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O País – A verdade como notícia

Reféns libertados na Nigéria relatam meses de sofrimento durante o cativeiro

Mais de 300 pessoas sequestradas em diferentes ataques no norte da Nigéria foram resgatadas numa operação que o Presidente Bola Tinubu considera a maior acção de libertação de reféns realizada num único dia no país.

Entre os libertados estão 163 pessoas da comunidade de Woro, na área de Kaiama, no Estado de Kwara, sequestradas em Fevereiro, e outras 145, na sua maioria raptadas no vizinho Estado do Níger. As autoridades não revelaram detalhes sobre a operação, limitando-se a informar que os reféns foram encontrados numa floresta, depois de vários meses em cativeiro.

Uma das vítimas, Amira Saliu, relatou à imprensa, em Ilorin, no Estado de Kwara, as difíceis condições enfrentadas durante o período de cativeiro. Segundo contou, os sequestradores mantinham os reféns junto a um rio e ordenavam que apagassem as fogueiras e permanecessem em silêncio sempre que detectavam aeronaves a sobrevoar a zona.

A alimentação era irregular e havia pessoas doentes entre os sequestrados. Saliu, que é enfermeira, contou ainda que ajudou cerca de dez mulheres grávidas a dar à luz durante o cativeiro, sem luvas ou material médico adequado.

O Governador de Kwara, AbdulRahman AbdulRazaq, classificou o resgate como um momento de sentimentos contraditórios, lamentando o sofrimento das vítimas, mas manifestando satisfação pelo facto de todos terem sido encontrados com vida.

O Presidente Bola Tinubu atribuiu o sucesso da operação ao trabalho de inteligência e à melhoria da coordenação entre as diferentes agências de segurança do país.

Os sequestros em massa e os raptos para obtenção de resgates continuam a constituir um dos principais desafios de segurança na Nigéria, sobretudo nas regiões Noroeste e Centro-Norte. Grupos criminosos armados, conhecidos localmente como bandidos, atacam aldeias, estradas e escolas, sequestrando pessoas para exigir dinheiro em troca da sua libertação.

As autoridades nigerianas associam parte destes grupos a antigos conflitos entre pastores nómadas e agricultores pela disputa de terras e recursos hídricos. Com o passar dos anos, alguns desses grupos terão evoluído para redes de criminalidade organizada.

Paralelamente, o Nordeste da Nigéria continua a enfrentar uma insurgência que dura há mais de uma década, marcada por ataques de grupos extremistas contra civis e forças de segurança.

 

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