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O País – A verdade como notícia

A primeira pedra lançada em Jangamo marca o início de um plano nacional ambicioso que pretende combater a superlotação, modernizar infra-estruturas, reforçar a reinserção social e introduzir tecnologia de monitorização para descongestionar as cadeias. A reforma penitenciária põe dignidade, segurança e humanização no centro da estratégia do Estado.

O terreno ainda vazio no distrito de Jangamo, na província de Inhambane, transformou-se, nesta semana, num palco simbólico para o início de uma das reformas estruturais mais ambiciosas do sistema penitenciário moçambicano. Ali, perante dirigentes locais, quadros do sector da justiça, representantes das comunidades e dezenas de curiosos atraídos pela cerimónia, o Governo lançou a primeira pedra da nova penitenciária distrital, um acto que marca o arranque oficial do plano que prevê a construção de 13 estabelecimentos prisionais em todo o país durante o quinquénio 2025–2029.

O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saíze, que dirigiu a cerimónia, explicou que a iniciativa não é apenas uma obra pública, mas um esforço deliberado para transformar a realidade prisional nacional, marcada há décadas por superlotação e infra-estruturas degradadas. Segundo revelou, Moçambique dispõe actualmente de cerca de oito mil camas, mas aloja entre dezoito e vinte mil reclusos, um número que mais do que duplica a capacidade instalada. É uma situação que, nas palavras do governante, “compromete o propósito da pena”, dificulta a reinserção social e representa um risco constante para a dignidade humana, para a saúde pública e para a segurança.

A construção das novas unidades penitenciárias representa, por isso, uma tentativa de reequilibrar o sistema e de oferecer condições que permitam uma gestão mais segura, mais humana e mais orientada para a reintegração. O plano inclui dez penitenciárias distritais e três regionais. Estas últimas, localizadas no Norte, Centro e Sul, serão edificadas com modelos mais completos, capazes de albergar reclusos com diferentes perfis de perigosidade e equipadas com espaços destinados à formação profissional, actividades produtivas e programas de reinserção.

Em Jangamo, onde foi realizado o primeiro lançamento, a futura penitenciária terá capacidade para 250 reclusos, um número superior à população prisional actualmente existente no distrito. Esta margem permitirá descongestionar a cadeia provincial e oferecer condições mais adequadas de separação e gestão dos reclusos. Para o ministro, este investimento tem como missão central “garantir que a finalidade da pena seja a reeducação e não a punição em condições degradantes”.

O governante insistiu que a construção das novas penitenciárias deverá ser acompanhada por uma mudança profunda na forma como se encara o dia-a-dia da reclusão. As novas unidades terão zonas agrícolas capazes de produzir alimentos e de formar reclusos em técnicas agropecuárias. A meta é permitir que, quando saírem, tenham, não apenas novas capacidades, mas também um maior sentido de autonomia e reinserção. Na visão do Ministério, o trabalho produtivo não é apenas uma forma de ocupação, mas um instrumento para reconstruir a auto-estima e preparar o retorno ao convívio social.

Durante a cerimónia, o ministro abordou igualmente a necessidade de reforçar a aplicação de penas alternativas à prisão, como forma de reduzir a superlotação. Recordou que a legislação já prevê estas medidas e que “a privação de liberdade deve ser sempre a última opção”. Sublinhou ainda que tem havido diálogo com os tribunais, mas admitiu que o número de sentenças alternativas ainda está aquém do desejável, razão pela qual este continuará a ser um pilar da estratégia de descongestionamento.

Um dos elementos mais inovadores apresentados no discurso do ministro foi o projecto das pulseiras electrónicas, cuja fase piloto deverá iniciar-se na primeira quinzena de Dezembro, na Cidade de Maputo. O equipamento, usado no tornozelo ou no braço, permitirá monitorizar reclusos que cumpram penas ou medidas de controlo fora das cadeias, reduzindo a necessidade de internamento físico e desafogando o sistema. Saíze explicou que o projecto nasce num contexto de limitações orçamentais, tanto do Estado como dos parceiros, mas garantiu que já há fornecedor seleccionado e que o Governo está “totalmente empenhado em fazer deste um piloto funcional”. O sucesso do programa, afirmou, poderá permitir a sua expansão para outras províncias no próximo ano.

A apresentação do plano nacional ocorreu num momento em que o sector ainda lida com as consequências das evasões de Dezembro de 2024. O ministro reconheceu que o país continua a procurar reclusos que fugiram durante aqueles episódios. Explicou que alguns foram recapturados, outros surgiram sem vida, e que as buscas continuam activas. No entanto, afirmou que “mais de 50% dos evadidos já foram recuperados”, num esforço que descreveu como complexo, mas contínuo.

A escolha de Jangamo como ponto de partida para este novo ciclo não foi apenas simbólica. Segundo Saíze, existe a possibilidade de, no futuro, a nova penitenciária assumir uma função ainda maior. O governante afirmou que, mediante avaliação técnica, o estabelecimento poderá ser elevado à categoria de penitenciária provincial, permitindo que a actual cadeia da cidade de Inhambane seja transformada numa unidade reservada a reclusos de alta perigosidade. Seria, nas suas palavras, “um redesenho prudente” da estrutura penitenciária da província, capaz de melhorar o controlo, a segurança e as condições de alojamento.

Ao longo da cerimónia, os discursos e intervenções revelaram o que está em causa nesta reforma: não se trata apenas de construir muros e erguer edifícios, mas de reconfigurar a forma como o país trata a privação de liberdade. O Governo procura alinhar Moçambique com padrões internacionais de direitos humanos, reduzir tensões internas, melhorar a gestão dos reclusos e criar condições para que a prisão deixe de ser um ciclo de retorno e passe a ser um processo de reconstrução.

A comunidade local acompanhou atentamente o acto, consciente de que a nova penitenciária mudará também a dinâmica social do distrito. Para alguns residentes, o estabelecimento poderá criar oportunidades de emprego, dinamizar serviços como transporte, comércio e fornecimento de bens, e reforçar a presença do Estado na região. Para outros, é um sinal de que Jangamo está a ganhar maior visibilidade nos planos nacionais.

No final da cerimónia, o ministro reforçou que este lançamento é apenas o início. “Estamos a construir o futuro do sistema prisional, um futuro com mais dignidade, mais segurança e mais humanidade”, afirmou, numa mensagem que sintetizou a visão do Executivo para os próximos anos. A obra de Jangamo deverá durar vários meses e será acompanhada de fiscalizações regulares, tanto a nível provincial como central.

Enquanto isso, o país prepara-se para ver erguer-se as restantes penitenciárias previstas no plano. A prioridade será dada a distritos que têm tribunais, mas não têm unidades penitenciárias, reduzindo a circulação forçada de reclusos e aumentando a eficiência na administração da justiça. As três unidades regionais, quando concluídas, deverão tornar-se referências nacionais em termos de capacidade, separação por categorias, segurança e programas de reabilitação.

Se o plano for executado dentro dos prazos estabelecidos, Moçambique poderá assistir a uma transformação profunda do seu sistema prisional, reduzindo significativamente a sobrelotação e aproximando-se de um modelo mais funcional e mais humano. A pedra lançada em Jangamo é, por isso, mais do que um gesto simbólico: é o início de um ciclo que poderá definir o sistema penitenciário para as próximas décadas.

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a continuação de ocorrência de chuvas moderadas a fortes, variando entre 30 e 50 milímetros em 24 horas, podendo, localmente, atingir quantidades superiores a 50 milímetros no mesmo período. As previsões incluem ainda trovoadas acompanhadas de ventos com rajadas, afectando várias regiões do centro do país.

As áreas de maior risco localizam-se na província de Manica, sobretudo nos distritos de Machaze, Mossurize, Sussundenga, Macate, Manica, Bàrue, Vanduzi, Macossa, e nas cidades de Gondola e Chimoio.

Na província de Sofala, o alerta abrange os distritos de Machanga, Chibabava, Buzi, Nhamatanda e Gorongosa, além das cidades de Dondo e Beira.

O INAM recomenda atenção redobrada nestas zonas durante o período de ocorrência das condições atmosféricas adversas.

O Conselho de Ministros, reunido nesta terça-feira, apreciou e aprovou a Proposta de Lei que altera a proposta de Lei que aprova o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) 2026, a submeter à Assembleia da República.

A revisão pretende incorporar os mais recentes desenvolvimentos do contexto macro-económico nacional, que ditaram a revisão das projecções de crescimento económico, a dinâmica da arrecadação de receitas fiscais e ao ajustamento das principais variáveis orçamentais.

Com efeito, em 2025, a economia registou uma queda de 3,9% no primeiro trimestre e uma contracção média de 2,4% no semestre, levando a uma revisão em baixa do crescimento económico em 1,3 pontos percentuais para 2025, com efeitos desfasados em 2026, estimando-se uma redução adicional de 0,4 pontos percentuais face às projecções iniciais, refere um comunicado da 40.ª sessão ordinária do Conselho de Ministros, enviado ao O País.

“Com a actualização dos pressupostos macroeconómicos, a arrecadação de receitas do Estado em 2025 deverá totalizar cerca de 361,8 mil milhões de Meticais, cerca de 24,0 mil milhões de Meticais inferior à previsão inicial, determinando uma revisão em baixa das estimativas para 2026 em 14,9 mil milhões de Meticais, relativamente à previsão inicial”, explica o documento.

Neste contexto, para assegurar a contenção do défice orçamental, o Governo decidiu, proceder ao ajustamento das principais variáveis orçamentais, incidindo essencialmente sobre projectos de investimento não prioritários, garantindo, contudo, a continuidade do financiamento dos serviços públicos essenciais e das políticas sociais fundamentais.

O ministro do Interior diz que a atribuição da tutela do SERNIC à Procuradoria Geral da República é apenas no papel, porque no terreno não é aplicável. Paulo Chachine diz ainda que o SERNIC sem a PRM não existe. Chachine fala ainda da necessidade de elaborar uma lei específica da Polícia, para fazer face ao vazio deixado no sector da investigação.

É a primeira vez que o titular da pasta do interior reage em público à aprovação, em Maio último, pela Assembleia da República, da Lei do Serviço Nacional de Investigação Criminal que atribui ao Ministério Público a tutela do SERNIC.

Paulo Chachine começa por dizer que apesar da decisão, no dia a dia as duas forças dependem uma da outra, para depois assumir que o SERNIC faz falta à PRM.

“Eu disse e continuo a dizer que SERNIC sem PRM é no papel, só, porque em termos reais não vai existir. Da mesma forma que também temos que aceitar que a PRM precisa de SERNIC, é por isso que estamos a nos arranhar aqui quando falamos de inteligência policial, porquê? Sempre nos ancoramos no DIU, parece-me dizer, deixamos tudo porque tínhamos DIU, mas DIU lá se foi”, disse o Governante, destacando a necessidade de valorização de algumas funções na Polícia.

“Negligenciamos um pouco os chefes de sectores, é por isso que agora cantamos e tem de ser, é preciso aprimorarmos os chefes de sectores, o trabalho dos chefes de sectores, no verdadeiro sentido, porque é lá onde nós temos a nossa verdadeira inteligência policial neste momento. Não temos outra, não temos outra fonte. Neste momento, a fonte primária que devíamos ter, ou que devemos ter, da inteligência policial, da recolha de informações policiais, de fundo e profundas, é nos chefes de sectores”.

O ministro do interior até tem esperança que a lei venha a ser revogada, mas enquanto não acontece, avança uma alternativa.

“Um serviço de inteligência policial no verdadeiro sentido, sim, temos que ter. Todas as polícias têm inteligência policial, todas, lá, não sei o nome, mas têm inteligência policial, todas, com um nome, com outro,  têm inteligência policial, mas nós não temos temos. Não nos preocupemos em que sejam coisas grandes, ramos, direcções, não é o que interessa. O que interessa é que aquilo que nós estamos a desenhar deve fazer e fazer bem, é o que nos deve preocupar”.

Chachine fez este pronunciamentos na manhã desta terça-feira, na Matola, durante a abertura do 27 Conselho da PRM e da 10 Assembleia Geral dos SSPRM, Serviços Sociais da PRM, onde desafiou os presentes a darem suas contribuições numa lei própria.

“E nesta lei têm de estar refletida a nossa grande missão, a nossa missão de garantir a ordem, segurança e tranquilidade públicas em todas as suas vertentes, tem de estar clara. Como fazemos isso e como é que temos que fazer, como articulamos e como é que devemos articular, é isto que deve estar lá. Termos uma lei onde, quando tivermos dúvidas, voltamos para trás e consultamos o que é que diz a lei da polícia sobre isto e encontrarmos respostas lá. E aquilo que não encontrarmos lá, dizer que a lei da polícia nos dá caminhos, nos orienta, nos permite a consultarmos outras leis acessórias e outras para encontrarmos respostas”.

Do evento deverão sair medidas mais arrojadas para prevenir acidentes, sobretudo no período festivo que se avizinha. 

Reagindo às declarações do Ministro do interior, sobre a lacuna nos serviços de investigação da PRM, com a saída do SERNIC da sua tutela, o Jurista José Caldeira diz que a PRM não pode depender do SERNIC para fazer o seu trabalho, pois o Ministério Público precisa mais do SERNIC do que a Polícia.

“O Ministério Público precisa de um auxiliar. O auxiliar do Ministério Público, por excelência,  é uma polícia de investigação. O Ministério Público está maniatado se não tiver uma polícia de investigação. Portanto, eu sou da opinião que a decisão foi correta de passar o Serviço de Investigação Criminal de Sarnic para o Ministério Público. Agora, isso não significa que a polícia não tenha que ter uma unidade de inteligência. Precisa. Se não está criada, devia estar criada e deve ser criada. Mas uma coisa não implica que a outra tenha que desaparecer”, defendeu. 

Caldeira esclarece, no entanto, que não existe nada que impeça a coordenação entre ambas.

“A PRM tem que se estruturar de maneira a ter o tal serviço de inteligência, que é fundamental.  E eu concordo, todo mundo tem serviço de inteligência da polícia, como há serviços de inteligência do Exército. Tem que ter. Mas isso não significa que tem que ter um serviço de investigação criminal, porque o papel da Procuradoria, o papel essencial, para além de outros, representar o Estado, etc., é o papel de ter a iniciativa dos processos criminais, dos processos penais. E tem que ter uma arma, um instrumento que permita levar a cabo cabalmente esta função. O facto de o SERNIC ter passado para a dependência da Procuradoria Geral da República não significa que não haja uma interacção com a polícia. Tem que haver uma forma de articulação, assim como a Procuradoria continua em articulação com a Polícia da República de Moçambique, ou  com outras unidades policiais.

Portanto, esta interação vai continuar, só que agora tem este novo formato. E eu acho que este novo formato, repito, é o formato mais correcto”, disse. 

Já o capitão-tenente na reserva, Abdul Machava diz que as declarações do ministro mostram uma provável disputa de hegemonia dentro da máquina da justiça. 

“É fácil concluir que alguns dos episódios das investigações que nunca foram conclusivas, incluindo alguns dos episódios da ineficiência da investigação, poderiam estar atrelados a essas disputas de hegemonia dentro dessa máquina da administração de justiça. Por isso, eu concordo que a polícia tenha o seu sistema de investigação, tenha o seu departamento de investigação, tenha o seu serviço de informação policial, serviço de reconhecimento policial. Não é problema. As Forças Armadas também têm. Agora, que se equiparem ao SERNIC, eu acho que não. Porque o SERNIC é, no seu âmbito, quem coadjuva as investigações, a mando do Ministério Público, quem tutela a acção penal em Moçambique”.

Para Machava é preciso pôr fim a disputas de poder no seio das instituições públicas, sob pena de haver sabotagem interna.

Para o criminalista Paulo de Sousa, não é de mais entidades que a PRM precisa, neste momento.

“As competências do SERNIC são exclusivas, bem como as da PRM. Agora, se a PRM precisa do SERNIC por causa desta exclusividade, é preciso entender como pode usa-la. Ora, criar mais entidades, mesmo que sejam sectores, vai fazer que haja investimentos paralelos ou sobrecarga financeira ao Estado, e não é isto que se pretende. como sabemos, o SERNIC precisa de investimento: materiais, equipamentos, pessoal e outros que, se alocarmos a outros esforços perderemos o seu apetrechamento”, disse. 

De Sousa defende a necessidade urgente de atualização das leis orgânicas da PRM e do Ministério Público, bem como a institucionalização do regulamento do SERNIC, para que estejam claras as competências e limites de actuação de cada força.

 

O Parque Nacional de Chimanimani é rico em biodiversidade, mas começa a ser ameaçado pelo crescimento populacional. Várias reacções humanas têm colocado em risco a diversidade biológica, razão pela qual o Instituto de Investigação Agrária de Moçambique concentra, agora, esforços na busca de soluções, numa primeira fase voltadas para a preservação de plantas medicinais.

A informação foi avançada pelo representante do IIAM, que disse que o trabalho, neste momento, é mapear onde essas espécies estão, em que quantidade existem, o que efectivamente essas espécies ajudam a resolver ao nível das comunidades.

“O que nós constatamos é que são aproximadamente 100 espécies que foram identificadas, espécies medicinais”, disse.

A administração do Parque Nacional de Chimanimani vê a iniciativa como um verdadeiro balão de oxigénio para a população das 13 comunidades da zona-tampão, que tradicionalmente recorre a plantas nativas para o tratamento de várias doenças.

“Este processo de plantas medicinais na paisagem de Chimanimani é muito crucial, olhando para as dificuldades de acesso desta população aos serviços de saúde”, disse.

As comunidades locais saúdam o gesto e já iniciaram acções para replicar a iniciativa. “Todos os medicamentos que estão na minha zona estão cheios. Há outros que não estão na zona, então, é preciso sair para procurar noutras zonas, para poder trazer na nossa zona”, disse um dos residentes.

Outro dos residentes pediu para que se presta mais atenção na situação actual para que não prejudique o futuro das populações locais, incluindo a população animal.

“Temos que prestar muita atenção, porque futuramente se poderá transformar em deserto caso não mudemos as estratégias de exploração do potencial medicinal que lá existe”, pediu.

Numa primeira fase, o projecto de restauração de plantas medicinais levado a cabo pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária de Moçambique beneficia as comunidades de Tsetsera, Nahed e Moribane.

Um menor e uma jovem morreram no distrito de Nhamatanda, em Sofala, vítimas de descargas atmosféricas em ocasiões diferentes, durante o mau tempo que se fez sentir ao longo da semana passada em algumas regiões daquela província do Centro do país.

O mau tempo que assolou a província de Sofala na semana finda, caracterizado por chuvas, particularmente na cidade da Beira e nos distritos de Muanza, Búzi e Nhamatanda, matou duas pessoas depois de serem atingidas por descargas atmosféricas.

A informação foi avançada pelo delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.

“Indo concretamente àquilo que seria em termos de impacto, infelizmente, tivemos uma situação de dois óbitos em Nhamatanda, ocorridos no dia 18, no distrito de Nhamatanda, onde duas pessoas, um menor de 14 anos e uma jovem de 23 anos, foram colididos com descargas atmosféricas, derivado a este fenómeno, que fomos avisando que teria situação de chuvas fortes, acompanhadas de trovoada. Infelizmente, no distrito de Nhamatanda, ocorreram estes dois óbitos que, por sua vez, já se fez a intervenção nas famílias”, disse Aristides Armando.

As vítimas, do mesmo bairro, encontravam-se ao relento. Aristides Armando fala de como evitar ser vítima destas descargas atmosféricas. “Quando se trata de descargas atmosféricas, o mais sensato é ficar dentro de casa, evitar estar em espaços abertos, evitar estar do lado das árvores, porque esses são canais condutores de electricidade”, disse, apontando ainda que, “quando há essas situações, temos de estar em casa, manter as portas fechadas, evitar usar materiais electrónicos”.

O processo de monitorização ao nível dos distritos afectados por mau tempo continua, segundo deu a conhecer o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala.

“Já fizemos os pré-posicionamentos, principalmente para os distritos mais críticos. Falo do caso do distrito de Muanza, distrito de Cheringoma, distrito de Marromeu. Neste momento, está-se a fazer o pré-posicionamento para os outros distritos, para garantir que esses, por sua vez, tenham capacidade de resposta face àquilo que seria a presente época chuvosa e ciclónica”, disse Aristides Armando.

Contudo a quantidade de chuvas que vem caindo na província de Sofala há cerca de uma semana, de acordo com o INGD, é muito boa para a prática agrícola e as famílias camponesas foram exortadas a cultivar a terra nesta primeira época.

Sofala quer implantar projecto de mapeamento de riscos de inundações

Na comunicação com a imprensa, o delegado do Instituto Nacional de Gestão de Desastres de Sofala, Aristides Armando, informou que a província está a aprimorar as suas capacidades de prevenção de riscos, pois está envolvida num projecto de tecnologia para simulação de mapeamento de riscos de inundações.

Com a iniciativa, Sofala passará a estar dotado de estratégias de análises dos mapas de riscos, para melhor ter capacidades de responder aos diferentes impactos ligados às mudanças climáticas e evitar danos elevados, sobretudo de vidas humanas.

“Neste momento, estamos a treinar os pontos focais, a nível da província de Sofala, para encontrar melhor técnica de resposta aos desastres, porque esses têm sido nossos desafios”, anotou Aristides Armando, delegado do INGD em Sofala.

A implementação da iniciativa conta com o apoio de uma organização belga e é financiada pelas Nações Unidas, com o fundo para o clima.

O debate sobre o futuro económico de Moçambique volta a ganhar intensidade com o lançamento do livro Moçambique e as Armadilhas da Dependência, a primeira obra de Justino Nhare, um jovem investigador que decide enfrentar de frente um dos temas mais sensíveis da história recente do país: a dependência económica estrutural. A obra, já disponível para venda e com lançamento oficial agendado para o dia 28 deste mês, propõe uma leitura crítica e profundamente documentada sobre os últimos 50 anos, analisando caminhos, escolhas e fragilidades que moldaram a trajectória económica do país.

Desde as primeiras páginas, Nhare apresenta uma tese que desafia a forma como Moçambique tem pensado o seu desenvolvimento: a independência económica não pode continuar a ser um objectivo conjuntural, associado ao mandato de um Presidente da República. Para o autor, este deve tornar-se um imperativo constitucional. A ideia é clara — só um compromisso inscrito na Constituição garante continuidade, estabilidade e blindagem contra a descontinuidade de políticas públicas que tem marcado várias fases da governação.

A obra parte de uma análise histórica rigorosa. Nhare revisita momentos-chave, desde o pós-independência até à actualidade, para explicar como Moçambique se tornou um país estruturalmente dependente de ajuda externa e endividamento contínuo. O autor sublinha que esta dependência não é um fenómeno abstracto. Ela manifesta-se diariamente na forma como o Estado financia sectores essenciais. “O nosso orçamento, quase 22%, depende da ajuda externa”, afirma. E, para ele, esta dependência financeira traduz-se numa dependência política que limita a autonomia decisória do país em áreas sensíveis como saúde, educação e infraestruturas.

Nhare alerta para o que considera ser a contradição central do modelo económico actual: Moçambique continua a depender de recursos externos para financiar sectores que deveriam ser pilares da soberania nacional. Segundo o autor, sempre que um doador financia um sector estratégico, influencia também prioridades, ritmos, critérios de implementação e até visões de desenvolvimento. Para Nhare, este mecanismo, ainda que não declarado, cria um tipo de tutela indirecta sobre o país, dificultando a construção de um projecto verdadeiramente autónomo.

Outro eixo central da obra é a análise do endividamento externo. Aqui, Nhare é particularmente incisivo. Considera que, sem uma mudança profunda na forma como o país avalia, contrai e gere dívida pública, Moçambique permanecerá preso num ciclo que consome mais do que produz. “A dívida tornou-se uma nova forma de colonização”, afirma, sublinhando que o problema não está apenas no montante total da dívida, mas na falta de correspondência entre esse endividamento e o retorno económico real gerado pelos projectos financiados.

A obra discute, com exemplos e dados, como sucessivos governos contraíram dívidas cujo impacto económico foi limitado, criando encargos duradouros para o país e expondo Moçambique a vulnerabilidades adicionais. Nhare argumenta que o país precisa de avaliar melhor a sua capacidade de endividamento e exigir maior rigor na aprovação de projectos financiados externamente. “É importante rever as formas e o tipo de endividamento, medir a capacidade do país e garantir que cada dívida tenha retorno real”, defende.

Embora a crítica ao passado seja firme, Justino Nhare recusa um discurso pessimista. Pelo contrário, o livro propõe uma agenda de futuro, sustentada em reformas estruturais e na necessidade de transformar a independência económica num compromisso nacional. Para o autor, esse compromisso precisa de estar explicitamente inscrito na Constituição para impedir que mudanças de governo signifiquem mudanças bruscas de orientação económica. “É preciso garantir que nenhum presidente venha a remover o plano de independência económica”, afirma, defendendo que o país precisa de uma visão de longo prazo protegida de ciclos eleitorais.

Um dos pontos mais fortes da obra é o capítulo dedicado à juventude. À semelhança de vários estudiosos africanos contemporâneos, Nhare defende que a juventude deve assumir o centro da agenda económica e não ser tratada como um problema a resolver. Para o autor, o país tem desperdiçado talento, criatividade e energia que poderiam transformar sectores-chave. “O jovem não pode ser uma opção; tem que ser o ponto fulcral das políticas públicas”, diz. Para ele, cada jovem à procura de oportunidades representa uma potencial solução económica, e não um desafio social.

Nhare recusa a narrativa de que os jovens são um grupo passivo à espera de emprego formal. Defende que a juventude moçambicana é um activo estratégico que deve ser chamado para o centro da discussão económica, desde a inovação tecnológica à agro-indústria, passando pelo empreendedorismo e pelas novas economias verdes. Essa abordagem, segundo o autor, poderia romper com o ciclo de dependência que marca a história recente do país e abrir espaço para um modelo económico mais vibrante, moderno e auto-sustentado.

O livro também confronta práticas e modelos de governação que, segundo o autor, têm contribuído para a descontinuidade de políticas públicas e para a fragilidade institucional. Nhare alerta que iniciativas económicas que mudam com a alternância de titulares não criam raízes. Por isso, insiste que a constitucionalização da independência económica é a única forma de garantir que o país siga um caminho coerente e consistente, independentemente das conjunturas políticas.

À medida que avança, a obra ganha profundidade conceptual, propondo uma reflexão sobre democracia económica, soberania financeira e gestão estratégica dos recursos naturais. Nhare sublinha que Moçambique não pode limitar-se a ser um país exportador de matérias-primas sem valor acrescentado. O autor defende a necessidade de transformar a estrutura produtiva e de investir em sectores que criem riqueza duradoura.

Com uma escrita acessível, mas intelectualmente exigente, Moçambique e as Armadilhas da Dependência chega num momento crucial para o país. A economia enfrenta desafios profundos: inflação, dificuldades de financiamento externo, dívida pública elevada, fraco investimento privado e uma juventude maioritariamente desempregada. É neste contexto que o livro surge como um convite à reflexão nacional, numa altura em que o debate sobre soberania, finanças públicas e rumo económico se torna imprescindível.

O lançamento oficial será no dia 28 deste mês, mas a obra já circula e, segundo previsões, deverá estimular conversas intensas entre economistas, políticos, académicos e cidadãos interessados no futuro do país. Justino Nhare, pertencente a uma nova geração de pensadores, coloca uma pergunta que ressoa ao longo das mais de 200 páginas: “Que Moçambique queremos construir nos próximos 50 anos?”

O livro não oferece respostas fáceis — mas oferece pistas essenciais. E promete ser o ponto de partida para uma discussão que o país já não pode adiar.

Arrancaram, esta segunda-feira, os exames finais da nona classe, em todo o país. A Cidade de Maputo prevê avaliar mais de 18 mil alunos em 61 centros de exames.

Nas escolas havia corredores vazios e silêncio absoluto! Nas salas, os alunos mantinham-se concentrados  e os professores atentos. Eram indícios dos exames finais da nona classe que decorrem pela primeira vez, em todo o país, e que arrancaram esta segunda-feira. O primeiro dia de exames foi reservado para as disciplinas de português e Biologia.  

Na Escola Secundária Francisco Manyanga, apesar da ausência de 21 alunos, o processo decorreu sem sobressaltos, segundo explicou o director da instituição. 

“Esperávamos receber 551 alunos e destes fizeram-se presentes 530. O que quer dizer que só 21 alunos é que não se fizeram presentes. Fomos aos processos dos alunos, entramos em contacto com alguns encarregados de educação e soubemos que não se puderam fazer presentes por razões que tem a ver com saúde”, explicou Sabino Congolo.

Na Escola Secundária da Polana prevê-se examinar 405 alunos da nona classe. 

“Tivemos oito ausências no primeiro exame e no segundo tivemos quatro alunos que faltaram, ainda não sabemos as razões, mas o ambiente é calmo, o trabalho está a correr normalmente, todo o trabalho está a correr sem sobressaltos.”disse o director da instituição, Filipe Alfiado.

Só na cidade de Maputo foram criados 61 centros de exame para avaliar mais de 18 mil alunos.

“Neste número, 9.419 são raparigas e temos, portanto, 724 júris e temos como rede escolar que oferece esse serviço de examinacao a 61 escolas. Isto, portanto, na cidade de Maputo.”, Hélio Mudendere, Director da Educação da Cidade de Maputo  

Os alunos afirmam que as matérias avaliadas, esta segunda-feira, correspondem às matrizes e a maior expectativa é de passar de classe. 

Para os alunos, o apelo é para que evitem atrasos e fraudes acadêmicas. 

“Para o caso da nona classe, recomendamos que os alunos estudem com base nas matrizes e nos conteúdos programáticos selecionados durante o ano letivo. Para o caso da décima e da décima segunda classe, recomendamos que estudem com base nos exames dos últimos cinco anos, igualmente nas matrizes, nos conteúdos selecionados e nunca se deixarem levar por falsos exames que, provavelmente, possam ser partilhados a nível das redes sociais.”

Os exames da décima  e da décima segunda classes irão decorrer entre 01 e 04 de Dezembro.  

Desde que foi anunciada a retoma  do  Projecto de exploração de Gás Natural Liquefeito na bacia do Rovuma, Cabo Delgado está a registar um movimento considerado anormal  de empresários e de  investidores. A informação foi confirmada pelo representante da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) ao nível da província. 

Quase quatro anos depois da suspensão   do Projecto de exploração de Gás Natural Liquefeito na Área 1 da Bacia do Rovuma, devido aos ataques terroristas , a economia de Cabo Delgado voltou a ficar reanimada.

“Com a abertura da força maior, já estamos a notar a movimentação da nossa província. Com esta movimentação, notamos que há entrada de alguns empresários e alguns investimentos que já estão a entrar na nossa província”, disse Mamudo Irache, representante da CTA em Cabo Delgado.  

A suposta entrada massiva de  empresários e investidores em Cabo Delgado é considerada uma preocupação para  os empresários locais, alguns dos quais   prevê a luta pelas oportunidades de negócio na  exploração gás na Área 1 da bacia do Rovuma.

“Uma das causas que cria instabilidade em qualquer país é a falta de envolvimento do conteúdo local, porque não faz sentido que aconteçam aqui iniciativas macro sem que os jovens locais estejam envolvidos, cria frustração”, disse Josué Assane, empresário em Cabo Delgado. 

 Além da suposta exclusão nas oportunidades de negócio,  os empresários de Cabo Delgado estão preocupados com o isolamento da península de Afungi, um plano que vai comprometer a vida da população e o desenvolvimento da província que há vários anos depende   do movimento de pessoas ligadas directa ou indirectamente ao gás da Área 1 da bacia do Rovuma.

A Inspecção Geral do Conteúdo Local reconhece a preocupação dos empresários de Cabo Delgado e garante o equilíbrio em todos  negócios de exploração de recursos naturais que decorrem na província. 

 Cabo Delgado possui vários megaprojectos, mas a maior parte das oportunidades de negócios está ligada à exploração de gás natural liquefeito na área um da bacia do Rovuma, que é considerado uma das maiores reservas de gás do mudo.

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