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O País – A verdade como notícia

Presidente da República lamenta morte de Justino Cardoso

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, manifestou profunda consternação pela morte do artista gráfico Justino António Cardoso, ocorrida na madrugada desta segunda-feira, em Nampula,

Presidente da República lamenta morte de Justino Cardoso

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, manifestou profunda consternação pela morte do artista gráfico Justino António Cardoso, ocorrida na madrugada desta segunda-feira, em Nampula,

A  falta de limpeza de valas de drenagem e a não remoção de lixo nos bairros periféricos da cidade de Nampula é um problema muito antigo. Os munícipes dizem estar agastados com a situação e exigem soluções urgentes por parte da edilidade local.

“As pessoas deitam lixo aqui a confiar na época chuvosa, muitas vezes. Nós, que vivemos perto daqui, sofremos. Nos tempos chuvosos, todo esse lixo, em vez de passar aqui dentro da vala, sai daqui e entra nos nossos quintais, entra nas nossas casas e nós acabamos por passar mal com o assunto dos mosquitos. Isso pode vir a provocar doenças como malária e cólera”, reclama um dos munícipes.

Como resposta, o presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, disse que vai iniciar, neste sábado, uma campanha massiva para a remoção de resíduos sólidos e limpeza das valas de drenagem.

“Essa limpeza e saneamento vai servir exactamente para a retirada de todo o lixo que tenha obstruído a circulação da água uma vez que ao chegar a época chuvosa poderemos ter melhor circulação da água dentro da nossa urbe. Vamos, também, com esta campanha, fazer uma prevenção, sensibilização a todos os munícipes para ver se conseguimos evitar a cólera na nossa cidade”, disse Luís Giquira.

O edil realçou ainda que faltam dois meses para começar a época chuvosa, por isso “nós estamos, a partir de já, a nos preparar para ver se conseguimos minimizar os danos que podem vir das chuvas deste ano”.

A iniciativa, denominada Orera Wamphula, conta com o reforço de meios circulantes que custaram cerca de dez milhões de meticais aos cofres da edilidade.

O edil de Nampula reconhece por outro lado que continua um grande desafio fazer a gestão do lixo nos mercados, sobretudo, no mercado grossista Waresta, o maior da Zona Norte do país.

“Nós estamos a apoiar no investimento, mais ou menos, na ordem de 10 milhões de meticais, para que sejam destes meios que hoje estamos aqui a fazer presentes aos munícipes para podermos iniciar a nossa campanha. Em princípio, até Março do próximo ano vamos estar no terreno, em todos os Postos Administrativos e vamos fazer a nossa campanha de saneamento. Eu quero dizer ainda que estamos a receber mais meios, e estamos à procura de fundos para adquirir mais três caminhões de recolha do lixo”, frisou.

As autoridades municipais reconhecem ainda que a exiguidade de fundos está por trás da deficiente recolha e tratamento de resíduos sólidos.

 

A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, admite a possibilidade de ajustar o calendário escolar como forma de mitigar os impactos da época chuvosa. A governante garante ainda a distribuição antecipada do livro escolar em todo o país.

A época chuvosa 2025–2026 pode chegar mais cedo, e, com ela, as cheias. O alerta é da Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos, que prevê chuvas acima do normal já a partir de Outubro, com risco de inundações em várias províncias. 

A situação está a preocupar o sector da Educação, que já admite ajustar o calendário escolar, especialmente durante o período de exames. “Nós todos sabemos que na época dos exames nos deparamos com a questão das chuvas. Então, nós esperamos que, finais de Outubro, Novembro, possamos ter uma época um bocadinho mais calma, que é para os nossos meninos poderem realizar os exames em paz e com maior segurança, mas, em todo o caso, nós vamos consultar, portanto, o serviço meteorológico”, começou por dizer.

Ademais, de acordo com Samaria Tovela, o controlo da época chuvosa é o mais importante para o seu ministério. “E vermos como é que estará a situação, principalmente na altura dos exames, que é para melhor nos organizarmos. Melhor nos organizarmos significa termos alternativas e vermos como nós organizamos alunos efectivamente para fazer o exame num sítio mais seguro, realçando que o mais importante é reorganizar o calendário lectivo.

Uma das soluções apontadas pela ministra da Educação é a necessidade de articulação com o Instituto Nacional de Meteorologia. Por isso, “nós temos de trabalhar com o serviço meteorológico, para vermos exactamente quais são as épocas mais críticas, que é para nós daí podermos planificar. Esse é que será o nosso exercício, para não sermos apanhados em contrapé, ou seja, que estejamos preparados. É basicamente isso. Temos que nos preparar”, salientou.

Sobre a distribuição do livro escolar, a ministra da Educação diz que o sector está a identificar armazéns distritais do Estado, para guardar os manuais mais próximos das escolas.

“Nós já estamos a receber os livros. O que estamos a fazer, agora, é identificar os locais, a nível dos distritos, todos os armazéns, que sejam do Estado, que sejam propriedade do Estado, para podermos ir colocando os livros lá, com a maior segurança, para estarem perto da escola”, disse.

Samaria Tovela sublinhou ainda a importância de garantir acesso à água potável nas escolas.

 

Dois agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM), em Inhambane, foram condenados a penas que chegam aos oito anos de prisão maior, acusados de liderar um esquema de venda de vagas para ingresso na Escola Prática de Matalana. O julgamento, seguido de perto pela opinião pública, expôs um dos mais graves escândalos de corrupção dentro das fileiras da polícia nos últimos anos e terminou com uma sentença exemplar, lida pelo juiz David Foloco, da segunda secção do Tribunal Judicial da Província de Inhambane.

Segundo a acusação do Ministério Público, os agentes, identificados como Mário Eduardo António e Euclídio Nogueira, usaram as suas posições para organizar e liderar um esquema ilegal entre 2021 e 2022, durante os processos de admissão aos cursos 41 e 42 da Escola Prática de Matalana. Para garantir entrada aos candidatos, exigiam pagamentos que variavam entre 50 mil e 120 mil meticais, valores exorbitantes para jovens que aspiravam fazer parte da polícia. No total, o grupo arrecadou mais de 800 mil meticais, dinheiro que circulava em contas móveis e bancárias dos próprios agentes.

A leitura da sentença foi marcada por rigor e firmeza. “Considerando a acusação procedente e provável, com base nos factos acima indicados, decido em nome do povo moçambicano e condeno o arguido Mário Eduardo António pelos crimes de abuso de cargo ou função, na pena de um ano de prisão e dez meses de multa, com taxa diária de dois cêntimos de meticais sobre o salário mínimo da função pública. Pelo crime de simulação de competência, aplico a pena de quatro anos de prisão e 18 meses de multa, e pelo crime de associação criminosa, três anos de prisão. Em cúmulo jurídico, o arguido é condenado a pena única de oito anos de prisão e 28 meses de multa, além da taxa diária já indicada”, declarou o juiz David Foloco perante o tribunal.

No caso de Euclídio Nogueira, o tribunal entendeu haver provas inequívocas do seu envolvimento no esquema e determinou uma condenação de sete anos de prisão maior, pelo crime de associação criminosa. “Da perda clássica, prevista nos termos do artigo 137 do Código Penal, o valor apreendido nas contas bancárias e móveis tituladas pelos arguidos é declarado perdido a favor do Estado moçambicano, para o qual deve ser depositado”, prosseguiu o magistrado.

A sentença não se limitou às penas de prisão. O tribunal foi além e aplicou medidas de perda alargada, previstas na legislação sobre recuperação de activos. Todos os bens e património incongruente dos arguidos foram declarados perdidos a favor do Estado, incluindo imóveis e automóveis registados em seu nome. “Ao abrigo do regime jurídico especial da perda alargada de bens e recuperação de activos, declara-se perdido o património incongruente dos arguidos, devendo ser registado a favor do Estado na Conservatória do Registo Predial e Automóvel”, destacou Foloco.

No capítulo das penas acessórias, o juiz determinou ainda que os réus ficam proibidos de exercer qualquer função pública durante um período de três anos, por terem “perdido a confiança com o Estado moçambicano”. Foi igualmente fixada a obrigação de indemnizar as vítimas em sede de execução de sentença, consoante os prejuízos sofridos por cada uma. Para além disso, cada um dos condenados terá de pagar 800 meticais de imposto de justiça.

O tribunal sublinhou a gravidade do esquema, lembrando que este tipo de prática não só mina a confiança dos cidadãos nas instituições policiais, como também abre portas para que indivíduos não qualificados ingressem nas fileiras da PRM, colocando em causa a segurança pública. Para muitos candidatos e famílias que recorreram a este expediente, o sonho de servir o país transformou-se em frustração e perda financeira.

A decisão, considerada exemplar, envia um recado claro: a justiça moçambicana está disposta a endurecer a mão contra esquemas de corrupção que corroem a função pública. “Trata-se de um crime que fere a confiança depositada pelo povo moçambicano na Polícia da República de Moçambique e que não pode ficar impune”, frisou o magistrado, acrescentando que a corrupção tem de ser combatida com firmeza para salvaguardar a integridade do Estado.

Em Inhambane, a condenação foi recebida como um marco na luta contra a corrupção. Para alguns analistas, o caso mostra que a impunidade dentro da corporação já não é tolerada e que o sistema judicial começa a dar sinais mais fortes de combate a este tipo de crimes. Contudo, a questão que se levanta é se este julgamento terá um efeito dissuasor suficiente para travar práticas semelhantes noutras províncias do país.

A Escola Prática de Matalana é a principal porta de entrada para jovens que desejam ingressar na PRM. O processo de admissão é altamente concorrido, envolvendo milhares de candidatos por cada curso. A revelação de que vagas eram vendidas clandestinamente, a preços que variavam entre 50 mil e 120 mil meticais, levantou sérias dúvidas sobre a transparência da instituição e gerou forte indignação na sociedade.

Para as famílias que perderam poupanças, muitas vezes resultantes de empréstimos e sacrifícios, a decisão judicial traz algum alento, ainda que não apague os danos sofridos. O tribunal determinou que os réus devem ressarcir os valores cobrados, embora esse processo dependa agora da fase de execução da sentença.

O caso dos agentes condenados em Inhambane pode vir a servir de precedente importante para outros processos semelhantes, reforçando a necessidade de maior vigilância e mecanismos de controlo interno na PRM. A questão que se coloca é: como garantir que esquemas deste tipo não voltem a acontecer e que a integridade da polícia não seja novamente manchada por práticas de corrupção?

Para já, o tribunal deixou claro que, em nome do povo moçambicano, este tipo de crimes não pode passar impune. A condenação de Mário Eduardo António e Euclídio Nogueira não é apenas uma vitória da justiça, mas também um aviso: a função pública não pode ser usada para enriquecer à custa da esperança e da confiança dos cidadãos.

A falta de fundos compromete a reconstrução  de quatro  de um total de sete intuições de estado destruídas e vandalizadas no auge dos protestos Pós-Eleitorais no distrito de Chibuto, província de Gaza. São necessários mais de 20 milhões de meticais. A Informação foi avançada pela administradora do distrito, Cacilda Banze.

Os protestos pós-eleitorais passaram e deixaram marcas de destruição, e o distrito de Chibuto foi o mais penalizado na província de Gaza, com mais de sete instituições do Estado destruídas.

Volvidos cerca de 10 meses, quatro delas continuam em estado crítico, e, por isso, encerradas. A informação foi avançada nesta quinta-feira, pela administradora do distrito, Cacilda Banze.

“Neste momento, estamos em abraços com a SDPI. Tanto a residência quanto a própria sede foram destruídas, queimadas totalmente, com todo o equipamento lá e muitos processos também (…) E temos a sede do posto administrativo também totalmente destruída (…) A casa da comandante também foi totalmente destruída, mas já estamos a recuperar”, revelou.

A administradora de Chibuto admite que o plano de reconstrução continua no papel, por falta de fundos. A governante disse, ainda, a jornalistas que a recuperação das infra-estruturas devastadas entre Outubro e Dezembro do ano passado está orçada em mais de 20 milhões de meticais.

“Reunimo-nos com os parceiros para ver se juntamos o esforço,  porque, como sabem, neste momento, estamos com muitas dificuldades em termos de Governo. Estamos a falar de infra-estruturas, porque depois vamos precisar também de equipamento. Precisamos de mais 20 milhões de meticais para recuperar o que foi destruído”, revelou.

Como saídas, o governo distrital assegura estar a bater a portas junto à classe empresarial e que, nos próximos dois meses, Chibuto será palco de vários eventos turístico-culturais, que visam, entre outros, reanimar a economia local.

“Sabemos que Chibuto foi um lugar popular das manifestações. Muitas infra-estruturas foram destruídas. É uma forma de ressuscitar a economia do nosso distrito. Contaremos acima de 30 mil pessoas que hão-de correr para o Bambeni. Temos de ter infra-estrutura para responder, para dar cobertura, e as pessoas vão fazer dinheiro. Aqueles que tiverem alguma coisa para vender, vamos ter lá feiras, vamos ter lá a parte desportiva, a parte cultural”, concluiu a administradora de Chibuto.

Além de instituições do Estado, no auge dos protestos pós-eleitorais, foram destruídos, em Chibuto, seis estabelecimentos comerciais e turísticos, três dos quais continuam de portas fechadas, por conta da insegurança.

Pelo menos 71 pessoas morreram com tuberculose no primeiro semestre deste ano, na província de Nampula, no Norte do país, um aumento homólogo de 5%, anunciaram as autoridades locais nesta quarta-feira.

“São 71 óbitos neste ano, no primeiro semestre. Se formos a fazer uma comparação com igual período do ano anterior, tivemos um ligeiro aumento de 5%, porque na mesma altura, no ano passado, registámos perto de 60 casos”, disse o chefe do departamento de saúde pública na Direcção Provincial de Saúde, Jaime Miguel, citado pelo Notícias ao Minuto.

Segundo o responsável, a província registou, em igual período do ano passado, 6935 casos de tuberculose, e as autoridades pedem às populações para redobrarem os esforços na prevenção.

Jaime Miguel avançou que os casos de tuberculose têm mais incidência nos distritos de Nampula, Mogovolas, Eráti e Liúpo.

Uma das causas para o aumento dos casos, de acordo com Miguel, é a fraca cobertura provincial no rastreio e tratamento de casos de tuberculose nas comunidades, sobretudo com a saída da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) que apoiava organizações locais no combate a doença.

“Temos algumas comunidades que não têm cobertura dos activistas, e, tendo em conta o nosso rácio de técnico de saúde, unidade sanitária e população, existem pessoas que percorrem quilómetros para chegar a uma unidade sanitária”, explicou Jaime Miguel.

Outrossim, segundo o chefe do departamento de saúde pública naquela província, “o facto de não conseguirmos fazer o seguimento dos casos nas comunidades contribui, porque os casos que chegam nas unidades sanitárias são casos graves”.

Recentemente foram divulgados dados sobre a doença em Moçambique, que indicavam para 48 mil casos de tuberculose no primeiro semestre deste ano, com as autoridades de saúde a apontarem para a falta de financiamento como uma das causas do aumento dos casos da doença no país.

“Moçambique continua a enfrentar uma elevada carga desta doença, muitas vezes associada ao HIV, afectando gravemente, principalmente, as populações mais vulneráveis”, disse em Julho passado o Secretário Permanente do Ministério da Saúde, Ivan Manhiça.

Recorde-se que o Governo norte-americano anunciou, no passado dia 01 de Julho, o encerramento definitivo da USAID, fundada em 1961, com o objectivo de prestar apoio humanitário internacional, com financiamentos significativos na área da saúde em Moçambique. 

Um dia antes do anúncio do encerramento da USAID, ou seja, a 30 de Junho, as autoridades sanitárias moçambicanas tinham recebido dois milhões de doses da vacina contra a tuberculose (BCG), suficientes para seis meses, após um período de ruptura, para administração em bebés até 23 meses.

De acordo com a Associação de Ajuda de Desenvolvimento de Povo para Povo (ADPP), uma organização não-governamental internacional, mais de 108 mil pessoas receberam tratamento contra tuberculose desde 2019 em 50 distritos das províncias de Zambézia, Sofala, Tete e em Nampula, no Norte e Centro de Moçambique.

Segundo a ADPP, entre 2019 e 2024, do total dos 108 242 casos notificados e tratados no país, 10 547 eram crianças.

A Administração marítima da Zambézia está a intensificar a fiscalização no mar para romper o uso de artes nocivas, que destroem o ecossistema do mar, e garantir a sustentabilidade dos recursos. Houve cenário de confusão entre fiscais e pescadores durante a fiscalização. 

Bela Mabazo, administradora marítima da Zambézia, diz que o uso das chicocotas, redes mosquiteiras e outras  devem estar fora da actividade pesqueira. 

Zambézia é uma das províncias com 444 quilômetros de Costa e a pesca e esta é uma das actividades mais praticada pela população. No entanto, os pescadores optam muitas vezes pelo uso de artes nocivas como Chicocota, redes mosquiteiras e outras. É isso que as autoridades marítimas querem colocar termo. 

Na fiscalização desta quinta-feira, na área do bairro Chuabo Dembe, os pescadores foram agressivos e por pouco não ocorreu o pior.

Os terroristas têm estado a mudar a sua prática em alguns distritos da província de Cabo Delgado e esforçam-se para conter o avanço operacional das Forças de Defesa e Segurança, alertou o Presidente da República, que vincou ser “inegociável” que “todo o cidadão que faz parte” do Exército alinhe no teatro operacional norte.

Falando nesta quinta-feira, na cidade da Matola, Província de Maputo, onde decorreu a cerimónia central alusiva aos 61 anos do desencadeamento da Luta Armada de Libertação Nacional e do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança iniciou o seu discurso de ocasião enaltecendo a coragem e bravura de todos os que lutaram contra o regime fascista português e garantiram a independência ao país.

Na ocasião, Daniel Chapo prestou um minuto de silêncio por aqueles que tombaram em nome de Moçambique.

Como de praxe, o evento começou com a deposição de uma coroa de flores na Praça dos Heróis. Diversas personalidades – antigos Chefes do Estado, representantes de órgãos de soberania, académicos e corpo diplomático – marcaram presença.

Há 61 anos que as Forças Armadas de Defesa de Moçambique servem ao país “com honra” e defendem a Nação com coragem e união, referiu Daniel Chapo, para depois avançar que espera que este exemplo seja “fonte de inspiração dos demais grupos socioprofissionais a embarcarem na luta pela independência económica de Moçambique”, cujos alicerces já foram implantados.

No primeiro semestre deste ano, disse o Presidente da República, recordando sobre a circulação da tocha da unidade nacional, o Governo fez um “périplo por todas as províncias”, tendo a população deixado uma mensagem clara, de forma repetitiva: paz e um país e livre do terrorismo, para poder desenvolver as suas actividades em segurança. Para responder a esse pedido, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique são chamadas a reinventar-se.

Daniel Chapo disse não haver dúvidas de que, actualmente, a segurança em Cabo Delgado melhorou comparativamente a três ou quatro anos passados, “pois há condições básicas para a circulação de pessoas e bens, com relativa segurança”.

No seu discurso, que antecedeu a demonstrações sobre a capacidade militar do país em diferentes ramos, o Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança disse que há uma “pressão operacional” contra os terroristas, apesar da alteração do seu modus operandi, tendo passando a realizar acções que incluem “implantação de dispositivos explosivos improvisados em algumas rodovias, para a contenção do avanço operacional das nossas forças”.

As artimanhas dos terroristas vão desde a “tentativa de condicionamento de circulação de viaturas em algumas rodovias, sob ameaça de ataques e saques”, passam pela “realização de incursões para o saque de produtos alimentares da população, para o reforço da sua logística” e desembocam em “sequestro de cidadãos, maioritariamente pescadores, confiscação dos seus bens e cobrança de valores monetários para a sua soltura”.

Para refrear estas acções, as Forças Armadas de Defesa de Moçambique deverão reforçar a sua capacidade operacional, “com vista a persuadir, dissuadir e deter qualquer tipo de ameaça em Cabo Delgado”, afirmou Chapo, que orientou para que se encontrem estratégias de eliminação do terrorismo.

“Reconhecemos a complexidade desta missão, mas também sabemos que, ao longo destes anos, adquiriram experiência, criaram estruturas e formaram muitos quadros nas academias, capazes de enfrentar esses desafios com mestria. Portanto, recomendamos a enviar os melhores quadros para o terreno. O terrorismo não se vence deixando os melhores militares, os melhores quadros, os familiares ou os filhos dos chefes nos gabinetes. Todo o cidadão que faz parte das Forças de Defesa e Segurança deve ir ao teatro operacional norte. Isto é inegociável”.

Chapo reiterou que, no combate ao terrorismo, “quem deve tomar a dianteira somos nós, moçambicanos, e não os nossos irmãos de países amigos que nos vêm ajudar”.

“A vigilância e denúncia para autoridades competentes, de um movimento estranho que presenciamos no nosso bairro ou local de trabalho sobre qualquer tipo de ilegalidade já é bastante, no contexto geral de estabilidade do nosso país”, exortou.

O antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, exortou que os jovens, que fazem parte das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM), sejam um exemplo de unidade nacional. O antigo governante falava nesta quinta-feira à margem da cerimónia de celebração do Dia das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. 

Joaquim Chissano  começou por enaltecer o trabalho das Forças Armadas para a preservação da soberania do país. “Quero saudar ao povo moçambicano, por, durante estes 61 anos, ter conservado a unidade nacional do nosso país, sempre trabalhando com as nossas Forças Armadas de Moçambique, tal como foi o trabalho com as Forças Populares de Libertação de Moçambique”. 

Chissano exortou que os jovens mantivessem a unidade nacional, que “sempre caracterizou a unidade do povo com as Forças Armadas”, e saudou as forças que têm combatido o terrorismo em Cabo Delgado. 

A Presidente da Assembleia da República também prestou homenagem às FADM, e destacou que o desafio para os jovens da geração actual é a luta pela libertação económica. “Os jovens de 25 de Setembro conquistaram a independência nacional e os jovens hoje têm a missão e o desafio de desencadear esta luta [ pela independência económica] sob a liderança do Presidente Daniel Chapo”.  

O Ministro do Interior, Paulo Chachine, encoraja o envolvimento de todos os moçambicanos na luta pela defesa da soberania e  pelo desenvolvimento económico do país. Chachine falava, esta quinta-feira, à margem da cerimónia de celebração dos 61 das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. 

“A mensagem é de encorajamento para todos, para continuarmos firmes nas defesa pela nossa soberania, na luta pelo desenvolvimento económico do país (…) Para isso, temos que estar todos envolvidos: jovens, mais velhos,  porque a meta é única, levar o país a um desenvolvimento económico”, destacou. 

O Ministro de Transporte e Logística, João Matlombe, por sua vez, deixou uma mensagem de encorajamento para os jovens que estão  no teatro operacional norte.  “O trabalho que fazem pela defesa da soberania  é importante. É importante, é  valorizado. Sabemos as condições em que trabalham, e reconhecemos isso. Isso é fundamental para aumentar o encorajamento e o apoio pelo trabalho que estão a realizar”, explicou.

Já o Ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas, Roberto Albino, sublinha que as forças de defesa e segurança são uma fonte de inspiração para os jovens, independentemente da sua área de trabalho. 

“Primeiro na defesa e soberania, os jovens estão a inscrever-se massivamente para os serviços militares, o que é muito bom, e agora tem de também se inscrever na luta pela nossa independência económica”, exortou o ministro. 

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