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O País – A verdade como notícia

As autoridades de saúde  anunciaram, esta quinta-feira, o surgimento do surto de cólera na cidade de Tete, com registo de um óbito, ocorrido na passada  terça-feira no bairro Mpadue. A origem da doença está associada ao consumo de água imprópria. 

De acordo com a responsável de saúde pública em Tete, Maria Sobral, aproximadamente 150 pessoas deram entrada no Centro de Saúde  de Mpadue, nas últimas 48 horas, com sintomas de diarreias  e vómitos. No entanto, refere também que  a doença levou 23 pessoas ao internamento, destes 20 já tiveram alta hospitalar e três continuam hospitalizadas.

Actualmente, a província tem registo de 150 casos cumulativos da doença. Os bairros Mpadue e Matundo são tidos como epicentros, o que exige das autoridades sanitárias, medidas de mitigação urgentes.

O anúncio do desembolso de mais de 207 milhões de meticais pelo governo de Inhambane, destinado ao pagamento de horas extras em atraso a mais de 5.100 professores referentes aos anos de 2022 e 2023, trouxe alívio momentâneo, mas rapidamente deu lugar ao descontentamento. Longe de verem a medida como solução definitiva, os docentes afirmam não concordar com a base usada para o cálculo da remuneração, que consideram injusta e desajustada ao esforço efetivamente prestado.

Para muitos professores, a matemática aplicada pelo governo deixa mais dúvidas do que certezas. “Temos informações que apontam para um total de 80 mil meticais em dívida. No entanto, apenas 20 mil foram validados. Onde foram parar os 60 mil restantes?”, questionou um dos docentes durante o encontro com colegas. A explicação apresentada pelas autoridades, de que feriados e fins de semana foram retirados do cálculo, é vista como uma justificação “não plausível” e que fere os princípios básicos da contagem de horas extraordinárias.

“Quando se faz cálculo de horas extras, não se descontam feriados ou finais de semana. O que conta são as horas efetivamente trabalhadas. Por isso, não aceitamos este modelo como justo”, insistiu outro professor, visivelmente frustrado.

Apesar do descontentamento, os professores afirmam esperar que o valor remanescente seja pago com a maior brevidade possível, sob pena de se agravar o clima de desmotivação já instalado no setor. “O salário de um funcionário é sagrado, é muito sagrado. Estamos a pairar sem informação clara sobre o pagamento da segunda tranche. Gostaríamos que fosse antes do dia 12, porque quando há demora no pagamento, isso desmotiva o professor e compromete a qualidade do ensino”, afirmou um docente, sublinhando que a liquidação faseada da dívida poderia, ao menos, “melhorar um ou outro assunto na educação”.

O mal-estar em torno da questão levou os professores a reunirem-se à porta fechada com deputados da Assembleia da República, que se deslocaram a Inhambane. No encontro, os parlamentares comprometeram-se a intensificar a pressão junto do governo para assegurar o pagamento integral do montante em dívida, reconhecendo a legitimidade das queixas apresentadas pelos professores.

“É do nosso conhecimento que o ano de 2022 já foi pago. Contudo, ainda faltam meses referentes a 2023 e, claro, o ano de 2024, que deverá ser incluído nesta lógica de compensação. Estamos confiantes de que o governo tem o domínio da situação e esperamos que responda positivamente às nossas expectativas”, afirmou um dos representantes dos docentes.

Para além da questão das horas extras, os professores levantaram também outras reivindicações, com destaque para a retoma imediata dos atos administrativos, que continuam suspensos devido às dificuldades financeiras. Para os docentes, essa paralisação tem impacto direto na progressão de carreira e na motivação profissional.

“Não se trata apenas de dinheiro, mas também de dignidade e reconhecimento. Os atos administrativos são fundamentais para a valorização do professor e para que possamos trabalhar com ânimo redobrado. Se continuarem suspensos, fica comprometido o nosso futuro e o futuro da educação na província”, declarou outro professor, em tom de apelo.

No centro da contestação está a perceção de que o esforço extra dos docentes não está a ser devidamente valorizado. Muitos afirmam ter dedicado horas além da jornada regular para suprir carências do sistema, sobretudo em contextos de falta de professores em várias escolas da província. “As horas extras não são luxo nem escolha. São uma necessidade para garantir que os alunos não fiquem sem aulas. Retirar parte desse esforço sob pretextos questionáveis é desrespeitar o trabalho do professor e prejudicar o futuro dos nossos alunos”, desabafou uma professora da cidade de Inhambane.

O governo provincial, por sua vez, sustenta que o processo de pagamento ainda depende da validação da Inspeção-Geral das Finanças, o que, segundo as autoridades, visa garantir maior rigor e transparência na utilização dos fundos públicos. Contudo, para os docentes, esse argumento não basta para justificar a demora e os cortes que consideram indevidos.

No meio da tensão, uma mensagem ecoa de forma unânime entre os professores: o apelo para que o governo cumpra integralmente com o prometido. “Queremos acreditar que o Estado vai honrar a sua palavra. Só assim será possível recuperar a moral dos professores e dar tranquilidade às nossas famílias”, disse um dos docentes, acrescentando que a valorização do professor é condição essencial para melhorar a qualidade do ensino em Moçambique.

Em Inhambane, os mais de 5 mil professores abrangidos pela medida aguardam, entre a esperança e a frustração, por uma solução definitiva. O desembolso anunciado foi recebido como sinal positivo, mas para os docentes só haverá verdadeira justiça quando o pagamento integral for feito e o cálculo das horas extras respeitar o esforço que cada um colocou no trabalho. Até lá, o ambiente continuará marcado por incerteza e apreensão.

Na sequência da crescente onda de roubos de tampas de caixas de drenagem e sarjetas na Cidade de Maputo, uma equipa multissectorial constituída por agentes da Polícia Municipal (PM) e da Empresa Municipal de Saneamento e Drenagem (EMSD) iniciou uma operação de fiscalização às sucatas e pontos de venda de metais.

A acção tem como principal objectivo verificar a existência ou não das tampas furtadas nestes locais, permitindo a tomada de medidas imediatas contra eventuais receptadores. Paralelamente, as equipas estão a sensibilizar os proprietários de sucatas para se absterem da compra deste tipo de material e a incentivar a denúncia de vendedores suspeitos.

O furto sistemático destas tampas tem causado sérias consequências à mobilidade e segurança rodoviária, uma vez que deixa expostas caixas de drenagem, colocando em risco automobilistas, motociclistas e peões.

As autoridades municipais asseguram que a fiscalização será contínua e abrangente, com o duplo propósito de desmantelar a cadeia de comercialização ilícita e reforçar a consciência coletiva sobre o impacto negativo desta prática na infra-estrutura urbana e na segurança pública.

Paralelamente, o Conselho Municipal de Maputo procedeu à capacitação de mais de uma centena de gestores de sanitários públicos dos mercados municipais e vias públicas.

Na ocasião, o vereador das Actividades Económicas e Turismo, Alexandre Muianga, explicou que o objectivo do encontro é reflectir e passar em revista como deve ser a gestão eficaz dos sanitários nos mercados e na via pública, e revelou que existem bons exemplos de gestão eficaz.

Durante o seminário de capacitação foram abordados temas como: mecanismos de gestão dos sanitários; limpeza e higiene nos sanitários públicos; e modelos do plano de fiscalização de sanitários públicos, entre outros.

O ensino técnico-profissional em Moçambique está a viver um dos seus momentos de maior expansão desde a independência, com um crescimento do número de formandos em mais de 200% entre 2017 e 2025, tendo saído de 38 mil para mais de 122 mil estudantes matriculados.

O primeiro Encontro Nacional da Educação Profissional, que decorreu sob o lema “Por uma Educação Profissional de Qualidade, Relevante e Inclusiva que Responde às Exigências do Mercado de Trabalho”, marcou igualmente o lançamento do processo de elaboração da Estratégia de Ensino Técnico-Profissional 2026–2035, um documento que define metas para a próxima década.

A ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, destacou o papel da expansão da rede de instituições como pilar central do crescimento do número de estudantes neste ensino. 

“Tomando como referência o ano 2017, ano de elaboração da Estratégia do Ensino Técnico-Profissional (2018–2014) a rede de instituições o ensino técnico profissional era composta por um universo de 171 instituições, distribuídas em 68 públicas, 38 mistas e 65 privadas. Actualmente, a rede é composta por um universo de 264 institutos, o que representa um crescimento na ordem de 54,4%. Do universo dos institutos em funcionamento, temos 76 públicos, 29 mistos e 159 privados. O universo de formandos em 2017 foi de 38 715, contra os actuais 122 213 formandos, um crescimento exponencial em oito anos acima de 100%. Este resultado é fruto da expansão da rede de instituições do ensino técnico-profissional, através do investimento do sector privado e do Governo pela construção,  reabilitação ou requalificação, acompanhada do apetrechamento de institutos”, disse Tovela.

Dentre os objectivos definidos na nova estratégia até 2029, destacam-se o aumento da taxa de escolarização bruta e a acreditação de 100% das instituições do ensino técnico-profissional.

A ministra da Educação aponta que “a nossa visão é contribuir no aumento dos níveis de acesso, elevando consequentemente a taxa bruta de escolarização no ensino técnico-profissional, dos actuais 8,2% para 11% acreditadas e a taxa da rapariga das áreas Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática de 23,6% para 32% até 2029 e ainda elevar até 100% o número de instituições do ensino técnico-profissional”.

A qualidade do ensino também tem merecido atenção. Actualmente, o sector conta com 7448 formadores, dos quais 2284 (30,6%) são mulheres.

No primeiro semestre de 2025, o Ministério da Educação e Cultura capacitou 151 gestores (Certificado A – Gestão de Instituições), 454 formadores pedagógicos (Certificado B – Prática docente) e 185 técnicos em áreas tecnológicas, alinhados com os padrões de competência internacional

Estas formações visam reforçar a sustentabilidade e a eficácia pedagógica do ensino técnico, sobretudo num contexto em que a empregabilidade se torna um dos indicadores-chave do sucesso do sector.

Em paralelo com o crescimento, o sector enfrenta o desafio da regulação. Em entrevista ao “O País”, a directora-adjunta nacional da Educação Profissional, Alexandrina Novel, revelou que o Governo irá, dentro de um mês, tornar pública a lista de instituições de ensino técnico-profissional que operam de forma irregular.

Em 2025, foram emitidos mais de 63 mil certificados, beneficiando 26 695 graduados, muitos dos quais já se encontram integrados em programas de inserção no mercado de trabalho, estágios e empreendedorismo jovem.

Com este ritmo de crescimento, o Governo acredita que o ensino técnico-profissional poderá consolidar-se como uma alternativa viável e atractiva ao ensino geral, particularmente nas regiões rurais e nos sectores com maior potencial económico, como agricultura, energia, mineração, tecnologias e construção civil.

Mais de 17 mil pessoas morrem por ano no país, vítimas de cancro. O número faz parte do universo de 26 mil casos registados no território nacional. Trata-se de uma doença que é a segunda causa de morte em indivíduos com idades compreendidas entre 15 e 49 anos de idade e a primeira, em indivíduos acima de 50 anos.

O número de mortes por cancro no país é elevado. Os tipos mais comuns da doença são: do colo do útero, da mama, da próstata e do sarcoma de kaposi.

Os dados foram partilhados pelo secretário permanente do Ministério da Saúde, Ivan Manhiça, na Reunião Nacional do Programa do Controlo do Cancro. 

Segundo Ivan Manhiça, estima-se que ocorram anualmente, no país, mais de 17 mil mortes por cancro, de um universo de 26 mil casos da doença.

Estudos recentes, realizados em Moçambique, revelam que, com um peso de cerca de 8 por cento, o cancro é a segunda causa de morte em indivíduos com idades compreendidas entre 15 e 49 anos de idade e a primeira, em indivíduos acima de 50 anos.

Ivan Manhiça, que falava nesta quinta-feira, alerta que a falta de rastreio dos vários tipos de cancro está entre as principais causas de morte.

“O desconhecimento das manifestações clínicas e a não procura regular e antecipada dos serviços de saúde para o rastreio estão entre as causas do diagnóstico tardio da doença, o que resulta, muitas vezes, em perda de vidas humanas”, destacou Manhiça.

Para evitar o alastramento e vítimas mortais, estão a ser levadas a cabo campanhas a nível nacional.

“Queremos destacar, de entre as diversas acções para mitigar o impacto do cancro, as seguintes: a expansão da rede sanitária, especificamente a abertura de unidades sanitárias onde já funcionam serviços de rastreios relacionados ao cancro, formação de sub-especialistas, concretamente nas áreas de oncoginecologia, cancro da cabeça e do pescoço, cancro do colo retal e a vacinação de raparigas de 12 a 18 anos de idade.”

Na ocasião, a directora de Saúde no MISAU partilhou a data do plano que já está  em vigor. “Este plano foi desenvolvido por um período de 10 anos, isto é, de 2019 até 2029.”

No mundo, prevê-se que até o ano de 2040 o número de casos da doença registados aumente em cerca de 30 milhões, e o de mortes, em 16 milhões.

O Ensino Técnico Profissional em Moçambique está a viver um dos seus momentos de maior expansão desde a independência, com um crescimento de mais de 200% no número de formandos entre 2017 e 2025. Segundo dados partilhados esta quinta-feira, durante o primeiro Encontro Nacional da Educação Profissional, o número de estudantes matriculados passou de mais de 38 mil em 2017 para mais de 122 mil neste ano, impulsionado por políticas públicas e pelo envolvimento crescente do sector privado.

O evento, que decorreu sob o lema “Por uma Educação Profissional de Qualidade, Relevante e Inclusiva que Responde às Exigências do Mercado de Trabalho”, marcou igualmente, o lançamento do processo de elaboração da Estratégia de Ensino Técnico Profissional 2026–2035, um documento que define metas para a próxima década.

A Ministra da Educação e Cultura, Samira Tovela, destacou o papel da expansão da rede de instituições como pilar central do crescimento do número de estudantes neste ensino. 

“Tomando como referência o ano 2017, ano de elaboração da Estratégia do Ensino Técnico Profissional (2018 – 2014) a rede de Instituições o Ensino Técnico Profissional era composta por um universo de 171 instituições, distribuídas em 68 Públicas, 38 Mistas e 65 Privadas. Actualmente, a rede é composta por um universo de 264 Institutos, o que representa um crescimento na ordem de 54,4%. Do universo dos institutos em funcionamento temos 76 Públicas, 29 Mistas e 159 Privadas. O universo de formandos em 2017 foi de 38.715 contra os actuais 122.213 formandos um crescimento exponencial em 8 anos acima de 100%. Este resultado é fruto da expansão da rede de instituições do Ensino Técnico Profissional através do investimento do sector privado e do Governo pela construção, reabilitação/requalificação acompanhado do apetrechamento de Institutos”, disse Tovela. 

Entre os objectivos definidos na nova estratégia até 2029, destacam-se o aumento da taxa de escolarização bruta no ETP de 8,2% para 11% e acreditar 100% das instituições do ensino técnico profissional. A Ministra da Educação aponta que “a nossa visão é contribuir no aumento dos níveis de acesso elevando consequentemente a taxa bruta de escolarização no ensino técnico profissional dos actuais 8,2% para 11%, acreditadas e a taxa da rapariga das áreas Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática de 23,6% para 32% até 2029 e ainda elevar até 100% o número de Instituições do Ensino Técnico profissional.”

A qualidade do ensino também tem merecido atenção. Actualmente, o sector conta com 7.448 formadores, dos quais 2.284 correspondente a (30,6%) são mulheres.

No primeiro semestre de 2025, o Ministério da Educação e Cultura capacitou, 151 gestores (Certificado A – Gestão de Instituições), 454 formadores pedagógicos (Certificado B – Prática docente) e 185 técnicos em áreas tecnológicas, alinhados com os padrões de competência internacional

Estas formações visam reforçar a sustentabilidade e a eficácia pedagógica do ensino técnico, sobretudo num contexto em que a empregabilidade se torna um dos indicadores-chave do sucesso do sector.

Em paralelo com o crescimento, o sector enfrenta também o desafio da regulação. Em entrevista ao “O Pais”, a Directora Adjunta Nacional da Educação Profissional, Alexandrina Novel, revelou que o Governo irá, dentro de um mês, tornar pública a lista de instituições de ensino técnico profissional que operam de forma irregular.

Em 2025, o sector emitiu mais de 63 mil certificados, beneficiando 26.695 graduados, muitos dos quais já se encontram integrados em programas de inserção no mercado de trabalho, estágios e empreendedorismo jovem.

Com este ritmo de crescimento, o Governo acredita que o ensino técnico profissional poderá consolidar-se como uma alternativa viável e atractiva ao ensino geral, particularmente nas regiões rurais e nos sectores com maior potencial económico, como agricultura, energia, mineração, tecnologias e construção civil.

O Instituto Nacional de Meteorologia prevê ocorrência de ventos fortes com rajadas de até 60 quilómetros por hora, a partir do fim da tarde desta quinta-feira.

De acordo com o comunicado do INAM, o fenómeno poderá afectar  os distritos costeiros das províncias de Maputo e Gaza.

Os ventos poderão agitar o mar e gerar ondas com alturas de até 4 metros, entre os paralelos 24 e 27 graus.

O INAM apela à tomada de medidas de precaução e segurança face ao risco associado aos ventos fortes que poderão registar-se.

Uma criança recém-nascida luta pela vida, depois de a sua mãe morrer na sequência de um parto à cesariana, no hospital Rural de Chókwè, na província de Gaza. A família da malograda acusa o hospital de negligência. A direcção do hospital, por sua vez, promete investigar a equipa que esteve em serviço.

O que era para ser um momento de alegria transformou-se em pesadelo, no distrito de Chókwè, na província de Gaza.

Joaquina Chongo, de 17 anos de idade, deu entrada na maternidade do Hospital Rural de Chókwè, há uma semana, para dar à luz a sua primeira filha, entretanto, não mais saiu da unidade hospitalar.  

“A ferida exalava um mau cheiro e ela não conseguia urinar. Por isso, decidi regressar ao hospital onde ela foi operada. Alugamos uma viatura e regressamos ao hospital. Já no hospital, ela não mais falava e saía sangue pela boca, por isso começaram com alguns procedimentos médicos, mas ela perdeu os sinais vitais, e logo pela manhã faleceu. A morte dela entristeceu-me bastante”, contou Rosália Sitoe, mãe da finada.

Das dores ao último suspiro, a mãe da finada diz que houve negligência na morte precoce de sua filha.

“Alguém perguntou-me se eu teria dado algum dinheiro e respondi que não sabia que se tirava dinheiro. E a tal pessoa disse que tinha tirado mil Meticais para garantir que a sua filha tivesse bom tratamento. Eu disse a ela que não tinha dinheiro”, contou Rosália Sitoe, acrescentando que “por volta das 20 horas, quando viram que a Quina não conseguia dar à luz, introduziram os dedos nas partes íntimas, enquanto outros a pressionavam.O que testemunhei foram procedimentos inadequados e eu alertei que poderiam magoá-la”.

E acusa a equipa que esteve em serviço de ter protagonizado agressões verbais e físicas. “Mas, em nada adiantou. Espancaram-na até se cansarem. E quando amanheceu decidiram que a Quina seria operada.  Durante a operação conseguiram tirar a criança e de seguida ela foi levada à maternidade.  Mas antes das 14h00, Quina começou a respirar mal e a vomitar sangue”.

Em reação, a direção do hospital nega as acusações de agressões e avança com sua versão dos factos.

“E não recebemos nenhuma queixa, e não ouvimos nenhuma queixa relacionada ao sangramento. Fez-se uma avaliação ao recém-nascido e não se viu o corte que se vê nas redes sociais. No dia 25, por volta das seis horas, a paciente deu entrada, teve o seu reinternamento na unidade sanitária num estado grave, com ferida infectada. Estava com uma septicemia e decidiu-se estabilizar a paciente e, a posterior, transferir-se para o Hospital Provincial de Xai-Xai, isso no dia 26”, disse o porta-voz do Hospital Rural de Chókwè, Obadiel Mavie. 

A verdade é que a família de Rosália Sitoe  vive entre o luto e o medo de mais perda, uma vez que a criança recém nascida continua a lutar pela vida. “A criança tem uma anomalia na cabeça. Apresentei a situação à enfermeira e ela orientou-me a lavar a região com sabão. A criança ficou ferida no hospital, só não sei se foi durante o parto ou após o parto”, conta a mãe da finada.

Sobre as lesões na cabeça da bebé, Obadiel Mavie diz que decorre investigações para apurar os factos. 

O “O País” tentou ouvir a Direcção Provincial de saúde que prometeu reagir ao assunto oportunamente.

O Ministro da saúde, Ussene Isse, diz que as XVIII Jornadas Nacionais de Saúde, que arrancaram esta Quarta-feira mostram a  necessidade  do acesso universal do acesso dos serviços de saúde numa altura em que vários desafios exigem novos  conhecimentos, inovação e reformas. 

Com o lema ” Promovendo a Resiliência do Sistema Nacional da Saúde com base em evidência científica”, foram abertas, nesta Quarta-feira, as Jornadas Nacionais de Saúde.

O Ministro da Saúde, Ussene Isse, disse que o evento, que  terá uma abordagem híbrida, com cerca de 1 191 participantes nacionais e internacionais, mostra a necessidade de desenvolvimento de novos conhecimentos para o acesso universal dos serviços de saúde, numa altura em que se regista vários desafios no sector.

“Estas jornadas são para o setor de saúde, o indicador do cumprimento das documentações de sua excelência, Daniela Francisco Chapo, presidente da República de Moçambique, sobre a necessidade de garantirmos o acesso universal aos cuidados de saúde. Torna-se urgente e o imperativo nacional a construção da resiliência do sistema de saúde, entendida com a capacidade de absorver o impacto dos choques, assegurar a continuidade dos serviços e transformar criativamente as funções do sistema de saúde para ante grandes adversidades.” disse o Ministro da Saúde, Ussene Isse. 

Segundo o Ministro, o número de participantes revela avanços em relação às jornadas de 2021.

Foi destacado, também,  o facto das mesmas realizarem-se numa altura em que o conselho de ministros aprovou o decreto que prevê a criação da primeira escola pública de saúde pública no país.

Na ocasião, o Director geral do Instituto Nacional de Saúde, Eduardo Gudo, destacou as dificuldades que impediram a realização das jornadas no ano passado, sendo que as mesmas acontecem a cada três anos no país, desde 1976.

“Pela primeira vez, desde que iniciamos Jornadas Internacionais de Saúde em 1976 a tempos 49 anos, tivemos três adiamentos em relação a uma edição de Jornadas Internacionais. Estas jornadas foram inicialmente programadas para novembro de 2024, foram depois adiadas para março de 2025, e finalmente estamos a realizar nesta semana, devido a condicionalismos que estavam fora do controlo da organização das Jornadas Internacionais de Saúde.” concluiu Eduardo Samo Gudo. 

Nestas jornadas foram submetidos 1042 resumos científicos, dos quais 789 foram aprovados.

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