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O País – A verdade como notícia

O Presidente da República diz que é prioridade do Governo  melhorar as condições de trabalho dos professores e promover a sua valorização.  Daniel Chapo considera que os professores têm um papel nobre e insubstituível. 

Na mensagem alusiva ao Dia dos Professores, o Presidente da República começou por felicitar a classe  pela passagem do 12 de Outubro e destacou o papel nobre desempenhado pelos professores na formação do homem. 

Daniel Chapo Chapo sublinhou que ser professor é mais do que exercer uma profissão, é uma vocação que exige entrega, paciência e amor pelo saber, acrescentando que os educadores fortalecem as bases da coesão social.

O Chefe de Estado não ignorou os desafios enfrentados pelo sector da Educação e reconheceu que há necessidade de melhorar continuamente as condições de trabalho e o ambiente escolar, de modo a permitir que os professores exerçam a sua profissão com dignidade.

O Presidente da República concluiu sua mensagem apelando aos professores para que continuem a servir com dedicação, ética e patriotismo para a construção de um país instruído, justo e próspero. 

O mais recente relatório da Organização Internacional para as Migrações alerta para a intensificação do terrorismo, que obrigou a quase 40 mil pessoas a fugirem das suas casas, entre Setembro passado e Outubro corrente, nas províncias de Cabo Delgado e Nampula.

O novo grupo de deslocados resultou da escalada de ataques terroristas e da crescente insegurança causada por insurgentes na região norte do país. Segundo o relatório da Organização Internacional para as Migrações há uma crescente crise humanitária. 

Dados da instituição indicam que, de 22 de Setembro último a 6 de Outubro corrente, houve aproximadamente 40 mil deslocados, o equivalente a mais de 12 mil famílias afectadas. 

Em Mocímboa da Praia, mais de 26 mil pessoas fugiram dos bairros 30 de Junho e Filipe Nyusi, onde ocorreram pelo menos dois ataques com registo de mortos.

Em Balama, cinco mil pessoas abandonaram as localidades de Mavala e Mpake.

Em Montepuez, cerca de quatro mil pessoas abandonaram as zonas de Mararange, Mirate e Nacololo. Em Chiúre, houve mais de mil deslocados provenientes das comunidades de Mazeze e Murocue.

Outros distritos de Cabo Delgado também registaram fugas em algumas comunidades, pese embora em menor escala. 144 pessoas deslocaram-se de Nangade, 121 de Macomia e 66 de Muidumbe. 

A Organização Internacional para as Migrações aponta igualmente para fugas em duas comunidades em Nampula.

Recentes ataques no distrito de Memba forçaram dois mil pessoas a deixarem as aldeias de Chipene e Necoro, tendo a maioria procurado refúgio no distrito vizinho de Eráti. 

A situação reforça o apelo de organizações humanitárias para uma resposta urgente e eficaz, tanto nacional quanto internacional, perante o aumento de deslocados no norte de Moçambique.

No município de Chibuto, 214 funcionários enfrentam uma dura realidade: há cinco meses não recebem os seus salários e ameaçam convocar uma greve geral caso o dinheiro em atraso não seja pago ainda neste mês de Outubro. O Edil Henriques Machava admite a gravidade da situação mas pede paciência.

Depois da festa dos 54 anos, há barulho no município de Chibuto, na província de Gaza. Em causa está a falta de salários há cinco meses. Os mais de 200 funcionários dizem-se comprometidos com o trabalho, mas admitem que estão cansados e ameaçam sair às ruas como forma de fazer respeitar os seus direitos

O grupo, que contactou o “O País” para denunciar o que considera burla, afirma que o assunto é do conhecimento das autoridades municipais, mas de lá até aqui nada acontece senão promessas e mais promessas.

Por conta disto, muitos funcionários foram obrigados a contrair dívidas avultadas com agiotas, para minimizar algumas despesas, na expectativa de reembolsar o valor, um sonho que se transformou num grande pesadelo.

Para além de viver na incerteza de quando receberão os seus salários, são obrigados a percorrer quilómetros a pé de casa ao serviço.

Confrontado com a situação, o presidente do município de Chibuto, Henriques Machava, confirmou e apontou como causa principal a falta de canalização, pelos órgãos centrais, do Fundo de Compensação Autárquico (FCA).

A fraca contribuição dos munícipes agrava ainda mais o problema. A receita mensal que antes rondava os 500 mil, agora não chega sequer a 100 mil meticais. Machava diz que este valor é insuficiente até para cobrir as despesas do funcionamento da instituição.

Os funcionários do Município de Chibuto ameaçam paralisar as actividades caso a situação dos salários atrasados não seja regularizada ainda neste mês.

O município de Quelimane, na Zambézia, está a levar a cabo um processo de retirada de vendedores, das ruas para o interior de mercados, onde diz haver bancas suficientes. Enquanto isso, há comerciantes que ignoram o perigo e preferem vender na rua.

Uma decisão que visa descongestionar as ruas da cidade de Quelimane. Sucede que muitos vendedores tomaram de assalto as ruas próximas aos mercados, o destaque vai para a zona do lixo e padeiro. 

No mercado de lixo, por exemplo, os vendedores aceitaram abandonar  as ruas, mas alguns fazem esforço para que o município os permita vender pelo menos durante a tarde. 

A comissão do mercado de lixo diz que a decisão do conselho municipal em organizar os vendedores foi bem acolhida. 

O trabalho de sensibilizar os vendedores a sair das ruas vai continuar para que haja organização na cidade.

Moçambique deu, esta quinta-feira, mais um passo rumo à modernização do seu comércio externo, através do lançamento do projecto nacional Portal EXPORTA, uma plataforma digital que pretende facilitar e dinamizar as exportações e importações moçambicanas.

O projecto,  da iniciativa da ExportaMoz Solutions, surge  numa altura em que o sector empresarial procura recuperar-se da recente crise política.

No evento de lançamento foi apresentado o funcionamento da plataforma, com destaque para os benefícios às micro, pequenas e médias empresas.

O projecto foi bem recebido pela Agência de Investimento e Exportações por reduzir a burocracia, promover a inclusão e fortalecer a economia.

Além do lançamento do portal, a ExportaMoz Solutions  anunciou para o próximo ano, um projecto de premiação e reconhecimento das 100 melhores MPMEs do país.

O Secretário de Estado da província de Gaza, Jaime Neto, diz que há pessoas de má-fé que querem sabotar a governação, por detrás da onda de vandalização, agressões e roubos que assombram as escolas naquela província. Já o especialista em educação, Samuel Chacate aponta para disputas políticas e acusa a polícia de nada fazer para proteger as escolas.

São, ao todo, 7 instituições de ensino vandalizadas, 9 mil processos de alunos, queimados incluindo 6 computadores, pautais, livros escolares e um sistema de abastecimento de água vandalizado na sequência dos ataques às escolas nos últimos 5 meses, na província de Gaza, Reagindo à volta do assunto o secretário de estado, Jaime Neto, considerou tratar de um grupo de pessoas com intenções claras de sabotar a governação.

“Nós estudamos, as nossas escolas nem tinham guardas, e não acontecia nada. Então, é a atitude atual de certas pessoas de má fé que querem sabotar a governação. Não tem outro nome. Vandalizam a energia, vandaliza a própria infraestrutura, a escola.  Partem vidros, danificam carteiras, queimam arquivos. É difícil isso de compreender.Então, como governo, não estamos de mãos arregaçadas. Aliás, estamos de mãos arregaçadas para trabalhar no sentido de identificar essas pessoas”, garantiu 

Já o especialista em Educação, Samuel Chacate, tem outro entendimento e alerta para o perigo do que apelida jogo dos políticos no seio escolar.

“O que tem que ficar claro é que os partidos políticos devem deixar de lutar na escola.Pelo poder político, até a população, os pais encarregados da população foram mobilizados a não apoiar as escolas. Estão desamparadas, foram mobilizadas a não apoiar as escolas Então, o que resta é aquela contribuição que vem do exterior, o Vulgo apoia direto às escolas”, frisou.

Samuel Chacate acrescenta  que os actos de vandalismo no sector da educação revelam o nível de atraso no processo de modernização do sistema operacional.

“Estamos lentos do ponto de vista da digitalização das escolas.Tanto que se há um setor conservador na vida social, é a educação.O perigo é este, que a possibilidade de perdermos informações úteis para a vida do cidadão é maior”.

Para já, Jaime Neto quer da polícia rigor na investigação com vista à responsabilização dos envolvidos.

“Identificar quem são essas pessoas para serem responsabilizadas.  E, segundo a polícia, está a trabalhar constantemente próximo desses locais. Porque não só vandalizam, assim como atacam professores. Atiram pedras aos professores do curso noturno, o que não é correto. Os professores estão a trabalhar para ensinar os nossos filhos para continuar a construir o nosso país”, concluiu, o Secretário de estado de Gaza, Jaime Neto.

No entanto, Chacate  diz que nada vai mudar enquanto a polícia da República de Moçambique actuar com seletividade na garantia da segurança entre as intuições públicas e privadas.

“Escolas com oito, seis mil estudantes.Não conseguimos garantir segurança a uma escola com esse número de alunos. Mas a polícia pode garantir segurança no curral de um privado”,questionou 

Volvidos 5 Meses após o registo do primeiro dos seis casos de vandalização a instituições de ensino, e as autoridades policiais, apenas renovam promessas de estar a investigar enquanto o medo continua a assombrar a comunidade escolar em Gaza.

O Ministro da Saúde exige uma gestão transparente dos recursos do sector, para fazer face ao déficit causado pelo corte do financiamento externo. Ussene Isse falava, esta sexta-feira, na abertura do Quinquagésimo Conselho Coordenador da  Saúde.  

Na abertura do Quinquagésimo Conselho Coordenador da Saúde, Ussene Isse começou por recordar que há vários desafios que ainda assolam o sector, com destaque para o financeiro. 

O ministro da Saúde apelou, por isso, a gestão cautelosa dos recursos, em benefício dos cidadãos.  

Isse apelou ainda aos profissionais da saúde que evitem reclamações e pensem em soluções para a melhoria no acesso aos serviços de saúde.  

Mais uma vez, o governante reiterou que as unidades sanitárias devem pautar pelo atendimento humanizado. O Quinquagésimo Conselho Coordenador da Saúde termina este sábado e decorre sob o lema “Por um Serviço Nacional de Saúde de Qualidade e Humanizado para Todos”. 

O Reitor da Universidade Católica de Moçambique (UCM), Padre Filipe Sungo, defendeu que o diálogo nacional inclusivo deve ser entendido como uma exigência ética e epistemológica, mais do que um mero exercício político. Falando durante a cerimónia de graduação realizada em Chimoio, o académico sublinhou que “a verdadeira inclusão nasce da escuta – escuta do outro – da diferença e da realidade concreta do país”.

Num contexto em que o debate público sobre o diálogo inclusivo em Moçambique tem despertado diferentes posições, o reitor apelou à serenidade e ao rigor no tratamento do tema, recordando que a construção de uma nação reconciliada exige a participação de todos. “Ser inclusivo é reconhecer que ninguém é dispensável na tarefa de edificar o bem comum”, afirmou.

Para Padre Sungo, o diálogo que o país precisa deve assentar-se na verdade, no respeito e no compromisso com a diversidade das vozes que formam a nação moçambicana. “O diálogo nacional só será fecundo se for alimentado por um espírito de verdade e corresponsabilidade social”, acrescentou.

A Universidade Católica de Moçambique, segundo o reitor, posiciona-se como um espaço de encontro e reflexão, onde a escuta e a partilha de saberes contribuem para a consolidação de uma cidadania partilhada e para o fortalecimento da dignidade humana.

A cerimónia de graduação, que reuniu centenas de finalistas, docentes e convidados, foi marcada por um forte apelo à união e à co-responsabilidade no desenvolvimento do país, num momento em que Moçambique continua a enfrentar desafios políticos, sociais e económicos que exigem diálogo e cooperação entre todos os sectores da sociedade.

A madrugada de segunda-feira começou com um grito silencioso de dor no povoado de Agostinho Neto, no distrito da Maxixe. Três jovens, com idades entre os 17 e os 25 anos, perderam a vida depois que a motorizada em que seguiam colidiu violentamente com uma viatura ligeira. O impacto foi tão forte que, segundo testemunhas, o veículo só parou vários metros depois do embate — uma cena que deixou marcas profundas não apenas no asfalto, mas também no coração das famílias que agora choram pelos seus mortos.

No local do sinistro, os cacos de vidro e o óleo espalhado no asfalto ainda contam a história de uma noite que terminou em tragédia. Jaime Cumbane, pai de uma das vítimas, ainda tenta entender o que aconteceu. Entre lágrimas, fala com voz trémula sobre a dor que o consome desde o momento em que soube da morte da filha. “O que nos contaram é que o carro atingiu a motorizada por trás, com tanta força que a arrastou por vários metros. Depois do embate, o veículo só parou cerca de cinquenta metros adiante do local do acidente”, relatou, sem conseguir esconder a revolta.

Para Jaime, a dor é agravada pela sensação de impotência. “Não era possível ele explicar bem o que aconteceu, porque aquele senhor estava completamente embriagado, muito bêbado mesmo”, desabafou, referindo-se ao condutor da viatura envolvida no acidente.

A mãe da jovem, Isabel Domingos, ainda não encontra palavras que consigam traduzir o vazio deixado pela partida abrupta da filha. De olhar perdido e voz embargada, partilha um lamento que se mistura com a incredulidade: “Não tenho palavras… o meu coração está despedaçado. Fui eu quem gerou a criança, mas nada pode trazê-la de volta. Se ela partiu, resta apenas aceitar… não há nada mais que se possa fazer.”

Enquanto a dor se espalha entre os familiares, a irmã da vítima, Neusa Cumbane, reconhece que houve imprudência. “O que sei é que, normalmente, na motorizada só seguem duas pessoas. Por isso, ficámos surpreendidos quando nos disseram que as três vítimas estavam na mesma mota. Não sei o que dizer… é difícil compreender como tudo aconteceu.”

A Polícia da República de Moçambique (PRM) em Inhambane, entretanto, apresenta uma versão diferente dos factos. Segundo a porta-voz do Comando Provincial, Nércia Bata, não foi o carro que embateu contra a motorizada, mas sim o contrário. “A polícia tomou conhecimento de que, por volta da uma hora da madrugada, ocorreu um acidente do tipo choque entre carro e motociclo. O motociclo saía da cidade da Maxixe em direção a outro ponto do distrito, no sentido sul-norte, e vinha uma viatura no mesmo sentido. O que aconteceu é que o motociclo embateu na traseira do veículo que seguia à frente. Os ocupantes da mota perderam a vida de imediato”, explicou.

De acordo com a PRM, as três vítimas foram transportadas para a morgue do Hospital Rural de Chicuque, na Maxixe. “É de lamentar, porque este tipo de acidentes tem semeado dor e luto nas famílias em toda a província de Inhambane. Por isso, apelamos aos condutores para que façam uma condução defensiva, respeitem as regras de trânsito e aos motociclistas para que não transportem mais do que uma pessoa por mota”, apelou Nércia Bata.

A porta-voz esclareceu ainda que, ao contrário do que dizem as famílias, o condutor da viatura não estava embriagado. “Foi feito o teste de álcool e o resultado foi negativo. Quer dizer que ele não estava sob efeito de bebidas alcoólicas”, garantiu. A polícia acredita que o acidente ocorreu porque o veículo da frente travou de forma brusca e o motociclista, que circulava a alta velocidade, não conseguiu reagir a tempo, acabando por embater na traseira.

Apesar da explicação oficial, as famílias mantêm dúvidas e pedem que o caso seja investigado com rigor. Para elas, o que aconteceu foi mais do que um acidente — foi uma perda irreparável que destruiu vidas e sonhos.

O trágico episódio volta a expor o drama dos acidentes de viação em Inhambane, uma província que, nos últimos meses, tem registado um número crescente de sinistros fatais. Dados da PRM indicam que o excesso de velocidade, a condução sob efeito de álcool e a falta de uso de capacetes continuam entre as principais causas. Só em 2024, dezenas de famílias foram mergulhadas no luto por acidentes que, segundo as autoridades, poderiam ter sido evitados.

Nas comunidades, o sentimento é de medo e impotência. Muitos motociclistas reconhecem as falhas, mas apontam também para a falta de campanhas de sensibilização, de fiscalização nas estradas e de condições mínimas de segurança. Em povoados como Agostinho Neto, circular à noite em vias mal iluminadas e sem sinalização é quase sempre um risco.

Enquanto o sol se põe sobre as colinas de Inhambane, a família Cumbane tenta reconstruir-se no meio do desespero. O silêncio que paira sobre a casa é pesado, cortado apenas pelo som das lamúrias que se misturam com o vento. Três vidas interrompidas numa curva, três famílias destroçadas e uma comunidade inteira mergulhada em dor — é o retrato cruel de mais uma madrugada de luto nas estradas moçambicanas.

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