Skip to main content

O País – A verdade como notícia

Chapo anuncia reabilitação do Instituto Politécnico Armando Emílio Guebuza

O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, anunciou esta quinta-feira, em Manica, a reabilitação e o apetrechamento do Instituto Politécnico Armando Emílio Guebuza, localizado em Chigodole, distrito de Vanduzi, uma instituição vocacionada para a formação técnico-profissional de filhos de antigos combatentes. A decisão surge depois de uma visita de Chapo ao

Analistas em relações internacionais defendem que os golpes de Estado em África resultam da falência das instituições e da democracia. Defendem ainda que a luta dos presidentes pelo terceiro mandato contribui para a tomada do poder à força por parte dos militares

Já não é novidade que África é vista como um continente fértil para a ocorrência de golpes de Estado. O docente universitário Salvador Simango aponta algumas fragilidades que condicionam para que o continente seja assim rotulado.

“Em África, estamos perante Estados fracos, onde as instituições são fracas e temos uma elite que se sobrepõe às instituições. Isso cria condições para que não haja entendimentos razoáveis e para que haja uma governação saudável. Estando a situação assim, há uma tendência de resolver as crises políticas de forma militar. Volto a reiterar que isso é típico de Estados fracos e nós sabemos, de uma forma geral, que os nossos Estados são fracos, são Estados cujos partidos vencedores normalmente não satisfazem as necessidades da população que governam”, defendeu Salvador Simango, para quem essas fragilidades são utilizadas pelas elites militares para legitimar ou justificar os golpes.

“Eles conhecem as carências no acesso aos serviços públicos e eles fazem a leitura do ambiente envolvente e aproveitam-se do descontentamento social para tomar o poder. Temos visto que, depois dos golpes, grupos de populares invadem as ruas das cidades para celebrar o derrube do Governo anterior. Isso quer dizer que esses Estados já eram um barril de pólvora. As pessoas sempre acham que virá um elemento, de forma messiânica, libertá-las do sofrimento. O facto de os Estados terem militares profissionais e organizados em classes sólidas faz com que haja dificuldade para se impor.”

Para Calton Cadeado, os golpes de Estado em África resultam do facto de as democracias africanas estarem a falir, em boa parte devido à ganância dos políticos e líderes africanos que querem perpetuar-se no poder.

“As democracias desses países estão em crise e alguns analistas consideram que esta crise começa a partir do momento em que os golpes de Estado sofisticados começaram, com as revisões constitucionais para garantir os terceiros mandatos. Essa é uma das razões para os golpes de Estado contemporâneos. Outrossim, nota-se que, nesses países, as instituições estão fracas. Não podemos negar que esses golpes, a que estamos a assistir nos últimos tempos, estão a acontecer em países com tradição de golpes de Estado. Outro aspecto fundamental tem a ver com as relações entre os civis e militares que estão difíceis de consolidar em países onde os militares sempre tiveram uma ascendência em relação aos políticos; é só olhar para os casos do Egipto, Chade e Sudão, onde os políticos estão lá, mas são os militares que mandam”, defendeu o também docente universitário.

Mais ainda, ainda segundo Cadeado, as dificuldades para ter acesso aos meios financeiros e dificuldades de equipamentos para enfrentar ameaças terroristas também podem estar por trás dos golpes. “Nesses países, os militares têm muitas dificuldades de ter acesso aos recursos para poder sobreviver e muitos defendem que é culpa dos políticos que não têm a sensibilidade de dar aos militares as condições de que precisam para ter uma vida condigna. Por outro lado, temos a questão da segurança que é vista como razão da acção dos militares. Estamos a falar dos casos do Mali e do Burkina Faso, onde os militares tomaram o poder à força e acusaram os políticos de não terem dado as condições para enfrentar a acção dos terroristas. ”

GUINÉ-BISSAU: “GOLPISTAS NÃO ESTAVAM ORGANIZADOS E PARECEU-ME UM AJUSTE DE CONTAS PESSOAL”

Em relação ao recente caso da tentativa de golpe de Estado na Guiné-Bissau, Simango revela que os golpistas foram despreparados para o ataque e que visavam atingir o Presidente Umaro Sissoco Embaló e o Primeiro-Ministro do país.

“Acredito que esse grupo de golpistas não estava organizado e não tinha apoio de uma boa parte dos militares. Pareceu-me que foi uma tentativa de um grupo descontente, que tem contas a ajustar com o Presidente e o Primeiro-Ministro”, defendeu.

Para Calton Cadeado, a tentativa de golpe de Estado foi atípica. “Essa tentativa traz-nos elementos que não estão presentes nos golpes a que já assistimos na Guiné-Bissau. O primeiro ponto tem a ver com a identidade dos golpistas que é uma incógnita até agora, não se sabe quem está na liderança da iniciativa. No passado, sempre ficou claro que eram os militares que estavam por trás dos golpes e tinham algum apoio político, mas, nesse caso esses, elementos não estão patentes. Outro elemento que levanta alguma estranheza é o facto de esse grupo não se ter apresentado fardado”.

“GUINÉ-BISSAU ESTÁ EM BUSCA DESESPERADA DE POLÍTICOS PROFISSIONAIS”

Com um largo histórico de instabilidade, Calton Cadeado recuou para o passado e abordou o presente para analisar as crises sistemáticas na Guiné-Bissau. “Temos uma Guiné-Bissau que vive desesperadamente e à procura de políticos profissionais. Não é um país que se pode dizer que tem políticos com tradição. Muitos políticos, que estão a surgir, são de ocasião. Não são indivíduos formados na tradição política. Um exemplo é que Domingos Simões Pereira é um tecnocrata que saiu da tecnocracia para entrar para a política e está a forjar-se como político. Outro elemento actual é que a eleição de Umaro Sissoco Embaló foi forçada e isso pesa até hoje. Além disso, está a sua forma de governação que é mais divisionista que de unificação”, terminou.

 

GANÂNCIA, TERCEIRO MANDATO, GOLPES DE ESTADO EM ÁFRICA

O Presidente da República, Filipe Nyusi, felicitou hoje, o seu homólogo da República da Itália, Sergio Mattarella, pela reeleição ao segundo mandato, na sequência da eleição presidencial realizada no dia 29 de Janeiro de 2022.

Na sua mensagem, Filipe Nyusi diz estar convicto de que a reeleição de Sergio Mattarella, “reflecte a confiança que o povo italiano deposita na sua visão e habilidades para liderar a República Italiana, na implementação de medidas com vista a recuperação da crise sanitária e sócio-económica causada pela pandemia da COVID-19”.

No mesmo documento, Nyusi reitera a sua disponibilidade continuar a trabalhar com Mattarella “na promoção e elevação das históricas relações de amizade, solidariedade e de cooperação existentes entre a República de Moçambique e a República Italiana”.

O Chefe do Estado considera, ainda, que a reeleição irá fortalecer a parceria económica entre os dois países, para o alcance de um desenvolvimento sustentável, em benefício dos respectivos povos.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, condecora, na quinta-feira, 1760 cidadãos nacionais em reconhecimento da participação activa na luta de libertação da pátria.

Um comunicado da Presidência da República indica que os cidadãos serão condecorados “pela sua acção e espírito de sacrifício na manutenção da ordem, segurança e tranquilidade públicas, na luta incansável contra o crime organizado, bem como nos esforços empreendidos para o aumento da produção agrícola e contributo para o desenvolvimento nacional”.

O Chefe de Estado distingue as personalidades acima referidas, igualmente em reconhecimento dos “actos meritórios e excepcionais”, que contribuíram para a organização, desenvolvimento e funcionamento do Estado ao mais alto nível.

As cerimónias centrais de condecorações em Mueda, província de Cabo Delgado.

 

O Presidente da República, Filipe Nyusi, felicitou, esta segunda-feira, o Primeiro-Ministro da República Portuguesa, António Costa, pela vitória do Partido Socialista nas Eleições Legislativas antecipadas, realizadas a 30 de Janeiro.

Na sua mensagem, o Chefe do Estado afirma que acompanhou o processo que culminou com a realização de Eleições Legislativas antecipadas conquistadas pelo Partido Socialista.

“Assim, apraz-me, em nome do povo e Governo da República de Moçambique e no meu próprio, endereçar à Vossa Excelência as nossas calorosas felicitações pela vitória expressiva, uma demonstração inequívoca da confiança que o povo português deposita em vós e no Partido Socialista para conduzir, uma vez mais, os destinos de Portugal na sua trajectória de superação da pandemia da COVID-19 e recuperação económica”, diz a mensagem do Estadista moçambicano.

O Presidente Nyusi espera que, durante o mandato prestes a iniciar, as relações de cooperação entre Moçambique e Portugal, quer a nível bilateral quer no domínio multilateral, em particular a nível da CPLP, se elevem para novos patamares, permitindo a identificação de novas áreas de interesse comum com vista ao desenvolvimento económico e social dos dois países.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, cancelou a visita de dois dias que devia iniciar ontem, no país, após ter sido registado um caso do novo Coronavírus na comitiva que o acompanhava. Será marcada uma nova data.

Antes de Moçambique, Borrell terminou no sábado uma visita ao Quénia, antecedendo a VI cimeira UE-África, prevista para 17 e 18 de Fevereiro, em Bruxelas, escreve o Notícias ao Minuto.

A insegurança em Cabo Delgado e a missão europeia que está a treinar tropas moçambicanas estavam na agenda do alto representante em Maputo. Borrell tinha previstas, ainda, reuniões com o Presidente da República, Filipe Nyusi, e com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo.

Cerca de 10 mil cidadãos portugueses residentes em Moçambique recensearam-se, nos consulados de Maputo e Beira, para eleger os seus representantes na Assembleia da República de Portugal, de quem esperam melhoria de vida.

O processo de votação presencial iniciou, no sábado, e continuou este domingo, com a previsão de encerrar as urnas por volta das 19 horas. No entanto, houve quem tenha optado pelo voto por correspondência.

De forma tímida, acompanhados ou sozinhos, os eleitores chegavam ao Consulado-Geral de Portugal em Maputo, com o seu bilhete de identidade na mão, para eleger o seu representante no Parlamento português.

Os eleitores esperam por melhorias no comportamento dos políticos, pois, ao longo dos anos, como anota João Matias, há uma descredibilização do Governo.

“Eu espero que, daqui para frente, os políticos possam ser mais responsáveis e honestos, que possamos ver mais mudanças sob ponto de vista económico e social, porque Portugal merece, tem gente boa e trabalhadora, mas a evolução, nos últimos tempos, não tem sido nesse sentido”, disse João Matias.

Maria da Conceição, professora universitária, vive em Moçambique há 20 anos e, apesar de estar distante do seu país de origem, sente que há coisas que precisam de melhorar.

Entretanto, há quem diga que as coisas já estiveram piores naquele país europeu e, apesar de ter votado, não acredita mais em mudanças.

“Tenho muitas dúvidas de que haverá mudanças, mas, por ter votado, fico com a consciência tranquila de que dei o meu voto para ver o país a melhorar”, disse João Mota.

Dos eleitores que se dirigiram ao consulado em Maputo para escolher os seus representantes no Parlamento, há quem não tenha conseguido exercer o seu dever cívico, uns porque não sabiam da necessidade de recensear, outros porque não renovaram os seus documentos a tempo.

Houve ainda quem não tenha votado, por não saber que a data limite do voto por correspondência era sábado. Ainda assim, essas pessoas esperam avanços na vida dos portugueses.

“Os partidos, que estou a ver na Assembleia, não estão a tomar grande consideração naquilo que se está a passar no mundo, isso é triste. Por exemplo, muitos países estão a levantar as restrições, mas Portugal está a fechar cada vez mais, isso atrasa a economia e a vida social dos cidadãos”, lamentou um cidadão.

O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, inicia hoje uma visita de dois dias a Moçambique. No país, o diplomata europeu vem debater sobre o terrorismo em Cabo Delgado e visitar a missão militar daquele bloco acreditado em Moçambique.

Chegado a Moçambique, Borrell, alto representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, vai manter uma conversa com Presidente da República, Filipe Nyusi, com a ministra dos Negócios Estrangeiros, Verónica Macamo, e vai, ainda, efectuar uma visita à missão militar da União Europeia no país.

A cooperação entre a União Europeia e Moçambique, a implementação do Acordo de Paz e Reconciliação de Maputo, o trabalho da missão de formação militar da UE em Moçambique (EUTM Moçambique) e a abordagem integrada da UE para enfrentar os desafios de segurança em Cabo Delgado e províncias vizinhas são os temas que serão debatidos entre alto representante e os dirigentes nacionais.

A vinda do alto representante da União Europeia a Moçambique constitui a primeira missão militar da UE no país, comandada pelo vice-almirante Hervé Bléjean, director da Capacidade Militar de Planeamento e Condução, e, no terreno, a direcção operacional cabe ao brigadeiro-general português Nuno Lemos Pires, com o objectivo de treinar tropas para enfrentar a insurgência armada em Cabo Delgado.

Neste contexto, o alto representante vai visitar o quartel-general e um campo de treino da EUTM Moçambique, bem como um projecto financiado pela UE sobre educação e resposta à COVID-19.

A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, é assolado pelos ataques terroristas, desde 2017, que já mataram 3.100 pessoas e provocaram a deslocação de mais de 800 mil cidadãos, segundo dados oficias.

A Presidente da República da Tanzânia, Suluhu Hassan, está de visita a Moçambique a convite do Chefe de Estado, Filipe Nyusi. Paz, segurança e combate ao terrorismo foram o pano de fundo da conversa entre os dois dirigentes africanos.

Filipe Nyusi destacou a relação bilateral entre os dois países, que remonta desde o período anterior à independência de Moçambique, bem como a disposição imediata da Tanzânia em disponibilizar o seu contingente para combater o terrorismo em Cabo Delgado.

“Nós somos dois países irmãos e vizinhos e Tanzânia faz parte da SAMIM. Temos algo que nos une neste momento, que são os interesses comuns entre os dois países. O terrorista atravessa as nossas fronteiras, está aqui ou lá, então nós, mais do que ninguém, temos mais interesse em debater este assunto com mais dedicação”, disse Filipe Nyusi.

Ainda na sua intervenção, o Presidente da República disse que as forças tanzanianas junto às moçambicanas vão analisar, nos próximos dias, o aprimoramento das estratégias de combate ao terrorismo.

Por seu turno, a Presidente da República da Tanzânia, Suluhu Hassan, disse que, por ser nova na presidência do seu país e na região, veio a Moçambique para saudar o Chefe do Estado moçambicano, bem como conhecer os problemas enfrentados no desenvolvimento da paz e segurança e como ambos podem trabalhar.

“Viemos a Moçambique para reafirmar o nosso comprometimento, vamos trabalhar juntos, temos relações históricas. A Tanzânia está aqui para trabalhar com Moçambique no desenvolvimento da paz e segurança nos dois países”, reafirmou Suluhu Hassan.

O Chefe do Estado-Maior, Força de Defesa Popular da Tanzânia (TPDF), Tenente-General Matthew Edward Mkingule, visitou, a 24 de Janeiro de 2022, as forças SAMIM destacadas na província de Cabo Delgado.

Durante um dia, o General, acompanhado pelo Pessoal Superior da TPDF, foi informado sobre os sucessos operacionais alcançados pela SAMIM desde o seu lançamento em Julho último. A Tanzânia, junto do Botswana, Lesotho e República da África do Sul, destacaram as suas forças na província de Cabo Delgado, para combater o terrorismo orquestrado por Al Sunnah wa Jama’ah (ASWJ).

Entre outros, o TPDF também destacou uma equipa médica na área da missão e, segundo o General Mkingule, a sua Força de Defesa irá aumentar as suas tropas existentes na área da missão para colmatar lacunas operacionais.

Mkingule elogiou o Comandante da Força da SAMIM, o Major-General Xolani Mankayi e o seu Estado-Maior, por terem feito grandes progressos na consecução do estado final, apesar dos desafios que são sempre inerentes à luta numa guerra não convencional.

“Apreciamos os seus esforços em fazer um trabalho tão louvável. Os desafios estão sempre presentes, mas ainda temos de lutar e vencer a guerra. A segurança de Moçambique faz parte da nossa segurança”, declarou Mkingule.

Numa nota sombria, o General prestou homenagem aos heróis caídos e aos feridos no cumprimento do dever.

Mkingule e a sua delegação fizeram um apelo de cortesia ao Chefe da Missão, Professor Mpho Molomo, e foram levados a fazer uma visita guiada a algumas instalações dentro da área da missão. Visitou ainda a aldeia de Nangade, onde a República Unida da Tanzânia e o Reino do Lesotho estão destacados.

Entretanto, o Comandante das Forças de Segurança do Ruanda, destacado na província de Cabo Delgado, Major-General Innocent Kabandana, no mesmo dia, visitou o Quartel-General da SAMIM, para solidificar a cooperação e coordenação existentes entre as forças na área operacional. Os Comandantes corroboraram em procurar um terreno comum para combater o terrorismo.

A SAMIM gostaria de assegurar ao povo de Moçambique e da SADC um compromisso colectivo para alcançar um Cabo Delgado pacífico, estável e seguro, bem como a todo o país de Moçambique.

+ LIDAS

Siga nos