duzentos trabalhadores da Nuke Transportes, uma empresa subcontratada pela mineradora Vulcan, em Moatize, estão em greve desde esta quinta-feira, alegadamente por maus-tratos protagonizados pelos gestores da empresa.

Os trabalhadores amotinaram-se no parque de estacionamento da empresa, protestando contra más condições de trabalho. Segundo relataram, as refeições têm sido insuficientes e de baixa qualidade nutricional.

Um dos trabalhadores da empresa em causa conta que há mais de dois anos tem se alimentado mal.

“Quebrámos o silêncio por causa da má alimentação que nós temos tido há dois anos, e já vamos para o terceiro. É um assunto que já reportámos à direcção da empresa, e, até agora, ainda não trouxe nenhuma solução.”

A falta de um seguro de saúde também está a gerar preocupação no seio dos trabalhadores.

“Alguns  colegas que  tiveram acidentes de trabalho… houve demora por parte da empresa para prestar assistência. Temos colegas que já têm tuberculose e, quando recorrem à empresa, não têm respostas positivas”, disse um outro trabalhador.

Os trabalhadores exigem posicionamento dos gestores da empresa Nuke Transportes, caso contrário, ameaçam continuar com a greve por tempo indeterminado.

O “O País” contactou a empresa para se pronunciar sobre a acusação  dos trabalhadores, mas a secretaria alegou indisponibilidade por parte dos proprietários.

Duas pessoas morreram e nove ficaram feridas ontem, em Nampula, na sequência de um acidente de viação ocorrido no distrito de Monapo. O sinistro, do tipo despiste e capotamento, terá sido causado por excesso de velocidade.

O acidente aconteceu por volta das 14 horas desta quinta-feira, na Estrada Nacional Número 12, envolvendo um transporte semicolectivo de passageiros, que se despistou e capotou.

O sinistro foi confirmado pelo Comando Provincial da Polícia em Nampula, que avança que, além de matar duas pessoas, fez nove feridos graves e ligeiros.

De acordo com o chefe do Departamento de Relações Públicas no Comando Provincial da PRM em Nampula, Dércio Samuel, a viatura em causa fazia o trajecto Nacala–Ilha de Moçambique, e o excesso de velocidade pode ter sido a causa principal do acidente.

Este sinistro acontece numa altura em que o Conselho de Ministros avançou uma série de medidas visando reduzir casos de acidentes de viação.

Um suposto caçador furtivo foi detido na posse ilegal de duas armas no distrito de Chókwè, na província de Gaza. O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) suspeita tratar-se de um  indivíduo que lidera quadrilhas que têm protagonizado vários crimes.

O indivíduo de 80 anos de idade foi detido após ter sido surpreendido na posse de duas armas de fogo e munições, na sua residência, em Matuba, no distrito de Chókwè, província de Gaza

O porta-voz do SERNIC, Zaqueu Mucambe, explica que a neutralização deste cidadão foi em flagrante delito, tendo sido apreendidas duas armas, uma AK-47, em estado operacional, e oito munições, além de uma arma de fogo do tipo Makarov, cujas condições técnicas ainda estão por se apurar.

Segundo o porta-voz, o cidadão em causa foi detido por posse de armas proibidas.

O SERNIC suspeita que as armas apreendidas, contendo oito munições, estivessem a ser usadas em incursões de caça furtiva no Norte da província de Gaza, bem como em diversos crimes, em Chókwè e nos distritos circunvizinhos.

“Segundo apurámos, ele adquiriu as armas há 43 anos. Ou seja, em 1983, e acredita-se que estas armas podem ter sido usadas para assaltos à mão armada, que se têm registado em alguns distritos, sobretudo na prática da caça furtiva.”

O indiciado assume estar na posse destas armas há 43 anos, mas nega qualquer envolvimento no mundo do crime. 

“Apanharam as armas debaixo da cama. São minhas e apanhei-as no mato, no tempo de guerra. Cometi o erro de não as apresentar às autoridades, no ano de 1983, durante a fuga da guerra. Nunca usei estas armas”, refutou.

O Serviço Nacional de Investigação Criminal avançou que as armas serão submetidas à balística, para aferir a sua operacionalidade, na sequência das investigações que visam apurar se há envolvimento de outros indivíduos no caso.

“As armas serão submetidas à perícia, à balística, para aferir-se até que ponto as mesmas foram usadas ao então estado operacional”, concluiu Mucambe.

Com este caso, sobe para oito o número de armas recuperadas, incluindo 65 munições na província de Gaza, neste ano.

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