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O País – A verdade como notícia

Chapo conhece entraves à produção na Cadeia Regional de Mabalane

O Presidente da República é confrontado com a vandalização do sistema de irrigação por pivô, cuja reparação está avaliada em 20 milhões de meticais, a insuficiência de máquinas e tractores e os danos causados pelas cheias, que estão a comprometer o potencial produtivo da Cadeia Regional de Mabalane. Os constrangimentos

O Presidente da Frelimo, Daniel Chapo, anunciou este sábado um conjunto de medidas destinadas ao reforço da organização interna do partido, entre as quais o recenseamento de raiz dos membros, a realização de reuniões simultâneas em todos os órgãos partidários e a preparação da XI Conferência Nacional de Quadros, agendada para os dias 21, 22 e 23 de Agosto, na cidade de Chimoio, província de Manica.

O anúncio foi feito durante uma visita às organizações sociais do partido, nomeadamente a Organização da Juventude Moçambicana (OJM) e a Organização da Mulher Moçambicana (OMM), na Cidade de Maputo.

Na ocasião, Daniel Chapo apresentou as principais linhas de orientação para o fortalecimento da estrutura interna da Frelimo, destacando a necessidade de actualizar a base de dados dos militantes através de um recenseamento de raiz.

O dirigente anunciou igualmente a realização de reuniões simultâneas em todos os escalões do partido, desde as células até aos comités provinciais, com o objectivo de reforçar a coordenação e a mobilização interna.

Outra medida avançada consiste na preparação da XI Conferência Nacional de Quadros, que decorrerá entre os dias 21 e 23 de Agosto, em Chimoio, província de Manica. O encontro marcará o regresso deste fórum nacional, cuja última edição teve lugar em 2016.

Após o encontro com a OJM e a OMM, o Presidente da Frelimo reuniu-se, à porta fechada, com dirigentes e membros das duas organizações sociais, para abordar assuntos internos do partido.

O Presidente da República, Daniel Chapo, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, reafirmaram esta quinta-feira, em Maputo, o compromisso de aprofundar a parceria estratégica entre os dois países, com destaque para a cooperação económica, o combate ao terrorismo, o apoio às reformas estruturais e a concertação em matérias da agenda internacional.

O compromisso foi assumido durante um encontro de trabalho realizado no Gabinete da Presidência da República, no qual as duas partes fizeram um balanço da cooperação bilateral e identificaram novas áreas para o fortalecimento das relações entre Maputo e Moscovo.

Falando à imprensa no final da audiência, Sergei Lavrov afirmou que o Presidente Daniel Chapo evocou os laços históricos estabelecidos entre Moçambique e a então União Soviética durante a luta de libertação nacional, considerando esse período como a base da parceria estratégica entre os dois Estados.

Segundo o chefe da diplomacia russa, o apoio soviético à luta pela independência continua vivo na memória colectiva dos moçambicanos, tanto pela assistência prestada durante o processo de libertação como pelo reconhecimento imediato do Estado moçambicano após a proclamação da independência, a 25 de Junho de 1975.

Lavrov referiu igualmente que a cooperação entre os dois países se manteve após a independência, abrangendo o fortalecimento das instituições públicas, o desenvolvimento de uma economia nacional independente e o apoio às reformas levadas a cabo por Moçambique.

A cooperação económica ocupou um lugar de destaque nas conversações. O ministro russo revelou que Daniel Chapo apresentou a visão do Governo para novas reformas económicas e para o reforço da cooperação bilateral, tendo as duas partes acordado integrar essas prioridades nos preparativos da próxima reunião da Comissão Intergovernamental de Cooperação Económica e Técnico-Científica, com vista a apoiar a implementação das reformas.

Durante o encontro foi igualmente abordada a situação de segurança no norte de Moçambique. Lavrov assegurou que a Rússia continuará disponível para responder aos pedidos de apoio apresentados por Maputo no combate ao terrorismo que afecta aquela região do país.

Os dois dirigentes analisaram ainda assuntos da agenda internacional, tendo reafirmado a coordenação entre Moçambique e a Rússia no âmbito das Nações Unidas e de outras plataformas multilaterais, matéria que, segundo Lavrov, será aprofundada nas conversações com a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação.

O Presidente da República, Daniel Chapo, e o embaixador da União Europeia (UE) em Moçambique, Antonino Maggiore, destacaram, esta quarta-feira, em Maputo, os progressos alcançados na parceria estratégica entre Moçambique e a União Europeia, durante a audiência de despedida concedida ao diplomata, que termina um mandato de quatro anos no país.

No final do encontro, Maggiore afirmou que a cooperação bilateral registou avanços significativos nos domínios político, económico e cultural, sobretudo nos últimos dois anos, período que, segundo disse, ficou marcado pelo reforço das relações entre as duas partes.

O diplomata atribuiu esta evolução à opção política assumida pelo Presidente Daniel Chapo de aprofundar a cooperação com a União Europeia, sublinhando que essa orientação permitiu consolidar uma parceria que classificou de “estratégica e abrangente”.

Na área da segurança, Antonino Maggiore reafirmou o compromisso da União Europeia de continuar a apoiar Moçambique no combate ao terrorismo, através da missão europeia de formação das Forças Armadas de Defesa de Moçambique e do fornecimento de equipamento às forças nacionais.

O embaixador destacou igualmente o apoio europeu ao Diálogo Nacional Inclusivo para as reformas políticas, bem como à assistência humanitária prestada ao país face às dificuldades registadas ao longo deste ano.

No plano económico, o diplomata apontou o Fórum Económico Global Gateway União Europeia-Moçambique, realizado em Junho, em Maputo, como um marco no reforço das relações económicas bilaterais. O evento reuniu mais de 800 empresas moçambicanas e europeias e permitiu identificar novas oportunidades de investimento.

Ao fazer o balanço da sua missão diplomática, Antonino Maggiore manifestou satisfação pelos resultados alcançados, afirmando deixar Moçambique com a convicção de que a cooperação entre a União Europeia e o país continuará a fortalecer-se em benefício dos povos moçambicano e europeu.

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu ontem, em Maputo, o antigo presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Akinwumi Adesina, num encontro centrado na mobilização de investimentos e na promoção de um desenvolvimento inclusivo e sustentável para Moçambique.

Durante a audiência, as duas personalidades analisaram sectores considerados estratégicos para o crescimento económico do país, com destaque para a industrialização baseada na exploração do gás natural, o desenvolvimento da agricultura, da economia azul, da saúde e a atracção de investimento privado.

No final do encontro, Akinwumi Adesina manifestou o seu apoio à visão de longo prazo do Chefe do Estado para o desenvolvimento de Moçambique, afirmando que mantém um forte compromisso com o país.

Segundo o antigo presidente do BAD, a valorização dos recursos naturais deve servir de base para a industrialização nacional, defendendo que o gás natural seja utilizado para impulsionar indústrias de produção de metanol, etanol e ureia, capazes de gerar emprego, acrescentar valor aos recursos do país e acelerar o crescimento económico.

Na agricultura, Adesina elogiou a estratégia do Presidente Daniel Chapo para o sector e apontou a economia azul como uma das áreas com maior potencial para impulsionar o desenvolvimento. Defendeu investimentos na aquacultura em grande escala, com vista a reduzir as importações de alimentos, reforçar a segurança alimentar e criar oportunidades de emprego, sobretudo para a juventude.

A saúde foi igualmente abordada durante a reunião. O economista defendeu a necessidade de garantir cuidados de saúde universais e de qualidade, considerando que o progresso de um país deve traduzir-se na melhoria das condições de vida da população.

Outro dos pontos em destaque foi a mobilização de investimento internacional. Adesina revelou que a Cimeira de Investimento Global África, organização que preside, está a trabalhar em estreita coordenação com o Governo moçambicano para atrair investidores comprometidos com projectos de transformação estrutural e desenvolvimento sustentável.

O antigo presidente do BAD assegurou que continuará a apoiar os esforços do país na captação de investimento e reiterou a intenção de manter uma colaboração próxima com o Governo de Daniel Chapo na concretização da agenda de desenvolvimento nacional.

O ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, defendeu que a paz em Moçambique deve ser construída diariamente através do diálogo, da justiça, da inclusão social e do fortalecimento das instituições democráticas, alertando que a reconciliação nacional não termina com a assinatura de acordos políticos.

Falando na abertura do II Fórum Nacional sobre Paz e Reconciliação e na cerimónia de encerramento do Projecto ProPaz, o governante afirmou que a paz constitui um dos maiores patrimónios de uma nação e representa um pressuposto indispensável para o desenvolvimento económico, a estabilidade institucional e a garantia dos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos.

Segundo Mateus Saize, a história de Moçambique demonstra que o país tem sabido ultrapassar momentos difíceis através do diálogo e da prevalência do interesse nacional.

“O processo de paz exige compromisso permanente, responsabilidade colectiva e a participação activa de todos os segmentos da sociedade”, afirmou.

O ministro considerou que iniciativas como o Projecto ProPaz desempenham um papel relevante na consolidação de uma cultura de paz, por promoverem o diálogo comunitário, a inclusão social, o empoderamento das mulheres, a participação da juventude e a valorização da cultura como instrumentos de prevenção de conflitos.

Na sua intervenção, destacou que a reconciliação não depende apenas de mecanismos jurídicos e políticos, mas também da aproximação entre as pessoas, do reforço da confiança e da criação de condições para uma convivência harmoniosa nas comunidades.

Mateus Saize reiterou que o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos continuará a desenvolver acções destinadas ao fortalecimento do Estado de direito democrático, à promoção dos direitos humanos, à melhoria do acesso à justiça e ao reforço da confiança dos cidadãos nas instituições públicas.

Acrescentou que princípios como a legalidade, a transparência, a ética e a boa governação são fundamentais para consolidar a paz social e prevenir conflitos.

O governante reconheceu, contudo, que o país enfrenta desafios como conflitos locais, violência baseada no género, exclusão social, radicalização, pobreza e desigualdades, defendendo respostas coordenadas entre o Estado, a sociedade civil, as comunidades religiosas, líderes comunitários e parceiros de cooperação.

No discurso, apelou ainda para um maior investimento na Educação para a cidadania, na promoção dos direitos humanos e na criação de oportunidades para a juventude, que classificou como a principal força para o desenvolvimento do país.

O ministro sublinhou igualmente o papel das mulheres nos processos de mediação e construção da paz, considerando que a sua participação contribui para soluções mais inclusivas e duradouras.

Mateus Saize exortou os parceiros envolvidos no Projecto ProPaz a garantirem que os resultados alcançados não se limitem ao encerramento formal da iniciativa, mas sirvam de base para novas parcerias e acções em prol da paz e da reconciliação nacional.

Na ocasião, o governante manifestou reconhecimento ao Instituto para a Democracia Multipartidária, à União Europeia e aos restantes parceiros de cooperação pelo apoio prestado ao projecto.

 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) está a recolher evidências sobre alegados casos de poluição ambiental resultantes das actividades mineiras na província de Manica. O órgão garante que serão tomadas medidas severas contra empresas que estejam a explorar recursos minerais em violação das normas ambientais em vigor.

No âmbito das diligências, o procurador-geral da República, Américo Letela, visitou, nesta quarta-feira, algumas empresas mineiras localizadas no distrito de Manica, onde procurou inteirar-se do funcionamento das unidades de processamento mineral, das condições de trabalho e do cumprimento das normas ambientais.

Na empresa Mutapa Mining Processing (MMP), Américo Letela reuniu-se com a direcção e com os trabalhadores, tendo destacado a necessidade de verificar a salvaguarda dos direitos laborais e os impactos da actividade mineira no ambiente.

“Também queremos saber como os trabalhadores daqui têm salvaguardados os seus direitos, queremos saber como é a questão do impacto ambiental e entre outras coisas”, explicou Américo Letela.

Apesar de ter demonstrado satisfação com o nível de organização encontrado na MMP, a Procuradoria-Geral da República diz ter identificado, durante a visita a outras empresas mineiras, sinais de possível incumprimento das normas ambientais, estando em curso a análise dos elementos recolhidos.

Segundo o porta-voz da Procuradoria-Geral da República, Ângelo Mathusse, os dados recolhidos serão avaliados para determinar os próximos passos e, caso se confirmem irregularidades, poderão ser aplicadas medidas contra os responsáveis.

“Foram colhidos elementos para a clarificação deste tão badalado problema da poluição. Agora temos de fazer avaliação e tirarmos as necessárias ilações, e, se for necessário, avançarmos com as medidas para mitigar a poluição”, disse o porta-voz da Procuradoria da República, Ângelo Mathusse.

A visita da PGR acontece numa altura em que as actividades mineiras em Manica estão sob forte escrutínio, devido às denúncias de degradação ambiental, uso inadequado de recursos naturais e alegados impactos nas comunidades.

Nesta quinta-feira, Américo Letela prossegue a visita de trabalho no distrito de Vandúzi, onde deverá escalar a mina conhecida por “Seis Carros” para averiguar alegadas violações do decreto governamental que suspende as actividades mineiras, bem como investigar as recorrentes mortes de garimpeiros registadas naquela região.

O Conselho de Ministros aprovou, esta terça-feira, na sua 19.ª Sessão Ordinária, um conjunto de instrumentos destinados à recuperação das zonas afectadas pelas cheias, ao reforço da gestão das finanças públicas, à implementação da revisão do pacote de descentralização e à garantia do fornecimento de combustíveis líquidos no País.

Entre as deliberações consta a aprovação do Plano de Implementação das Leis n.º 11 e 12/2026, de 30 de Junho, que procedem à revisão do pacote de descentralização.

O Executivo aprovou igualmente o Plano Global de Recuperação e Reconstrução Pós-Cheias 2026, que visa promover uma recuperação resiliente, inclusiva e sustentável das áreas afectadas pelas cheias. O plano assenta em cinco prioridades: assistência humanitária imediata, reposição de serviços essenciais, reconstrução de infra-estruturas resilientes, recuperação económica e redução do risco de desastres.

Na área das finanças públicas, foi aprovada a Resolução que estabelece o Cenário Fiscal de Médio Prazo (CFMP) para o período 2027-2029. O documento define a estratégia fiscal, as projecções macroeconómicas e fiscais e os limites globais de despesa para os próximos três anos, servindo de base à preparação do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE), com o objectivo de reforçar a disciplina, a previsibilidade e a transparência na gestão das finanças públicas.

Ainda neste domínio, o Conselho de Ministros aprovou a Estratégia de Gestão das Finanças Públicas 2026-2035, que pretende modernizar o sistema de finanças públicas, promover a transparência, mobilizar recursos de forma eficiente, consolidar o equilíbrio fiscal e melhorar a prestação de serviços públicos.

A sessão aprovou também a Resolução que cria o Mecanismo de Facilidade de Pagamento aos Credores no Exterior, através da PETROMOC, S.A. O mecanismo fixa um montante de 50 milhões de dólares norte-americanos para garantir o fornecimento contínuo de combustíveis líquidos em todo o território nacional, minimizar os impactos sobre os consumidores e a actividade económica e assegurar o pagamento aos credores no exterior através de uma conta titulada pelo Ministério das Finanças no Banco de Moçambique, a ser aprovisionada pela entidade solicitante.

Durante a reunião, o Governo apreciou ainda a informação sobre o apoio prestado às vítimas da xenofobia na África do Sul.

O Presidente da República, Daniel Chapo, defendeu, esta terça-feira, que a recém-criada Inspecção-Geral de Segurança Alimentar e Económica (IGSAE) deve exercer uma fiscalização rigorosa, mas coordenada e orientada para a prevenção, evitando que as acções inspectivas se transformem num entrave à actividade económica ou num instrumento de intimidação dos agentes económicos.

Falando na cerimónia de tomada de posse da inspectora-geral, Shakila Abubakar Mohamed, e dos inspectores-gerais-adjuntos, Célio Rafael das Dores Goca e Silvestre Micas Panza, o Chefe do Estado afirmou que a criação da nova instituição visa modernizar o sistema inspectivo do Estado, reforçar a protecção do consumidor e salvaguardar a economia nacional.

Segundo Daniel Chapo, a nova inspecção deverá articular a sua actuação com as restantes entidades fiscalizadoras para evitar a duplicação de inspecções e reduzir os custos e constrangimentos impostos aos operadores económicos.

“Não faz sentido que um agente económico receba inspecções todos os dias”, afirmou o Presidente, acrescentando que a simplificação dos procedimentos deverá contribuir para melhorar o ambiente de negócios e atrair investimento.

O Chefe do Estado advertiu igualmente que a fiscalização não deve ser encarada como um mecanismo de arrecadação de receitas através de multas, mas sim como um instrumento de correcção de irregularidades, promoção da legalidade e fortalecimento da confiança entre o Estado, os operadores económicos e os consumidores.

No domínio da segurança alimentar, Daniel Chapo determinou o reforço da fiscalização em mercados, armazéns, fábricas, supermercados e restaurantes, bem como o combate à comercialização de produtos fora do prazo de validade, falsificados, contrafeitos, adulterados ou impróprios para o consumo.

Entre as prioridades definidas para a nova instituição figuram ainda a criação de brigadas móveis para actuar em zonas remotas e mercados informais, a digitalização dos processos de inspecção, o desenvolvimento de sistemas de rastreabilidade de produtos alimentares e a criação de uma base de dados nacional sobre infracções económicas e sanitárias.

O Presidente recomendou igualmente o reforço do combate ao contrabando, à especulação, ao açambarcamento e à adulteração de produtos, através de operações conjuntas com a Polícia da República de Moçambique, a Autoridade Tributária, as Alfândegas, o Ministério Público e outras instituições do Estado.

Na vertente institucional, apelou à integridade dos inspectores, defendendo mecanismos internos de prevenção e combate à corrupção e a publicação periódica dos resultados da actividade inspectiva.

Daniel Chapo sublinhou que a extinção da Inspecção Nacional das Actividades Económicas (INAE) e a criação da Inspecção-Geral de Segurança Alimentar e Económica integram o processo de reorganização e modernização do sistema inspectivo do Estado, com o objectivo de tornar a fiscalização mais integrada, eficiente e orientada para a protecção da saúde pública, dos consumidores e da economia nacional.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, garantiu este sábado que o Governo está a prestar assistência contínua aos moçambicanos que regressam da África do Sul na sequência dos actos de xenofobia, assegurando-lhes transporte, alimentação, acolhimento e integração socioeconómica.

O Chefe do Estado afirmou que, além da resposta humanitária, o Executivo está a identificar as competências profissionais dos cidadãos repatriados para facilitar a sua inserção em projectos de desenvolvimento em Moçambique e em mercados de trabalho internacionais com os quais o País mantém acordos de cooperação.

Falando em Dar es Salaam, na República Unida da Tanzânia, durante a conferência de imprensa de balanço da sua participação, como Convidado de Honra, na abertura da 50.ª Feira Internacional de Comércio de Dar es Salaam (Saba Saba), o estadista moçambicano começou por manifestar solidariedade para com os cidadãos afectados pela violência xenófoba.

A seguir, explicou que o Governo mobilizou equipas consulares em vários pontos da África do Sul, nomeadamente em Joanesburgo, Pretória, Cidade do Cabo, Nelspruit e Durban, além de uma equipa posicionada na fronteira de Ressano Garcia, para assegurar o acolhimento dos cidadãos que regressam a Moçambique.

Segundo o Chefe do Estado, o Executivo assumiu integralmente a logística de repatriamento dos cidadãos moçambicanos, garantindo igualmente o seu encaminhamento para as respectivas zonas de origem, sobretudo nas províncias de Gaza, Inhambane Maputo e Manica. Acrescentou que as autoridades estão também a trabalhar em estreita coordenação com a Embaixada do Malawi em Maputo, para apoiar os nacionais daquele país que utilizam Moçambique como corredor de regresso.

O Presidente moçambicano esclareceu que a resposta governamental está a ser conduzida por uma equipa multissectorial, envolvendo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), o Serviço Nacional de Migração (SERNAMI), o Instituto Nacional para as Comunidades Moçambicanas no Exterior (INACE), as Alfândegas, as Missões Consulares de Moçambique na África do Sul e outras instituições do Estado.

“Como Governo, a nossa responsabilidade não é só cuidar dos moçambicanos que estão dentro do território nacional, mas também no estrangeiro”, afirmou, acrescentando que os cidadãos recebem uma refeição quente logo à chegada e passam por um processo de triagem, processo que inclui, de entre outros, o registo das suas competências.

O governante explicou a triagem das competências profissionais dos repatriados visa facilitar a sua inserção no mercado de trabalho. Referiu que uma das prioridades é integrá-los em projectos em curso em Moçambique, incluindo os integrados no sector de petróleo e gás.

Além das oportunidades existentes em território nacional, o Chefe do Estado recordou que Moçambique mantém acordos de mobilidade laboral com Portugal e os Emirados Árabes Unidos, instrumentos que poderão igualmente beneficiar os cidadãos regressados da África do Sul.

Relativamente a Portugal, revelou que cerca de 800 jovens moçambicanos já foram colocados no mercado de trabalho daquele país europeu desde o início do acordo, incluindo aproximadamente 200 motoristas, estando actualmente em curso o processo de selecção de mais 300 trabalhadores para responder às necessidades do mercado luso.

Quanto aos Emirados Árabes Unidos, destacou os resultados obtidos pelo novo modelo de recrutamento através do Instituto de Emprego e Formação Profissional, indicando que o primeiro grupo de 15 jovens enviados já apresenta casos de rápida progressão profissional.

“O que nos impressionou é que, destes 15 jovens, dois, em apenas duas semanas, foram promovidos para supervisor das obras”, afirmou, acrescentando que outros três trabalhadores estão igualmente a ser avaliados para ascenderem às mesmas funções, dada a sua seriedade e o nível de conhecimentos técnicos que possuem.

O Presidente da República concluiu referindo que o levantamento das competências dos cidadãos regressados permitirá criar uma base de dados estratégica para facilitar a sua integração em oportunidades de emprego dentro e fora do País.

Segundo avançou, muitos destes trabalhadores possuem experiência profissional consolidada e domínio da língua inglesa, factores que poderão reforçar a sua empregabilidade em Moçambique e nos países com os quais o Estado moçambicano mantém acordos de cooperação laboral.

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