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Reinildo despede-se dos Mambas com carta aos seus fãs

O internacional moçambicano publicou, nas suas redes sociais, uma carta de despedida que diz ter escrito “com o coração cheio de gratidão, emoção e respeito”.

Reinildo Mandava, que anunciou a sua despedida dos Mambas no último dia da participação da selecção nacional no CAN de Marrocos, no passado dia 05 de Janeiro, decidiu despedir-se de forma mais oficial.

Numa carta aos seus fãs e adeptos moçambicanos, Mandava escreve que “foram muitos anos de entrega total à camisola da nossa Selecção Nacional”, uma jornada que começou quando ainda era um miúdo, “cheio de sonhos e vontade de honrar o nome do nosso país”.

Aos 31 anos de idade (vai completar 32 dentro de alguns dias), o lateral-esquerdo diz reconhecer que ainda tinha muito para dar nos Mambas, olhando para a idade que tem, mas diz também “não tem nada haver com isso, mas sim pela lesão grave que eu tive, e está na hora de ouvir o meu corpo”.

Acrescenta que é chegada a hora de fechar o ciclo que considera bonito e marcante da sua vida.

“Ao longo desta caminhada, vivi alegrias e desafios profundos. Perdi a minha mãe, o meu pilar, numa fase em que o futebol já me levava longe de casa, casei, construí uma família, e hoje sou pai de dois filhos maravilhosos e de uma bebé recém-nascida que me enche o coração de força e responsabilidade. Tudo o que conquistei devo também a eles, porque são o meu maior motivo para continuar a lutar e a inspirar”, escreve.

Com passagens por clubes de Portugal e França, onde conquistou vários títulos e jogou ao mais alto nível, nomeadamente na Liga dos Campeões, Reinildo Mandava  representa agora o Sunderland da Inglaterra. Assume que a lesão que sofreu diante do Real Madrid, ainda ao serviço do Atlético Madrid, foi o motivo que o levou a tomar a decisão de prescindir da selecção para se dedicar ao seu clube.

“Essa lesão mudou muito a minha forma de ver o futebol e a vida. Aprendi que o corpo tem limites e que o tempo nos ensina a escolher com sabedoria, desde então, tenho-me esforçado ao máximo para dividir o meu compromisso entre o clube e a selecção, mas com o passar dos anos tornou-se cada vez mais difícil com a lesão grave que tive as longas viagens entre continentes, voos apertados e os fusos horários, o desgaste físico e emocional”, escreve, realçando que é por amor e respeito pela selecção que decidiu que “é tempo de deixar espaço para os mais novos”.

O jogador formado no Ferroviário da Beira enaltece todo o trabalho que desempenhou ao serviço dos Mambas e salienta que “queria sair de campo com a alma leve, sabendo que dei o melhor de mim ao meu país, e assim o fizemos”.

Destacou ainda as várias homenagens que recebeu ao longo do tempo, com ênfase na Medalha de Mérito Desportivo, “um dos maiores reconhecimentos que um atleta pode sonhar em receber”, mas diz que há memórias que leva sempre consigo: “o hino antes de cada jogo, os sorrisos dos adeptos, os abraços no balneário, as lágrimas das vitórias e das derrotas”.

Por fim, deixou agradecimentos a todos os que contribuíram e o apoiaram nesta passagem pelos Mambas, frisando que “saio com o coração cheio e com a cabeça erguida. Orgulhoso do que vivi, do que conquistei e do que representei”, destacando ainda que continuará a torcer pelos Mambas, agora como adepto.

Reinildo Mandava contabiliza pelos Mambas 54 jogos, dos quais 52 a titular e dois a substituir, tendo alcançado 24 vitórias, 21 derrotas e 12 empates. Ao longo da carreira nos Mambas, marcou cinco golos, sendo o mais destacado apontado diante do Gana no CAN 2024, no último minuto do jogo, que deu o empate a dois golos.

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