O Senegal sagrou-se campeão do Campeonato Africano das Nações (CAN-2025) ao vencer o país anfitrião Marrocos por 1-0 numa final marcada por emoção, polémica e futebol de qualidade. Esta é a segunda vez que a selecção senegalesa conquista o CAN, repetindo o feito de 2021.
O único golo da partida surgiu aos quatro minutos do prolongamento, quando o médio do Villarreal, Pape Gueye, finalizou com precisão, garantindo o triunfo e coroando uma campanha praticamente perfeita.
Ao longo do torneio, o Senegal marcou 13 golos e sofreu apenas um, exibindo um futebol colectivo consistente, com transições rápidas, passes eficazes e leitura de jogo que conquistou adeptos pelo continente.
Apesar da vitória, a final esteve longe de ser tranquila. Durante o tempo regulamentar, um golo do Senegal foi anulado por erro do árbitro, gerando indignação junto do público.
Pouco depois, um penálti assinalado a favor de Marrocos aos 98 minutos, devido a uma falta cometida pelo defesa sénior El Hadji Malick Diouf sobre Brahim Díaz, levou a equipa senegalesa a abandonar temporariamente o campo em protesto, numa decisão do treinador Pape Bouna Thiaw.
O regresso ao relvado ficou a dever-se a Sadio Mané, que num gesto de maturidade e liderança, chamou os colegas, numa atitude decisiva para manter a equipa concentrada.
Aos 114 minutos, Brahim Díaz falhou a cobrança do penálti, defendida pelo guarda-redes Edouard Mendy, e quatro minutos depois Pape Gueye marcou o golo decisivo, garantindo o segundo título do CAN ao Senegal, após momentos de tensão no final do tempo regulamentar.
O episódio gerou polémica e estendeu-se à conferência de imprensa, onde Thiaw acabou por abandonar a sala após confrontos com jornalistas marroquinos.
No momento de levantar o troféu, o capitão Kalidou Koulibaly entregou-o à Sadio Mané, em sinal de respeito, permitindo que a lenda africana encerrasse a sua história no CAN com um gesto simbólico.
Individualmente, a edição de 2025/26 destacou ainda os melhores jogadores: Sadio Mané foi eleito Melhor Jogador, Bono garantiu o prémio de Melhor Guarda-Redes e Ibrahim Díaz terminou como Melhor Marcador, com cinco golos. Marrocos recebeu o prémio Fair Play.
O Senegal tornou-se a primeira selecção desde 2013 — e a primeira na era das 24 equipas — a vencer o CAN sem necessidade de recorrer a desempates por penáltis. Nos últimos quatro torneios, os “Leões” disputaram três finais e conquistaram dois títulos (2021 e 2025/26), demonstrando consistência, qualidade e evolução.
A equipa senegalesa tem sido guiada por treinadores nacionais de referência, antigos jogadores da selecção: Aliou Cissé, que liderou o Senegal ao primeiro título no CAN em 2021, e Pape Bouna Thiaw, responsável pelo segundo triunfo em 2025/26. Ambos fizeram parte da histórica selecção de 2002, que participou no primeiro Mundial do país, reforçando a tradição e o legado do futebol senegalês.
O terceiro lugar do CAN 2025 foi conquistado pela Nigéria, que venceu o Egipto nas grandes penalidades, enquanto Marrocos continua à espera de quebrar um jejum de 50 anos sem conquistar o torneio.
CAN-2025: Presidente da FIFA condena “cenas deploráveis” da final
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, condenou as “cenas deploráveis” ocorridas durante a final do Campeonato Africano das Nações (CAN) de futebol, na qual o Senegal abandonou momentaneamente o relvado, em protesto contra uma decisão do árbitro.
“Condenamos firmemente o comportamento (…) de alguns jogadores e membros da equipa técnica do Senegal. É inaceitável abandonar o terreno de jogo daquela maneira e a violência não será tolerada no nosso desporto”, disse o presidente da FIFA, em comunicado.
Pape Gueye marcou o golo que garantiu o triunfo do Senegal, aos 94 minutos, depois de Brahim Díaz, melhor marcador do torneio, com cinco golos, ter desperdiçado um penálti no último lance do tempo regulamentar, após mais de 15 minutos de interrupção, devido ao protesto dos senegaleses.
“As cenas deploráveis que testemunhámos ontem [domingo] devem ser condenadas, para que não voltem a repetir-se”, advertiu o Infantino, que apelou às instâncias disciplinares da Confederação Africana de Futebol para “tomarem as medidas apropriadas” à gravidade dos factos.
O triunfo do Senegal na final frente à selecção anfitriã apenas tem paralelo em três das 35 edições da Taça das Nações Africanas, duas delas protagonizadas pelo Gana, na Tunísia, em 1965, e na Líbia, em 1992. Em 2000, os Camarões conquistaram o título diante da Nigéria, que co-organizou o torneio com o Gana.

