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O País – A verdade como notícia

Governo defende comunicação pública mais integrada e orientada para o interesse público

O Governo defende o reforço da coordenação, da transparência e da articulação entre os comunicadores dos diferentes sectores do Estado, como forma de garantir uma comunicação pública mais clara, inclusiva e orientada para o interesse público. A posição foi defendida durante o lançamento do 1.º Fórum Nacional dos Comunicadores do

O Partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) submeteu, esta terça-feira, uma queixa-crime à Procuradoria-geral da República, onde denuncia um alegado assassinato de seus membros no distrito de Luabo, província da Zambézia. 

O partido garante já ter identificado o autor do crime e espera que a Procuradoria-geral da República faça o seu trabalho, até porque há elementos suficientes para a investigação.

  O Secretário-geral da ANAMOLA, Messias Uarremo, explica que a submissão da queixa-crime serve também como um alerta para a necessidade de se parar com as perseguições políticas dos membros deste partido, num contexto em que os números de desaparecidos em circunstâncias estranhas tendem a subir. 

Em relação aos supostos impedimentos de que os partidos da oposição têm sido alvos para prestarem apoio às vítimas das cheias, o ANAMOLA denuncia que também tem enfrentado muitas dificuldades no terreno. 

Para Messias Uerremo, trata-se ordens de pessoas que não servem aos moçambicanos e de um Estado que não consegue traçar políticas para responder às necessidades do país. 

“O nosso Governo consegue traçar leis para restringir a internet, mas não consegue manter a postura e a palavra de continuar a garantir o funcionamento da Linhas Aéreas de Moçambique para num momento de emergência conseguir socorrer as vítimas das cheias”, anota.

Ainda assim, o partido liderado por Venâncio Mondlane garante que as barreiras criadas pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres (INGD) não vão desanimar esta formação política.  

“Vamos continuar a assistir as famílias moçambicanas, pois neste momento elas precisam de nós. Os partidos da oposição têm prestado um apoio fundamental para as vítimas das cheias, contrariamente ao que o INGD tem feito, que passa por congelar os produtos nos armazéns para depois vender”, denuncia Messias Uarremo.  

Na senda da denúncia, o partido ANAMOLA diz ter provas de supostos desvios de produtos nos centros de acolhimento no distrito de Boane, actos que, segundo explica o Secretário-geral desta organização, acontecem à calada da noite não obstante a presença das equipas de seguranças instaladas no local. 

“Aquando da nossa visita ao local e face aos relatos das famílias que estão naquele local, apelei aos gestores dos centros para que parassem com essas práticas, pois estão a retirar o pouco que os parceiros na diáspora, no país, os empresários e a sociedade civil têm prestado às vítimas das cheias”, conclui. 

O presidente do MDM, Lutero Simango, diz  que o  que aconteceu na província de Sofala, no distrito de Buzi, em que os deputados do MDM foram impedidos de dar a sua contribuição como deputados e como membros do partido MDM, trata-se uma atitude que mina não só a unidade nacional, mas também a confiança política que se pretende construir no país.  

“ O que aconteceu na província de Sofala, no distrito de Búzi, em que os nossos deputados foram negados de dar a sua contribuição, como deputados e membros do partido (…) será que o país tem duas lideranças políticas, será que a zona sul é inclusiva do que a zona centro?”, questionou Lutero Simango. 

Para o Presidente do MDM, a situação mina a unidade nacional e confiança política que se pretende construir no país. “Eu espero que o Presidente da República reflita e tome a decisão de suspender os indivíduos que negaram o cumprimento da acção do MDM, no distrito de Búzi”, apelou, acrescentando que se nada for feito, o acto será interpretado como uma estratégia política para fingir que há um processo inclusivo no país. 

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, endereçou uma mensagem de felicitações ao Presidente da República do Uganda, Yoweri Kaguta Museveni, pela renovação do mandato, no contexto das eleições gerais (presidenciais e legislativas) realizadas a 15 de Janeiro corrente naquele país da África Oriental.

“É com enorme satisfação que, em nome do Povo, do Governo de República de Moçambique e em meu próprio, tenho a honra de apresentar a Vossa Excelência as nossas calorosas felicitações pela Vossa expressiva reeleição ao cargo de Presidente da República do Uganda”, lê-se na mensagem.

O Presidente Daniel Chapo considerou que a renovação do mandato do Presidente do Uganda representa uma demonstração clara de confiança do povo ugandês na sua liderança, bem como no seu compromisso com a estabilidade, a paz, o progresso e o desenvolvimento socioeconómico sustentável do país.

“A longa e dedicada trajectória de Vossa Excelência ao serviço do Uganda permanece como um exemplo inspirador de compromisso com a unidade nacional, a consolidação da paz e o crescimento económico inclusivo”, refere a mensagem.

O Chefe do Estado destacou ainda, na sua mensagem, os laços históricos entre Moçambique e o Uganda, sublinhando que a relação entre ambos os países tem sido marcada pelos princípios da amizade, solidariedade e cooperação, cujas raízes remontam da luta comum pela libertação e pan-africanismo.

A mensagem presidencial encerra reafirmando que o Governo e o Povo moçambicanos mantêm o firme compromisso de continuar a trabalhar de forma estreita com o Presidente do Uganda, visando o reforço das excelentes relações bilaterais entre os dois países.

O Presidente moçambicano reiterou o compromisso de reforçar as relações bilaterais e continuar a trabalhar em estreita colaboração com o Uganda.

O Presidente da República, Daniel Chapo, promulgou duas leis, nesta quarta-feira, nomeadamente a que cria a Inspecção-Geral do Estado e outra que cria a Inspecção-Geral de Segurança Alimentar e Económica, para reforçar a transparência e credibilidade, bem como para aumentar a esperança de vida dos moçambicanos.

O Presidente da República, Daniel Chapo, promulgou, nesta quarta-feira, a nova Lei do Sistema Nacional de Saúde. O diploma, considerado a maior reforma do sector na história do país, introduz, pela primeira vez, a regulamentação para o transplante de órgãos.

Num comunicado oficial emitido pela Presidência da República, destaca-se que a nova legislação surge após a verificação da sua conformidade com a Constituição. O objectivo central desta reforma é garantir a “unicidade do sistema”, estabelecendo um comando único a nível central e provincial, uma medida desenhada para reduzir a duplicação de estruturas administrativas e aumentar a eficiência no atendimento aos cidadãos.

Para além da reestruturação administrativa, a lei estabelece uma interligação inédita entre o Subsistema Público e o Sistema de Protecção Social. Esta sinergia foca-se especificamente no atendimento à população mais vulnerável, assegurando que o apoio social e os cuidados de saúde funcionem de forma coordenada.

O ponto de maior impacto social desta reforma é a introdução de um quadro jurídico para a doação, colheita e transplante de órgãos, tecidos e células. Trata-se de um passo inédito em Moçambique, que permitirá ao país realizar procedimentos médicos complexos que, até agora, careciam de suporte legal.

Segundo o Gabinete de Imprensa da Presidência, esta medida visa “aumentar a esperança de uma nova oportunidade de vida para o povo moçambicano”, alinhando o país com as melhores práticas internacionais de medicina regenerativa e cirúrgica.

Por outro lado, Chapo promulgou a lei que cria a Inspecção-Geral do Estado. De acordo com o comunicado, pretende-se garantir um ambiente económico favorável e as entidades visam ainda criar um sistema de inspecção nacional unificado, capaz de proteger o interesse público, assegurar a legalidade e consolidar a confiança do cidadão e do agente económico no Estado.

“A promulgação das leis é o culminar do processo de produção legislativa, materializando parte dos compromissos assumidos no discurso inaugural do Presidente (…) aquando da sua investidura, no qual se comprometeu, de entre outros, em prevenir e combater a corrupção, iniciando com acções no aparelho do Estado que devem servir de exemplo para outros sectores de actividade produtiva, onde deve prevalecer a ética, transparência e a integridade, quer pública, quer privada”, conclui-se.

Os instrumentos legais foram antes submetidos ao parlamento com carácter de urgência pelo chefe de Estado moçambicano, no âmbito do reforço das acções de prevenção e combate à corrupção.

Na altura, o Governo moçambicano avançou que as duas instituições, que deverão responder directamente ao Presidente da República, devem, sobretudo, garantir “maior coerência, eficiência, eficácia e rigor na gestão da coisa pública”, assim como a aplicação de políticas públicas e o “uso racional dos recursos” estatais.

As duas propostas de lei foram aprovadas pelo Parlamento moçambicano a 16 de Dezembro último e seguem agora para publicação no Boletim da República, entrando em vigor nos termos nelas previstos.

O Presidente da República, Daniel  Chapo, reuniu-se hoje, no seu Gabinete de Trabalho, com  representantes do Sector Privado, no âmbito do Alerta Vermelho  decretado pelo Governo face às chuvas intensas e inundações  severas que assolam várias regiões do país, tendo apelado à união  nacional e à mobilização solidária de recursos para salvar vidas e  mitigar os impactos da emergência humanitária em curso. 

A reunião insere-se no quadro das acções de monitoria, coordenação  e mobilização de recursos desencadeadas pelo Estado para  responder aos efeitos das cheias, proteger vidas humanas e assegurar 

condições mínimas de dignidade às populações afectadas pelas  intempéries, sobretudo nas regiões Centro e Sul de Moçambique. 

Na sua intervenção, o Chefe do Estado explicou o objectivo do  encontro, sublinhando a importância do alinhamento de informação e  do envolvimento de todos os actores na resposta à crise. “Achei que  era importante chamar, de forma a ter uma informação do nível em  que nós nos encontramos, e também estarmos a par da informação  oficial sobre os danos que estas cheias e inundações estão a causar  no nosso país, e, em função disso, cada um de nós, poder ver o que  pode fazer”, afirmou. 

O Presidente da República defendeu a necessidade de uma  actuação conjunta e permanente, enfatizando que a prioridade  absoluta do Governo, neste momento, é a protecção da vida  humana. “Achamos que isto é extremamente importante estarmos em  todos os momentos unidos de forma que possamos minimizar os danos  que estas cheias e inundações estão a causar. Neste momento, a  nossa prioridade é salvar vidas”, declarou. 

O estadista alertou que a situação no terreno continua crítica, com  impactos severos em infra-estruturas estratégicas e na mobilidade das  populações, destacando a interrupção de troços da Estrada Nacional  Número Um. “Estamos num momento em que a ocorrência das cheias  e inundações ainda está a acontecer e está a causar danos enormes  em todo o país, por isso que a estrada Nacional Número Um está  interrompida em certos troços”, disse. 

Para garantir a circulação de pessoas e bens essenciais, informou que  o Governo está a recorrer a soluções alternativas, incluindo a ligação  aérea entre as regiões afectadas. “Estamos a fazer a ponte aérea 

para ligar de Maputo a Xai-Xai pelo Aeroporto Internacional de  Chongoene, mas também para Inhambane, Vilankulo, com preços de  voos especiais e promocionais de forma que as pessoas possam  conseguir fazer esta ponte aérea”, precisou. 

O Presidente alertou ainda para os riscos sanitários nos centros  de acolhimento, onde se encontram milhares de deslocados,  sublinhando a urgência de garantir assistência básica. “Estas cerca de  91.000 pessoas estão em 68 centros de acolhimento, que são escolas,  principalmente, salas de aula, e é muita gente no mesmo sítio,  podendo haver até eclosão de doenças hídricas, como a cólera, a  malária, a diarreia, e as pessoas perderem a vida depois de serem  salvas”, advertiu. 

Face a este cenário, apelou ao reforço da solidariedade nacional,  incentivando o Sector Privado a contribuir não apenas  financeiramente, mas também com bens essenciais. “Então, teremos  que encontrar comida para alimentá-las, temos que encontrar  medicamento, temos que encontrar água. Queria também sensibilizar  a outra forma de mobilização: não queremos só dinheiro, queremos  também bens não perecíveis, aqueles que conseguirem comida,  conseguirem roupa”, afirmou, apelando a um movimento solidário ao  nível das empresas e dos cidadãos. 

Na ocasião, a Presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução  do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, apresentou dados  provisórios que indicam que a época chuvosa, iniciada a 1 de  Outubro de 2025, já afectou cumulativamente 645.781 pessoascorrespondentes a 122.863 famílias, tendo igualmente resultado em  112 óbitos, 99 feridos e três desaparecidos, além de danos significativos 

em habitações, infra-estruturas sociais e económicas, áreas agrícolas e  meios de subsistência, mantendo-se activos 68 centros de  acomodação, que acolhem mais de 91 mil pessoas, enquanto  prossegue a recolha e actualização da informação no terreno. 

O Presidente da República, Daniel Chapo, realizou uma visita às zonas mais afectadas pelas chuvas intensas na Cidade e Província de Maputo, no âmbito do alerta vermelho decretado pelo Governo face ao agravamento das condições meteorológicas, tendo transformado a deslocação numa acção de assistência humanitária imediata às populações afectadas.

Durante a visita, o Chefe do Estado deslocou-se a centros de acolhimento provisórios, onde procedeu à entrega de ajuda alimentar às famílias desalojadas, com destaque para mais de 200 sacos de arroz, destinados a garantir a sobrevivência imediata das populações acolhidas.

O Presidente Chapo manifestou solidariedade para com as vítimas das cheias, sublinhando que o Executivo não poderia ficar indiferente ao sofrimento das comunidades atingidas pelas inundações recorrentes nesta época chuvosa. O estadista reiterou o compromisso do Governo em continuar a mobilizar recursos e parceiros para assegurar o fornecimento de alimentos não perecíveis e outros apoios essenciais nos centros de alojamento.

No contacto directo com as populações, o Chefe do Estado apelou igualmente à união, à solidariedade e à responsabilidade colectiva, defendendo a evacuação preventiva das zonas de risco como forma de salvaguardar vidas humanas, sobretudo nas áreas susceptíveis a novas cheias.

A visita presidencial incluiu bairros da Cidade de Maputo e da província, bem como o Centro de Acolhimento instalado no Instituto Industrial e Comercial da Matola, onde Daniel Chapo reforçou a mensagem de proximidade do Estado às populações afectadas e garantiu a continuidade do apoio governamental enquanto persistirem os efeitos das chuvas intensas.

A Frelimo diz que foi com profunda dor e consternação que a Comissão Política, o Secretariado do Comité Central, os membros e simpatizantes do partido receberam a notícia do falecimento de Luísa Diogo.

“Neste momento de luto, endereçamos à família enlutada, as mais sentidas condolências e a nossa solidariedade”, escreve o partido, num comunicado no qual também explica que a informação sobre as exéquias serão anunciadas oportunamente.

O analista político Borges Nhamire diz que apesar de um ano de governação ser pouco tempo, há resultados concretos que o presidente da República devia apresentar. Por outro lado, Régio Conrado entende que Daniel Chapo deve reforçar mecanismos de responsabilização dos servidores públicos corruptos.

Há um ano Daniel Francisco Chapo jurou servir ao povo moçambicano como Presidente da República em resultado das eleições gerais de 2024. O Chefe de Estado tomou posse a 15 de Janeiro de 2025, num ambiente de tensão social, o que levou a que no seu primeiro discurso fizesse grandes promessas de mudanças estruturantes em todos os sectores. 

Um ano depois, embora reconheça que 12 meses é pouco tempo para avaliar o que foi cumprido das promessas feitas, Borges Nhamire, pesquisador e analista político, entende que há coisas que já deviam ter saído do papel.

“O sector de segurança, combate ao crime organizado e corrupção, nós não estamos a ver nada de concreto. O presidente entrou e encontrou um dossiê muito grande chamado Dívidas Ocultas e não está a desenvolver.” Afirmou Borge Nhamirre, reconhecendo que embora as dívidas ocultas sejam uma matéria de justiça, também têm um cunho político, por isso “exigem uma dimensão política e coragem para colocar o processo em andamento”, desafiou.  

Nhamire prosseguiu citando o combate ao terrorismo e ao crime organizado como áreas que alega não ter avanços notáveis do governo da Daniel Chapo, e lamenta que as pessoas detidas nos crimes de rapto, sejam apenas os executores e auxiliares. 

Régio Conrado, por outro lado, entende que do primeiro ano não se pode esperar resultados de grande impacto, porém, refere que em 2015, Daniel Chapo lançou as bases de refundação do Estado, mas precisa melhorar os mecanismos de responsabilização dos servidores públicos.

“É preciso aprofundarmos os mecanismos de responsabilização daqueles que cometem crimes de corrupção de forma a dissuadir aqueles que pretendem seguir os mesmos caminhos”, sugeriu Conrado.

Por outro lado, o analista político falou dos carteis que “sugam de forma desproporcional e colocam em causa o interesse nacional”, recomendando, por isso, ao Presidente da República, a ser intolerante à corrupção no seu segundo ano de mandato.

Durante o primeiro ano de governação de Daniel Chapo, a multinacional francesa Total anunciou o levantamento da força maior, simbolizando a retoma aos mega projectos de gás natural liquefeito no norte do país.

 

O presidente da ANAMOLA, Venâncio Mondlane, afirma que as inundações que têm assolado várias regiões do país resultam da corrupção e da gestão danosa do governo. Segundo o político, ao longo dos últimos 20 anos Moçambique beneficiou de financiamentos milionários destinados à melhoria do saneamento urbano, mas grande parte desses recursos terá sido desviada do seu propósito inicial. Mondlane anunciou ainda que o seu partido vai apresentar, em breve, uma proposta para a criação de um fundo nacional de mitigação dos impactos das mudanças climáticas. Enquanto a iniciativa não é formalizada, orientou todas as delegações do partido, a nível nacional, a abrirem as suas portas para acolher as vítimas das cheias.

O país atravessa dias difíceis devido às inundações que continuam a destruir casas, vias de acesso e outras infraestruturas essenciais. Para Venâncio Mondlane, o sofrimento das famílias afetadas, sobretudo na cidade de Maputo, poderia ter sido evitado, tendo em conta os avultados investimentos feitos ao longo dos últimos anos na área do saneamento.

“A começar pela cidade de Maputo, como todos nós sabemos, talvez seja importante recordar ou refrescar a memória de algumas pessoas. Nos últimos dez anos, a cidade de Maputo contou com um projeto denominado ProMaputo, implementado em duas fases. A primeira fase foi dedicada à capacitação institucional e a segunda centrou-se em ações operativas, sobretudo nas áreas do saneamento, da ação social, entre outras. Este projeto consumiu cerca de 135 milhões de dólares”, recordou Mondlane.

Segundo explicou, os investimentos não se limitaram a esse projeto. “Desde 2021 até ao presente ano, está em curso o Programa de Transformação Urbana de Maputo, avaliado em cerca de 100 milhões de dólares. Todos estes projectos tinham uma componente específica voltada para a questão do saneamento urbano. No entanto, a realidade que vivemos hoje é exatamente esta que estamos a ver”, afirmou, em conferência de imprensa realizada esta quinta-feira.

O político acrescentou que, a nível nacional, o governo também beneficiou de financiamentos consideráveis para o setor do saneamento, sobretudo com apoio do Banco Mundial.

“Em 2019, o Banco Mundial investiu 115 milhões de dólares na área do saneamento, sobretudo nas cidades de Maputo, Beira, Quelimane e Tete. Em 2021, foram 150 milhões de dólares e, em 2022, 165 milhões de dólares. Todos estes montantes que estou a referir chegaram a ser temporariamente suspensos pelo próprio Banco Mundial, devido ao desvio na aplicação dos fundos destinados ao saneamento”, apontou.

Face a este cenário, Venâncio Mondlane considera que a má governação está na origem das inundações urbanas que se registam um pouco por todo o país.

“A situação que vivemos hoje é o resultado de uma governação falhada, corrupta, que desviou fundos que pertencem a todos os moçambicanos, aplicados ao longo dos últimos 20 anos com o objetivo de melhorar o saneamento em Moçambique”, afirmou.

Perante os desafios colocados pelas mudanças climáticas, o partido ANAMOLA diz estar a preparar um plano de ação específico e promete apresentar uma proposta para a criação de um fundo nacional de emergência climática. Enquanto isso, garante que já estão em curso ações no terreno.

“Todas as coordenações políticas do partido ANAMOLA, nas 11 províncias, nos 154 distritos, nos cerca de 440 postos administrativos e nas mais de 1.100 localidades e bairros do país, foram instruídas a envolver-se diretamente, não apenas com mensagens de solidariedade, mas com ações concretas de apoio, acolhimento e trabalho no terreno, incluindo a recuperação de pequenas pontes, vias de acesso e outras intervenções possíveis”, revelou.

Na mesma orientação interna, o partido determinou que todas as suas delegações funcionem como centros de acolhimento. “Todas as pessoas que estejam desamparadas ou afetadas pelas cheias podem recorrer às nossas delegações para apoio”, reforçou.

Durante a conferência de imprensa, Venâncio Mondlane abordou também aquilo que considera serem gastos públicos desnecessários, que, segundo defende, contribuem para a fragilidade das contas do Estado e comprometem o pagamento integral do décimo terceiro salário aos funcionários públicos.

“Foram gastos 13 milhões de dólares em viagens. Só com esse valor seria possível pagar cerca de 100 mil funcionários públicos que recebem o salário mínimo, atualmente em torno de 8 mil meticais. Isto ajuda a perceber onde está o cerne do problema”, afirmou.

O político recordou ainda que, em janeiro de 2025, aquando da tomada de posse, o atual governo prometeu uma poupança anual de cerca de 17 mil milhões de meticais. “Até agora, não poupou nada. Pelo contrário, agravou ainda mais os encargos públicos. Não há, portanto, qualquer hipótese de a situação melhorar. Pelo contrário, tudo indica que pode piorar”, disse.

Mondlane falou igualmente de uma alegada falência técnica do Estado, resultante da ineficiência na cobrança de impostos e da má governação.

“O Estado está a asfixiar o setor privado, sobretudo as pequenas e médias empresas, os microempresários e os pequenos contribuintes, que representam a maioria do povo moçambicano e são quem realmente dinamiza a economia. O resultado é que o próprio Estado não tem liquidez, porque a receita não entra. A situação agrava-se dia após dia”, explicou.

Segundo acrescentou, a deterioração do ambiente de negócios está a afetar tanto o investimento direto estrangeiro como o investimento doméstico. “O Estado enfraquece, a base tributária reduz-se e a capacidade de gestão torna-se quase inexistente. Hoje, com os ministérios praticamente esvaziados de funções, a gestão do Estado está concentrada na Presidência da República, através da Secretaria de Estado e dos assessores, onde se decidem os principais projetos e negócios públicos. Tudo isto resulta num Estado fraco, em falência técnica”, sustentou.

Sobre a recente medida do governo relacionada com o setor das telecomunicações, Venâncio Mondlane considera-a inconstitucional e garante que não ficará de braços cruzados.

“Como padrão, começa-se também a atacar o acesso à informação, a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa. Esta é a grande questão. Não podemos ficar calados. Vamos avançar com uma ação concreta, que passa pelo pedido de declaração de inconstitucionalidade, porque esta situação é profundamente inconstitucional”, concluiu.

Venâncio Mondlane terminou a sua comunicação apelando a uma reflexão mais profunda em torno do relatório da Ordem dos Advogados de Moçambique sobre as eleições presidenciais de 2024.

 

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