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O País – A verdade como notícia

O Ministro do Interior pede aos cidadãos para agirem de acordo com a lei, e encaminharem as suas reivindicações às autoridades competentes, evitando a justiça com as próprias mãos. Paulo Chachine reagia ao linchamento de um agente da Polícia em Zóbue, na província de Tete, ocorrido esta Terça-feira.

Celebra-se esta quarta-feira o Dia da Legalidade. As instituições de administração da Justiça e da Legalidade depositaram uma coroa de flores na Praça dos Heróis, em Maputo, para assinalar a efeméride. Na ocasião o Ministro do Interior reagiu ao linchamento de um agente da PRM em Tete. 

“É triste e infelizmente isso acontece, mas não deve acontecer, porque, quando nós falamos de conformidade com a lei, não fazemos esta exigência apenas para a Polícia, para as instituições de administração da justiça, mas para todo o cidadão. O cidadão também, nas suas acções, deve se conformar com a lei. Há justiça, e a justiça deve ser feita por instituições próprias, pelas instituições da justiça, não a justiça pelas próprias mãos”, disse o ministro, apelando que os cidadãos conforme as suas acções com a lei. 

Outro acto que atenta à legalidade em Moçambique são os raptos, e o Governante garante que há esforços para combater o mal.

“Raptos é um crime organizado, e tudo que é crime organizado tem uma teia de responsáveis, uma teia de responsáveis por este acto, desde o mais pequeno até ao dono, até ao mandante. E é por causa disso que, às vezes, se pensa que ainda não chegamos lá, mas vai chegar-se aos verdadeiros mandantes”, acrescentou o Chachine. 

O Dia da Legalidade é celebrado em Moçambique desde 1981.

O governador de Nampula, Eduardo Abdula, assegurou que as Forças de Defesa e Segurança (FDS) estão a desenvolver um trabalho árduo, contínuo e bem coordenado para travar a penetração e expansão dos grupos terroristas no distrito de Memba, região que tem sido alvo de ameaças e incursões ocasionais nos últimos meses.

De acordo com o governante, o Governo provincial, em estreita articulação com as FDS, tem vindo a implementar diversas medidas operacionais e estratégicas, com destaque para o reforço da vigilância nas zonas costeiras, onde se têm registado tentativas de infiltração de elementos extremistas. 

Abdula destacou que estas acções fazem parte de um plano mais amplo de estabilização e protecção das populações, cujo principal objectivo é garantir o retorno da normalidade e o restabelecimento da confiança entre os cidadãos.

Paralelamente às operações militares, decorre um trabalho intenso de sensibilização comunitária, envolvendo líderes locais, religiosos e tradicionais, que visa mobilizar as comunidades para a denúncia imediata de quaisquer sinais de recrutamento de jovens para as fileiras do terrorismo. 

O governador alerta que o combate ao extremismo violento deve ser encarado como uma responsabilidade colectiva, que exige vigilância permanente e cooperação estreita entre as autoridades e a população.

Eduardo Abdula reconheceu que a vida nos postos administrativos de Chipene e Lúrio-outrora, alvos de ataques terroristas, decorre de forma tímida, mas assegurou que os terroristas já não se encontram presentes nessas regiões. 

Segundo o dirigente, as Forças de Defesa e Segurança mantém o controlo total da área, estando em curso acções de patrulhamento e monitoria constantes para garantir que as comunidades possam retomar as suas atividades com segurança e tranquilidade.

O governador de Nampula reiterou o compromisso do Executivo provincial em continuar a trabalhar incansavelmente para consolidar a paz, promover o desenvolvimento local e restabelecer a confiança das populações afetadas. 

“Estamos determinados a restaurar a normalidade e a assegurar que nenhuma família viva novamente sob o medo. O papel das nossas Forças de Defesa e Segurança tem sido exemplar, e o apoio das comunidades é fundamental para que a paz seja permanente”, concluiu.

 

O Fórum Nacional sobre Paz e Reconciliação, realizado esta quarta-feira, em Maputo, destacou que a verdadeira paz em Moçambique não se conquista apenas com o fim do conflito, mas com justiça, inclusão social e respeito pelos direitos humanos.

Promovido pelo Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD) e parceiros, com o apoio da União Europeia (UE), o encontro reuniu representantes de instituições nacionais, organismos internacionais e membros da sociedade civil, com o objectivo de construir caminhos concretos para a reconciliação nacional.

“Haverá paz quando houver justiça e dignidade para todos. A paz não é apenas a ausência de conflito, mas a presença de equidade e respeito pelos direitos humanos”, afirmou Séverine Landeny, representante da ONU em Moçambique, sublinhando que o país ainda enfrenta desafios significativos na consolidação da unidade nacional.

O director do IMD, Hermenegildo Mulhovo, reforçou que o Fórum é apenas uma etapa de um processo contínuo: “Este é um espaço para recolher contributos para um diálogo nacional inclusivo. A reconciliação não é mágica, exige tempo, coragem e compromisso de todos os sectores da sociedade.”

O reitor da Universidade Pedagógica de Maputo, Jorge Ferrão, lembrou que Moçambique continua distante de alcançar uma paz plena. “Não podemos falar de paz verdadeira se não colocarmos a justiça e a dignidade no centro do nosso trabalho. O país ainda carrega feridas antigas que precisam ser tratadas com atenção e responsabilidade”, disse Ferrão.

Por seu turno, o Governo defendeu o abandono de julgamentos com base nas memórias do passado, apelando ao reforço do bem-estar comum como pilares da reconciliação. 

“A paz exige que olhemos para o futuro, priorizando o bem colectivo e a unidade nacional em detrimento de interesses individuais ou partidaristas”, afirmou o representante do Ministério da Justiça.

Já o Conselho Cristão de Moçambique (CCM) também se manifestou, apelando à superação de interesses particulares. “O momento exige que cada um de nós coloque o bem do país acima de objectivos pessoais e com sinceridade. Só assim poderemos consolidar a unidade nacional”, frisou Rodrigues Dambo, presidente do CCM.

Além disso, o político Óscar Monteiro alertou que muitas das tensões actuais têm origem em assuntos do passado ainda não resolvidos com bases étnicas. 

“Não podemos ignorar que problemas antigos continuam a gerar conflitos e desconfiança. Precisamos de coragem para enfrentar essas questões e construir um futuro melhor”, disse Monteiro.

Por seu turno, a União Europeia reconheceu os avanços de Moçambique no caminho da reconciliação, mas destacou que ainda há muito trabalho a ser feito. A ocasião serviu para o IMD anunciar planos de replicar o Fórum nas demais províncias, garantindo que o diálogo nacional seja verdadeiramente inclusivo e que a participação da sociedade civil seja ampliada.

Mais de 500 famílias afectadas pelas inundações, na cidade de Maputo, regressaram às suas casas depois do bombeamento das águas da chuva. O edil Rasaque Manhique diz que o reassentamento está refém  da criação de condições. 

Pelo menos 37 mil pessoas que se encontram nas zonas de risco poderão ser afectadas nesta época chuvosa 2025-2026, na Cidade de Maputo. Neste momento, cerca de 700 famílias ainda vivem em casas alagadas.  

A preocupação foi levada a Rasaque Manhique nesta quarta-feira, pelas bancadas municipais, durante mais uma sessão da Assembleia Municipal de Maputo. 

“Os munícipes clamam por uma intervenção que resolva o problema, pois mais famílias são obrigadas a abandonar as suas zonas de residência, o que agrava o cenário de pobreza  urbana. Aliás, o saneamento é uma emergência na cidade de Maputo. A preocupação é ainda maior porque iniciou o período chuvoso”, explicou Augusto Banzo, chefe da bancada municipal do MDM. 

Nos centros de acolhimento, algumas famílias continuam a viver na incerteza e queixam-se de falta de condições.

“De forma persistente, temos vindo a questionar sobre as medidas tomadas neste governo municipal, para resolver os problemas dos munícipes de Hulene, Magoanine, entre outros bairros propensos a inundações. Todavia, temos visto munícipes clamando por falta de assistência nos centros de acomodação, más condições de higiene e existência de apenas uma única casa de banho para todos. A pergunta que não quer calar é, se até hoje em algumas residências temos poças de água estagnada,  o que será destas famílias e de outras?”, questionou João Rebenze, Chefe da Bancada da Renamo.

Para a bancada municipal da Frelimo, o bombeamento de água em curso em alguns bairros,  é uma solução eficaz para resolver o problema.   

“Com o bombeamento e criação de sistemas que garantem uma maior capacidade de escoamento de águas pluviais, significa que nos próximos tempos teremos menos problemas decorrentes das descargas pluviométricas ”.

Por sua vez, Rasaque Manhique garante que centenas de famílias regressaram às suas casas, desde o arranque do processo. O edil fala de um espaço com capacidade para reassentar mais de 500 famílias, identificado no distrito de Matutuine. 

“Sobre o reassentamento, continuamos a dizer que não basta apenas identificar o local e levar a nossa população, sem que criemos condições mínimas. O Executivo está comprometido para que, além de receber os espaços, trabalhe para criar condições de habitabilidade ”

Na sessão da Assembleia Municipal, os deputados condenaram a ocorrência de raptos, na capital do país, e exigem o reforço da segurança. 

O Hospital Central de Nampula está saturado! Não tem mais espaço para internamentos e há doentes nos corredores das diversas enfermarias. Enquanto isso, os médicos fazem braço-de-ferro exigindo pagamento do trabalho que realizam depois das 15h30. 

É o hospital de referência na zona Norte do país, atendendo casos complicados transferidos dos 23 distritos de Nampula, de parte da Zambézia, do Niassa e de Cabo Delgado. O Hospital Central de Nampula, é palco de mais um episódio de divergência entre os médicos e a direcção.

Na semana passada os médicos ameaçaram parar de trabalhar depois das 15h30, o que levou o Secretário de Estado a reunir-se até se chegar a um meio termo.

Segundo o porta-voz da maior unidade sanitária ao nível da zona norte do país, Sulemane Isidoro, os médicos prometeram que iriam acatar as questões abordadas na reunião com o Secretário do Estado em Nampula até dia 15 deste mês. Assegura que, neste momento, há um trabalho em curso de modo a resolver os problemas levantados pelos médicos.

Explica ainda que, apesar de o hospital ter 200 médicos, estes não são suficientes para colocar em todos os serviços essenciais, como é o caso pediatria, banco de socorros, maternidade e ginecologia. 

Enquanto isso não acontece, nos corredores do Hospital Central de Nampula assiste-se a um cenário de total desordem, com os corredores a serem ocupados com camas porque as salas de internamento propriamente ditas estão lotadas de pacientes. E não se trata de uma situação isolada de apenas um dia.

“Infelizmente, nós temos o Hospital Central de Nampula como receptor de todos os pacientes da província e isso tem suas implicações. Das cerca de 600 camas que nós temos neste hospital, hoje elas não conseguem suportar a demanda”, anota, explicando que a taxa de ocupação de camas nesta unidade sanitária ultrapassa os 100 por cento, rondando nos 110 a 115. 

Não é possível suportar este ambiente! O que é anormal virou completamente normal neste hospital. E perante este nível de lotação há riscos para todos. Para Suleimane Isidoro, os riscos são partilhados entre os pacientes e os profissionais de saúde. 

O Provedor de Justiça alerta que, apesar da redução no número de queixas, persistem irregularidades graves na administração pública que continuam a comprometer a atuação do Estado. Falando durante a  o informe anual na Assembleia da República, Isaque Chande denunciou ainda supostos esquemas nos concursos públicos. 

Embora se verifique uma diminuição no número de queixas de 626 para 457, em comparação com o período anterior persistem irregularidades na administração pública que comprometem a atuação do Estado. 

São conclusões do relatório anual do Provedor de Justiça, apresentado esta quarta-feira na Assembleia da República, que revela avanços no cumprimento da lei, mas também situações que exigem correcção urgente.

“Em primeiro lugar, constata-se uma crescente insatisfação relativamente ao funcionamento dos serviços públicos. Muitos cidadãos reportam morosidade na tramitação de processos, tratamento desigual no atendimento e, em alguns casos, a exigência de pagamentos ilícitos para a obtenção de serviços que deveriam ser gratuitos.

Para o Provedor de Justiça, persistem igualmente deficiências na comunicação institucional, o que dificulta o acesso à informação pública e compromete os princípios de transparência e boa governação administrativa.

No campo social, o relatório refere que persistem desafios significativos no acesso a serviços básicos. O sector da saúde continua a enfrentar carências de medicamentos, mau atendimento e insuficiência de profissionais qualificados, sobretudo nas zonas rurais. Já no sector da educação, verifica-se a falta de professores e materiais escolares e infraestruturas adequadas, comprometendo a qualidade do ensino. 

“Há dificuldades de acesso à água potável e ao saneamento básico, bem como o aumento do desemprego e da pobreza, factores que acentuam a vulnerabilidade social de inúmeras famílias”, avançou, Isaque Chande.

POLUIÇÃO AMBIENTAL EM MOATIZE

Um dos casos referidos no informe ocorre em Moatize, província de Tete, onde a mineradora de carvão Vulcan é apontada como responsável por poluição ambiental com impacto directo nas comunidades locais.

“No concernente à situação da poluição ambiental na província de Tete, distrito de Moatize, causada pela mineradora de carvão (Vulcan), foi ouvida a Vulcan, a administração do distrito e os representantes da comunidade. 

Segundo o relatório do Provedor de Justiça, no exame realizado concluiu-se efectivamente haver problemas de poluição ambiental, com impacto na comunidade. O relatório sobre este assunto foi remetido ao Governo central, para os devidos efeitos.

O Provedor de Justiça denunciou ainda irregularidades nos concursos públicos para a contratação de bens e serviços do Estado.  

“Um grupo de cidadãos submeteu uma queixa ao Provedor de Justiça alegando que houve irregularidades num concurso público para a contratação de bens e serviços. O Provedor de Justiça analisou a queixa e concluiu que houve viciação do concurso e a violação dos procedimentos, afrontando directamente aos vários princípios que regem o Regulamento de Contratação de Empreitada de Obras Públicas, Fornecimento de Bens e Prestação de Serviços ao Estado”, explica. 

Diante da situação, o  Provedor de Justiça recomendou ao Secretário de Estado da Cidade de Maputo, para, no prazo de 60 dias, tomar as providências necessárias com vista a corrigir a ilegalidade causada, devendo praticar actos próprios com vista a salvaguardar os interesses dos concorrentes de boa-fé. 

Isaque Chande apelou alertou ainda que, a redução do índice de sinistralidade rodoviária só será possível com uma mudança colectiva de comportamento por parte de todos os utentes da via pública. 

 

O Governo anunciou, na noite desta terça-feira, no distrito de Vilankulo, em Inhambane, medidas especiais para atrair mais investimentos para o sector do turismo nacional. Entre várias, destacam-se a declaração da província de Inhambane como Capital Turística, com três zonas a beneficiar de incentivos fiscais, nomeadamente: Vilankulo, Pomene e Inhassoro e as ilhas conexas. 

Este anúncio foi feito pelo Presidente da República, Daniel Chapo, durante o encerramento da Conferência Internacional de Turismo, iniciado a 3 de Novembro corrente.

Daniel Chapo explicou que a delimitação de zonas econômicas especiais visa incentivar, tanto o investidor estrangeiro, bem como estimular o nacional a investir em infraestruturas turísticas e não só. 

“Queremos declarar e aprovar Vilankulo, Pomene e Inhassoro, incluindo as ilhas, como zona econômica especial de investimento turístico integrada no corredor turístico sul, com incentivos fiscais e administrativos atractivos para atrair mais investimentos. Queremos rever o modelo de negócios e, se possível, transformar o INATUR numa agência nacional de desenvolvimento e investimentos do turismo, com competências para ser um balcão único de investimentos, gestão de bolsa de terras para fins turísticos, organização de leilões de concessões turísticas de até 25 anos renováveis, avaliação e certificação de projectos turísticos e parcerias público-privadas e gestão de cota doméstica de investimentos turísticos de grande dimensão”, explicou Daniel Chapo reiterando que Instituto Nacional do Turismo vai ter que se transforma para se  adaptar a esta velocidade que se pretende imprimir.

Diante de uma plateia composta de empresários, empreendedores, gestores e pesquisadores da área, o Chefe de Estado apresentou uma medida que, no seu entender, tem sido um entrave para o acesso aos pacotes turísticos nacionais: o visto.

“Queremos implementar um regime especial de vistos, que inclua a ampliação de isenção de vistos em mais países, com respectiva flexibilização. Estamos, neste momento, a tratar de uma plataforma que possa flexibilizar os vistos para o turismo em Moçambique e que alguém possa, a partir da sua casa, do seu telefone, ter um visto e avançar para Moçambique sem nenhuma dificuldade.  Estamos num processo bastante avançado entre o Ministério das Comunicações e Transformação Digital e o Ministério do Interior”, disse.

A livre circulação de cidadãos Africanos, no âmbito da Zona de Comércio Livre, também foi abordada.

“Queremos também direito de obtenção de vistos de turismo e negócios à entrada para cidadãos africanos e revisão dos vistos de investimento, com residência por 10 anos para investimentos a partir de 5 milhões de dólares e por 5 anos para investimentos a partir de 500 mil dólares. Queremos trabalhar para que investidores tenham um visa gold sem nenhuma dificuldade e viverem em Moçambique. Queremos autorizar corredores de vistos, fast-track e liberalizar o acesso de voos privados domésticos e liberalizar o acesso de voos  privados domésticos internacionais, para dinamizar a conectividade e o turismo de elite em Moçambique”.

O preço das passagens áreas também terão regulamentação, em resposta às várias queixas de que Moçambique tem das tarifas mais altas da região austral. 

“ Queremos estabelecer limites de tarifas aéreas nos voos domésticos, garantindo acessibilidade e equidade territorial”, avançou, manifestando preocupação pela falta de infraestruturas desportivas recreativas na província, tal é o caso do golf.

“Queremos declarar Inhambane como a primeira zona especial de turismo de golf, com polos em Vilankulo, Tofo e Barra, atraindo investimentos de alto padrão e integrando o país no circuito global do turismo desportivo.Os nossos vizinhos, só a África do Sul  tem mais de 500 campos de golfe, e nós ainda não temos nenhum em condições. Vamos trabalhar para que apareçam campos de golfe”.  

Para atrair turistas, o executivo entende que deve haver envolvimento positivo de todos, desde a fronteira até a recepção dos visitantes nas instâncias hoteleiras. A polícia foi citada, com quem deve melhorar a abordagem aos turistas na estrada. 

“Continuaremos a trabalhar para aprimorar a qualidade dos serviços prestados, principalmente ao nível do serviço público, pela nossa migração e a nossa polícia, que são, para o turista, a primeira face visível do nosso Estado, para que estes sejam pessoas que atendam, sobretudo, as nossas visitas, porque eles estão a visitar Moçambique e eles devem transmitir a cordialidade, a hospitalidade e a alegria que nos caracteriza como um povo.  Um homem da migração no aeroporto, um polícia ao longo da Estrada Nacional Nº 1, tem que ser friendly (amigável) ao turista, e não tratar um turista como se fosse terrorista”. 

Durante a cerimónia de encerramento da conferência, houve espaço para assinatura de dois instrumentos de cooperação, nomeadamente:

O primeiro, de mais de 100 milhões de dólares, assinado entre o Instituto Nacional de Turismo, INATUR e Grupo Singuita, que viabiliza a construção de empreendimento turístico com 60 camas, na Ilha Santa Carolina, orçado em 60 milhões de dólares norte americanos, a disponibilização de 40 milhões de dólares norte americanos para projectos adicionais na Ilha de bazaruto e 2 milhões de dólares para Vilankulo. 

O segundo acordo foi entre Apiex e Firme Strategic do Botswana,de concepção e financiamento para a construção de um complexo turístico na província, orçado em 150 milhões de dólares e prevê a criação de 600 empregos directos.

No mesmo evento, Daniel Chapo dedicou especial atenção ao reconhecimento de Moçambique, na Bélgica, a nível da União Europeia, como um dos 100 melhores destinos de destino sustentável do mundo. Chapo deixou um desafio aos gestores do turismo, para tudo fazerem para melhorar a posição do país, e colocar na lista dos 10 melhores.

Vilankulo tem nova infraestrutura de fiscalização marítima

 Instalada a beira-mar, a infraestrutura ora inaugurada pelo Presidente da República, e escritório da Administração do parque nacional do arquipélago de bazaruto, uma infraestrutura orçada em mais de 200 milhões de meticais, proveniente dos cofres do Estado e de parceiros, que entre outros vai reforçar o controle marítimo.

Igualmente foi construída, com o mesmo orçamento, uma infraestrutura semelhante, do lado de Bazaruto, onde vão decorrer treinamentos de fiscais marítimos, para reforçar o controle da orla. 

MC Roger, Paulo Oliveiro e Samora Machel Jr são embaixadores do turismo em Moçambique 

Daniel Chapo chamou estes três nomes, músico, piloto e activista social, figuras conhecidas e consideradas patriotas e com um longo histórico de promoção do nome e cultura de Moçambique, para passar a responsabilidade de, oficialmente, elevarem o nome do país e a marca Made in Mozambique e Visite Moçambique, além fronteiras, para desta forma atrair mais turistas para o país. 

A esta lista juntou-se o Presidente da COTUR, Noor Momade, que ganhou um prêmio  internacional de melhor empreendedor, para embaixador da cultura, com a mesma responsabilidade.

A criação de escolas básicas de 2018 a esta parte está a pressionar muitas escolas que se deparam com falta de salas e até de professores qualificados. O exemplo vem de Nampula onde já foram criadas 320 escolas básicas.

Através da Lei n.°18/2018, de 28 de Dezembro – Lei que estabelece o regime jurídico do Sistema Nacional de Educação, o ensino básico em Moçambique foi alargado de 7ª para a 9ª classe.

As escolas primárias estão a ser requalificadas gradualmente para coabitarem o ensino primário e o primeiro ciclo do ensino secundário, nomeadamente, a 7ª, 8ª e 9ª classe. Entretanto, o primeiro grande desafio que não foi acautelado é a questão das condições nessas escolas.

A realidade no terreno prova o contrário. Na Escola Básica de Rapale, a menos de 20 km da cidade de Nampula, as salas existentes não são suficientes para o total de alunos, por isso metade deles estudam ao relento, sentadas no chão.

A gestão das escolas ficou mais difícil ainda este 2025, quando através da Instrução ministerial n°2, o Ministério da Educação e Cultura reforçou a proibição de qualquer tipo de cobranças obrigatórias nas escolas, tendo deixado essa responsabilidade exclusivamente para os conselhos de escolas, que podem decidir pela contribuição das comunidades para o melhoramento das condições das escolas.

A criação de escolas básicas piorou a falta de professores qualificados para determinadas disciplinas. A província de Nampula conta, neste momento, com 320 escolas básicas. No próximo ano mais 21 serão requalificadas, devendo ser 341 escolas básicas em 2026.

O Município da vila turística de Bilene, na província de Gaza, ameaça revogar, dentro de 60 dias, mais de 10 mil títulos de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT). São áreas em total abandono há mais de 10 anos, em igual número de bairros. O Edil, Mufundisse Chilengue, diz que medida visa recuperar a imagem da autarquia.

São mais de 10 mil terrenos baldios, construções abandonadas que além de desfigurar a beleza paisagística e atrativa da praia de Bilene, servem de esconderijo para malfeitores e animais diversos, bem como de depósito de lixo há quase uma década.  

A situação é descrita como crítica em 10 bairros, onde os munícipes exigem das autoridades municipais medidas concretas para repor a imagem de Bilene.

“Neste bairro, a nossa grande preocupação é as pessoas virem construir porque está cheio de mato. Não estamos a viver bem com o matagal que aqui existe. As pessoas devem ocupar porque nós estamos a sofrer com cobras”, lamentou um munícipe.

As queixas chegaram ao presidente da vila municipal de Bilene, Mufundisse Chilengue, que admitiu que a situação é agravada  pela fragilidade do código de postura municipal que não prevê penalizações concretas para o não uso de espaço.

“São no total 10 bairros que nós temos esses problemas. Nós atribuímos espaços e os mesmos estão até agora abandonados. Não estão sendo usados”, disse Mufundisse Chilengue.

O edil garante que a autarquia vai recorrer à legislação  de terra para impor disciplina, e não descarta a possibilidade de reversão desses locais para o município.

“E nós temos muitos requerimentos que precisam dos espaços que nós não temos. Até neste momento, ninguém está a pronunciar-se”

“E são em média de 5 mil e 10 mil terrenos que nós atribuímos, e as pessoas não estão a fazer o uso da terra. A lei diz que a terra é do Estado. Vamos revogar os DUATs a todas as pessoas que não estão a fazer o uso e aproveitamento da terra”, avisou o edil.

O presidente da vila turística Bilene considera ainda que a maioria destes terrenos abandonados e ruínas pertencem a particulares que teimam em desacatar os apelos municipais, daí que a promessa é de aperto nos próximos 60 dias.

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