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O País – A verdade como notícia

Chapo ameaça mão pesada contra posse ilegal de armas após fim da amnistia

Presidente da República anuncia medidas coercivas contra quem não entregar voluntariamente armas de fogo em situação irregular e exige maior disciplina e respeito pelos direitos humanos às Unidades de Operações Especiais e de Reserva da PRM. O Presidente da República, Daniel Chapo, advertiu que o Estado moçambicano vai adoptar medidas

O jornalista Francisco Mandlate defende que Moçambique deve trabalhar de forma a melhorar questões de segurança, inteligência e outros aspectos para detectar o movimento de criminosos estrangeiros no país. Em entrevista ao Programa Noite Informativa, o analistas explicou que a facilidade de movimento estrangeiro pode representar risco para a soberania de Estado.

Depois da tentativa falhada de Golpe de Estado na República Democrática do Congo, descobriu-se os líderes desta tentativa são sócios de uma empresa mineira registada em Moçambique. trata-se de dois cidadãos americanos que viviam na cidade de Maputo e um congolês que vivia nos Estados Unidos da América.

Francisco Mandlate diz que os vários casos já registados de criminosos no país são preocupantes e demostram certa fragilidade na segurança. “Os dados mostram que Moçambique realmente tem acolhido criminosos. Mandlate lembrou de alguns casos já registado como o dos indivíduos que vivendo viveram em Moçambique, mas que estiveram envolvidos num atentado gingatesco num país europeu, assim como o caso do traficante Fuminho que esteve foragido por vários anos, acusado de crimes hediondos, mas foi encontrado numa zona nobre em Maputo”.

“Tudo isso tem que nos preocupar e nos tirar sono, não por acolher essas pessoas, mas pela nossa segurança. É a nossa sobrevivência como Estado, é a garantia da nossa soberania. Fora a isso, temos situações de pessoas que circulam, via aérea ou terestre, centenas de pessoas a virem do interior de África e a terem uma vida normal, sem que nós sequer saibamos quem são essas pessoas. Temos fragilidade ao nível da segurança que permite que tenhamos esse movimento todo”, explicou.

Uma outra amostra de fragilidade na segurança a que se fez referência durante o programa, foi o facto de alguns relatórios da Procuradoria da República mostrarem que Moçambique foi, algumas vezes, usado como corredor de drogas.

Sobre o assunto, o analista,diz ser uma clara amostra que temos um défice e é fundamental melhorar a questão da segurança. “Nós damos uma passarela vermelha a qualquer um que venha a Moçambique, basta que alguém queira abrir um negócio o faz facilmente. É preciso saber com quem estamos a lidar, está a ser recorrente ter pessoas de conduta duvidosa a terem acesso até a instituições sensíveis do nosso país”.

O jornalista disse ainda que embora estejamos num contexto em que, a luz do Pacote de Medidas de Aceleração Económica, Moçambique decidiu reduzir o nível de Burocracia como forma de atrair maior investimento estrangeiro, é importante filtrar, saber que vem a Moçambique vem realmente investir e vai seguir as regras do país, e filtrar de modo a saber questões de legalidade.

“Então não é para proibir o investimento estrangeiro, mas proteger o nosso Estado, porque hoje aconteceu com Congo, mas pode acontecer com Moçambique”, encerrou.

O Presidente da República desafia a Polícia a ter uma actuação exemplar durante as eleições gerais de 9 de Outubro. Filipe Nyusi falava, esta segunda-feira, no âmbito da saudação da PRM, por ocasião dos 49 anos da corporação, e depois de empossar o novo reitor da ACIPOL.

Oficiais-generais do topo da Polícia estiveram na Presidência da República, esta segunda-feira, para uma saudação pela passagem dos 49 anos da criação da PRM.

“Reafirmamos ainda a nossa prontidão em cumprir com zelo e responsabilidade a nossa missão de garantia da ordem, segurança e tranquilidade públicas aos moçambicanos, sem precondição. Sua Excelência, Presidente da República, comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, nós, membros da PRM, estamos prontos a cumprir as orientações e instruções que irão sair nesta saudação e prometemos transformá-las em matrizes do cumprimento obrigatório”, disse Bernardino Rafael, comandante-geral da PRM.

E as ordens não tardaram. Filipe Nyusi felicitou a PRM pela passagem da data, celebrada a 17 de Maio, mas também lançou, entre outros, o desafio de garantia da ordem e tranquilidade públicas face às eleições que se aproximam.

“Como sempre nos habituaram, os moçambicanos esperam que este evento decorra num ambiente ordeiro de paz e harmonia, como resposta à franca e certeira actuação policial, que tem vislumbrado o respeito dos moçambicanos. Numa sociedade cosmopolita como a nossa, onde se encontram pessoas de diferentes raças, cores e etnias, diferentes religiões e inclinações partidárias, a postura da Polícia é fundamental para que diferenças de opinião ou de actuação sejam respeitadas e contribuam para enriquecer o tecido democrático”, disse o chefe de Estado.

Por isso, disse Nyusi, a efeméride que se assinala deve servir para a introspecção, sobre o cumprimento das atribuições da Polícia.

Ora, na mesma ocasião, o comandante-chefe das Forças de Defesa e Segurança, Filipe Nyusi, conferiu posse ao novo reitor da Academia de Ciências Policiais, ACIPOL, Custódio Zandamela. É general na reserva e docente na instituição que passa a dirigir.

“Temos a plena certeza de que, pela sua vida e competência profissional, provada e comprovada, o reitor Zandamela será um elemento decisivo para o cumprimento exitoso da missão que lhe acabamos de conferir. O facto de conhecer bem a casa e a equipa que passará a dirigir permitirá uma mais fácil integração, bem como uma melhor compreensão dos desafios em presença e, consequentemente, a adopção de soluções adequadas ao contexto”.

Mas não deixou de felicitar o que foi substituído, José de Jesus Mateus Pedro Mandra.

“Ao seu antecessor, José Mandra, que dirigiu os destinos da ACIPOL nos últimos nove anos – por dever coincidiu com a minha presidência na governação – vão as nossas palavras de apreço. Foram momentos muito difíceis em que dirigiu a ACIPOL, e uma das coisas que me marcaram foi ter dirigido a instituição, no período da COVID-19, sem nenhum caso registado.”

O recém-empossado reitor tem como um dos primeiros objectivos rever o currículo da Academia de Ciências Policiais, para, segundo defende, ter os oficiais lá formados em condições de combater os crimes actuais, que sofrem mutação a cada dia.

“É necessário que haja um estudo desses fenómenos, e a Academia de Ciências Policiais deve, neste sentido, ter dupla missão. Por um lado, formar comandantes (…) para lutarem contra esses males sociais. Por outro lado, comparticipar, através de investigação e pesquisa, para encontrar as raízes mais profundas sobre algumas tipologias criminais.”

Zandamela defende que é preciso reforçar, na actual geração da Polícia, os valores de patriotismo e comprometimento, para acabar com o envolvimento da Polícia em actos criminais. O novo reitor da ACIPOL substitui José Mandra, que deixa o cargo nove anos depois.

“Como reitor, tenho, também, essa missão de criar, nas novas gerações de comandantes da Polícia, o espírito de bem servir, o espírito patriótico, ganhar a cultura do profissionalismo, ganhar as tradições criadas e desenvolvidas pelos fundadores da polícia.”

Venâncio Mondlane anunciou, este domingo, que vai concorrer às eleições presidenciais de 09 de Outubro próximo se o povo assim o desejar. Na visão dos analistas Samuel Simango, Moisés Mabunda e Fernando Lima, é um desejo que se pode realizar, mas há risco de problemas para a sustentabilidade da candidatura, hostilidades por parte do partido no poder, entre outros.

O membro da Renamo que foi impedido, não só de aceder ao VII Congresso do seu partido em Alto Molocué, aterrou no Aeroporto de Mavalane com um novo caminho para ser Presidente do país. Contudo, para alcançar o seu desiderato, precisa de pelo menos 100 mil assinaturas para sustentar a sua candidatura.
Na sua perspectiva optimista, Venâncio Mondlane não só vai conseguir conquistar 100 mil assinaturas, mas 110 mil, sendo 10 mil em cada província, incluindo a Cidade de Maputo. Para os analistas do programa Noite Informativa, da STV Notícias, edição de domingo, é possível que Venâncio consiga fazer frente a Daniel chapo, Lutero Simago e, sobretudo, Ossufo Momade.

Moisés Mabunda antevê dificuldades na capacidade organizacional, estrutural e financeira de dirigir um partido, caso Venâncio Mondlane consiga as assinaturas. “Se passarmos por aspectos logísticos, financeiros, organizacionais, se conseguir tudo isto, ele é uma figura política a considerar.”
A justificação de Mabunda sobre a possibilidade da candidatura de Venâncio Mondlane é que a sua “força política” foi testemunhada aquando das autárquicas. “As marchas que protagonizou depois das eleições autárquicas mostram que tem uma aceitação no meio político nacional”, mas alerta que “nem sempre um bom jogador pode ser bom montador de equipas”.

Em acréscimo, Mabunda diz que “a presença de Venâncio é uma mancha muito grande e caberá à Renamo encontrar estratégias fortes para abafar qualquer entusiasmo da juventude, uma vez que Venâncio vai também direcionar o seu pedido de voto ao grosso número de jovens da Frelimo que estão frustrados. Os novos votantes verão em Venâncio uma figura em ascensão, por ter uma popularidade muito grande”.

Fernando Lima também concorda que Venâncio Mondlane seria um obstáculo nas eleições, não só para a Renamo (seu partido), mas também para a Frelimo e para o MDM. Também concorda que “haverá muitas barreiras legais para Venâncio Mondlane concorrer”, mas diz que a prioridade, agora, é correr contra o tempo, uma vez que os partidos já submeteram as suas candidaturas e o calendário eleitoral não espera por ninguém. Venâncio deve decidir se será candidato de um partido ou vai optar por uma coligação de partidos políticos”, defendeu.

Lima recordou que Daviz Simango, o falecido antigo presidente do MDM, também começou a sua eleição em circunstâncias semelhantes. “Daviz Simango, na sua primeira candidatura na Beira, foi como independente e teve problemas na própria cidade que o elegeu, porque não tinha grupo na Assembleia Municipal, por isso é importante que Venâncio Mondlane equacione as possibilidades a pensar em ter, politicamente, um grupo de apoio”, alertou.

O analista Samuel Simango, que prevê o mesmo cenário, diz que caso Mondlane consiga lograr as suas intenções, o partido Renamo, sobretudo o seu presidente, serão os primeiros a ressentirem-se das suas decisões. “A primeira candidatura que irá sentir a presença de Venâncio como candidato será Ossufo Momade, porque tudo indica que as declarações dos delegados no congresso não são totalmente verdadeiras, pois há-de haver apoiantes do próprio Congresso”, reflectiu.

Sobre a postura do partido Renamo face aos exercícios legais levados a cabo por Venâncio Mondlane, o último que o obrigava a participar no Congresso Nacional, Fernando Lima diz que era previsível que houvesse impedimentos. “Seria muito difícil para Ossufo Momade e para a Renamo acolher Venâncio depois de todas as batalhas judiciais a que os sujeitou. Os sapos que Mondlane distribuiu foram tantos e tão volumosos que o próprio Ossufo Momade teria uma indigestão ao engolir”, referiu.

E, apesar das confusões no congresso, nem tudo foi mal. Para Samuel Simango, houve também bons exemplos. O primeiro é que “foi boa a ideia de se realizar o congresso no distrito. Foi louvável. De alguma forma, transferiu algum fluxo da economia. O segundo diz respeito às intervenções dos delegados provinciais, que, além de saudações, incluíam alguns posicionamentos políticos”, acrescentou.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, confere posse hoje, no Gabinete da Presidência da República, a Custódio Fabião Zandamela, nomeado ao cargo de Reitor da Academia de Ciências Policiais (ACIPOL).

Em seguida, o Chefe do Estado recebe uma Saudação, na qualidade de Comandante-Chefe das Forças de Defesa e Segurança, por ocasião do 49º Aniversário da Polícia da República de Moçambique, indica um comunicado recebido na nossa redacção.

O Ruanda está a reforçar o actual contingente de 2.500 militares que combatem os terroristas em Cabo Delgado. O anúncio foi feito pelo Presidente da república, Filipe Nyusi, que se reuniu após um encontro com o homólogo ruandês.

“Esta semana está a desembarcar mais contingente, não para trocar, mas para acrescentar fluxo. E isso sobretudo por causa da saída da SAMIM, missão militar dos países da África Austral e quando sair definitivamente da zona de Macomia vamos ocupar”, avançou Filipe Nyusi, em declarações aos jornalistas durante o balanço da visita que realizou até sexta-feira ao Ruanda.

“Não porque Moçambique não pode assegurar a defesa, mas não se combate terrorismo só. Mas a responsabilidade maior é dos moçambicanos”, explicou Nyusi, citado pela DW.

“Ficou completamente seguro que o Ruanda coopera com o país, não coopera com pessoas. E o maior orgulho que nós teríamos era deixar as coisas bem feitas para ter a sua continuidade”, disse.

O membro do Conselho Nacional da Renamo, Manuel de Araujo, edil de Quelimane, disse que todos devem aceitar a decisão do congresso em relação a escolha do presidente do partido, pois foi um processo que ocorreu de forma justa e leal.

Manuel de Araujo destacou que o desafio pós-congresso é a proposta de composição do conselho jurisdicional, do conselho nacional e, por último, a proposta da composição do conselho nacional do partido.

“O presidente Ossufo disse que queria trabalhar com os antigos candidatos e queria unir o partido. Eu penso que o primeiro teste vai se verificar na composição das listas, se as listas reflectirem uma multiplicidade e uma convergência estará dado o primeiro passo para que todos juntos trabalhemos, para que no dia 9 de Outubro, consigamos aquele que é o desejo da maioria dos moçambicanos”, disse De Araújo.

O membro do Conselho Nacional da Renamo explicou que, por agora, Ossufo Momade foi eleito apenas o presidente da Renamo, não o represetante do partido para as eleições presidenciais.

“Que eu saiba, não foi declarado candidato para as eleições, foi eleito presidente do partido, portanto, vamos esperar que as coisas se desenrolem. Foi eleito presidente do partido e tem todo o mérito, porque foi um processo justo e leal, agora, vamos esperar as restantes deliberações”, acrescentou.

O antigo Secretário-Geral da Renamo, Manuel Bissopo, sugere que Ossufo Momade mude as suas estratégias de liderança e que melhor defina as prioridades da formação política.

Manuel Bissopo diz acreditar que as coisas possam mudar dentro do partido Renamo, no entanto, cabe a Ossufo Momade adoptar uma postura diferente. 

“Tenho que ter esperanças que algo pode vir a mudar, mas tudo depende dele. O meu desejo é que ele mude de estratégia em relação a utilização das pedras e da definição de prioridades, entre outras coisas que ajudam a unir mais o partido e a  torná-lo mais credível”, disse.. 

Bissopo acrescentou que, como quadros da Renamo, todos estão a mostrar disponibilidade para fazer o trabalho, através da participação no processo, mas cabe ao presidente “jogar as pedras para o sucesso do partido”. 

O antigo Secretário-Geral da Renamo explicou ainda que as falhas anteriores de Ossufo Momade podem ser justificadas pelo facto de ele ter tomado o poder logo depois da perda de um grande líder, mas espera que os passados cinco anos lhe tenham servido de aprendizado.

 “Se calhar acabávamos de perder um grande líder, e ele não estava preparado para lidar com as diferenças, mas sinto que nos últimos anos, ele aprendeu muito com as falhas”.

De referir que Manuel Bissopo foi, numa primeira fase, impedido de fazer parte do congresso, e só pouco antes das 16 horas é que conseguiu fazer parte do evento, como mandatário do candidato Elias Dhlakama.

A deputada da Renamo, Ivone Soares, defende que o partido deve ouvir o que cada candidato disse, usar o que há de melhor em cada manifesto para garantir que a força política seja, depois deste congresso, mais robusta, mais forte e mais coesa. 

A candidata que foi a terceira mais votada para o cargo de presidente da Resistência Nacional Moçambicana disse que está satisfeita pelo facto de, pela primeira vez, a voz de uma mulher ter se feito sentir como candidata na Renamo e disse ainda estar orgulhosa pelo apoio de militantes, membros e simpatizantes do partido, que lhe propuseram apresentar a sua candidatura. 

“O terceiro lugar para quem está a começar não é mau, penso que foi uma experiência muito boa, combati um bom combate, vou continuar como militante da Renamo, a trabalhar, como sempre trabalhei, de forma árdua”.

Em relação às críticas feitas ao Governo de Ossufo Momade, Soares explicou que devem servir para que o partido cresça e amadureça. 

“Eu sou uma mulher frontal, sempre fui muito frontal, não me conheço de outra forma, sempre digo aquilo que tem que ser dito, porque é uma forma de fazer com que a organização cresça, amadureça e melhore os seus procedimentos. Acho que toda a crítica e auto-crítica que for feita dentro do partido e dentro das organizações deve ser tida em conta”, disse. 

Por fim, a parlamentar disse não sentir que tenha feito uma afronta ao seu partido, apenas disse o que deveria ter dito. “Não me sinto como se tivesse feito uma afronta, mas sinto que disse o que devia ser dito para a organização ser mais forte e poder estar adequada a enfrentar os desafios que a sociedade impõe”.

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