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O País – A verdade como notícia

O ministro do Interior, Paulo Chachine, defendeu, hoje, que a investigação e a inovação científica devem ser pilares fundamentais no combate aos desafios contemporâneos da segurança pública. O apelo foi feito durante a abertura das XX Jornadas Científicas da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL), edição 2025, em Maputo.

Sob o lema “ACIPOL, Por Uma Investigação e Inovação Científica Para Responder aos Desafios Contemporâneos da Segurança Pública”, o evento reúne académicos, investigadores e profissionais da área para debater soluções baseadas em evidências que contribuam para a estabilidade e a paz social.

O governante destacou que fenómenos como a insurgência em Cabo Delgado, os raptos e outras formas de criminalidade exigem respostas científicas e inovadoras. “O combate ao terrorismo e à criminalidade organizada não é apenas um dever estratégico, mas um imperativo moral e uma defesa intransigente da dignidade humana”, afirmou.

Sublinhou ainda que a função policial deve ir além da aplicação da lei, devendo incluir o respeito pelos direitos humanos, o diálogo e a mediação. “A Polícia tem o dever de promover uma sociedade justa, segura e de igualdade”, frisou.

O ministro apelou à ACIPOL para reforçar o seu papel como centro de produção de conhecimento e formação de quadros comprometidos com a paz e a coesão social. “Vivemos tempos que exigem respostas mais sofisticadas, baseadas em investigação rigorosa e inovação constante”, concluiu, ao declarar abertas as XX Jornadas Científicas da ACIPOL.

O administrador de Memba, em Nampula, diz que o distrito ainda está agitado depois dos ataques terroristas nos dias 30 de Setembro e 3 de Outubro. A fonte diz que há deslocados e infra-estruturas públicas destruídas.

“A situação continua agitada, a população está a regressar timidamente para as zonas de origem (…) Nós tivemos ataques terroristas, nos dias 30 de Setembro e dia 3 de Outubro”, disse hoje o administrador à imprensa.  

A fonte disse ainda que houve várias residências incendiadas, destruição de igrejas e destruição na íntegra de uma escola.

Houve tumulto no distrito de Lago, na província de Niassa. Seis pessoas contraíram ferimentos durante uma disputa numa empresa mineira levada a cabo por investidores chineses. Houve disparos e a população já pensava tratar-se do alastramento do terrorismo para aquela zona.

São tiros que levaram a população do distrito de Lago a pensar que se trata de uma invasão terrorista ao distrito de Lago em Niassa. Afinal não é bem assim. São duas empresas chinesas, que durante a disputa de uma concessão mineira acabaram em tumultos, o que causou o ferimento de seis pessoas.

A empresa detentora de licença de exploração mineira também desmente informações postas a circular dando conta do alastramento da insurgência para o distrito de Lago.

Abordado sobre o assunto, o Secretário de Estado de Niassa, Silva Livone reagiu através de uma mensagem enviada à nossa Redacção, nos seguintes termos.

Não constitui à verdade a ocorrência de ataques na nossa Província. Confirmo sim, que há duas semanas, duas empresas mineiras entraram em confrontos que resultaram em um ferido. Como medidas, apreendemos as armas, decretamos a suspensão das actividades das empresas e instauramos um processo judicial junto à Procuradoria do Distrito de Lago”, lê-se no documento.

O caso ocorreu há cerca de duas semanas e as actividades mineiras ainda estão paralisadas

As estradas da província da Zambézia continuam a ser sangrentas. Este domingo, mais um autocarro  capotou causando 11 feridos, entre os quais sete em estado grave. O acidente ocorreu após o autocarro tentar fazer uma ultrapassagem irregular. 

O comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM), Marino Muchanga, apela  à condução prudente dos automobilistas 

Falando, esta segunda-feira, durante  o encerramento do curso de reciclagem de agentes reguladores de trânsito ao nível da Província da Zambézia, Muchanga mostrou-se preocupado com a onda de acidentes nesta parcela do país. 

O comandante entende que o actual quadro de sinistralidade deve preocupar a todos, não apenas as autoridades e os automobilistas e assegura que a polícia continuará a ser implacável à indisciplina nas estradas.

Mais de 12 mil trabalhadores moçambicanos perderam os seus empregos nos últimos meses, como consequência direta da crise político-social que afecta o país. A denúncia é da Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) – feita nesta segunda-feira, em Maputo, durante a celebração dos 49 anos da organização.

Segundo a OTM-CS, muitos destes trabalhadores foram despedidos sem qualquer tipo de indemnização, enquanto outros receberam compensações consideradas injustas e insuficientes para fazer face ao custo de vida atual.

“Sem indemnização e com compensações injustas são os cenários vividos por mais de 12 mil trabalhadores que viram a recente crise política roubar os seus empregos, mas a organização está trabalhar com os outros sindicatos para o alcance de soluções”, denunciou André Mandlate, Secretário-Geral da OTM-Central Sindical, falando à imprensa.

A Central Sindical aproveitou a ocasião para criticar o recente reajuste salarial aprovado pelo Governo, classificando-o como “insuficiente” perante a escalada do custo de vida. De acordo com os dados apresentados pela organização, o custo da cesta básica já ultrapassa os 42 mil meticais, valor muito acima do salário mínimo praticado em vários sectores.

“O actual custo de vida é humanamente inaceitável. Precisamos de medidas reais para proteger os trabalhadores e controlar o cumprimento das leis laborais. Neste ano, as contas feitas, indicam que a cesta básica para um agregado de 5 pessoas tem um custo de mais de 42 mil meticais, numa situação em que o salário mínimo mais baixo é de quase 5 mil meticais pago para o subsector da pesca de Kapenta e o minimo mais alto é do sector financeiro e seguros no valor de 19 mil meticais”, afirmou Mandlate.

Entre as principais preocupações da organização está a ausência de autorização legal para o exercício do sindicalismo na função pública, o que, segundo a OTM, viola os direitos constitucionais dos trabalhadores do Estado. A Central Sindical exigiu a valorização da maior massa laboral do país,  o sector doméstico, frequentemente excluídos das políticas laborais e de protecção social.

A OTM-CS pediu também uma revisão anual das pensões pagas pelo Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), alertando para o impacto negativo que os baixos valores têm sobre os pensionistas. Além disso, Mandlate apontou falhas recorrentes nos sistemas de descontos dos trabalhadores, exigindo uma correção urgente para garantir justiça e transparência nos processos contributivos.

Com quase meio século de existência, a OTM-CS reafirma o seu compromisso com a luta pelos direitos laborais em Moçambique e apela ao Governo e entidades patronais para que adoptem políticas que protejam efectivamente os trabalhadores.

“Continuamos firmes na defesa dos direitos dos trabalhadores. Queremos mudanças concretas, antes que a situação social do país se torne insustentável,” concluiu André Mandlate.

O sindicato aponta ainda que os desafios do sector poderão ser superados através de um diálogo social e o maior controlo das leis pelo governo, sobretudo para minimizar os efeitos da carestia de vida no país. 

A celebração dos 49 anos da OTM-CS decorreu sob o lema “OTM-CS, Consolidação da Democracia Sindical, Justiça Laboral e bem-estar social”, reunindo representantes sindicais, trabalhadores de diversos sectores e parceiros sociais.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, apelou este domingo à união, reconciliação e  perdão entre os moçambicanos, sublinhando que o diálogo nacional  em curso “não é um diálogo político, é diálogo entre irmãos  moçambicanos, é diálogo para o desenvolvimento”. O Chefe do  Estado falava durante as cerimónias do 25.º aniversário da fundação  do Ministério Evangelho em Acção (MEA), realizadas no distrito de  Matutuíne, província de Maputo.

Na sua intervenção, Daniel Chapo começou por expressar  gratidão a Deus pela vida e pela oportunidade de partilhar a  celebração com os fiéis do MEA. 

“Quero em primeiro lugar agradecer a Deus, que nos permitiu estar  aqui hoje, porque temos muitos irmãos no mundo que podiam estar  connosco hoje, mas não puderam estar porque Deus assim quis. E nós  estamos vivos e aqui presentes não porque somos mais espertos, não  porque somos mais inteligentes, é pura e simplesmente pela graça de  Deus”, afirmou. 

Criado a 9 de Outubro de 2000, o MEA celebrou um quarto de século  de existência sob o lema de fé, missão e serviço à comunidade. O  Chefe do Estado elogiou a dedicação da igreja, destacando o seu  papel na promoção da paz espiritual e social em Moçambique. 

O Presidente recordou aos fiéis que a Bíblia deve ser o  guia da vida cristã e da convivência entre os moçambicanos. “Quero  relembrar aos membros do MEA que o seu guia da vida é a Bíblia  Sagrada. E todos nós que cremos em Deus e como cristãos é o nosso  guia”, afirmou, antes de ler uma passagem do livro de Josué, que  inspirou a principal mensagem do seu discurso. 

“Depois que Moisés, servo do Senhor, morreu, o Senhor falou a Josué,  filho de Num, dizendo: Moisés, meu servo, está morto. Prepare-se  agora e passe este rio Jordão […]. Seja forte e corajoso, porque você  fará este povo herdar a terra sobre o juramento que prometi dar aos  pais dele […]. Não cesse de falar deste livro de lei […]. Então você  prosperará e será bem-sucedido”, leu o Chefe do Estado.

Inspirando-se nesta passagem, o estadista moçambicano comparou a  travessia do povo de Israel à libertação de Moçambique do domínio  colonial. “Tal como Moisés, que foi um líder escolhido por Deus para  resgatar e salvar o povo de Israel do Egipto, nós como moçambicanos  também passamos pelo mesmo período […]. Fomos colonizados e  vivíamos também a escravatura”, observou, sublinhando que Deus  continua a realizar milagres na história dos povos. 

O Presidente da República destacou que a caminhada rumo ao  desenvolvimento requer fé, coragem e tolerância, mesmo perante as  divergências. “Entre nós, moçambicanos, também temos esse tipo de  pessoas [que duvidam]. Mas é nossa tarefa, nós que cremos em Deus,  não abandonar essas pessoas. Moisés não abandonou o seu povo,  mesmo aqueles que murmuravam, continuou com eles”, afirmou,  defendendo uma liderança inclusiva e paciente. 

Além disso, o governante reforçou que o diálogo nacional representa  um caminho de comunhão e esperança, não de confronto político.  “De coração aberto e franco, sem ódio, sem violência, mas em  harmonia, em paz e comunhão entre irmãos […], porque está escrito  que a grande mensagem que Cristo deixou é: Amai-vos uns aos  outros”, declarou, apelando à consolidação da paz e à reconciliação  entre moçambicanos. 

No encerramento do seu discurso, o Chefe do Estado encorajou os  fiéis a manterem a oração e a fé como instrumentos de  transformação. 

O Fundo de Investimento e Património de Abastecimento de Água (FIPAG)  está a   corrigir  falhas detectadas  no sistema de abastecimento do precioso líquido na cidade de Pemba, inaugurado há cerca de um ano depois de obras de reabilitação e ampliação.

Segundo revelou o director do FIPAG em Pemba, Eugénio Matsinhe, “o abastecimento de água em Pemba ainda não é normal dado que estão em curso trabalhos de testagem do novo sistema, e também está em curso a correcção dos defeitos verificados durante a construção do sistema “.

Além de defeitos no sistema, o FIPAG não está a conseguir aumentar a produção de água devido à suposta redução de níveis dos lençois freáticos nas áreas onde foram abertos os furos de água.

“Actualmente temos vinte e dois furos de água que já não poroduzem muita via devido a mudanças climáticas que reduziram consideravelmente o níveis do lençol freático, estando a produzir cerca de dezoito mil metros cúbicos por dia e Por isso foi lançado um concurso para abertura de mais seis furos para aumentar a quantidade de água produzida”, anunciou Eugénio Matsinhe 

Devido aos defeitos detectadas no sistema e a fraca capacidade de produção de água, o abastecimento do precioso líquido a cidade de Pemba está a ser feito de forma condicionada.

“Neste momento estamos a abastecer a água  de forma escalonada por zonas ou  bairros por onze horas por dia”, justificou Eugênio Matsinhe.

A população de Pemba está agastada com o FIPAG e actualmente consome água imprópria retirada de poços tradicionais.

“Em minha casa não sai água desde de Abril deste ano, mas todos meses recebo facturas. Agora bebemos água suja dos poços onde passamos quase todo dia para conseguir pelo menos uns vinte litros de água. E esse poços também estão a secar. E depois dizem que apanhamos cólera por causa da falta de higiene, enquanto o problema é mesmo a falta de água potável”, reclamou Ngamu Nfalume, residente de Pemba.

O projecto de reabilitação e ampliação do sistema de abastecimento de água de Pemba que começou em 2019 e  compreendeu abertura de vinte  furos de água, construção de uma nova estação de tratamento, três centros distribuidores e cerca de 170 quilómetros de rede de distribuição, previa aumentar a capacidade de produção de 10 mil  para 30 mil metros cúbicos de água por dia e aumento do horário da abastecimento de 6 para 16 horas por dia, mas até hoje a cidade continua a registar uma grave  crise de água potável.

O governador de Cabo Delgado manifestou a vontade de ver o grupo armado a participar no Diálogo Nacional Inclusivo que é visto como uma oportunidade ímpar para por fim ao terrorismo na província. A intenção foi apresentada na aldeia Quelimane, em Mocímboa da Praia, um dos distritos mais afectados pelo terrorismo.

“Agora temos a oportunidade com esse Diálogo Nacional Inclusivo  de trazermos aqui para vermos onde está o problema. Se há quem se acha que está ferido com alguma coisa, então é o momento de haver esse diálogo nacional, em que todos moçambicanos, se forem moçambicanos, tragam esses assuntos à mesa para serem compreendidos e se encontramos um meio para que todos estejamos unidos, todos estejamos a falar de Moçambique em Desenvolvimento e todos possamos nos sentir como moçambicanos. E se são estrangeiros, então aí vamos descobrir que a situação que está acontecer no nosso país, e aqui  na nossa província em particular,  não é com moçambicanos, é com estrangeiros. Então aí o tratamento também vai ser outro, mas sempre convidando para poderem vir à mesa para ouvirmos para deixarem de pôr a nossa população em sofrimento”, apelou Valige Tauabo, governador de Cabo Delgado.

Além de assassinatos e destruição de bens públicos e privados, o governador de Cabo Delgado mostrou-se preocupado com o grupo armado por supostamente estar a obrigar as pessoas a seguirem o Islão.

“Temos a nossa constituição e todos aqueles que têm as suas religiões diferentes cabem neste país. Cada um exerce a sua religião a vontade e nunca houve problema. Isso não é de agora, vem desde a independência e nunca tivemos problemas. Cada religião tem a sua forma de convidar crentes ou seguidores e nunca foi problema, mas hoje quando se traz uma outra forma então traz-nos uma instabilidade”, criticou dirigente.

As imagens não deixam dúvidas: a viatura embateu violentamente na traseira da motorizada, e não o contrário, como inicialmente afirmara a Polícia da República de Moçambique (PRM). O trágico acidente, que ceifou a vida de três jovens com idades entre 17 e 25 anos, continua a gerar indignação na província de Inhambane, não apenas pela gravidade do sinistro, mas também pelas contradições na versão apresentada pelas autoridades policiais.

O caso aconteceu há poucos dias, num ponto da Estrada Nacional Número Um (EN1), no distrito da Maxixe. Na altura, a porta-voz da PRM em Inhambane, Nércia Bata, disse ao jornal “O País” que o motociclo teria colidido na traseira da viatura, responsabilizando o condutor do mototáxi pela tragédia. A versão, contudo, caiu por terra com o surgimento de novas imagens que mostram claramente que foi o automóvel — uma viatura de marca Toyota — que atingiu a motorizada por trás, lançando os três ocupantes ao asfalto e causando a sua morte imediata.

As imagens obtidas por O País mostram o rasto do impacto, os destroços espalhados pela estrada e a distância que a viatura percorreu após o embate — cerca de 50 metros —, reforçando o argumento de que o choque foi causado por excesso de velocidade e imprudência do condutor do carro. A tragédia, que mergulhou famílias em dor profunda, expôs também a fragilidade das investigações preliminares conduzidas pela polícia.

Confrontada com as novas evidências, Nércia Bata admitiu inconsistências na versão anterior e apresentou uma nova explicação sobre o acidente:
“O que aconteceu é que o motociclo e a viatura seguiam o mesmo sentido. O primeiro interveniente, que é a viatura de marca Toyota, embateu no mototaxista, e estes, de imediato, caíram no local. Infelizmente, as três pessoas que seguiam na motorizada perderam a vida instantaneamente”, explicou a porta-voz da PRM, acrescentando que o sinistro foi causado por excesso de velocidade.

Ainda assim, a polícia afastou a hipótese de embriaguez do condutor da viatura. “Das informações que temos, o teste de álcool feito ao condutor não deu positivo. Quer dizer que ele não estava embriagado”, afirmou Nércia Bata, rejeitando a versão dos familiares que insistem que o motorista apresentava claros sinais de intoxicação alcoólica no momento do acidente.

Entre as vozes inconformadas está Jaime Cumbane, pai de uma das vítimas, que presenciou o cenário de destruição poucas horas após o sinistro.
“O que nos contaram é que o carro atingiu a motorizada por trás, com tanta força que a arrastou por vários metros. Depois do embate, o veículo só parou cerca de 50 metros adiante. Não era possível o condutor explicar nada, porque estava completamente embriagado”, disse o pai, visivelmente abalado, com a voz entrecortada pela dor.

No quintal da família, o ambiente é de luto e silêncio. Isabel Domingos, mãe da jovem de 17 anos, fala com o olhar perdido:
“Não tenho palavras… o meu coração está despedaçado. Fui eu quem a trouxe ao mundo, mas agora nada pode trazê-la de volta. Se ela partiu, resta apenas aceitar. Nada apaga esta dor.”

As vítimas regressavam a casa após um convívio com amigos, segundo familiares. As três seguiam na mesma motorizada, sem capacete nem qualquer proteção, o que agravou a gravidade do acidente. Neusa Cumbane, irmã de uma das vítimas, reconhece que houve imprudência também da parte dos jovens:
“O que sei é que, normalmente, na motorizada só seguem duas pessoas. Ficámos surpreendidos quando nos disseram que as três estavam juntas. É difícil compreender como isto aconteceu, mas algo precisa ser feito para evitar novas mortes.”

O acidente, além de expor a vulnerabilidade dos motociclistas nas estradas da província, levanta questões sobre a transparência e o rigor das comunicações oficiais da polícia. A primeira versão divulgada pela PRM apontava para erro humano do mototaxista, sem qualquer menção à possibilidade de colisão provocada pela viatura. Agora, as novas declarações de Nércia Bata confirmam que houve, de facto, uma falha na informação inicial.

“Infelizmente, temos registado vários casos de acidente de viação que têm semeado dor e luto nas famílias aqui em Inhambane. Aproveitamos para apelar aos automobilistas a que façam uma condução defensiva e respeitem as regras de trânsito. Também pedimos aos motociclistas que não transportem mais do que duas pessoas e que usem capacetes para a sua própria segurança”, alertou a porta-voz da PRM.

Os acidentes de viação continuam entre as principais causas de morte na província de Inhambane. Dados preliminares apontam para dezenas de sinistros com vítimas mortais apenas nos últimos três meses, muitos dos quais envolvendo mototaxistas que circulam sem equipamentos de proteção e frequentemente em excesso de velocidade.

A tragédia do povoado de Agostinho Neto não é, infelizmente, um caso isolado. É o retrato de uma realidade cada vez mais preocupante nas estradas moçambicanas, onde a combinação entre imprudência, álcool e ausência de fiscalização continua a custar vidas — e a deixar famílias destroçadas.

Para os familiares das vítimas, resta agora a esperança de que a verdade prevaleça e que, desta vez, o caso não seja mais um número nas estatísticas, mas um ponto de viragem na forma como os acidentes de viação são investigados e comunicados em Moçambique.

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