O Governo deu início oficial à edição 2025 da Campanha de Recenseamento Militar Obrigatório, numa cerimónia realizada na Cidade da Maxixe, num momento em que o país reforça o debate sobre a defesa da soberania nacional, a consolidação da paz e o papel da juventude na construção do Estado.
O lançamento da campanha foi marcado por um apelo directo à consciência cívica e patriótica dos jovens moçambicanos, entendidos como o principal capital humano para garantir a segurança, a estabilidade e a continuidade do projecto nacional.
Falando durante a cerimónia, o Ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, sublinhou que o recenseamento militar não deve ser encarado como um acto meramente administrativo, mas como um compromisso com a Pátria e um passo determinante no processo de preparação dos cidadãos para a defesa do país.
De acordo com o governante, a legislação moçambicana estabelece que todos os cidadãos nacionais estão sujeitos ao cumprimento das obrigações militares entre os 18 e os 35 anos de idade, sendo o recenseamento o primeiro estágio desse percurso.
“O licenciamento militar é a primeira etapa das obrigações militares e tem por objectivo obter informações de todos os cidadãos que atingem a idade do início dessas obrigações”, explicou, frisando que se trata de um instrumento fundamental para a planificação da defesa nacional.
No presente ano, o Governo prevê recensear mais de 221 mil jovens de ambos os sexos em todo o território nacional e na diáspora, abrangendo os nascidos em 2008, bem como aqueles que, por diversas razões, não conseguiram cumprir o dever em anos anteriores. No entanto, os dados do ano passado revelam uma adesão acima do esperado. Em 2025, foram recenseados cerca de 255.700 jovens, ultrapassando a meta inicialmente fixada em mais de 15 por cento.
Segundo Cristóvão Chume, estes números reflectem um crescimento do sentimento patriótico e da consciência cívica entre a juventude.
“Os jovens apresentam-se de forma voluntária aos postos de recenseamento militar, o que demonstra o seu engajamento e sentido de responsabilidade para com o país”, afirmou.
O ministro destacou ainda o papel determinante das famílias, das autoridades locais, dos líderes comunitários e religiosos, bem como das instituições de ensino e da comunicação social, na mobilização dos jovens.
Além do serviço militar efectivo normal, o governante dedicou parte significativa da sua intervenção ao Serviço Cívico de Moçambique, que considerou uma plataforma estratégica de formação e inclusão. Segundo explicou, o serviço cívico visa dotar os jovens de competências técnicas, valores patrióticos e princípios culturais que lhes permitam contribuir activamente para o desenvolvimento do país, independentemente do sector onde venham a actuar.
“O serviço efectivo normal e o serviço cívico constituem um processo de ensino e aprendizagem”, sublinhou, acrescentando que nesses espaços os jovens aprendem a conviver com pessoas de diferentes origens, a respeitar a diversidade e a fortalecer a unidade nacional.
Para o ministro, trata-se de uma verdadeira escola de cidadania, onde se formam cidadãos mais conscientes, disciplinados e comprometidos com o bem comum.
Cristóvão Chume foi claro ao afirmar que a defesa da Pátria não se limita à acção militar. Segundo disse, mesmo os jovens que não venham a integrar as fileiras das Forças Armadas de Defesa de Moçambique ou do Serviço Cívico podem desempenhar um papel relevante em outras áreas estratégicas do Estado, incluindo a Polícia da República de Moçambique, os Serviços de Informação e Segurança do Estado e diversos sectores ligados à segurança, à protecção civil e ao desenvolvimento nacional.
“A responsabilidade pela defesa nacional é de todos nós moçambicanos”, afirmou, defendendo uma abordagem integrada e participativa à segurança do país. Nesse contexto, apelou também à vigilância cívica, alertando para a importância de os cidadãos estarem atentos a comportamentos ou situações suspeitas que possam pôr em causa a ordem pública, a estabilidade social e a tranquilidade das comunidades.
Para o ministro, a defesa nacional começa nas comunidades, nas famílias, nas escolas e nos bairros, através da promoção de valores como o patriotismo, a solidariedade, a disciplina e o respeito pelas instituições do Estado.
Nesse sentido, apelou às autoridades locais, religiosas, instituições de ensino e órgãos de comunicação social para continuarem a desempenhar o papel de agentes de educação cívico-patriótica e mobilizadores da juventude.
Dirigindo-se aos centros provinciais de recrutamento e mobilização, Cristóvão Chume lançou um desafio claro: não apenas cumprir metas estatísticas, mas garantir que todos os jovens em idade legal tenham a oportunidade de se recensear. Para o Governo, o sucesso da campanha mede-se não só pelo número de inscritos, mas pela capacidade de envolver a juventude num projecto nacional de longo prazo, assente na paz, na soberania e no desenvolvimento.
O governante sublinhou ainda que o recenseamento militar representa um passo decisivo para o fortalecimento das Forças de Defesa e Segurança e para a consolidação da estabilidade institucional do país. Num contexto regional e internacional marcado por desafios à segurança, o Executivo entende que investir no capital humano é essencial para proteger a independência e a integridade territorial de Moçambique.
No encerramento da sua intervenção, Cristóvão Chume apelou a um reconhecimento público do trabalho desenvolvido pelas Forças de Defesa e Segurança, sublinhando o papel desses profissionais na manutenção da ordem, da paz e da soberania nacional. Para o Governo, a campanha de recenseamento militar é, acima de tudo, uma afirmação da moçambicanidade e um convite à juventude para assumir a vanguarda na defesa do país.
Com o arranque da edição 2025, o Executivo espera reforçar a consciência patriótica dos jovens e consolidar uma cultura de responsabilidade colectiva, entendendo que a paz e a soberania são conquistas diárias que exigem o contributo activo de todos os cidadãos.
A campanha decorre de 2 de Janeiro a 28 de Fevereiro, sob o lema “Recenseamento Militar, engajando jovens ao serviço da Pátria, para o fortalecimento da paz e da soberania nacional”.

