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O País – A verdade como notícia

 “O segredo de Moçambique são os comités locais”, PR sobre mudanças climáticas

O Chefe de Estado foi distinguido na Beira como Campeão de Gestão de Risco de Desastres da União Africana e dedicou homenagem ao povo moçambicano. O Presidente da República falava nesta  quinta-feira(15.10.2026), na cidade da Beira durante   o primeiro Congresso Internacional da Acção Humanitária e Cooperação, sob o lema

A Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Nataniel Macamo Dlhovo, manteve na manhã de desta segunda-feira, um encontro de cortesia com a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação Internacional de eSwatini Thuli Dladla.

Na audiência, as ministras Macamo e Dladla trocaram impressões sobre a realização da Comissão Mista Moçambique- eSwatini, que poderá ter lugar no ano de 2022. Destacaram a importância da reafirmação de fronteiras com vista a reforçar a segurança fronteiriça, o combate ao tráfico de drogas e ao contrabando de mercadorias.

As governantes abordaram a situação política, social e económica dos dois países, bem como manifestaram a disponibilidade de continuar a trabalhar para o fortalecimento e consolidação das relações de amizade e cooperação bilateral.

Na ocasião, a Ministra Verónica Macamo agradeceu o apoio do Reino de eSwatini à candidatura de Moçambique a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Segundo o Instituto para Democracia Multipartidária (IMD), os Institutos de Formação em Administração Pública e Autárquica (IFAPA) devem estar preparados para responder aos desafios impostos pela descentralização em Moçambique.

A informação foi dada, esta segunda-feira, na Matola, pelo gestor de Projectos no IMD, Osman Ali Cossing, durante a abertura da capacitação dos formadores dos IFAPA em matérias de Governação Descentralizada Provincial.

“Pensamos que os IFAPA, sendo instituições vocacionadas ao ensino de Administração Pública, têm este potencial e conhecimento para assegurar alargamento das capacitações para outros níveis e outros atores locais”, disse Cossing.

Por seu turno, o director do gabinete do Secretário do Estado da província de Maputo, Rui Namlipa, em representação da secretária do Estado, Vitória Diogo, disse que a formação se reveste de uma extrema importância, na medida em que os formadores provinciais irão desempenhar um papel de difusor das matérias reflectidas no novo pacote da descentralização, fruto da revisão pontual da Constituição da República aprovada pela lei n0 1/2018 de 12 de Junho para compreensão dos autores envolvidos na governação.

“Esta formação acontece num momento em que estamos na segunda fase da revisão do quadro legal sobre o funcionamento dos órgãos executivos de governação descentralizada provincial e de representação do Estado na província. Recordamos que a primeira revisão incidiu sobre os decretos 2/2020 de 8 de Janeiro e 5/2020 de 10 de Fevereiro e que deram lugar à origem dos actuais decretos 63 e 64/2020, ambos de 7 de Agosto”, explicou Namlipa.

Já o director nacional-adjunto de Gestão Estratégica de Recursos Humanos do Ministério de Administração Estatal e Função Pública, Carlitos Rupia, disse que sem formação e capacitação profissionalizante, a Administração Pública não pode cumprir com zelo e competência a sua missão de servidor do cidadão.

“A formação é um elemento estratégico do processo de mudança, desenvolvimento e consolidação de mudanças institucionais e, consequentemente, um dos pressupostos que concorrem para o garante da melhoria da qualidade de serviços prestados pelos servidores públicos ao cidadão”, referiu Rupia.

A capacitação dos formandos na zona sul, abrangendo as províncias de Maputo, Gaza e Inhambane, tem o apoio financeiro da Embaixada da Irlanda.

Perto de cinco mil funcionários públicos foram afectados pelas acções terroristas em Cabo Delgado, segundo revelou, esta segunda-feira, a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Ana Comoana, após ser ouvida pela Comissão de Petições, Queixas e Reclamações da Assembleia da República.

Na ocasião, a ministra revelou que o terrorismo causou grandes prejuízos e desorganização no sistema, no entanto tudo está a ser feito com vista a garantir o normal funcionamento dos serviços públicos nas zonas afectadas pelo terrorismo.

“Antes do retorno às zonas de origem, o que temos estado a acautelar é que o funcionário se apresente às autoridades mais próximas para a sua reintegração ou pelo menos ocupação. Este é o trabalho feito a nível dos trabalhadores da saúde, educação e outros dos serviços afins”, explicou.

A dirigente esclareceu que estas iniciativas já vêm sendo implementadas desde que a paz começou a reinar em Cabo Delgado e vêm sendo robustecidas pelo plano de reconstrução de Cabo Delegado.

“Temos muito bem indicadas neste plano as acções que têm a ver com a reabilitação e reconstrução dos diferentes edifícios, para que os serviços públicos possam retomar. Mas, antes disso, nós providenciamos equipamentos, como tendas, edifícios móveis pré-fabricados, entre outras condições, onde irão funcionar os serviços”, disse.

Ana Comoana avançou ainda que dos cerca de cinco mil funcionários públicos deslocados, mais de 50 por cento são compostos por professores, seguidos por agentes da saúde e diferentes serviços das sedes distritais.

“De uma maneira geral, nós não temos funcionários sentados em casa. Temos, sim, funcionários que estão a trabalhar para os seus distritos, a partir dos distritos onde estão acolhidos. Este foi o trabalho que o Governo fez para que o funcionário não fosse ocioso ou subaproveitado”, o explicou.

No contexto da prestação de serviços do sector público, confrontada com as declarações do Provedor da Justiça, Isaque Chande, na sequência da apresentação do seu informe à Assembleia da República, a ministra da Administração Estatal e Função Pública reconheceu as fragilidades do sector, mas reitera o registo de acções que promovam a melhoria.

Ana Comoana referiu-se à aprovação da Estratégia de Reforma e Desenvolvimento do Sector Público 2020-2024 (anteriormente Estratégia de Reforma e Desenvolvimento do Sector Público 2012-2025), que define acções prioritárias no combate à corrupção e modernização do sector.

“A questão da prova de vida biométrica, a introdução de um novo sistema de gestão dos recursos humanos do Estado, entre outras acções, têm sido tomadas para o fortalecimento da nossa acção na gestão dos recursos humanos, mas também na componente dos mecanismos da gestão financeira”, concluiu.

Ana Comoana concluiu dizendo que os sectores mais críticos já estão identificados e acções concretas serão aplicadas contra todos que mancham a imagem do sector público.

A COP 26 arrancou com baixas expectativas de que os acordos a serem alcançados contribuam para limitar a subida da temperatura no planeta em 1,5 graus Celsius. O Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse à saída das 20 economias mais desenvolvidas do mundo que há um sério risco dos entendimentos saídos de Glasgow não serem cumpridos.

Esta é a imagem do entendimento saído de Paris em 2015, visando essencialmente limitar o aumento da temperatura global ao máximo de 2ºC em relação aos níveis da era pré-industrial.

No entanto, seis anos depois, os países continuam com altos níveis de uso de combustíveis fósseis e desmatando a taxas incompatíveis com o Acordo de Paris. Nos últimos anos, o mundo passou por uma série de desastres climáticos relacionados às mudanças climáticas, desde ciclones como o Idai e Keneth em Moçambique, até inundações severas a incêndios florestais ao redor do mundo.

A COP 26 é descrita como uma espécie de última chance para os países salvarem o planeta. Aliás, domingo na abertura da Conferência das Nações Unidas, o Presidente da COP, Alok Sharma, reconheceu que, sob o ponto de vista ambiental, o mundo está a ficar pior.

“Amigos, em cada um dos nossos países, estamos a ver o impacto devastador das mudanças climáticas. E nós sabemos que o nosso planeta compartilhado está a mudar para o pior e só podemos resolver isso juntos por meio deste sistema internacional”, disse

Optimista, o Presidente da COP comentou, em conferência de imprensa, após a reunião técnica, sobre o tema da transição energética que interessa bastante a Moçambique, país que está a explorar carvão mineral em Tete, uma fonte de energia não limpa. Numa altura em que o carvão de Moatize é um dos principais produtos de exportação de Moçambique, foi anunciado em Glasgow que a China assumiu o compromisso de reduzir o financiamento internacional ao carvão.

“O que aconteceu no mês passado, eu acho que foi bastante notável em termos de compromissos para acabar com o financiamento internacional do carvão. Claro, vocês viram a China a declarar de forma muito significativa, na Assembleia Geral da ONU, através do Presidente Xi Jinping, que também encerraria o financiamento internacional do carvão”, acrescentou.

Entretanto há baixas expectativas sobre a COP 26. É que terminou este domingo na Itália a cimeira dos 20 países mais industrializados do mundo e que são responsáveis por 80 por cento dos gases de efeito estufa libertados para o meio ambiente. E dos 20, apenas 12 aceitaram continuar a emitir gases poluentes até 2050. A China, Índia e Rússia já disseram que têm outras prioridades.

É por isso que, à saída da Cimeira do G20, o Secretário-geral das Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, assumiu que há sérios riscos de os compromissos de Glasgow virem a falhar.

“Na véspera da COP 26 em Glasgow, todos os caminhos para o sucesso passam por Roma. Mas, sejamos claros, há um sério risco de que Glasgow não cumpra. Vários anúncios recentes sobre o clima podem deixar a impressão de um quadro mais optimista. Infelizmente isso é uma ilusão”, lamentou Guterres.

O receio de ilusão que António Guterres tem é também sustentado pelo facto de os Presidentes da China, da Rússia e também do Brasil não se fazerem presentes à Conferência, que arrancou neste domingo, e se estende até 12 de Novembro.

O presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade da Primeira Comissão da Assembleia da República (AR), António Boene, entende que os crimes de branqueamento de capitais e o tráfico de pessoas constituem males que a afectam a sociedade moçambicana e Administração Pública.

O responsável que falava, na última sexta-feira, no Distrito da Katembe, no decurso do seminário de capacitação dos deputados membros daquela Comissão de especialidade, em matérias de Branqueamento de Capitais e Direitos Humanos, explicou que é do interesse desta Comissão aprofundar conhecimentos que versão sobre o tema para melhor legislar em defesa do bem-estar dos moçambicanos.

“É nossa expectativa como o presente seminário, aprofundarmos e colhermos informações e experiências de especialistas, no que concerne a problemática de tráfico de órgãos de seres humanos em Moçambique, para garantia a protecção de pessoas vulneráveis ao tráfico, bem como aprimorar os conhecimentos sobre mecanismos tecnológicos e legais, para evitar o branqueamento de capitais”, disse Boene.

António Boene acrescentou, igualmente, que há um interesse ainda em reforçar os conhecimentos dos deputados daquela Comissão para melhor fiscalizar as empresas como forma de controlo de capitais, assim como para permitir a melhor intervenção sobre as medidas legais a adoptar e perceber que ferramentas a usar no combater e fiscalizar estes males.

Ainda na sua intervenção, o dirigente explicou que a Primeira Comissão desempenha um papel importante na legislação e fiscalização do sector da Administração da Justiça e de Direitos Humanos, daí a necessidade da permanente capacitação dos seus membros para responder cabalmente aos desafios impostos pelas dinâmicas actuais, no que concerne ao combate do tráfico de seres humanos e ao branqueamento de capitais.

“O nosso papel não é apenas criar leis, é acima de tudo fiscalizar a aplicação dessas leis e também criarmos mecanismos e garantias para que essas leis sejam, efectivamente, aplicadas”, sublinhou.

Por seu turno, o director de Programas do Instituto Multipartidária (IMD), Dércio Alfazema, defendeu a necessidade do país criar políticas que promovam maior transparência na gestão da coisa pública e conferir maior resiliência e capacidade do Estado de resistir a possíveis situações de branqueamento de capitais.

“Estas situações são recorrentes pelo mundo a fora e nós não estamos interessados que o nosso país faça parte destas redes ilícitas, que depois se associam com situações que têm a ver com corrupção”, sublinhou Alfazema, acrescentado que “é com este tipo de sessões de trabalho que teremos deputados devidamente informados sobre estas matérias, e por via disso, estarão em altura de desempenhar, de forma eficaz, a sua função legislativa, fiscalizadora e representativa”.

“Os temas propostos são estruturantes, tendo em conta o contexto em que o país se encontra, pois têm boas perspectivas em termos de colheita de receitas no sector extractivo e isto requer um acompanhamento de políticas que garantem transparência, e que possam melhor proteger o cidadão em termos dos riscos de violação dos seus direitos, sobretudo quando ocorre esse crescimento de exploração de recursos extractivos”, explicou Alfazema.

O evento da Katembe foi organizado pela Assembleia da República em coordenação com o Instituto para a Democracia Multipartidária com o apoio da Embaixada da Finlândia, e tinha como objectivo municiar os deputados da 1a Comissão sobre as dinâmicas actuais e soluções de combate ao tráfico de seres humanos e o ponto de situação dos crimes de branqueamento de capitais e crimes conexos.

A Representante do Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF) em Moçambique, Maria Luísa Fornara, enalteceu, na última sexta-feira, o trabalho que a Assembleia da República (AR) vem desenvolvendo em prol do bem-estar da criança moçambicana, tendo sublinhado que “o papel do parlamento é chave para assegurar que os planos e os orçamentos do país estejam cada vez mais sensíveis à criança”.

A responsável que falava no Distrito de Boane, Província de Maputo, durante a abertura do Seminário de Capacitação dos Deputados membros das Comissões do Plano e Orçamento (CPO) e dos Assuntos Sociais, do Género, Tecnologias e Comunicação Social (CASGTCS) em matérias de análise de indicadores sociais para a monitoria e desenvolvimento, disse que o trabalho da AR em prol da criança tem enfoque especial no quotidiano do seu trabalho e nos momentos de fiscalização e aprovação de leis dos orçamentos.

“Temos visto a preocupação dos deputados sobre a situação da criança, quando analisam e aprovam leis e as propostas como o Orçamento do Estado e, neste caso, preocupam-se em assegurar planos e orçamentos mais sensíveis à criança”, disse Fornara para quem este exercício mostra que a AR tem as portas abertas à sociedade e está disposta a ouvir as suas preocupações e sugestões, ao mesmo tempo que faz esforço para assegurar que os cidadãos tenham acesso aos documentos chave.

Na ocasião, a representante de UNICEF partilhou com os deputados membros daquelas duas Comissões de Trabalho da AR a sua preocupação com a situação da criança moçambicana que, segundo ela, “tem enfrentado múltiplos choques climáticos, económicos, pandemias e, finalmente, a situação alarmante de Cabo Delgado que tem forçado mais de 850 mil de pessoas, das quais mais de metade são crianças, a deixar os seus lares e meios de vida”.

“Muitas das crianças tem sofrido violência, perdido a oportunidade de estudar e, num contexto humanitário altamente vulnerável, as raparigas sofrem abusos, perdendo a oportunidade de sonhar para o seu futuro melhor e para as suas comunidades”, disse Fornara, alertando que as crianças precisam e tem direito a protecção, acesso a educação, saúde, saneamento, higiene e água limpa.

A Representante do UNICEF em Moçambique recordou ainda que a criança precisa ainda ser bem nutrida para ter possibilidade de desenvolver física e cognitivamente para poder alcançar os seus sonhos, alertando para a necessidade de um trabalho conjunto, de todas as forças vivas da sociedade, em prol da protecção e criação de oportunidades de vida da criança moçambicana.

Na ocasião, o Presidente do CPO (2ª Comissão), António Niquice, agradeceu os parceiros de cooperação por terem viabilizado a realização do encontro para que a Assembleia da República, através daquelas Comissões de Trabalho pudessem discutir assuntos candentes nesta derradeira fase de formulação do Plano Económico Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2022 que, segundo o deputado, vai ajudar a resgatar a sensibilidade dos parlamentares em assuntos ligados à criança e matérias transversais que apoquentam esta camada social, nomeadamente, o atendimento social, o acesso à escolaridade, o trabalho infantil e a desnutrição crónica, entre outros factores.

“Esperamos que o resultado deste retiro nos possibilite aprofundar o processo de planificação e orçamentação em prol da criança, quer na redistribuição do próprio orçamento, quer na projecção do PES em si como instrumento de políticas públicas com vista a contribuir para o melhoramento do desenvolvimento socioeconómico do país e, sobretudo, no que diz respeito a este grupo sensível e vulnerável da nossa sociedade, a criança”, disse o deputado Niquice para quem o Parlamento está sensível a questão da criança com destaque às crianças vítimas das acções terroristas em Cabo Delgado.

Por sua vez, a Relatora da CASGTCS (3ª Comissão), Maria Angelina Dique Enoque, referiu-se a importância de que se revestem as acções de capacitação, entendendo que estas são sempre bem-vindas pelo facto de permitirem recordar de alguma informação, partilhar de informações ou fazer estudos aprofundados para além de ajudar na busca de soluções conjuntas para problemas que enfermam a sociedade.

Sobre a preocupação apresentada pelo UNICEF relacionada com as condições das crianças deslocadas em Cabo Delgado, a deputada Enoque disse ser uma preocupação legítima pelo facto de haver crianças que, sem culpa nenhuma, estão a passar por vicissitudes provocadas pelo terrorismo.

“A situação que lá se vive é triste. Uma criança que vivia com a sua família, na sua casa e com seus pais já tinha dificuldades. Imaginemos uma criança que vive num centro de acomodação ou mesmo num sítio a espera de um lugar para poder estar, está numa situação de duplo sacrifício”, observou a deputada ajuntando ser preciso que se encontrem politicas consentâneas a nível nacional para a protecção dos maiores interesses da criança e a planificação e orçamentação sensíveis para a criança e contribuir para a redução desse sofrimento.

A acção de capacitação, de dois dias, dos deputados membros da 2ª e 3ª Comissões de Trabalho conta com o apoio do UNICEF e do Fundo para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC) e visa, dentre vários objectivos, reforçar as capacidades técnicas da AR para melhor discussão e formulação de políticas públicas com impacto no bem-estar dos grupos alvos da FDC, bem como consciencializar os membros das comissões de trabalho sobre o actual quadro da situação da criança, nutrição, saúde e educação em Moçambique.

O Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, participa, a partir deste Domingo, em representação ao Presidente da República, Filipe Nyusi, na Conferência sobre Mudanças Climáticas (COP-26), a realiza-se em Glasgow, no Reino Unido.

De acordo com um comunicado de imprensa a que o “O País” teve acesso, a Conferência de Glasgow tem como objectivo primordial adoptar decisões e recomendações que impulsionem a implementação da UNFCCC, do Protocolo de Kyoto e do Acordo de Paris.

Como ponto de partida, realizar-se-á uma cimeira onde participarão os Chefes de Estado e de Governo, cujo objetivo é a manifestação do compromisso político de agilizar as negociações, com destaque para a finalização das negociações visando operacionalizar o Acordo de Paris.

“Neste evento mundial serão realizadas as seguintes sessões: Vigésima Sexta Conferência das Partes (COP 26) da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC); Décima Sexta Reunião das Partes do Protocolo de Kyoto (CMP 16) e Terceira Reunião das Partes do Acordo de Paris (CMA 3)”, refere o comunicado do Gabinete do PM.

Na sua deslocação a Glasgow, o Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, far-se-á acompanhar pelo vice ministro dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Manuel José Gonçalves, pelo vice-ministro da Terra e Ambiente, Fernando Bemane De Sousa, e de quadros representando instituições do Governo, sector privado e sociedade civil.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, dirigiu na última sexta-feira a reunião virtual de Conselho de Paz e Segurança da União Africana (CPS-UA), cujo tema foi “Abordando Questões sobre Gestão de Riscos de Desastres em África: Desafios e Perspectivas para a Segurança Humana”. Na ocasião, o Chefe de Estado disse que as mudanças climáticas, associadas às tenções políticas, conflitos violentos, terrorismo, entre outros, ameaçam a paz e segurança e constituem causas de deslocações forçadas do número crescente de pessoas afectadas.

Filipe Nyusi, que falava na qualidade de presidente do Conselho de Paz e Segurança da União Africana (CPS-UA), alertou aos Estados-membros e aos parceiros de cooperação da organização para que trabalhassem para a redução de riscos de desastres naturais porque estes entre outros factores têm minado o desenvolvimento do continente.

“O desenvolvimento desintegrado, a pobreza e as mudanças climáticas são impulsionadores de catástrofes, que conjugados com fragilidade institucional e investimento inadequado na adaptação e resiliência, continuam a minar os ganhos de desenvolvimento, incluindo a implementação da agenda 2020-2063, bem como os desafios na implementação de projectos emblemático da União Africana, silenciando as armas em África, cuja implementação agora vai até ao ano 2030”, disse.

Ainda na sua intervenção, Filipe Nyusi disse que os riscos naturais em África incluem epidemias, doenças, pandemias, secas, inundações, incêndios florestais, terramotos, ciclones e erupção vulcânica. E, esses fenómenos quando ocorrem em áreas frágeis devido a conflitos exacerbam a vulnerabilidade das populações e diminuem ainda mais a sua capacidade de resiliência, multiplicando mais conflitos violentos.

“A pandemia da COVID-19 exacerbou ainda mais as catástrofes e emergências humanitárias, aumentando exponencialmente a população carente de assistência humanitária. A resposta da COVID-19 continua a requerer capacidade acrescida dos estados membros, dos parceiros de cooperação internacional e do sistema humanitário até aos limites”, acrescentou.

De acordo com o Estadista moçambicano as catástrofes são uma ameaça ao desenvolvimento e a segurança humana, cuja confluência de catástrofes e conflitos aumenta a complexidade das emergências humanitárias.

Foi por isso que, segundo Nyusi, “entendemos que é tempo de enveredar por práticas energéticas e proactivas no reforço da arquitetura de gestão de riscos de desastres porque estas ameaças perigam a segurança humana, retardam o progresso e a nossa existência como continente”.

Para reduzir os impactos dos efeitos das mudanças climáticas, a UA estabeleceu e desenvolve políticas e instituições para a gestão de riscos catastróficos, o programa de acção africana para a implantação de quadros para a redução de riscos de desastres 2015-2030, que visa prevenir novos riscos, reduzir os existentes e criar resiliência assente em três prioridades: “a primeira compreende o risco de desastres e reforçar a governação de  risco de desastres; a segunda, financiar o risco de desastres para a resiliência e reforçar a prontidão; e, a terceira, reconstruir melhor e resposta, recuperação e reabilitação”, detalhou Filipe Nyusi.

Encerrando a sessão de informações do Governo na Assembleia da República, o Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, reiterou que a presença dos contingentes militares da SADC e do Ruanda no nosso país e a assistência que temos vindo receber de outros países na luta contra o terrorismo não viola o ordenamento jurídico moçambicano.

“Este envolvimento dos contingentes militares estrangeiros e a assistência que o nosso país tem vindo a receber no quadro do combate ao terrorismo tem como base os acordos bilaterais que Moçambique assinou, assim como as convenções e protocolos internacionais de que somos signatários”, disse Carlos Agostinho do Rosário, acrescentando que “a participação dos contingentes militares da SADC e do Ruanda no combate ao terrorismo enquadra-se no princípio de solidariedade entre os povos e países na defesa de uma causa nobre, que é de proteger e salvar vidas humanas”.

Para o Primeiro-Ministro, o mais importante é a união dos moçambicanos na prevenção e combate ao terrorismo, apoiando as Forças de Defesa e Segurança (FDS) através do reforço da vigilância, denúncia e condenação deste actos macabros.

“Só unidos em volta deste interesse supremo da Nação que é de salvar vidas humanas e defender o país é que podemos erradicar o terrorismo em Moçambique que é um mal global”, explicou o governante, salientando que o Governo vai continuar a fazer a sua parte, desenvolvendo acções de formação, capacitação, reequipamento e modernização das FDS.

Ainda neste capítulo, o Primeiro-Ministro afirmou que o Governo está determinado e empenhado na implementação do Plano de Reconstrução de Cabo Delgado.

“Renovamos o nosso apelo para que cada um de nós continue a ampliar o movimento de solidariedade para com os nossos compatriotas de Cabo Delgado, de modo a aliviar o seu sofrimento e contribuir para a rápida normalização da vida nos distritos afectados pelas acções terroristas”, apelou Carlos Agostinho do Rosário.

Reagindo à recente subida dos preços dos combustíveis, o Primeiro-Ministro explicou que Moçambique continua a ser um país importador de combustíveis e que os preços de combustíveis no país dependem principalmente da evolução dos preços praticados no mercado internacional. Deste modo, o governante defende que a subida de preços dos combustíveis no país não deve ser politizada e que a mesma deriva, entre outros factores, do aumento acentuado da procura destes produtos como consequência da retoma da actividade socioeconómica mundial após o alívio das medidas restritivas de prevenção e combate à COVID-19.

“Reconhecemos que a subida de preços de combustíveis no mercado internacional é muito desafiador, tendo em conta a actual realidade económica do nosso país num contexto de gestão da COVID-19 e de limitação de recursos”, afiançou o Primeiro-Ministro aos parlamentares.

O Governo reconheceu também que a subida do preço dos combustíveis desafia o executivo, o sector privado e outros intervenientes relevantes a terem que continuar a trabalhar juntos na busca de soluções conjuntas e sustentáveis que tenham em conta a realidade do país, para minorar o seu impacto na produção agrícola e pesqueira, nos transportes públicos, entre outros sectores vitais da vida da população.

Refira-se que, no primeiro semestre do presente ano, o país atingiu um crescimento económico de 1.05%, depois de o nosso país ter registado um crescimento na ordem de menos 1.3% em 2020. Para 2022, a expectativa é atingir um crescimento económico igual ou superior a 2.9% do PIB.

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