O Presidente da República desafiou os gestores da Polícia da República de Moçambique a investigar, perseguir e punir os agentes corruptos, que mancham o nome da corporação. Daniel Chapo alertou a polícia para não se acomodar pela falta de raptos no País. Chapo falava nesta segunda-feira, em Maputo, durante a saudação pela passagem dos 51 anos da PRM.
A 17 de Maio de 1975, na véspera da Independência, Moçambique assistiu ao juramento dos primeiros membros da polícia, perante a bandeira, marcando, assim, o Dia da Polícia.
51 anos depois, quadros superiores da Polícia da República de Moçambique saudaram o comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, por ocasião da celebração de mais um aniversário.
Daniel Chapo acolheu a saudação, destacou a sua importância, mas usou a oportunidade para reforçar as missões da polícia.
“A polícia deve combater sem quartel e sem tréguas este cancro que há muitos anos vem matando silenciosamente a sociedade moçambicana. O nosso Governo elegeu o combate à corrupção como uma das suas prioridades e felizmente os resultados já começaram a aparecer. Como sabem, alguns dos implicados com a corrupção têm sido divulgados pela imprensa, mas há tantos outros que não foram noticiados, mas que estão a responder por este crime. Por estes resultados que estamos a acompanhar nos últimos tempos, queremos capitalizar esta efeméride para felicitar todas as forças e todos os sectores envolvidos nas operações de combate à corrupção em Moçambique”, disse o PR.
Mas antes, Chapo quer que a PRM olhe para dentro da corporação, no que chamou de purificação das fileiras. E esta não é a primeira vez que o Chefe de Estado faz apelos de combate à corrupção no seio da polícia, reconhecendo haver agentes envolvidos em práticas criminais.
“Queremos orientar o comando da Polícia da República de Moçambique e as suas instituições para a necessidade de levar a cabo uma campanha forte de purificação dentro das suas fileiras, identificando e punindo exemplarmente os corruptos. Havendo provas, não hesitem em punir os membros da Polícia da República de Moçambique que se envolvem nesse ou em outros tipos de crimes, porque queremos que a PRM seja um santuário de justiceiros e não uma gruta de criminosos. Por outras palavras, estamos a transmitir a mensagem de que quem manchar o uniforme policial deve ser responsabilizado com firmeza, mas quem honrar a farda deve ser reconhecido, compensado e promovido”, afirmou, destacando a importância dos patenteamentos que antecederam as celebrações da efeméride, como um acto de valorização e reconhecimento profissional.
O terrorismo e raptos são outros desafios que exigem esforços constantes da polícia.
O Chefe de Estado referiu-se ao facto de o País estar desde Outubro de 2025 sem registo de nenhum caso confirmado de rapto consumado, que não deve ser razão para relaxamento.
“O combate aos raptos deve continuar a ser uma prioridade absoluta no País. Os resultados alcançados nos últimos meses são encorajadores, mas não se deve relaxar e dormir à sombra da bananeira, pensando que este tipo de crime já passou para a história. Nestes meses em que a situação normalizou, provavelmente os criminosos estejam a engendrar artimanhas para furarem a muralha de segurança montada pelo Estado. É imperioso continuar a manter o nível de vigilância em alta contra os raptos.”
O comandante-geral da Polícia ouviu as orientações, prometeu cumpri-las, mas antes solicitou melhores condições de trabalho.
“Não obstante os progressos alcançados, persistem desafios, que exigem a contínua modernização da actuação policial, com recurso a tecnologia de informação e comunicação, com risco de estar prevenido e responder tempestivamente ao crime organizado, com destaque para homicídios, rádios, tráfico de seres humanos, crimes cibernéticos, entre outros de igual complexidade.”
Apesar disso, Joaquim Sive avaliou o último ano como tranquilo, em termos de segurança pública.
“Neste contexto, que no período que decorre de Maio de 2025 a esta parte, a situação geral da ordem de segurança pública prevalece estável, as instituições estaduais e privadas estão em pleno funcionamento, não obstante o registo de casos e de ataques terroristas em alguns distritos da província de Cabo Delgado e desinformação sobre a ligada existência de inimigos com poder supersticioso para atrofiar os órgãos genitais masculinos.”
Sive usou a oportunidade para anunciar uma ligeira redução do registo de actos criminais no País.
“No período de alusão, foram registados um total de 10 052 casos criminais contra 11 004, representando uma redução em 502 casos, o equivalente a 5%. No que tange à sinistralidade rodoviária, foram registados 529 casos de acidente de viação contra 686 do período comparativo, uma redução em 162 casos, o que corresponde a 24%.”
Apesar disso, Sive garante manter o País em ordem.