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O País – A verdade como notícia

Chegou ao fim o sofrimento da população que sai de Mulombela, na Cidade de Maputo, para Khongolote, na Matola, e vice-versa. É que depois de anos de martírio, foi inaugurada, nesta segunda-feira, a estrada que  liga os dois bairros. 

A estrada entregue pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, foi construída no âmbito do Projecto Move e custou cerca de 278 milhões de meticais, financiadas pelo Banco Mundial. 

Segundo o governante, a estrada é uma resposta às dificuldades que a população tinha para chegar aos diversos pontos das duas cidades, e vai facilitar a circulação de bens e pessoas. 

“Esta estrada inclui três camadas de estrutura. Estamos a falar da drenagem das águas pluviais, aquedutos, sinalização, lombas, passeios, iluminação pública e uma baía segura para a circulação de peões ”, disse o governante. 

Com a estrada, o ministro falou da necessidade de introdução de transporte público naquela via, para facilitar a deslocação da população. 

Matlombe garante que a estrada inaugurada tem qualidade desejada, o que significa que terá um tempo longo de vida e menos custos para manutenção, entretanto, apelou a conservação por parte da população. 

Esta estrada visa preparar a entrada do prometido sistema de transporte denominado BRT (Bus Rapid Transit) e, além desta, outras vias serão brevemente inauguradas, é o caso da estrada Matlemele-Matibwana, no município da Matola, conforme avançou o ministro. 

Na cerimónia de inauguração, Matlombe revelou que o Governo vai parar de apoiar as empresas de transporte municipal, enquanto estas não melhorarem a sua gestão. 

“Temos que ter uma disciplina muito forte em relação à nossa gestão, não podemos ter autocarros que passado um tempo não os conseguimos manter a circular. Não podemos ter uma estrutura de custo mais elevada  do que a própria operação da actividade”, pontuou. 

Segundo Matlombe esta falta de organização é que tem feito com que as tarifas sejam caras.

Mais de 700 trabalhadores da Dingsheng Minerals, em Chibuto, província de Gaza, paralisaram as actividades, nesta segunda-feira, como forma de contestar a falta de contratos, a injustiça salarial e o que consideram péssimas condições laborais.

A Dingsheng Minerals é uma firma de capitais chineses, que explora as areias pesadas de Chibuto, na província de Gaza. Nesta segunda-feira, os trabalhadores da mineradora decidiram  paralisar por completo as actividades,  como forma de exigir, entre outros, a justiça salarial.

“A empresa não se movimenta para reajustar o salário. O nosso sindicato já esteve com a direcção para procurar saber o que estava a acontecer ao ponto de não reajustar o valor. No entanto, a empresa apenas respondeu que não podia acrescer os 7%, porque alega que o valor que paga aos trabalhadores está acima daquilo que os ministros decretaram”,  disse um dos grevistas

Os trabalhadores em greve queixam-se ainda de um péssimo ambiente laboral e da negligência em relação à segurança. “Não temos material de EPI também, nem luvas”, reclamou um dos grevistas. 

O grupo avisa que só volta ao trabalho com reposição dos seus direitos e exige intervenção do Governo provincial no assunto.

Sobre a paralisação de actividades e as reclamações dos fiscais, a Inspecção Provincial de Trabalho garantiu que vai prestar declarações após se inteirar do assunto.

O ministro da Economia diz que a determinação de Vilankulo como capital do turismo é um dos caminhos para a transformação de Moçambique num destino turístico obrigatório. Basílio Muhate falava nesta segunda-feira, naquela cidade turística em Inhambane, durante a abertura da Conferência Internacional do Turismo.

Vilankulo reúne, entre esta segunda e terça-feira, turistas, empresários e investidores na feira internacional de Turismo, por sinal a primeira do género. 

O ministro da Economia visitou cada um dos expositores montados para conhecer de perto o que cada uma das empresas expõe ao mundo, através de Moçambique, a partir do distrito turístico que Vilankulo é. 

No local, o governante interagiu com empresários da área de Educação, Hotelaria, Restauração e demais participantes, que manifestaram a sua intenção de firmar parcerias estratégicas a fim de desenvolver seus negócios. 

Em representação ao Chefe do Estado, Basílio Muhate orientou a abertura do evento e convidou os empresários a investirem em Moçambique, com garantias de que o Executivo vai desenvolver acções que poderão transformar o cenário nacional. 

“As condições necessárias estão a ser criadas pelo Governo, através do envolvimento de investidores e parceiros, como o Banco Mundial, que tem financiado iniciativas destinadas a reforçar a competitividade da província, incluindo o desenvolvimento de infra-estruturas (…) na praia de Tofo”.

Segundo o governante, em breve iniciará a reabilitação e protecção da marginal de Vilankulo contra a erosão costeira. Apelou à reflexão durante os dois dias da conferência, sobre o compromisso “urgente de fazer acontecer o turismo por ser o recurso renovável que pode contribuir para uma efectiva diversificação e internacionalização económicas”.

BASILIO MUHATE QUER AINDA A EXPLORAÇÃO DO FIKANI PARA DIVULGAÇÃO DE MOÇAMBIQUE

“Somos o único país, senão dos poucos, em que dispomos na mesma linha territorial os big five da selva e os big five do mar, e acresce a isto, o nosso factor 6: a empatia, a cortesia e a hospitalidade. Durante a exposição FIKANI que apreciamos e que eleva o valor corporativo desta conferência, pelo facto de termos nela operadores turísticos nacionais, da África do Sul e Eswatini e todas províncias, pudemos constatar a opulência competitiva das oportunidades existentes nos cinco principais destinos turísticos, que dispomos no sul, centro e norte do país, designadamente: Quirimbas, Niassa, Gorongosa, Vilankulo e Maputo, pelo ADN incomparável que oferecem a nível do mosaico da Selva, Praia, Cultura, Jogos de Fortuna e Negócios”, disse o ministro.

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), representada pelo vice-Presidente, refere que o turismo é o terceiro sector que mais investimentos atrai para o país, daí o desafio da aposta na digitalização.

“De 2018 a 2022, o sector atraiu mais de 1,1 mil milhões de dólares. Para que o turismo cresça de forma sustentável, precisamos de mecanismos de financiamento específicos,  que apoiem as pequenas e médias empresas, projectos comunitários e empreendimentos ecológicos”, disse Honório Boana, durante a sua intervenção, na cerimónia de abertura da conferência.

Já a Federação Moçambicana de Turismo (FEMOTUR) invoca o papel do Estado na criação de condições para o investimento, listando as prioridades. “Reforçar as infraestruturas de acesso e conectividade, especialmente o transporte aéreo e terrestre; melhorar os serviços básicos e logísticos nas zonas turísticas; estimular a formação profissional e a capacitação da mão-de-obra local; promover ambientes regulatórios previsíveis, transparentes e estáveis, que garantam segurança jurídica e confiança aos nossos investidores; valorizar o património cultural e natural, integrando-o de forma sustentável na cadeia de valor turístico”, enumerou Vasco Manhiça, presidente do órgão. 

PAÍS PRECISA DE UMA MARCA FORTE E INTERNACIONAL 

Operadores turísticos dizem que o Governo deve investir mais em infraestruturas de logística e transporte, bem como na facilitação do acesso aos locais turísticos, pois não é suficiente que o país tenha potencial, mas é preciso que a informação seja divulgada a nível internacional. 

O facto foi defendido durante o primeiro painel, que debateu os investimentos e parcerias estratégicas. 

Os participantes destacaram a necessidade de o país transmitir uma imagem forte a nível internacional, para facilmente atrair investimentos. 

Paul Milton, CEO da Impact Preservations Partners, defendeu: “uma vez que o posicionamento da marca já foi criado, o plano de marketing e a estratégia já foram criados, então, nós saímos e fizemos uma segmentação de audiência” para perceber “qual é o tipo de investidores que vocês querem e aonde? E quando vocês querem esses investidores? E, então, nós criamos campanhas para abordar essas pessoas específicas, uma propaganda que atinge individualmente as pessoas”. .

Condição das vias, terrestres ou áreas, relação entre países, ou seja, a conectividade é apontada como essencial para atrair mais turistas e melhorar o desempenho dos países. Os custos dos produtos turísticos são também um desafio. 

“A questão é que ninguém está vindo para Moçambique, porque podem ir para Zanzibar e eles podem ir para as Maurícias, a um custo de quatro mil rands. Você recebe agora um código de R$13.500 para voar 15 horas de Ohotemba para Inhambane com a LAM.  Isso é desesperado. Os proprietários de resorts, como eu, e todos em Inhambane, estão sofrendo por causa da linha final, principalmente a LAM. Não pratica os preços certos. Minha sugestão é que Vilankulo seja o Meca para o turismo.  Faça isso um hub, não Maputo.

Ninguém quer ir para Maputo, segundo os turistas. “Não é um bom lugar para ir e as pessoas dizem-nos que, quando houver um voo directo para Inhambane, nós iremos, sem problemas”, contou um operador turístico que há 20 anos investe em Moçambique.

Os painelistas defenderam o envolvimento de todos os segmentos da sociedade na divulgação da marca Moçambique, desde a fronteira ou aeroporto até a instância turística. 

Trata-se de 11 cidadãos de nacionalidade paquistanesa e sete bengalis, que foram interpelados no último Domingo, no posto administrativo de Kambulatsitsi, no distrito de Moatize. As autoridades migratórias em Tete dizem que os imigrantes  estão retidos por não possuírem  vistos de entrada e não usaram os postos oficiais para fazer o movimento migratório.

A PRM explicou os contornos da retenção  dos imigrantes, e disse que em conexão com o caso estão detidos três Cidadãos moçambicanos indiciados de facilitação de imigração ilegal.

Os três indiciados detidos pela Polícia da República de Moçambique, entre eles  um intermediário, um alojador e um guarda, todos confessos, disseram ao “O País” que se têm  envolvido no esquema em troca de valores monetários.

Só neste ano, a PRM  efectuou a apreensão de treze viaturas, quatro motorizadas e deteve cerca de 21 facilitadores da imigracão ilegal.

A província de Tete  possui uma extensão de linha de fronteira de 1,450 km maior parte da qual aberta.

Continua lento a aderência ao processo das matrículas da primeira classe, na cidade e província de Maputo. Algumas escolas não ainda não preencheram sequer 20 por cento das metas e os gestores escolares temem não alcançar as metas até 31 de Dezembro.  

As matrículas da primeira classe decorrem há um mês, mas o que se verifica em algumas escolas, da cidade de Maputo,é a fraca afluência de pais e encarregados de educação.

Algumas escolas chegam a passar dias sem inscrever nenhum aluno para o ano lectivo 2026 e em resultado, encontram-se longe de alcançar as metas. 

Na Escola Primária A Luta Continua,  por exemplo, apenas 23 alunos dos 100 previstos haviam sido matriculados até as primeiras horas desta segunda-feira. 

“Não é um balanço positivo porque ainda estamos aquém do desejado, continuamos expectantes para que os pais possam vir e matricular os seus educandos porque ainda continuamos com muitas vagas”, explicou Valdimar Mbenhane, director da Escola Primária A Luta Continua. 

A mesma situação verifica-se em algumas escolas da província de Maputo. 

“A meta que temos é de matricular 400 alunos da primeira classe, mas até agora só conseguimos 52 crianças”, explicou Ezequiel Marcolino, director adjunto da Escola Primária Matola Sede, que revelou que as enchentes têm se registado quando faltam poucos dias para o fim das matrículas. 

Na província de Maputo a expectativa é de matricular mais de 50 mil alunos, entretanto “até a última sexta-feira tínhamos conseguido matricular 10.566 novos ingressos da primeira classe, correspondente a 22 por cento da realização da nossa meta. Contudo, estamos a fazer um trabalho que visa necessariamente trabalhar com as comunidades para que os pais e encarregados de educação adiram ao processo das matrículas para o ano lectivo 2026 ”, explicou Sérgio Matsinhe, representante da direcção da Educação da província de Maputo. 

Os gestores escolares explicam que, em parte, a fraca afluência deve-se à expansão das famílias aos novos bairros, mas também, mas também ao hábito de deixar tudo para última hora. 

“Muitos pais mudaram-se para os arredores da cidade de Maputo e com isso levam os seus filhos e netos para estudarem lá, outro fenômeno é que os encarregados de educação deixam tudo para a última hora, esperamos ter mais alunos”.

Os gestores escolares apelam para que se adira ao processo, de modo a evitar enchentes. 

As matrículas da primeira classe terminam a 31 de Dezembro e o processo é gratuito.  

Uma mulher foi detida na Beira, acusada de roubar uma recém-nascida de apenas duas semanas de vida. A acusada teria enganado a mãe do bebé com promessas de emprego, tendo depois roubado o seu bebé e apresentado ao marido como se fosse fruto da relação entre os dois. 

Um caso aconteceu na terça-feira da semana passada, quando uma senhora de 30 anos de idade, aproximou-se de uma adolescente de 16 anos, que já era mãe. A indiciada estava grávida de sete meses e, algumas horas antes de cometer o crime, perdeu o seu bebé. 

“Quando saí para casa, encontrei com uma mãe no portão, com o bebé dela pequeno. Então, saímos juntas e ela decidiu ir ao mercado para comprar algo. Quando chegamos lá [ao mercado] ela se distraiu um bocadinho e ela estava muito pesada. Como estava muito pesada, deu-me o bebé para segurar, quando se distraiu um pouquinho, e eu peguei o bebé naquele desespero e fui para casa”, relatou a acusada.  

A indiciada  alegou que pretendia apresentar o bebé roubado ao marido como se o mesmo fosse fruto da relação entre os dois. “Porque eu acabava de perder meu filho. Estava naquele desespero de como vou explicar para o meu marido”, declarou. 

Além da acusada, a Polícia deteve também o pai do bebé roubado. “Podemos perceber que o pai cometeu o crime de união prematura, visto que a mãe da referida bebé ser uma menor de 16 anos de idade, facto que levou com que o pai fosse igualmente detido”, explicou Honório Chimbo, porta-voz da PRM na Beira.

O crime foi esclarecido graças a denúncias populares. A bebé já foi devolvida à sua mãe e as duas estão a ter acompanhamento hospitalar.  

Membros da sociedade civil em Gaza defendem a mudança na Constituição da República para reduzir os poderes presidenciais. O grupo considera urgente a despartidarização do estado, incluindo revisão estruturante da lei eleitoral, bem como a redução da carga tributária nos produtos de primeira necessidade. As informações foram avançadas, em Xai-Xai, durante um encontro no quadro do reforço do Diálogo Nacional Inclusivo.

As organizações da sociedade civil na província de Gaza defendem a revisão da Constituição da República para a redução dos poderes do Presidente da República, bem como a revisão da lei eleitoral para a prevenção e gestão de conflitos pós-eleitorais no país.

Os mesmos, que falavam durante a auscultação no âmbito do Dialogo Nacional Inclusivo, na cidade de Xai-Xai, província de Gaza, consideram que há muito trabalho que deve ser feito para que situações de crise pós-eleitoral sejam ultrapassadas.

Filipe Mahanjane, do FONGA, por exemplo, questiona a possibilidade da introdução da votação electrónica, como forma de se evitar fraudes eleitorais. “Ficamos quase três meses a quatro meses para a Comissão Nacional de Eleições divulgar os resultados oficialmente e o Conselho Constitucional validar. Será que é isso que nós queremos? Ou precisamos de que a Comissão Nacional seja reestruturada?”, sugere e questiona.

Por seu turno, Mário, também da sociedade civil, diz que o principal motivo da realização desta auscultações são as manifestações pós-eleitorais “decorrentes dos ilícitos eleitorais”, e por isso assume que “a consequência jurídica da fraude é a anulação dos resultados eleitorais”. 

Para este, “nós estamos a dialogar nada”, fazendo parelha ao facto de que não havendo mudanças, tudo continuará como está. 

Já Lutero Miguel, outro membro da sociedade civil em Gaza, pede que os poderes do Presidente da República sejam reduzidos, para que não influenciar nas decisões de outros poderes no país.

“O presidente da República não podia ser ele a nomear o Procurador-Geral, os órgãos de segurança e defesa do Estado, as associações dos juízes, entre outros órgãos. No Poder Legislativo também não podia interferir. Tinha que haver separação”, propõe. 

A despartidarização do Estado, combate à corrupção, revisão de IVA nos produtos básicos de consumo, entre outras propostas para o resgate da harmonia social, foram apresentadas pelos membros da sociedade civil reunidos na capital provincial de Gaza. 

Abner, por exemplo, diz que há necessidade de se “desmamentar” o Governo, porque “o que acontece é que em todos os sectores do Governo, o partido está lá dentro. Então como é que as pessoas vão trabalhar? Não tem como”, afirma.

Lutero Miguel vai mais longe ao questionar a proveniência de uma candidato a Presidente da República. “O Presidente da República pertence ao Partido ou não? E o Presidente da República é que nomeia o Comandante-Geral da República. O Comandante-Geral e os seus subalternos devem obediência ao Comandante-Chefe. Então como é que essa polícia vai ser apartidária?”, questiona.

Mário Silva sugere a abolição do Imposto sobre o Valor Acrescentado, IVA, nos produtos de primeira necessidade, argumentando que “de certa forma torna os produtos mais encarecidos”. 

Os defeitos do Legislativo, a qualidade do ensino, incluindo a falta de transparência no sector extrativo, não passaram despercebidos nas propostas da sociedade civil.

“Há muitas instituições de ensino superior politécnico, que formam enfermeiros, formam técnicos de medicina, formam muitos quadros. Mas depois da formação não tem enquadramento no mercado de emprego. Esses institutos são de quem?”, questiona Mário.

A sociedade civil sugere ainda a revisão dos contratos de exploração dos recursos naturais, para garantir que 50% dos benefícios possam reverter a favor das comunidades.

“Nós enriquecemos mais o estrangeiro, porque o estrangeiro vem aqui a Moçambique, vem levar a nossa matéria-prima num valor muito baixo e vai transformar a matéria-prima lá no seu país e consequentemente vem nos vender a um preço muito elevado”, denuncia Artur, membro da sociedade Civil.

Participaram na sessão, no quadro da auscultação para o Diálogo Nacional Inclusivo, várias associações da sociedade civil, baseadas em Gaza. 

Mais de mil famílias afectadas pelo projecto de exploração de areias pesadas de Chibuto, na província de Gaza, exigem o pagamento das suas compensações. O grupo acusa a Dingsheng Minerals, empresa de capitais, e o Governo de Moçambique de ignorar as suas reclamações desde 2016. O Gabinete de Reassentamento assume uma dívida de 188 milhões de meticais, mas o Governo, através dos serviços provinciais do ambiente, diz que a maioria das pessoas já recebeu as compensações e que o valor global pago até aqui é de 68 milhões de meticais.

Em 2016 abriu-se um projeto de milhões de dólares em Chibuto, que criava promessas de progresso, de um novo começo. Era o projecto das areias pesadas que fora inaugurado pelo então Presidente da República, Filipe Nyusi, juntamente com o Embaixador da China em Moçambique, que prometeram transformar a vida das populações locais.

Na altura em que foi lançado o projecto, em 2018, o então Chefe do Estado falava de um projecto que iria prover água potável às populações. “É um grande empreendimento do gênero, um sinal maior, que vai prover água, não só às comunidades reassentadas, mas a muitos mais”, disse na altura Filipe Nyusi.

Por seu turno, o Embaixador da China, Su Jian disse que além do próprio investimento naquelas linhas de produção havia plano de construir algumas infraestruturas para as populações. 

Debalde. Hoje são milhares de famílias afundadas, casas desmontadas, terras e sonhos empurrados por areias pesadas. As populações clamam agora pelas promessas feitas na altura.

“Se a empresa ver que não consegue me pagar, é só devolver os meus terrenos”, diz, frustrado Moisés Macuacua, afectado pelo projecto.

Um reassentamento onde o futuro prometido nunca chegou. Um processo que vinha coroado de promessas, de desenvolvimento, mas o que resta é o eco de uma esperança partida. 

“Disseram que esta empresa trazia progresso em Mdumeia e cidade, mas não vejo mudanças”, lamenta uma das afectadas pelo projecto, secundada por Alda Machava, que afirma que houve desvio de aplicação.

“Os nossos dirigentes é que desviaram, exijo o meu dinheiro pela perda de cajueiros”, reclama Alda Machava.

O projecto de exploração de areias pesadas de Chibuto, avaliado em mais de 400 milhões de dólares, é assombrado por revoltas. A população local contesta a demora no pagamento das suas compensações.

“Mas tudo a empresa destruiu, mas até a data de hoje a empresa não está a responder nada. Nem dinheiro, nem emprego, nem nada. Não está a responder nada”, lamenta Felizardo Matsombe.

Para este, que é Oficial de Programas Conselho Cristão de Moçambique CCM, as populações de Chibuto afectados choram pelas perdas que tiveram.

“Até a data de hoje, desde 2016, até a data de hoje, nós estamos a chorar. Um milhão de meticais, até passa um milhão, porque levou-me os terrenos. Os meus terrenos são sete”, lamenta Felizardo Matsombe.

São histórias e rostos de quem procura por respostas, entre silêncios que duram há quase uma década. E as perguntas permanecem sem respostas: Afinal, as comunidades directamente afectadas foram ou não devidamente pagas? Onde, quando e como tudo começou?

Felizardo Matsombe diz que a empresa pagava 19 mil meticais por planta, mas baixou-se para 3 mil meticais. “E no meio de uma discussão com os beneficiários, o valor subiu para 12 mil, que é este valor que ainda não se completou com o pagamento das compensações”, explica.

Chibuto é palco, desde 2018, de movimentos de contestação, movidos pelas famílias reassentadas, que acusam o governo e a mineradora de ignorar os seus direitos, a começar pelas compensações. 

Moisés Macuacua fala de mais de 30 cajueiros que tinha e que foram perdidos por falta de compensação de quem de direito. “Deram-me uma parte do valor, mas o remanescente está com o governo”, afirma.

Por seu turno, Mário Junior, também afectado e reassentado, diz que a demora é que cria situações de reclamações por parte das populações. “De 2016 para hoje já deviam ter fechado este processo, até porque houve da nossa parte paciência. Mesmo eles não teriam paciência igual neste período, portanto, isso revela  falta de seriedade do governo”, frisa Mário Júnior.

Vítor Novella, de 56 anos de idade, nasceu e vive em Mdumeia, mas para dar lugar ao projecto de capitais chineses, deixou tudo para trás há 9 anos. Hoje chora pela perda que teve.

“Noutro ponto perdi seis cajueiros, mas não fui pago”, lamenta.

O grupo queixa-se da vandalização de campas onde jaziam os restos mortais dos seus. Enquanto outras continuam na área mineira e qualquer tentativa de procurar esclarecimento é reprimida, tal como revela Elisa Sambo.

“Destruíram tudo, mas num total de 23 campas só pagaram 11 mil meticais”, lamenta e reclama Elisa Sambo.

Empresa chinesa mantém-se no silêncio

Na última terça-feira, 28 de Outubro, a empresa chinesa optou uma vez mais pelo silêncio perante o eco das populações que exigem há nove anos o justo pagamento dos seus valores.

Não foram os responsáveis da empresa que falaram, e no seu lugar foram outras autoridades provinciais que deram as caras. 

No caso foi o Director dos Serviços Provinciais do Ambiente, Jacinto Tualufo, que fala de um valor de cerca de 68 milhões de meticais pagos às famílias afectadas.

“Em relação a este grupo, este segundo grupo, o valor estimado nas compensações corresponde a 68 milhões do que foi pago. A maior parte das pessoas receberam, o que acontece é que as famílias entendem que foi pago 6 mil meticais por planta”, explica Jacinto Tualufo.

Mas o coordenador do Gabinete de Apoio ao Reassentamento de Exploração das áreas pesadas de Chibuto, actual vereador de Planificação e Urbanização do município do mesmo nome, apresenta outros números. 

“Os valores pagos, temos acima de 219 milhões que foram pagos na primeira fase e houve uma reivindicação. A empresa voltou a pagar um valor acrescido de 3 mil meticais pela perda do cajueiro. Já estamos acima dos 190 milhões de meticais que foram pagos. Nessas condições temos cerca de 188 milhões por pagar”, disse Jacinto Macondzo. 

Enquanto as populações locais contestam a demora no pagamento das suas compensações, dentro da mesma empresa chinesa, o eco de mais de 700 trabalhadores faz-se ouvir há anos. 

Luís é um dos trabalhador da Dingsheng Minerals, em Chibuto, que explica que os chineses não olham para o lado humano dos moçambicanos.

“É verdade, morrem pessoas aqui. Um moçambicano, um colega nosso, foi enterrado no subterrâneo. Ele foi encontrado, mas no terceiro dia depois da sua morte”, conta.

O delegado da Inspecção Provincial do Trabalho, Sérgio Chirindza, avançou que o chinês esteve a violar a legislação. “Houve situações de falta de segurança para os colaboradores. Acima de 50 trabalhadores que não constavam da folha da empresa”, denunciou Sérgio Chirindza.

Várias advertências e recorrentes violações por parte da Dingsheng Minerals abriram espaço para medidas mais gravosas, incluindo a suspensão de actividades e multas, segundo explicou Sérgio Chirindza.

“Ascendeu a um milhão de meticais a multa aplicada. E continuaram. Foi um período de cerca de três semanas, um mês que essas irregularidades aconteceram, mas isso podemos confirmar”, frisou o Delegado da Inspecção de Trabalho. 

As cinco comunidades afectadas e reassentadas pela mesma empresa continuam com as vidas mergulhadas num mar de incertezas. Isto porque desde 2016 aguardam pelo justo pagamento das suas indemnizações.

O Hospital Provincial de Tete tem estado a receber, nos últimos dias, mais pacientes com hipertensão arterial e diabetes, devido a elevadas temperaturas que se fazem sentir na província.

Nos últimos dias, os termómetros registam temperaturas acima de 40 graus celsius na cidade de Tete. A situação está a criar problemas de vária ordem na saúde de alguns munícipes, sobretudo para quem se faz à rua sem protecção para enfrentar o sol escaldante.

As autoridades de saúde na capital provincial de Tete alertam para o aumento de casos de doenças crónicas, como a hipertensão e a diabetes.

Teresa Salcuchepa foi diagnosticada com hipertensão arterial há onze anos e conta que estar nessa condição em Tete é um desafio, sobretudo no período de calor intenso.

Tal como Teresa Salcuchepa, Feliciana António também enfrenta dificuldades para lidar com a doença na época quente. O “O País” disse que já passou mal de saúde, por conta das altas temperaturas, enquanto caminhava.

As autoridades sanitárias recomendam a hidratação constante com água, sobretudo, para auxiliar a regulação da temperatura do corpo, e redução de actividades em locais de maior exposição nas horas de calor intenso.

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