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O País – A verdade como notícia

Sofala leva preocupações das comunidades à XI Conferência Nacional de Quadros

A província de Sofala vai participar na XI Conferência Nacional de Quadros, a realizar-se na próxima semana, na cidade de Chimoio, entre os dias 21 e 23 de Agosto, levando para o encontro as principais preocupações das comunidades da região. Falando à imprensa, Afra Lima destacou a melhoria das condições

O Secretário Executivo da  Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), Elias  Magosi, manifestou, esta terça-feira, em Maputo, a satisfação da  organização com os avanços alcançados por Moçambique nas  áreas da paz, segurança, comércio e desenvolvimento regional. As  declarações foram feitas após um encontro de trabalho no Gabinete  do Chefe do Estado. 

Segundo Magosi, a audiência permitiu alinhar prioridades e identificar  áreas em que a SADC pode apoiar Moçambique. “Então, eu estava  discutindo com o Presidente Chapo essa visão de como nós pensamos 

que a SADC pode progredir. Segundo, nós gostaríamos de apreciar  algumas das prioridades que o governo e o Presidente querem  perseguir e como a SADC, como uma região, pode apoiar  Moçambique, pode apoiar o governo”, afirmou. 

No domínio político, o Secretário Executivo destacou os passos  positivos dados por Moçambique após as eleições gerais de 2024,  apontando para o lançamento iminente de um processo considerado  determinante. “Você vai notar que, imediatamente após as eleições,  houve algum conflito e o Presidente até mesmo deu progresso, muito  bom progresso. E eu acho que amanhã ele vai lançar um processo  muito importante. Este é um passo na direcção certa e nós realmente  enaltecemos o Presidente por isso”, disse. 

O processo em causa é a fase de auscultação pública nacional e na  diáspora sobre o diálogo nacional inclusivo, consensualizado entre o  Governo e os partidos políticos, com a participação da sociedade  civil, da academia e de vários estratos sociais. 

Na vertente económica, Magosi salientou a necessidade de acelerar  a integração regional através da facilitação do comércio,  destacando a importância de eliminar barreiras e aprovar instrumentos  regionais já existentes, como o protocolo de comércio e o Fundo de  Desenvolvimento Regional, que contribui para a mobilização de  recursos. 

O responsável sublinhou que cabe aos Estados-membros ratificar  instrumentos jurídicos regionais, entre os quais o referido Fundo de  Desenvolvimento Regional, de forma a viabilizar projectos e apoiar  países com menor capacidade financeira. Realçou igualmente o  impacto positivo dos investimentos em corredores de transporte como os de Nacala e Beira, apoiados por instituições como o Banco  Africano de Desenvolvimento e a Africa50. 

“Mas, por trás de tudo isso, é a infra-estrutura que facilita o comércio.  O Presidente já nos mostrou os progressos que estão fazendo nos  corredores. Então, estes são bons desenvolvimentos que os países  estão perseguindo para garantir que os pontos de fronteira  funcionem”, referiu Magosi, salientando que corredores funcionais  impulsionam a circulação de pessoas, mercadorias e capitais. 

No capítulo da segurança, o Secretário Executivo destacou a  relevância da estabilização da província de Cabo Delgado, onde o  terrorismo continua a constituir um desafio. “Também é importante  para nós que a área de Cabo Delgado seja estável, há terrorismo lá,  nós precisamos contê-lo, nós enaltecemos o trabalho que o governo e  o Presidente estão fazendo lá, incluindo os projectos que começaram  lá, para garantir que estes projectos também facilitem a paz, mas  também facilitam o desenvolvimento destas comunidades”, afirmou. 

Magosi garantiu que a SADC vai manter o acompanhamento da  situação em Cabo Delgado, recordando o papel da Missão Militar da  organização (SAMIM). “Nós ainda estamos monitorando para garantir  que Cabo Delgado esteja estável, porque se estiver estável, se o  terrorismo for contido em Cabo Delgado, isso não afectará a região.  Portanto, nós continuaremos a participar com Moçambique nisto”,  concluiu. 

O Governo aprovou esta terça-feira, durante a 31.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, um conjunto de medidas, com destaque para o fortalecimento da gestão dos recursos humanos do Estado e a revisão da política de concessão de estradas.

Durante a sessão, foi apreciado o Relatório da Visita de Trabalho do Presidente da República, Daniel Chapo, à República Argelina Democrática e Popular, realizada de 04 a 06 de Setembro, que se enquadra no esforço contínuo de reforço das relações bilaterais e de cooperação internacional.

No capítulo das infra-estruturas, o Executivo aprovou o Decreto que revoga a concessão das estradas R453 (Praia de Bilene – Macia), N101 (Macia – Chókwè) e R448 (Chókwè – Macarretane), anteriormente integradas na Rede Viária de Moçambique, SA. A decisão é justificada pelo baixo tráfego registado nas vias, fraca arrecadação de receitas e elevados custos operacionais, factores que inviabilizam a sustentabilidade do modelo de concessão.

No domínio da Administração Pública, o Conselho de Ministros aprovou três regulamentos fundamentais no quadro do Sistema Nacional de Gestão de Recursos Humanos do Estado, nomeadamente: Regulamento do Subsistema de Planificação de Pessoal (SPP), que visa melhorar a previsão das necessidades de recursos humanos, assegurar a eficiência na gestão e manter actualizada a base de dados de pessoal; O  regulamento do Subsistema de Administração de Pessoal (SAP), com enfoque no controlo do ciclo de vida profissional dos funcionários e agentes do Estado, actualização de cadastro, implementação da prova de vida e coordenação efectiva das actividades administrativas de recursos humanos; E o regulamento do Subsistema de Desenvolvimento Profissional na Administração Pública (SDPAP), que introduz novas directrizes para qualificação contínua dos servidores públicos, promoção do mérito e motivação profissional, e alinha os critérios de formação à realidade institucional.

De acordo com o Executivo, essas reformas vêm consolidar o compromisso do “Governo com uma Administração Pública mais moderna, eficiente e orientada para resultados, ao mesmo tempo que respondem à necessidade de garantir uma gestão estratégica do capital humano do Estado”.

Na mesma sessão, foi igualmente apreciado o Relatório de Implementação do Plano de Segurança Rodoviária 2025, no âmbito dos esforços para reduzir os índices de sinistralidade e melhorar a segurança nas estradas do país.

Antigos e actuais dirigentes do país destacaram, este domingo, a importância da preservação do legado histórico da luta de libertação, defendendo trabalho contínuo, fortalecimento da educação e maior envolvimento da juventude para valorizar os Acordos de Lusaka e garantir o desenvolvimento nacional.

Falando na Praça dos Heróis Moçambicanos, durante as cerimónias centrais do Dia da Vitória, o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, um dos protagonistas das negociações que culminaram na assinatura dos Acordos de Lusaka, recordou o simbolismo da data.

“Hoje é o Dia da Vitória, porque o Acordo de Lusaka foi o reconhecimento da vitória do povo moçambicano, o reconhecimento do seu direito à independência”, disse Chissano, apelando ao trabalho incansável para preservar o legado dos que tombaram em defesa da pátria.

Na mesma linha, a antiga Presidente da Assembleia da República, Esperança Bias, destacou a coragem da juventude da época como exemplo para as novas gerações. 

“Vamos seguir o exemplo daqueles jovens que deixaram os pais, a escola e os amigos para libertar esta pátria. Foi graças à disciplina, ao respeito pela diferença e ao espírito de entrega que alcançamos a liberdade. É isto que os jovens devem seguir hoje”, afirmou.

O general na reserva e académico António Hama Thai sublinhou a educação como instrumento essencial para dar continuidade à luta. 

“A juventude deve inspirar-se na coragem dos combatentes, mas precisa dominar a ciência e a tecnologia. É esse conhecimento que permite diagnosticar os problemas, identificar os desafios e encontrar soluções que impulsionem o desenvolvimento”, apontou.

Já a actual Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, defendeu a consolidação da unidade nacional, da independência e da soberania, colocando a pacificação e a reconciliação como prioridades. 

“Todos devemos responder positivamente ao apelo do Presidente da República, através do diálogo inclusivo, para fortalecer o grande projeto de desenvolvimento da sociedade moçambicana”, disse Talapa.

A Primeira-Ministra, Benvinda Levi, apelou à superação de ressentimentos e à união em torno da construção da nação.

“Precisamos identificar as nossas feridas, sará-las com propósito e racionalidade, e continuar a edificar o país pelo qual lutámos”, frisou.

Também presente, a Presidente do Conselho Constitucional sublinhou que o país enfrenta hoje 

“A luta agora é pelo desenvolvimento político, económico e social. Reduzir as desigualdades exige o empenho não só do Estado, mas de cada cidadão, no seu espaço de atuação”, defendeu.

O ministro do Interior, Paulo Chachine, destacou a importância de compreender a história para projetar o futuro.

“O 7 de Setembro é parte da nossa existência. Deve ser celebrado, estudado e interiorizado, para entendermos o seu significado real e seguirmos o exemplo dos que sacrificaram as suas vidas pela independência”, afirmou.

Na mesma linha, o Provedor de Justiça, Isac Chande, defende maior aposta na produção.

“Todos temos responsabilidade na construção deste país. Mas é sobretudo a juventude que deve envolver-se nos processos produtivos, para que Moçambique cresça e os resultados da vitória sejam usufruídos por todos”, concluiu.

O Presidente da República, Daniel Chapo, assinalou hoje, na Praça dos Heróis, o 51º aniversário dos Acordos de Lusaka, apelando à unidade nacional e ao compromisso dos moçambicanos com a construção da independência econômica do país.

Chapo destacou a importância histórica dos Acordos de Lusaka, assinados em 7 de setembro de 1974, que puseram fim à luta armada contra a dominação colonial portuguesa e abriram caminho para a independência nacional a 25 de junho de 1975. O Chefe de Estado enfatizou que esta data simboliza a vitória do povo moçambicano e a coragem dos heróis da libertação.

O Presidente sublinhou que o Dia da Vitória não deve ser apenas um feriado, mas um momento de reflexão sobre o passado e de inspiração para as novas gerações. “Cabe-nos preservar a unidade nacional, a paz, a soberania e a justiça, ao mesmo tempo em que avançamos rumo à independência econômica”, afirmou.

Daniel Chapo valorizou a contribuição dos veteranos da luta de libertação e anunciou medidas do Governo em seu benefício, incluindo concessão de bolsas de estudo, regularização de pensões e condecorações, reforçando a necessidade de manter viva a memória da independência.

O Presidente enalteceu ainda o papel dos jovens das Forças de Defesa e Segurança no combate ao terrorismo em Cabo Delgado e prestou reconhecimento aos países irmãos que apoiam Moçambique, lembrando que a responsabilidade de desenvolver a nação é de todos.

Ao concluir, Chapo reforçou a mensagem central do Dia da Vitória: “A independência política foi conquistada, e agora cabe a cada moçambicano trabalhar com determinação e coragem para assegurar a independência econômica e um futuro próspero para Moçambique”.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, destacou, esta sexta-feira, em Argel, a importância  de preservar e valorizar o património histórico e cultural como motor  de desenvolvimento turístico em Moçambique, sublinhando que  experiências internacionais, como as de Tipaza na Argélia, podem ser  uma referência útil para o país. 

Após visitar o Museu Histórico de Tipaza, classificado como Património  Mundial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a  Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), o Chefe do Estado  realçou o significado do local e a sua ligação com a civilização  romana. 

O estadista moçambicano observou ainda a importância da  preservação para a transmissão às gerações futuras. “O outro aspecto  importante que nós queríamos fazer referência aqui é a questão da  manutenção deste monumento, que é extremamente importante  para as futuras gerações”, disse, sublinhando que Moçambique possui  exemplos que podem seguir esta mesma lógica de valorização. 

Ao estabelecer paralelismos, o Presidente Chapo mencionou a Ilha de  Moçambique, primeira capital do país e igualmente Património  Mundial da UNESCO, além de outros locais de relevância histórica e  arqueológica. “Temos também várias zonas arqueológicas, como o  Manyikeni, que está em Vilankulo, em Inhambane, que serviu na altura  do Império Monomotapa, que era um centro comercial para a  exportação, do hinterland para várias partes do mundo”, referiu. 

O Chefe do Estado destacou a ligação destas rotas comerciais à  história universal. “A Rota de Seda, que se faz referência hoje, na Ásia,  passava por aquela zona. E nós achamos que é preciso transportar  estas experiências para Moçambique, porque não só valem para a  história, para a arqueologia, mas também para o turismo”, frisou. 

Segundo o governante, Tipaza constitui um exemplo claro de como o  turismo pode ser um motor económico. 

O estadista referiu igualmente outros exemplos nacionais com  potencial para alavancar a economia através da preservação e  promoção do património. “Temos também, como sabem, o Parque  [Nacional] de Maputo, que foi também reconhecido como Património  Mundial da Humanidade pela UNESCO”, destacou. 

Outrossim, defendeu que a protecção e valorização destes locais  devem estar associadas à educação e ao fortalecimento da  identidade nacional. “Temos falado que precisamos de educação  cívico-patriótica por parte da juventude, mas é importante também  falarmos da nossa história, porque quem não tem o passado, não tem  o presente, não consegue projectar o futuro”, sublinhou. 

Chapo reafirmou ainda a necessidade de  transformar o património moçambicano em activos sustentáveis.

O Presidente da República endereçou mensagens de condolências aos seus homólogos do Sudão, Abdel Fattah al Burhan, e de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência de duas tragédias recentes que abalaram profundamente aqueles países.

No Sudão, um deslizamento de terra ocorrido na aldeia de Tarasin, em Darfur, provocou a morte de mais de mil pessoas e originou deslocamentos em massa. Em Portugal, o acidente do Elevador da Glória, em Lisboa, vitimou 17 cidadãos.

Numa mensagem dirigida ao Chefe de Estado sudanês, Daniel Chapo sublinhou que “a perda de vidas e o deslocamento de tantas famílias são verdadeiramente devastadores e os nossos pensamentos estão com todos os afectados por esta tragédia. A nação moçambicana está em solidariedade com o Sudão durante este momento difícil”.

O estadista moçambicano chamou ainda atenção para a crescente frequência de desastres naturais em África, defendendo a necessidade de respostas estruturais e de maior mobilização de recursos. Na sua qualidade de Campeão da União Africana para a Gestão de Risco de Desastres, reafirmou o compromisso de trabalhar com os Estados-Membros e parceiros para fortalecer os sistemas de aviso prévio e de intervenção antecipada.

Em relação a Portugal, Daniel Chapo manifestou “profundo pesar” pela tragédia que enlutou a nação lusa. “Neste momento de luto nacional, permita-me, em nome do Povo e do Governo da República de Moçambique, bem como em meu próprio, expressar as nossas mais sinceras condolências”, escreveu ao Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Sublinhando os laços históricos que unem Moçambique e Portugal, acrescentou que “a dor de Portugal é a dor de Moçambique. Os laços de profunda amizade e irmandade que nos unem fazem com que sintamos esta perda de forma tão intensa. Endereçamos às famílias enlutadas o nosso mais especial abraço de solidariedade, desejando-lhes força para superar as perdas irreparáveis”.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, defendeu, em Argel, que a integração  económica de África depende de infra-estruturas modernas de  transporte, energia e digitalização, afirmando que a           zona de  comércio livre continental só será uma realidade se o continente  apostar na sua própria capacidade logística e produtiva. 

Ao intervir na 4.ª Feira de Comércio Intra-Africana, o Chefe do Estado  destacou a importância do encontro como sinal de força e unidade  continental. “Para Moçambique este evento é bastante importante, 

porque prova que juntos, como povos africanos, somos mais fortes,  estabelecendo a África como uma potência económica no âmbito  da zona de comércio livre continental”, afirmou. 

O Presidente moçambicano destacou os corredores logísticos de  Maputo, Beira e Nacala como infra-estruturas estratégicas não apenas  para Moçambique, mas também para os países do interior sem acesso  ao mar. “Estamos a trabalhar para melhorarmos a capacidade  logística dos nossos portos, das nossas estradas e das nossas linhas  férreas”, sublinhou, acrescentando que sem estas infra-estruturas “será  impossível materializar o sonho do comércio intra-africano”. 

O estadista defendeu igualmente a necessidade de melhorar a  conectividade aérea no continente, lamentando que, muitas vezes,  para viajar entre países africanos seja necessário passar por outros  continentes. “Só assim é que vamos flexibilizar o turismo africano, o  comércio africano, a logística africana e desenvolver os nossos  continentes, sobretudo os nossos países”, afirmou. 

No domínio das fronteiras, anunciou o desenvolvimento de um  projecto piloto de paragem única digitalizada com a África do Sul, em  colaboração com o Africa Exim Bank, o Banco Africano de  Desenvolvimento e a Africa50. “Achamos que a existência de  fronteiras, que também têm as suas burocracias, não flexibiliza o  comércio intra-africano”, disse, defendendo a simplificação de  processos e uma maior integração regional. 

Sobre a energia, Daniel Chapo destacou o papel de  Moçambique como fornecedor regional, lembrando a expansão da  Hidroeléctrica de Cahora Bassa, a construção de uma nova barragem 

no Rio Zambeze com capacidade de 1.500 MW e os investimentos em  gás natural e energias renováveis, como solar e eólica. 

“Este aumento da capacidade é exactamente para resolvermos não  só as preocupações de fornecimento de energia eléctrica em  Moçambique, mas ao nível da região da África Austral, porque somos  todos irmãos e os problemas africanos têm que ter soluções africanas”,  afirmou. 

O Presidente da República frisou ainda que a industrialização deve ser  prioridade, assente na agricultura e no agro-processamento, com  apoio às pequenas e médias empresas, responsáveis por mais de 90 por cento da economia moçambicana.  

“Estamos a apostar muito nos jovens, porque eles é que têm a força  activa para trabalharem. E estamos a apostar muito nas mulheres,  porque […] são as melhores gestoras que existem e nós continuamos a  apostar nelas”, declarou. 

O Chefe do Estado aproveitou também para sublinhar que não  haverá desenvolvimento sem paz e segurança, lembrando o  terrorismo em Cabo Delgado e apelando à solidariedade africana.  Recordou, igualmente, o contributo da Argélia na luta de libertação  de Moçambique, onde foram treinados os primeiros combatentes. “O  futuro de África será construído por nós. Se não formos nós a construir o  futuro do continente africano, ninguém vai construir por nós”, afirmou. 

No fim do seu discurso, o Presidente Daniel Chapo apelou à unidade e  à resiliência dos povos africanos para transformar a zona de comércio  livre continental numa realidade concreta.

A presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, recebeu, para um encontro de cortesia, nesta quinta-feira, na sede do Parlamento, em Maputo, os membros da direcção da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), encabeçada pelo respectivo presidente, Álvaro Massingue.

Segundo o vice-presidente da CTA, Honório Manuel, o encontro visava a apresentação oficial dos novos membros de direcção da agremiação e partilhar a sua visão sobre o ambiente de negócios no país.

“Sentíamos a necessidade de nos apresentarmos a este órgão de soberania, que consideramos fundamental para as reformas que julgamos serem imprescindíveis para dinamizar o ambiente de negócios em Moçambique”, disse Honório Manuel.

Na ocasião, Honório Manuel destacou que a audiência decorreu num ambiente cordial e produtivo, tendo a presidente da Assembleia da República acolhido as propostas apresentadas pela nova direcção da CTA.

O vice-presidente da CTA explicou que, durante o encontro, a agremiação apresentou um conjunto de propostas centradas em reformas de natureza fiscal, comunitária e administrativa, com o objectivo de remover barreiras e constrangimentos que afectam o sector empresarial.

De acordo com Manuel, a CTA defende que o desenvolvimento sustentável do país depende da implementação de reformas estruturais que promovam a produtividade e competitividade. Sublinhou a necessidade de adequar a política tributária à realidade económica nacional, tendo por base uma análise comparativa a nível regional, continental e global.

“Se analisarmos o nosso quadro fiscal, verificamos que não é dos mais favoráveis. Um número reduzido de empresas suporta uma carga tributária elevada”, disse o vice-presidente, considerando que, ao reformar o quadro fiscal, se poderá alargar a base tributária do Estado e arrecadar mais impostos, com mais empresas a produzir e a contribuir.

O vice-presidente da CTA realçou que, no âmbito do fortalecimento do sector empresarial, a agremiação destacou a forte adesão registada na recém-terminada edição da Feira Agro-Pecuária, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), classificando o evento como “dinâmico” e promissor em termos de perspectivas de negócios.

A presidente do Conselho Constitucional, Lúcia da Luz Ribeiro, discursou, nesta quinta-feira, em Joanesburgo, África do Sul, na Cimeira J20 – Fórum dos Presidentes dos Tribunais Constitucionais e Tribunais Supremos dos Países do G-20, com foco no reforço da justiça climática no país.

Moçambique, representado pelo Conselho Constitucional, participa neste fórum, subordinado ao tema “Justiça em Tempos de Mudança: Independência, Inovação e Cooperação”, a convite do Tribunal Constitucional da África do Sul.

A intervenção da Presidente do Conselho Constitucional esteve inserida no painel que se debruçou sobre “Mudanças Climáticas – Justiça Através da Colaboração Judicial”.

A Cimeira J20, cujo término está previsto para hoje, conta com a participação, além dos presidentes dos tribunais constitucionais e tribunais supremos dos países do G20, representantes de outros tribunais constitucionais e organizações não-governamentais, a título de convidados.

Na sua comunicação, Lúcia Ribeiro explorou o papel do sistema de justiça na salvaguarda da justiça climática, com ênfase para Moçambique, país contribuinte mínimo para as emissões de gases de efeito estufa.

A presidente do Conselho Constitucional explicou que as mudanças climáticas representam uma ameaça significativa à estabilidade e ao desenvolvimento global, havendo nações vulneráveis como Moçambique, que sofrem os efeitos adversos destas, com consequências gravosas e diversos aspectos humanitários.

Nesse sentido, entende que o sistema de justiça é essencial para a implementação efectiva de compromissos climáticos, resolução de disputas e garantia de que as vozes de todos os membros da sociedade sejam ouvidas nas negociações climáticas.

A educação e a consciencialização pública são elementos fundamentais para a construção de um círculo mais amplo de cidadãos informados sobre as mudanças climáticas, e a Constituição da República reconhece o direito a um ambiente equilibrado.

Lúcia Ribeiro assegurou que em Moçambique as mudanças climáticas são tratadas de duas maneiras principais, nomeadamente, através da sua mitigação ou tratamento das causas e o seu controlo, por um lado, e a adaptação, que é tratar das consequências, por outro.

Segundo ela, a combinação dos dois produz um efeito amortecedor que é tecnicamente designado por resiliência climática. Na mitigação, as acções principais são a redução das emissões de gases de efeito estufa (aqueles que contribuem para o aumento do aquecimento global) e, no caso de Moçambique, o maior centro de emissões até ao momento são as florestas, por conta do desmatamento e degradação causados pelo homem.

 

USO SUSTENTÁVEL DAS FLORESTAS

Explicou ainda que a nova Lei de Florestas, aprovada em 2023 (Lei 17/2023 de 29 de Dezembro), promove a conservação e uso sustentável das florestas como recurso económico e ambiental, e é implacável relativamente às infracções. Os tribunais administrativos têm, também, um campo de actuação no que concerne à observação da legalidade na implementação dessas medidas e, se necessário, aconselha a sua melhoria.

A mitigação também se aplica aos sectores da indústria, energia e transportes, onde o uso de tecnologias de baixa emissão é o recomendável.

Na sua opinião e no que diz respeito à adaptação, o país é chamado a fazer o seu melhor, pois, embora não seja contribuinte na emissão de gases de efeito estufa, é um dos mais afectados pelas mudanças climáticas, dada a sua localização geográfica, devendo, para se defender, optar por um mecanismo de adaptação bastante robusto. 

Ainda assim, entende Lúcia Ribeiro, a adaptação exige recursos para o efeito e um quadro regulatório bastante específico, o que ainda não existe.

“Embora o país ainda não tenha uma regulamentação específica sobre essas matérias, os tribunais podem, ao abrigo do direito do ambiente, implementar medidas interventivas, de modo a garantir que o Estado assegure a observação do princípio de poluidor pagador e, com isso, contribuir para a redução de emissões a longo prazo no país”, explicou.

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