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O País – A verdade como notícia

Benvinda Levy exige resultados aos novos directores do CFJJ e IIAM

A Primeira-Ministra, Benvinda Levy, desafiou os novos directores-gerais do Centro de Formação Jurídica e Judiciária (CFJJ) e do Instituto de Investigação Agrária de Moçambique (IIAM) a transformarem a sua experiência profissional e académica em resultados concretos e instituições mais fortes. A governante falava durante a cerimónia de tomada de posse

O vereador para a área de Construção e Urbanização no Conselho Autárquico da Beira, Albano Carige António, é o substituto do falecido presidente Daviz Simango, anunciou, esta tarde, o presidente da Assembleia Municipal da Beira, Ricardo Langue.

Albano Carige está em terceiro lugar na lista que venceu as eleições autárquicas de 2018 na Beira.

A lei que estabelece o quadro jurídico das autarquias locais determina, no número 4 do artigo 59, que em caso de morte ou impedimento definitivo, o presidente do Conselho Municipal “é substituído pelo membro da Assembleia Municipal que se segue ao cabeça de lista do partido, coligação de partidos políticos ou grupo de cidadãos eleitores que obteve a maioria de votos”.

Neste contexto, o segundo membro na lista que venceu as autárquicas de 2018 é José Domingos, actual secretário-geral do MDM. Contudo, não pode ser edil da Beira porque suspendeu o mandato de membro da Assembleia Municipal da Beira para ser deputado, na Assembleia da República.

Há mais de 365 dias que José Domingos é parlamentar e a lei estabelece que a suspensão de mandato “não pode ultrapassar” esse período, seguido ou interpolado, no decurso do mandato.

Assim, Albano Carige, terceiro colocado na lista é o novo presidente da autarquia da Beira, devendo ser empossado até esta sexta-feira e limitar-se-á a concluir o mandato anterior.

Findo o mandato, em 2023, Carige deverá submeter-se às eleições.

André Matsangaíssa Júnior, sobrinho do fundador e primeiro líder da Renamo, foi recebido esta segunda-feira pelo Presidente da República depois de render-se às Forças de Defesa e Segurança. Filipe Nyusi considera o acto um exemplo de que, em guerra, as vitórias não se conquistam apenas com o sacrifício de vidas.

Foi um dos “rostos” que apareceu ao lado de Mariano Nhongo na fundação da Junta Militar da Renamo. Agora, o sobrinho do fundador e primeiro líder da Renamo é um homem novo, que defende que “deve haver paz na região centro do país”.

É por essas e outras razões que sentou-se, ontem, ao lado do Chefe de Estado, Filipe Nyusi, na Presidência da República. Logo a seguir Matsangaíssa, membros da sua família e integrantes do Grupo de Contacto para o processo de Desmilitarização, Desmobilização e Reintegração, presidido pelo Enviado Pessoal do Secretário-geral das Nações Unidas reuniram-se com o Presidente da República para falar sobre o processo.

O homem apontado como líder da frente Chibabava-Muxúnguè, durante os ataques atribuídos à Junta Militar da Renamo, disse que o objectivo que o trouxe a Maputo é da paz “que deve haver no centro do país, depois dos problemas que havia na região”.

André Matsangaíssa Júnior contou que após “ouvir os convites do embaixador (Mirko Manzoni) e do Presidente Filipe Nyusi, como pai, a pedir diálogo, preferi vir ao encontro (deles) para melhor diálogo, de modo a que não haja mais problemas na região centro”.

Aparentemente um homem de poucas palavras, André Matsangaíssa Júnior pouco ou quase nada fala sobre o papel que desempenhava na Junta Militar da Renamo e nos ataques que criaram insegurança nas províncias de Sofala e Manica. “Sobre isso vão ter a oportunidade de saber, em breve”.

Para o Presidente da República, o facto de Matsangaíssa Júnior ter-se entregue às autoridades é um exemplo de que em guerra, as vitórias não se fazem apenas com o sacrifício de vidas.

“Esta maneira pacífica como se fez, de ele (Matsangaíssa Júnior) voltar ao convívio é uma das maiores vitórias que nós podemos ter como moçambicanos”, afirmou o Presidente para quem “nem sempre as vitórias têm que ser conseguidas no plano operativo ou combativo”, afirmou Filipe Nyusi, acrescentando que a atitude de Matsangaíssa Júnior “é correcta” e é uma forma de “respeitarmos as nossas diferenças”.

Aliás, segundo o Chefe do Estado, as Forças de Defesa e Segurança sabem da existência de mais bases de pessoas que procuraram mostrar pensamento diferente por via armada.

Nyusi disse mais: “alguns estão na base de Dombe, na Base Bandja e mais outras bases. Actualmente estamos a falar mais das províncias de Sofala e Manica mas também tem uns núcleos em Tete ou em Niassa”. Por isso apela “precisamos que essas pessoas se juntem à razão, neste caso, do povo moçambicano para nós podermos desenvolver este Moçambique”.

Será este o fim da Junta Militar da Renamo? A esta questão, o Presidente da República respondeu que é um processo.

“Chegou uma fase onde os ataques quase pararam e gostaríamos que continuassem parados. Não estamos a dizer que acabaram, mas nós gostaríamos que acabassem. Mas esse é um passo, um passo que nós gostaríamos de acarinhar. É resultado de um diálogo positivo, onde as pessoas se contactam permanentemente, através de diferentes meios. Não precisamos muito de estar a fazer barulho. Não precisamos de falar muito, precisamos mesmo é de fazer coisas para que o moçambicano viva bem, na tranquilidade”, terminou.

Matsangaíssa Júnior é o terceiro homem próximo a Mariano Nhongo a render-se, nos últimos meses, depois de João Machava, antigo porta-voz da Junta Militar e Paulo Nguirande, chefe do Estado Maior da organização.

Em Abril próximo, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM) vai reunir-se em Conselho Nacional para discutir a realização do congresso extraordinário, no qual será escolhido um novo presidente do partido. A data e o local ainda não foram definidos.

O facto foi anunciado pela Comissão Política do partido, após uma reunião na noite de sábado para traçar o futuro do MDM sem Daviz Simango.

Daviz Simango morreu na madrugada de 22 de Fevereiro, na África do Sul, vítima de doença. Foi o primeiro presidente do partido e durante 11 anos.

De acordo com Luís Boavida, porta-voz da Comissão Política do MDM, há uma orientação para se convocar um Conselho Nacional extraordinário, para a partir do mesmo convocar-se um congresso conforme orientam os estatutos.

“O Conselho Nacional vai reunir-se na primeira quinzena de Abril próximo, em local ainda por anunciar”, explicou Luís Boavida, sem revelar a data exacta do evento.

Enquanto o Conselho Nacional não se reúne e nem se realiza congresso, o secretário-geral do MDM, José Domingos, dirige os destinos do partido, segundo Boavida, que exortou os membros e simpatizantes da formação política a seguir as orientações do partido, para evitar a desinformação.

O Presidente da República prestou, este sábado, elogio fúnebre a Daviz Simango, edil da Beira e presidente do MDM, falecido a 22 de Fevereiro, na vizinha África do Sul, vítima de doença. Filipe Nyusi disse que “não é possível ficar conformado com esta dura realidade [morte do político e membro do Conselho de Estado]”.

Com a morte de Daviz Simango, “não é apenas o MDM que sente dor irreparável”, considerou o Chefe do Estado, acrescentando que a consternação que abala a família Simango é também sua e de “todos os moçambicanos”.

A partir do átrio dos CFM na Beira, numa cerimónia que antecedeu o funeral, Filipe Nyusi disse ainda que Daviz Simango será “colectivamente lembrado” pelas suas obras, demonstradas a partir do momento em que foi eleito presidente da segunda maior urbe do país. “Mais do que um dirigente político, foi servidor do seu país”.

O Presidente da República caracterizou o percurso social e político do falecido edil da Beira e presidente do MDM descrevendo-o como um homem que “será colectivamente recordado” pela sua “entrega, rectidão e sentido de Estado”.

“Recordo da simplicidade com que aceitou para fazer parte da minha visita a Holanda e juntos angariamos financiamento” para vários projectos. “Naquela deslocação histórica, ganhou Moçambique”, explicou Nyusi, para mostrar a forma de ser e estar de Daviz Simango em relação ao Estado.

Prosseguindo, o Presidente da República afirmou que o edil da Beira, presidente do MDM e membro do Conselho de Estado “foi um servidor público, um homem de convicções e que ajudou nas soluções para a paz” no país.

“Com a sua partida precoce, Moçambique perde um agente da luta pela democracia”, considerou Nyusi, explicando que, apesar de Daviz ter liderado um partido político da oposição, tinha uma visão abrangente sobre o interesse nacional e “mostrou que era possível alcançar o poder político sem recurso às armas”.

O malogrado foi a enterrar este sábado, debaixo de chuviscos, no cemitério da Santa Isabel, município da Beira. Vários cidadãos, entre eles simpatizantes do MDM, permaneceram nas proximidades do cemitério para testemunhar a chegada de Daviz à última moradia. Entretanto, no fim da cerimónia, parte dessas pessoas invadiram cemitério.

 

“COMPREENDER OS PROPÓSITOS DE DEUS” É “DIFÍCIL QUANDO SE TRATA DE ENTERRAR UM PAI”

 

Para os filhos de Daviz Simango, “compreender os propósitos de Deus muitas vezes constitui uma tarefa extremamente difícil, principalmente quando se trata de enterrar um pai” que “tão precocemente” partiu para o além-mundo.

Contudo, tornar-se-á “num anjo que irá proteger e iluminar as nossas vidas. Esta partida prematura pegou-nos de surpresa e deixa um vazio enorme nos nossos corações (…)”.

“Querido pai, vieste de uma família de heróis e não podia ser diferente que assim fosses. O seu percurso foi marcado por vitórias, conquistas e quiseste também colocar em nós este espírito. Seguiste os ensinamentos deixados na última carta enviada pela sua mãe Celina Simango, direccionada ao seu irmão mais velho, em 1983”, pedindo “para que vocês estudassem como forma” de se tornarem uma arma de libertação, disse Uria Simango, filho mais velho do malogrado.

De acordo com Uria Simango, o pai ensinou aos filhos a ter valores como “honestidade, lealdade e amor ao próximo. Cedo nos ensinaste que não eras só nosso. A tua missão era muito além da família”, pois abrangia “o povo. Gostaríamos de aprender muito mais (…)”.

Os filhos de Daviz acreditam que o progenitor cumpriu “muito bem, com muita determinação e coragem o seu propósito de vida na terra. Foi-se o nosso pai. Foi-se o homem que sonhava com um Moçambique para todos”.

Para Samuel Simango, representante da família Simango, a vida do falecido edil da Beira foi sempre marcada pela “determinação para ultrapassar as vicissitudes que marcaram a sua trajectória”.

“Teve enormes qualidades que fizeram dele um soldado de primeira luta pelo bem-estar na Beira e de um Moçambique por todos”, considera a família, ajuntando que o político tinha como características o “amor ao próximo, a defesa dos fracos, a frontalidade, a sensibilidade e era visionário”.

De acordo com Samuel Simango, ninguém na família pode dizer que “não sentiu a mão solidária” do falecido edil da Beira e presidente do MDM.

 

“QUEM ASSUMIR A LIDERANÇA” DA BEIRA “NÃO PODERÁ VIRAR PÁGINA”, CLÁUDIO DALLA ZUANNA

Cláudio Dalla Zuanna, arcebispo da Beira, intercedeu por Daviz Simango, pedindo purificação e perdão caso em vida tenha cometido falhas. E disse: “que seja conduzido pela mão dos anjos à morada do nosso pai Abraão (…). A cidade de Deus é uma cidade em harmonia. O seu comprimento e a sua largura são iguais”.

“A cidade dos homens, as nossas cidades, a cidade da Beira, pela qual o engenheiro Daviz Simango tanto trabalhou (…) é ainda um projecto rabiscado de uma cidade para todos”, afirmou Cláudio Dalla Zuanna.

A reconciliação do falecido edil com a sua história fez com que cultivasse “um trato imediato e espontâneo de relação com todos os munícipes. A sua abertura e dimensão espiritual lhe fizeram prestar atenção e respeito a todas as tradições religiosas”.

“As melhorias e as infra-estruturas que a cidade viu crescer, nestes últimos anos, são manifestação desta procura do bom, do belo e do harmónico que Deus semeou em nós como desejo de vida”, disse o arcebispo, salientando que “com a morte do nosso edil, quem assumirá a liderança da cidade [da Beira] não poderá virar página”, mas sim continuar a edificação de “uma cidade solidária, resiliente e em progresso, recolhendo o legado de Daviz Simango”.

 

DAVIZ SIMANGO “FOI CULTOR DE INCLUSÃO, IRMANDADE E FRATERNIDADE”

José Domingos, secretário-geral do MDM, sublinhou que Daviz Simango valorizava o amor ao próximo e a solidariedade.

O político “era um exemplo de integridade na gestão da coisa pública”, um exemplo que os militantes do partido pretendem seguir. O país “perdeu um dos expoentes da promoção da paz e consolidação da democracia”.

Os moçambicanos ficaram órfãos de um pai que “lutou incansavelmente” pela inclusão e pelo bem-estar dos beirenses, sobretudo.

“Assistia às chamadas mais desfavorecidas. Foi um autêntico professor da vida social e política”, afirmou José Domingos, para quem “descrever a vida e obra de Daviz Simango transcende” a dimensão de um homem político, edil e membro do Conselho de Estado que ele foi.

“Foi cultor da inclusão, da irmandade e da fraternidade. Era apagado ao trabalho e dedicou sua vida ao bem-estar de todos. Era um líder incansável da alternância política”, acrescentou o secretário-geral do MDM, para quem o edil partiu fisicamente sem ver materializado o seu sonho de erguer 25 mil casas para jovens. “Mas nós continuaremos a missão de um Moçambique para todos”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, participa amanhã, às 09h30, no Paços do Município da Beira, nas exéquias do engenheiro Daviz Simango, presidente do Conselho Autárquico da Cidade da Beira e membro do Conselho de Estado, refere uma nota enviada ao “O País”.

O político e presidente do MDM perdeu a vida no dia 22 de Fevereiro, vítima de doença. Daviz Simango terá um funeral oficial, decretado pelo Conselho de Ministros.

Os restos mortais de Daviz Simango, que vão a enterrar este sábado, encontram-se na capital de Sofala. A recepção da urna foi feita por dezenas de pessoas, no Aeroporto Internacional da Beira.

A urna contendo os restos mortais de Daviz Simango chegou por volta das 20 horas e meia, no Aeroporto Internacional da Beira.

Transportada da África do Sul para Moçambique, numa aeronave de pequeno porte, membros do Governo, familiares e simpatizantes do MDM assistiram ao momento em que elementos das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM) descarregavam o caixão, no aeroporto.

Com recepção militar a urna foi transportada em escolta para o edifício do Conselho Autárquico da Beira, onde vários munícipes aguardavam para contemplar a chegada do corpo do líder político. Em agitação, no átrio do município da Beira, estavam inúmeros munícipes, uns em motorizadas, outros em carros e outros ainda simplesmente sem nenhum desses meios. Mas todos com vontade comum: ver a urna com os restos mortais do autarca a ser descarregada no edifício onde em vida frequentou.

Entre os que estiveram presentes na recepção da urna, destaque vai para o governador de Sofala, Lourenço Bulha, a secretária de Estado de Sofala, Stella Pinto Zeca, bem como os membros da Comissão Política do MDM, que estarão reunidos esta sexta-feira para delinear os moldes em que as exéquias fúnebres irão seguir. Daviz Simango terá funeral oficial, anunciou o Governo.

Um elemento também a destacar que se verificou durante a recepção da urna com restos mortais de Daviz Simango é a emoção expressa pelos familiares do finado. Lutero Simango e outros familiares do autarca derramaram lágrimas, em abraços uns aos outros, numa clara manifestação de mútuo consolo, diante da consternação que a família Simango atravessa.

Esperança Bias, presidente da Assembleia da República, espera que a sessão aberta esta quinta-feira seja de consensos e urbanidade durante a discussão dos 26 pontos agendados. Mas foi a pandemia da COVID-19 que dominou os discursos das três bancadas parlamentares. A “oposição” critica a gestão do Governo à pandemia, enquanto a Frelimo dá nota positiva.

Perguntas ao Governo, Informe da Procuradora-Geral da República sobre o Estado Geral da Justiça, Conta Geral do Estado de 2019 e a apreciação na generalidade e especialidade de propostas de lei, com destaque para a legislação sobre a de Comunicação Social, são alguns pontos para a terceira sessão ordinária da Assembleia da República, na sua nona legislatura.

A sessão plenária inaugural aconteceu e serviu de oportunidade para a presidente da Assembleia da República, Esperança Bias, chamar atenção dos parlamentares para um comportamento ordeiro.

“É nossa expectativa que a presente sessão seja produtiva e privilegie mais o debate político democrático, a troca de ideias e argumentos, num ambiente de decoro parlamentar, de civismo e urbanidade, de modo que sejamos um exemplo para o cidadão e este se sinta bem representado e respeitado”, apelou Esperança Bias, assegurando que “o trabalho que tem sido realizado nos círculos eleitorais vai servir de fonte para a melhoria do nível dos nossos debates nas comissões de trabalho e no plenário”.

A COVID-19, um tema da actualidade e por isso incontornável, não passou ao lado nos discursos inaugurais desta sessão.

”É nossa expectativa que os países africanos consigam obter a vacina contra a COVID-19 e em condições acessíveis para a imunização da população do continente”, disse a chefe da “Casa do Povo”.

Esperança Bias enalteceu o trabalho e a dedicação dos profissionais de saúde no tratamento dos doentes do novo Coronavírus e, por isso, deixou um apelo aos parlamentares.

O apelo “aos senhores deputados da Assembleia da República” é no sentido de “contribuírem com um valor monetário em apoio ao trabalho dos profissionais de saúde, pelo empenho e abnegação do serviço prestado aos moçambicanos e à nossa pátria, são merecedores da nossa sincera e profunda gratidão”.

As acções dos terroristas em Cabo Delgado e dos homens da Junta Militar da Renamo nas províncias de Sofala e Manica continuam a provocar mortes, deslocação de pessoas e destruição de bens públicos e privados.

Em nome do Parlamento, Esperança Bias apela “aos homens da auto-proclamada junta Militar da Renamo e ao seu líder a seguirem o exemplo de alguns dos seus companheiros, que se juntaram ao processo de Desarmamento, Desmobilização e Reintegração e às suas famílias”.

EFICIÊNCIA DO GOVERNO NA GESTÃO DA PANDEMIA: BANCADAS DIVERGEM

Dos temas da actualidade, a COVID-19 foi denominador comum das intervenções das três bancadas parlamentares que compõem a Assembleia da República.

“No meio dos desafios e voltas que esta pandemia tem provocado em todo mundo, o Governo de Moçambique, com as capacidades humanas e materias disponíveis tem feito uma grande omolete com poucos ouvos”, introduziu Sérgio Pantie, chefe da Bancada Parlamentar da Frelimo, que dá nota positiva à gestão do Executivo ao novo coronavírus. Mas medidas tomadas “impediram que o Coronavírus tivesse um crescimento exponencial até Dezembro, contudo um sentimento generalizado dos moçambicanos, de que com seus conhecimentos e plantas tradicionais resultou num relaxamento perigoso em torno das medidas de prevenção decretadas pelo Governo, proporcionou um aumento desproporcional dos casos, principalmente em algumas cidades do país”.

A Renamo dedicou parte considerável da sua intervenção  fazendo revelações constantes da carta de demissão do ex-ministro da Saúde, Hélder Martins, da Comissão Técnico-Científica de Prevenção da COVID-19.

Por isso quer que “o Governo aprofunde sem paixões as razões invocadas pelo doutor Hélder Martins, na sua carta de pedido de demissão e tire o manto de clandestinidade à comissão técnico-científica, tornando as recomendações públicas e quiçá algumas sugestões populares”, afirmou Viana Magalhães, sugerindo que “a Comissão Técnico-Científica tenha uma linha verde grátis para contribuições de populares e de tantos outros académicos”.

Já o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), nas palavras do seu porta-voz, Fernando Bismarque, critica a falta de investimento no Sistema Nacional de Saúde. Diz que é urgente reflectir-se sobre a soberania do Estado no sector da saúde.

“Somos dependentes da ajuda externa porque a nível interno não investimos. Temos que repensar sobre o sector de saúde privado, alvo de críticas por alegado oportunismo neste tempo de pandemia”.

E disse mais: “não faz sentido que, volvidos 45 anos da nossa independência, continuemos a ser uma colónia no sector da Saúde. Somos dependentes de ajudas externas porque a nível interno temos tido a tentação de negligenciar este sector tão importante para a nossa sobrevivência”, condenou Fernando Bismarque.

Os membros da Renamo, que trabalharam com Daviz Simango no município da Beira e no MDM, exaltam as obras do político falecido na África do Sul, indicando que ele sempre trabalhou para a maioria.

Manuel Bissopo, antigo secretário-geral da Renamo, no primeiro mandato de Daviz Simango, eleito pela própria “perdiz”, era chefe de um dos postos administrativos na Beira. Mais tarde foi vereador das Finanças. Ele lamenta a morte do edil, que para ele era um homem que tomava decisões para o bem da maioria.

“O engenheiro Daviz Simango era uma pessoa com ideias muito naturais e com soluções para tudo, sempre a pensar no bem da maioria. Sempre admirei a forma como ele tomava as decisões. Tomava-as em função de resultados que ajudassem grande parte dos munícipes. Isto marcou-me bastante”, afirmou o político.

Para Manuel Bissopo, o trabalho do falecido edil o orgulhava. Daviz Simango Ele apostava em questões básicas como infra-estruturas, nomeadamente estradas, valas de drenagem e melhoria na recolha e tratamento de lixo.

“A Beira desenvolveu graças à sua maneira simples e honesta de tomar decisões em prol de todos. A democracia moçambicana também perde porque o presidente Daviz Simango sempre se preocupou, como líder de um partido, em ver um país cada vez mais robusto democraticamente e com ideias claras sobre como os moçambicanos deveriam se relacionar, apesar de pensarem de forma diferente”, contou o antigo secretário-geral da Renamo.

Por seu turno, Geraldo Carvalho, um dos membros fundadores do MDM, em 2009, e que retornou à Renamo há cerca de dois anos, admirava Daviz Simango pela sua determinação, “coragem e, sobretudo, inteligência. Daviz Simango era destemido”.

“Nada lhe impedia de avançar com uma ideia, desde que a mesma fosse para o bem dos munícipes. Ele sempre avançou com aquilo que pensavam e conseguia bons resultados. Dou como exemplo a decisão de se avançar para as eleições autárquicas em todos os municípios nas circunstâncias que o partido vivia, sem fundos e nem apoios externos, mas ele avançou e conseguiu-se, na altura, bons resultados. Era uma pessoa muito determinada”, contou Geraldo Carvalho.

Os régulos da cidade da Beira enalteceram igualmente as obras de Daviz Simango e apontam com satisfação o facto de o mesmo ter contribuído para o resgate das estruturas tradicionais. Pediram aos beirenses para se manterem unidos em torno das obras do malogrado.

Pedro Simão, um dos líderes tradicionais da cidade da Beira, que responde por 12 bairros, que nos últimos 16 anos trabalhou sempre em coordenação com a autarquia, começou por lamentar a morte de Daviz. Recordou com satisfação uma das acções que mais alegrou o regulado.

“Ele acabava de ser eleito como presidente do município pela Renamo. Entrou em contacto connosco e garantiu que iria apoiar o regulado. De facto, em menos de seis meses encomendou do vizinho Zimbabwe fardamentos para todos os líderes tradicionais e as suas respectivas insígnias. De seguida, garantiu um subsídio para os régulos, transporte e telefones para a nossa comunicação. Um gesto muito nobre que contribuiu para dignificar o regulado na cidade. Aliás, este gesto do Daviz Simango contribuiu para em todas as outras partes do país os régulos passarem a ser reconhecidos”, contou o interlocutor.

Os régulos da cidade da Beira pediram aos beirenses para saberem honrar, preservar os ideais e iniciativas de Daviz Simango.

“Nós os beirenses devemos com muita dedicação continuar com as obras iniciadas pelo nosso presidente e, sobretudo, saber preservar o que ele deixou já feito. Ele deixou um projecto de construção de 25 mil casas para jovens. Estivemos lá na cerimónia de lançamento, que muito nos animou, pois, os nossos filhos pelo menos terão infra-estruturas resilientes. Temos que dar seguimento a esta iniciativa”, pediu Gemude Fernando, outro régulo da Beira.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, recebeu uma mensagem de condolências endereçada pela coordenadora residente das Nações Unidas em Moçambique, pela morte de Daviz Simango, membro do Conselho de Estado, presidente do MDM e edil do Conselho Autárquico da Beira.

Na sua mensagem, a coordenadora da ONU em Moçambique refere que foi com profundo pesar que tomou conhecimento do falecimento do engenheiro Daviz Simango.

“O engenheiro Daviz Simango tornou-se uma parte fundamental no processo de construção do Estado moçambicano e era um parceiro muito próximo do Sistema das Nações Unidas em Moçambique”, lê-se na mensagem da coordenadora das Nações Unidas no país, Myrta Kaulard.

“Tivemos o privilégio de trabalhar com ele na implementação de vários projectos de desenvolvimento e de recuperação pós-desastres, na cidade da Beira em particular, e trocar ideias que tornaram as actividades de resposta ao ciclone Idai em 2019 mais eficazes e inclusivas, apesar de recursos escassos”, afirma a Coordenadora da ONU.

De acordo com a coordenadora, um dos momentos mais marcantes do trabalho conjunto foi o encontro que Daviz Simango teve com o secretário-geral da ONU, na cidade da Beira, no dia 12 de Julho de 2019, no qual retratou o drama causado às populações locais pelo ciclone Idai.

Em Junho de 2019, tinha sido nomeado membro-executivo do Fórum Africano das Nações Unidas para Segurança Urbana, que é o Fórum para a discussão relativa à implementação das directrizes de todo o sistema da ONU sobre cidades e assentamentos humanos mais seguros, acrescenta a coordenadora da ONU.

“Neste momento de dor, O Sistema das Nações Unidas apresenta à sua família, amigos, membros do seu partido e a toda a população de Moçambique, as mais sentidas condolências”, afirma Myrta Kaularde, segundo uma nota enviada ao “O País”.

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