O secretário de Estado em Cabo Delgado alertou para uma alegada perda de controlo das comunidades locais sobre a população, situação que, segundo afirmou, estaria a ser explorada por indivíduos desconhecidos e supostamente ligados a acções contra o Estado.
A preocupação foi manifestada na sede distrital de Metuge, durante a cerimónia de lançamento da campanha de comercialização agrícola, num momento em que persistem desafios de segurança associados ao conflito armado que afecta a província desde 2017.
Segundo o dirigente, a presença de pessoas consideradas estranhas às comunidades locais está a comprometer os mecanismos tradicionais de vigilância e controlo social.
“A população não pode sair da sua aldeia por causa das pessoas que vieram de muito longe, nem sabemos de onde vêm”, afirmou.
Fernando de Sousa apelou aos líderes comunitários para reforçarem os mecanismos locais de monitoria e identificação de residentes e visitantes nas aldeias.
“Cada líder tem que criar um sistema de controlo. O sistema de banir aqueles malandros, ladrões”, declarou.
Como parte das medidas defendidas, os líderes locais deverão manter registos actualizados dos habitantes e acompanhar a permanência de visitantes nas comunidades.
“O líder tem a responsabilidade de saber quem está na aldeia, ter a lista da sua população e saber quem é o hóspede que chega e quanto tempo vai permanecer”, explicou De Sousa.
O dirigente acrescentou que, devido ao contexto de conflito armado na província, as comunidades devem adoptar uma postura permanente de vigilância.
“Nós temos regras porque estamos num conflito. A vigilância deve ser permanente”, reforçou.
Cabo Delgado continua a enfrentar uma situação de instabilidade provocada pela insurgência armada, que já causou milhares de mortes e deslocados internos nos últimos anos.
Dados recentes da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que mais de 700 mil pessoas continuam deslocadas devido à violência na região norte do país. A situação tem levado as autoridades a reforçar medidas de segurança e mobilização comunitária em vários distritos considerados vulneráveis.