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O País – A verdade como notícia

 “O segredo de Moçambique são os comités locais”, PR sobre mudanças climáticas

O Chefe de Estado foi distinguido na Beira como Campeão de Gestão de Risco de Desastres da União Africana e dedicou homenagem ao povo moçambicano. O Presidente da República falava nesta  quinta-feira(15.10.2026), na cidade da Beira durante   o primeiro Congresso Internacional da Acção Humanitária e Cooperação, sob o lema

Alberto Cerezo Sobrinho, embaixador da Espanha, em reacção à medida de suspensão de voos para África Austral, devido à eclosão da variante Ómicron da COVID-19, disse que “essas medidas foram adoptadas de maneira precipitada e sem avaliar as consequências”. O governante falava no programa “Grande Entrevista” da Stv, moderado pela apresentadora e directora de Informação do Grupo SOICO, Olívia Massango.

Senhor embaixador, Moçambique e Espanha celebram, desde o ano passado, quarenta anos de cooperação. Quais foram os grandes marcos nesta cooperação que já atravessou quatro décadas?

São muitos, em quarenta anos deu para fazer muitas coisas. O primeiro grande invento foi a assinatura do primeiro acordo entre os dois países [Moçambique e Alemanha]; um acordo de cooperação técnico-científica em 1980, pouco tempo depois da chegada da Espanha a Maputo. De seguida, começamos a implementá-lo em todo o país. Nós trabalhamos muito na área da saúde, concretamente no Centro de Investigação de Saúde da Manhiça que é uma iniciativa de Espanha e Moçambique. Também participamos na formação da Polícia, na guarda civil espanhola no âmbito dos acordos de paz e agora estamos a trabalhar na nutrição, inclusive nos projectos de exploração em Cabo Delgado, há 30 anos.

A Espanha disponibilizou, recentemente, 47 milhões de Euros para projectos de desenvolvimento em Moçambique, no âmbito desta cooperação, um projecto que vai até 2024. Cabo Delgado é a província que vai beneficiar-se do maior bolo, com cerca de 15 milhões de Euros. O apoio a Cabo Delgado não é de hoje como muito bem referenciava, já há cerca de trinta anos que existe esta especial atenção para Cabo Delgado, não é agora com o eclodir dos ataques terroristas. Por que Cabo Delgado?

Nós estávamos concentrados na região sul e em Maputo no início da cooperação. Tal como a Irlanda que foi para Niassa, nós fomos para Cabo Delgado. Foi simplesmente uma divisão de trabalho para não concentrar toda a ajuda na capital, é por isso que começamos a trabalhar naquela província há cerca de trinta anos. Agora, a novidade é que vamos ampliar esta actividade geográfica, sem abandonar Cabo Delgado, para Nampula e Niassa. O que pretendemos é apoiar a Agência de Desenvolvimento para o Norte, criada pelo Governo. Também, vamos ampliar a presença para mais províncias, e regiões, como Maputo, Gaza e Inhambane.

Olhando para a região Norte, dizia que 15% dos 47 milhões de Euros seriam alocados para Cabo Delgado, mas, no total, 70% do financiamento espanhol está para a zona Norte. Isto é no contexto da agenda de Desenvolvimento Integrado naquela região ou porque há outros factores de intervenção, outras razões de intervenção da Espanha na região Norte?

Todos nós conhecemos a situação de Cabo Delgado, sabemos que há risco de o conflito poder estender-se para outras áreas e, por isso, achamos que é preciso intervir nas províncias de Niassa e Nampula.

Esta intervenção está em alinhamento com a estratégia da Agência de Desenvolvimento Integrado ou não a 100%?

A ideia é alinhar com a estratégia da Agência do Desenvolvimento Integrado para termos uma aproximação regional no Norte, não só em Cabo Delgado. Mesmo assim, a nossa presença em Cabo Delgado continuará a ser maior, porque temos os nossos escritórios lá, como o de cooperação em Pemba, e agora temos 14 organizações não-governamentais espanholas que estão a trabalhar em Cabo Delgado, com a presença permanente e que estão a implementar diferentes projectos com financiamento da Espanha.

E com esta presença de cerca de 10 décadas em Cabo Delgado, qual foi a transformação notória que já conseguiram deslumbrar ao longo deste período?

Trabalhamos mais com o Governo local e já organizamos mais de 400 formações a funcionários locais. Estamos a trabalhar na área da saúde na área de nutrição, mas também na capacitação institucional e boa-governação. Estamos também especializados em descentralização. Trabalhamos para ensinar a nossa experiência. Há pouco tempo, uma equipa de parlamentares de Cabo Delgado e província de Maputo viajou para Espanha a convite do nosso Governo. O grupo soube sobre como funciona o Parlamento espanhol, principalmente em matéria da descentralização.

Para além desta concentração de apoio para a região Norte do país. O que se espera do apoio da Espanha para outras províncias?

Fazemos igual em todas as províncias, não podemos fazer tudo, mas estamos cientes das prioridades sectoriais. Continuamos a fazer também formações técnico-profissionais nas províncias do Sul e Norte. O que estamos a fazer em Cabo Delgado não é diferente do que estamos a fazer nas outras províncias; a única diferença é que em Cabo Delgado temos um conflito terrorista, pelo que estamos a colaborar com a União Europeia na formação militar.

É o que chamam de Cooperação em Cabo Delgado?

Nós e a União Europeia (UE) trabalhamos de forma diferente, temos fundos próprios espanhóis em todos os países com que temos relações bilaterais, mas a União Europeia tem mais fundos que os países-membros. Nós [Espanha] disponibilizamos fundos para que os países-membros possam implementar projectos. Por exemplo, estamos, agora, a implementar um projecto de anticorrupção, com o poder judiciário de Moçambique, com fundos da UE.

E neste modelo de cooperação, a actuação é orientada ou é da iniciativa de cada país?

É uma iniciativa de cada país em colaboração com a União Europeia. Trabalhamos assim, mas também falamos com o Governo moçambicano.

A cooperação de Espanha em Moçambique é de longa data, mas com muito enfoque no sector de saúde, um dos apoios emblemáticos é o que referiu há pouco tempo do Centro de Investigação de Saúde da Manhiça. Quais são as experiências científicas que tiveram sucesso no âmbito desta cooperação?

O Centro de Investigação da Manhiça é um exemplo bonito de colaboração entre os dois países. Tenho a clarificar que não são os doadores que trabalham com a investigação científica. Espanha está já há 25 anos celebrando a construção do Centro e, nesse mesmo período, decidimos trabalhar neste âmbito em colaboração com o Governo moçambicano. Este Centro trabalhou durante décadas na produção da vacina contra a malária, anunciada este ano pela Organização Mundial da Saúde.

Além do foco na malária, queria perceber que outras pesquisas resultaram na sequência do apoio prestado pela Espanha.

O foco foi sempre a malária, por exemplo, nos efeitos desta doença nas mulheres grávidas e crianças. A Espanha paga o funcionamento diário do Centro de Investigação da Manhiça; damos um milhão de Euros em todos os anos.

No âmbito das parcerias a nível da Espanha, como é feita a partilha de experiência com outros cientistas espanhóis?

Há muita troca de experiências; a instituição que apoia o Centro da Manhiça depende do Hospital Clínico de Barcelona, então há uma contínua troca de experiências. Temos sempre moçambicanos em Barcelona e espanhóis em Manhiça que estão a fazer investigação.

Cinco por cento do valor do novo pacote de financiamento vai para projectos ligados à rapariga e à mulher. Que projectos são esses?

Ainda não sabemos, porque isso será daqui a quatro anos, mas o que assinamos é que os cinco por cento têm que ir para projectos de género, que são um elemento que deve estar presente em todos os períodos. Agora, as questões de género são prioritárias, sobretudo aqui, em África; são um elemento fundamental para a paz e para o desenvolvimento. Aqui, em Moçambique, as mulheres são muito activas.

Moçambique é um país vasto, com diferentes realidades e desafios e cada região tem especificidades muito próprias. De que forma é que conseguem definir a estratégia de intervenção em cada região?

Temos uma cooperação diferente da dos outros países, e, quando falo da cooperação espanhola, não estou a falar apenas da Agência Espanhola de Cooperação, que é uma agência que depende do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Espanha. Mas também temos as cooperações regionais, por exemplo, a Catalonia tem aqui escritórios. Esta política é muito importante, porque tem em conta a realidade de cada província.

A presença da  Catalonia é importante, porque o seu trabalho depende dos Governos locais que conhecem os problemas da sociedade. Temos também cooperação com os Conselhos Municipais. Por exemplo, no próximo ano, vamos comemorar os 15 anos de cooperação entre o Conselho Municipal de Barcelona e o Conselho Municipal de Maputo. Existem muitos projectos que estão a ser financiados pelo Conselho Municipal de Barcelona na capital do país.

Por exemplo, temos instituições académicas, fundações públicas e privadas. Temos, por exemplo, a Fundação Mulher por África que foi criada pela vice-presidente da Espanha em colaboração com Graça Machel, especializada em empoderamento da mulher africana. Há duas semanas, lançamos um programa no qual 20 mulheres líderes africanas viajaram para Espanha e mantiveram um encontro com mulheres espanholas, tendo abordado a questão da Administração Pública. É outro tipo de cooperação que está especializada em mulheres. Como disse, temos uma cooperação muito diversificada e diferente, que não depende apenas do Estado.

Do ponto de vista geral, parece tudo muito bonito quando olhamos para esta cooperação Moçambique-Espanha nestes 40 anos. Vamos olhar para aquilo que é a preocupação do momento, o novo Coronavírus que está a afectar o mundo todo. África ressente-se da capacidade de vacinação da sua população e da falta de apoio suficiente de países desenvolvidos, incluindo a Espanha. Qual é a estratégia ou o pensamento da Espanha em relação a África, em geral, e Moçambique, em particular?

O Governo espanhol já começou a trabalhar de perto com muitos países de África. Começamos com a América Latina, devido ao vínculo que temos. Somos um dos países com nível mais alto de vacinação. Começamos também a enviar vacinas para alguns países da África e espero que, dentro em breve, possamos enviar os imunizantes para Moçambique, em particular.

Como é que a Espanha ouviu este bloqueio de que África Austral foi vítima por conta do alarme da África do Sul em relação ao surgimento de um novo vírus da COVID-19?

Os primeiros que foram afectados por esta variante foram os europeus que queriam viajar para a Europa. Nós enviamos um avião na semana passada para poder levar essas pessoas. Na minha opinião, essas medidas foram adoptadas de maneira precipitada sem avaliar as consequências. Acho que vamos voltar à normalidade daqui a pouco.

Quando a Espanha providenciou este voo de repatriamento, apenas actuou a nível da Espanha ou fez contactos pelos países mais próximos ao nível da Europa, para garantir que outros moçambicanos e africanos que quisessem retomar tivessem essa oportunidade?

A primeira coisa que eu fiz foi falar com a embaixadora de Moçambique em Madrid, a senhora Manuela dos Santos, e eu disse-lhe que pretendíamos enviar um avião para trazer os moçambicanos e vice-versa. Nós temos aquilo que chamamos de Método de Protecção Civil, que, quando activado, oferecemos este tipo de voo para a União Europeia. Beneficiaram-se deste voo franceses, alemães e também moçambicanos residentes legais na Europa.

Além dos moçambicanos parlamentares que vieram neste voo, houve também comunicação em Portugal para moçambicanos que quisessem regressar. Isto foi feito?

Em Portugal, o que fizemos foi activar o Mecanismo de Protecção Civil a nível da União Europeia, e todos os países-membros receberam essa informação.

O senhor embaixador, no ano passado, visitou a presidente da Assembleia da República e, no fim do encontro, teria dito que a Espanha estava disponível para prestar apoio militar a Moçambique, no âmbito do terrorismo em Cabo Delgado. Este apoio chegou de acontecer?

Eu não disse exactamente “apoio militar directo”; o que estava a dizer na altura é o que estamos a fazer agora, que é o apoio através da União Europeia. Nessa altura, a pergunta feita era se os países europeus têm força para combater no Norte. O que estamos a fazer agora é ter uma missão de formação antiterrorista e das Forças Armadas de Defesa de Moçambique. Isso foi feito em Bruxelas com negociação de todos os Estados-Membros da União Europeia e todos apoiaram a missão. E já está a decorrer uma missão de formação de fuzileiros do Comando do Exército moçambicano e estão a decorrer em KaTembe e em Chimoio. Vamos disponibilizar, em breve, material, como uniforme, veículos, e tanto outro.

No âmbito da União Europeia, a Espanha também apoia projectos de adaptação às mudanças climáticas. Qual é a posição da Espanha em relação a este tema? 

Somos um país afectado pelas mudanças climáticas e estamos perto de África; e estamos cientes de que precisamos de lutar contra este mal. Trabalhamos de perto com Moçambique e outros países no âmbito multilateral para lutar contra estas alterações do clima. Em Moçambique, agora não temos um projecto dirigido a mudanças climáticas, mas estamos a trabalhar de alguma forma no âmbito da irrigação de cultivos, estamos a trabalhar nas comunidades e para ajudar temos um sistema de regadio que permite às pessoas não dependerem do clima.

As conferências sobre clima resultam em frustração em termos de compromissos que possam efectivamente gerar mudanças. Qual foi a voz de Espanha nesta última conferência?

Nós estamos avançados, mesmo com estas frustrações nas cimeiras. A cada cimeira realizada, a sociedade pede mais ao Governo e este tem que analisar e não decidir de imediato, porque qualquer decisão pode ter implicações económicas devastadoras.

No âmbito da cooperação internacional, as coisas correm a bom ritmo, mas, se olharmos para as trocas comerciais, concluímos que não são muito apetecíveis entre Moçambique e Espanha. O que é que deve ser feito para reverter este cenário?

Moçambique é o nosso parceiro já há muitos anos, mas ainda temos que trabalhar muito para fomentar as trocas comerciais. Temos empresas aqui, como Pescamar, que opera na Beira já há 30 anos; e é uma das grandes empresas de pesca no mundo. A referida firma fornece emprego a mais de mil cidadãos moçambicanos. Não só fazemos trocas, como também criamos emprego. Há outras empresas no sector da energia, por exemplo, mas ainda temos que trabalhar para trazer este interesse às empresas espanholas. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros viajou para Espanha há pouco tempo e realizou um encontro com a Câmara de Comércio Espanhol.

E por falar na Câmara do Comércio Moçambique-Espanha, qual tem sido o seu papel para dinamizar as relações comerciais?      

Temos uma Câmara que ainda não é grande, quando comparada com a Câmara de Comércio Portuguesa. Temos agora alguns membros para dinamizar estas relações, através da realização de encontros, também enviamos relatórios a Espanha para informar as capacidades de investimentos que o país proporciona.

Para além da Pescamar, quais são as outras empresas que se evidenciam no nosso país?

Temos empresas de electrificação a nível das províncias, e uma delas é uma das maiores da Espanha com escritório permanente em Moçambique.

E que sectores económicos podem interessar aos investidores espanhóis em Moçambique

Sector da energia, sobretudo na energia renovável. Somos um dos países líderes em energias renováveis, então há muitas empresas interessadas na área de gás e no sector agro-industrial.

E por falar do sector agro-industrial, quando olhamos para agricultura, estamos a falar de um sector de muita esperança para os moçambicanos enquanto um país com um elevado agro-ecológico. Que experiências espanholas podem ser válidas para Moçambique?

O país tem um sector agrícola muito potente, nós temos uma experiência e já falei da necessidade do sistema de protecção das culturas. Quando o clima não é adequado, temos muitas técnicas deste tipo de produção na Espanha e podemos trazer essa técnica para regiões com graves problemas do clima.

Há moçambicanos que possam absorver esta experiência da Espanha?

“Ainda não, mas estamos tentando trazer empresas com estas experiências para partilhar com os moçambicanos”.

A Espanha é um dos países que, em 2013, abandonou o apoio directo ao Orçamento do Estado moçambicano. Neste momento, decorre o julgamento das “dívidas ocultas”, para esclarecer este calote. Quando é que tencionam voltar a fazer apoio directo ao OE? 

Nós somos um dos países que mais apoiou Moçambique com vários milhões de Europa para o Ministério da Saúde e Ministério da Educação. Quando isso tudo aconteceu, saímos como o restante dos Estados que saíram. Já coordenamos com a União Europeia para começar a fazer algum tipo de apoio orçamental. Não vamos fazer isso agora, mas, quando surge essa ideia na União Europeia, a Espanha apoia.

Olhando para apoio a projectos nesta actuação que tem vindo a fazer, comparando com os valores que eram canalizados directamente para o orçamento. Em termos de valor, houve uma redução ou o que mudou foi a forma de financiamento?

Nós simplesmente mudamos a forma de canalizar este tipo de ajuda. O problema é que Espanha notou uma redução muito grande dos fundos para a cooperação, não só para Moçambique, mas para todo o mundo devido à crise económica.

Falou, na primeira parte desta entrevista, de apoio institucional e experiência da Espanha em termos de descentralização. Moçambique é uma democracia jovem com debate da descentralização ainda muito fresco. Concretamente neste capítulo, o que a Espanha está a trazer como algo inspirador para Moçambique neste debate da descentralização?   

Espanha é uma democracia jovem também e o nosso sistema democrático começou em 1975, a nossa constituição foi aprovada em 1978, com um sistema de quarenta anos. Durante este período, deixamos de ser um país centralizado. É um dos países mais descentralizados da Europa. Por exemplo, as áreas da educação e saúde são da responsabilidade do Governo regional. O problema do nosso sistema é que há províncias que têm mais competência que outras. Tentamos trazer as coisas positivas, mas também existem aspectos negativos, porque o sistema é ainda muito mais caro. Ter um país muito descentralizado é muito mais caro, precisa de mais fundos públicos para manter.

O alto Governo da Catalunha para Espanha é uma experiência positiva ou negativa de descentralização?  

A descentralização é positiva, o que acontece é que a Catalunha enfrenta problemas políticos, não foi a descentralização que criou o problema. Até porque temos outras regiões descentralizadas que não tiveram os mesmos problemas.

 Em relação a bolsas de estudos, o que é que a Espanha oferece?

Temos bolsas de estudos que oferecemos todos os anos e também oferecemos bolsas para mulheres todos os anos. Tínhamos o problema de comunicação em relação à informação das bolsas, agora estamos a fazer um grande esforço para dar a conhecer as bolsas em todas as províncias. Aproveito para informar aos estudantes moçambicanos que é preciso aprender espanhol, porque é uma língua fácil de falar em pouco tempo.

Como é que se manifesta o apoio da Espanha na Cultura e nas Artes? 

Nós tínhamos um programa de apoio cultural muito grande, mas já não é o mesmo agora devido à pandemia. Por causa da crise, já não temos programas culturais. O que estamos a fazer é promover a cultura espanhola, mas também estamos preocupados com a promoção da cultura moçambicana. Estamos a trabalhar com artistas locais para fomentar o seu trabalho. Por exemplo, há pouco tempo, no Festival KINANI (festival de dança), tivemos vários dançarinos africanos formados por espanhóis. São dançarinos que não eram profissionais, agora já são profissionais. Para nós, é muito importante fomentar a cultura moçambicana.

E quais são as artes mais privilegiadas?

Não temos privilégios, falei da dança, mas também trabalhamos com artistas plásticos. Nélia Agostinho, por exemplo, fez uma exposição com temas moçambicanos e espanhóis. E estivemos em Bela Vista na inauguração de um mural em comemoração aos 16 dias de activismo da violência contra a mulher. Apoiamos também o Festival da Poesia, Poetas d’Alma, que foi inaugurado há pouco tempo em Mafalala.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, profere hoje, pelas 16 horas, uma comunicação à Nação.

De acordo com um comunicado da Presidência da República, a comunicação do Chefe de Estado, a partir do seu gabinete, será por ocasião do fim do ano.

Esta quinta-feira foi dia de o Presidente da República prestar contas ao seu “patrão”, relativamente ao estado da Nação. Boa parte do discurso, proferido na Assembleia da República, esteve dedicado ao terrorismo que assola a província de Cabo Delgado desde 2017. Filipe Nyusi garantiu que há uma tendência de estabilização da situação.

A segurança tende a estabilizar-se naquela província, de acordo com o Presidente da República, resultante de acções das Forças de Defesa e Segurança, com destaque para o abate de mais de 200 terroristas e a destruição de algumas de suas bases sinalizadas.

O sucesso das acções em Cabo Delgado é atribuído, também, às Forças estrangeiras do Ruanda e da SADC, cuja presença não é consensual entre as bancadas parlamentares. Sobre este assunto, Nyusi reiterou que os militares do Ruanda estão no território, no âmbito de um acordo bilateral entre os dois países.

“Paul Kagame disse, em Cabo Delgado, que não recebeu nada e não pediu nada”, disse o Presidente da República, tendo acrescentado que “as forças estrangeiras devem ser acarinhadas”.

O Chefe de Estado caracterizou como “banditismo puro, movido pela cobiça ao salto que estamos prestes a dar” os actos terroristas que assolam Cabo Delgado, e mais recentemente a província de Niassa.

Relativamente à situação que se vive em Niassa, o apelo foi para a calma, porquanto “as Forças de Defesa e Segurança tudo estão a fazer para conter a insurgência”.

A COVID-19 foi outro assunto que Nyusi levou na agenda. O Presidente disse não estar surpreso com o aumento de infecções nesta quarta vaga, dominada pela variante Ómicron do Coronavírus, uma vez que o sistema de saúde está preparado. Contudo, considera que a imunização continua a ser a chave na luta contra o vírus que já infectou 155.495 e matou outras 1.946 em Moçambique.

A redução de mortes pelo vírus é, para o Presidente, resultado das campanhas de vacinação que já beneficiaram a 7.352.996, sendo 119.543 nas últimas 24 horas, segundo dados recentes do Ministério da Saúde (MISAU) e, por isso, apela à adesão massiva.

Os problemas de 2020 não mudaram, em 2021. Por isso, os deputados mantêm as dúvidas que apresentaram no ano passado, relativas ao terrorismo em Cabo Delgado, raptos e criminalidade, gestão da COVID-19 e crise financeira.

O Presidente da República vai, hoje, ao Parlamento prestar o Informe sobre o Estado Geral da Nação. Em 2020, Filipe Nyusi disse que o Estado Geral da Nação era de “resposta inovadora e de renovada esperança”.

Ainda no ano passado, o Chefe de Estado disse que o balanço poderia ter sido melhor, não fosse o terrorismo em Cabo Delgado e a pandemia da COVID-19 que deixou o mundo de joelhos.

Se o ano foi melhor, ainda não sabemos! A certeza que há é que, este ano, os problemas se mantiveram no país. Aliás, a situação do novo Coronavírus piorou, com os números a atingirem o tecto, e o terrorismo mostra sinais de alastramento para a província de Niassa.

A continuidade dos problemas teve como consequência a manutenção das dúvidas dos deputados que, de resto, querem saber das mesmas coisas que exigiram no ano passado.

“Queremos saber da gestão da pandemia da COVID-19. Sabemos que este ano o país fez uma melhor gestão, mas estamos a assistir a indícios de uma quarta vaga. Também quereremos saber dos avanços no combate ao terrorismo. Recuperamos algumas zonas, mas sabemos que esses sabotadores andam a fazer ataques em Niassa para distrair as Forças de Defesa e Segurança”, declarou Feliz Sílvia, porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo, na Assembleia da República.

A Renamo também quer informações acerca do terrorismo, sobretudo no tocante à entrada de tropas estrangeiras. “É preciso que o Governo explique por que não envolveu o Parlamento e fale da contratação de mercenários”, disse o relator da bancada da Renamo, segundo maior partido do país.

Para além disso, Venâncio Mondlane espera ouvir uma estratégia clara para tirar a economia nacional do vermelho.

“Queremos uma abordagem sobre as perspectivas para a recuperação económica do país, sobretudo numa época em que viemos com a economia já em recessão; muito antes da COVID-19 já estávamos em recessão e agora a situação agravou-se. Então, importa saber da perspectiva para a recuperação da economia, sobretudo nas Pequenas e Médias Empresas”, acrescentou o deputado.

Por sua vez, o Movimento Democrático de Moçambique anseia a apresentação de um espelho real do país e soluções para os problemas da democracia.

“A nossa democracia é comparada a da Guiné-Bissau e da Guiné Equatorial, o que é extremamente gritante. Mas, isso acontece por causa do Governo que não permite o exercício das liberdades. Vimos recentemente 17 mulheres que protestavam contra a violência a serem violentadas pela Polícia. Isso é gravíssimo e deve merecer a atenção do Presidente da República, assim como o assunto dos raptos e criminalidade no geral”, diz Fernando Bismarque, porta-voz do MDM.

As questões foram apresentadas e o Presidente conhece. Resta saber as respostas e a frase que Filipe Nyusi escolheu para caracterizar o ano.

O facto é que, de acordo com as informações apresentadas pelo Governo no âmbito do debate sobre o Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), este ano a economia cresceu no vermelho (-1,3%), o sector empresarial continuou com as actividades condicionadas, para além de os empregos terem continuado instáveis. A corrupção continuou a corroer o país e muitos sectores tiveram dificuldades para atingir as metas, à excepção da agricultura, cujo titular garantiu que a produção aumentou e a fome reduziu.

A Assembleia da República aprovou, na última sexta-feira (10 de Dezembro), na generalidade, o Plano Económico e Social e Orçamento de Estado (PESOE) para 2022, orçado em mais de MZN 450 biliões, proposto pelo Governo. Este, por seu turno, explicou que os instrumentos foram “desenhados” tendo em conta o contexto de retoma gradual da economia nacional e internacional, o abrandamento dos efeitos da COVID-19 e os progressos registados na luta contra o terrorismo em Cabo Delgado, o que propicia a circulação normal de pessoas e bens.

“A elaboração desta proposta de Plano Económico e Social e Orçamento do Estado foi feita num contexto em que se vem registando o aumento da actividade económica mundial, o que está a concorrer para o incremento do volume do comércio internacional”, disse Carlos do Rosário.

O Primeiro-Ministro acrescentou ainda que esta tendência de recuperação da economia faz perspectivar um crescimento económico considerável para 2022, mas tal só será possível se todos os sectores estiverem comprometidos.

“Esta tendência de recuperação gradual da nossa economia leva-nos a prever que o nosso país venha a registar um crescimento económico de 2.1% previstos no presente ano de 2021. Tendo em conta que, no ano passado, tivemos um crescimento de -1.3%, esta recuperação da nossa economia esperada para 2022 testemunha os esforços conjugados de todos os sectores da sociedade no cumprimento das medidas de prevenção da COVID-19, assegurando, dessa forma, o equilíbrio entre a preservação da saúde pública e a salvaguarda da economia”, disse o governante.

Aprovado pela bancada maioritária por considerar oportuno e pertinente, este não reuniu consenso, tendo a Renamo e o Movimento Democrático de Moçambique chumbado a proposta, por a considerarem incoerente, vazia e surreal. Mas não só! A sociedade civil também criticou o OE.

Através de um documento intitulado “Análise à proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado”, as organizações da sociedade civil entendem que, apesar de o PESOE 2022 ser um documento rico em detalhes comparativamente aos anteriores PESOE, há um excesso de optimismo quanto ao crescimento económico para 2022.

“Os pressupostos usados para o PESOE 2022 são muito optimistas, e não se levou em consideração alguns aspectos que têm constituído entraves para o alcance das previsões do crescimento nos anos anteriores”, lê-se do documento.

Exemplo disso, a sociedade civil conclui que, para o sector extractivo, se prevê um crescimento de 4,1%. No entanto, verifica-se que, em 2020, o sector registou um crescimento negativo de 16,8% e a previsão para 2021 é de 1,5%, com uma realização até ao primeiro trimestre de 0,8%. As taxas de câmbio e a inflação previstas estão subavaliadas e continua a prática de acumulação de reservas líquidas internacionais sem a divulgação para o público dos critérios da sua definição.

Ainda de acordo com o documento, para 2022 o Governo continua a recorrer ao endividamento público para o financiamento da sua política expansionista, o que representa um risco grande de ocorrência de crowding out do investimento, ao restringir o crédito interno e aumento dos rácios de endividamento público, o que poderá tornar a dívida pública acima do limite de sustentabilidade (40%).

 

OUTRO SECTOR CRÍTICO ONDE RECAI A ANÁLISE DA SOCIEDADE CIVIL É O DA SAÚDE

“O orçamento do sector da saúde está concentrado em 90%, a nível central, e 10%, a nível provincial, o que concorre negativamente para efectividade do processo de descentralização. Este é um cenário desfavorável, uma vez que não cria capacidade e flexibilidade para a nível provincial apropriarem-se e de forma transparente participarem em todas as fases dos investimentos e representa um risco de incumprimento pela concentração e burocracia”, revela a fonte.

Para a sociedade civil, existem dificuldades em se extrair, a partir dos mapas integrantes da lei da proposta do PESOE 2022, os valores especificamente previstos para este sector e o documento do PESOE não apresenta o orçamento do sector de água e saneamento de forma separada. A análise verifica que, em termos de infra-estruturas, a proposta apresenta informações contraditórias, o que dificulta a percepção do que efectivamente será feito. Baseado nos dados dos mapas integrantes da lei da proposta do PESOE 2022, verifica-se uma despesa nas instituições ligadas ao sector da saúde de MZN 30.707,59 milhões. Este orçamento está concertado em 90% a nível central e 10% no provincial.

Por fim, e em relação à sensibilidade do género, a sociedade civil entende que o PESOE não apresenta, de forma explícita, um orçamento e plano em que se possam identificar as principais implicações que as receitas e as despesas têm segundo o género. No entanto, é possível encontrar alguns desdobramentos que apresentam essa perspectiva em termos de beneficiários, mas sem detalhes sobre os valores envolvidos para cada um dos grupos.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, felicitou, hoje, a Lazarus Chakwera, Presidente da República do Malawi e Presidente em Exercício da SADC pelo seu posicionamento face à imposição de restrições de viagens, por alguns países, aos países da África Austral em virtude da descoberta de uma nova variante do Coronavírus.

Através de uma mensagem enviada ao Presidente, Lazarus Chakwera diz que embora haja reconhecimento do princípio legítimo de cada país minimizar o risco de importação de novas variantes da COVID-19, a SADC condena a reacção instintiva que se seguiu à descoberta inovadora da nova variante pela África do Sul.

“Sabe-se agora que a nova variante já estava presente em vários países ocidentais antes de ser descoberta pela África do Sul, nomeadamente nos Países Baixos, que não foram objecto de qualquer proibição de viagens. No entanto, nem mesmo países da África Austral que não notificaram um único caso da variante, como Eswatini, Lesoto, Namíbia, Malawi e Moçambique, foram acrescidos à lista vermelha de viagens internacionais”, diz a mensagem do Presidente da SADC.

Ainda na sua mensagem, Chakwera reitera que as proibições de viagem à região da África austral são uma demonstração de falta de solidariedade global e vai em contradição com o Regulamento Sanitário Internacional (2005), que obriga os países a partilhar informações sobre doenças de grande preocupação de saúde pública, de forma atempada.

“Felicito, em particular, os cientistas da República da África do Sul pela celeridade com que notificaram a Organização Mundial da Saúde da nova variante. Os cientistas de todo o mundo concordam que a proibição de viagens não terá qualquer impacto na redução da propagação da nova variante. Pelo contrário, os resultados imediatos desta acção são muito claros, estão a prejudicar um sector turístico já de si frágil, reduzindo o transporte de bens essenciais, incluindo as tão necessárias vacinas e kits de teste para a COVID-19, e acelerando a contracção das economias da região como um todo”, alude ainda a mensagem.

O Presidente em Exercício da SADC lamenta, ainda, que as medidas tomadas, tenham sido impostas sem qualquer referência a provas científicas e sejam claramente discriminatórias e injustas para os cidadãos da região, acrescentando que as mesmas encorajarão os cépticos em relação às vacinas contra a COVID-19 e afectarão gravemente a aceitação de vacinas não só na África Austral, como também no continente e fora dele.

O líder termina dizendo que “estamos inteiramente solidários com os povos do Botswana, Eswatini, Lesoto, Malawi, Moçambique, Namíbia, África do Sul e do Zimbabwe, e comprometemo-nos a prosseguir o apoio aos seus esforços de enfrentar todos os desafios causados por esta pandemia, colocar os seus países de novo na trajectória da recuperação económica e reconstruir melhor como uma região”.

O Presidente da República insta o Tribunal Administrativo a ser mais célere e eficaz na resposta às preocupações dos cidadãos. Nyusi falava esta terça-feira (14), na Cidade de Maputo, durante o lançamento do Quarto Plano Coordenador do Tribunal Administrativo (PLACOR 2022-2025).

O PLACOR 2022-2025 é um instrumento estratégico que resulta de várias auscultações, tanto a nível interno, como externo, sobre a actuação do Tribunal Administrativo, seus pontos fortes e principais aspectos a ter em conta para o alcance das suas metas.

É competência do Tribunal Administrativo, dentre outras, mediar e solucionar os conflitos que possam existir entre o cidadão e as instituições públicas, no entanto, quando a mediação não é bem-feita, incorre-se à má prestação de serviços, segundo defendeu o Presidente da República.

“À medida que o tempo passa, o povo vai aumentando a consciência da importância de legalidade dos actos administrativos. Ao mesmo tempo, torna-se mais consciente da pertinência da aplicação das normas regulamentares emitidas pela Administração Pública, para além da necessidade da fiscalização da legalidade das despesas públicas”, disse Filipe Nyusi.

O instrumento, ora lançado, compreende onze objectivos estratégicos, distribuídos em cinco perspectivas, que prevêem, dentre outros aspectos, o aumento da eficácia e da visibilidade da actuação do Tribunal, a aproximação do Tribunal Administrativo à sociedade, a garantia, com celeridade, da tutela jurisdicional efectiva dos processos do plenário, dos contenciosos administrativo, fiscal e aduaneiro, do visto, recursos jurisdicionais e multas e o aumento da relevância e a tempestividade no controlo do dinheiro público, para além do aperfeiçoamento da especialização e do enquadramento legal da Jurisdição Administrativa.

“Se no primeiro semestre do ano 2020 foram tramitadas 851. 313 petições, queixas e reclamações de vária índole, na Administração Pública, em igual período do presente ano, foram tramitadas 2.42 000 74, correspondente a um crescimento de 139.9 por cento”, avançou Nyusi.

Este crescimento significa, segundo o Presidente da República, maior consciência e envolvimento do cidadão nas questões judiciárias, no entanto há ainda muito a ser feito para que haja um atendimento à altura das necessidades e exigências dos cidadãos.

“Do total dos casos submetidos às instituições públicas, foram concluídos 1.983. 135, o correspondente a 97 por cento. Estes dados revelam que registamos uma melhoria substancial na prestação de serviços, o que nos leva a concluir que o cidadão participa activamente para a melhoria dos serviços que corporizam a Administração Pública”, referiu Filipe Nyusi.

Mais do que o lançamento deste plano, o Chefe de Estado exige mais do Tribunal Administrativo. “Os 11 objectivos que constam do PLACOR estarão em condições para tornar o Tribunal Administrativo uma instituição célere e eficaz na promoção da legalidade, integridade e da boa gestão da Administração Pública. Neste contexto, merecem destaque a atracção e retenção de quadros competentes, condições fundamentais para o bom funcionamento e crescimento do TA, com base na meritocracia”, disse Nyusi, tendo deixado algumas recomendações para o TA.

“Publicação de indicadores que meçam o impacto do Tribunal Administrativo para a sociedade, a celeridade de reforma legal e identificação de outros domínios que carecem de reforma legal, digitalização e informatização da tramitação processual e jurisdicional na tramitação do visto, reforço da comunicação externa sobre o visto, incluindo a promoção de denúncias de situação de corrupção, bem como a capacitação dos recursos humanos”, concluiu.

Lúcia Amaral, presidente do Tribunal Administrativo, disse, durante a sua intervenção, que este instrumento vai modernizar a actuação da instituição que dirige.

“Para a produção do PACOR 4, o TA transcorreu todo o processo de planificação estratégica anterior, procedendo a um diagnóstico institucional, minucioso, pré-requisito essencial para implementação de um processo de mudança e aperfeiçoamento institucional”.

O Quarto Plano Estratégico do Tribunal Administrativo 2022-2025, lançado esta terça-feira pelo Presidente da República, visa, dentre outros, desenhar estratégias para exercer com eficácia, transparência e justiça as suas actividades durante os próximos quatro anos, em substituição ao Terceiro Plano Estratégico (PLACOR III), cuja implementação foi de 2015-2020, tendo como foco a melhoria da prestação de serviços, a promoção da gestão da coisa pública, a implementação de mecanismos para assegurar a liderança pelo exemplo e o fortalecimento da capacidade interna.

A Comissão de Mediação e Arbitragem Laboral (COMAL), a Agência de Investimento e Explorações (APIEX), e a Televisão de Moçambique (TVM) têm novos dirigentes, empossados, ontem, pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que exigiu melhorias nas três instituições e apontou algumas que para si são cruciais.

Olga Manjate, Custódia Paude e Élio Jonasse são, desde esta segunda-feira, os novos timoneiros da Comissão de Mediação e Arbitragem Laboral, da Agência de Investimento e Exportações e da Televisão de Moçambique, respectivamente.

A cerimónia de tomada de posse foi dirigida pelo Primeiro-Ministro, Carlos Agostinho do Rosário, que exigiu mudanças que geram resultados significativos em cada um dos sectores.

“Estamos confiantes de que cada um de vós saberá dar o melhor de si para o contínuo crescimento das instituições que doravante passam a integrar e a dirigir”, disse o Primeiro-Ministro.

Para a Comissão de Mediação e Arbitragem Laboral, Carlos Agostinho do Rosário defende a preservação do princípio de transparência e celeridade processual na resolução de conflitos laborais, tendo acrescentado que é importante a estreita observância da legislação em vigor, bem como assegurar maior proximidade entre as partes em conflito.

Por sua vez, os recém-empossados prometeram dar continuidade aos princípios de cada instituição e contribuir para o desenvolvimento das mesmas.

“Como COMAL, temos o desafio de continuar na luta contra conflitos laborais, sobretudo, neste momento com a pandemia da Covid-19”, disse Olga Manjate, presidente da COMAL.

O Primeiro-Ministro acrescentou ainda que a APIEX deve continuar a desenvolver acções que garantam que Moçambique seja destino privilegiado do investimentos estrangeiros e continuar igualmente focalizada no desenvolvimento de acções que garantam oportunidades de negócios existentes no país.

“Queremos continuar na promoção das exportações nacionais, do investimento público-privado. Vou-me focar nisto”, declarou a directora-geral adjunta da APIEX, Custódia Paunde.

Na ocasião, o Primeiro-Ministro endereçou palavras de apreço e reconhecimento do trabalho feito pelos dirigentes cessantes.

O Governo pretende criar um Gabinete Central de Combate a Criminalidade Organizada e Transnacional, com enfoque no terrorismo, raptos, tráfico de órgãos humanos, entre outros males. A entidade é criada pela lei orgânica do Ministério Público e o Estatuto dos Magistrados do Ministério Público, aprovada hoje, na generalidade pela Assembleia da República.

Trata-se de uma proposta de lei que, segundo defendeu a ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, visa aprimorar o quadro legal e adoptar de poderes o Ministério Público para o combate aos vários tipos de crime.

“A presente proposta de lei vem materializar o compromisso do Governo em combater a criminalidade organizada e transnacional, com destaque ao terrorismo. Moçambique sofre de forma cruel e directa abalos resultantes do terrorismo, com mais enfoque na zona norte, facto que obriga uma organização interna, o que torna pertinente que, entre outras medidas, se crie um órgão específico”, disse Helena Kida, ministra da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos.

Orçado em mais de 69 milhões de meticais, resultante da criação do Gabinete Central de Combate à Criminalidade Organizada e Transnacional e Jubilação dos Magistrados, será especializado na prevenção, instrução e exercício da acção penal contra a criminalidade organizada e transnacional.

A lei orgânica do Ministério Público e o Estatuto dos Magistrados do Ministério Público, aprovada na generalidade e por consenso, pretende, dentre outras questões “Reforçar as competências do Ministério Público na prevenção e combate à grande criminalidade; reforçar as medidas de segurança para os magistrados; conferir ao Gabinete Central de Combate à Corrupção competências para exercer a acção penal e dirigir a instrução de processos; incorporar o Gabinete Central de Recuperação de Activos ao Ministério Público”, lê-se no parecer da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Recursos Humanos e Legalidade.

Ainda na sessão desta segunda-feira, as três bancadas da Assembleia da República apreciaram e aprovaram a lei de orgânica do Conselho Constitucional, a Lei de Saúde Pública (apreciada na especialidade) e a proposta de lei que autoriza a prorrogação do prazo de autorização legislativa para a Revisão do Código Comercial.

Sobre este último, o plenário aprovou em definitivo a prorrogação para mais 90 dias, a partir da data da sua aprovação.

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